Yago Martins – Soberania de Deus: Logicidade x Biblicidade

Uma das mais famosas objeções à Soberania de Deus é a suposta incoerência lógica em aceitar que O Senhor preordena cada detalhe do universo e, mesmo assim, os homens continuam agentes responsáveis. É interessante notarmos, primeiramente, que essa não é uma critica teológica, mas filosófica. Ou seja, ela apresenta uma falta de comprometimento com os textos bíblicos que defendem a Soberania Absoluta de Deus sobre tudo e atem-se às considerações decorrentes da análise teológica. Logo, essa questão não é o centro da discussão (que são os textos bíblicos), mas um ponto secundário.
É triste ver que algumas pessoas rejeitam algum ensino ou por não gostarem dele ou por o acharem intelectualmente confuso, quando, na verdade, o único ponto que deveria influir na aceitação de uma doutrina deveria ser sua coerência com as Escrituras. Quando vejo alguém rejeitar a Soberania de nosso Deus porque isso soa paradoxal, só posso acreditar que tal homem não crê verdadeiramente na Sola Scriptura.
Deixe-me citar um exemplo. Se considerarmos as “Testemunhas de Jeová”, veremos que elas submetem as Escrituras à sua lógica, e não o contrário. Elas alegam que é logicamente incoerente um Deus amoroso mandar pessoas para sofrerem eternamente no inferno. Essa é a base para a interpretação delas. Assim sendo, ao invés das Escrituras ditarem o que é lógico ou não, essa análise fraca delas é quem guia a leitura bíblica. Logo, todo verso que fala do inferno de fogo é deturpado, retalhado e ignorado. É certo que a maioria das pessoas age assim. Os conceitos pré-formados é que ditam o entendimento das Sagradas Letras. No lugar de submeter o que cremos ser lógico à Luz das Escrituras, queremos que a Bíblia siga nossos pobres e inferiores padrões de raciocínio. Com isso, não só minimizamos Deus, mas também deturpamos Sua Palavra.
Voltando a questão inicial, precisamos responder a alegação de que é contraditório Deus preordenar cada detalhe do universo, até mesmo os desígnios dos homens, e os seres humanos continuarem sendo responsáveis pelas suas atitudes. Para isso, precisamos definir o que é um pa-radoxo, uma contradição e um mistério.
Resumidamente, paradoxo é uma aparente contradição que, com uma análise mais profunda, poderá ser descoberta como uma contradição ou não. Por exemplo, quando Jesus disse que quem perdesse a vida por causa d’Ele a acharia (Mt 10:39), isso é um verdadeiro paradoxo. Como eu acho a minha vida perdendo-a? Com um estudo mais cuidadoso, vemos que o que Jesus estava dizendo era que quem perde sua vida nesta terra, encontrará vida novamente nos céus. Logo, esse paradoxo revelou-se como coerente e não como uma contradição.
Sobre o que significa uma contradição, R. C. Sproul o define muito bem em seu livro Essential Truths of the Christian Faith:

O termo paradoxo é freqüentemente mal-interpretado como sendo sinônimo de contradição; agora, inclusive, aparece em alguns dicionários como um significado secundário desse termo. Uma contradição é uma afirmação que viola a lei clássica da não-contradição. A lei da não-contradição declara que A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Quer dizer, algo não pode ser o que é e não ser o que é ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Essa é a mais fundamental de todas as leis da lógica. Ninguém pode entender uma contradição, porque uma contradição é inerentemente incompreensível. Nem mesmo Deus pode entender contradições; entretanto, certamente Ele pode reconhecê-las pelo que são – falsidades.

