{"id":59956,"date":"2021-09-21T15:39:42","date_gmt":"2021-09-21T18:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?page_id=59956"},"modified":"2021-09-21T15:39:42","modified_gmt":"2021-09-21T18:39:42","slug":"a-confissao-de-fe-de-westminster","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/a-confissao-de-fe-de-westminster\/","title":{"rendered":"A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Acesse a\u00a0<a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/credos-e-confissoes\/\">p\u00e1gina de Credos e Confiss\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h1>A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster<\/h1>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 1<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Sagradas Escrituras<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Ainda que a luz da natureza e as obras da cria\u00e7\u00e3o e da provid\u00eancia manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens sejam inescus\u00e1veis, ainda n\u00e3o s\u00e3o suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necess\u00e1rio \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; por isso agradou ao Senhor, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar \u00e0 sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preserva\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrup\u00e7\u00e3o da carne e contra a maldade de Satan\u00e1s e do mundo, foi igualmente servido faz\u00ea-la escrever toda. Isso torna as Escrituras Sagradas indispens\u00e1veis, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar sua vontade ao seu povo.<\/li>\n<li>Sob o nome de Escrituras Sagradas, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, que s\u00e3o os seguintes:<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Do Antigo Testamento<\/em><\/strong><\/p>\n<p>G\u00eanesis<\/p>\n<p>\u00caxodo<\/p>\n<p>Lev\u00edtico<\/p>\n<p>N\u00fameros<\/p>\n<p>Deuteron\u00f4mio<\/p>\n<p>Josu\u00e9<\/p>\n<p>Ju\u00edzes<\/p>\n<p>Rute<\/p>\n<p>1 Samuel<\/p>\n<p>2 Samuel<\/p>\n<p>1 Reis<\/p>\n<p>2 Reis<\/p>\n<p>1 Cr\u00f4nicas<\/p>\n<p>2 Cr\u00f4nicas<\/p>\n<p>Esdras<\/p>\n<p>Neemias<\/p>\n<p>Ester<\/p>\n<p>J\u00f3<\/p>\n<p>Salmos<\/p>\n<p>Prov\u00e9rbios<\/p>\n<p>Eclesiastes<\/p>\n<p>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/p>\n<p>Isa\u00edas<\/p>\n<p>Jeremias<\/p>\n<p>Lamenta\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Ezequiel<\/p>\n<p>Daniel<\/p>\n<p>Oseias<\/p>\n<p>Joel<\/p>\n<p>Am\u00f3s<\/p>\n<p>Obadias<\/p>\n<p>Jonas<\/p>\n<p>Miqueias<\/p>\n<p>Naum<\/p>\n<p>Habacuque<\/p>\n<p>Sofonias<\/p>\n<p>Ageu<\/p>\n<p>Zacarias<\/p>\n<p>Malaquias<\/p>\n<p><strong><em>Do Novo Testamento<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho segundo<\/p>\n<p>Mateus<\/p>\n<p>Marcos<\/p>\n<p>Lucas<\/p>\n<p>Jo\u00e3o<\/p>\n<p>Atos dos Ap\u00f3stolos<\/p>\n<p>As Ep\u00edstolas de Paulo aos<\/p>\n<p>Romanos<\/p>\n<p>1 Cor\u00edntios<\/p>\n<p>2 Cor\u00edntios<\/p>\n<p>G\u00e1latas<\/p>\n<p>Ef\u00e9sios<\/p>\n<p>Filipenses<\/p>\n<p>Colossenses<\/p>\n<p>1 Tessalonicenses<\/p>\n<p>2 Tessalonicenses<\/p>\n<p>1 Tim\u00f3teo<\/p>\n<p>2 Tim\u00f3teo<\/p>\n<p>Tito<\/p>\n<p>Filemom<\/p>\n<p>A Ep\u00edstola aos Hebreus<\/p>\n<p>A Ep\u00edstola de Tiago<\/p>\n<p>A Primeira e Segunda Ep\u00edstola de Pedro<\/p>\n<p>A Primeiro, Segundo e Terceira Ep\u00edstolas de Jo\u00e3o<\/p>\n<p>A Ep\u00edstola de Judas<\/p>\n<p>Apocalipse<\/p>\n<p>Todos esses livros s\u00e3o dados por inspira\u00e7\u00e3o de Deus para ser a regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Os livros geralmente chamados Ap\u00f3crifos, n\u00e3o sendo de inspira\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o fazem parte do C\u00e2non das Escrituras; n\u00e3o s\u00e3o, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados sen\u00e3o como escritos humanos.<\/li>\n<li>A autoridade das Escrituras Sagradas, raz\u00e3o pela qual devem ser cridas e obedecidas, n\u00e3o depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade), que \u00e9 o Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque \u00e9 a Palavra de Deus.<\/li>\n<li>Pelo Testemunho da Igreja, podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apre\u00e7o pelas Escrituras Sagradas; a suprema excel\u00eancia de seu conte\u00fado, a efic\u00e1cia de sua doutrina, a majestade de seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo de seu todo (que \u00e9 dar a Deus toda a gl\u00f3ria), a plena revela\u00e7\u00e3o que faz do \u00fanico meio de se salvar o homem, suas muitas outras excel\u00eancias incompar\u00e1veis e completas perfei\u00e7\u00e3o s\u00e3o argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; contudo, nossa plena persuas\u00e3o e certeza de sua infal\u00edvel verdade e divina autoridade prov\u00eam da opera\u00e7\u00e3o interna do Esp\u00edrito Santo, que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necess\u00e1rias \u00e0 sua gl\u00f3ria e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 vida do homem ou \u00e9 expressamente declarado nas Escrituras ou pode ser l\u00f3gica e claramente delas deduzido. \u00c0s Escrituras, nada se acrescentar\u00e1 em tempo algum, nem por novas revela\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, nem por tradi\u00e7\u00f5es dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necess\u00e1ria a ilumina\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito de Deus para a salvadora compreens\u00e3o das coisas reveladas na Palavra, e que h\u00e1 algumas circunst\u00e2ncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comuns \u00e0s a\u00e7\u00f5es e sociedades humanas, as quais t\u00eam de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prud\u00eancia crist\u00e3, segundo as regras da Palavra, que sempre devem ser observadas.<\/li>\n<li>Nas Escrituras n\u00e3o s\u00e3o todas as coisas em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salva\u00e7\u00e3o, em uma ou outra passagem das Escrituras s\u00e3o t\u00e3o claramente expostas e aplicadas que n\u00e3o s\u00f3 os doutos, mas tamb\u00e9m os indoutos, no devido uso dos meios comuns, podem alcan\u00e7ar a suficiente compreens\u00e3o delas.<\/li>\n<li>O Antigo Testamento em hebraico (l\u00edngua nativa do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em grego (a l\u00edngua mais geralmente conhecida entre as na\u00e7\u00f5es no tempo de sua escrita), sendo inspirados imediatamente por Deus, e por seu singular cuidado e provid\u00eancia conservados puros em todos os s\u00e9culos, s\u00e3o, por isso, aut\u00eanticos, e assim em todas as controv\u00e9rsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como um supremo tribunal; mas, n\u00e3o sendo essas l\u00ednguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras, e que deve, no temor de Deus, l\u00ea-las e estud\u00e1-las, esses livros t\u00eam de ser traduzidos nas l\u00ednguas comuns de todas as na\u00e7\u00f5es aonde chegarem, a fim de que, permanecendo nelas abundantemente a Palavra de Deus, adorem a Deus de modo aceit\u00e1vel e possuam a esperan\u00e7a pela paci\u00eancia e o conforto das Escrituras.<\/li>\n<li>A regra infal\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o da Escritura \u00e9 a pr\u00f3pria Escritura; portanto, quando houver quest\u00e3o sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto das Escrituras (sentido que n\u00e3o \u00e9 m\u00faltiplo, mas \u00fanico), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.<\/li>\n<li>O Juiz Supremo, pelo qual todas as controv\u00e9rsias religiosas t\u00eam de ser determinadas, e por quem ser\u00e3o examinados todos os decretos de conc\u00edlios, todas as opini\u00f5es particulares, o Juiz Supremo, em cuja senten\u00e7a nos devemos firmar, n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o Esp\u00edrito Santo falando nas Escrituras.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 2<\/strong><\/p>\n<p><em>De Deus e da Sant\u00edssima Trindade<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>H\u00e1 um s\u00f3 Deus vivo e verdadeiro, o qual \u00e9 infinito em seu ser e em perfei\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 um Esp\u00edrito pur\u00edssimo, invis\u00edvel, sem corpo, sem membros, n\u00e3o sujeito a paix\u00f5es; \u00e9 imut\u00e1vel, imenso, eterno, incompreens\u00edvel, onipotente, onisciente, sant\u00edssimo, completamente livre e absoluto, e tudo faz segundo o conselho da sua pr\u00f3pria vontade, que \u00e9 reta e imut\u00e1vel, e para a sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria. \u00c9 cheio de amor, gracioso, misericordioso, long\u00e2nimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o buscam, e, contudo, just\u00edssimo e terr\u00edvel em seus ju\u00edzos, pois odeia todo o pecado; de modo algum ter\u00e1 por inocente o culpado.<\/li>\n<li>Deus tem, em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, gl\u00f3ria, bondade e bem-aventuran\u00e7a. Ele \u00e9 todo-suficiente em si e para si, pois n\u00e3o precisa das criaturas que trouxe \u00e0 exist\u00eancia; n\u00e3o deriva delas gl\u00f3ria alguma, mas somente manifesta sua gl\u00f3ria nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele \u00e9 a \u00fanica origem de todo ser; dele, por ele e para ele, s\u00e3o todas as coisas e, sobre elas, tem ele soberano dom\u00ednio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo que quiser. Todas as coisas est\u00e3o patentes e manifestas diante dele; seu saber \u00e9 infinito, infal\u00edvel e independente da criatura, de sorte que, para ele, nada \u00e9 contingente ou incerto. Ele \u00e9 sant\u00edssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos. Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura, s\u00e3o devidos a ele todo culto, todo servi\u00e7o e toda obedi\u00eancia que ele houve por bem exigir deles.<\/li>\n<li>Na unidade da Divindade, h\u00e1 tr\u00eas pessoas de uma mesma subst\u00e2ncia, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Esp\u00edrito Santo. O Pai n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m: n\u00e3o \u00e9 gerado, nem procedente; o Filho \u00e9 eternamente gerado do Pai; o Esp\u00edrito Santo \u00e9 eternamente procedente do Pai e do Filho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 3<\/strong><\/p>\n<p><em>Dos Eternos Decretos de Deus<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Desde toda a eternidade e pelo mui s\u00e1bio e santo conselho de sua pr\u00f3pria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo que acontece, por\u00e9m de modo que nem Deus \u00e9 o autor do pecado, nem violentada \u00e9 \u00e0 vontade da criatura, nem \u00e9 tirada a liberdade ou conting\u00eancia das causas secund\u00e1rias, antes estabelecidas.