{"id":59953,"date":"2021-09-21T15:35:41","date_gmt":"2021-09-21T18:35:41","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?page_id=59953"},"modified":"2021-09-21T15:35:41","modified_gmt":"2021-09-21T18:35:41","slug":"os-canones-de-dort","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/os-canones-de-dort\/","title":{"rendered":"Os C\u00e2nones de Dort"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Acesse a\u00a0<a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/credos-e-confissoes\/\">p\u00e1gina de Credos e Confiss\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h1>Os C\u00e2nones de Dort<\/h1>\n<h2><a name=\"_Toc82531605\"><\/a>Cap\u00edtulo 1<\/h2>\n<h2><a name=\"_Toc82531606\"><\/a><em>A divina predestina\u00e7\u00e3o<\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 1<\/strong><\/p>\n<p>Todos os homens pecaram em Ad\u00e3o, est\u00e3o debaixo da maldi\u00e7\u00e3o de Deus e s\u00e3o condenados \u00e0 morte eterna. Por isso Deus n\u00e3o teria feito injusti\u00e7a a ningu\u00e9m se tivesse resolvido deixar toda a ra\u00e7a humana no pecado e sob maldi\u00e7\u00e3o, e conden\u00e1-la por causa do seu pecado, de acordo com estas palavras do ap\u00f3stolo: \u201cpara que se cale toda boca, e todo o mundo seja culp\u00e1vel perante Deus\u2026 pois todos pecaram e carecem da gl\u00f3ria de Deus\u201d (Rm 3.19, 23), e: \u201co sal\u00e1rio do pecado \u00e9 a morte\u201d (Rm 6.23).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 2<\/strong><\/p>\n<p>Mas \u201cnisto se manifestou o amor de Deus em n\u00f3s, em haver Deus enviado o seu Filho unig\u00eanito ao mundo\u201d (1Jo 4.9), \u201cpara que todo o que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo 3.16).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 3<\/strong><\/p>\n<p>Para que os homens sejam conduzidos \u00e0 f\u00e9, Deus envia, em sua miseric\u00f3rdia, mensageiros dessa mensagem muito alegre a quem e quando ele quer. Pelo minist\u00e9rio deles, os homens s\u00e3o chamados ao arrependimento e \u00e0 f\u00e9 no Cristo crucificado. Porque \u201ccomo crer\u00e3o naquele de quem nada ouviram? E como ouvir\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 quem pregue? E como pregar\u00e3o, se n\u00e3o forem enviados?\u201d (Rm 10.14, 15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 4<\/strong><\/p>\n<p>A ira de Deus permanece sobre aqueles que n\u00e3o creem nesse Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abra\u00e7am Jesus, o Salvador, com uma f\u00e9 verdadeira e viva s\u00e3o redimidos por ele da ira de Deus e da perdi\u00e7\u00e3o, e presenteados com a vida eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 5<\/strong><\/p>\n<p>Em Deus, n\u00e3o est\u00e1, de forma alguma, a causa ou a culpa dessa incredulidade. O homem tem a culpa dela, tal como de todos os demais pecados. Mas a f\u00e9 em Jesus Cristo e tamb\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o por meio dele s\u00e3o dons gratuitos de Deus, como est\u00e1 escrito: \u201cPorque pela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9; e isto n\u00e3o vem de v\u00f3s, \u00e9 dom de Deus\u201d (Ef 2.8). De forma semelhante, \u201cporque vos foi concedida a gra\u00e7a de [\u2026] n\u00e3o somente de crerdes nele\u201d (Fp 1.29).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 6<\/strong><\/p>\n<p>Deus d\u00e1 nesta vida a f\u00e9 a alguns, mas n\u00e3o d\u00e1 a f\u00e9 a outros. Isso procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras dizem que ele \u201cfaz estas coisas conhecidas desde s\u00e9culos\u201d (At 15.18) e que ele \u201cfaz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade\u201d (Ef 1.11). De acordo com esse decreto, ele graciosamente quebranta os cora\u00e7\u00f5es dos eleitos, por mais duros que sejam, inclinando-os a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo ju\u00edzo, ele deixa os n\u00e3o eleitos em sua pr\u00f3pria maldade e dureza. E aqui especialmente nos \u00e9 manifesta a profunda, misericordiosa e ao mesmo tempo justa distin\u00e7\u00e3o entre os homens que est\u00e3o na mesma condi\u00e7\u00e3o de perdi\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o decreto da elei\u00e7\u00e3o e da reprova\u00e7\u00e3o revelado na Palavra de Deus. Ainda que os homens perversos, impuros e inst\u00e1veis o deturpem, para sua pr\u00f3pria perdi\u00e7\u00e3o, ele d\u00e1 um inexprim\u00edvel conforto para as pessoas santas e tementes a Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 7<\/strong><\/p>\n<p>Essa elei\u00e7\u00e3o \u00e9 o imut\u00e1vel prop\u00f3sito de Deus, pelo qual ele, antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, escolheu um n\u00famero grande e definido de pessoas para a salva\u00e7\u00e3o, por gra\u00e7a pura. Essas pessoas s\u00e3o escolhidas de acordo com o soberano e bom prop\u00f3sito de sua vontade, dentre todo o g\u00eanero humano, deca\u00eddo por sua pr\u00f3pria culpa de sua integridade original para o pecado e a perdi\u00e7\u00e3o. Os eleitos n\u00e3o s\u00e3o melhores ou mais dignos que os outros, por\u00e9m s\u00e3o envolvidos na mesma mis\u00e9ria dos demais. S\u00e3o escolhidos em Cristo, a quem Deus constituiu, desde a eternidade, como Mediador e Cabe\u00e7a de todos os eleitos e fundamento da salva\u00e7\u00e3o. E, para salv\u00e1-los por Cristo, Deus decidiu d\u00e1-los a ele e efetivamente cham\u00e1-los e atra\u00ed-los \u00e0 sua comunh\u00e3o por meio de sua Palavra e de seu Esp\u00edrito. Em outras palavras, ele decidiu dar-lhes verdadeira f\u00e9 em Cristo, justific\u00e1-los, santific\u00e1-los, e depois, tendo-os guardado poderosamente na comunh\u00e3o de seu Filho, finalmente glorific\u00e1-los. Deus fez isso para a demonstra\u00e7\u00e3o de sua miseric\u00f3rdia e para o louvor da riqueza de sua gloriosa gra\u00e7a. Como est\u00e1 escrito: \u201cassim como nos escolheu nele, antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e irrepreens\u00edveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a ado\u00e7\u00e3o de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o benepl\u00e1cito de sua vontade, para louvor da gl\u00f3ria de sua gra\u00e7a, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado\u201d (Ef 1.4-6). E em outro lugar: \u201cE aos que predestinou, a esses tamb\u00e9m chamou; e aos que chamou, a esses tamb\u00e9m justificou; e aos que justificou, a esses tamb\u00e9m glorificou\u201d (Rm 8.30).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 8<\/strong><\/p>\n<p>Essa elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 m\u00faltipla, mas ela \u00e9 uma e a mesma de todos os que s\u00e3o salvos tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. Pois a Escritura nos prega o \u00fanico bom prop\u00f3sito e conselho da vontade de Deus, pelo qual ele nos escolheu desde a eternidade, tanto para a gra\u00e7a como para a gl\u00f3ria, assim tamb\u00e9m para a salva\u00e7\u00e3o e para o caminho da salva\u00e7\u00e3o, o qual ele preparou para que and\u00e1ssemos nele (Ef 1.4, 5; 2.10).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 9<\/strong><\/p>\n<p>Essa elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseia em f\u00e9 prevista, em obedi\u00eancia de f\u00e9, santidade ou qualquer boa qualidade ou disposi\u00e7\u00e3o, que seria uma causa ou condi\u00e7\u00e3o previamente requerida ao homem para ser escolhido. Mas a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 para a f\u00e9, a obedi\u00eancia de f\u00e9, a santidade etc. Elei\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 a fonte de todos os bens da salva\u00e7\u00e3o, de onde procedem a f\u00e9, a santidade e os outros dons da salva\u00e7\u00e3o, e finalmente a pr\u00f3pria vida eterna como seus frutos. \u00c9 conforme o testemunho do ap\u00f3stolo: ele \u201cnos escolheu [n\u00e3o por sermos, mas] para sermos santos e irrepreens\u00edveis perante ele\u201d (Ef 1.4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 10<\/strong><\/p>\n<p>A causa dessa elei\u00e7\u00e3o graciosa \u00e9 somente o bom prop\u00f3sito de Deus. Esse bom prop\u00f3sito n\u00e3o consiste no fato de que, dentre todas as condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, Deus tenha escolhido certas qualidades ou a\u00e7\u00f5es dos homens como condi\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o. Mas esse bom prop\u00f3sito consiste no fato de que Deus adotou certas pessoas dentre a multid\u00e3o inteira de pecadores para ser sua propriedade. Como est\u00e1 escrito: \u201cE ainda n\u00e3o eram os g\u00eameos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal\u2026 j\u00e1 lhe fora dito a ela (Rebeca): O mais velho ser\u00e1 servo do mais mo\u00e7o. Como est\u00e1 escrito: Amei a Jac\u00f3, por\u00e9m me aborreci de Esa\u00fa\u201d (Rm 9.11-13). E \u201ccreram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna\u201d (At 13.48).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 11<\/strong><\/p>\n<p>Como Deus \u00e9 supremamente s\u00e1bio, imut\u00e1vel, onisciente e Todo-Poderoso, assim sua elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; tampouco os eleitos podem ser rejeitados ou o n\u00famero deles ser diminu\u00eddo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 12<\/strong><\/p>\n<p>Os eleitos recebem, em seu devido tempo, a certeza de sua eterna e imut\u00e1vel elei\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o, ainda que em v\u00e1rios graus e em medidas desiguais. Eles n\u00e3o a recebem quando curiosamente investigam os mist\u00e9rios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os infal\u00edveis frutos de elei\u00e7\u00e3o indicados na Palavra de Deus \u2014 tais como uma f\u00e9 verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza com seus pecados segundo a vontade de Deus e fome e sede de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 13<\/strong><\/p>\n<p>A consci\u00eancia e a certeza dessa elei\u00e7\u00e3o fornecem diariamente aos filhos de Deus maior motivo para se humilhar perante Deus, para adorar a profundidade de sua miseric\u00f3rdia, para se purificar e para amar ardentemente aquele que primeiro tanto os amou. Contudo, absolutamente n\u00e3o \u00e9 verdade que essa doutrina da elei\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o a esse respeito os fa\u00e7am relaxar na observa\u00e7\u00e3o dos mandamentos de Deus ou rendam uma seguran\u00e7a falsa. No justo julgamento de Deus, isso ocorre frequentemente \u00e0queles