{"id":37159,"date":"2017-02-03T00:10:05","date_gmt":"2017-02-03T02:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=37159"},"modified":"2017-02-02T11:19:30","modified_gmt":"2017-02-02T13:19:30","slug":"admiravel-mundo-novo-romances-seculares-que-recomendamos-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2017\/02\/admiravel-mundo-novo-romances-seculares-que-recomendamos-5\/","title":{"rendered":"Admir\u00e1vel Mundo Novo \u2013 Romances seculares que recomendamos [5]"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda elogiado como uma palavra particularmente oportuna para a nossa \u00e9poca, descobrir que o famoso romance <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em>, de Aldous Huxley, completa 85 anos de idade este ano<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> \u00e9 algo que pode causar espanto. Como uma obra de fic\u00e7\u00e3o futurista, ele tem despertado muito di\u00e1logo sobre os valores e ideologias explorados dentro de seu mundo imaginado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O anivers\u00e1rio deste ano nos oferece um bom pretexto para revisitar o cl\u00e1ssico de Huxley e refletir sobre sua relev\u00e2ncia no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nova Ordem Mundial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> encontra sua premissa narrativa e o objeto de sua cr\u00edtica na ascendente ideologia fordista dos dias de Huxley, projetada em um futuro dist\u00f3pico perturbador. Dentro do Estado Mundial de Huxley, Henry Ford \u00e9 reverenciado como uma figura messi\u00e2nica quase m\u00edtica. Ele \u00e9 a base de seu sistema de data\u00e7\u00e3o (os eventos do livro ocorrem no ano 632 d.F \u2013 depois de Ford), e seu nome \u2013 o do fundador do mundo novo \u2013 agora \u00e9 empregado onde antigamente se usava o nome de Deus. Produ\u00e7\u00e3o e consumo em massa de produtos descart\u00e1veis (\u201cmais vale dar fim do que consertar\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>), bem como os valores da predicabilidade e uniformidade, s\u00e3o princ\u00edpios fundamentais da ordem mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pr\u00f3prios seres humanos tornaram-se os objetos do hiperfordismo do Estado Mundial. Dentro de um enorme projeto eugenista, as pessoas s\u00e3o massas produzidas atrav\u00e9s de tecnologias reprodutivas e condicionadas a serem d\u00f3ceis e participantes \u00fateis na sociedade, plenamente envolvidas na produ\u00e7\u00e3o e consumo que constituem o seu n\u00facleo. H\u00e1 cinco castas ou modelos diferentes de humanidade, cada qual cuidadosamente planejada e condicionada para servir a determinado prop\u00f3sito social. A individualidade e a exclusividade do amor familiar ou monog\u00e2mico s\u00e3o repelidos como obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 homogeneidade e conformidade sociais \u2013 \u201ccada um pertence a todos\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as crian\u00e7as s\u00e3o modeladas atrav\u00e9s de processos uniformes de produ\u00e7\u00e3o em linha, a reprodu\u00e7\u00e3o sexual, a monogamia e a no\u00e7\u00e3o de m\u00e3es e pais, tudo isso passou a ser encarado com asco. Os cidad\u00e3os s\u00e3o encorajados a se envolver em sexo prom\u00edscuo est\u00e9ril, para torn\u00e1-los complacentes a sua submiss\u00e3o e como um meio de impedir que afetos particulares surjam. Como Huxley observa em sua introdu\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e0 medida que diminui a liberdade pol\u00edtica e econ\u00f4mica, a liberdade sexual tende a aumentar como compensa\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A individualidade e a privacidade s\u00e3o tratadas com desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A infantiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica governamental. O envelhecimento do corpo e o amadurecimento do car\u00e1ter e mente s\u00e3o reprimidos e evitados, mantendo as aptid\u00f5es e predile\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os do Estado Mundial em uma permanente condi\u00e7\u00e3o adolescente. Uma cultura de entretenimento de massa homog\u00eanea promove coes\u00e3o e quietude sociais. Doses intensas de sensa\u00e7\u00e3o na forma de \u201csens\u00edveis\u201d (uma forma sensualmente intensificada de entretenimento cinem\u00e1tico) a esportes populares estimulam as pessoas a serem joguetes pueris de seus impulsos e desejos, incapazes de retardar a gratifica\u00e7\u00e3o, desenvolver convic\u00e7\u00f5es, sentir intensamente ou dedicar-se inteiramente a qualquer causa. Mentes saturadas com sensa\u00e7\u00e3o e prazer \u2013 principalmente atrav\u00e9s da maravilha de droga alucin\u00f3gena \u201csoma\u201d \u2013 s\u00e3o imunizadas contra o racioc\u00ednio, a reflex\u00e3o e a