<\/li>\n<li>Ainda que saiba tudo que pode ou h\u00e1 de acontecer em todas as circunst\u00e2ncias imagin\u00e1veis, Deus n\u00e3o decreta coisa alguma por hav\u00ea-la previsto como futura, ou como coisa que haveria de acontecer em tais condi\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Pelo decreto de Deus e para a manifesta\u00e7\u00e3o de sua gl\u00f3ria, alguns homens e alguns anjos s\u00e3o predestinados para a vida eterna, enquanto outros s\u00e3o preordenados para a morte eterna.<\/li>\n<li>Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, s\u00e3o particular e imutavelmente designados; seu n\u00famero \u00e9 t\u00e3o certo e definido que n\u00e3o pode ser nem aumentado nem diminu\u00eddo.<\/li>\n<li>Segundo seu eterno e imut\u00e1vel prop\u00f3sito, e segundo o santo conselho e benepl\u00e1cito de sua vontade, antes que fosse o mundo criado, Deus escolheu em Cristo, para a gl\u00f3ria eterna, os homens que s\u00e3o predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa gra\u00e7a ele os escolheu de sua mera e livre gra\u00e7a e amor, e n\u00e3o por previs\u00e3o de f\u00e9, ou de boas obras e perseveran\u00e7a nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condi\u00e7\u00e3o ou causa.<\/li>\n<li>Assim como Deus destinou os eleitos para a gl\u00f3ria, assim tamb\u00e9m, pelo eterno e mui livre prop\u00f3sito de sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que, portanto, s\u00e3o eleitos, achando-se ca\u00eddos em Ad\u00e3o, s\u00e3o remidos por Cristo, s\u00e3o eficazmente chamados para a f\u00e9 em Cristo, pelo seu Esp\u00edrito que opera no tempo devido, s\u00e3o justificados, adotados, santificados e guardados pelo seu poder, por meio da f\u00e9 salvadora. Al\u00e9m dos eleitos, n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo.<\/li>\n<li>Segundo o inescrut\u00e1vel conselho de sua pr\u00f3pria vontade, pela qual ele concede ou recusa miseric\u00f3rdia, como lhe apraz, para a gl\u00f3ria de seu soberano poder sobre as suas criaturas, para louvor de sua gloriosa justi\u00e7a, o resto dos homens foi Deus servido n\u00e3o contemplar e orden\u00e1-los para a desonra e a ira, por causa de seus pecados.<\/li>\n<li>A doutrina desse elevado mist\u00e9rio de predestina\u00e7\u00e3o deve ser tratada com especial prud\u00eancia e cuidado, a fim de que os homens, atendendo \u00e0 vontade de Deus, revelada em sua Palavra, e prestando obedi\u00eancia a ela, possam, pela evid\u00eancia de sua voca\u00e7\u00e3o eficaz, certificar-se de sua eterna elei\u00e7\u00e3o. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao evangelho, essa doutrina traz motivo de louvor, rever\u00eancia e admira\u00e7\u00e3o para com Deus, bem como de humildade, dilig\u00eancia e abundante consola\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 4<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Cria\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Ao princ\u00edpio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo, para a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espa\u00e7o de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele h\u00e1, quer as coisas vis\u00edveis quer as invis\u00edveis.<\/li>\n<li>Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e f\u00eamea, com as almas racionais e imortais, e dotou-os de intelig\u00eancia, retid\u00e3o e perfeita santidade, segundo a sua pr\u00f3pria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus cora\u00e7\u00f5es e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados \u00e0 liberdade de sua pr\u00f3pria vontade, que era mut\u00e1vel. Al\u00e9m dessa escrita em seus cora\u00e7\u00f5es, receberam o preceito de n\u00e3o comer da \u00e1rvore da ci\u00eancia do bem e do mal; enquanto obedeceram a esse preceito, foram felizes em sua comunh\u00e3o com Deus e tiveram dom\u00ednio sobre as criaturas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 5<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Provid\u00eancia<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Pela mui s\u00e1bia e santa provid\u00eancia, segundo sua infal\u00edvel presci\u00eancia e o livre e imut\u00e1vel conselho de sua pr\u00f3pria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da gl\u00f3ria de sua sabedoria, poder, justi\u00e7a, bondade e miseric\u00f3rdia, sustenta, dirige, disp\u00f5e e governa todas as criaturas, todas as a\u00e7\u00f5es delas e todas as coisas, desde a maior at\u00e9 a menor.<\/li>\n<li>Tendo em vista que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presci\u00eancia e ao decreto de Deus, que \u00e9 a causa prim\u00e1ria, todas as coisas acontecem imut\u00e1vel e infalivelmente, contudo, pela mesma provid\u00eancia, Deus ordena que elas sucedam, necess\u00e1ria, livre ou contingentemente, conforme a natureza das causas secund\u00e1rias.<\/li>\n<li>Em sua provid\u00eancia comum, Deus emprega meios; todavia, ele \u00e9 livre para operar sem eles, sobre eles ou contra eles, segundo seu benepl\u00e1cito.<\/li>\n<li>A onipot\u00eancia, a sabedoria inescrut\u00e1vel e a bondade infinita de Deus, de tal maneira se manifestam na sua provid\u00eancia, que esta se estende at\u00e9 a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto n\u00e3o por uma mera permiss\u00e3o, mas por uma permiss\u00e3o tal que, para os seus pr\u00f3prios e santos des\u00edgnios, s\u00e1bia e poderosamente os limita, regula e governa em uma m\u00faltipla dispensa\u00e7\u00e3o; mas essa permiss\u00e3o \u00e9 tal, que a pecaminosidade dessas transgress\u00f5es procede t\u00e3o somente da criatura e n\u00e3o de Deus, que, sendo sant\u00edssimo e just\u00edssimo, n\u00e3o pode ser o autor do pecado e nem pode aprov\u00e1-lo.<\/li>\n<li>O muit\u00edssimo s\u00e1bio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa, por algum tempo, seus filhos entregues a muitas tenta\u00e7\u00f5es e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es, para castig\u00e1-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrup\u00e7\u00e3o e dolo de seus cora\u00e7\u00f5es, a fim de que eles sejam humilhados; para anim\u00e1-los a dependerem mais \u00edntima e constantemente do apoio dele e torn\u00e1-los mais vigilantes contra as futuras ocasi\u00f5es de pecar, bem como para v\u00e1rios outros fins justos e santos.<\/li>\n<li>Quanto aos homens perversos e \u00edmpios que Deus, como justo juiz, cega e endurece em raz\u00e3o de pecados anteriores, ele n\u00e3o s\u00f3 lhes recusa a gra\u00e7a pela qual poderiam ser iluminados em seus entendimentos e movidos em seus cora\u00e7\u00f5es, mas \u00e0s vezes tira os dons que j\u00e1 possu\u00edam, e os exp\u00f5e a objetos que, por sua corrup\u00e7\u00e3o, tornam ocasi\u00f5es de pecado; al\u00e9m disso, entrega-os \u00e0s suas pr\u00f3prias paix\u00f5es, \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do mundo e ao poder de Satan\u00e1s; assim, acontece que eles se endurecem sob as influ\u00eancias dos meios que Deus emprega para o abrandamento dos outros.<\/li>\n<li>Como a provid\u00eancia de Deus se estende, em geral, a todas as criaturas, assim, pois, de um modo muit\u00edssimo especial, essa mesma provid\u00eancia cuida de sua igreja e tudo disp\u00f5e a bem dela.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Queda do Homem, do Pecado e do seu Castigo<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Nossos primeiros pais, seduzidos pela ast\u00facia e a tenta\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s, pecaram ao comerem o fruto proibido. Segundo seu s\u00e1bio e santo conselho, foi Deus servido permitir esse pecado deles, havendo determinado orden\u00e1-lo para sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria.<\/li>\n<li>Por esse pecado, eles deca\u00edram de sua retid\u00e3o original e da comunh\u00e3o com Deus e, assim, se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes do corpo e da alma.<\/li>\n<li>Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por gera\u00e7\u00e3o comum.<\/li>\n<li>Dessa corrup\u00e7\u00e3o original, pela qual ficamos totalmente indispostos, incapazes e adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, \u00e9 que procedem todas as transgress\u00f5es atuais.<\/li>\n<li>Essa corrup\u00e7\u00e3o da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que s\u00e3o regenerados; e, embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia ela, assim como seus impulsos, \u00e9 real e propriamente pecado.<\/li>\n<li>Todo pecado, tanto original como atual, sendo transgress\u00e3o da justa lei de Deus e a ela contr\u00e1rio, torna culpado o pecador, em sua pr\u00f3pria natureza, e por essa culpa est\u00e1 sujeito \u00e0 ira de Deus e \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o da lei, e, portanto, sujeito \u00e0 morte, com todas as mis\u00e9rias espirituais, temporais e eternas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 7<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Pacto de Deus com o Homem<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>T\u00e3o grande \u00e9 a dist\u00e2ncia entre Deus e a criatura que, embora as criaturas racionais lhe devam obedi\u00eancia como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventuran\u00e7a e recompensa, sen\u00e3o por alguma volunt\u00e1ria condescend\u00eancia da parte de Deus, a qual agradou-lhe expressar por meio de um pacto.<\/li>\n<li>O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto, foi a vida prometida a Ad\u00e3o e, nele, \u00e0 sua posteridade, sob a condi\u00e7\u00e3o de perfeita e pessoal obedi\u00eancia.<\/li>\n<li>Tendo-se o homem tornado, por sua queda, incapaz de ter vida por meio desse pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado de pacto da gra\u00e7a; nesse pacto da gra\u00e7a, ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de Jesus Cristo, exigindo deles a f\u00e9 para que sejam salvos, e prometendo seu Santo Esp\u00edrito a todos os que est\u00e3o ordenados para a vida, a fim de disp\u00f4-los e habilit\u00e1-los a crer.<\/li>\n<li>Esse pacto da gra\u00e7a \u00e9 frequentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de testamento, em refer\u00eancia \u00e0 morte de Cristo, o Testador, e \u00e0 eterna heran\u00e7a, com tudo o que lhe pertence, legada nesse pacto.<\/li>\n<li>Esse pacto, no tempo da Lei, n\u00e3o foi administrado como no tempo do evangelho. Sob a Lei, foi administrado por meio de promessas, profecias, sacrif\u00edcios, da circuncis\u00e3o, do cordeiro pascal e de outros tipos e ordenan\u00e7as dados ao povo judeu, tudo prefigurando Cristo que havia de vir. Por aquele tempo, essas coisas, pela opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na f\u00e9 do Messias prometido, por quem tinham plena remiss\u00e3o dos pecados e a salva\u00e7\u00e3o eterna; este se chama o Antigo Testamento.