que se vangloriam de forma leviana da gra\u00e7a da elei\u00e7\u00e3o, ou facilmente falam acerca disso, mas recusam-se a andar nos caminhos dos eleitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 14<\/strong><\/p>\n<p>A doutrina da divina elei\u00e7\u00e3o, segundo o mui s\u00e1bio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, por Cristo mesmo e pelos ap\u00f3stolos, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, e depois escrita e entregue a n\u00f3s nas Escrituras Sagradas. Por isso, tamb\u00e9m hoje essa doutrina deve ser ensinada em seu devido tempo e lugar na Igreja de Deus, para a qual ela foi particularmente destinada. Ela deve ser ensinada com esp\u00edrito de discri\u00e7\u00e3o, de modo reverente e santo, sem curiosa investiga\u00e7\u00e3o dos caminhos do Alt\u00edssimo, para a gl\u00f3ria do santo nome de Deus e consola\u00e7\u00e3o vivificante de seu povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 15<\/strong><\/p>\n<p>A Escritura Sagrada mostra e recomenda a n\u00f3s essa gra\u00e7a eterna e imerecida sobre nossa elei\u00e7\u00e3o, especialmente quando, al\u00e9m disso, testifica que nem todos os homens s\u00e3o eleitos, mas que alguns n\u00e3o o s\u00e3o, ou seja, s\u00e3o passados na elei\u00e7\u00e3o eterna de Deus. De acordo com seu soberano, justo, irrepreens\u00edvel e imut\u00e1vel bom prop\u00f3sito, Deus decidiu deix\u00e1-los na mis\u00e9ria comum em que se lan\u00e7aram por sua pr\u00f3pria culpa, n\u00e3o lhes concedendo a f\u00e9 salvadora e a gra\u00e7a de convers\u00e3o. Para mostrar sua justi\u00e7a, decidiu deix\u00e1-los em seus pr\u00f3prios caminhos e debaixo de seu justo julgamento, e finalmente conden\u00e1-los e puni-los eternamente, n\u00e3o apenas por causa de sua incredulidade, mas tamb\u00e9m por todos os seus pecados, com o fim de mostrar sua justi\u00e7a. Esse \u00e9 o decreto da reprova\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o torna Deus o autor do pecado (tal pensamento \u00e9 blasf\u00eamia!), mas o declara o tem\u00edvel, irrepreens\u00edvel e justo Juiz e Vingador do pecado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 16<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que n\u00e3o sentem fortemente a f\u00e9 viva em Cristo, nem confian\u00e7a firme no cora\u00e7\u00e3o, nem boa consci\u00eancia, nem zelo pela obedi\u00eancia filial e pela glorifica\u00e7\u00e3o de Deus por meio de Cristo. Apesar disso, elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em n\u00f3s. Elas n\u00e3o devem desanimar quando a reprova\u00e7\u00e3o for mencionada, nem contar a si mesmas entre os reprovados. Pelo contr\u00e1rio, devem continuar diligentemente no uso desses meios, desejando, ardentemente, ter dias de gra\u00e7a mais abundante e esperando-os com rever\u00eancia e humildade. N\u00e3o devem assustar-se de maneira nenhuma com a doutrina da reprova\u00e7\u00e3o aqueles que desejam seriamente converter-se a Deus, agradar s\u00f3 a ele e libertar-se do corpo de morte, mas ainda n\u00e3o podem chegar ao ponto desejado no caminho da piedade e da f\u00e9. O Deus misericordioso prometeu n\u00e3o apagar a torcida que fumega, nem esmagar a cana quebrada. Mas essa doutrina \u00e9 certamente assustadora para os que n\u00e3o contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo e que se entregaram completamente \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es do mundo e aos desejos da carne, n\u00e3o se convertendo seriamente a Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 17<\/strong><\/p>\n<p>Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base em sua Palavra. Ela testifica que os filhos de crentes s\u00e3o santos, n\u00e3o por natureza, mas em virtude da alian\u00e7a da gra\u00e7a, na qual est\u00e3o inclu\u00eddos com seus pais. Por isso os pais que temem a Deus n\u00e3o devem ter d\u00favida da elei\u00e7\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o de seus filhos, a quem Deus chama desta vida ainda na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 18<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0queles que reclamam contra essa gra\u00e7a de elei\u00e7\u00e3o imerecida e a severidade da justa reprova\u00e7\u00e3o, n\u00f3s replicamos com esta senten\u00e7a do ap\u00f3stolo: \u201cQuem \u00e9s tu, \u00f3 homem, para discutires com Deus?!\u201d (Rm 9.20). E com essa palavra do Salvador: \u201cPorventura n\u00e3o me \u00e9 l\u00edcito fazer o que quero do que \u00e9 meu?\u201d (Mt 20.15). N\u00f3s, entretanto, adorando reverentemente esses mist\u00e9rios, exclamamos com o ap\u00f3stolo: \u201c\u00d3 profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Qu\u00e3o insond\u00e1veis s\u00e3o seus ju\u00edzos, e qu\u00e3o inescrut\u00e1veis s\u00e3o seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restitu\u00eddo? Porque dele, e por meio dele, e para ele s\u00e3o todas as coisas. A ele, pois, a gl\u00f3ria eternamente. Am\u00e9m!\u201d (Rm 11.33-36).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havendo, pois, explicado a doutrina ortodoxa de elei\u00e7\u00e3o e reprova\u00e7\u00e3o, o S\u00ednodo <strong>rejeita<\/strong> os seguintes erros:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 1<\/strong><\/p>\n<p><em>A vontade de Deus para salvar aqueles que crerem e perseverarem na f\u00e9 e na obedi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 o decreto inteiro e total da elei\u00e7\u00e3o para salva\u00e7\u00e3o. Nada mais sobre esse decreto foi revelado na Palavra de Deus.<\/em><\/p>\n<p>Esse erro engana os simples e claramente contradiz a Escritura. Ela testifica n\u00e3o apenas que Deus salvar\u00e1 aqueles que creem, mas tamb\u00e9m que ele escolheu pessoas espec\u00edficas desde a eternidade. Nesta vida, ele dar\u00e1 a esses eleitos a f\u00e9 em Cristo e a perseveran\u00e7a, que ele n\u00e3o d\u00e1 a outros; como est\u00e1 escrito: \u201cManifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo\u201d (Jo 17.6). E: \u201ccreram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna\u201d (At 13.48). E: \u201ccomo nos escolheu nele antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e irrepreens\u00edveis perante ele\u201d (Ef 1.4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 2<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 v\u00e1rios tipos de elei\u00e7\u00e3o divina para a vida eterna. Um \u00e9 geral e indefinido; outro \u00e9 particular e definido. Essa \u00faltima elei\u00e7\u00e3o ou \u00e9 incompleta, revog\u00e1vel, n\u00e3o decisiva e condicional, ou \u00e9 completa, irrevog\u00e1vel, decisiva e absoluta. Do mesmo modo, h\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o para f\u00e9 e outra para salva\u00e7\u00e3o. Portanto, elei\u00e7\u00e3o pode ser para a f\u00e9 justificante, sem ser decisiva para a salva\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da mente humana, sem nenhuma base na Escritura. Essa inven\u00e7\u00e3o corrompe a doutrina da elei\u00e7\u00e3o e quebra a corrente de ouro de nossa salva\u00e7\u00e3o. \u201cE aos que predestinou, a esses tamb\u00e9m chamou; e aos que chamou, a esses tamb\u00e9m justificou; e aos que justificou, a esses tamb\u00e9m glorificou\u201d (Rm 8.30).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 3<\/strong><\/p>\n<p><em>O bom prop\u00f3sito de Deus do qual a Escritura fala na doutrina da elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que ele escolheu certas pessoas, e n\u00e3o outras, mas que ele, dentre todas as condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis (inclusive as obras da lei), ou seja, dentre todas as possibilidades, escolheu, como condi\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o, o ato de f\u00e9, que \u00e9 sem m\u00e9rito de si mesmo, e a obedi\u00eancia imperfeita da f\u00e9. Em sua gra\u00e7a, ele a considera obedi\u00eancia perfeita e digna da recompensa da vida eterna.<\/em><\/p>\n<p>Esse erro perigoso invalida o bom prop\u00f3sito de Deus e o m\u00e9rito de Cristo, e desvia as pessoas, por quest\u00f5es in\u00fateis, da verdade da justifica\u00e7\u00e3o graciosa e da simplicidade da Escritura. Ele acusa de falsidade esta declara\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo: \u201cque nos salvou e nos chamou com santa voca\u00e7\u00e3o; n\u00e3o segundo as nossas obras, mas conforme a sua pr\u00f3pria determina\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos\u201d (2Tm 1.9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 4<\/strong><\/p>\n<p><em>Elei\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 depende das seguintes condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias: o homem deve fazer uso adequado da luz da natureza, e deve ser piedoso, humilde, submisso e qualificado para a vida eterna.<\/em><\/p>\n<p>Assim, parece que a elei\u00e7\u00e3o depende dessas coisas. Isso tem o sabor do ensino de Pel\u00e1gio e est\u00e1 em conflito com o ensino do ap\u00f3stolo em Ef\u00e9sios 2.3-9: \u201centre os quais tamb\u00e9m todos n\u00f3s andamos outrora, segundo as inclina\u00e7\u00f5es da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e \u00e9ramos, por natureza, filhos da ira, como tamb\u00e9m os demais. Mas Deus, sendo rico em miseric\u00f3rdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando n\u00f3s mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo \u2014 pela gra\u00e7a, sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos s\u00e9culos vindouros, a suprema riqueza da sua gra\u00e7a, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9; e isso n\u00e3o vem de v\u00f3s; \u00e9 dom de Deus; n\u00e3o de obras, para que ningu\u00e9m se glorie\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 5<\/strong><\/p>\n<p><em>A elei\u00e7\u00e3o incompleta e n\u00e3o definitiva de certas pessoas para a salva\u00e7\u00e3o se baseou nisto: Deus previu que elas come\u00e7ariam a crer, se converter, viver em santidade e piedade, e at\u00e9 continuariam nisso por algum tempo. A elei\u00e7\u00e3o completa e definitiva de pessoas, por\u00e9m, ocorreu porque Deus previu que elas perseverariam em f\u00e9, convers\u00e3o, santidade e piedade at\u00e9 ao fim. Essa \u00e9 a dignidade graciosa e evang\u00e9lica, por meio da qual a pessoa escolhida \u00e9 mais digna que a outra n\u00e3o escolhida. Consequentemente, a f\u00e9, a obedi\u00eancia de f\u00e9, a piedade e a perseveran\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o frutos da imut\u00e1vel elei\u00e7\u00e3o para gl\u00f3ria. