{"id":43522,"date":"2018-05-23T00:05:12","date_gmt":"2018-05-23T03:05:12","guid":{"rendered":"http:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=43522"},"modified":"2018-05-23T10:05:01","modified_gmt":"2018-05-23T13:05:01","slug":"como-devemos-cultuar-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2018\/05\/como-devemos-cultuar-a-deus\/","title":{"rendered":"Como devemos cultuar a Deus?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div>\n<p>Flip Wilson, um famoso comediante norte-americano, tinha em seu repert\u00f3rio um personagem chamado\u00a0<em>Reverendo Leroy<\/em>, que pastoreava a \u201cIgreja do Que Est\u00e1 Acontecendo Agora\u201d. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, o\u00a0<em>Reverendo Leroy<\/em>\u00a0e sua igreja eram uma par\u00f3dia ultrajante. Mas, na verdade, a comunidade evang\u00e9lica de nossos dias est\u00e1 enxameada com\u00a0<em>Reverendos Leroys<\/em>, e muitas igrejas poderiam convenientemente receber o nome de \u201cIgreja do Que Est\u00e1 Acontecendo Agora\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 limites no que se refere a qu\u00e3o longe algumas igrejas avan\u00e7ar\u00e3o no prop\u00f3sito de se tornarem \u201crelevantes\u201d e \u201cmodernas\u201d em seus cultos. E parece que n\u00e3o existe mais nada excessivamente profano ou abusivo para ser introduzido no \u201cculto\u201d.<\/p>\n<p>A revista\u00a0<em>Los Angeles Times<\/em>\u00a0recentemente falou sobre uma Igreja no sul da Calif\u00f3rnia que distribuiu panfletos anunciando seus cultos como \u201cHoras Agrad\u00e1veis da M\u00fasica Country de Deus\u201d. Os panfletos audaciosamente prometiam \u201cdan\u00e7a semelhante \u00e0 quadrilha logo depois do culto\u201d. De acordo com o artigo da revista, \u201co pastor tamb\u00e9m dan\u00e7ou, cal\u00e7ado de botas de couro e vestido com jeans\u201d. O pastor justifica esse movimento com a revitaliza\u00e7\u00e3o de sua igreja. O artigo da revista descreve a manh\u00e3 de domingo na igreja:<\/p>\n<p>\u201cOs membros ouvem os serm\u00f5es, cujos temas incluem \u2018A Pickup Ford do Pastor e Sexo Crist\u00e3o\u2019 (classificado com R, que significa \u2018relev\u00e2ncia, respeito e relacionamento\u2019, disse o pastor, \u2018e mais engra\u00e7ado do que parece\u2019). Ap\u00f3s o culto, os membros dan\u00e7am com m\u00fasicas de uma banda chamada Os Anjos do Cabar\u00e9 (e o que mais poderia ser?). A freq\u00fc\u00eancia \u00e0 igreja est\u00e1 aumentando rapidamente&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode imaginar que isto \u00e9 apenas uma aberra\u00e7\u00e3o de uma igreja desconhecida e exc\u00eantrica. Infelizmente, este n\u00e3o \u00e9 o caso. A teoria contempor\u00e2nea do crescimento de igreja tem aberto uma porta ampla para tais absurdos. \u00c0s vezes, parece que P. T. Barnum (1810-1891) \u00e9 o principal modelo para muitos que nesses dias participam do movimento de crescimento de igreja. Na verdade, o convite abaixo para um culto dominical vespertino apareceu no boletim de uma das maiores e mais conhecidas igrejas que integram o \u201cCintur\u00e3o da B\u00edblia\u201d nos Estados Unidos:<\/p>\n<p>\u201c<strong>Circo<\/strong>\u00a0\u2013 Vejam Barnum e Bailey, quando o m\u00e1gico do grande e famoso circo vier \u00e0 Comunh\u00e3o do Divertimento! Palha\u00e7os! Acrobatas! Animais! Pipoca! Que grande noite!\u201d<\/p>\n<p>Essa mesma igreja, em certa \u00e9poca, teve seu conselho de pastores introduzido num ringue de luta corporal, durante o culto dominical, indo mesmo ao ponto de ter um lutador profissional treinando os pastores a jogarem um ao outro no ringue, puxarem os cabelos e derrubarem uns aos outros, sem realmente machucarem-se. Estes n\u00e3o s\u00e3o incidentes extraordin\u00e1rios. Muitas igrejas est\u00e3o seguindo m\u00e9todos semelhantes, utilizando todos os meios dispon\u00edveis para apimentar seus cultos.