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Um Ídolo Chamado Eu – R. W. Glenn (pregação completa)

Bob Glenn - Um ídolo Chamado Eu

Eu me amo; eu me adoro; eu não consigo viver sem mim.

Vivemos em uma sociedade absorta em si mesma. Segundo Bob Glenn, que será palestrante da Conferência de Jovens de 2014, todos nós adoramos um ídolo (algo que adoramos no lugar do Deus vivo); e o ídolo preferido normalmente é o próprio “eu”. Isso é evidenciado pela cultura da auto-ajuda, na qual o “eu” determina e muda todas as coisas. Contudo, quando confiamos em nós mesmos mais que confiamos em Deus, isso é idolatria. Até quando tentamos nos ajudar, caímos na “auto-ajuda” e na “auto-idolatria”. O que fazer, então? O que pode nos livrar de nossa auto-idolatria? É o que Bob Glenn reflete nesta mensagem.

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Analise o seu coração

De que formas seu ídolo favorito (você mesmo!) tem se revelado? Em que formas você tem sido egoísta? Você está idolatrando a autossatisfação da pornografia? Você tem justificado a si mesmo, dando motivos para não conversar com alguém que pecou contra você (e perdoá-lo)? Você tem amado seu conjugue ou só tem pensando em como ele ou ela não tem dado a atenção e o tratamento que você merece?

Olhe para Cristo

Não desperdice este momento. Reflita no amor de Cristo demonstrado na cruz. Você é digno de tal amor? Ele morreu e ressuscitou para que você não mais vivesse para si mesmo, mas vivesse para ele! Como o amor de Cristo tira seus olhos de si mesmo e o faz olhar para o próximo?

E-book

Logicamente, já que amamos vocês, preparamos um e-book com a transcrição da pregação. Clique no botão para baixar o e-book. Se preferir, você pode ler a pregação abaixo ao clicar  em “transcrição”.

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Transcrição

O título da mensagem de hoje diz tudo e se chama: “Um Ídolo Chamado Eu”. Então o argumento que farei é bem simples: Todos neste lugar, cada um de nós, adora ídolos, e o principal deles é você mesmo. E a única solução para o problema do eu é Jesus Cristo. Esse é o resumo da mensagem. Todos são adoradores de ídolos, cujo principal é você mesmo, e só Jesus pode resgatá-lo de si mesmo.

Para isso fazer sentido, quero lembrá-lo de algo que temos falado enquanto trabalhamos o livro de Oseias, que temos visto desde setembro, e é o seguinte: Idolatria não é algo fora de você, idolatria é algo dentro de você. Idolatria não é algo externo, mas interno. Está em seu coração. E isso porque um ídolo, por definição, é qualquer coisa em que você centraliza a sua vida que não seja o Deus cristão. Qualquer coisa em que você centraliza a sua vida que não seja o Deus cristão. Então um ídolo pode ser o que lhe dá um senso de identidade. Eu sou uma esposa, eu sou uma mãe, eu sou um pai, eu sou um estudioso, eu sou um teólogo, eu sou amado pelas pessoas. De onde quer que você esteja tirando sua identidade à parte do Deus cristão pode ser um ídolo. Pode ser o que quer que lhe dê uma sensação de relaxamento e descanso, onde você sente como: “Tudo está bem por causa de…” Isso pode ser seu ídolo. Seu deus funcional é o que quer que faça sua vida valer a pena. O que quer que você pense que faz a sua vida considerável para você ou para outras pessoas. Um ídolo pode ser simplesmente o que você deseja ou almeja acima de tudo, então para você pode ser conforto, ou aprovação, ou ser compreendido. Lazer, dinheiro, poder, sexo, todo tipo de coisa. Um ídolo é qualquer coisa em que você coloque sua esperança ou confiança que não seja o verdadeiro Deus amoroso, onde você procure por confiança. Um ídolo é, basicamente, o que é mais sagrado para você, o que quer que ocupe a posição mais sagrada na sua vida. Sua família, sua carreira. Pode ser qualquer coisa.

Então a idolatria não é algo fora de você, mas é algo dentro de seu coração. E a razão pela qual devo lembrá-los disso, é porque quando você lê a Bíblia, mesmo o livro de Oseias, você será tentado a pensar que isso não se aplica a você. Pois, no fim das contas, nenhum de vocês aqui adora um falso deus físico. Pelo menos eu acho que não. Eu duvido que qualquer um aqui já cortou uma árvore em seu jardim, construiu um deus e sacrifica a esse deus, ou como os israelitas, a um deus de fertilidade. E por causa disso, quando você vê toda essa idolatria no Antigo Testamento, acho que a tendência é você zombar disso. “Dá pra acreditar nisso? Eles adoram um poste totem! Isso é ridículo”. Ou, se você é um pouco mais sensível, você ignora ou deixa passar.