n\u00e3o-conformidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do livro \u00e9 uma alus\u00e3o ir\u00f4nica a um verso de <em>A Tempestade<\/em>, de Shakespeare. A despeito de sua amenidade aparente, a sociedade tecnocrata e estraga-prazeres do Estado Mundial sufoca todas as paix\u00f5es, prop\u00f3sitos, ideais e valores do elevado car\u00e1ter da escrita de Shakespeare. O sexo f\u00e1cil sufoca o romantismo. O condicionamento e a \u201cefici\u00eancia\u201d farmaceuticamente garantidas substituem e autonega\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter. Conforto implac\u00e1vel, prazer e aus\u00eancia de luta tornam a nobreza e o hero\u00edsmo desnecess\u00e1rios. Poesia, sacrif\u00edcio, sentido e o pr\u00f3prio Deus n\u00e3o t\u00eam lugar nesse mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realidade inimagin\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> pode ser uma experi\u00eancia peculiar, uma vez que o leitor \u00e9 ao mesmo tempo atingido por elementos divertidamente curiosos e assustadoramente oportunos. Embora a obra tenha sobrevivido supreendentemente bem ao tempo, considerando-se que se trata de uma fic\u00e7\u00e3o futurol\u00f3gica, ela \u00e9, contudo, um produto de sua \u00e9poca. A despeito da premoni\u00e7\u00e3o e perceptividade de Huxley, sua vis\u00e3o foi, em grande medida, uma proje\u00e7\u00e3o e uma escalada a partir din\u00e2micas emergentes de sua \u00e9poca de produ\u00e7\u00e3o, consumo e sociedade em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas din\u00e2micas t\u00eam sido superadas, ou pelo menos consideravelmente dificultadas por muitos desenvolvimentos subsequentes. Em uma economia p\u00f3s-fordista e numa era digital de dispositivos personalizados, a sociedade de massa n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o cristalina como parecia outrora. Longe de ser encarada como uma amea\u00e7a, por exemplo, a individualidade est\u00e1, agora, profundamente assimilada em nosso sistema econ\u00f4mico, uma vez que somos estimulados a nos diferenciar, identificar e alienar por meio das formas de consumo que escolhemos. O fato de que estamos todos envoltos no mesmo sistema \u00e9 menos \u00f3bvio quando todos usamos as algemas sob medida que escolhemos para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, a partir de nossa posi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea privilegiada, uma s\u00e9rie de elementos da vis\u00e3o de Huxley parecem demasiadamente conservadores. Escrevendo antes do advento da gen\u00e9tica moderna, Huxley dificilmente teria imaginado a engenharia gen\u00e9tica diretamente aplicada nos seres humanos tal como hoje se apresenta em nosso horizonte, nem o grau de dom\u00ednio sobre nossa natureza que a ci\u00eancia oferece. Tampouco ele parece ter antecipado a forma de sexualidade de nossa \u00e9poca \u2013 todo o sexo prom\u00edscuo em <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> \u00e9 heterossexual. Ademais, conquanto exista dentro de um Estado Mundial, a Inglaterra que fornece o cen\u00e1rio para a narrativa huxleyana parecer surpreendentemente provinciana em alguns pontos: a globaliza\u00e7\u00e3o radical aparentemente teve efeitos limitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um detalhe impressionante na descri\u00e7\u00e3o de Huxley \u00e9 que, embora o Estado Mundial seja baseado na produ\u00e7\u00e3o em massa, o processo de automa\u00e7\u00e3o \u00e9 suprimido, com humanos executando trabalhos que facilmente poderiam ser confiados a m\u00e1quinas ou algoritmos (Huxley n\u00e3o explora a possibilidade das m\u00e1quinas quase-inteligentes). A partir de uma posi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea privilegiada isso pode exigir uma suspens\u00e3o significativa de descren\u00e7a para imaginar que uma economia assim possa ser domada para servir a um fim social mais amplo, ainda que dist\u00f3pico. Pode ser que Huxley tenha temido uma ideologia fordista forjada e imposta pelos \u201cControladores do Mundo\u201d dentro de uma economia de comando \u2013 n\u00e3o um temor irrealista na \u00e9poca da ascens\u00e3o do comunismo e do fascismo; n\u00f3s, hoje, parecemos ter muito mais motivos para temer nossa sujei\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica insaci\u00e1vel e aut\u00f4noma de um sistema capitalista desenfreado al\u00e9m do escopo ou controle humanos<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado Mundial \u00e9 uma sociedade intensivamente planejada, que pode ser diretamente apresentado em proposi\u00e7\u00f5es e \u00e9 integrado por uma vis\u00e3o humana unificada. Muito de <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> consiste de di\u00e1logo expositivo, no qual a ideologia humana subjacente ao Estado Mundial \u00e9 explicitamente articulada. Contudo, os