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es e causas previamente requeridas e previstas como cumpridas naqueles que ser\u00e3o eleitos por completo. S\u00f3 com base nessas condi\u00e7\u00f5es ocorre a elei\u00e7\u00e3o imut\u00e1vel para a gl\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Esse erro est\u00e1 em conflito com toda a Escritura, que repete constantemente para nossos ouvidos e cora\u00e7\u00f5es, estas e semelhantes afirma\u00e7\u00f5es: elei\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o [\u00e9] por obras mas por aquele que chama\u2026\u201d (Rm 9.11), \u201c\u2026 e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna\u201d (At 13.48); \u201c\u2026 nos escolheu nele antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo para sermos santos e irrepreens\u00edveis perante ele\u201d (Ef 1.4); \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes a mim; pelo contr\u00e1rio, eu vos escolhi a v\u00f3s outros\u2026\u201d (Jo 15.16); \u201c\u2026se \u00e9 pela gra\u00e7a, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pelas obras; do contr\u00e1rio, a gra\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 gra\u00e7a\u201d (Rm 11.6). \u201cNisto consiste o amor, n\u00e3o em que n\u00f3s tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho\u2026\u201d (1Jo 4.10).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Nem toda elei\u00e7\u00e3o para salva\u00e7\u00e3o \u00e9 imut\u00e1vel. Alguns dos eleitos podem perder-se e de fato se perdem eternamente, n\u00e3o obstante qualquer decreto de Deus.<\/em><\/p>\n<p>Esse erro grosseiro faz Deus mut\u00e1vel, destr\u00f3i o conforto dos crentes quanto \u00e0 const\u00e2ncia de sua elei\u00e7\u00e3o e contradiz a Escritura: os eleitos n\u00e3o podem ser enganados (Mt 24.24); \u201cE a vontade de quem me enviou \u00e9 esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu\u2026\u201d (Jo 6.39); \u201cE aos que predestinou a esses tamb\u00e9m chamou; e aos que chamou a esses tamb\u00e9m justificou; e aos que justificou a esses tamb\u00e9m glorificou\u201d (Rm 8.30).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 7<\/strong><\/p>\n<p><em>Nesta vida n\u00e3o h\u00e1 fruto, consci\u00eancia ou certeza da elei\u00e7\u00e3o imut\u00e1vel para a gl\u00f3ria, exceto a certeza que depende de uma condi\u00e7\u00e3o mut\u00e1vel e incerta.<\/em><\/p>\n<p>Falar acerca de uma certeza incerta \u00e9 n\u00e3o apenas absurdo, como tamb\u00e9m contr\u00e1rio \u00e0 experi\u00eancia dos santos. Sentindo sua elei\u00e7\u00e3o, eles se regozijam junto com o ap\u00f3stolo e glorificam esse benef\u00edcio de Deus (cf. Ef 1.12). Conforme o mandamento de Cristo, eles se regozijam junto com os disc\u00edpulos pelo fato de seus nomes estarem escritos nos c\u00e9us (Lc 10.20). Eles colocam a consci\u00eancia de sua elei\u00e7\u00e3o contra os dardos inflamados das tenta\u00e7\u00f5es do diabo quando perguntam: \u201cQuem intentar\u00e1 acusa\u00e7\u00e3o contra os eleitos de Deus?\u201d (Rm 8.33).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 8<\/strong><\/p>\n<p><em>Deus n\u00e3o decidiu simplesmente, com base em sua justa vontade, deixar algu\u00e9m na queda de Ad\u00e3o e no estado comum de pecado e condena\u00e7\u00e3o. Nem decidiu passar ningu\u00e9m quando deu a gra\u00e7a necess\u00e1ria para f\u00e9 e convers\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Pois isto \u00e9 certo: \u201cLogo, tem ele miseric\u00f3rdia de quem quer, e tamb\u00e9m endurece a quem lhe apraz\u201d (Rm 9.18). E tamb\u00e9m isto: \u201c\u2026 porque a v\u00f3s outros \u00e9 permitido conhecer os mist\u00e9rios do reino dos c\u00e9us, mas \u00e0queles n\u00e3o lhes \u00e9 isso concedido\u201d (Mt 13.11). Igualmente: \u201c\u2026 Gra\u00e7as te dou, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque ocultaste estas cousas aos s\u00e1bios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, \u00f3 Pai, porque assim foi de teu agrado\u201d (Mt 11.25, 26).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 9<\/strong><\/p>\n<p><em>Deus envia o Evangelho a um povo mais que a outro, n\u00e3o meramente e somente por causa do bom prop\u00f3sito de sua vontade, mas por ser este melhor e mais digno que o outro, a quem o Evangelho n\u00e3o \u00e9 comunicado.<\/em><\/p>\n<p>Mois\u00e9s nega isso quando se dirige ao povo de Israel dizendo: \u201cEis que os c\u00e9us e os c\u00e9us dos c\u00e9us s\u00e3o do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela h\u00e1. T\u00e3o somente o Senhor se afei\u00e7oou a teus pais para os amar: a v\u00f3s outros, descendentes deles escolheu de todos os povos, como hoje se v\u00ea\u201d (Dt 10.14, 15). E Cristo diz: \u201cAi de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em v\u00f3s se fizeram, h\u00e1 muito que elas se teriam arrependido, com pano de saco e cinza\u201d (Mt 11.21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc82531607\"><\/a>Cap\u00edtulo 2<\/h2>\n<h2><a name=\"_Toc82531608\"><\/a>A Morte de Cristo e a Reden\u00e7\u00e3o do Homem por Meio Dela<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 1<\/strong><\/p>\n<p>Deus \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 supremamente misericordioso, como tamb\u00e9m supremamente justo. E, como ele se revelou em sua Palavra, sua justi\u00e7a exige que nossos pecados, cometidos contra sua infinita majestade, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma. N\u00e3o podemos escapar dessas puni\u00e7\u00f5es a menos que seja cumprida a justi\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 2<\/strong><\/p>\n<p>Por n\u00f3s mesmos, entretanto, n\u00e3o podemos cumprir tal satisfa\u00e7\u00e3o nem podemos livrar a n\u00f3s mesmos da ira de Deus. Por isso, Deus, em sua infinita miseric\u00f3rdia, deu seu Filho \u00fanico como nosso Fiador. Por n\u00f3s, ou em nosso lugar, ele foi feito pecado e maldi\u00e7\u00e3o na cruz, para que pudesse satisfazer a Deus por n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 3<\/strong><\/p>\n<p>Essa morte do Filho de Deus \u00e9 o \u00fanico e perfeito sacrif\u00edcio pelos pecados, de valor e dignidade infinitos, abundantemente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 4<\/strong><\/p>\n<p>Essa morte tem t\u00e3o grande poder e valor porque quem se submeteu a ela \u00e9 n\u00e3o apenas verdadeira e perfeitamente santo homem, mas tamb\u00e9m o Filho \u00fanico de Deus. Ele \u00e9 Deus eterno e infinito junto ao Pai e ao Esp\u00edrito Santo. Assim devia ser nosso Salvador. Al\u00e9m disso, ele sentiu, quando morria, a ira e a maldi\u00e7\u00e3o de Deus que n\u00f3s merecemos, por nossos pecados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 5<\/strong><\/p>\n<p>A promessa do Evangelho \u00e9 que todo aquele que crer no Cristo crucificado n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha vida eterna. Essa promessa deve ser anunciada e proclamada sem discrimina\u00e7\u00e3o a todos os povos e a todos os homens, a quem Deus, em seu bom prop\u00f3sito, envia o Evangelho, com a ordem de se arrepender e crer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 6<\/strong><\/p>\n<p>Muitos que t\u00eam sido chamados pelo Evangelho n\u00e3o se arrependem nem creem em Cristo, mas perecem na incredulidade. Isso n\u00e3o acontece por causa de algum defeito ou insufici\u00eancia no sacrif\u00edcio de Cristo na cruz, mas por causa de sua pr\u00f3pria culpa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 7<\/strong><\/p>\n<p>Mas aqueles que verdadeiramente creem e, pela morte de Cristo, s\u00e3o libertos e salvos de seus pecados e perdi\u00e7\u00e3o recebem tal benef\u00edcio apenas por causa da gra\u00e7a de Deus, que lhes \u00e9 dada, em Cristo, desde a eternidade. Deus n\u00e3o deve a ningu\u00e9m tal gra\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 8<\/strong><\/p>\n<p>Pois esse foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o prop\u00f3sito de Deus, o Pai, que a efic\u00e1cia vivificante e salv\u00edfica da precios\u00edssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 e, por conseguinte, os traria infalivelmente \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Isso quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual ele confirmou a nova alian\u00e7a), redimisse, de forma efetiva, todos os povos, tribos, l\u00ednguas e na\u00e7\u00f5es, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para a salva\u00e7\u00e3o e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a f\u00e9, que ele mesmo lhes conquistou com sua morte, junto com outros dons salv\u00edficos do Esp\u00edrito Santo. Deus tamb\u00e9m quis que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio de seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a f\u00e9. E que Cristo os guardasse fielmente at\u00e9 o fim e, por derradeiro, os fizesse comparecer perante o pr\u00f3prio Pai em gl\u00f3ria, sem m\u00e1cula, nem mancha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 9<\/strong><\/p>\n<p>Esse conselho, procedendo do amor eterno de Deus aos eleitos, tem sido poderosamente cumprido, desde o come\u00e7o do mundo at\u00e9 hoje, ainda que as \u201cportas do inferno\u201d em v\u00e3o tentem frustr\u00e1-lo. O conselho de Deus tamb\u00e9m continuar\u00e1 a ser cumprido. No devido tempo, os eleitos ser\u00e3o unidos em um s\u00f3 rebanho, e sempre haver\u00e1 uma Igreja de crentes fundada no sangue de Cristo. Essa Igreja ama firmemente seu Salvador (o qual, como noivo, deu na cruz sua pr\u00f3pria vida por sua noiva), servindo a ele com perseveran\u00e7a e glorificando-o agora e para sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o S\u00ednodo <strong>rejeita<\/strong> os seguintes erros:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 1<\/strong><\/p>\n<p><em>Deus, o Pai, destinou seu Filho \u00e0 morte na cruz sem um decreto definido de determinadas pessoas. Mesmo que a reden\u00e7\u00e3o por Cristo, conquistada de fato, nunca tivesse sido aplicada a algu\u00e9m, o que ele alcan\u00e7ou por meio de sua morte podia ter sido necess\u00e1rio, proveitoso e valioso e podia permanecer perfeito, completo e intacto em todas as suas partes.