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Obediência: Uma Benção para a Criança


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3ª Mensagem: Obediência: Uma Benção para a Criança

Por Tedd Tripp

Na 10ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes.

© Editora Fiel.Website: editorafiel.com.br

Confira o livro: Pastoreando o Coração da Criança

Download: áudio

 

Gn. 18:19. “Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor, e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito.”

Nós vimos anteriormente, que o problema das nossas crianças não está limitado ao comportamento, mas está diretamente ligado ao coração pecador. Que não basta mudar o comportamento, e sim o próprio coração. Que precisamos fazer com que as nossas crianças vejam que o problema real está no seu coração. Assim poderemos educar corretamente as nossas crianças, livrando-nos da tendência errada de corrigir meramente o comportamento e não desprezando a mudança de coração.

Conhecendo as Atitudes do Coração

Agora vamos ver mais detalhadamente as possibilidades das atitudes do coração, como por exemplo a motivação para vingança que pode estar infiltrada no coração da criança. O qual pode ser expresso na atitude de bater em alguém, que é apenas uma exteriorização da atitude vingativa do coração. Sendo que o contrário desta atitude seria o confiar a Deus esta vingança, o que gostaríamos de ver nelas.

Outra atitude que pode estar no seu coração é o temor do homem, o que seria o oposto do temor a Deus. Ou ainda pelo orgulho, que é o oposto da humildade. O amor próprio em oposição ao amar ao próximo (Fl.2). A motivação pela auto-preservação, ao invés de dar a sua vida por outro (Mc.19). Talvez esteja motivado pelo temor ao invés do amor perfeito que lança fora o medo. A cobiça em oposição a generosidade. A inveja ao invés do desejo do bem para os outros. O ódio ao invés do amor.

Veja que aí nós encontramos uma grande variedade de atitudes do coração. E em cada uma delas não nos cabe impor as nossas crianças a atitude correta apenas. Mas em aconselhá-las e levá-las a entender estas coisas. Eu quero ajudá-las a entender o que vai dentro dos seus corações.

Isto que foi apresentado, não esgota todas as atitudes do coração, mas serve apenas como exemplos para você poder entender corretamente o que estou falando.

No próximo capítulo, nós abordaremos sobre a punição e castigos físicos. Mas mesmo quando se estiver usando a disciplina física, deve-se ter em mente que o problema é a atitude do coração. Pode ter momentos em que não se pode esclarecer isso a criança, mas eu, na minha mente, tenho de ter esta consciência. Vamos sempre lembrar que a “boca fala do que está cheio o coração”.

Conhecendo o Sentimento do Coração

Como sugestão eu gostaria de abordar agora sobre a necessidade de se perguntar sempre o ‘por quê’ para as nossas crianças. Esta pergunta é sempre terrível para elas. Quando se pergunta a elas: ‘por que você fez isto?’ mas elas podem nos responder de forma bem elaborada. Então quando quisermos entender a situação devemos perguntar o que elas estavam sentindo quando fizeram aquilo, ou como você se sente quando vê alguém agindo assim? ou perguntar-lhes sobre aquelas coisas que as ferem, ou sobre os desapontamentos. Nós precisamos aprender a fazer perguntas que as sondem e que faça com que elas abram o coração. Em oposição a isso é comum nós vermos os pais dizerem para as suas crianças que elas não devem se sentir feridas ou magoadas, mas agindo assim, é como se estivessem dizendo que não querem ouvir sobre os seus sentimentos. Esta atitude não vai fazer com que elas deixem de sentir-se mal por algo que sofreram, mas serão desincentivadas a nos falar sobre estes assuntos. É assim que nós queremos que elas ajam para conosco? Você quer que elas cheguem a conclusão de que não está interessado em falar sobre o que está lhes provocando sofrimento? Não seria melhor ouvi-las e ajudá-las a entender o que está acontecendo e a responder de forma bíblica sobre todas estas questões?