<\/li>\n<li>Sob o evangelho, quando Cristo, a Subst\u00e2ncia, se manifestou, as ordenan\u00e7as, nas quais esse pacto \u00e9 ministrado, passaram a ser a prega\u00e7\u00e3o da Palavra e a administra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor; por essas ordenan\u00e7as, visto que em n\u00famero menor e administradas com mais simplicidade e menos gl\u00f3ria externa, o pacto se manifesta com mais plenitude, evid\u00eancia e efic\u00e1cia espiritual a todas as na\u00e7\u00f5es \u2014 tanto aos judeus como aos gentios. Isso \u00e9 chamado Novo Testamento. N\u00e3o h\u00e1, pois, dois pactos da gra\u00e7a diferentes em subst\u00e2ncia, mas um e o mesmo sob v\u00e1rias dispensa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 8<\/strong><\/p>\n<p><em>De Cristo, o Mediador<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Aprouve a Deus, em seu eterno prop\u00f3sito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unig\u00eanito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabe\u00e7a e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; e deu-lhe, desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente, e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.<\/li>\n<li>O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma subst\u00e2ncia do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Esp\u00edrito Santo no ventre da Virgem Maria, e da subst\u00e2ncia dela. As duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas \u2014 a Divindade e a Humanidade \u2014 foram inseparavelmente unidas em uma s\u00f3 pessoa, sem convers\u00e3o, verdadeiro homem, por\u00e9m um s\u00f3 Cristo, o \u00fanico Mediador entre Deus e o homem.<\/li>\n<li>O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida \u00e0 divina, foi santificado e sem medida ungido com o Esp\u00edrito Santo, tendo em si todos os tesouros da sabedoria e da ci\u00eancia. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, incontaminado e cheio de gra\u00e7a e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o of\u00edcio de Mediador e Fiador. Esse of\u00edcio, ele n\u00e3o tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai, que lhe p\u00f4s nas m\u00e3os todo o poder e todo o ju\u00edzo, e lhe ordenou que os exercesse.<\/li>\n<li>Esse of\u00edcio, o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente. Para que pudesse exerc\u00ea-lo, ele se fez sujeito \u00e0 lei, a qual cumpriu perfeitamente, padeceu imediatamente em sua alma os mais cru\u00e9is tormentos, e em seu corpo, os mais penosos sofrimentos; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas n\u00e3o viu a corrup\u00e7\u00e3o; ao terceiro dia ressuscitou dois mortos, com esse corpo subiu ao c\u00e9u, onde est\u00e1 sentado \u00e0 destra do Pai, fazendo intercess\u00e3o; de l\u00e1 voltar\u00e1 no fim do mundo para julgar os homens e os anjos.<\/li>\n<li>O Senhor Jesus, pela sua perfeita obedi\u00eancia e pelo sacrif\u00edcio de si mesmo, sacrif\u00edcio que, pelo Eterno Esp\u00edrito, ofereceu a Deus uma s\u00f3 vez, satisfez plenamente a justi\u00e7a de seu Pai, e, para todos aqueles que o Pai lhe deu, adquiriu n\u00e3o s\u00f3 a reconcilia\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m uma heran\u00e7a perdur\u00e1vel no Reino dos C\u00e9us.<\/li>\n<li>Ainda que a obra da reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o fora realmente realizada por Cristo sen\u00e3o depois de sua encarna\u00e7\u00e3o, contudo a virtude, a efic\u00e1cia e os benef\u00edcios dela, em todas as \u00e9pocas sucessivas desde o princ\u00edpio do mundo, foram comunicados aos eleitos por meio das promessas, tipos e sacrif\u00edcios, pelos quais ele devia esmagar a cabe\u00e7a da serpente, como o cordeiro morto desde o princ\u00edpio do mundo, sendo ele o mesmo ontem, hoje e para sempre.<\/li>\n<li>Cristo, na obra de media\u00e7\u00e3o, age em conformidade com suas duas naturezas, fazendo cada uma o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio; contudo, em raz\u00e3o da unidade de uma pessoa, o que \u00e9 pr\u00f3prio de uma natureza \u00e9, \u00e0s vezes, nas Escrituras, atribu\u00eddo \u00e0 pessoa denominada pela outra natureza.<\/li>\n<li>Cristo, com toda certeza e de forma eficaz, aplica e comunica a salva\u00e7\u00e3o a todos aqueles para quem a adquiriu. Isso, ele consegue fazendo intercess\u00e3o por eles e revelando-lhes na Palavra e pela Palavra os mist\u00e9rios da salva\u00e7\u00e3o, persuadindo-os, eficazmente, por seu Esp\u00edrito, subjugando todos os seus inimigos por meio de sua onipot\u00eancia e sabedoria, da maneira e pelos meios mais condizentes com a sua admir\u00e1vel e inescrut\u00e1vel dispensa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 9<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Livre-arb\u00edtrio<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade natural que ela nem \u00e9 for\u00e7ada para o bem nem para o mal, tampouco a isso \u00e9 determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza.<\/li>\n<li>O homem, em seu estado de inoc\u00eancia, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que \u00e9 bom e agrad\u00e1vel a Deus; mas era pass\u00edvel de mudan\u00e7a, de sorte que pudesse cair dessa liberdade e poder.<\/li>\n<li>O homem, ao cair em estado de pecado, perdeu inteiramente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salva\u00e7\u00e3o; de sorte que um homem natural, inteiramente contr\u00e1rio a esse bem e morto no pecado, \u00e9 incapaz de, por seu pr\u00f3prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso.<\/li>\n<li>Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de gra\u00e7a, ele o liberta de sua natural escravid\u00e3o ao pecado e, somente por sua gra\u00e7a, o habilita a querer e a fazer com toda a liberdade o que \u00e9 espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrup\u00e7\u00e3o ainda existente nele, o pecador n\u00e3o faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que \u00e9 bom, mas tamb\u00e9m o que \u00e9 mau.<\/li>\n<li>\u00c9 no estado de gl\u00f3ria que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem s\u00f3.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 10<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Voca\u00e7\u00e3o Eficaz<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e somente esses, \u00e9 ele servido chamar eficazmente por sua Palavra e por seu Esp\u00edrito, no tempo por ele determinado e aceito, tirando-os daquele estado de pecado e morte em que est\u00e3o por natureza para a gra\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o, em Jesus Cristo. Isso, ele o faz iluminando seus entendimentos, espiritual e salvificamente, a fim de compreenderem as coisas de Deus, tirando-lhes seus cora\u00e7\u00f5es de pedra e dando-lhes cora\u00e7\u00f5es de carne, renovando suas vontades e determinando-as, pela sua onipot\u00eancia, para aquilo que \u00e9 bom, e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles v\u00eam mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua gra\u00e7a.<\/li>\n<li>Essa voca\u00e7\u00e3o eficaz prov\u00e9m unicamente da livre e especial gra\u00e7a de Deus, e n\u00e3o de qualquer coisa prevista no homem; nessa voca\u00e7\u00e3o, o homem \u00e9 inteiramente passivo, at\u00e9 que, vivificado e renovado pelo Esp\u00edrito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a gra\u00e7a nela oferecida e comunicada.<\/li>\n<li>As crian\u00e7as eleitas que morrem na inf\u00e2ncia s\u00e3o regeneradas e salvas por Cristo por meio do Esp\u00edrito que opera quando, onde e como lhe apraz. Do mesmo modo, s\u00e3o salvas todas as outras pessoas eleitas incapazes de ser exteriormente chamadas pelo minist\u00e9rio da palavra.<\/li>\n<li>Os n\u00e3o eleitos, ainda que chamados pelo minist\u00e9rio da Palavra e tenham algumas das opera\u00e7\u00f5es comuns do Esp\u00edrito, jamais chegam a Cristo e, portanto, n\u00e3o podem ser salvos; muito menos poder\u00e3o ser salvos por qualquer outro meio os que n\u00e3o professam a religi\u00e3o crist\u00e3, por mais diligentes que sejam em padronizar suas vidas de acordo com a luz da natureza e com a lei da religi\u00e3o que professam; asseverar e manter que o podem \u00e9 muito pernicioso e detest\u00e1vel.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 11<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Justifica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Aqueles a quem Deus chama eficazmente tamb\u00e9m livremente justifica. Essa justifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste em Deus infundir neles a justi\u00e7a, mas em perdoar seus pecados e em considerar e aceit\u00e1-los como justos. Deus n\u00e3o os justifica em raz\u00e3o de qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 obra de Cristo; n\u00e3o lhes imputando como justi\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria f\u00e9, o ato de crer, ou qualquer outro ato de obedi\u00eancia evang\u00e9lica, mas imputando-lhes a obedi\u00eancia e a satisfa\u00e7\u00e3o de Cristo, quando eles o recebem e se firmam nele pela f\u00e9, f\u00e9 esta que possuem n\u00e3o como oriunda de si mesmos, mas como dom de Deus.<\/li>\n<li>A f\u00e9, assim recebendo e assim repousando em Cristo e em sua justi\u00e7a, \u00e9 o \u00fanico instrumento da justifica\u00e7\u00e3o; contudo, n\u00e3o est\u00e1 sozinha na pessoa justificada, mas sempre acompanhada de todas as demais gra\u00e7as salv\u00edficas; n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 morta, mas a f\u00e9 que age atrav\u00e9s do amor.<\/li>\n<li>Cristo, por meio de sua obedi\u00eancia e morte, pagou plenamente a d\u00edvida de todos que s\u00e3o assim justificados, e, em favor deles, fez \u00e0 justi\u00e7a de seu Pai uma satisfa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, real e plena. Contudo, como Cristo foi pelo Pai dado em favor deles, e como a obedi\u00eancia e a satisfa\u00e7\u00e3o dele foram aceitas em lugar deles, ambas livremente e n\u00e3o por nada que neles existe, a justifica\u00e7\u00e3o deles prov\u00e9m unicamente da livre gra\u00e7a, a fim de que tanto a perfeita justi\u00e7a como a gra\u00e7a abundante de Deus possam ser glorificadas na justifica\u00e7\u00e3o dos pecadores.<\/li>\n<li>Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos; e Cristo, no cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justifica\u00e7\u00e3o deles; contudo, eles n\u00e3o s\u00e3o justificados at\u00e9 que o Esp\u00edrito Santo, no tempo pr\u00f3prio e de fato, comunica-lhes Cristo.<\/li>\n<li>Deus continua a perdoar os pecados dos que s\u00e3o justificados. Embora eles nunca possam cair do estado de justifica\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o, contudo, por seus pecados, incorrer no paternal desagrado de Deus e ficar privados da luz de sua gra\u00e7a, at\u00e9 que se humilhem, confessem seus pecados, pe\u00e7am perd\u00e3o e renovem sua f\u00e9 e seu arrependimento.