<\/em><\/p>\n<p>Essa doutrina \u00e9 uma ofensa \u00e0 sabedoria do Pai, ao m\u00e9rito de Cristo, al\u00e9m de ser contr\u00e1ria \u00e0 Escritura. Pois o nosso Salvador afirma: \u201c\u2026 dou a minha vida pelas ovelhas\u201d e \u201ceu as conhe\u00e7o\u2026\u201d (Jo 10.15, 27). E o profeta Isa\u00edas fala acerca do Salvador: \u201c\u2026 quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, ver\u00e1 a sua posteridade e prolongar\u00e1 os seus dias; e a vontade do Senhor prosperar\u00e1 nas suas m\u00e3os\u201d (Is 53.10). Finalmente, esse erro invalida o artigo de f\u00e9 pelo qual confessamos a Igreja universal de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 2<\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00e3o era prop\u00f3sito da morte de Cristo que ele confirmasse de fato a nova alian\u00e7a da gra\u00e7a por seu sangue. Mas era somente prop\u00f3sito que conquistasse para o Pai o mero direito de estabelecer de novo uma alian\u00e7a com o homem, seja de gra\u00e7a, seja de obras, conforme a vontade do Pai.<\/em><\/p>\n<p>Isso contradiz a Escritura, que ensina que Cristo se tornou o Fiador e Mediador de uma alian\u00e7a superior, ou seja, da nova alian\u00e7a. Um testamento s\u00f3 se concretiza em caso de morte: [\u2026] \u201cpor isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior alian\u00e7a\u201d (Hb 7.22). \u201cPor isso mesmo, ele \u00e9 o Mediador da nova alian\u00e7a, a fim de que, intervindo a morte para a remiss\u00e3o das transgress\u00f5es que havia sob a primeira alian\u00e7a, recebam a promessa da eterna heran\u00e7a aqueles que t\u00eam sido chamados\u201d; \u201cpois um testamento s\u00f3 \u00e9 confirmado no caso de mortos; visto que de maneira alguma tem for\u00e7a de lei enquanto vive o testador\u201d (Hb 9.15, 17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 3<\/strong><\/p>\n<p><em>Por sua satisfa\u00e7\u00e3o ao Pai, Cristo n\u00e3o mereceu para ningu\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o segura nem a f\u00e9 pela qual essa satisfa\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 efetivamente aplicada. Ele obteve apenas para o Pai a possibilidade ou a vontade perfeita, para tratar de novo com o homem e para prescrever novas condi\u00e7\u00f5es conforme sua vontade. Depende, contudo, da livre vontade do homem preencher essas condi\u00e7\u00f5es. Portanto, poderia acontecer que ningu\u00e9m ou todos os homens preenchessem tais condi\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Aqueles que ensinam esse erro desprezam a morte de Cristo e n\u00e3o reconhecem, de maneira alguma, seu mais importante resultado ou benef\u00edcio. Eles evocam do inferno o erro pelagiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 4<\/strong><\/p>\n<p><em>A nova alian\u00e7a da gra\u00e7a, que Deus, o Pai, mediante a morte de Cristo, estabeleceu com o homem n\u00e3o consiste em que estejamos justificados diante de Deus e salvos pela f\u00e9 se ela aceita o m\u00e9rito de Cristo. Ela consiste no fato de que Deus revogou a exig\u00eancia de perfeita obedi\u00eancia \u00e0 lei e considera agora a pr\u00f3pria f\u00e9 e a obedi\u00eancia de f\u00e9, ainda que imperfeitas, a perfeita obedi\u00eancia \u00e0 lei. Ele acha, em sua gra\u00e7a, que elas s\u00e3o dignas da recompensa da vida eterna.<\/em><\/p>\n<p>Os que ensinam isso contradizem a Escritura: \u201c\u2026 sendo justificados gratuitamente, por sua gra\u00e7a, mediante a reden\u00e7\u00e3o que h\u00e1 em Cristo Jesus, a quem Deus prop\u00f4s, no seu sangue, como propicia\u00e7\u00e3o, mediante a f\u00e9\u2026\u201d (Rm 3.24, 25). Eles introduzem, junto com o \u00edmpio Socino, uma nova e estranha justifica\u00e7\u00e3o do homem diante de Deus, contr\u00e1ria ao consenso da Igreja inteira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 5<\/strong><\/p>\n<p><em>Todas as pessoas t\u00eam sido aceitas por Deus, de tal maneira que est\u00e3o reconciliadas com ele e participam da alian\u00e7a. Por isso ningu\u00e9m est\u00e1 sujeito \u00e0 condena\u00e7\u00e3o ou ser\u00e1 condenado por causa do pecado original. Todos est\u00e3o livres da culpa desse pecado.<\/em><\/p>\n<p>Essa opini\u00e3o contraria a Escritura, que ensina que n\u00f3s somos, \u201cpor natureza, filhos da ira\u201d (Ef 2.3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Deus, por sua parte, quer dar a todas as pessoas, igualmente, os benef\u00edcios conquistados pela morte de Cristo. Entretanto, algumas obt\u00eam o perd\u00e3o de pecados e a vida eterna; outras, n\u00e3o. Essa distin\u00e7\u00e3o depende de sua pr\u00f3pria livre vontade, que se junta \u00e0 gra\u00e7a, oferecida sem distin\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o depende do dom especial da miseric\u00f3rdia, que opera t\u00e3o poderosamente nessas pessoas que elas, ao contr\u00e1rio de outras, apropriam-se dessa gra\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p>Os que ensinam assim abusam da distin\u00e7\u00e3o entre aquisi\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o para implantar essa opini\u00e3o na mente de pessoas imprudentes e sem experi\u00eancia. Enquanto eles simulam apresentar essa distin\u00e7\u00e3o da maneira correta, procuram induzir na mente do povo o perigoso veneno dos erros pelagianos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 7<\/strong><\/p>\n<p><em>Cristo n\u00e3o podia nem precisava morrer, nem morreu de fato, por aqueles a quem Deus amou supremamente e elegeu para a vida eterna, visto que estes n\u00e3o precisavam da morte de Cristo.<\/em><\/p>\n<p>Essa doutrina contradiz o ap\u00f3stolo, que declara: o Filho de Deus \u201cme amou e a si mesmo se entregou por mim\u201d (Gl 2.20). Igualmente: \u201cQuem intentar\u00e1 acusa\u00e7\u00e3o contra os eleitos de Deus? \u00c9 Deus quem os justifica. Quem os condenar\u00e1? \u00c9 Cristo Jesus quem morreu\u2026\u201d por eles (Rm 8.33, 34). E o Salvador assegura: \u201c\u2026dou a minha vida pelas ovelhas\u201d (Jo 10.15). E mais: \u201cO meu mandamento \u00e9 este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ningu\u00e9m tem maior amor do que este: de dar algu\u00e9m a pr\u00f3pria vida em favor dos seus amigos\u201d (Jo 15.12, 13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc82531609\"><\/a>Cap\u00edtulos 3 e 4<\/h2>\n<h2><a name=\"_Toc82531610\"><\/a>A Corrup\u00e7\u00e3o do Homem, a Sua Convers\u00e3o a Deus e o Modo Dela<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 1<\/strong><\/p>\n<p>No princ\u00edpio, o homem foi criado \u00e0 imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e salutar conhecimento de Deus e de todas as coisas espirituais. Sua vontade e seu cora\u00e7\u00e3o eram retos, todos os seus afetos, puros; portanto, era o homem completamente santo. Mas, desviando-se de Deus sob a instiga\u00e7\u00e3o do diabo e pela sua pr\u00f3pria livre vontade, ele se privou desses dons excelentes. No lugar disso, trouxe sobre si cegueira, trevas terr\u00edveis, leviano e perverso ju\u00edzo em seu entendimento; mal\u00edcia, rebeldia e dureza em sua vontade e em seu cora\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m impureza em todos os seus afetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 2<\/strong><\/p>\n<p>Depois da queda, o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Ent\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o, de acordo com o justo julgamento de Deus, passou de Ad\u00e3o at\u00e9 todos os seus descendentes, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Cristo somente. N\u00e3o passou por imita\u00e7\u00e3o, como os antigos pelagianos afirmavam, mas por procria\u00e7\u00e3o da natureza corrompida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 3<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, todos os homens s\u00e3o concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer a\u00e7\u00e3o que os salve, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado. Sem a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo regenerador, nem desejam nem podem retornar a Deus, corrigir suas naturezas corrompidas ou ao menos estar dispostos a essa corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 4<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que h\u00e1 no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim, ele ainda ret\u00e9m alguma no\u00e7\u00e3o sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferen\u00e7a entre honrado e desonrado, e pratica um pouco de virtude e disciplina exterior. Mas o homem est\u00e1 t\u00e3o distante de chegar ao conhecimento salv\u00edfico de Deus e \u00e0 verdadeira convers\u00e3o por meio desta luz natural que n\u00e3o a usa apropriadamente nem mesmo nos assuntos cotidianos. Antes, qualquer que seja essa luz, o homem, de diversas maneiras, a polui totalmente, detendo-a pela injusti\u00e7a. Assim, ele se faz indesculp\u00e1vel perante Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 5<\/strong><\/p>\n<p>O que foi dito sobre a luz da natureza vale tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei dos Dez Mandamentos, dada por Deus atrav\u00e9s de Mois\u00e9s, particularmente aos judeus. A lei revela como \u00e9 grande o pecado e cada vez mais convence o homem de sua culpa, mas n\u00e3o aponta o rem\u00e9dio nem d\u00e1 a for\u00e7a para sair dessa mis\u00e9ria. A lei ficou sem for\u00e7a pela carne e deixa o transgressor debaixo de maldi\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, o homem n\u00e3o pode obter a gra\u00e7a salvadora atrav\u00e9s da lei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 6<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo que nem a luz natural nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Esp\u00edrito Santo e pela prega\u00e7\u00e3o ou minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o Evangelho do Messias. Agradou a Deus usar esse Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga como na nova alian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 7<\/strong><\/p>\n<p>No Antigo Testamento, Deus revelou esse mist\u00e9rio de sua vontade apenas a poucas pessoas. No Novo Testamento, entretanto, ele retirou a distin\u00e7\u00e3o entre os povos e revelou o mist\u00e9rio a muito mais pessoas. Essa distribui\u00e7\u00e3o distinta do Evangelho n\u00e3o \u00e9 causada pela maior dignidade de um povo, nem pelo melhor uso da luz da natureza, mas pelo soberano bom prop\u00f3sito e amor imerecido de Deus. Portanto, eles, que recebem t\u00e3o grande gra\u00e7a, al\u00e9m e ao contr\u00e1rio de tudo que merecem, devem reconhecer isso com o cora\u00e7\u00e3o humilde e agradecido. Mas eles devem, junto com o ap\u00f3stolo, adorar a severidade e a justi\u00e7a dos julgamentos de Deus sobre