desenvolvimentos sociais que moldam nosso mundo de forma muito poderosa n\u00e3o parecem mais ser planejados e definitivamente n\u00e3o se apresentam a n\u00f3s diretamente. Pelo contr\u00e1rio, eles s\u00e3o normalmente din\u00e2micas tecnol\u00f3gicas e societ\u00e1rias que desencadeamos, cujo objetivo de longo prazo \u00e9 confuso e cujos efeitos progressivos em n\u00f3s, conquanto vastos no global e em retrospecto, s\u00f3 s\u00e3o percebidos no momento e no particular \u2013 quando s\u00e3o percebidos de fato. Embora possamos ficar inconscientemente condicionados, o condicionador \u00e9 mais provavelmente uma tecnologia tal como a internet do que uma intelig\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dominados pelo desejo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias de hoje, temos mais a temer dos processos desumanos incontrol\u00e1veis e inexor\u00e1veis que desencadeamos, que se desdobram na sociedade com uma inevitabilidade desmoralizante. Nosso mundo est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea das for\u00e7as siamesas do capitalismo totalizante e da tecnologia avan\u00e7ada. Enquanto esta amplia o escopo do que \u00e9 poss\u00edvel, aquela impulsiona n\u00edveis crescentes de consumo e nossa capacidade irrestrita e incita a faz\u00ea-lo, sobrepujando todos os obst\u00e1culos que possam restringi-los. Embora os seres humanos sejam os pe\u00f5es dessas for\u00e7as, a l\u00f3gica propulsora das pr\u00f3prias for\u00e7as domina sobre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o ponto chave em que a vis\u00e3o de <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> repercute. Huxley percebeu, melhor do que muitos, a escravid\u00e3o degradante na qual podemos ser conduzidos por nosso desejo por prazer. Neil Postman contrastou de forma memor\u00e1vel a obra de Huxley com <em>1984<\/em>, de George Orwell, observando o reconhecimento de Huxley de que podemos ser destru\u00eddos e dominados mais facilmente atrav\u00e9s de nossos desejos do que de nossos temores. Anestesiados por prazeres, entretenimentos, trivialidades, distra\u00e7\u00f5es, lux\u00farias e sensualidade, podemos ficar habituados com a eros\u00e3o constante de nossa humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo de hoje, como Slavoj \u017di\u017eek observou, estamos sujeitos ao totalitarismo suave que continuamente nos exorta a \u201cdesfrutar!\u201d. O mercado tem nos rodeado de produtos e propagandas que t\u00eam sido usadas como armas para excitar e mobilizar nosso desejo de consumir e derrubar qualquer resist\u00eancia que possamos oferecer contra ele. Em nosso mundo supersaturado e hiper-real, somos expostos a uma horda de est\u00edmulos criados artificialmente que excedem em muito tudo o que ter\u00edamos encontrado anteriormente naturalmente \u2013 desde alimentos quimicamente modificados at\u00e9 gr\u00e1ficos estonteantes de jogos, drogas que alteram o estado mental, imagens vibrantes em nossas telas, pornografia online, destinos tur\u00edsticos cuidadosamente tratados, modelos maquiadas nas capas de revista e a sociabilidade de um site como o Facebook. Todas essas coisas s\u00e3o calculadas para excitar nosso apetite, vencer nossa resist\u00eancia e levar-nos a entregar-se. A onda de prazeres intoxicados do capitalismo desarma todos os obst\u00e1culos diante dele \u2013 censuras, restri\u00e7\u00f5es legais, tabus culturais, normais sociais, virtudes religiosas, autocontrole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edmund Burke argumentou que controles e restri\u00e7\u00f5es sobre os apetites humanos s\u00e3o essenciais \u00e0 liberdade humana, e um dos nossos direitos fundamentais. Sem esses controles, somos reduzidos a prisioneiros infantis do prazer, incapazes de governar a n\u00f3s mesmos. Um exemplo tr\u00e1gico \u00e9 o imenso dano que est\u00e1 sendo causado pela pornografia, seu poder de dominar pessoas aumentado por novas tecnologias e a for\u00e7a do mercado, tornando-o mais atraente para consumir e mais dif\u00edcil de se opor. E embora uma sociedade vidrada no entretenimento popular de massa e esportes estivesse em ascens\u00e3o nos dias de Huxley, a escala da nossa pr\u00f3pria obsess\u00e3o societ\u00e1ria com essas coisas \u2013 e nosso consumo relativamente t\u00e1cito, como crist\u00e3os, da cultura pop \u2013 \u00e9 comprovadamente sem precedentes e digno de verdadeiro alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Objetos desumanizados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Huxley, al\u00e9m disso, reconheceu o perigo de a natureza humana ser sujeitada \u00e0 l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o. A realidade mais central do Estado Mundial talvez seja a substitui\u00e7\u00e3o da procria\u00e7\u00e3o sexual pela