Então apenas lembre-se que a idolatria é algo dentro de você, trata-se de sua vida interior, e é por isso que o Novo Testamento fala da idolatria quase que exclusivamente em termos de desejo. Querer, ansiar, almejar algo que Deus proíbe, ou querer, ansiar, almejar algo que não é mau em si mesmo, mas que está começando a ocupar o palco central em sua vida no lugar de Deus. Idolatria é qualquer coisa que você deseje pegando fogo. É o desejo inflamado. Não algo fora de você, mas no seu coração. Tudo isso é para dizer que todos aqui, em algum nível, adoram ídolos. E o que estou dizendo nesta manhã é que o ídolo que você escolhe é você mesmo. Esse é o ídolo que você escolhe. O Zeus do panteão do seu coração é você mesmo. É tudo sobre você! O deus da sua vida é o ídolo do eu.

Abram as suas bíblias em Oseias 10 e 11, e mostrarei de onde eu tirei isso. Leremos do capítulo 10, versículo 13, até o capítulo 11, versículo 11. Oseias 10.13, página 757 se está usando uma de nossas bíblias. O Senhor está falando com seu povo, e ele diz: “Arastes a malícia, colhestes a perversidade; comestes o fruto da mentira, porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes. Portanto, entre o teu povo se levantará tumulto de guerra, e todas as tuas fortalezas serão destruídas, como Salmã destruiu a Bete-Arbel no dia da guerra; as mães ali foram despedaçadas com seus filhos. Assim vos fará Betel, por causa da vossa grande malícia; como passa a alva, assim será o rei de Israel totalmente destruído. Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer. Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se. A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos. Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira. Andarão após o SENHOR; este bramará como leão, e, bramando, os filhos, tremendo, virão do Ocidente; tremendo, virão, como passarinhos, os do Egito, e, como pombas, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas próprias casas, diz o SENHOR”. Eis a Palavra de Deus.

Ao longo do livro de Oseias, o Senhor acusa os israelitas. É uma grande acusação contra os israelitas por seu pecado, a saber, seu pecado de idolatria, que o Senhor chama no livro de “adultério”. E a razão pela qual a idolatria é considerada adultério, é porque Deus fez desse povo sua noiva. Mas ao invés de serem totalmente devotados a ele como seu marido, eles transferiram sua afeição, sua confiança para outros deuses. E nas passagens que acabamos de ler, Deus diz que eles fazem isso sempre desde quando ele os conheceu. Veja o capítulo 11, versículos 1 e 2: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho”; é como o início de Israel como nação; versículo 2: “Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins”, deuses cananeus de fertilidade, “e queimavam incenso às imagens de escultura”. Toda a história do relacionamento deles com Deus foi marcada pela infidelidade. Eles se desviam do Deus Vivo para servir a ídolos feitos por eles mesmos, e tal idolatria ou infidelidade tem várias facetas que vimos ao longo do livro de Oseias.

É por isso que João Calvino disse: “A natureza humana é uma fábrica perpétua de ídolos”. Nós pensamos numa fábrica como uma linha de montagem, mas não era nisso que Calvino estava pensando. Uma fábrica no século 16 era um galpão. Então ele está dizendo: um galpão lotado, cheio de coisas o tempo todo. Entulhados em seu coração: um ídolo após o outro. Está transbordando de idolatria. Seu coração está cheio de ídolos que tomam quase infinitas formas diferentes. É uma fábrica, um galpão perpétuo de ídolos.

Uma dessas facetas da idolatria, um desses ídolos é muito bem descrito em nossa passagem. É encontrado nos versículos 13 e 14 do capítulo 10. O Senhor diz: “Arastes a malícia, colhestes a perversidade; comestes o fruto da mentira, porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes. Portanto, entre o teu povo se levantará tumulto de guerra, e todas as tuas fortalezas serão destruídas”. Deixe-me fazer uma pergunta. No versículo 14 o Senhor diz que o tumulto de guerra se levantará entre teu povo. Por que ele diz isso? A resposta está no fim do versículo 13: “porque confiastes nos vossos carros… portanto, entre o teu povo se levantará tumulto de guerra”. Então ao invés de confiar no Senhor, o povo transferiu sua confiança do Marido fiel para outra coisa. Sempre que você transfere sua confiança para outra coisa, tal coisa é um ídolo. O que é esse ídolo de acordo com o versículo 13? O que é a outra coisa para a qual Israel transferiu sua confiança? Veja novamente o versículo 13: “porque confiastes nos vossos carros”. Isso significa que a base de sua infidelidade para com Deus foi desviarem-se de Deus para eles mesmos. Confiança em si mesmos; essa é a idolatria deles. E o que eles confiavam que fariam? Novamente, vejamos o versículo 13: “porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes”. Então ao invés de olharem para Deus para serem salvos de seus inimigos, estavam olhando para o seu próprio poder, seus próprios recursos, sua própria força militar para lidar com eles. Ou seja, era um projeto de autossalvação. Autoresgate. “Vamos salvar a nós mesmos”. Era uma campanha iniciada pelo ídolo do eu.