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o culto dominical est\u00e1 passando por uma revolu\u00e7\u00e3o sem paralelo em toda a hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p><strong>O Verdadeiro Culto<\/strong><\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s, enquanto eu pregava sobre o Evangelho de Jo\u00e3o, fui tocado pelo profundo significado da verdadeira adora\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cVem a hora e j\u00e1 chegou, em que os verdadeiros adoradores adorar\u00e3o o Pai em esp\u00edrito e em verdade; porque s\u00e3o estes que o Pai procura para seus adoradores\u201d (Jo 4.23). Percebi, t\u00e3o claramente como nunca havia percebido antes, as implica\u00e7\u00f5es da afirmativa \u2013 \u201cadorar\u00e3o&#8230; em esp\u00edrito e em verdade\u201d. Essa frase sugere, primeiramente, que a adora\u00e7\u00e3o verdadeira envolve tanto o intelecto quanto as emo\u00e7\u00f5es. Salienta a verdade de que a adora\u00e7\u00e3o tem de ser focalizada em Deus, n\u00e3o no adorador. O contexto tamb\u00e9m demonstra que Jesus estava dizendo que a adora\u00e7\u00e3o verdadeira \u00e9 mais uma quest\u00e3o de ess\u00eancia do que de forma. Ele estava ensinando que a adora\u00e7\u00e3o envolve o que fazemos em nossa vida, n\u00e3o apenas o que fazemos no lugar formal de adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Interrompi naquele ponto as mensagens sobre Jo\u00e3o 4 e continuei o assunto com um estudo t\u00f3pico sobre adora\u00e7\u00e3o. A editora Moody Press pediu que colocasse essas mensagens em um livro, que foi publicado sob o nome de\u00a0<em>The Ultimate Priority<\/em>\u00a0(A Prioridade Crucial). Esse estudo sobre adora\u00e7\u00e3o afetou-me mais profundamente do que qualquer outra s\u00e9rie de serm\u00f5es que j\u00e1 havia preparado. Mudou para sempre minha opini\u00e3o sobre o que significa adorar a Deus.<\/p>\n<p>Aquela s\u00e9rie de estudos tamb\u00e9m marcou o in\u00edcio de uma nova etapa para nossa igreja. Nossa adora\u00e7\u00e3o coletiva adquiriu nova profundidade e significado. As pessoas come\u00e7aram a ficar conscientes de que cada aspecto do culto da igreja \u2013 m\u00fasica, ora\u00e7\u00e3o, prega\u00e7\u00e3o e, mesmo, as ofertas \u2013 \u00e9 adora\u00e7\u00e3o oferecida a Deus. Come\u00e7aram a ver as superficialidades como uma ofensa a um Deus santo e a considerar o culto como uma atividade em que deveriam ser participantes e n\u00e3o espectadores isolados. Se o culto \u00e9 algo que oferecemos a Deus \u2013 e n\u00e3o um\u00a0<em>show<\/em>\u00a0elaborado para beneficiar a congrega\u00e7\u00e3o \u2013 ent\u00e3o cada aspecto do culto tem de ser agrad\u00e1vel a Deus e estar em harmonia com sua Palavra. Portanto, o resultado de nossa nova \u00eanfase sobre o culto foi o aprofundamento de nosso compromisso com a centralidade das Escrituras.<\/p>\n<p><strong>Sola Scriptura<\/strong><\/p>\n<p>Alguns anos depois daquela s\u00e9rie de estudos sobre adora\u00e7\u00e3o, preguei sobre o Salmo 19. Minha rea\u00e7\u00e3o foi a de algu\u00e9m que estava contemplando pela primeira vez o poder daquilo que o salmista estava afirmando sobre a sufici\u00eancia das Escrituras.<\/p>\n<p>A lei do Senhor \u00e9 perfeita e restaura a alma.<\/p>\n<p>O testemunho do Senhor \u00e9 fiel e d\u00e1 sabedoria aos s\u00edmplices.<\/p>\n<p>Os preceitos do Senhor s\u00e3o retos e alegram o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mandamento do Senhor \u00e9 puro e ilumina os olhos.<\/p>\n<p>O temor do Senhor \u00e9 l\u00edmpido e permanece para sempre.<\/p>\n<p>Os ju\u00edzos do Senhor s\u00e3o verdadeiros e todos igualmente, justos.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais desej\u00e1veis do que ouro, mais do que muito ouro depurado;<\/p>\n<p>s\u00e3o mais doces do que o mel e o destilar dos favos.<\/p>\n<p>O argumento central da mensagem deste salmo \u00e9: a Escritura \u00e9 completamente suficiente para satisfazer todas as necessidades da alma humana. Sugere que toda a verdade espiritual e essencial est\u00e1 contida na Palavra de Deus. Pense nisso: a verdade das Escrituras pode restaurar a alma danificada pelo pecado, outorgar sabedoria espiritual, confortar o cora\u00e7\u00e3o abatido e trazer ilumina\u00e7\u00e3o espiritual. Em outras palavras, a B\u00edblia resume tudo que precisamos saber a respeito da verdade e da justi\u00e7a; ou, como o ap\u00f3stolo Paulo escreveu, a B\u00edblia \u00e9 capaz de nos habilitar para toda boa obra (2 Tm 3.17).<\/p>\n<p>Esta s\u00e9rie de estudos sobre o Salmo 19 marcou outro movimento na vida de nossa igreja, colocando-nos face a face com um dos princ\u00edpios dos reformadores \u2013\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>. Em uma \u00e9poca quando muitos evang\u00e9licos parecem estar se voltando em massa para a esperteza mundana nas \u00e1reas de psicologia, neg\u00f3cios, pol\u00edtica, relacionamentos e entretenimento, as Escrituras nos s\u00e3o indicadas como a \u00fanica fonte que podemos recorrer para encontrar a infal\u00edvel verdade espiritual. A s\u00e9rie de estudos teve um impacto sobre cada aspecto da vida de nossa igreja.