Quando a minha filha estava no colegial, aconteceu que ela tinha um professor que não gostava dela. E isto era verdade somente pelo fato de ela ser irmã de um outro aluno que ele gostava muito, e ela não era muito amiga do irmão. E ela passou quatro anos estudando com este professor que lhe perseguiu durante este tempo todo. O que você acha se nós lhes tivéssemos dito que não deveria se sentir assim para com o professor? que ela não deveria falar sobre este assunto em casa? provavelmente nós encerraríamos as reclamações dela, mas não resolveríamos o problema para ela. Nós teríamos apenas nos demovido da posição de pais que poderiam ajudá-la. Ao invés disso, nós buscamos e tivemos muitas oportunidades para falar com ela sobre aquele problema. Olhamos muitas passagens bíblicas que nos ensinam como podemos responder quando somos tratados com injustiça.

Há passagens como 1Pe.2. A segunda parte deste capítulo é sobre como responder a injustiça, onde estabelece uma base muito mais segura para como abordar este tipo de problema. Portanto não tenha medo de validar aquilo que causa sofrimento as suas crianças. Deixe que elas percebam que você entende o problema, para que você possa manter a posição da onde possa dar discernimento bíblico sobre o problema. E para fazer isso é necessário que estejamos preparados para conversar com as nossas crianças. Com as crianças pequenas nós vamos ter de falar sobre isso uma vez, mas com as maiores, elas vão precisar de tempo para pensar sobre isto. Então nossa forma de abordagem deve ser diferente, como: “talvez o que esteja acontecendo com você seja isso…” E depois voltar novamente e falar mais um pouco. Temos de tomar cuidado para não fecharmos a porta da conversa com a nossa resposta brusca ou irada.

Tg.1:19 nos diz que não será através da nossa ira que nossos filhos obterão retidão diante de Deus. Quando nós abordamos ou respondemos com ira eles não falarão conosco, apenas ouvirão, pois eles sabem que quando se está irado não há resposta certa para todas as questões envolvidas no problema. E que não poderão fazer nada para retirar a nossa ira. Seja então pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar, porque a ira do homem não causa a vida reta que Deus deseja. As nossas crianças não vão corresponder acertadamente, simplesmente porque nos iramos.

Empatia: Abertura para o Diálogo

Também é necessário que façamos no nosso lar um ambiente de aceitação para as nossas crianças. Onde não há nenhum assunto proibido que não possa ser conversado. Precisamos dizer algo como: “Não há nada que você venha a me dizer que eu não vá ouvir de forma séria. Talvez eu não concorde com você, mas eu vou ouvi-lo, e eu vou falar com você seriamente sobre as suas idéias e seus problemas”. Então, precisamos ajudar nossas crianças a caminharem do comportamento para a atitude do coração.

Para podermos fazer assim, teremos uma grande ajuda se nós mesmos entendermos como o pecado age em nós. Se soubermos como o pecado age conosco teremos discernimento para ajudar as nossas crianças nessas mesmas questões. As Escrituras nos dizem que os mesmos problemas com o pecado enfrentam todos os homens, inclusive as crianças. Use então este entendimento para trabalhar e atrair as suas crianças, pois assim fazendo, estaremos comunicado-lhes que nós as entendemos e que estamos juntos com elas, e podemos mostra-lhes então, a solução destes problemas em Cristo. É importante para elas perceberem que nós, os pais, somo iguais a elas. E que nós também necessitamos buscar graça em Cristo para os nossos problemas com o pecado, assim como elas.

O Círculo da Bênção

Ef. 6:1-3 “Vós filhos sedes obedientes a vossos pais, no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra”. Quando meus pais se converteram, eu era ainda muito jovem e eles começaram desde cedo a nos ensinar a memorizar versículos. Um dos primeiros que nós aprendemos foi exatamente este. E certa noite, meu pai tinha um amigo seu em casa para o jantar e quando nós fazíamos qualquer tipo de desobediência, ele simplesmente nos dizia: Ef.6:1, e nós então o obedecíamos. Então o seu amigo lhe perguntou: o que é Ef.6:1? eu estou precisando disso em minha casa, pois vejo que aqui isso funciona de forma maravilhosa. Este é um bom trecho das escrituras para ensinar as nossas crianças.