O que quero que observem nisso é como isso nos revela a condição humana. Todos nós temos problemas que precisam ser resolvidos. Alguns são problemas externos, como o problema de Israel com outros exércitos, mas a maioria de nossos problemas são internos, problemas pessoais, comportamentais, psicológicos. Mas todos têm problemas. E ao invés de confiar no Senhor para resolver o problema, o que você faz? Você procura a si mesmo. “Eu vou consertar isso!” Você toma a questão nas suas próprias mãos, você aceita o seu próprio conselho ao invés do conselho de Deus. Veja o capítulo 11, versículo 6: “A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos”. Então você aceita os seus próprios caprichos ao invés de ouvir a Palavra de Deus. Você ouve a si mesmo. Você se debruça sobre o seu próprio entendimento, sua própria sabedoria, sua própria engenhosidade, sua própria força para consertar o problema, qualquer que seja o problema.

Quem aqui não é culpado disso em algum nível? Você não é culpado mil vezes de procurar a si mesmo para resolver o que, no fundo, você sabe que só pode ser resolvido pelo Senhor por meio de arrependimento e fé? Somos culpados disso mil vezes. Estou certo de que você é culpado por várias razões, no mínimo por você viver numa cultura de autoajuda. Esse é o ar que você respira.

A capa da edição de 14 a 23 de janeiro da revista New York era a respeito da cultura da autoajuda. Foi uma edição muito interessante. De acordo com um artigo, em 1954 havia aproximadamente 3.400 livros de autoajuda. “Hoje, há ao menos 45.000 títulos da seita ‘otimize tudo’ que hoje chamamos de autoajuda”. Então em 1954, 3.400. Hoje, 45.000. E o que o artigo vai demonstrar é que não são 45.000 títulos autoconscientes de autoajuda, mas que todo o horizonte de publicações de não-ficção foi, em diferentes graus, engolido pela autoajuda. “Todo objetivo é subjugado pelo imperativo da autoajuda”, o artigo diz. “A autoajuda infiltrou-se em outros campos em um afã de reprodução”. Ouçam o que o artigo diz: “20 anos atrás, quando ‘Canja de Galinha para a Alma’ foi publicado, todos sabiam onde encontrá-lo e para que servia. O que quer que você pensasse de autoajuda, o gênero estava seguramente contido em uma eclética prateleira de livraria. Hoje, todas as seções da loja ou site transbordam de instruções, anedotas e homilias. Livros de história nos ensinam como liderar. Neurociência: como usar nossas amídalas. Biografias: como comer, rezar e amar. Essa praga da utilidade invadiu os tipos de livros que eram feitos para ensinar, entreter ou influenciar políticas, mas não exatamente para ‘construir melhores eus’”.

Então não é apenas que tenhamos 45.000 títulos de autoajuda, é que a autoajuda está em todo lugar, em todo livro. Estamos obcecados em ajudar a nós mesmos, e uma prova é que desenvolvemos uma indústria de 11 bilhões de dólares dedicada a nos dizer como melhorar nossas vidas. E o que quero dizer nesta manhã é que isso é prova de que você procura a si mesmo dentro de si mesmo para resolver os seus problemas. No fim das contas, é “auto-ajuda”. Ajudar a si mesmo através de si mesmo. O interessante é que isso é muito irônico. É uma ironia que outra autora da revista New York aponta. É a seguinte: Você é péssimo nisso. Você nem sequer é bom nisso. Eis o que ela escreve; é muito engraçado: “Digamos que você quer ser magra, você entra para os Vigilantes do Peso, leu tudo desde Michael Pollan, até ‘Mulheres Francesas Não Engordam’, e escrupulosamente registra cada exercício e cada caloria em seu iPhone. Então, de onde vem o consumo excessivo de biscoito recheado?” De onde tiraram isso? “Ou digamos que você se diz codependente. Você lê a respeito, ouve seu terapeuta, e diz para si mesma toda manhã bem firme exatamente o que você fará e não fará naquela noite. Então o que você está fazendo novamente na cama com aquele homem? Ou, digamos que você é uma escritora profissional que valoriza ser conscienciosa, respeita seus editores e acredita apaixonadamente que boa escrita demanda tempo. Então, deixemos de fingimento. Por que estou sentada aqui escrevendo isso às 4 da manhã dois dias após o prazo final?” Aqui está o ponto principal. “Como eu posso querer tanto alcançar um objetivo que gastarei consideráveis tempo, energia e dinheiro tentando alcançá-lo enquanto, simultaneamente, preciso ser persuadida, subornada, enganada e punida para uma observância que é, no mínimo, inconsistente?” Parece que dessa vez estou sendo realmente sério! E eu não consigo executar! Por que isso acontece?