Já o termo mistério refere-se a algo que ainda não nos foi revelado pelas Escrituras. Algo que nós não conseguimos compreender nesta terra, mas que entenderemos quando Cristo nos revelar nos céus.
Então, depois que consideramos esses termos, o que dizer sobre a Soberania de Deus e a responsabilidade do homem? Primeiro, precisamos analisar o que as Escrituras dizem sobre isso. E neste ponto, podemos ver claramente o Senhor mostrando-se Soberano sobre o homem enquanto este é responsável por suas escolhas:
1. Deus engana o profeta e o pune por ter sido enganado;
“E se o profeta for enganado, e falar alguma coisa, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta; e estenderei a minha mão contra ele, e destruí-lo-ei do meio do meu povo Israel. E levarão sobre si o castigo da sua iniqüidade; o castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar” (Ezequiel 14:9,10).
2. O Faraó endurece o próprio coração, sendo Deus o responsável por tal atitude;
“Vendo Faraó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, pecou ainda mais; e endu-receu o seu coração, ele e os seus servos. Assim o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o SENHOR tinha dito por Moisés. Depois disse o SENHOR a Moisés: Vai a Faraó, porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes meus sinais no meio deles, e para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que fiz no Egito, e os meus sinais, que tenho feito entre eles; para que saibais que eu sou o SENHOR” (Êxodo 9:34 – 10:2).
3. Os homens mataram Jesus, porém Deus havia pré-determinado tal ato;
“A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendes-tes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Atos 2:23).
“Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (Atos 4:27,28).
4. Satanás incitou Davi a fazer um censo, sendo isso uma punição do próprio Deus.
“Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá” (II Sm 24:1).
“Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1 Cr 21:1)
Como negar tais textos? O próprio Deus, cuja vontade ninguém pode resistir, engana o pro-feta para profetizar e condena-o por ter profetizado. O Faraó endurece o próprio coração – sendo condenado por isso – ao mesmo tempo em que Deus é quem endurece o coração dele. Os homens cometeram o pecado de matar Jesus, mas Deus havia predeterminado tal ato desde antes da fundação do mundo. Foi Satanás quem incitou Davi ou foi Deus quem o fez? Existem várias considerações que precisariam acompanhar esses textos, mas, por ora, a resposta suficiente é: Deus é Soberano sobre tudo de um modo tal que, incompreensivelmente, os seres continuam agentes livres e responsáveis.
Muitos poderão levantar-se e retrucar: “Isso é contraditório!”. Na verdade, isso é paradoxal. Não encontramos a regra da não-contradição sendo quebrada em parte alguma. Ou seja, precisamos de uma análise mais profunda para descobrir se esse paradoxo é coerente ou não.
Embora isso não seja unânime, acredito que esse paradoxo, na verdade, é um mistério. As Escrituras não revelam como Deus opera para que o homem seja responsável por suas atitudes ao mesmo tempo em que Ele preordena cada atitude dos homens. Outros podem questionar que, por ser algo que não nos foi revelado, não pode ser ensinado ou crido. Mas será que isso é realmente coerente? Para muitos, os elétrons se comportarem como ondas e partículas simultaneamente é paradoxal, mas isso não deixa de ser ensinado nas escolas, pois eles acreditam que, no futuro, quando homens com mentes mais elevadas surgirem, os estudos avançarão e conseguiremos compreender esse mistério.
A questão real é: o que define uma doutrina como ilógica? Creio que sua incoerência com as Escrituras, e não sua facilidade de ser entendida. Sei que teremos uma resposta lógica de Deus nos céus, quando nossa mente for restaurada e elevada, mas, hoje, só posso esperar que os homens contentem-se com a informação que temos: “A Bíblia assim ensina”. Desta maneira, confiaremos mais no que Deus revela através de Sua Palavra, e não em nossa pobre ignorância. Obedeceremos, assim, o mandamento de Deuteronômio: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR…” (29:29).

Por Yago Martins. © Voltemos ao Evangelho Website: voltemosaoevangelho.com
Retirado de: Teologiaevida.com
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22 Comentários
  1. Rupert Diz

    Que beleza Yago! Deus permitindo, irei narrar este belíssimo texto e colocá-lo no Audível.

    abraços!

  2. Anonymous Diz

    Dificil de entender,, haha'
    mais eu compreendi.

    Deus é bom
    Paz

  3. Marcio Luiz Diz

    muito interessante

  4. Yago Martins Diz

    Rupert,

    É uma honra serví-los, irmão :)

    Paz de Cristo.

  5. Yago Martins Diz

    Anônimo das 10:13,

    Sim, não é um tema muito simples. Fico contente que você tenha entendido =D

    Paz.