Agora, o que Deus tem feito em Ef.6:1 é o seguinte diagrama:

Círculo da Bênção – Ef. 6:1-3

Deus tem neste diagrama desenhado um circulo dentro do qual a criança deve obedecer. Os limites deste círculo é que a criança tem de honrar e obedecer seu pai e sua mãe. E Deus diz que a criança tem de ficar dentro dos limites deste círculo e ele coloca junto duas promessas: Vida longa e tudo irá bem. Então, este círculo de bênção, formado por Deus, coloca a criança debaixo da autoridade dos pais, para poder desfrutar de proteção. E esta obediência é extensiva a Deus, pois quando elas obedecem aos pais estão sendo obedientes a Deus. Por isso elas devem obedecer aos pais no Senhor.

As crianças devem estar familiarizadas com o conceito de que elas foram criadas para o Senhor. E o Senhor tem prometido grandes bênçãos se elas ficarem dentro deste círculo.

O Que o Texto nos Ensina?

Vamos definir melhor as palavras “Honra” e “Obediência”.

Honrar os pais significa estimá-los e respeitá-los por causa da posição de autoridade deles. E elas nos honrarão como resultado de duas coisas. Mas antes de adentrarmos nestes conceitos, temos de ver a necessidade de incutir nelas a importância de se honrar a quem merece honra, pois em nossos dias não se atribui honra a ninguém, não se respeita ninguém. Elas devem ser orientadas a falar de maneira correta com as pessoas que merecem honra. Nunca deverão falar, aos pais, de forma imperativa. Devem aprender a expressar seus pensamentos de uma forma que demonstre respeito para com seus pais. Podemos dizer-lhes algo assim: “Desculpe querido(a), mas Deus me fez seu pai e você deve me tratar com honra. Vamos ver se você consegue encontrar uma forma respeitosa de expressar o mesmo pensamento.” ou “querido(a), eu não sou um de seus amigos, talvez você possa falar assim com ele, mas eu sou seu pai e você me deve respeito no falar”, ou ainda “Querido, você não pode dar ordens ao seu pai, você pode pedir alguma coisa, mas não dar ordens, porque Deus me fez o seu pai e você precisa me tratar com honra, e Deus diz que se você fizer assim, Ele dará a você vida longa e tudo te irá bem”. Este tipo de ação nossa deve ser estendida a qualquer forma ou expressão de desrespeito ou desonra, como gestos, caretas, olhares, palavras ou atitudes.

Este treinamento deve ter início o mais cedo possível, não espere a adolescência, pois você terá de enfrentar o comportamento de desonra delas para com você, e poderá não ter mais solução. Adolescentes que sabem respeitar, aprenderam isso com idade entre 1 e 5 anos, após isso torna-se muito mais difícil o aprendizado da criança nesta área de comportamento.

Também é necessário que tenhamos em nossas mentes que é necessário, de nossa parte, respeito para com elas. Quando errarmos, devemos pedir-lhes desculpas, pois está envolvido aqui a regra do que se planta é o que se colhe. E isto é verdadeiro no processo de educar as crianças, como também em outras áreas da vida.

Vamos, então, definir Obediência.

Esta palavra não é muito popular em nossos dias e na verdade é popular hoje a idéia de se ser positivo, afirmativo, e de reagir as coisas que nos são apresentadas. Sendo que, obediência é submissão a alguém em autoridade, ou seja, obedecer ao que lhe foi mandado, e fazer quando lhe foi mandado. Eu tenho em minha casa um cartaz com a seguinte expressão: “OBEDECER É OBEDECER SEM DESAFIAR, SEM DESCULPAS E SEM ATRASOS”. E os meus filhos fizeram para si este mesmo cartaz para utilizar em suas casas. E isto demonstra a importância que estas coisas tiveram em suas vidas, de como foram benéficas para eles e as querem também estendê-las aos seus filhos. Como pais é preciso termos as nossas crianças nos obedecendo e nos honrando, pois é isto que Deus disse que elas devem fazer.

