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2 formas erradas e 1 correta de tratar a consciência pesada

Resumo

No capítulo 1, “Os primeiros anos”, John Bunyan retrata sua vida de incrédulo. “Sem Deus no mundo, [ele] vivia realmente ‘segundo o curso deste mundo’ e sujeito as influências do ‘espírito que agora atua nos filhos da desobediência’ (Ef 2.2). O pecado se tornou natural para ele (20).

Por conta disso, ele teve, em sua infância sonhos terríveis e visões horrendas sobre os tormentos do inferno. Depois, porém, “os prazeres do mundo livraram rapidamente desses sonhos a minha memória, como se nunca tivessem sido parte de [sua] vida” (20). Contudo, mesmo nessa entrega ao pecado, Deus não havia lhe abandonado. Deus não havia concedido convicção dos pecados, mas enviou julgamentos mesclados com misericórdias — punições e livramentos. Mesmo assim nenhum deles despertou a alma de Bunyan para qualquer senso de justiça e ele continuou a pecar e tornar-se cada vez mais rebelde contra Deus e negligente a respeito de sua própria salvação (22).

No capítulo 2, Despertado o interesse pela religião, Bunyan descreve como de incrédulo passou a se interessar pela religião, ao ponto de cantar e acompanhar o culto tão devotamente quanto os outros o faziam. Porém, ele continuava sua vida iníqua (25). Era uma religião externa. Após um tempo, um sermão acusou a consciência dele, mas em vez de abandonar seu pecados e se voltar para Cristo, ele julgou que jamais poderia ser salvo e que então era melhor tentar continuar pecando e tentar achar sua satisfação no pecado (27) – mas ele não conseguiu encontrar (28). Após ser repreendido por uma mulher por causa do seu linguajar, Bunyan passou a buscar uma “reforma exterior, tanto no falar como no viver” (29). Ele chegou a mudar bastante seu comportamento, recebendo elogio das pessoas e se deleitando nos mesmos, mas não conhecia a Cristo, nem era realmente salvo (30)

No capítulo 3, “As primeiras inquietações da alma”, Bunyan relata como continuava em sua tentativa de se considerar uma pessoa boa pelas suas próprias obras. Ele tentava estabelecer sua justiça própria (34). Contudo, um dia, ouviu a conversa de duas mulheres cristã, uma conversa “preenchida com a beleza e o deleite da Escritura”, sobre diversos assuntos, mas principalmente sobre um tal “novo nascimento” (34); e isso o despertou para a pergunta se havia realmente nascido de novo.

Ele percebeu que seu interesse pelas coisa eternas crescia cada vez mais. Entretanto, o diabo não ficou inerte e buscou levá-lo a abraçar uma seita. Bunyan ciente de sua ignorância sobre a Bíblia, orou para que Deus o preservasse. E Deus respondeu, levando Bunyan a desconfiar de sua própria sabedoria e a considerar a Bíblia cada vez mais preciosa. Ele passou a ler mais a Palavra e se deparou com uma questão que lhe afligiu grandemente: será que ele tinha fé? como saber?

O que podemos aprender: 2 formas erradas de tratar uma consciência pesada

Nestes primeiros capítulos, vemos John Bunyan em tensão com uma consciência que lhe acusava. Ele sabia que agia de forma incorreta. Mas a grande questão é: como você tem reagido quando a sua consciência lhe acusa? Algumas pessoas buscam compensar as obras ruins com boas obras e outras desistem, achando que jamais podem ser salvas.

Religião externa e boas obras não salvam

Muitas pessoas quando suas consciências lhes acusam buscam uma justiça própria na religião ou nas boas obras. Elas vão mais aos cultos, buscam ler mais a Bíblia ou outro livro religioso, buscam fazer mais boas obras para compensar as más, contudo nada disso salva verdadeiramente. A grande questão é: Você nasceu de novo? Você confiou em Cristo para sua salvação?

Não ache que Deus não pode salvá-lo

Outras pessoas, quando contemplam o tamanho dos seus pecados e se sentem sufocadas, pensam que jamais poderão ser salvas – e que é melhor então se entregar a uma vida de pecado, tentando achar assim algum conforto. Esta é uma das estratégias do diabo para matar sua alma. Eis o que Bunyan diz, refletindo em sua própria experiência:

“Estou convencido de que esta tentação do diabo, para conquistar o espírito com uma disposição de coração cauterizada e uma consciência entorpecida, é mais comum entre as pessoas do que a maioria delas está ciente. O diabo alimenta, silenciosa e furtivamente, o coração e a mente das pessoas com tal desespero que, apesar de não sentirem culpa específica, acreditam que não há mais esperança para si mesmas, visto que têm amado os seus pecados; portanto, elas continuam a segui-los (Jr 2.25; 18.12).” (28)

Contudo, como Bunyan percebeu, o pecado não satisfaz. Porém, Cristo oferece água da vida e descanso a todos que estão cansados e sobrecarregados do fardo do pecado. “Ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus” (Hb 7.25).