  6. Lunar Diz

    Menino Yago
    Louvo à Deus pela inteligência e discernimento com que abençoou sua vida.
    Que o Pai, a Quem pertence tudo que está coberto, continue a chamar jovens para a batalha.
    Que a exemplo de Davi, sua juventude, força e bem fazer sejam abençoadas a cada dia.
    Meu sobrinho tem seu nome…
    Que Deus os guarde. Amém.

  7. Marcelo Diz

    Yago,
    Fico feliz de ver o que Deus tem feito em sua vida.
    Que Ele mesmo te abençoe dia após dia e lhe proporcione o privilégio de crescer na graça e no conhecimento d'Ele.
    Uma pergunta…
    Tem como disponibilizar esse artigo em pdf?
    rsrs…

    Um abraço !

  8. Fábio Rodrigues Diz

    ba home tem que medir mais suas palavras estudar também mais afundo, chamando Deus de enganador

  9. Yago Martins Diz

    Marcelo,

    Obrigado pelas palavras! Vou tentar por o PDF aqui amanhã, fique no aguardo.

    Fábio Rodrigues,

    Se você está certo de suas considerações, haja como um bom cristão e demonstre seu amor mostrando o que está fora das Escrituras em minhas considerações. Fazendo isso, você estará mostrando que me ama e que não quer me ver no engano. :)

    No grande Amor de Cristo que nos une,
    Yago.

  10. Fábio Rodrigues Diz

    confissão de fé de westminster
    CAPÍTULO III
    DOS ETERNOS DECRETOS DE DEUS
    I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade,
    ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do
    pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas
    secundárias, antes estabelecidas.
    Ref. Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11;
    At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.
    II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias
    imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que
    havia de acontecer em tais e tais condições.
    Ref. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.
    III. Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são
    predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.
    Ref. I Tim.5:21; Mar. 5:38; Jud. 6; Mat. 25:31, 41; Prov. 16:4; Rom. 9:22-23; Ef. 1:5-6.
    IV. Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e
    imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado
    nem diminuído.
    Ref. João 10: 14-16, 27-28; 13:18; II Tim. 2:19.
    V. Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua
    vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens
    que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera
    e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer
    outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.
    Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9; Rom. 9:11-16; Ef. 1: 19: e 2:8-9.
    VI. Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre
    propósito da sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que, portanto, são
    eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por Cristo, são eficazmente chamados para a fé
    em Cristo pelo seu Espírito, que opera no tempo devido, são justificados, adotados, santificados e
    guardados pelo seu poder por meio da fé salvadora. Além dos eleitos não há nenhum outro que seja
    remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo.
    Ref. I Pedro 1:2; Ef. 1:4 e 2: 10; II Tess. 2:13; I Tess. 5:9-10; Tito 2:14; Rom. 8:30; Ef.1:5; I
    Pedro 1:5; João 6:64-65 e 17:9; Rom. 8:28; I João 2:19.
    VII. Segundo o inescrutável conselho da sua própria vontade, pela qual ele concede ou recusa
    misericórdia, como lhe apraz, para a glória do seu soberano poder sobre as suas criaturas, o resto
    dos homens, para louvor da sua gloriosa justiça, foi Deus servido não contemplar e ordená-los para
    a desonra e ira por causa dos seus pecados.
    Ref. Mat. 11:25-26; Rom. 9:17-22; II Tim. 2:20; Jud. 4; I Pedro 2:8.
    VIII. A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e
    cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade revelada em sua palavra e prestando
    obediência a ela, possam, pela evidência da sua vocação eficaz, certificar-se da sua eterna eleição.
    Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho esta doutrina fornece motivo de
    louvor, reverência e admiração de Deus, bem como de humildade diligência e abundante
    consolação.
    Ref. Rom. 9:20 e 11:23; Deut. 29:29; II Pedro 1:10; Ef. 1:6; Luc. 10:20; Rom. 5:33, e 11:5-6, 10.