<\/li>\n<li>A justifica\u00e7\u00e3o dos crentes sob o Antigo Testamento era, em todos esses aspectos, uma e a mesma justifica\u00e7\u00e3o dos crentes sob o Novo Testamento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 12<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Ado\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>A todos os que s\u00e3o justificados, Deus se digna fazer participantes da gra\u00e7a da adora\u00e7\u00e3o em e por seu \u00fanico Filho Jesus Cristo. Por essa gra\u00e7a, eles s\u00e3o recebidos no n\u00famero e gozam a liberdade e os privil\u00e9gios dos filhos de Deus, t\u00eam sobre si o nome dele, recebem o Esp\u00edrito de adora\u00e7\u00e3o, t\u00eam acesso, com ousadia, ao trono da gra\u00e7a, e s\u00e3o habilitados e clamam: \u201cAba, Pai\u201d; s\u00e3o tratados com piedade, protegidos, providos e corrigidos por ele, como por um Pai; nunca, por\u00e9m, abandonados, mas selados para o dia da reden\u00e7\u00e3o, e recebem as promessas como herdeiros da eterna salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 13<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Santifica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Os que s\u00e3o eficazmente chamados e regenerados, tendo sido criado neles um novo cora\u00e7\u00e3o e um novo Esp\u00edrito, s\u00e3o, al\u00e9m disso, santificados, real e pessoalmente, pela virtude da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, por sua Palavra e por seu Esp\u00edrito, que neles habita; o dom\u00ednio de todo o corpo do pecado \u00e9 destru\u00eddo, suas v\u00e1rias concupisc\u00eancias s\u00e3o mais e mais enfraquecidas e mortificadas, e eles s\u00e3o mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as gra\u00e7as salvadoras, para a pr\u00e1tica da verdadeira santidade sem a qual ningu\u00e9m ver\u00e1 o Senhor.<\/li>\n<li>Essa santifica\u00e7\u00e3o \u00e9 no homem todo, por\u00e9m imperfeita nesta vida; ainda subsistem, em todas as partes dele, restos da corrup\u00e7\u00e3o, e da\u00ed nasceu uma guerra cont\u00ednua e irreconcili\u00e1vel: a carne lutando contra o Esp\u00edrito, e o Esp\u00edrito contra a carne.<\/li>\n<li>Nessa guerra, embora prevale\u00e7am por algum tempo as corrup\u00e7\u00f5es que restam, contudo, pelo cont\u00ednuo socorro da efic\u00e1cia do santificador Esp\u00edrito de Cristo, a parte regenerada conquista a vit\u00f3ria e, assim, os santos crescem em gra\u00e7a, aperfei\u00e7oando sua santidade no temor de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 14<\/strong><\/p>\n<p><em>Da F\u00e9 Salvadora<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>A gra\u00e7a da f\u00e9, por meio da qual os eleitos s\u00e3o habilitados a crer para a salva\u00e7\u00e3o de suas almas, \u00e9 a obra que o Esp\u00edrito de Cristo faz nos cora\u00e7\u00f5es deles, e \u00e9 sempre operada pelo minist\u00e9rio da Palavra, por esse minist\u00e9rio, bem como pela administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos e pela ora\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 aumentada e fortalecida.<\/li>\n<li>Por essa f\u00e9, o crist\u00e3o, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua Palavra, cr\u00ea ser verdade tudo quanto nela \u00e9 revelado, e age em conformidade com aquilo que cada passagem cont\u00e9m em particular, prestando obedi\u00eancia aos mandamentos, temendo as amea\u00e7as e abra\u00e7ando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; por\u00e9m, os principais atos de f\u00e9 salvadora s\u00e3o: aceitar e receber Cristo e descansar s\u00f3 nele para a justifica\u00e7\u00e3o, a santifica\u00e7\u00e3o e a vida eterna, isso em virtude do pacto da gra\u00e7a.<\/li>\n<li>Essa f\u00e9 \u00e9 de diferentes graus: \u00e9 fraca ou forte, pode ser muitas vezes e de muitos modos assaltada e enfraquecida, mas sempre alcan\u00e7a a vit\u00f3ria, desenvolvendo-se em muitos at\u00e9 \u00e0 plena seguran\u00e7a em Cristo, que \u00e9 tanto o Autor como o Consumador da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 15<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Arrependimento para a Vida<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>O arrependimento para a vida \u00e9 uma gra\u00e7a evang\u00e9lica, doutrina que deve ser pregada por todo ministro do evangelho, tanto quanto a f\u00e9 de Cristo.<\/li>\n<li>Movido por reconhecimento e sentimento, n\u00e3o s\u00f3 do perigo, mas tamb\u00e9m da impureza e da odiosidade de seus pecados, como contr\u00e1rios \u00e0 santa natureza e justa lei de Deus, e se conscientizando da miseric\u00f3rdia divina manifesta em Cristo aos que s\u00e3o penitentes, o pecador, pelo arrependimento, de tal maneira sente e aborrece seus pecados que, deixando-os, se volta para Deus, tencionando e procurando andar com ele em todos os caminhos de seus mandamentos.<\/li>\n<li>Ainda que n\u00e3o devamos confiar no arrependimento como sendo de algum modo uma satisfa\u00e7\u00e3o pelo pecado, ou em qualquer sentido a causa do perd\u00e3o dele, o que \u00e9 ato da livre gra\u00e7a de Deus em Cristo, contudo ele \u00e9 de tal modo necess\u00e1rio aos pecadores que, sem ele, ningu\u00e9m poder\u00e1 esperar o perd\u00e3o.<\/li>\n<li>Assim como n\u00e3o h\u00e1 pecado t\u00e3o pequeno que n\u00e3o mere\u00e7a a condena\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 pecado t\u00e3o grande que possa trazer a condena\u00e7\u00e3o sobre os que se arrependem verdadeiramente.<\/li>\n<li>Os homens n\u00e3o devem contentar-se com um arrependimento geral, mas \u00e9 dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um de seus pecados.<\/li>\n<li>Assim como cada homem \u00e9 obrigado a fazer a Deus confiss\u00e3o particular de seus pecados pedindo-lhe o perd\u00e3o deles, e abandonando-os, achar\u00e1 miseric\u00f3rdia; tamb\u00e9m aquele que escandaliza o seu irm\u00e3o ou a Igreja de Cristo deve estar pronto, por meio de uma confiss\u00e3o particular ou p\u00fablica de seu pecado e do pesar que por ele sente, a declarar o seu arrependimento aos que est\u00e3o ofendidos; isso feito, estes devem reconciliar-se com o penitente e receb\u00ea-lo em amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 16<\/strong><\/p>\n<p><em>Das Boas Obras<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>As boas obras s\u00e3o somente aquelas que Deus ordena em sua santa Palavra, n\u00e3o as que, sem a autoridade dela, s\u00e3o aconselhadas pelos homens movidos por um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa inten\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Essas boas obras feitas em obedi\u00eancia aos mandamentos de Deus s\u00e3o o fruto e as evid\u00eancias de uma f\u00e9 viva e verdadeira; por elas, os crentes manifestam sua gratid\u00e3o, robustecem sua confian\u00e7a, edificam seus irm\u00e3os, adornam a profiss\u00e3o do evangelho, fecham a boca aos advers\u00e1rios e glorificam a Deus, de quem s\u00e3o feitura, criados em Jesus Cristo para isso mesmo, a fim de que, tendo seu fruto em santidade, tenham no final a vida eterna.<\/li>\n<li>A capacidade de fazer boas obras de modo algum prov\u00e9m dos crentes, mas inteiramente do Esp\u00edrito Santo para operar neles tanto o querer como o realizar segundo seu benepl\u00e1cito; contudo, n\u00e3o devem, por isso, tornar-se negligentes, como se n\u00e3o fossem obrigados a cumprir qualquer dever sen\u00e3o quando movidos especialmente pelo Esp\u00edrito; pelo contr\u00e1rio, devem esfor\u00e7ar-se por dinamizar a gra\u00e7a de Deus que neles est\u00e1.<\/li>\n<li>Os que alcan\u00e7am, pela sua obedi\u00eancia, a maior perfei\u00e7\u00e3o poss\u00edvel nesta vida est\u00e3o longe de exceder suas obriga\u00e7\u00f5es e fazer mais do que Deus requer, e s\u00e3o deficientes em muitos dos deveres obrigados a fazer.<\/li>\n<li>N\u00e3o podemos, pelas nossas melhores obras, merecer das m\u00e3os de Deus perd\u00e3o de pecado ou vida eterna, em raz\u00e3o da grande despropor\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre elas e a gl\u00f3ria por vir, e da infinita dist\u00e2ncia que existe entre n\u00f3s e Deus, a quem n\u00e3o podemos ser \u00fateis por meio delas, nem saldar a d\u00edvida dos nossos pecados anteriores; e porque, como boas, procedem de seu Esp\u00edrito; e, como nossas, s\u00e3o impuras e misturadas com tanta fraqueza e imperfei\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podemos suportar a severidade do ju\u00edzo de Deus; assim, depois que tivermos feito tudo quanto podemos, temos cumprido t\u00e3o somente o nosso dever, e somos servos in\u00fateis.<\/li>\n<li>N\u00e3o obstante, as pessoas dos crentes, como s\u00e3o aceitas por meio de Cristo, suas obras s\u00e3o tamb\u00e9m aceitas por ele, n\u00e3o como se fossem, nesta vida, inteiramente perfeitas e irrepreens\u00edveis \u00e0 vista de Deus, mas porque Deus, considerando-as em seu Filho, \u00e9 servido aceitar e recompensar aquilo que \u00e9 sincero, embora seja acompanhado de muitas fraquezas e imperfei\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>As obras feitas pelos n\u00e3o regenerados, embora sejam, quanto \u00e0 mat\u00e9ria, coisas que Deus ordena, e \u00fateis tanto a eles mesmos como aos outros, contudo, porque procedem de cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o purificados pela f\u00e9, n\u00e3o s\u00e3o feitas devidamente segundo a Palavra; nem para um fim justo a gl\u00f3ria \u00e9 de Deus; s\u00e3o, portanto, pecaminosas e n\u00e3o podem agradar a Deus, nem preparar o homem para receber a gra\u00e7a de Deus; n\u00e3o obstante, o fato de negligenci\u00e1-las \u00e9 ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 17<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Perseveran\u00e7a dos Santos<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Os que Deus aceitou em seu Amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Esp\u00edrito, n\u00e3o podem cair do estado de gra\u00e7a, nem total nem finalmente; mas, com toda a certeza, h\u00e3o de perseverar nesse estado at\u00e9 o fim, e estar\u00e3o eternamente salvos.<\/li>\n<li>Essa perseveran\u00e7a dos santos depende n\u00e3o do pr\u00f3prio livre-arb\u00edtrio deles, mas da imutabilidade do decreto da elei\u00e7\u00e3o, procedente do livre e imut\u00e1vel amor de Deus Pai, da efic\u00e1cia do m\u00e9rito e da intercess\u00e3o de Jesus Cristo, da perman\u00eancia do Esp\u00edrito e da semente de Deus neles, da natureza do pacto da gra\u00e7a e de tudo o que gera tamb\u00e9m sua exatid\u00e3o e infalibilidade.