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Qual a diferença entre expiação e propiciação? – D. A. Carson [O Deus Presente 11/14]

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pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;  (Rm 3:23-25)

O que significa expiação e propiciação? D. A. Carson explica neste vídeo.

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Transcrição

Ele está usando a linguagem da época: “Somos todos justificados”. Declarados justos perante Deus, declarados íntegros perante Deus. Como? Nós não somos! Nós acabamos de ler dois capítulos e meio para dizer que não somos! E agora nos é dito que essa justiça de Deus nos declarou justos, nós somos justificados gratuitamente por sua graça através desta redenção, dessa nossa recompra, por nossa liberdade agora assegurada por Cristo Jesus, através da redenção assegurada por Cristo Jesus. Como? Como isso aconteceu?

“Deus propôs a Cristo como sacrifício de expiação, através de seu sangue”. (Rm. 3:25) Ou como apresenta corretamente outra tradução: “Deus apresentou a Cristo como propiciação, pelo derramamento de seu sangue, para ser recebido mediante a fé”. Agora, o que isso significa? Nós precisamos pausar por um momento para meditar sobre esta palavra: “propiciação”, ou “expiação”, como em algumas traduções, ou “sacrifício de expiação”. “Sacrifício de expiação” não é ruim, só não é concentrado o bastante. Deixe-me desembrulhar os termos.

“Propiciação” é aquele ato sacrificial pelo qual Deus se torna propício. Isso não ajuda muito, não é? “Propício” significa simplesmente favorável. Ou seja… dizer que a propiciação é um ato pelo qual Deus se torna propício, é dizer que é um ato pelo qual se torna favorável a nós. Ele é contrário a nós em certo sentido em ira, mas agora, por meio desse ato sacrificial, ele se torna favorável a nós. É propiciação.

“Expiação” é o ato pelo qual o pecado é cancelado. É anulado. Apagado do registro. Então o objeto da expiação é o pecado. O objeto da propiciação é Deus. Deus se torna favorável.

No mundo pagão do primeiro século, quando pagãos ofereciam sacrifícios a seus deuses, muito frequentemente era em um desejo de torná-los propícios, favoráveis. Então, se você quisesse fazer uma viagem marítima, eles ofereceriam um sacrifício propiciatório para Netuno, o deus do mar, na esperança de que ele não ficasse de mau humor, ou com raiva de você, e então você pudesse fazer uma viagem marítima; era um sacrifício a Netuno para torná-lo propício, era um sacrifício propiciatório.

Mas este texto diz algo particularmente impressionante. No antigo jeito pagão de olhar para as coisas, eu, o devoto, ofereço um sacrifício propiciatório para os deuses. Mas este texto diz que Deus propôs a Cristo como sacrifício propiciatório. Então isso significa que Deus apresentou a Cristo como sacrifício propiciatório para propiciar a Deus? Como pode Deus oferecer um sacrifício que propicia a si mesmo?

Ora, em parte por este motivo, houve todo tipo de pensadores que realmente rejeitaram totalmente esta interpretação, pensaram que isso é bobo, não faz o menor sentido, como pode Deus propiciar a si mesmo? Além do mais, alguns deles só não gostam da ideia de sacrifício de sangue, ou de Deus estando irado. Houve um estudioso muito influente no Reino Unido na década de 30 que se chamava C.H. Dodd, que argumentava fortemente que isso não fazia o menor sentido, Deus não pode propiciar a si mesmo, portanto isso deve ser expiação. Não é Deus propiciando a Deus, desviando a ira de Deus; como pode Deus propiciar a Deus? Ele disse: Afinal, Deus amou o mundo de tal maneira que ele deu seu Filho! Se ele já era tão favorável ao mundo que deu seu Filho, como você pode imaginar que o Filho está propiciando a Deus? Ele já é favorável! Então ele não deve estar propiciando a si mesmo! Ele deve estar se aproximando para oferecer o Filho para expiar, para cancelar o pecado. Houve algumas respostas por pessoas dos Estados Unidos, na Austrália e na Inglaterra. E o que eles apontaram foi que… quando a propiciação é mencionada no Antigo Testamento, sempre se dá no contexto da ira de Deus.

A palavra “propiciação” apresentada aqui, dois terços das vezes é a palavra usada para o topo da Arca da Aliança no dia da expiação, quando o sangue do boi e da cabra é derramado, precisamente para desviara ira de Deus. Deus ordenou que este sacrifício fosse oferecido para desviar a ira de Deus. Este é o contexto onde isso é mais usado no Antigo Testamento. E nesta mesma passagem nós acabamos de ter dois capítulos e meio que começam com: “A ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade” que nós, seres humanos, praticamos, ao suprimir a verdade.

Então a ira de Deus está lá! É pessoal, é profunda, é inevitável, e em certo sentido tal ira deve ser desviada, mas como pode Deus propiciar a si mesmo? E a resposta, é claro, é que Deus é contrário a nós em ira por causa de sua santidade. Ele é. Se ele não for contra nós em ira, então ele é imoral. “Eu não me importo. Eles podem blasfemar, matar, estuprar, roubar, mentir; sem estresse: eu não me importo. Isso não me afeta”. Deus é justo, e ele é sim contra nós em ira, especialmente porque nós o marginalizamos, nós o destituímos. Deus sabe que é para nosso bem que ele deve estar no centro de absolutamente tudo. Não é simplesmente que ele quer ter uma espécie de preferência entre iguais. Quando você e eu queremos ser especialmente louvados por nossos semelhantes, queremos ser mais fortes do que eles, ser reconhecidos como superiores, mas Deus é superior. Ele não é apenas nós, ele é Deus; nós somos a imagem de Deus. Mais do que isso: Deus sabe em amor que nós devemos vê-lo no centro de tudo ou estamos perdidos e arruinados. É para nosso bem, é por amor que Deus insiste que seja assim. Então ele se ira quando por nossas ações, pensamentos e obras, nós declaramos: “Não será assim”. Deus é contrário a nós em ira, por causa de sua santidade.

Mas ele é contrário a nós em… amor, porque ele é esse tipo de Deus. E este texto diz que Deus propôs a Cristo Jesus para ser a propiciação por nossos pecados. Ora, de fato, você não pode ter propiciação; isto é, o desviar da ira de Deus; sem expiação, o cancelamento do pecado. Ambas pendem juntas na Bíblia. E mesmo no sacrifício no dia da expiação era assim, e é por isso que algumas pessoas preferiram abraçar o termo “sacrifício de expiação”, “Deus propôs a Cristo para ser o sacrifício de expiação por nossos pecados”, cancelando nossos pecados, e desviando a ira de Deus. O que você não pode perder no contexto de Romanos, é a ira de Deus. A palavra propiciação é a mais concentrada.

Por Don Carson. Copyright The Gospel Coalition, Inc. Original: The God Who is There: Part 11. The God Who Declares the Guilty Just

Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Original: Qual a diferença entre expiação e propiciação? – D. A. Carson [O Deus Presente 11/14]

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  • Fernando

    Bem, preciso tirar uma dúvida…isso quer dizer que o termo expiação é inadequado? Em qualquer contexto?