  11. Fábio Rodrigues Diz

    http://www.executivaipb.com.br/Documentos/confiss%E3o%20de%20f%E9.pdf

    CAPÍTULO V
    DA PROVIDÊNCIA
    confissão de fé de wetminster

  12. Fábio Rodrigues Diz

    dexo aqui também meu apreço por vc se dedicar a obra de Deus
    continue forte na fé que Deus continue te abençoando

  13. Fábio Rodrigues Diz
  14. Fábio Rodrigues Diz

    espero que isso le ajude

  15. Victor Diz

    Belíssimo estudo! Mas o que dizer sobre Tg 1, 13:"Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: ‘É Deus quem me está tentando’. Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta”. Um forte abraço na paz de Cristo!

  16. Rodrigo Diz

    Pra mim, essa foi uma verdade difícil de entender, mas hoje me regozijo grandemente nela. Frequentemente quando cristãos passam por problemas, sempre solta-se um "Deus está no controle", mas muitos não tem nem noção do QUÃO no controle Ele está. Louvo a Deus por abrir o entendimento de alguns de seus filhos pra essa grande verdade.

  17. pastorjoaovictor Diz

    “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”. Tiago 1.13

    Ninguém, absolutamente ninguém pode levantar a acusação de que Deus está convidando-o para o pecado. A palavra tentação é a mesma palavra usada na parte anterior para provação (Peirasmos), ou seja, experimento, tentativa, teste, prova.

    No contexto de 1.2-12 a palavra é visto em seu aspecto positivo, pois a provação é um meio da graça usado por Deus para o aperfeiçoamento espiritual de seus filhos, mas quando a mesma palavra é vista em seu aspecto negativo no mesmo contexto ela é traduzida por tentação.

    Tentação significa: sedução ao pecado, tentação, seja originada pelos desejos ou pelas circunstâncias externas, tentação interna ao pecado.

    O que Tiago está dizendo é que Deus não chama e nem convida ninguém a pecar. Tal afirmação se dá ao fato de que “Deus não pode ser tentado pelo mal”. Deus não pode ser convidado pelo mal, porque não há nada na pessoa dEle que O identifique com o mal. Deus é santo (Êxodo 15:11; Levítico 19:1-2; Josué 24:19-20; I Samuel 2:2; Salmos 5:4-5; 7:11; 22:3; 50:16-22; 71:22; 99:9; 111:9; Isaías 6:1-5; 40:25; 57:15; Oséias 11:9; Amós 5:21-22; Habacuque 1:12-13; Zacarias 8:17; Mateus 5:48; João 17:11,25; Hebreus 12:10; I Pedro 1:15-16; I João 3:3; Apocalipse 4:8; 6:10; 15:4).

    “Deus está absolutamente separado de todas as Suas criaturas e acima de todas elas, e Ele está igualmente separado de todo mal moral e de todo pecado. Uma visão correta da santidade de Deus nos conduz à uma visão apropriada do eu pecaminoso (Salmos 66:18; I João 1:5-7). Jó 40:3-5, Isaías 6:5-7 são exemplos impressionantes da relação entre os dois. Humilhação, contrição e confissão fluem de uma visão escriturística da santidade de Deus”. — Henry C. Thiessen
    “Deus é inefavelmente santo. Como tal, Ele é absolutamente livre de todo vestígio de poluição moral. Ele se em tudo o que é puro e, portanto, Ele odeia tudo o que é impuro. Agora, o pecado se opõe diretamente à santidade de Deus, pois é essencialmente impuro, imundo e abominável; portanto, ele é o objeto de Sua incessante abominação”. — Arthur W. Pink
    Deus não pode ser tentado, convidado pelo mal, porque nEle não há mal. E porque Ele não tem isso, Ele não realiza isso. Tudo o que é feito na perspectiva divina é bom. Aquilo que Deus decreta ou faz é bom porque é realizado em perfeita justiça, santidade, amor, graça, etc. Ele realiza aquilo que é de acordo com o caráter dEle, que é Santo, e por causa disso “ele mesmo a ninguém tenta.”

    “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Tiago 1.14-15

    Tiago usa uma expressão que deixa explicitamente claro um contraste gritante com a afirmação anterior, “Ao contrário”, a responsabilidade do pecado é de cada pessoa e não de Deus, pois o texto diz “cada um”, isso mesmo, você é responsável pelo sua própria tentação.