Como tratar corretamente uma consciência pesada?

A primeira coisa que você precisa entender é que essa consciência pesada vem de Deus. Em Romanos 2.15, vemos que Deus gravou a sua lei em nosso coração de tal forma que nossa consciência nos acusa ou defende (mesmo que imperfeitamente) quando agimos de forma errada ou correta. Então, não ignore esse grito da sua alma.

Segundo, o seu real problema não é sua consciência, mas o fato de que você pecou contra um Deus santo e bom; um Deus que tem lhe abençoado de tantas formas e mesmo assim você ingratamente pecou contra ele (mentindo, cobiçando, usando o nome de Deus em vão, e tantas outras formas). Então a questão não é só o que faço com minha consciência, mas como posso ter paz com Deus!

Terceiro, você é incapaz de ter paz com Deus em seus próprios esforços, afinal você é justamente o transgressor. Seu pecado contra Deus é tão grande e tantos que você nunca irá conseguir compensar com boas obras.

Quarto, o que fazer então? Deus fez! Ele enviou o Filho dele, Jesus, para a terra, o qual encarnou e nos revelou a Deus. Jesus Cristo é o enviado de Deus. E Deus enviou Jesus para que ele vivesse uma vida perfeita, morresse na cruz, pagando o preço pelos pecados, e ressuscitasse para a nossa justificação diante de Deus.

Quinto, a única forma então de você encontrar paz com Deus é se a justiça perfeita de Cristo for contada como sua. E a única forma disso acontecer é se você se arrepender dos seus pecados e crer em Cristo. Confesse seus pecados e confie que aquilo que Cristo fez na cruz é capaz de salvá-lo.

O sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, pode purificar a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! (Hb 9.14)

Creia e seja salvo.

Extra 1: Cristão, como tem sido a sua conversa?

Uma das experiências marcantes na vida de John Bunyan foi ter ouvido a conversa de duas cristãs, falando sobre as lutas contra as tentações e o novo nascimento. Isso me leva a perguntar que tipo de conversa temos com nossos irmãos. Será que conversamos sobre as coisas que são de cima ou só sobre as coisas que são de baixo (Cl 3:2). Nossa língua declara as maravilhas do evangelho ou temos mais interesses nas coisas transitórias desta vida?

Extra 2: Uma oração para o estudo teológico

Bunyan nos dá uma ótima oração para fazermos antes de começarmos a estudar qualquer doutrina:

“Senhor, sou tolo e incapaz de distinguir a verdade do erro. Senhor, não me deixes entregue à minha própria cegueira, nem para aprovar nem para condenar esta doutrina. Se ela provém de Ti, não permitas que eu a despreze; se vem do diabo, não me deixes abraçá-la. Senhor, no tocante a este assunto entrego minha alma somente aos teus pés; não me deixes ser enganado — eu Te suplico humildemente!” (36)

 

Sua vez

1) Como foi o seu processo de conversão? Você se identificou em algo com John Bunyan?

2) O que chamou mais a sua atenção na leitura?

 

Por Vinícius Musselman Pimentel © 2014 Voltemos ao Evangelho. Original: 2 formas erradas e 1 correta de tratar a consciência pesada

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11 Comentários
  1. Victor Badaró Diz

    Nossa, muito bom!
    Sem dúvida é um ótimo livro e com certeza servirá para uma edificação nossa!
    Em muitos momentos da leitura, nos vemos na pessoa de John Bunyan. Estou me vendo como "convertendo".
    Deus os abençoe!

  2. Laiara Lacerda Diz

    genial, praticamente a minha vida escrita na vida dele.

  3. Mari Maranata Diz

    vale apena ler até o fim…

  4. Ulysses Diz

    Sensacional! Eu não vivi totalmente os mesmos problemas que o Bunyan, mas eu passei por algumas etapas pelas quais ele vivenciou. O bom é que se vê no livro!

    1. Ulysses Diz

      * O bom é que você se vê no livro!

  5. Danielle Diz

    Estou amando o “Voltemos aos Clássicos”, o Espírito Santo tem falado ao meu coração poderosamente. Muito edificante.

  6. Vinicius Diz

    Muito boa essa iniciativa de leitura conjunta! :D

  7. Mônica Santos Diz

    Estou gostando da leitura, pois temos um pouquinho de Bunyan em nossa história.

  8. Quem pode dizer que não teve os mesmos problemas como Bunyan? Se todos pecaram! Mas este tipo de leitura é muito importante porque a cada dia somos tentados pelo Diabo para deixar de viver santidade e nos envergonharmos com os erros, só a graça abundante do Senhor sobre nós, maravilhosa graça!

  9. Jeová Roberto da Silva Diz

    Aprendi muito com esta experiência de Bunyan.

  10. Mari Maranata Diz

    vale apena ler até o fim…

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