aqueles que n\u00e3o recebem essa gra\u00e7a. Esses julgamentos de Deus, eles n\u00e3o devem, de maneira alguma, investig\u00e1-los curiosamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 8<\/strong><\/p>\n<p>Mas tantos quantos s\u00e3o chamados pelo Evangelho seriamente o s\u00e3o. Porque Deus revela s\u00e9ria e sinceramente em sua Palavra o que lhe agrada, a saber, que aqueles que s\u00e3o chamados venham a ele. Ele tamb\u00e9m promete seriamente descanso para a alma e vida eterna a todos que a ele vierem e crerem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 9<\/strong><\/p>\n<p>Muitos s\u00e3o chamados atrav\u00e9s do minist\u00e9rio do Evangelho, mas n\u00e3o v\u00eam, nem s\u00e3o convertidos. N\u00e3o \u00e9 a culpa do Evangelho, nem do Cristo, que \u00e9 oferecido pelo Evangelho, tampouco de Deus, que chama atrav\u00e9s do Evangelho e at\u00e9 confere v\u00e1rios dons a eles. Mas \u00e9 sua pr\u00f3pria culpa. Alguns deles n\u00e3o aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas n\u00e3o em seus cora\u00e7\u00f5es, e por isso, quando desaparece a alegria de sua f\u00e9 tempor\u00e1ria, viram as costas \u00e0 Palavra. Outros ainda sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados e prazeres deste mundo, e n\u00e3o produzem fruto algum. Isso \u00e9 o que o Salvador ensina na par\u00e1bola do semeador (Mt 13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 10<\/strong><\/p>\n<p>Outros que s\u00e3o chamados pelo minist\u00e9rio do Evangelho v\u00eam e s\u00e3o convertidos. Isso n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente gra\u00e7a para f\u00e9 e convers\u00e3o, como a heresia orgulhosa de Pel\u00e1gio afirma. Mas deve ser atribu\u00eddo a Deus: como ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes d\u00e1 f\u00e9 e arrependimento; ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho. Tudo isso ele faz a fim de que eles proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz, e se gloriem n\u00e3o em si mesmos, mas no Senhor, como \u00e9 o testemunho geral dos escritos apost\u00f3licos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 11<\/strong><\/p>\n<p>Deus realiza seu bom prop\u00f3sito nos eleitos e opera neles a verdadeira convers\u00e3o da seguinte maneira: ele faz com que ou\u00e7am o Evangelho mediante a prega\u00e7\u00e3o e ilumina poderosamente suas mentes pelo Esp\u00edrito Santo de tal modo que possam entender de forma correta e discernir as coisas do Esp\u00edrito de Deus. Mas, pela opera\u00e7\u00e3o eficaz do mesmo Esp\u00edrito regenerador, Deus tamb\u00e9m penetra at\u00e9 os recantos mais \u00edntimos do homem. Ele abre o cora\u00e7\u00e3o fechado e amolece o que est\u00e1 duro, circuncida o que est\u00e1 incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Essa vontade estava morta, mas ele a faz reviver; era m\u00e1, mas ele a torna boa; estava indisposta, mas ele a torna disposta; era rebelde, mas ele a faz obediente. Ele move e fortalece essa vontade de tal forma que, como uma boa \u00e1rvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 12<\/strong><\/p>\n<p>Essa convers\u00e3o \u00e9 aquela regenera\u00e7\u00e3o, renova\u00e7\u00e3o, nova cria\u00e7\u00e3o, ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e aquela vivifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o exaltadas nas Escrituras que Deus opera em n\u00f3s, sem n\u00f3s. Mas essa regenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 efetuada pela prega\u00e7\u00e3o apenas, nem por persuas\u00e3o moral. Nem ocorre de tal maneira que, havendo Deus feito sua parte, resta ao poder do homem ser regenerado ou n\u00e3o regenerado, convertido ou n\u00e3o convertido. Ao contr\u00e1rio, a regenera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra sobrenatural, poderos\u00edssima, e ao mesmo tempo agradabil\u00edssima, maravilhosa, misteriosa e indiz\u00edvel. De acordo com o testemunho da Escritura, inspirada pelo pr\u00f3prio autor dessa obra, a regenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inferior em poder \u00e0 cria\u00e7\u00e3o ou \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Consequentemente, todos aqueles em cujos cora\u00e7\u00f5es Deus opera dessa maneira maravilhosa s\u00e3o, certamente, infal\u00edvel e efetivamente regenerados e, de fato, passam a crer. Portanto, a vontade que \u00e9 renovada n\u00e3o \u00e9 apenas acionada e movida por Deus; ela tamb\u00e9m age, sob a a\u00e7\u00e3o de Deus, por si mesma. Por isso tamb\u00e9m se diz corretamente que o homem cr\u00ea e se arrepende mediante a gra\u00e7a que recebeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 13<\/strong><\/p>\n<p>A forma como Deus opera, os crentes, enquanto est\u00e3o vivos, n\u00e3o podem entender completamente. Entretanto, est\u00e3o tranquilos, sabendo e sentindo que, por essa gra\u00e7a de Deus, eles creem com o cora\u00e7\u00e3o e amam seu Salvador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 14<\/strong><\/p>\n<p>A f\u00e9 \u00e9, portanto, um dom de Deus. Isso n\u00e3o significa que Deus a oferece \u00e0 livre vontade do homem, mas que ela \u00e9, de fato, conferida ao homem e nele infundida. N\u00e3o \u00e9 um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer como o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar, sim, opera tudo em todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 15<\/strong><\/p>\n<p>Essa gra\u00e7a, Deus n\u00e3o deve a ningu\u00e9m. Em troca de que seria ele devedor ao homem? Quem tem primeiro dado a ele para que possa ser retribu\u00eddo? O que poderia Deus dever a algu\u00e9m que nada tem de si mesmo a n\u00e3o ser pecado e falsidade? Aquele, portanto, que recebe essa gra\u00e7a deve e rende eterna gratid\u00e3o a Deus. Por\u00e9m, quem n\u00e3o recebe essa gra\u00e7a, nem valoriza essas coisas espirituais e tem prazer em sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o, ou numa falsa seguran\u00e7a, em v\u00e3o se gaba de ter o que n\u00e3o tem. Al\u00e9m disso, quanto aos que manifestam sua f\u00e9 e corrigem suas vidas, n\u00f3s devemos julgar e falar da maneira mais favor\u00e1vel, de acordo com o exemplo dos ap\u00f3stolos, pois o fundo do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecido de n\u00f3s. Quanto aos que ainda n\u00e3o foram chamados, devemos orar a Deus em seu favor, pois ele \u00e9 que chama \u00e0 exist\u00eancia as coisas que n\u00e3o existem. De maneira alguma, por\u00e9m, podemos ter uma atitude orgulhosa para com eles, como se tiv\u00e9ssemos realizado nossa posi\u00e7\u00e3o distinta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 16<\/strong><\/p>\n<p>O homem n\u00e3o deixou, apesar da queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a ra\u00e7a humana, n\u00e3o privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele deprava\u00e7\u00e3o e morte espiritual. Assim tamb\u00e9m a gra\u00e7a divina da regenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o age sobre os homens como se fossem m\u00e1quinas ou rob\u00f4s, e n\u00e3o destr\u00f3i a vontade ou suas propriedades, tampouco a coage violentamente. Mas a gra\u00e7a a faz reviver espiritualmente, curando-a, corrigindo-a e dobrando-a agrad\u00e1vel e, ao mesmo tempo, poderosamente. Como resultado, onde dominavam rebeli\u00e3o e resist\u00eancia da carne, agora, pelo Esp\u00edrito, come\u00e7a a prevalecer uma pronta e sincera obedi\u00eancia. Essa \u00e9 a verdadeira renova\u00e7\u00e3o espiritual e liberdade da vontade. E, se o admir\u00e1vel autor de todo bem n\u00e3o agisse desse modo conosco, o homem n\u00e3o teria esperan\u00e7a de se levantar de sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava de p\u00e9, lan\u00e7ou-se na perdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 17<\/strong><\/p>\n<p>A todo-poderosa opera\u00e7\u00e3o de Deus, por meio da qual ele produz e sustenta nossa vida natural, n\u00e3o exclui mas requer o uso de meios, pelos quais ele quis exercer seu poder, de acordo com suas infinitas sabedoria e bondade. Da mesma forma, a mencionada opera\u00e7\u00e3o sobrenatural de Deus, pela qual ele nos regenera, de modo nenhum exclui ou anula o uso do Evangelho, que o mui s\u00e1bio Deus ordenou para ser a semente da regenera\u00e7\u00e3o e o alimento da alma. Por essa raz\u00e3o, os ap\u00f3stolos, e os mestres que os sucederam, piedosamente instru\u00edram o povo acerca da gra\u00e7a de Deus, para sua gl\u00f3ria e para a humilha\u00e7\u00e3o de toda soberba do homem. Ao mesmo tempo, eles n\u00e3o descuidaram de manter o povo, pelas santas admoesta\u00e7\u00f5es do Evangelho, sob a ministra\u00e7\u00e3o da Palavra, dos sacramentos e da disciplina.<\/p>\n<p>Por isso aqueles que hoje ensinam ou aprendem na igreja n\u00e3o devem ousar tentar a Deus, separando aquilo que ele, em seu bom prop\u00f3sito, quis preservar inteiramente unido. Pois a gra\u00e7a \u00e9 conferida atrav\u00e9s de admoesta\u00e7\u00f5es, e quanto mais prontamente desempenhamos nosso dever, tanto mais esse benef\u00edcio de Deus, que opera em n\u00f3s, se manifesta gloriosamente e sua obra prossegue da maneira melhor. A Deus, somente toda gl\u00f3ria eternamente, tanto pelos meios como pelo fruto e a efic\u00e1cia salv\u00edficos.<\/p>\n<p>Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o S\u00ednodo <strong>rejeita<\/strong> os seguintes erros:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 1<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 impr\u00f3prio dizer que o pecado original em si \u00e9 suficiente para condenar toda a ra\u00e7a humana ou merecer castigo temporal e eterno.<\/em><\/p>\n<p>Isso contradiz o ap\u00f3stolo que declara: \u201cPortanto, assim como por um s\u00f3 homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim tamb\u00e9m a morte passou a todos os homens porque todos pecaram\u201d (Rm 5.12) E no verso 16 diz: \u201c\u2026 o julgamento derivou de uma s\u00f3 ofensa, para a condena\u00e7\u00e3o\u201d. E em Romanos 6.23: \u201cO sal\u00e1rio do pecado \u00e9 a morte&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 2<\/strong><\/p>\n<p><em>Os dons espirituais ou as boas qualidades e virtudes, como bondade, santidade, justi\u00e7a, n\u00e3o podiam estar na vontade do homem quando no princ\u00edpio ele foi criado. Por isso tamb\u00e9m n\u00e3o podiam ter sido separados de sua pr\u00f3pria vontade quando caiu.