Quem é Beneficiado com a Obediência e a Honra?

Agora vamos analisar a seguinte questão: Quem é que vai se beneficiar do ato de uma criança honrar e obedecer seus pais? É claro que a criança será a beneficiada, pois é isto que o texto de Ef..6:1 nos diz. Portanto aprender a obedecer é para o benefício da própria criança. Não é simplesmente para o nosso agrado como autoridades. Mas isto é bom para elas e Deus assim o manda fazer, em benefício delas.

Precisamos treiná-las a obedecer de pronto, não após ameaças ou quando elas quiserem. Também, conseguir que nossas crianças façam aquilo que queremos que façam não significa exatamente obediência, pois poderá ser através de uma simples negociação – faça isso que eu lhe dou isso…, mas nós precisamos faze-las sentir prazer em nos obedecer, porque isso será bom para elas. E precisamos ser constantes em nosso treinamento, e prontos a enfrentar a cultura de nossa época, que perdeu o conceito de autoridade. Precisamos ser consistentes, e nossas regras precisam ser as mesmas todos os dias, assim como as expectativas também.

Se o círculo da obediência e da honra é o lugar onde a criança poderá desfrutar de segurança e bênção, por implicação quando ela se afasta deste local ela está em local de perigo, pois ao abandonar o círculo, terá perdido a promessa de que tudo lhe irá bem e que serão longos os seus dias. Portanto a desobediência é a causa do afastamento da promessa de Deus e o caminho da correção e da disciplina por parte dos pais, é o caminho de volta ao local da bênção para nossos filhos.

Quem é beneficiado com a disciplina e a correção? claro que é a criança. Se moramos em uma rua movimentada e nossa criança vai para o meio da rua, não vamos ficar parados observando para ver o que acontece a ela, mas nós vamos logo tirá-la de onde está e a colocamos de volta num local seguro. Isto é o que a disciplina e a correção faz com a criança. Disciplina e correção é uma missão de resgate. É tirar a criança de um lugar de perigo e colocá-la em um lugar seguro. Então, o benefício é todo para a criança. Quando nós somos os beneficiados com o processo, então estamos invertendo todo o processo, e estamos passando para elas o conceito que diz: nenhuma criança minha vai me desobedecer. Nós as estamos corrigindo porque não queremos que elas sejam inconvenientes a nós.

Nós temos neste texto uma mandato para agir. Mas é para o benefício da criança, para traze-la de volta ao lugar onde tudo lhe irá bem e terá vida longa – Bênção de Deus.

Senhor dá-nos sabedoria, pois reconhecemos que esta tarefa é muito grande e é demais para nós. Lembra-nos que aquilo que Tu nos ordenas, também nos capacitas. Que Tu nos deste o mandamento para treinar nossas criança. Dá-nos, também a força e a habilidade para cumpri-lo. Ajuda-nos a sermos resolutos e fortes para que tenhamos coragem para fazer aquilo que Tu nos mandas. E nós Te pedimos isto para que Cristo seja glorificado na Tua igreja, no nome de quem oramos. Amém.

 

Fonte: monergismo.com





  • micheli

    ESTOU TRABALHANDO COM ADOLESCENTES E PRECISO DE MATERIAL,QUERO SABER O QUE VCS TEM.

  • cristiane freitas

    achei muito bom o estudo trabalho com jovens e gostaria de receber algumas ideias sobre alguns temas vicios,prostituição,falta de compromisso , rebeldia e etc.

  • rubia duarte

    trabalho com crianças em uma escola e preciso de temaspara devocional , qual a dica ?