<\/li>\n<li>Eles, por\u00e9m, pelas tenta\u00e7\u00f5es de Satan\u00e1s e do mundo, pelo predom\u00ednio da corrup\u00e7\u00e3o restante deles e pela neglig\u00eancia dos meios de sua preserva\u00e7\u00e3o, podem cair em graves pecados e, por algum tempo, continuar neles; incorrem, assim, no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Esp\u00edrito e, em alguma medida, v\u00eam a ser privados de suas gra\u00e7as e confortos; t\u00eam seus cora\u00e7\u00f5es endurecidos, e suas consci\u00eancias, feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si ju\u00edzos temporais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 18<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Certeza da Gra\u00e7a e da Salva\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Ainda que os hip\u00f3critas e os demais n\u00e3o regenerados possam iludir-se em v\u00e3o com falsas esperan\u00e7as e com a carnal presun\u00e7\u00e3o de se acharem no favor de Deus e em estado de salva\u00e7\u00e3o, esperan\u00e7a essa que perecer\u00e1, contudo os que verdadeiramente creem no Senhor Jesus e o amam com sinceridade, procurando andar diante dele em toda a boa consci\u00eancia, podem nesta vida certificar-se de se achar em estado de gra\u00e7a, e podem regozijar-se na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus, esperan\u00e7a que jamais os envergonhar\u00e1.<\/li>\n<li>Essa certeza n\u00e3o \u00e9 uma simples persuas\u00e3o conjectural e prov\u00e1vel, fundada numa esperan\u00e7a falha, mas uma seguran\u00e7a infal\u00edvel da f\u00e9, fundada na divina verdade das promessas de salva\u00e7\u00e3o, na evid\u00eancia interna daquelas gra\u00e7as nas quais essas promessas s\u00e3o feitas, no testemunho do Esp\u00edrito de ado\u00e7\u00e3o que testifica com nosso esp\u00edrito que somos filhos de Deus, sendo esse Esp\u00edrito o penhor de nossa heran\u00e7a, e por meio de quem somos selados para o dia da reden\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Essa seguran\u00e7a infal\u00edvel n\u00e3o pertence de tal modo \u00e0 ess\u00eancia da f\u00e9 que um verdadeiro crente, antes de possu\u00ed-la n\u00e3o tenha de esperar muito e de lutar com muitas dificuldades; contudo, sendo pelo Esp\u00edrito capacitado a conhecer as coisas que lhe s\u00e3o livremente dadas por Deus, ele pode obt\u00ea-la sem revela\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, no devido uso dos meios comuns. \u00c9, pois, dever de cada um ser diligente e tornar certas sua voca\u00e7\u00e3o e elei\u00e7\u00e3o, a fim de que, por esse modo, seja seu cora\u00e7\u00e3o, no Esp\u00edrito Santo, dilatado em paz e em deleite, em amor e em gratid\u00e3o para com Deus, no vigor e na alegria, nos deveres da obedi\u00eancia, que s\u00e3o os frutos pr\u00f3prios desta seguran\u00e7a. Longe esteja isso de predispor os homens \u00e0 neglig\u00eancia.<\/li>\n<li>Os verdadeiros crentes podem ter, de diversas maneiras, a seguran\u00e7a de sua salva\u00e7\u00e3o abalada, diminu\u00edda e tornada intermitente, negligenciando a conserva\u00e7\u00e3o dela, caindo em algum pecado especial que fira a consci\u00eancia e entriste\u00e7a o Esp\u00edrito Santo, cedendo a fortes e repentinas tenta\u00e7\u00f5es, retirando Deus a luz de seu rosto e permitindo que andem em trevas e n\u00e3o tenham luz mesmo os que o temem; contudo, eles nunca ficam inteiramente privados daquela semente de Deus e da vida da f\u00e9, daquele amor a Cristo e aos irm\u00e3os, daquela sinceridade de cora\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia do dever; da\u00ed, a certeza da salva\u00e7\u00e3o poder\u00e1, no tempo pr\u00f3prio, ser restaurada pela opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, e por meio dessas b\u00ean\u00e7\u00e3os s\u00e3o sustentados para n\u00e3o ca\u00edrem em total desespero.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 19<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Lei de Deus<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Deus outorgou a Ad\u00e3o uma lei, como um pacto de obras. Por meio desse pacto, Deus o obrigou, bem como a toda a sua posteridade, a uma obedi\u00eancia pessoal, plena, exata e perp\u00e9tua; prometeu-lhe a vida, sob a condi\u00e7\u00e3o de ele cumprir a lei, e o amea\u00e7ou com a morte, caso a violasse, e dotou-o com poder e capacidade para guard\u00e1-la.<\/li>\n<li>Essa lei, depois da queda do homem, continua sendo uma perfeita regra de justi\u00e7a. Como tal, foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas t\u00e1buas de pedra; os primeiros quatro mandamentos cont\u00eam nossos deveres para com Deus; e os outros seis, os nossos deveres para com o homem.<\/li>\n<li>Al\u00e9m dessa lei, geralmente chamada lei moral, quis Deus dar ao seu povo Israel, considerado uma igreja sob sua tutela, leis cerimoniais que cont\u00eam diversas ordenan\u00e7as t\u00edpicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, suas gra\u00e7as, seus atos, seus sofrimentos e seus benef\u00edcios, e em parte representam v\u00e1rias instru\u00e7\u00f5es de deveres morais, est\u00e3o todas abolidas sob o Novo Testamento.<\/li>\n<li>A esse mesmo povo, considerado um corpo pol\u00edtico, Deus concedeu diversas leis judiciais que deixaram de vigorar quando o pa\u00eds daquele povo tamb\u00e9m deixou de existir, e que agora n\u00e3o obrigam a ningu\u00e9m al\u00e9m do que exige a sua equidade geral.<\/li>\n<li>A lei moral obriga a todos a prestar-lhe obedi\u00eancia para sempre, tanto as pessoas justificadas quanto as demais, e isto n\u00e3o somente por causa da mat\u00e9ria nela contida, mas tamb\u00e9m pelo respeito \u00e0 autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no evangelho, de modo algum desfaz esta obriga\u00e7\u00e3o, antes a reveste de maior vigor.<\/li>\n<li>Embora os verdadeiros crentes n\u00e3o estejam sob a lei como um pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados, contudo ela serve de grande proveito, tanto a eles, como aos demais. Como regra de vida, ela lhes informa da vontade de Deus e do dever que eles t\u00eam; os dirige e os obriga a andar conforme essa vontade; descobre-lhes tamb\u00e9m as pecaminosas polu\u00e7\u00f5es de sua natureza, de seus cora\u00e7\u00f5es e de suas vidas, de maneira que, examinando-se por meio dela, alcan\u00e7am mais profunda convic\u00e7\u00e3o de pecado, maior<\/li>\n<\/ol>\n<p>humilha\u00e7\u00e3o por causa dele e maior avers\u00e3o a ele, ao mesmo tempo lhes d\u00e1 mais clara vis\u00e3o da necessidade que t\u00eam de Cristo e da perfeita obedi\u00eancia a ele devida. Ela \u00e9 tamb\u00e9m de utilidade aos regenerados a fim de conter a sua corrup\u00e7\u00e3o, pois pro\u00edbe o pecado; as suas amea\u00e7as servem para mostrar o que merecem os seus pecados; e quais as afli\u00e7\u00f5es que por causa dele devem esperar nesta vida, ainda que estejam livres da maldi\u00e7\u00e3o amea\u00e7ada na lei. Do mesmo modo, as suas promessas mostram que Deus aprova a obedi\u00eancia deles, e que b\u00ean\u00e7\u00e3os podem esperar dessa obedi\u00eancia, ainda que essas b\u00ean\u00e7\u00e3os n\u00e3o lhes sejam devidas pela lei considerada pacto de obras, assim como fazer um homem o bem ou evitar ele o mal, s\u00f3 porque a lei estimula aquilo e pro\u00edbe isto, n\u00e3o prova estar ele sob a lei e n\u00e3o sob a gra\u00e7a.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Os supracitados usos da lei n\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 gra\u00e7a do evangelho, mas suavemente se harmonizam com ela, pois o Esp\u00edrito de Cristo submete e capacita a vontade do homem a fazer livre e alegremente aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, exige que se fa\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 20<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Liberdade Crist\u00e3 e da Liberdade de Consci\u00eancia<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>A liberdade que Cristo, sob o evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos da culpa do pecado, da ira condenat\u00f3ria de Deus, da maldi\u00e7\u00e3o da lei moral; em serem libertos deste presente mundo \u00edmpio, do cativeiro de Satan\u00e1s, do dom\u00ednio do pecado, da nocividade das afli\u00e7\u00f5es, do aguilh\u00e3o da morte, da vit\u00f3ria da sepultura e da condena\u00e7\u00e3o eterna; como tamb\u00e9m em terem eles livre acesso a Deus, em lhe prestarem obedi\u00eancia, n\u00e3o movidos de um medo servil, mas de amor filial e de esp\u00edrito volunt\u00e1rio. Todos esses privil\u00e9gios eram comuns tamb\u00e9m aos crentes sob a lei; mas, sob o Novo Testamento, a liberdade dos crist\u00e3os est\u00e1 mais ampliada, achando-se eles livres do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a igreja judaica, e tendo mais outras ousadias no acesso ao trono da gra\u00e7a e mais plenas comunica\u00e7\u00f5es do gracioso Esp\u00edrito de Deus, do que normalmente alcan\u00e7avam os crentes sob a lei.<\/li>\n<li>S\u00f3 Deus \u00e9 Senhor da consci\u00eancia, e a deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que, em qualquer coisa, sejam contr\u00e1rios \u00e0 sua Palavra, ou que, em mat\u00e9ria de f\u00e9 ou de culto, estejam fora dela. Assim, crer em tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos, por motivo de consci\u00eancia, \u00e9 trair a verdadeira liberdade de consci\u00eancia; e requerer para eles f\u00e9 impl\u00edcita e obedi\u00eancia cega e absoluta, \u00e9 destruir a liberdade de consci\u00eancia e a pr\u00f3pria raz\u00e3o.<\/li>\n<li>Aqueles que, sob o pretexto de liberdade crist\u00e3, cometem qualquer pecado ou toleram qualquer concupisc\u00eancia, destroem, por isso mesmo, o fim da liberdade crist\u00e3; pelo contr\u00e1rio, sendo livres das m\u00e3os de nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justi\u00e7a, diante dele, todos os dias de nossa vida.<\/li>\n<li>Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou n\u00e3o foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem \u00e0 ordenan\u00e7a de Deus os que, sob pretexto de liberdade crist\u00e3, se op\u00f5em a qualquer poder leg\u00edtimo, civil ou religioso, ou ao exerc\u00edcio dele. Se publicarem opini\u00f5es ou mantiverem pr\u00e1ticas contr\u00e1rias \u00e0 luz da natureza ou aos reconhecidos princ\u00edpios do cristianismo concernentes \u00e0 f\u00e9, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opini\u00f5es, ou mantiverem pr\u00e1ticas contr\u00e1rias ao poder da piedade, ou que, por sua pr\u00f3pria natureza ou pelo modo de public\u00e1-las e mant\u00ea-las, s\u00e3o destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem legalmente ser processados e visitados com as censuras da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 21<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Culto Religioso e do Domingo<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>A luz da natureza mostra que h\u00e1 um Deus, que tem dom\u00ednio e soberania sobre tudo, que \u00e9 bom e faz o bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o cora\u00e7\u00e3o, de toda a alma e de toda a for\u00e7a; mas, o modo aceit\u00e1vel de adorar o verdadeiro Deus \u00e9 institu\u00eddo por ele mesmo, e \u00e9 t\u00e3o limitado pela sua pr\u00f3pria vontade<\/li>\n<\/ol>\n<p>revelada que ele n\u00e3o pode ser adorado segundo as imagina\u00e7\u00f5es e inven\u00e7\u00f5es dos homens ou sugest\u00f5es de Satan\u00e1s, nem sob qualquer representa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel, ou de qualquer outro modo n\u00e3o prescrito nas Sagradas Escrituras.