<\/em><\/p>\n<p>Esse erro \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 descri\u00e7\u00e3o da imagem de Deus que o ap\u00f3stolo d\u00e1 em Ef\u00e9sios 4.24, dizendo que ela consiste em justi\u00e7a e santidade, que, sem d\u00favida, est\u00e3o na vontade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 3<\/strong><\/p>\n<p><em>Na morte espiritual, os dons espirituais n\u00e3o s\u00e3o separados da vontade do homem. Porque a vontade como tal nunca tem sido corrompida, mas apenas atrapalhada pelo obscurecimento do entendimento e pela desordem das afe\u00e7\u00f5es. Se esses obst\u00e1culos forem removidos, a vontade pode exercer seu livre poder inato. A vontade \u00e9 por si mesma capaz de desejar e escolher ou n\u00e3o toda esp\u00e9cie de bem que lhe for apresentada.<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma novidade e um engano, e tende a exaltar os poderes da livre vontade, contrariamente ao que o profeta Jeremias declara no cap\u00edtulo 17.9: \u201cEnganoso \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto\u2026\u201d. E o ap\u00f3stolo Paulo escreve: \u201cEntre os quais (os filhos da desobedi\u00eancia) tamb\u00e9m todos n\u00f3s andamos outrora, segundo as inclina\u00e7\u00f5es da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos\u201d (Ef 2.3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 4<\/strong><\/p>\n<p><em>O homem n\u00e3o regenerado n\u00e3o \u00e9 realmente ou totalmente morto em pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode sentir fome e sede de justi\u00e7a e vida, e pode oferecer sacrif\u00edcio de esp\u00edrito contrito e quebrantado que agrada a Deus.<\/em><\/p>\n<p>Essas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o contr\u00e1rias ao testemunho claro da Escritura: \u201cele vos deu vida, estando v\u00f3s mortos nos vossos delitos e pecados\u201d (Ef 2.1, 5). E, \u201c\u2026era continuamente mau todo o des\u00edgnio do seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Gn 6.5); \u201cporque \u00e9 mau o des\u00edgnio \u00edntimo do homem desde a sua mocidade\u201d (Gn 8.21). \u201cCria em mim, \u00f3 Deus, um cora\u00e7\u00e3o puro e renova dentro de mim um esp\u00edrito inabal\u00e1vel. Ent\u00e3o, te agradar\u00e1s dos sacrif\u00edcios de justi\u00e7a, dos holocaustos e das ofertas queimadas; e sobre o teu altar se oferecer\u00e3o novilhos\u201d (Sl 51.10, 19). \u201cBem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o fartos\u201d (Mt 5.6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 5<\/strong><\/p>\n<p><em>O homem degenerado e carnal pode usar bem a gra\u00e7a comum (o que \u00e9 a luz natural), ou os dons que ainda lhe foram deixados ap\u00f3s a queda. Assim, ele, sozinho, pode alcan\u00e7ar, pouco a pouco e gradualmente, uma gra\u00e7a maior, ou seja, a gra\u00e7a evang\u00e9lica ou salvadora, e at\u00e9 a salva\u00e7\u00e3o. Dessa forma, Deus, por seu lado, mostra-se pronto para revelar Cristo a todo homem, porque a todos ele administra suficiente e efetivamente os meios necess\u00e1rios para conhecer Cristo, para crer e se arrepender.<\/em><\/p>\n<p>Tanto a experi\u00eancia de todas as \u00e9pocas como a Escritura testificam que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u201cMostra a sua palavra a Jac\u00f3, as suas leis e os seus preceitos a Israel. N\u00e3o fez assim a nenhuma outra na\u00e7\u00e3o; todas ignoram os seus preceitos\u201d (Sl 147.19, 20). \u201c\u2026 o qual nas gera\u00e7\u00f5es passadas permitiu que todos os povos andassem nos seus pr\u00f3prios caminhos\u201d (At 14.16). E Paulo e seus companheiros foram \u201cimpedidos pelo Esp\u00edrito Santo de pregar a Palavra na \u00c1sia, defrontando M\u00edsia, tentavam ir para Bit\u00ednia, mas o Esp\u00edrito de Jesus n\u00e3o o permitiu\u201d (At 16.6, 7).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Na verdadeira convers\u00e3o do homem, Deus n\u00e3o pode infundir novas qualidades, novos poderes ou dons na vontade humana. Portanto, a f\u00e9, que \u00e9 o come\u00e7o da convers\u00e3o, e que nos d\u00e1 o nome de crente, n\u00e3o \u00e9 uma qualidade ou um dom outorgados por Deus, mas apenas um ato do homem. Somente com respeito ao poder para alcan\u00e7ar a f\u00e9, \u00e9 poss\u00edvel dizer que \u00e9 um dom.<\/em><\/p>\n<p>Esse ensino contradiz a Sagrada Escritura, que declara que Deus infunde em nossos cora\u00e7\u00f5es novas qualidades de f\u00e9, obedi\u00eancia e experi\u00eancia de seu amor: \u201cNa mente lhes imprimirei as minhas leis, tamb\u00e9m nos cora\u00e7\u00f5es lhas inscreverei\u201d (Jr 31.33). E: \u201c\u2026 derramarei \u00e1gua sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca\u201d (Is 44.3). E ainda: \u201c\u2026 o amor de Deus \u00e9 derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi outorgado\u201d (Rm 5.5). O ensino arminiano tamb\u00e9m contraria a pr\u00e1tica constante da Igreja, que ora com o profeta: \u201cConverte-me, e serei convertido\u201d (Jr 31.18).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 7<\/strong><\/p>\n<p><em>Essa gra\u00e7a pela qual somos convertidos a Deus \u00e9 apenas um apelo gentil. Ou (como alguns explicam): Essa maneira de agir, que consiste em aconselhar, \u00e9 a mais nobre maneira de converter o homem e est\u00e1 mais em harmonia com a natureza do homem. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o pela qual tal gra\u00e7a persuasiva n\u00e3o seja suficiente para tornar espiritual o homem natural. Em verdade, Deus n\u00e3o produz o consentimento da vontade a n\u00e3o ser atrav\u00e9s desse tipo de apelo moral. O poder da opera\u00e7\u00e3o divina supera a a\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s, Deus prometendo bens eternos e Satan\u00e1s bens temporais.<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 pelagianismo por completo, contr\u00e1rio a toda Escritura, que conhece, al\u00e9m desse apelo moral, outra opera\u00e7\u00e3o, muito mais poderosa e divina: a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na convers\u00e3o do homem: \u201cDar-vos-ei cora\u00e7\u00e3o novo, e porei dentro em v\u00f3s esp\u00edrito novo; tirarei de v\u00f3s o cora\u00e7\u00e3o de pedra e vos darei cora\u00e7\u00e3o de carne\u201d (Ez 36.26).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 8<\/strong><\/p>\n<p><em>Na regenera\u00e7\u00e3o do homem, Deus n\u00e3o usa os poderes de sua onipot\u00eancia de tal maneira que dobra a vontade do homem, \u00e0 for\u00e7a e infalivelmente, para a f\u00e9 e a convers\u00e3o. Mesmo sendo realizadas todas as opera\u00e7\u00f5es da gra\u00e7a que Deus possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a inten\u00e7\u00e3o e a vontade de regener\u00e1-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Esp\u00edrito. De fato, frequentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regenera\u00e7\u00e3o. Portanto, ser ou n\u00e3o ser regenerado permanece no poder do homem.<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 nada mais nada menos que anular todo o poder da gra\u00e7a de Deus em nossa convers\u00e3o e sujeitar a opera\u00e7\u00e3o do Deus Todo-Poderoso \u00e0 vontade do homem. \u00c9 contr\u00e1rio ao que os ap\u00f3stolos ensinam: cremos \u201c\u2026 segundo a efic\u00e1cia da for\u00e7a do seu poder\u201d (Ef 1.19), e: \u201c\u2026 para que nosso Deus cumpra\u2026 com poder todo prop\u00f3sito de bondade e obra de f\u00e9\u2026\u201d (2Ts 1.11), e tamb\u00e9m: \u201c\u2026 pelo seu divino poder nos t\u00eam sido doadas todas as coisas que conduzem \u00e0 vida e piedade\u2026\u201d (2Pe 1.3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 9<\/strong><\/p>\n<p><em>Gra\u00e7a e livre vontade s\u00e3o as causas parciais que operam juntas no in\u00edcio da convers\u00e3o. Pela ordem dessas causas, a gra\u00e7a n\u00e3o precede a opera\u00e7\u00e3o da vontade do homem. Deus n\u00e3o ajuda efetivamente a vontade do homem para sua convers\u00e3o, enquanto a pr\u00f3pria vontade do homem n\u00e3o se move e decide converter-se.<\/em><\/p>\n<p>A Igreja Antiga h\u00e1 muito tempo j\u00e1 condenou essa doutrina dos pelagianos, de acordo com a palavra do ap\u00f3stolo: \u201cAssim, pois, n\u00e3o depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua miseric\u00f3rdia\u201d (Rm 9.16). Tamb\u00e9m: \u201cPois quem \u00e9 que te faz sobressair? e que tens tu que n\u00e3o tenhas recebido?\u2026\u201d (1Co 4.7)? E ainda: \u201c\u2026 porque Deus \u00e9 quem efetua em v\u00f3s tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade\u201d (Fp 2.13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc82531611\"><\/a>CAP\u00cdTULO 5<\/h2>\n<h2><a name=\"_Toc82531612\"><\/a>A PERSEVERAN\u00c7A DOS SANTOS<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 1<\/strong><\/p>\n<p>Aqueles que, de acordo com seu prop\u00f3sito, Deus chama \u00e0 comunh\u00e3o de seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e regenera por seu Santo Esp\u00edrito, ele certamente os livra do dom\u00ednio e da escravid\u00e3o do pecado. Mas, nesta vida, ele n\u00e3o os livra totalmente da carne e do corpo de pecado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 2<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, os pecados di\u00e1rios de fraqueza surgem e at\u00e9 as melhores obras dos santos s\u00e3o imperfeitas. Esses s\u00e3o para eles constante motivo para se humilhar perante Deus e refugiar-se no Cristo crucificado. Tamb\u00e9m s\u00e3o motivo para mais e mais mortificar a carne atrav\u00e9s do Esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, e atrav\u00e9s dos santos exerc\u00edcios de piedade, e ansiar pela meta da perfei\u00e7\u00e3o. Eles fazem isso at\u00e9 que possam reinar com o Cordeiro de Deus nos c\u00e9us, finalmente livres desse corpo de morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 3<\/strong><\/p>\n<p>Por causa de seus pecados remanescentes e tamb\u00e9m por causa das tenta\u00e7\u00f5es do mundo e de Satan\u00e1s, aqueles que t\u00eam sido convertidos n\u00e3o poderiam perseverar nessa gra\u00e7a se deixados ao cuidado de suas pr\u00f3prias for\u00e7as. Mas Deus \u00e9 fiel: misericordiosamente os confirma na gra\u00e7a, uma vez conferida sobre eles, e poderosamente os preserva em sua gra\u00e7a at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 4<\/strong><\/p>\n<p>O poder de Deus, pelo qual ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na gra\u00e7a, \u00e9 t\u00e3o grande que isso n\u00e3o pode ser vencido pela carne. Mas os convertidos nem sempre s\u00e3o guiados e movidos por Deus, de modo que