 o que ela prossegue a demonstrar é que embora haja mil maneiras em que a nossa cultura de autoajuda nos fala sobre quem nós somos, como funcionamos e o que podemos fazer para mudar, ela diz que: “o movimento da autoajuda tem uma alarmante falta de teorias sobre o eu”. Quase nenhuma. Em outras palavras, há 45.000 títulos, 11 bilhões de dólares de receita, mas as pessoas não descobriram nada sobre o que é o eu. Exceto, ela diz, uma coisa. Uma coisa. O que todas essas teorias de autoajuda têm em comum é que todas creem que a resposta para o seu problema é encontrada dentro de você mesmo. É isso o que todas elas têm em comum. O que você precisa para se ajudar é você mesmo, o que a Bíblia e a experiência pessoal lhe dizem que é um enorme problema. Parece haver algo tão errado com seu “eu” que quando você o procura para ser resgatado, para ser resgatado de ser gordo, ou codependente, ou de procrastinar, ele continua lhe decepcionando. Ele não consegue salvar você de você mesmo.

É precisamente aí que a relevância da Bíblia, especialmente o livro de Oseias, salta de suas páginas. Qualquer pessoa que diga que este livro é velho ou irrelevante, nunca leu este livro. Pelo menos, não cuidadosamente. Ele é tão relevante, porque o que a Bíblia nos dá é uma teoria do eu que se comporta com a realidade, e fornece a única prescrição capaz de nos salvar do eu. É fantástico! Então, qual é o problema do eu, conforme a Bíblia o diagnostica? O problema do eu, segundo a Bíblia, se chama pecado. Ouça: Pecado não pode ser isolado como as regras que você viola, ou as resoluções que você falha em manter, ou o mal do qual você é culpado. Não se pode reduzi-lo a isso. O DNA do pecado é o egoísmo. É uma vida que se volta para si mesma. É uma vida que procura por si mesma para salvar a si mesma e falha toda vez. Em outras palavras: O problema fundamental da condição humana é exatamente o que o movimento da autoajuda nos pede para abraçar. “Confie em si mesmo, procure em si mesmo, está em você! Todos os recursos de que você precisa para viver uma vida maravilhosa estão dentro de você! Não procure fora de si mesmo, procure dentro de você e você será salvo!”

E como vimos, este é um problema enorme, porque isso é autoderrota. Não funciona. Não pode funcionar. Você vai se desapontar todas as vezes. Mais do que isso, a autoajuda não é algo sem chance de sucesso por sermos inconsistentes, mas a autoajuda, de acordo com a Escritura, é uma forma de rebelião contra Deus. É uma idolatria que nega a realidade. É uma idolatria que se nega a crer na verdade de que você é incorrigível e perdido em si mesmo para consertar a si mesmo. E isso é tão ofensivo a Deus, porque ele está provendo a você, em Cristo, um remédio para isso, e você está dizendo: “Não, obrigado”. “Eu tenho esse remédio em mim mesmo”. É rebelião. E é por isso que o Senhor descreve essa idolatria do eu dessa maneira no capítulo 10, versículo 15: “Assim vos fará”, este é o tumulto de guerra levantando-se entre o povo, “Assim vos fará Betel, por causa da vossa grande malícia”. Ele chama a idolatria do eu uma grande malícia, que é uma expressão do Antigo Testamento para perversão, um ultraje moral. É moralmente ultrajante, é profundamente perverso à vista de Deus, porque representa algo mais do que fraqueza ou fragilidade humana. Isso representa que você está negando a verdade de sua condição incorrigível e perdida, e que você está se recusando a se render àquele que, com grande custo para si, proveu para você o caminho da salvação. É por isso que é tão repreensível para Deus. “Estou bem sozinho. Fique com o seu presente”. “Fique com o seu presente”.

Então, quando você pensa no ídolo do eu, onde está o seu ídolo do eu? Faça-o se revelar. Onde? Posso compartilhar com vocês onde está o meu? É engraçado. Quando você está preparando um sermão, você pensa que tem uma boa ideia. Depois você se pergunta: “Por que estou fazendo isso comigo mesmo?” Penso que isso pode ajudá-los. Se vocês ouvirem o meu, talvez vejam o de vocês. Eis o que eu vejo. Eu vejo autofoco. Então entro em situações perguntando: “O que eu ganho com isso?” Ou eu começo a perder interesse numa conversa que saiu do foco da minha história, ou de uma história sobre mim. Ou, quando chego em casa do trabalho à noite, espero entrar em casa com minha família se ajuntando e dizendo: “O papai chegou! Tudo está bem agora!” Mas em vez disso sou atacado com perguntas, tenho que assinar permissões, tenho que resolver conflitos, e eu quero ser celebrado quando chego em casa. É um autofoco.

Eu vejo autoglorificação em minha vida. Fazendo o que faço para fazer um nome, para ser notado, para ser reconhecido, para ser visto como alguém importante. Eu vejo auto-obsessão, especialmente quanto à minha aparência. Quando eu me vejo no espelho, fico repugnado, e penso: “Como faço para consertar isso?” Fico irritado só com a existência de espelhos. “Por que eles têm que estar aqui?” Pois eles constantemente me lembram de minhas falhas físicas. E eu fico tão obcecado que me sinto culpado se comer algo que penso que possa me afastar do “eu” que estou tentando ser. Isso é ser obcecado consigo mesmo.