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo e s\u00f3 a ele; n\u00e3o deve ser prestado nem aos anjos nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem deve depois da queda ser prestado a Deus pela media\u00e7\u00e3o de qualquer outro, sen\u00e3o unicamente a de Cristo.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o, com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, sendo uma parte especial do culto religioso, \u00e9 por Deus exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em nome do Filho, pelo aux\u00edlio de seu Esp\u00edrito, segundo a sua vontade, e isto com intelig\u00eancia, rever\u00eancia, humildade, fervor, f\u00e9, amor e perseveran\u00e7a. Se for em voz alta, deve ser proferida em uma l\u00edngua conhecida dos presentes.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o deve ser feita por coisas l\u00edcitas e por todas as classes de homens que existem atualmente ou que existir\u00e3o no futuro; mas n\u00e3o deve ser feita em favor dos mortos, nem em favor daqueles que se saiba terem cometido o pecado para a morte.<\/li>\n<li>A leitura das Escrituras, com santo temor, a s\u00e3 prega\u00e7\u00e3o da Palavra e a consciente aten\u00e7\u00e3o a ela, em obedi\u00eancia a Deus, com entendimento, f\u00e9 e rever\u00eancia, o c\u00e2ntico de salmos, com gratid\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o bem como a devida administra\u00e7\u00e3o e digna recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos institu\u00eddos por Cristo s\u00e3o partes do culto comum oferecido a Deus, al\u00e9m dos juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7a em ocasi\u00f5es especiais, os quais, em seus v\u00e1rios tempos e ocasi\u00f5es pr\u00f3prias, devem ser usados de um modo santo e religioso.<\/li>\n<li>Agora, sob o evangelho, nem a ora\u00e7\u00e3o, nem qualquer outro ato do culto religioso \u00e9 restrito a certo lugar, nem se torna mais aceit\u00e1vel por causa do lugar em que se ofere\u00e7a ou para o qual se dirija; mas Deus deve ser adorado em todo lugar, em Esp\u00edrito e em verdade, tanto em fam\u00edlia, diariamente, e em secreto, estando cada um sozinho, como tamb\u00e9m, mais solenemente, em assembleias p\u00fablicas, que n\u00e3o devem ser descuidadas, nem voluntariamente negligenciadas ou desprezadas, sempre que Deus, pela sua provid\u00eancia, proporcione ocasi\u00e3o.<\/li>\n<li>Como \u00e9 lei da natureza que, em geral, uma devida propor\u00e7\u00e3o de tempo seja destinada ao culto de Deus, assim tamb\u00e9m, em sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perp\u00e9tuo, preceito que obriga a todos os homens, em todas as \u00e9pocas, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um s\u00e1bado (= descanso) santificado por ele; desde o princ\u00edpio do mundo, at\u00e9 \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, esse dia foi o \u00faltimo dia da semana; e desde a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que nas Escrituras \u00e9 chamado dia do Senhor (= domingo), e que h\u00e1 de continuar at\u00e9 o fim do mundo como o s\u00e1bado crist\u00e3o.<\/li>\n<li>Este s\u00e1bado \u00e9 santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus cora\u00e7\u00f5es e de antem\u00e3o ordenado os seus neg\u00f3cios comuns, n\u00e3o s\u00f3 guardam, durante todo o dia um santo descanso das suas obras, palavras e pensamentos a respeito de seus empregos seculares e de suas recrea\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m ocupam todo o tempo em exerc\u00edcios p\u00fablicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e de miseric\u00f3rdia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 22<\/strong><\/p>\n<p><em>Dos Juramentos Legais e dos Votos<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>O juramento legal \u00e9 uma parte do culto religioso em que o crente, em ocasi\u00f5es pr\u00f3prias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus a fim de ser julgado por ele, segundo a verdade ou a falsidade do que jura.<\/li>\n<li>O \u00fanico nome pelo qual se deve jurar \u00e9 o nome de Deus, nome que se pronunciar\u00e1 com todo o santo temor e rever\u00eancia; jurar, pois, falsa ou temerariamente por este glorioso e tremendo nome, ou jurar por qualquer outra coisa \u00e9 pecaminoso e abomin\u00e1vel. Contudo, como em assuntos de gravidade e import\u00e2ncia, o juramento \u00e9 autorizado pela Palavra de Deus, tanto sob o Novo Testamento quanto sob o Antigo Testamento, o juramento, sendo exigido pela autoridade legal, deve ser prestado com rever\u00eancia a tais assuntos.<\/li>\n<li>Quem vai prestar um juramento deve considerar refletidamente a gravidade de um ato t\u00e3o solene, e nada afirmar sen\u00e3o do que esteja plenamente persuadido ser a verdade. Ningu\u00e9m deve obrigar-se por juramento a qualquer coisa que seja ou que acredite ser boa e justa e por aquilo que pode e est\u00e1 resolvido a cumprir. \u00c9, por\u00e9m, pecado recusar prestar juramento concernente a qualquer coisa justa e boa, sendo exigido pela autoridade legal.<\/li>\n<li>O juramento deve ser prestado conforme o sentido comum e claro das palavras, sem equ\u00edvoco ou reserva mental. N\u00e3o pode obrigar a pecar; mas, sendo prestado com refer\u00eancia a qualquer coisa n\u00e3o pecaminosa, obriga ao cumprimento, mesmo com preju\u00edzo de quem jura. N\u00e3o deve ser violado, ainda que feito a hereges ou a infi\u00e9is.<\/li>\n<li>O voto \u00e9 da mesma natureza que o juramento promiss\u00f3rio; deve ser feito com o mesmo cuidado religioso e cumprido com igual fidelidade.<\/li>\n<li>O voto n\u00e3o deve ser feito a criatura alguma, mas s\u00f3 a Deus; para que seja aceit\u00e1vel, deve ser feito voluntariamente, com f\u00e9 e consci\u00eancia de dever, em reconhecimento de miseric\u00f3rdias recebidas ou para obter o que desejamos. Pelo voto obrigamo-nos mais restritamente aos deveres necess\u00e1rios ou a outras coisas, at\u00e9 onde ou quando elas conduzirem a esses deveres.<\/li>\n<li>Ningu\u00e9m deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na Palavra de Deus, ou que impe\u00e7a o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem o que n\u00e3o est\u00e1 em seu poder cumprir e para cuja execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha promessa ou compet\u00eancia da parte de Deus; por isso, os votos mon\u00e1sticos, que os papistas fazem, do celibato perp\u00e9tuo, da pobreza volunt\u00e1ria e da obedi\u00eancia regular, em vez de serem graus de maior perfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o passam de la\u00e7os supersticiosos e in\u00edquos com os quais nenhum crist\u00e3o deve embara\u00e7ar-se.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 23<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Magistrado Civil<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Deus, o Senhor supremo e Rei de todo o mundo, para a sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria e para o bem p\u00fablico, constituiu sobre o povo magistrados civis, a ele sujeitos, e para este fim os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.<\/li>\n<li>Aos crist\u00e3os \u00e9 l\u00edcito aceitar e exercer o of\u00edcio de magistrado, sendo para ele chamados; e em sua administra\u00e7\u00e3o, como devem especialmente manter a piedade, a justi\u00e7a e a paz, segundo as leis salutares de cada estado, eles, sob a dispensa\u00e7\u00e3o do Novo Testamento, para esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasi\u00f5es justas e necess\u00e1rias.<\/li>\n<li>Os magistrados civis n\u00e3o podem tomar sobre si a administra\u00e7\u00e3o da Palavra e dos Sacramentos, ou o poder das chaves do Reino do C\u00e9u, nem de modo algum interferir em mat\u00e9ria de f\u00e9; contudo, como pais sol\u00edcitos, t\u00eam o dever de proteger a igreja de nosso comum Senhor, sem dar prefer\u00eancia a qualquer denomina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 acima das outras, de tal maneira que todos os eclesi\u00e1sticos, sem distin\u00e7\u00e3o, gozem plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas fun\u00e7\u00f5es, sem viol\u00eancia ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua igreja um governo regular e uma disciplina, nenhuma lei de qualquer estado deve interferir, impedir, ou embara\u00e7ar o seu devido exerc\u00edcio entre os membros volunt\u00e1rios de qualquer denomina\u00e7\u00e3o crist\u00e3, segundo a profiss\u00e3o e cren\u00e7a de cada uma. E \u00e9 dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de todos os que lhe s\u00e3o relacionados, de modo que a ningu\u00e9m seja permitido, sob pretexto de religi\u00e3o ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar a quem quer que seja; e bem assim tomar provid\u00eancias para que todas as assembleias religiosas e eclesi\u00e1sticas possam reunir-se sem serem perturbadas ou molestadas.<\/li>\n<li>\u00c9 dever do povo orar pelos magistrados, honr\u00e1-los, pagar-lhes tributos e outros impostos, obedecer \u00e0s suas ordens legais e sujeitar-se \u00e0 sua autoridade, e tudo isto por dever de consci\u00eancia. Incredulidade ou indiferen\u00e7a em quest\u00e3o de religi\u00e3o n\u00e3o invalida a justa autoridade do magistrado, nem isenta o povo da obedi\u00eancia que lhe deve, obedi\u00eancia essa da qual n\u00e3o est\u00e3o exclu\u00eddos os eclesi\u00e1sticos. O papa n\u00e3o tem nenhum poder ou jurisdi\u00e7\u00e3o sobre os magistrados dentro dos dom\u00ednios deles, ou sobre qualquer um de seu povo; e muito menos tem o poder de priv\u00e1-los de seus dom\u00ednios ou de suas vidas por julg\u00e1-los hereges ou sob qualquer outro pretexto.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 24<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Matrim\u00f4nio e do Div\u00f3rcio<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito ter mais de uma esposa, nem \u00e0 mulher, mais de um marido ao mesmo tempo.<\/li>\n<li>O matrim\u00f4nio foi ordenado para o aux\u00edlio m\u00fatuo de marido e esposa, para a propaga\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana por uma sucess\u00e3o leg\u00edtima, e da Igreja por uma semente santa, bem como para se evitar a impureza.