Apologética indispensável: uma entrevista com Ravi Zacharias (1946-2020)

Como o senhor se tornou cristão?

Ravi Zacharias: Eu me tornei cristão na adolescência, na Índia, a terra do meu nascimento. Eu lutei com muitas coisas na minha vida – especialmente as que fracassaram e decepcionaram minha família. Houve uma série de eventos, mas o ponto culminante veio quando tentei tirar minha própria vida. Foi naquele leito de suicídio quando uma Bíblia foi trazida para mim. Ouvi João 14 sendo lido para mim, especialmente o versículo 19. Jesus disse: “Porque eu vivo, vós também vivereis”. Naquela situação de crise, clamei a Jesus e o recebi como meu Senhor e meu Salvador. Esse foi o começo.

Como Deus usou sua educação indiana em seu ministério?

RZ: Toda essa mudança global de “olhar para o Oriente” em busca de respostas se tornou uma plataforma muito real, que precisamos abordar com compreensão e experiência, o que essas visões de mundo ensinam e por que, mais do que nunca, as respostas de Jesus Cristo são relevantes e verdadeiras. As músicas da Índia, as lutas espirituais da Índia, a “fuga de cérebros” da Índia, enquanto suas mentes mais brilhantes se dirigem para o oeste, têm razões e implicações econômicas e de visão de mundo. Elas fornecem solo pronto para o evangelho, provavelmente como nunca antes na história. Ser indiano de nascimento e educação, e meus ancestrais vindos da casta mais alta do sacerdócio hindu, fornece uma história para contar. O público no mundo do entretenimento as classes acadêmicas ou de negócios estão todos mais abertos do que antes.

O que o RZIM pode oferecer à igreja hoje?

RZ: O RZIM agora tem bases em dez países e nossa equipe de apologistas e professores em disciplinas espirituais está fazendo evangelismo em alguns dos ambientes mais hostis do mundo. Como resultado, as pessoas nas igrejas estão sendo estimuladas e incentivadas a obter nosso material e a usá-lo bastante em seus próprios esforços. Também estamos em parceria com igrejas selecionadas para ajudar a treinar membros. Nosso Oxford Centre for Christian Apologetics (OCCA) agora está credenciado com programas de graduação na Universidade de Oxford. A longo prazo, produzirá um número significativo de apologistas cristãos para o cenário global. Os ataques estritos dos antiteístas e outros fatores fizeram da apologética uma necessidade indispensável para os nossos tempos.

O senhor tem algum projeto atual ou futuro que deseja nos contar?

RZ: Meu livro mais recente, Quem é Jesus? Contrapondo sua Verdade à Falsa Espiritualidade dos Dias, é um livro que pode atender uma necessidade oportuna. Além disso, ore por toda a equipe e seus familiares, ao ministrarmos aos líderes políticos e àqueles que moldam nossa cultura. Temos grandes centros universitários e, mais uma vez, falarei no café da manhã de Oração da ONU este ano. Surpreendentemente, recebemos inúmeros convites de países islâmicos. Estamos tendo respostas incríveis. Alguns desses países nem podemos citar. Por favor, ore por essas reuniões.

Como podemos superar os medos que temos em pregar o evangelho a seguidores de outras religiões?

RZ: É muito importante entender essas outras visões de mundo. Além disso, seja um ouvinte paciente de alguém de outra fé. Mas você deve saber como defender suas próprias crenças. Se não pudermos responder às suas perguntas genuínas, “confirmaremos”, em suas mentes, o que muitas vezes, por meio de lavagem cerebral os levam a crer: que o cristianismo é intelectualmente defeituoso. Isso é o que eles dizem. Não é necessário ter todas as respostas, mas é preciso saber onde elas são encontradas.

Por que é tão difícil evangelizar os muçulmanos e o que podemos fazer sobre isso?

RZ: É muito difícil alcançar a comunidade muçulmana. Nos países onde os jovens estão cansados de ter o Islã forçado a engolir suas gargantas, os poderes sob controle reinam sobre eles com ameaças e terror. Para muitos muçulmanos, existem dois fatos brutais. Primeiro, você simplesmente não pode criticar suas crenças ou seu Alcorão sem o medo de inflamar ou incitar a violência. Segundo, muitas vezes não se pode sequer argumentar com um muçulmano. Isso é um fato.