Eu vejo autogoverno. Eu determinando as regras do meu mundo. E silenciosamente, ou não tão silenciosamente, ordenando que as pessoas guardem os meus mandamentos, quaisquer que sejam. “Dê-me sua total atenção enquanto falo”. Ou que aja no momento em que eu peça algo. Dê-me prioridade nos prazeres da vida: comidas, bebidas, filmes, atividades… “Não deixe lixo no patamar da escada da garagem!” “Esteja pronto a tempo. Eu tenho lugares para ir”. Essas são as regras da minha vida que espero que as pessoas absorvam, pois, afinal, eu sou o rei do mundo, certo?

Eu vejo farisaísmo, mas numa forma meio invertida, não pensando que eu sou melhor que as outras pessoas, mas pensando que eu sou claramente pior do que a maioria das pessoas. Mas a partir disso, eu tomo um senso de superioridade sobre pessoas que não percebem o quão ruins elas são. Isso é farisaísmo. Só que invertido.

E é claro, como os israelitas, eu vejo autoconfiança. E isso se refere a qualquer forma de mandar na sua própria vida, viver sua vida à parte de Deus, e isso se revela especialmente na falta de oração em minha vida. Falta de oração. Eu não sou uma pessoa absolutamente sem oração, mas há “pacotes” de falta de oração. E uma pessoa sem oração é, por definição, uma pessoa autoconfiante, uma pessoa que não precisa mesmo de intervenção divina para viver, porque se você já tem tudo, você não precisa clamar a Deus por nada.

Então, e você? Eu fui cooperativo. E você? Onde você vê seu autofoco, sua autoglorificação, sua auto-obsessão, seu farisaísmo, seu autogoverno, sua independência? Existe algo em sua vida que você pode descrever com o prefixo “auto”. “Auto-alguma coisa” está rastejando dentro de sua vida. É assim que as coisas são, porque o problema fundamental da condição humana é que nos desviamos de Deus e procuramos em nós mesmos o deus de nossas vidas. É assim que funciona.

E a pergunta para nós é: “Como isso pode ser mudado?” É uma pergunta difícil porque somos pessoas para as quais colocar o prefixo “auto” antes de uma palavra é muito fácil. Nós fazemos naturalmente, fazemos sem pensar, é o nosso padrão. Então, qual é a prescrição de Deus para derrubar isso? Porque sabemos da destruição que isso causa em nossas vidas. Sabemos da ofensa que isso é para Deus. Como derrubamos isso?

A resposta é encontrada no capítulo 11, versículos 8 e 9. “Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim?” As cidades destruídas com Sodoma e Gomorra. Como posso fazer isso? “Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira”.

Esses dois versículos são o coração do livro de Oseias. No sentido de que são o âmago teológico do livro. O centro da mensagem do livro. Mas também são o coração do livro no sentido de que representam o coração de Deus, que é expressado por todo o livro de Oseias, que mesmo que o Senhor tenha mil razões para desistir de você; pense em todo o seu autofoco, seu egocentrismo; mesmo que ele tenha mil razões para desistir de você, ele terminantemente se recusa a desistir de você. Você está se colocando no trono de sua vida. Você quer depor o Rei do Universo! E ele diz: “Eu não vou desistir de você. Eu não vou fazer isso”. O texto diz: “Como te deixaria?” Como ele o deixaria? Como ele o entregaria? Como ele o varreria da face da Terra por toda a sua deslealdade contra ele?

Você sabe a resposta, certo? Você sabe a resposta. Quando você pensa na soma da sua vida; e isso começou a acontecer comigo depois dos 40; eu olho e penso, ah! quantas fraquezas, falhas, pecados e coisas tolas que fiz. Talvez apenas na semana passada. O que eu mereço de Deus? O que eu realmente mereço de Deus? Que resposta de Deus faria sentido? Mas aí, eis a resposta que recebemos: “Como eu desistiria de você? Como posso fazer isso?” O que ele lhe dá? Ele lhe dá amor. Veja o versículo 8. Seu coração está comovido dentro dele. Sua justiça é recuada por sua compaixão, seu amor e sua ternura para com você enquanto ele o vê em seu pecado e sua miséria. Ele odeia vê-lo dessa maneira. Ele não consegue desistir de você. Uma vez que ele o tomou para si, ele nunca desistirá de você. Este é o seu Deus. É assim que Deus é. Ele só tem amor por você. Ele olha para você pela zilionésima vez que você fez exatamente a mesma coisa, e ele diz: “Como desistirei de você?” “Como desistirei de você? Eu não posso!” “Você é meu! Eu amo você! Eu o amo não porque você é um bom filho, mas simplesmente porque você é meu filho”.