<\/li>\n<li>A todos os que s\u00e3o capazes de dar um consentimento ajuizado, \u00e9 l\u00edcito casar-se, mas \u00e9 dever dos crist\u00e3os casar-se somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religi\u00e3o reformada n\u00e3o devem casar-se com infi\u00e9is, papistas ou outros id\u00f3latras; nem devem os piedosos prender-se a jugo desigual por meio do casamento com os que s\u00e3o notoriamente \u00edmpios em suas vidas, ou que mant\u00eam heresias perniciosas.<\/li>\n<li>N\u00e3o devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consanguinidade ou afinidade proibidos na Palavra de Deus; tais casamentos incestuosos jamais poder\u00e3o tornar-se l\u00edcitos pelas leis humanas ou pelo consentimento das partes, de modo a poderem viver juntas como marido e esposa.<\/li>\n<li>O adult\u00e9rio ou a fornica\u00e7\u00e3o cometidos depois de um contrato, sendo descobertos antes do casamento, d\u00e3o \u00e0 parte inocente justo motivo para dissolver o contrato; no caso de adult\u00e9rio depois do casamento, \u00e0 parte inocente \u00e9 l\u00edcito propor div\u00f3rcio, e, depois de obter o div\u00f3rcio, casar-se com outrem, como se a parte infiel fosse morta.<\/li>\n<li>Visto que a corrup\u00e7\u00e3o do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrim\u00f4nio, contudo nada, sen\u00e3o o adult\u00e9rio, \u00e9 causa suficiente para dissolver os la\u00e7os do matrim\u00f4nio, a n\u00e3o ser que haja deser\u00e7\u00e3o t\u00e3o obstinada que n\u00e3o possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil. Para a dissolu\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio, \u00e9 necess\u00e1rio haver um processo p\u00fablico e regular, n\u00e3o se devendo deixar ao arb\u00edtrio e \u00e0 discri\u00e7\u00e3o das partes o decidir em seu pr\u00f3prio caso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 25<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Igreja<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>A Igreja Cat\u00f3lica ou Universal, que \u00e9 invis\u00edvel, consiste no n\u00famero total dos eleitos que j\u00e1 foram, dos que agora s\u00e3o e dos que ainda ser\u00e3o reunidos em um s\u00f3 corpo, sob Cristo, seu Cabe\u00e7a; ela \u00e9 a esposa, o corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todas as coisas.<\/li>\n<li>A Igreja vis\u00edvel, que tamb\u00e9m \u00e9 cat\u00f3lica ou universal, sob o evangelho (n\u00e3o sendo restrita a uma na\u00e7\u00e3o, como antes sob a Lei), consiste em todos aqueles que, pelo mundo inteiro, professam a verdadeira religi\u00e3o, juntamente com seus Filhos; \u00e9 o Reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e fam\u00edlia de Deus, fora da qual n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>\u00c0 Igreja Cat\u00f3lica vis\u00edvel, Cristo deu o minist\u00e9rio, os or\u00e1culos e as ordenan\u00e7as de Deus, para a congrega\u00e7\u00e3o e o aperfei\u00e7oamento dos santos, nesta vida, at\u00e9 ao fim do mundo, e pela sua pr\u00f3pria presen\u00e7a e pelo seu Esp\u00edrito os torna eficientes para esse fim, segundo sua promessa.<\/li>\n<li>Essa Igreja Cat\u00f3lica tem sido ora mais, ora menos vis\u00edvel. As igrejas particulares, que s\u00e3o membros dela, s\u00e3o mais puras ou menos puras conforme nelas \u00e9, com mais ou menos pureza, ensinado e abra\u00e7ado o evangelho, administradas as ordenan\u00e7as e celebrado o culto p\u00fablico.<\/li>\n<li>As igrejas mais puras debaixo do c\u00e9u est\u00e3o sujeitas \u00e0 mistura e ao erro; algumas t\u00eam-se degenerado a ponto de n\u00e3o mais serem igrejas de Cristo, e, sim, sinagogas de Satan\u00e1s; n\u00e3o obstante, haver\u00e1 sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele.<\/li>\n<li>N\u00e3o h\u00e1 outro Cabe\u00e7a da Igreja sen\u00e3o o Senhor Jesus Cristo. Em sentido algum pode ser o papa de Roma seu cabe\u00e7a, sen\u00e3o que ele \u00e9 aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdi\u00e7\u00e3o que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 26<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Comunh\u00e3o dos Santos<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Todos os santos que, pelo Esp\u00edrito de Deus e pela f\u00e9, est\u00e3o unidos a Jesus Cristo, seu Cabe\u00e7a, t\u00eam comunh\u00e3o com ele em suas gra\u00e7as, em seus sofrimentos, em sua morte, em sua ressurrei\u00e7\u00e3o e em sua gl\u00f3ria, e, estando unidos uns ao outros em amor, participam dos mesmos dons e gra\u00e7as, e est\u00e3o obrigados ao cumprimento dos deveres p\u00fablicos e particulares que contribuem para seu m\u00fatuo proveito, tanto no homem interior como no exterior.<\/li>\n<li>Os santos s\u00e3o, pela profiss\u00e3o de f\u00e9, obrigados a manter uma santa sociedade e comunh\u00e3o no culto de Deus e na realiza\u00e7\u00e3o de outros servi\u00e7os espirituais que contribuem para a sua m\u00fatua edifica\u00e7\u00e3o, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo suas v\u00e1rias habilidades e necessidades; essa comunh\u00e3o, conforme Deus oferecer ocasi\u00e3o, deve estender-se a todos aqueles que, em todo lugar, invocam o nome do Senhor Jesus.<\/li>\n<li>Essa comunh\u00e3o que os santos t\u00eam com Cristo n\u00e3o os torna de modo algum participantes da subst\u00e2ncia de sua divindade, nem iguais a Cristo em qualquer sentido; afirmar uma ou outra coisa \u00e9 \u00edmpio e blasfemo. A comunh\u00e3o que os santos mant\u00eam entre si n\u00e3o destr\u00f3i nem de modo algum enfraquece o t\u00edtulo ou dom\u00ednio que cada homem tenha sobre os seus bens e posses.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 27<\/strong><\/p>\n<p><em>Dos Sacramentos<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Os sacramentos s\u00e3o santos sinais e selos do pacto da gra\u00e7a, imediatamente institu\u00eddos por Deus para representar Cristo e seus benef\u00edcios, e confirmar o nosso interesse nele, bem como fazer uma diferen\u00e7a vis\u00edvel entre os que pertencem \u00e0 Igreja e o restante do mundo, e solenemente compromet\u00ea-los no servi\u00e7o de Deus em Cristo, segundo a sua Palavra.<\/li>\n<li>H\u00e1 em cada sacramento uma rela\u00e7\u00e3o espiritual ou uma uni\u00e3o sacramental entre o sinal e a coisa significada; por isso, os nomes e efeitos de um s\u00e3o atribu\u00eddos ao outro.<\/li>\n<li>A gra\u00e7a revelada nos sacramentos, ou por meio deles, quando devidamente usados, n\u00e3o \u00e9 conferida por qualquer poder neles existente; nem a efic\u00e1cia de um sacramento depende da piedade ou da inten\u00e7\u00e3o de quem o administra, mas da obra do Esp\u00edrito e da palavra da institui\u00e7\u00e3o, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o seu uso, cont\u00e9m uma promessa de benef\u00edcio aos que dignamente o recebem.<\/li>\n<li>H\u00e1 apenas dois sacramentos ordenados por Cristo, nosso Senhor, no evangelho: o Batismo e a Ceia do Senhor, nenhum dos quais pode ser administrado sen\u00e3o por um ministro da Palavra, legalmente ordenado.<\/li>\n<li>Os sacramentos do Antigo Testamento, quanto \u00e0s coisas espirituais por eles significadas e representadas, eram, em subst\u00e2ncia, os mesmos que os do Novo Testamento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 28<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Batismo<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>O Batismo \u00e9 um sacramento do Novo Testamento, institu\u00eddo por Jesus Cristo n\u00e3o s\u00f3 para, solenemente, admitir na Igreja vis\u00edvel a pessoa batizada, mas tamb\u00e9m para lhe servir de sinal e selo do pacto da gra\u00e7a, de sua uni\u00e3o com Cristo, de sua regenera\u00e7\u00e3o, da remiss\u00e3o dos pecados e tamb\u00e9m de sua consagra\u00e7\u00e3o a Deus, por meio de Jesus Cristo, a fim de andar em novidade de vida. Esse sacramento, segundo a ordena\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo, h\u00e1 de continuar em sua Igreja at\u00e9 ao final do mundo.<\/li>\n<li>O elemento exterior, usado neste sacramento \u00e9 a \u00e1gua, com a qual a pessoa \u00e9 batizada em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, por um ministro do evangelho, legalmente ordenado.<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio imergir o candidato na \u00e1gua, mas o batismo \u00e9 corretamente administrado derramando-se ou aspergindo-se \u00e1gua sobre a pessoa.<\/li>\n<li>N\u00e3o s\u00f3 os que de fato professam sua f\u00e9 em Cristo e obedi\u00eancia a ele, mas tamb\u00e9m os filhos de pais crentes (ainda que s\u00f3 um deles o seja), devem ser batizados.<\/li>\n<li>Visto tratar-se de grande pecado menosprezar ou negligenciar essa ordenan\u00e7a, contudo a gra\u00e7a e a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se acham t\u00e3o inseparavelmente ligadas a ela que, sem ela, uma pessoa n\u00e3o possa ser regenerada e salva, ou que todos os que s\u00e3o batizados sejam indubitavelmente regenerados.<\/li>\n<li>A efic\u00e1cia do batismo n\u00e3o se limita ao momento em que \u00e9 administrado; contudo, pelo devido uso dessa ordenan\u00e7a, a gra\u00e7a prometida \u00e9 n\u00e3o somente oferecida, mas tamb\u00e9m realmente manifestada e conferida pelo Esp\u00edrito Santo \u00e0queles a quem ela pertence (adultos ou crian\u00e7as), segundo o conselho da pr\u00f3pria vontade de Deus em seu tempo determinado.<\/li>\n<li>O sacramento do batismo deve ser administrado uma s\u00f3 vez a uma mesma pessoa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 29<\/strong><\/p>\n<p><em>Da Ceia do Senhor<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Na noite em que foi tra\u00eddo, nosso Senhor Jesus instituiu o sacramento de seu corpo e de seu sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua igreja at\u00e9 o fim do mundo, para ser uma lembran\u00e7a perp\u00e9tua do sacrif\u00edcio que em sua morte ele fez de si mesmo; para selar, aos verdadeiros crentes, todos os benef\u00edcios provenientes desse sacrif\u00edcio para o seu nutrimento espiritual e crescimento nele, e seu compromisso de cumprir todos os seus deveres para com ele, e ser um v\u00ednculo e penhor de sua comunh\u00e3o com ele e uns com os outros, como membros de seu corpo m\u00edstico.<\/li>\n<li>Nesse sacramento, Cristo n\u00e3o \u00e9 oferecido a seu Pai, nem de modo algum se faz um sacrif\u00edcio real para remiss\u00e3o de pecados dos vivos ou dos mortos, mas apenas se faz uma comemora\u00e7\u00e3o daquela \u00fanica oferenda que ele fez de si mesmo na cruz, uma vez por todas, e, por meio dela, uma obla\u00e7\u00e3o espiritual de todo o louvor poss\u00edvel a Deus; assim, o chamado sacrif\u00edcio papal da missa, como \u00e9 chamado, \u00e9 sobremodo ofensivo ao \u00fanico sacrif\u00edcio de Cristo, o qual \u00e9 a \u00fanica propicia\u00e7\u00e3o por todos os pecados dos eleitos.