Portanto, a melhor esperança é conquistá-los através da amizade paciente e do amor de Jesus. Essa é a verdade vencedora, porque o amor é uma mercadoria rara na fé islâmica. Quase todas as pessoas de origem muçulmana que chegaram à fé dirão que foi o amor de Cristo que os atraiu, ou então, de uma forma maravilhosa, que Deus os alcançou através de visões e sonhos. Parece-me que quando os poderes humanos bloqueiam a mensagem, Deus é capaz de escalar seus muros.

Mas é essencial que, quando eles vierem dessa maneira, sejam ensinados, eficazmente discipulados e auxiliados em sua apologética para que eles possam responder às perguntas de suas famílias ou amigos. Por fim, é da Palavra de Deus que eles precisarão, não apenas de uma experiência que possa ser facilmente mal utilizada ou escandalizada.

Como equipamos os jovens para que permaneçam comprometidos com Cristo em um mundo secular e não-cristão?

RZ: A Bíblia nos lembra de guardar nossa doutrina e nossa conduta. Nossos jovens sabem, em primeira mão, o que o mundo tem a oferecer. Eles precisam ser alcançados em uma idade mais jovem por causa do mundo da Internet que arrasa as mentes jovens mais cedo do que nunca. Edificar sua fé não é uma força primordial em nossas igrejas hoje. Parece que pensamos que precisamos entretê-los na igreja. Porém, o que você tenta conquistar geralmente é o que você acaba conseguindo.

Eles podem rapidamente perceber uma fé vazia. Suas mentes estão famintas por coerência e significado. Eles desejam pensar nas coisas. Eles desejam saber por que o evangelho é verdadeiro e exclusivo. Nenhum desses problemas costuma ser tratado ao seu alcance. Acredito que esta é a crise mais séria de nossos jovens que frequentam a igreja hoje. A fé deles é mais um desejo do que uma realidade. Temos uma responsabilidade especial para com os jovens. Manteremos isso enquanto tentamos alcançá-los. É um mundo difícil para os jovens.

Quais são os três livros que todo cristão deve ler?

RZ: Eu preferiria nomear autores. Autores como C.S. Lewis, John Piper, Tim Keller, sim, e meu querido amigo R.C. Sproul. Mas há muitos mais. Um dos maiores livros já escritos é O Peregrino, de John Bunyan. Para estudos devocionais, Oswald Chambers e um dos meus favoritos, G. Campbell Morgan, são ótimas opções. Também temos uma bibliografia em nosso site. Desculpe, são mais de três.

Quais são as duas lições mais importantes do ministério que você aprendeu na última década?

RZ: As lições mais difíceis que aprendi são: primeiro, como é importante ter as pessoas certas ao seu redor, e segundo, aprender a enfrentar críticas e oposição (muitas vezes daqueles que deveriam ser mais compreensivos) sem permitir que eles o desviem de sua proximidade com o Senhor e seu chamado. Quando você está fazendo muito pouco, ninguém vai incomodá-lo. Mas quando você está causando impacto, o inimigo de nossas almas encontra emissários prontos para mirar em você. Prossiga em seu chamado. Mantenha-se perto do Senhor e não deixe que os críticos sufoquem um chamado que um Deus gracioso e soberano moldou.

Por mais difícil que seja a batalha, é verdade que todos são chamados para estar na linha de frente. Nosso chamado, para usar uma metáfora de guerra, é “operações especiais”. É repleto de perigos, mas vital para a conquista dos corações de homens e mulheres em todo o mundo. Para esse fim, Deus abençoou imensamente a obra de RZIM, agora em seu vigésimo sétimo ano. Sou muito grato por todas as oportunidades e bênçãos que desfrutamos. Vimos algumas das pessoas mais obstinadas virem a Cristo. Isso faz tudo valer a pena. Mais uma coisa, saber que existem ministérios como o Ligonier e muitos outros bons, é tranquilizador. Embora os desafios sejam grandes, Deus está fazendo grandes coisas em todo o mundo.

Por: Ravi Zacharias. © Ligonier Ministries. Website: ligonier.org. Traduzido com permissão. Fonte: Indispensable Apologetics: An Interview with Ravi Zacharias.

Original: Apologética indispensável: uma entrevista com Ravi Zacharias. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Paulo Reiss Junior. Revisão: Filipe Castelo Branco.