Eu escrevi isso em caneta no meu esboço: “Que alívio!” Que alívio! Porque eu já dei a vocês uma lista de todo o meu egoísmo, e eu disse: “O que eu mereço por isso?” E é tão natural, não é premeditado! Eu tenho um Pai amoroso. Se você é um cristão, você tem um Pai amoroso.

O que estou dizendo é: o amor do Pai por você é a prescrição de Deus para curar a idolatria do eu. Então, aqui está a chave: esta promessa do amor de Deus em Oseias 11 tem o objetivo de convencê-lo a desviar-se de seus ídolos e retornar a ele. De alguma maneira ele está dizendo que esse amor, e apenas esse amor tem o poder de matar o ídolo do eu que olha nos seus olhos toda manhã.

Agora, é claro, por mais incrível que seja o amor descrito aqui em Oseias, ele é apenas uma sombra do amor de Deus que foi revelado em Jesus Cristo. Apenas uma sombra. Pense desta maneira: Se esse amor, antes da cruz, tem o poder de matar o ídolo do eu, quanto mais o amor de Deus revelado na cruz tem o poder de matar o ídolo do eu? Abram as suas bíblias em 2 Coríntios 5. Página 966. Leremos do versículo 14 ao 21 da segunda carta do apóstolo Paulo à igreja em Corinto, capítulo 5.

Começando no versículo 14. “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

Essa é uma passagem fantástica da Escritura. Enquanto leio, eu fico: “Cara, eu quero pregar sobre ela!” Eu quero fazer algumas observações ao texto. Antes de fazer isso, quero apenas reorientá-lo ao que acabei de dizer. O problema é seu egoísmo e a prescrição é encontrada no amor de Deus por você. Então de alguma maneira esse amor, e apenas esse amor, tem o poder de matar o ídolo do eu que olha nos seus olhos toda manhã. Pense desta maneira: de alguma forma, o amor que Deus tem por você pode expulsar o amor que você tem por si mesmo. De alguma forma, o amor que Deus tem por você pode expulsar o amor que você tem por você mesmo. Como?

Bom, este texto responde para nós. Veja novamente o versículo 15. “E ele”, Cristo, “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. Então, de acordo com esse versículo, qual é o propósito da cruz? Ele morreu para que seus pecados pudessem ser perdoados? Para que você fosse para o céu quando morresse? Não é o que ele diz aqui. Essas coisas são maravilhosas e verdadeiras, mas não é o propósito que o apóstolo Paulo nos dá aqui. Ao invés, ele nos dá um propósito muito presente da cruz de Cristo. Veja novamente. “Ele morreu por todos, para que os que vivem”, que vivem suas vidas em Cristo agora como cristãos, “não vivam mais para si mesmos”. Em outras palavras, a razão da morte e da ressurreição de Jesus por você foi para libertar você de viver para si mesmo, para você viver para Cristo, que é o propósito da existência. Seu pecado faz com que você seja incrivelmente egocêntrico, reduzindo a soma de sua vida à sua vida. Seu pecado o volta para si mesmo, faz você ser consumido por todas as suas próprias necessidades, seus próprios desejos, seus próprios anseios, mas de acordo com este texto, Cristo morreu para quebrar a coluna de nossa idolatria egocêntrica. Esse é o propósito! Eles não precisam mais viver assim.

Isso significa pelo menos duas coisas: Primeiro, já que Cristo morreu para quebrar a coluna da sua idolatria do eu, você não tem que temer admitir seu egoísmo para Deus ou outras pessoas. Na cruz Cristo pagou a dívida por cada desejo, pensamento, palavra ou ação egoísta que você já sentiu, pensou, disse ou fez. Já está pago! Você não tem que varrer seus pensamentos e motivos, você não tem que cercar, você não tem que cobrir seu pecado jogando a culpa em outro ou inventando desculpas. Você não tem que cumprir penitências para fazê-lo sentir-se melhor. Não faça isso. Como filho de Deus, você foi perdoado por cada ato de independência egoísta que você já cometeu, no passado, no presente e no futuro. Você não tem que temer admitir: Você é egoísta! “Ah, eu não sou egoísta. Sempre estou me dedicando a outras pessoas. Preciso de um tempo para mim”. Egoísta! O próprio sentido disso é egoísta! Mas você vai admitir, porque já foi resolvido. Já foi pago.

A segunda coisa que isso significa, que Cristo morreu para quebrar a coluna de sua idolatria do eu, é que você agora está livre para viver por algo maior do que a sua atual definição de felicidade pessoal. Você pode viver por algo maior do que isso. Eu sei, você é como eu, às vezes, você se sente impotente com relação a esses ídolos do eu; você sente que eles estão no controle. Mas saiba disto: A morte de Cristo esmagou o poder do seu egoísmo de tal maneira que hoje, neste momento, você de fato pode sair debaixo do peso de seu próprio egocentrismo. Naquele momento no trabalho, com a família, com o vizinho, no jantar com os amigos, na situação de disciplina paternal, ou na discussão com seu cônjuge, você não está lá abandonado à sua própria força. Você foi liberto para viver por Cristo. Você agora vive em Cristo, e seu grande poder, o poder que você precisa para viver de uma nova maneira, está presente com você através do Espírito de Cristo. Você está entrando em uma situação, e você sente todas as palavras com prefixo “auto” subindo ao seu coração, e você sabe o que você pode fazer? Você pode dizer: “Cristo… Senhor Jesus, me ajude”, e você sabe o que ele vai fazer? Ele vai ajudá-lo! “Me ajude! Estou transformando isso em algo sobre mim! Ó, Cristo, me ajude! Me ajude!”