<\/li>\n<li>Nessa ordenan\u00e7a, o Senhor Jesus constituiu seus ministros para declarar ao povo a sua palavra de institui\u00e7\u00e3o, orar, aben\u00e7oar os elementos, p\u00e3o e vinho, e assim separ\u00e1-los do uso comum para um uso sagrado; para tomar e partir o p\u00e3o, tomar o c\u00e1lice, dele participando tamb\u00e9m, e dar ambos os elementos aos comungantes, e t\u00e3o somente aos que se acharem presentes na congrega\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>A missa particular ou recep\u00e7\u00e3o do sacramento por um s\u00f3 sacerdote ou por uma s\u00f3 pessoa, bem como a nega\u00e7\u00e3o do c\u00e1lice ao povo, a adora\u00e7\u00e3o dos elementos, a eleva\u00e7\u00e3o ou prociss\u00e3o para serem adorados, e sua conserva\u00e7\u00e3o para qualquer pretenso uso religioso, s\u00e3o coisas contr\u00e1rias \u00e0 natureza desse sacramento e \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/li>\n<li>Os elementos exteriores desse sacramento, devidamente consagrados ao uso ordenado por Cristo, t\u00eam tal rela\u00e7\u00e3o com o Cristo crucificado que, verdadeiramente, embora s\u00f3 num sentido sacramental, s\u00e3o \u00e0s vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo; se bem que, em subst\u00e2ncia e natureza, conservam-se verdadeira e somente p\u00e3o e vinho, como eram antes.<\/li>\n<li>A doutrina geralmente chamada transubstancia\u00e7\u00e3o, que ensina a mudan\u00e7a da subst\u00e2ncia do p\u00e3o e do vinho na subst\u00e2ncia do corpo e do sangue de Cristo, mediante a consagra\u00e7\u00e3o por um sacerdote ou por qualquer outro meio, \u00e9 algo repugnante n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 vista das Escrituras, mas tamb\u00e9m ao senso comum e \u00e0 raz\u00e3o; destr\u00f3i a natureza do sacramento e tem sido a causa de muitas supersti\u00e7\u00f5es e at\u00e9 de grosseira idolatria.<\/li>\n<li>Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos vis\u00edveis desse sacramento, tamb\u00e9m recebem intimamente, pela f\u00e9, o Cristo crucificado, e todos os benef\u00edcios de sua morte, e deles se alimentam, n\u00e3o carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente; n\u00e3o estando o corpo e o sangue de Cristo, corporal ou carnalmente nos elementos, p\u00e3o e vinho, nem com eles ou sob eles, mas est\u00e3o, espiritual e realmente, presentes \u00e0 f\u00e9 dos crentes nessa ordenan\u00e7a, como est\u00e3o os pr\u00f3prios elementos em rela\u00e7\u00e3o a seus sentidos corporais.<\/li>\n<li>Ainda que os ignorantes e os \u00edmpios recebam os elementos vis\u00edveis deste sacramento, todavia n\u00e3o recebem a coisa por eles significada, mas pela sua indigna participa\u00e7\u00e3o tornam-se r\u00e9us do corpo e do sangue do Senhor, para sua pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o. Portanto, todos estes, como s\u00e3o indignos de gozar comunh\u00e3o com o Senhor, s\u00e3o tamb\u00e9m indignos da sua mesa e n\u00e3o podem, sem grande pecado contra Cristo, participar desses santos mist\u00e9rios nem a eles ser admitidos, enquanto permanecerem nesse estado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 30<\/strong><\/p>\n<p><em>Das Censuras Eclesi\u00e1sticas<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>O Senhor Jesus, como Rei e Cabe\u00e7a de sua Igreja, nela instituiu um governo nas m\u00e3os dos oficiais dela, governo distinto da magistratura civil.<\/li>\n<li>A esses oficiais, est\u00e3o entregues as chaves do Reino do C\u00e9u. Em virtude disso, eles t\u00eam, respectivamente, o poder de reter ou de cancelar pecados; de fechar esse reino a impenitentes, tanto pela Palavra como pelas censuras; de abri-lo aos pecadores penitentes, pelo minist\u00e9rio do evangelho e pela absolvi\u00e7\u00e3o das censuras, quando as circunst\u00e2ncias o exigirem.<\/li>\n<li>As censuras eclesi\u00e1sticas s\u00e3o necess\u00e1rias para chamar e ganhar (para Cristo) os irm\u00e3os transgressores, a fim de impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para lan\u00e7ar fora o velho fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa profiss\u00e3o do evangelho, e para evitar a ira de Deus, a qual, com justi\u00e7a, poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e seus elos fossem profanados por ofensores not\u00f3rios e obstinados.<\/li>\n<li>Para a melhor obten\u00e7\u00e3o desses fins, os oficiais da igreja devem proceder dentro da seguinte ordem, segundo a natureza do crime e dem\u00e9rito da pessoa: repreens\u00e3o, suspens\u00e3o do sacramento da Ceia do Senhor por algum tempo e exclus\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 31<\/strong><\/p>\n<p><em>Dos S\u00ednodos e Conc\u00edlios<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Para melhor governo e maior edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, dever\u00e1 haver as assembleias chamadas s\u00ednodos ou conc\u00edlios. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para destrui\u00e7\u00e3o, cabe aos pastores e aos outros presb\u00edteros das igrejas particulares criar tais assembleias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem \u00fatil para o bem da Igreja.<\/li>\n<li>Aos s\u00ednodos e conc\u00edlios, compete decidir, ministerialmente, controv\u00e9rsias quanto \u00e0 f\u00e9 e aos casos de consci\u00eancia; determinar regras e disposi\u00e7\u00f5es para a melhor dire\u00e7\u00e3o do culto p\u00fablico de Deus e governo de sua Igreja; receber queixas em casos de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o e com autoridade decidi-las. Seus decretos e decis\u00f5es, sendo consoantes com a Palavra de Deus, devem ser recebidos com rever\u00eancia e submiss\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pela sintonia com a Palavra, mas tamb\u00e9m pela autoridade atrav\u00e9s da qual s\u00e3o feitos, visto que essa autoridade \u00e9 uma ordena\u00e7\u00e3o de Deus, designada para isso em sua Palavra.<\/li>\n<li>Todos os s\u00ednodos e conc\u00edlios, desde os tempos dos ap\u00f3stolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos t\u00eam errado; eles, portanto, n\u00e3o devem constituir regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica, mas podem ser usados como aux\u00edlio em uma e outra coisa.<\/li>\n<li>Os s\u00ednodos e conc\u00edlios n\u00e3o devem discutir coisa alguma que n\u00e3o seja eclesi\u00e1stica; n\u00e3o devem imiscuir-se nos neg\u00f3cios civis do estado, a n\u00e3o ser por humilde peti\u00e7\u00e3o em casos extraordin\u00e1rios, ou por conselhos, em satisfa\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, se o magistrado civil os convidar a faz\u00ea-lo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 32<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Estado do Homem Depois da Morte e da Ressurrei\u00e7\u00e3o dos Mortos<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Os corpos dos homens, depois da morte, voltam ao p\u00f3 e veem a corrup\u00e7\u00e3o; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), possuindo uma subst\u00e2ncia imortal, voltam imediatamente para Deus, que as deu. As almas dos justos, sendo ent\u00e3o aperfei\u00e7oadas em santidade, s\u00e3o recebidas no mais alto dos c\u00e9us onde contemplam a face de Deus em luz e gl\u00f3ria, esperando a plena reden\u00e7\u00e3o de seus corpos; e as almas dos \u00edmpios s\u00e3o lan\u00e7adas no inferno, onde permanecer\u00e3o em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o ju\u00edzo do grande dia. Al\u00e9m destes dois lugares destinados \u00e0s almas separadas de seus respectivos corpos, as Escrituras n\u00e3o reconhecem nenhum outro lugar.<\/li>\n<li>No \u00faltimo dia, os que estiverem vivos n\u00e3o morrer\u00e3o, mas ser\u00e3o transformados; todos os mortos ser\u00e3o ressuscitados com os seus pr\u00f3prios corpos, e n\u00e3o outros, embora com qualidades diferentes, e se unir\u00e3o novamente \u00e0s suas almas, para sempre.<\/li>\n<li>Os corpos dos injustos ser\u00e3o, pelo poder de Cristo, ressuscitados para a desonra; os corpos dos justos ser\u00e3o, por seu Esp\u00edrito, ressuscitados para a honra e para se assemelhar ao pr\u00f3prio corpo glorioso de Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 33<\/strong><\/p>\n<p><em>Do Ju\u00edzo Final<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Deus j\u00e1 determinou um dia no qual, com justi\u00e7a, h\u00e1 de julgar o mundo por meio de Jesus Cristo a quem, pelo Pai, foram dados o poder e o ju\u00edzo. Nesse dia n\u00e3o somente ser\u00e3o julgados os anjos ap\u00f3statas, mas igualmente todas as pessoas que tiverem vivido sobre a terra comparecer\u00e3o ante o tribunal de Cristo, a fim de darem conta de seus pensamentos, palavras e feitos, e receberem o galard\u00e3o segundo o que tiverem feito, o bem ou o mal, por meio do corpo.<\/li>\n<li>O fim que Deus tem em vista determinando esse dia \u00e9 manifestar sua gl\u00f3ria \u2014 a gl\u00f3ria de sua miseric\u00f3rdia na eterna salva\u00e7\u00e3o dos eleitos, e a gl\u00f3ria da sua justi\u00e7a na condena\u00e7\u00e3o dos r\u00e9probos, que s\u00e3o perversos e desobedientes. Os justos ir\u00e3o, ent\u00e3o, para a vida eterna, e receber\u00e3o aquela plenitude de alegria e refrig\u00e9rio procedentes da presen\u00e7a do Senhor; mas os \u00edmpios, que n\u00e3o conhecem a Deus nem obedecem ao evangelho de Jesus Cristo, ser\u00e3o lan\u00e7ados nos eternos tormentos e punidos com a destrui\u00e7\u00e3o eterna, longe da presen\u00e7a do Senhor e da gl\u00f3ria de seu poder.<\/li>\n<li>Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consola\u00e7\u00e3o dos justos nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haver\u00e1 um dia de ju\u00edzo, assim tamb\u00e9m quer que esse dia n\u00e3o seja conhecido dos homens, a fim de que eles se despojem de toda a confian\u00e7a carnal, sejam sempre vigilantes, n\u00e3o sabendo a que hora vir\u00e1 o Senhor, e estejam prontos a dizer: \u201cVem logo, Senhor Jesus!\u201d. Am\u00e9m.<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Acesse a\u00a0p\u00e1gina de Credos e Confiss\u00f5es. A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster CAP\u00cdTULO 1 Da Sagradas Escrituras Ainda que a luz da natureza e as obras da cria\u00e7\u00e3o e da provid\u00eancia manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens sejam inescus\u00e1veis, ainda n\u00e3o s\u00e3o suficientes para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":469,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-59956","page","type-page","status-publish","hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster \u2022 Voltemos ao Evangelho<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Uma Confiss\u00e3o de F\u00e9 produzida pelos te\u00f3logos de Westminster com o prop\u00f3sito de promover uniformidade na adora\u00e7\u00e3o e nas doutrinas da igreja.\" 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