Ulrico Zwínglio e a Reforma em Zurique (Parte 2)

Introduzindo a Reforma

Enquanto Zwínglio pregava através da Bíblia, expôs as verdades que encontrou no texto, mesmo que diferissem da tradição histórica da igreja. Esse tipo de pregação direta não ocorreu sem desafios. Em 1522, alguns de seus paroquianos desafiaram a regra da igreja sobre comer carne durante a Quaresma. Zwínglio apoiou a sua prática com base nas verdades bíblicas da liberdade cristã. Ele viu tais restrições como feitas pelo homem. No mesmo ano, compôs o primeiro de seus muitos escritos da Reforma, o que propagou as suas ideias em toda a Suíça.

Em novembro de 1522, Zwínglio começou a trabalhar com outros líderes religiosos e com o conselho da cidade para realizar grandes reformas na igreja e no estado. Em janeiro de 1523, escreveu sessenta e sete teses, onde rejeitou muitas crenças medievais, como o jejum forçado, o celibato clerical, o purgatório, a missa e a mediação sacerdotal. Além disso, começou a questionar o uso de imagens na igreja. Em junho de 1524, a cidade de Zurique, seguindo a sua liderança, determinou que todas as imagens religiosas deveriam ser removidas das igrejas. Também em 1524, Zwínglio deu mais um passo de reforma: ele se casou com Anna Reinhard, uma viúva. Tudo isso parece ter acontecido antes de Zwínglio ter ouvido falar de Lutero. Esta foi verdadeiramente uma evidente obra Deus.

Em 1525, o movimento da Reforma em Zurique ganhou força significativa. Em 14 de abril de 1525, a missa foi oficialmente abolida e os serviços de culto protestantes foram iniciados em Zurique e seus arredores. Zwínglio escolheu implementar apenas o que foi ensinado nas Escrituras. Seja o que for que não tivesse apoio explícito das Escrituras foi rejeitado. As palavras da Escritura foram lidas e pregadas na língua do povo. Toda a congregação, não apenas o clero, recebia pão e vinho em um simples culto de comunhão. O ministro usava vestes como aquelas encontradas nas salas de aula e não nos altares católicos. A veneração de Maria e dos santos foi proibida, as indulgências foram banidas e as orações pelos mortos foram interrompidas. A ruptura com Roma estava completada.

Anabatistas: Reformadores radicais

Zwínglio também entrou em controvérsia com um novo grupo conhecido como Anabatistas ou Rebatizadores, um movimento de reforma mais radical que começou em Zurique, em 1523. Embora Zwínglio tivesse feito grandes mudanças, ele não havia ido longe o suficiente para esses crentes. Para os Anabatistas, a questão do batismo só era secundária à separação da Igreja Católica Romana. Os Anabatistas buscavam uma reconstrução completa da igreja que era semelhante a uma revolução.

Zwínglio viu as propostas Anabatistas como um excesso radical. Em resposta às exigências Anabatistas para a reforma imediata da igreja e da sociedade, ele pediu moderação e paciência na transição de Roma. Ele aconselhou que os Anabatistas suportassem os irmãos mais fracos que gradualmente aceitavam o ensino dos Reformadores. No entanto, essa abordagem apenas provocou o aumento do conflito entre Zwínglio e os radicais.

Uma ordem dos magistrados de Zurique para que todos os bebês na cidade fossem batizados provou ser muito explosiva. Os Anabatistas responderam marchando pelas ruas de Zurique em intensos protestos. Ao invés de batizar os seus bebês, eles batizaram uns aos outros, por aspersão ou imersão, em 1525. Eles também rejeitaram a afirmação de Zwínglio sobre a autoridade do conselho da cidade sobre os assuntos da igreja e defendiam a separação total da igreja e do estado.

Os líderes Anabatistas foram presos e acusados de ensino revolucionário. Alguns foram mortos por afogamento. Não se sabe se Zwínglio consentiu com as sentenças de morte, mas ele não se opôs a elas.

A controvérsia sobre a Ceia do Senhor

Enquanto isso, uma controvérsia começou a fermentar entre Zwínglio e Lutero sobre a Ceia do Senhor. Lutero afirmava a consubstanciação, a crença de que o corpo e o sangue de Cristo estavam presentes nos, através ou sob os elementos. Ele afirmou que havia uma presença real de Cristo nos elementos, embora diferisse do ensino católico romano da transubstanciação, que sustenta que os elementos se transformam no corpo e no sangue de Cristo quando abençoados pelo sacerdote durante a missa. Zwínglio adotou a posição de que a Ceia do Senhor é principalmente um memorial da morte de Cristo, uma lembrança simbólica.

Na tentativa de unir o movimento reformado, o Colóquio de Marburgo foi convocado em outubro de 1529. Os dois Reformadores apareceram um diante do outro, juntamente com Martin Bucer, Filipe Melânchthon, Johannes Oecolampadius e outros líderes Protestantes. Eles concordaram, em princípio, com quatorze dos quinze itens que lhes foram submetidos: a relação igreja-estado, o batismo infantil, a continuidade histórica da igreja e muito mais. Porém, nenhum acordo foi alcançado em relação à Ceia do Senhor. Lutero disse que “Zwínglio era um ‘homem muito bom’, mas com um ‘espírito diferente’, e, portanto, se recusava a aceitar a sua mão de comunhão oferecida com lágrimas” (Philip Schaff, História da Igreja Cristã, Vol. VIII: Cristianismo Moderno: a Reforma Suíça [1919; repr., Grand Rapids: Eerdmans, 1984], 87). Para os colegas, Lutero comentou sobre Zwínglio e seus apoiadores: “Suponho que Deus os cegou” (Lutero, citado em Heiko Oberman, Lutero: Um Homem entre Deus e o Diabo, Trans. Eileen Walliser-Scharzbart [Nova Iorque: Doubleday, 1992], 120).

Em uma das estranhas ironias da história, Zwínglio, que anteriormente se opunha à prática de usar mercenários na guerra, morreu no campo de batalha em 1531. Um conflito crescente entre Protestantes e Católicos fez os cantões se armarem, e uma guerra logo irrompeu. A cidade de Zurique foi à batalha para se defender contra cinco cantões Católicos invasores do sul. Zwínglio acompanhou o exército de Zurique na batalha como um capelão de campo. Vestido de armadura e armado com um machado de batalha, ele foi gravemente ferido em 11 de outubro de 1531. Quando os soldados inimigos o encontraram ferido, o mataram. As forças do sul então submeteram seu cadáver a um tratamento vergonhoso. Eles o esquartejaram, cortaram os seus restos em pedaços e os queimaram, depois misturaram as suas cinzas com esterco e as lançaram fora.

Hoje, exibida de forma proeminente em Water Church [Igreja Water], Zurique, há uma estátua de Zwínglio. Ele está de pé com uma Bíblia em uma mão e uma espada na outra. A estátua representa Zwínglio em sua influência sobre a Reforma Suíça, forte e resoluto. Embora o seu ministério em Zurique tenha sido relativamente curto, ele realizou grandes feitos. Através de sua defesa heroica da verdade, Zwínglio reformou a igreja em Zurique e liderou o caminho para que outros Reformadores o seguissem.

Por: Ulrico Zwínglio . © 2017 Ligonier. Website: http://ligonier.org. Traduzido com permissão. Fonte: Zurich Revolutionary: Ulrich Zwingli

Original: Ulrico Zwínglio e as Teses de Berna de 1528. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira . Revisão: William Teixeira.

Comentários estão fechados.