É o que isso significa. Ele morreu para que você não vivesse mais para si mesmo, mas apenas para ele! Ele que morreu e ressuscitou por você. Duas maravilhosas verdades, por mais maravilhosas que sejam, eu ainda não fiz a conexão entre o amor de Cristo e a destruição dos seus ídolos do eu. Elas são resultado da obra de Cristo em morrer para que você não viva mais para si, mas por ele, que morreu e ressuscitou por você. Então quero deixar essa conexão explícita. Como o amor que Deus tem por você pode expulsar o amor que você tem por você? Onde está essa conexão em 2 Coríntios 5? Deixe-me mostrá-la a você.

Veja novamente os versículos 14 e 15. É o amor de Cristo que nos constrange. O amor Cristo por nós nos controla. “julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. O amor de Cristo nos constrange. Isso significa que o amor de Cristo motiva os cristãos a não mais viverem para si mesmos. É o amor de Cristo que o constrange a não mais viver para si mesmo, porque o que você vê acontecendo na cruz é morte para si mesmo e o seu egoísmo. Tudo feito por amor.

Então quando você olha para Jesus, e você vê o que ele teve que passar para salvá-lo de si mesmo; teve que suportar a ira de Deus, a justiça de Deus, o santo ódio de Deus, pelo seu pecado, pelo seu egoísmo, na cruz, e ele fez aquilo voluntariamente. Deus estava em Cristo reconciliando você com ele mesmo. Você vê a distância que ele está disposto a ir para amá-lo independente do seu egoísmo, você é inundado por esse tipo de amor, e você não quer mais viver para si mesmo! Você fica: “É para esse cara que eu quero viver! Apenas para Cristo!” Por quê? Por que ele me ama! Por causa do que ele fez por mim. Por causa de como ele morreu para quebrar a coluna do meu egocentrismo.

Em outras palavras: o amor dele preenche seu coração de tal maneira, preenche seu horizonte, sua visão, de tal maneira, que você de fato pode começar a esquecer de si mesmo, a perder a si mesmo, no amor de Deus por você. E todos sabemos como é perder a si mesmo quando estamos preocupados com algo. Talvez seja um trabalho, quando você trabalha num projeto, especialmente alguns de vocês que estão na frente do computador o tempo todo como eu, que estou sempre escrevendo no computador; e você fica tão preocupado que esquece de comer, de beber, de ir ao banheiro, e de repente, umas 4 horas depois, você fica: “Cara, eu tenho que ir ao banheiro, estou com fome, preciso beber algo!” Você fica tão preocupado com isso…

Mas acho que você especialmente conhece essa ideia de ficar preocupado com algo a ponto de perder-se de si mesmo, quando está na presença de algo majestoso ou belo. Há alguns anos quando eu estava no Museu de Arte Moderna de Nova York, e cheguei numa sala que tinha um Monet que tinha uns 7 metros de largura e 2 metros de altura. E quando cheguei naquela sala, eu fui tomado por admiração e emoção por causa dessa pintura, que um ser humano pudesse criar algo tão bonito, e eu não estava pensando nem um pouco em mim mesmo. Eu não estava voltado para mim mesmo e falando: “Bob, você está aqui!” Bob não estava lá. Eu estava perdido na maravilha, na beleza daquela coisa, e eu comecei a me dissolver no segundo plano. Era como se eu nem existisse. Tudo o que existia era aquela peça.

Pense nisso: O amor de Cristo por alguém como você é tão maior do que isso, é tão maior do que qualquer coisa que você venha a contemplar ou considerar, que pode maravilhar tanto a sua mente e o seu coração, que você é cativado por ele. Ele captura você, você é capturado na maravilha do amor de Deus por você, e quando isso acontece, seu eu começa a se dissolver no segundo plano.

E aqui está a incrível conclusão: Conforme você é cheio do amor de Cristo por você, e começa a esquecer de si, você começa a lembrar das outras pessoas. Você perde a si mesmo e encontra os outros. É algo maravilhoso. Em outras palavras: preocupação com Jesus Cristo não o transforma num monge. Você não vai para um quarto pensar em Jesus 24 horas por dia, e você fica cheio do amor de Deus. Não o transforma num monge, ele o transforma num ministro. Ele o transforma na pessoa que sai para compartilhar o amor de Deus com outras pessoas. Veja o versículo 20: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”.