  18. pastorjoaovictor Diz

    Mas como isso acontece? Isso acontece por meio do pecado ou mal que em nós habita, pois o texto diz “pela sua própria cobiça”, e cobiça é mesma palavra usada em Gálatas 5:16 traduzida por concupiscência, significa um desejo incontrolável, um vicio.

    Cada um é tentado pelo seu próprio pecado, cada um tentado pelo pecado no qual está viciado em praticar, e não por Deus. A cobiça ela age de duas formas.

    1 – Ela atrai “quando esta o atrai”
    2 – Ela seduz “e seduz”

    Em português não temos a total noção e força que esta linguagem representa no original. A expressão “atrai” literalmente significa uma isca, é algo que está para enganar, uma armadilha. Já a expressão “seduz” significa arrastar, em outras palavras, todo esse cenário montado por Tiago é mais bem ilustrado como uma pescaria, você procura enganar o peixe com uma isca e quando este morde a isca é arrastado, puxado para fora da água, estando a mercê da morte.

    Outra figura que Tiago usa para exemplificar a tentação é a figura de um relacionamento e de uma criança nascendo.

    A cobiça é personificada como uma mãe, pois o texto diz “Então, a cobiça, depois de haver concebido”, a pessoa que se relaciona com a cobiça terá um “filho”, pois o termo conceber é designado para momento em que a mulher dá a luz a uma criança.

    Entretanto devemos notar que ninguém, absolutamente ninguém, concebe da noite para o dia, ninguém que engravide hoje terá o seu filho amanhã, isso demonstra que a pessoa já está a um bom tempo se relacionando com este pecado, com este desejo, sendo assim “Ninguém ao ser tentando diga: Sou tentado por Deus.”. A transferência da culpa nada mais é que um reflexo de nosso pai Adão (Adão culpou Deus que deu Eva por sua mulher, Eva culpou a serpente) .

    Outra questão a ser observada é que o pecado gerado por este relacionamento com a cobiça, ou este filho, ele é alimentado e cuidado, pois o texto diz “e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”, a expressão, consumado significa aperfeiçoado, ou seja, esta criança recebe todos os cuidados necessários para o seu total desenvolvimento, e quando este chega em sua plenitude conceberá a morte.

    Diante disso fica evidente que Deus não convida ninguém a pecar, pelo contrário, Ele ordena a todos serem santos como Ele é Santo.

    Obs: "Conceberá" Conceber, dar a luz e gerar, no original é a mesma palavra para estas três expressões.

  19. Frank Brito Diz

    "On the Freedom of the Will" é o livro de Jonathan Edwards que ele demonstra que o que é realmente irracional é a crença no livre-arbítrio. Se o livre-arbítrio existisse, não poderia existir responsabilidade moral pois uma coisa contradiz a outra.

    Algum de vocês já leu esse livro?

    1. Barrabás Diz

      Yago, parabéns pelo texto!! O tema é complicado e por isso mesmo muito evitado, mas eu concordo com a sua análise..

      Frank, existe uma versão traduzida desse livro do Jonathan Edwards??

  20. Barrabás Diz

    Yago, parabéns pelo texto!! O tema é complicado e por isso mesmo muito evitado, mas eu concordo com a sua análise..

    Frank, existe uma versão traduzida desse livro do Jonathan Edwards??

  21. gaby Diz

    Me lembro de quando menor, sempre questionar : “Se Deus escolheu Judas pra trair Jesus, ele não teve culpa, coitado!” . A criança pergunta sem medo de blasfemar. Como eu nunca obtinha resposta, e não conseguia por mim, passei anos ignorando minhas dúvidas, um dia chegou até mim um texto do Charles Spurgeon, que fala da soberania de Deus e do inferno, eu fui tão impactada naquela leitura, que jamais a esqueci.
    Hoje lendo este texto, eu fiquei maravilhada, pois ainda me restava uma dúvida, era justamente o paradoxo que neste texto foi respondido, “Soberania x Livre arbitrío”.
    Um amigo meu já havia me dito há muito tempo “Nós seres humanos, estamos acostumados a tentar entender Deus pelo raciocinio humano, e isso será impossível.”

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