poderiam, em certos casos, por sua pr\u00f3pria culpa, desviar-se da dire\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que n\u00e3o caiam em tenta\u00e7\u00e3o. Quando n\u00e3o vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satan\u00e1s para s\u00e9rios e horr\u00edveis pecados. Isso tamb\u00e9m ocorre muitas vezes pela justa permiss\u00e3o de Deus. A lament\u00e1vel queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 5<\/strong><\/p>\n<p>Por tais pecados grosseiros, entretanto, eles causam a ira de Deus, tornam-se culpados da morte, entristecem o Esp\u00edrito Santo, suspendem o exerc\u00edcio da f\u00e9, ferem profundamente suas consci\u00eancias e, algumas vezes, perdem temporariamente a sensa\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a. Mas, quando retornam ao reto caminho por meio de arrependimento sincero, logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 6<\/strong><\/p>\n<p>Pois Deus, que \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia, de acordo com o imut\u00e1vel prop\u00f3sito da elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o retira completamente seu Esp\u00edrito dos seus, mesmo em sua deplor\u00e1vel queda. Tampouco permite que venham a cair tanto que recaiam da gra\u00e7a da ado\u00e7\u00e3o e do estado de justificado. Nem permite que cometam o pecado que leva \u00e0 morte, ou seja, o pecado contra o Esp\u00edrito Santo, de modo que sejam totalmente abandonados por ele, lan\u00e7ando-se na perdi\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 7<\/strong><\/p>\n<p>Pois, em primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua imperec\u00edvel semente da regenera\u00e7\u00e3o, a fim de que n\u00e3o pere\u00e7a nem seja lan\u00e7ada fora. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de sua Palavra e de seu Esp\u00edrito, certamente ele os renova efetivamente para arrependimento. Como resultado, eles se afligem de cora\u00e7\u00e3o com uma tristeza para com Deus pelos pecados que t\u00eam cometido; procuram e obt\u00eam pela f\u00e9, com o cora\u00e7\u00e3o contrito, perd\u00e3o pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a gra\u00e7a de Deus, que \u00e9 reconciliado com eles, adorando sua miseric\u00f3rdia e fidelidade. E, de agora em diante, eles se empenham mais diligentemente por sua salva\u00e7\u00e3o com temor e tremor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 8<\/strong><\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos ou for\u00e7a, mas pela imerecida miseric\u00f3rdia de Deus, que eles n\u00e3o caiam totalmente da f\u00e9 e da gra\u00e7a, nem permane\u00e7am ca\u00eddos ou se percam definitivamente. Quanto a eles, isso facilmente poderia acontecer e, sem d\u00favida, aconteceria. Por\u00e9m, quanto a Deus, isso n\u00e3o pode acontecer, de modo algum. Pois seu decreto n\u00e3o pode ser mudado, sua promessa n\u00e3o pode ser quebrada, seu chamado de acordo com seu prop\u00f3sito n\u00e3o pode ser revogado. Nem o m\u00e9rito, a intercess\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Esp\u00edrito tampouco pode ser frustrada ou destru\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 9<\/strong><\/p>\n<p>Os crentes podem estar certos e est\u00e3o certos dessa preserva\u00e7\u00e3o dos eleitos para salva\u00e7\u00e3o e da perseveran\u00e7a dos verdadeiros crentes na f\u00e9. Essa certeza \u00e9 de acordo com a medida de sua f\u00e9, pela qual eles creem com certeza que s\u00e3o e permanecer\u00e3o verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que t\u00eam o perd\u00e3o de pecados e a vida eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 10<\/strong><\/p>\n<p>Essa certeza n\u00e3o vem de uma revela\u00e7\u00e3o especial, sem ou fora da Palavra, mas da f\u00e9 nas promessas de Deus, que ele revelou abundantemente em sua Palavra para nossa consola\u00e7\u00e3o. Vem tamb\u00e9m do testemunho do Esp\u00edrito Santo, testificando com nosso esp\u00edrito que somos filhos e herdeiros de Deus; e, finalmente, vem do zelo s\u00e9rio e santo por uma boa consci\u00eancia e por boas obras. E, se os eleitos n\u00e3o tivessem neste mundo a s\u00f3lida consola\u00e7\u00e3o de obter a vit\u00f3ria e essa garantia infal\u00edvel da gl\u00f3ria eterna, seriam os mais miser\u00e1veis de todos os homens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 11<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, a Escritura testifica que os crentes nesta vida t\u00eam de lutar contra v\u00e1rias d\u00favidas da carne e, sujeitos a graves tenta\u00e7\u00f5es, nem sempre sentem plenamente essa confian\u00e7a da f\u00e9 e a certeza da perseveran\u00e7a. Mas Deus, que \u00e9 Pai de toda a consola\u00e7\u00e3o, n\u00e3o os deixa ser tentados al\u00e9m de suas for\u00e7as, mas com a tenta\u00e7\u00e3o prover\u00e1 tamb\u00e9m o livramento e pelo Esp\u00edrito Santo novamente revive neles a certeza da perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 12<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, essa certeza de perseveran\u00e7a n\u00e3o faz de maneira alguma que os verdadeiros crentes se orgulhem e se acomodem. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 a verdadeira raiz da humildade, rever\u00eancia filial, verdadeira piedade, paci\u00eancia em toda luta, ora\u00e7\u00f5es fervorosas, firmeza em carregar a cruz e confessar a verdade e alegria s\u00f3lida em Deus. Al\u00e9m do mais, para eles, a reflex\u00e3o desse benef\u00edcio \u00e9 um est\u00edmulo para praticar s\u00e9ria e constantemente a gratid\u00e3o e as boas obras, como \u00e9 evidente nos testemunhos da Escritura e nos exemplos dos santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 13<\/strong><\/p>\n<p>Quando as pessoas s\u00e3o levantadas de uma queda (no pecado), revivem a confian\u00e7a na perseveran\u00e7a. Isso n\u00e3o produz descuido ou neglig\u00eancia na piedade delas. Em vez disso, produz maior cuidado e dilig\u00eancia para guardar os caminhos do Senhor, j\u00e1 preparados, para que, andando neles, possam preservar a certeza da perseveran\u00e7a. Quando fazem isso, o Deus reconciliado n\u00e3o retira de novo sua face delas por causa do abuso da sua bondade paternal (a contempla\u00e7\u00e3o dela \u00e9 para os piedosos mais doce que a vida e sua retirada mais amarga que a morte), e elas n\u00e3o cair\u00e3o em tormentos mais graves da alma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 14<\/strong><\/p>\n<p>Tal como agradou a Deus iniciar sua obra da gra\u00e7a em n\u00f3s pela prega\u00e7\u00e3o do evangelho, assim ele a mant\u00e9m, continua e aperfei\u00e7oa pelo ouvir e ler do Evangelho, pelo meditar nele, por suas exorta\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as e promessas, e pelo uso dos sacramentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ARTIGO 15<\/strong><\/p>\n<p>Deus revelou abundantemente em sua Palavra essa doutrina da perseveran\u00e7a dos verdadeiros crentes e santos, e da certeza dela, para a gl\u00f3ria de seu Nome e para a consola\u00e7\u00e3o dos piedosos. Ele a imprime nos cora\u00e7\u00f5es dos crentes, mas a carne n\u00e3o pode entend\u00ea-la. Satan\u00e1s a odeia, o mundo zomba dela, os ignorantes e hip\u00f3critas dela abusam, e os her\u00e9ticos a ela se op\u00f5em. A Noiva de Cristo, entretanto, sempre a tem amado ternamente e defendido constantemente como um tesouro de inestim\u00e1vel valor. Deus, contra quem nenhum plano pode valer-se e nenhuma for\u00e7a pode prevalecer, cuidar\u00e1 para que a Igreja possa continuar fazendo isso. Ao \u00fanico Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, sejam a honra e a gl\u00f3ria para sempre. Am\u00e9m!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o S\u00ednodo <strong>rejeita<\/strong> os seguintes erros:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 1<\/strong><\/p>\n<p><em>A perseveran\u00e7a dos verdadeiros crentes n\u00e3o \u00e9 resultado da elei\u00e7\u00e3o ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o da nova alian\u00e7a, que o homem deve cumprir por sua livre vontade antes da assim chamada elei\u00e7\u00e3o decisiva, e justifica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>A Escritura Sagrada testifica que a perseveran\u00e7a prov\u00e9m da elei\u00e7\u00e3o e \u00e9 dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurrei\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o de Cristo: \u201ca elei\u00e7\u00e3o o alcan\u00e7ou; e os mais foram endurecidos\u201d (Rm 11.7). Tamb\u00e9m: \u201cAquele que n\u00e3o poupou a seu pr\u00f3prio Filho, antes, por todos n\u00f3s o entregou, porventura n\u00e3o nos dar\u00e1 graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentar\u00e1 acusa\u00e7\u00e3o contra os eleitos de Deus? \u00c9 Deus quem os justifica. Quem os condenar\u00e1? \u00c9 Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual est\u00e1 \u00e0 direita de Deus, e tamb\u00e9m intercede por n\u00f3s. Quem nos separar\u00e1 do amor de Cristo?\u201d (Rm 8.32-35)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 2<\/strong><\/p>\n<p><em>De fato, Deus prov\u00ea os crentes de for\u00e7as suficientes para perseverar, e est\u00e1 pronto para preservar tais for\u00e7as nele, se este cumprir seu dever; mas ainda que todas essas coisas tenham sido estabelecidas, que s\u00e3o necess\u00e1rias para perseverar na f\u00e9 e que Deus usa para preservar a f\u00e9, ainda assim depender\u00e1 de a vontade humana perseverar ou n\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Essa ideia \u00e9 abertamente pelagiana. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evang\u00e9lica, que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por esse benef\u00edcio somente \u00e0 gra\u00e7a de Deus. \u00c9 tamb\u00e9m contr\u00e1rio ao ap\u00f3stolo que declara: \u201c\u2026 o qual tamb\u00e9m vos confirmar\u00e1 at\u00e9 ao fim, para serdes irrepreens\u00edveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo\u201d (1Co 1.8).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 3<\/strong><\/p>\n<p><em>Os crentes verdadeiramente regenerados n\u00e3o s\u00f3 podem perder completa e definitivamente a f\u00e9 justificadora, a gra\u00e7a e a salva\u00e7\u00e3o, como de fato as perdem frequentemente e assim se perdem pela eternidade.