Então o amor de Cristo o faz querer falar a outras pessoas sobre o amor de Cristo. É assim que funciona. E ouça: Não apenas seus amigos que ainda não são cristãos, mas todos, cristãos e não-cristãos; frequentemente, quando você ouve essa mensagem pregada, ela é considerada de uma maneira evangelística, como se Paulo estivesse nos dando dicas de como compartilhar a fé cristã com pessoas que ainda não a entendem. Mas não é nem de perto o que Paulo está apelando. Metade do versículo 20: “Nós rogamos a vocês, em nome de Cristo: reconciliem-se com Deus”. Quem é “vocês”? Os coríntios! Os cristãos que receberam esta carta originalmente. Então Paulo está dizendo que crentes precisam ser reconciliados com Deus. Você precisa voltar ao amor de Deus por você em Jesus Cristo constantemente porque você voltou ao seu egoísmo, então você precisa que outras pessoas em sua vida o lembrem: “Ei, o amor de Deus está aqui para você. Ele não é maravilhoso?” E conforme você começa a se maravilhar e ficar fascinado pelo amor de Deus, todo o seu eu começa a se dissolver novamente ao segundo plano. Eu imploro a você, igreja, reconcilie-se com Deus! Volte ao amor de Deus! Isso muda você. E então, armado com esse amor de Cristo, você sai com amor ao próximo, quem quer que seja. A vida não se trata mais de você, mas de Cristo e de outras pessoas. É algo lindo.

Adoro como Michael Horton descreve: “Nascidos com um caso severo de escoliose espiritual, nossas espinhas são torcidas de maneira que tudo o que conseguimos ver são nossas próprias necessidades imediatas, nossos desejos e gratificações momentâneas. Mas o evangelho nos faz levantar com boa postura, olhando para Deus mediante a fé, e para o mundo e nossos próximos em amor e serviço”. Agostinho disse que a natureza humana é curvada para si mesma. Essa é a escoliose espiritual. Você olha para si mesmo, para seus problemas, suas questões, mas o que o evangelho faz é dizer: “Veja o amor de Deus por você, que mesmo você sendo assim, ele o ama”. Ele o levanta para fora de si mesmo, e o lança em direção aos outros.

Uma das autoras dos artigos sobre autoajuda que citei antes, diz algo engraçado. Ela diz: “Deus sabe, todos precisamos de mais ajuda, mas possivelmente, precisamos de menos ‘auto’”. Precisamos de mais ajuda e de menos “auto”. E ela está certa, só que a única maneira de chegar lá é através de Cristo matando seu eu em sua crucificação, e depois ressuscitando-o dos mortos para que você agora viva à luz da incrível maravilha do evangelho. Se você quer ver seu autofoco, sua autoglorificação, sua auto-obsessão, seu farisaísmo, seu autogoverno, sua autoconfiança, seu auto-qualquer coisa murchar, não olhe para o seu eu! É isso que você vai fazer. Você fica: “Ah, eu sou tão egoísta. Deixa eu tentar consertar isso”. Assim que você faz isso, você é egoísta de novo! Você está indo a si mesmo! Não olhe para si mesmo, olhe para Cristo! Olhe para o que ele fez por você para resgatá-lo do confinamento claustrofóbico do seu egocentrismo. E então, cheio desse amor, você se esquece de si mesmo, você começa a se lembrar de outras pessoas, e sua vida vai mudar. Veja o grande amor do maior ato de amor da História do universo, veja de maneira que isso ocupe a sua visão, e quanto mais ele ocupa, menos os ídolos do eu estarão no controle.

Oremos. Pai celestial, certamente somos todos acusados nesta mensagem. E somos tão gratos por esta palavra: que o Senhor Jesus morreu por todos, para que nós que vivemos, não mais vivamos para nós mesmos, mas pelo Senhor Jesus que por nós morreu e ressuscitou. Obrigado por essa verdade, obrigado pelo seu amor. No nome de Cristo oramos. Amém.

 

Por: R W Glenn. © 2014 Redeemer Bible Church. Todos os direitos reservados. Original: The Idol Of Self

Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel – Voltemos ao Evangelho © Todos os direitos reservados. Website: VoltemosAoEvangelho.com. Original: Um ídolo chamado Eu

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  • Ulysses

    Excelente mensagem! Eu que sou excessivamente tímido precisava ouvir isso!
    Que Deus me ajude a libertar-me de mim mesmo, pois sem Cristo nada posso fazer.

  • Anna Carolina May

    Este estudo foi impactante para mim! Que o Senhor cresça, e EU diminua, sempre e cada vez mais!

  • aasdasdas

    alguem pode me indicar livros, site, texto GRANDES… que expliquem o que é a gloria de Deus, o que é viver para glória de Deus, a grandeza da glória de Deus… coisas relacionadas com a glória de Deus

    • http://voltemosaoevangelho.com/vinipimentel/ Vinícius Musselman Pimentel

      Comece com “A santidade de Deus” de R. C. Sproul.