produ\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica: os seres humanos deixam de procriar e come\u00e7am a ser fabricados. Huxley, de modo astuto, percebe exatamente qu\u00e3o crucial essa mudan\u00e7a \u00e9 e chama a nossa aten\u00e7\u00e3o para seus v\u00e1rios aspectos em grande detalhe: uma cultura de sexo puramente contraceptivo e relativa neutralidade de g\u00eanero, a forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as atrav\u00e9s de processos semelhantes a correias transportadoras, a elimina\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e dos limites do amor nos quais os filhos s\u00e3o naturalmente recebidos e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, este aspecto da obra de Huxley encontra um eco preocupante em nosso mundo contempor\u00e2neo. Por meio de coisas como a ideologia do aborto, avan\u00e7os na tecnologia reprodutiva e a normatiza\u00e7\u00e3o do casamento neutro entre os sexos, as crian\u00e7as est\u00e3o cada vez mais sujeitas \u00e0 l\u00f3gica da escolha e da constru\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria dignidade humana repousa, em grande parte, no fato de que n\u00e3o somos fabricados, mas <em>procriados<\/em> \u2013 concebidos por meio de uma d\u00e1diva amorosa de corpos que precedem e superam os \u00e2mbitos pol\u00edticos, legais, econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos da atividade humana. Uma cultura que resiste ou negligencia essa verdade, como a nossa est\u00e1 propensa a fazer, corre o risco de mudar o seu pr\u00f3prio entendimento e abordagem da humanidade em si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lutando por liberdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os no s\u00e9culo 21, estamos encarando uma luta crescente e profundamente herc\u00falea pela natureza e dignidade humanas. Devemos lutar contra a subjuga\u00e7\u00e3o da humanidade \u00e0 tirania do prazer, contra a sensualidade amni\u00f3tica na qual nossa cultura nos encapsula, estupidificando-nos para qualquer realidade que possa elevar nossa natureza suscitando-nos em dever, amor ou adora\u00e7\u00e3o. Devemos resistir ao fasc\u00ednio do dom\u00ednio da t\u00e9cnica sobre a natureza \u2013 um dom\u00ednio que nos exp\u00f5e \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o. E para que fa\u00e7amos essas coisas, devemos reconhecer e vencer a infidelidade que existe em cada um dos nossos cora\u00e7\u00f5es, que nos derrubaria de dentro. Diante desses desenvolvimentos acelerados, o <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> de Huxley nunca foi t\u00e3o atual, nem o alerta soa t\u00e3o urgente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra essas coisas, devemos reafirmar a import\u00e2ncia do autodom\u00ednio moral, da rela\u00e7\u00e3o entre homem e mulher e da doa\u00e7\u00e3o de vida que pode resultar de seu amor, de limites morais que restrinjam os alcances do mercado e o desenvolvimento da tecnologia, e do Senhor e Doador da vida a quem todos somos devedores. Se falharmos nisso, correremos o risco de nos submeter \u00e0 servid\u00e3o mais insidiosa jamais vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O presente texto foi escrito no ano passado. [Nota do Tradutor.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Huxley, Aldous. <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em>. Biblioteca Azul, 2014. Edi\u00e7\u00e3o Kindle, posi\u00e7\u00e3o 836. Tradu\u00e7\u00e3o de Leonel Vallandro e Vidal Serrano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Idem<\/em>, posi\u00e7\u00e3o 711.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Idem<\/em>, posi\u00e7\u00e3o 190.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> A opini\u00e3o do articulista quanto a este quesito n\u00e3o representa a posi\u00e7\u00e3o do VE. [Nota do Tradutor.]<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Alastair Roberts.\u00a0\u00a9 <a href=\"https:\/\/www.thegospelcoalition.org\" target=\"_blank\">The Gospel Coalition<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/fiel.in\/2jGKgje\" target=\"_blank\">Brave New World, 85 Years Later<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Original: <a href=\"http:\/\/fiel.in\/2jGVYdT\" target=\"_blank\">Admir\u00e1vel Mundo Novo \u2013 Romances seculares que recomendamos [5]<\/a>.\u00a0\u00a9 Minist\u00e9rio Fiel. Website:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ministeriofiel.com.br\/\" target=\"_blank\">MinisterioFiel.com.br<\/a>. Todos os direitos reservados. Tradu\u00e7\u00e3o: Leonardo Bruno Galdino.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como uma obra de fic\u00e7\u00e3o futurista, ele tem despertado muito di\u00e1logo sobre os valores e ideologias explorados dentro de seu mundo imaginado. 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