<\/em><\/p>\n<p>Essa opini\u00e3o invalida gra\u00e7a, justifica\u00e7\u00e3o, regenera\u00e7\u00e3o e cont\u00ednua preserva\u00e7\u00e3o por Cristo. Ela \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0s palavras expressas do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cMas Deus prova o seu pr\u00f3prio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por n\u00f3s, sendo n\u00f3s ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira\u201d (Rm 5.8, 9). \u00c9 contr\u00e1ria ao ap\u00f3stolo Jo\u00e3o: \u201cTodo aquele que \u00e9 nascido de Deus n\u00e3o vive na pr\u00e1tica do pecado; pois o que permanece nele \u00e9 a divina semente; ora, esse n\u00e3o pode viver pecando porque \u00e9 nascido de Deus\u201d (1Jo 3.9). Tamb\u00e9m \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0s palavras de Jesus Cristo: \u201cEu lhes dou a vida eterna; jamais perecer\u00e3o, eternamente, e ningu\u00e9m as arrebatar\u00e1 da minha m\u00e3o. Aquilo que meu Pai me deu \u00e9 maior do que tudo; e da m\u00e3o do Pai ningu\u00e9m pode arrebatar\u201d (Jo 10.28, 29).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 4<\/strong><\/p>\n<p><em>Os verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva \u00e0 morte ou o pecado contra o Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o ter falado no quinto cap\u00edtulo de sua primeira carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para a morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18: \u201cSabemos que todo aquele que \u00e9 nascido de Deus n\u00e3o vive em pecado, antes, aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno n\u00e3o lhe toca\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 5<\/strong><\/p>\n<p><em>Sem uma revela\u00e7\u00e3o especial, n\u00e3o podemos ter nesta vida certeza da perseveran\u00e7a futura.<\/em><\/p>\n<p>Por tal doutrina, o seguro consolo dos crentes verdadeiros nesta vida \u00e9 tirado, e as d\u00favidas dos seguidores do papa s\u00e3o novamente introduzidas na igreja. As Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem essa seguran\u00e7a, n\u00e3o a partir de uma revela\u00e7\u00e3o especial e extraordin\u00e1ria, mas a partir das marcas dos filhos de Deus e das promessas mui firmes dele. Especialmente o ap\u00f3stolo Paulo ensina isto: \u201c\u2026 nem qualquer outra criatura poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus que h\u00e1 em Cristo Jesus nosso Senhor\u201d (Rm 8.39). E Jo\u00e3o escreve: \u201cE aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em n\u00f3s, pelo Esp\u00edrito que nos deu\u201d (1Jo 3.24).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Por sua pr\u00f3pria natureza, a doutrina da certeza da perseveran\u00e7a e da salva\u00e7\u00e3o causa falsa seguran\u00e7a e prejudica a piedade, os bons costumes, ora\u00e7\u00f5es e outros santos exerc\u00edcios. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 louv\u00e1vel duvidar dessa certeza.<\/em><\/p>\n<p>Essa falsa doutrina ignora o efetivo poder da gra\u00e7a de Deus e a opera\u00e7\u00e3o do Santo Esp\u00edrito, que habita em n\u00f3s. Contradiz o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, que, em palavras expl\u00edcitas, ensina o contr\u00e1rio: \u201cAmados, agora somos filhos de Deus, e ainda n\u00e3o se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque havemos de v\u00ea-lo como ele \u00e9. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperan\u00e7a, como ele \u00e9 puro\u201d (1Jo 3.2, 3). Ainda mais, ela \u00e9 refutada pelos exemplos dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento, que, n\u00e3o obstante estarem certos de sua perseveran\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o, continuaram em ora\u00e7\u00e3o e outros exerc\u00edcios de piedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 7<\/strong><\/p>\n<p><em>A f\u00e9 daqueles que creem apenas por um tempo n\u00e3o \u00e9 diferente da f\u00e9 justificadora e salvadora, a n\u00e3o ser com respeito \u00e0 sua dura\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Em Mateus 13.20-23 e Lucas 8.13-15, Cristo mesmo indica claramente, al\u00e9m da dura\u00e7\u00e3o, uma tr\u00edplice diferen\u00e7a entre os que creem s\u00f3 por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o \u00faltimo em bom solo, ou seja, em bom cora\u00e7\u00e3o; que o primeiro \u00e9 sem raiz, mas o \u00faltimo tem raiz firme; que o primeiro n\u00e3o tem fruto, mas o \u00faltimo produz fruto em v\u00e1rias medidas, constante e perseverantemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 8<\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 absurdo o fato de algu\u00e9m, tendo perdido sua primeira regenera\u00e7\u00e3o, nascer de novo e mesmo frequentemente nascer de novo.<\/em><\/p>\n<p>Essa doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorrupt\u00edvel. Isso \u00e9 contr\u00e1rio ao testemunho do ap\u00f3stolo Pedro: \u201c\u2026 pois fostes regenerados, n\u00e3o de semente corrupt\u00edvel, mas de incorrupt\u00edvel\u2026\u201d (1Pe 1.23).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REJEI\u00c7\u00c3O 9<\/strong><\/p>\n<p><em>Cristo em lugar algum orou para que os crentes perseverassem infalivelmente na f\u00e9.<\/em><\/p>\n<p>Isso contradiz o pr\u00f3prio Cristo, que diz: \u201cEu, por\u00e9m, roguei por ti\u201d (Pedro) \u201cpara que a tua f\u00e9 n\u00e3o desfale\u00e7a\u201d (Lc 22.32). Tamb\u00e9m contradiz o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, que declara que Cristo n\u00e3o orava somente pelos ap\u00f3stolos, mas tamb\u00e9m por todos aqueles que viessem a crer por meio da palavra deles: \u201cPai Santo, guarda-os em teu nome, que me deste\u2026 N\u00e3o pe\u00e7o que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal\u201d (Jo 17.11, 15, 20).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o clara, simples e sincera da doutrina ortodoxa no que diz respeito aos Cinco Artigos de F\u00e9 disputados na Holanda; e essa \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o dos erros pelos quais as Igrejas t\u00eam sido perturbadas por algum tempo. O S\u00ednodo de Dort julga a presente declara\u00e7\u00e3o e as rejei\u00e7\u00f5es s\u00e3o retiradas da Palavra de Deus e conforme as Confiss\u00f5es das Igrejas Reformadas. Assim, torna-se evidente que alguns agiram muito impr\u00f3pria e contrariamente a toda verdade, equidade e amor, desejando persuadir o povo do seguinte:<\/p>\n<p><em>\u201cA doutrina das Igrejas Reformadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 predestina\u00e7\u00e3o e aos assuntos a ela relacionados, por seu car\u00e1ter e tend\u00eancia, desvia o cora\u00e7\u00e3o dos homens da verdadeira religi\u00e3o. Ela \u00e9 um \u00f3pio do diabo para a carne, bem como uma fortaleza para Satan\u00e1s, onde permanece \u00e0 espera por todos, fere multid\u00f5es, atingindo mortalmente a muitos com os dardos tanto de desespero quanto de falsa seguran\u00e7a. Faz de Deus o autor injusto do pecado, um tirano e hip\u00f3crita; \u00e9 nada mais do que um renovado estoicismo, manique\u00edsmo, libertinismo e islamismo. Conduz a um pecaminoso descuido porque faz as pessoas crerem que nada pode impedir a salva\u00e7\u00e3o dos eleitos, n\u00e3o importando como vivam, e que, portanto, podem, tranquilamente, cometer os crimes mais horr\u00edveis. Por outro lado, se os reprovados tivessem produzido todas as obras dos santos, isso n\u00e3o poderia nem ao menos contribuir para a salva\u00e7\u00e3o deles. A mesma doutrina ensina que Deus tem predestinado e criado a maior parte da humanidade para a condena\u00e7\u00e3o eterna s\u00f3 por um ato arbitr\u00e1rio de sua vontade, sem levar em conta qualquer pecado. Da mesma forma pela qual a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 a fonte e a causa da f\u00e9 e boas obras, a reprova\u00e7\u00e3o \u00e9 a causa da incredulidade e da impiedade. Muitos filhos inocentes de pais crentes s\u00e3o arrancados do seio de suas m\u00e3es e, tiranicamente, lan\u00e7ados no inferno de tal modo que nem o sangue de Cristo, nem o batismo ou as ora\u00e7\u00f5es da Igreja no ato do batismo lhes podem ser proveitosos.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas outras coisas semelhantes que as Igrejas Reformadas n\u00e3o apenas n\u00e3o confessam, como tamb\u00e9m repelem de todo cora\u00e7\u00e3o. Portanto, este S\u00ednodo de Dort conclama, em nome do Senhor, a todos os que piedosamente invocam nosso Salvador Jesus Cristo que n\u00e3o julguem a f\u00e9 das Igrejas Reformadas a partir das cal\u00fanias juntadas daqui e dali, nem a partir de declara\u00e7\u00f5es pessoais de alguns professores, modernos ou antigos, que muitas vezes s\u00e3o citadas de m\u00e1-f\u00e9, distorcidas e explicadas de forma oposta ao seu sentido real. Mas deve-se julgar a f\u00e9 das Igrejas Reformadas pelas confiss\u00f5es p\u00fablicas dessas Igrejas, e pela presente declara\u00e7\u00e3o da ortodoxa doutrina, confirmada pelo consenso un\u00e2nime de cada um dos membros de todo o S\u00ednodo. Al\u00e9m do mais, o S\u00ednodo adverte os caluniosos para que considerem o severo julgamento de Deus \u00e0 espera deles, por falar falso testemunho contra tantas igrejas e contra as confiss\u00f5es delas, e por conturbar as consci\u00eancias dos fracos e por tentar colocar em suspei\u00e7\u00e3o, aos olhos de muitos, a comunidade dos verdadeiros crentes. Finalmente, este S\u00ednodo exorta todos os conservos no evangelho de Cristo a se comportar em santo temor e piedade diante de Deus, quando lidarem com essa doutrina em escolas e igrejas. Ao ensin\u00e1-la, tanto pela palavra falada como pela palavra escrita, devem procurar a gl\u00f3ria de Deus, a santidade de vida e a consola\u00e7\u00e3o das almas aflitas. Seus pensamentos e palavras sobre a doutrina devem estar em conson\u00e2ncia com a Escritura, de acordo com a analogia da f\u00e9. E devem abster-se de usar qualquer frase que exceda os limites prescritos pelo genu\u00edno sentido das Escrituras Sagradas, para n\u00e3o dar aos fr\u00edvolos sofistas boas oportunidades para atacar ou caluniar a doutrina das Igrejas Reformadas. Que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual est\u00e1 sentado \u00e0 direita do Pai e envia seus dons aos homens, nos santifique na verdade. Que ele traga \u00e0 verdade os que se desviaram dela, cale a boca dos caluniosos da s\u00e3 doutrina e equipe os ministros fi\u00e9is de sua Palavra com o Esp\u00edrito de sabedoria e discri\u00e7\u00e3o, para que tudo que falem possa ser para a gl\u00f3ria de Deus e a edifica\u00e7\u00e3o dos ouvintes. 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