<\/p>\n<p><strong>A Sufici\u00eancia das Escrituras: Um Princ\u00edpio Para Regular o Culto<\/strong><\/p>\n<p>Como podemos aplicar a sufici\u00eancia das Escrituras ao culto da igreja? Os reformadores responderam essa pergunta aplicando\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0\u00e0 adora\u00e7\u00e3o, estabelecendo o que eles chamaram de Princ\u00edpio Regulador. Jo\u00e3o Calvino foi o primeiro a articular de maneira sucinta esse princ\u00edpio:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos adotar qualquer artif\u00edcio [em nosso culto] que pare\u00e7a satisfazer a n\u00f3s mesmos, e sim levar em conta as exorta\u00e7\u00f5es dAquele que tem o direito de prescrev\u00ea-las. Portanto, se desejamos que Ele aprove nosso culto, esta regra, que Ele mesmo enfatiza com muita rigidez, tem de ser observada com zelo&#8230; Deus reprova todos os tipos de cultos n\u00e3o sancionados expressamente por sua palavra\u201d.<\/p>\n<p>Calvino sustentava este princ\u00edpio utilizando diversas passagens b\u00edblicas, incluindo 1 Samuel 15.22 \u2013 \u201cObedecer \u00e9 melhor do que o sacrificar; e o atender, melhor do que a gordura de carneiros\u201d \u2013 e Mateus 15.9: \u201cEm v\u00e3o me adoram, ensinando doutrinas que s\u00e3o preceitos de homens\u201d.<\/p>\n<p>John Hooper, um pastor ingl\u00eas, contempor\u00e2neo de Calvino, afirmou assim este mesmo princ\u00edpio: \u201cNa igreja n\u00e3o deve ser utilizado nada que n\u00e3o tenha a expressa aprova\u00e7\u00e3o das Escrituras, para apoi\u00e1-lo, ou que seja algo indiferente em si mesmo, ou seja, que n\u00e3o traga qualquer proveito quando utilizado e nenhum preju\u00edzo quando omitido\u201d.<\/p>\n<p>William Cunningham, um historiador da Igreja, que viveu no s\u00e9culo XIX, definiu nesses termos o princ\u00edpio regulador: \u201c\u00c9 insustent\u00e1vel e il\u00edcito introduzir no governo e no culto da igreja qualquer coisa que n\u00e3o tem a san\u00e7\u00e3o positiva das Escrituras\u201d.<\/p>\n<p>Os reformadores e puritanos aplicavam o princ\u00edpio regulador contra os ritos formais, as vestes sacerdotais, a hierarquia eclesi\u00e1stica e outros resqu\u00edcios do culto da Igreja Cat\u00f3lica. O princ\u00edpio regulador era freq\u00fcentemente citado pelos reformadores ingleses que se opunham aos elementos da Igreja Alta no anglicanismo, os quais haviam sido emprestados da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica romana.Foi o comprometimento de muitos puritanos com o princ\u00edpio regulador que levou centenas de pastores puritanos a serem exclu\u00eddos, por decreto, dos p\u00falpitos da Igreja da Inglaterra em 1662.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a simplicidade da forma de culto das igrejas presbiterianas, batistas, congregacionais e de outras tradi\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas \u00e9 o resultado da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio regulador.<\/p>\n<p>Os evang\u00e9licos de nossos dias fariam bem se recuperassem a mesma confian\u00e7a que seus antecessores espirituais tinham em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Escrituras. Uma boa quantidade de tend\u00eancias prejudiciais que est\u00e3o ganhando import\u00e2ncia nesses dias revelam a decrescente confian\u00e7a dos evang\u00e9licos na sufici\u00eancia das Escrituras. Por um lado, existe, como j\u00e1 observamos, uma atmosfera de circo em algumas igrejas que empregam m\u00e9todos pragm\u00e1ticos que trivializam aquilo que \u00e9 santo, para impulsionar a freq\u00fc\u00eancia de pessoas na igreja. Por outro lado, um crescente n\u00famero de evang\u00e9licos est\u00e1 abandonando as formas simples de adora\u00e7\u00e3o, em favor do formalismo da Igreja Alta. Alguns est\u00e3o deixando completamente o evangelicalismo e unido-se \u00e0 Igreja Ortodoxa e ao catolicismo romano.<\/p>\n<p>Enquanto isso, algumas igrejas simplesmente abandonaram toda a objetividade, optando por um estilo de culto turbulento, emocional e destitu\u00eddo de qualquer sentido racional. Talvez um dos mais comentados movimentos que est\u00e1 varrendo o cristianismo no presente \u00e9 o fen\u00f4meno conhecido como \u201cB\u00ean\u00e7\u00e3o de Toronto\u201d, onde toda a congrega\u00e7\u00e3o ri incontrolavelmente, sem qualquer motivo racional, late como cachorros, ruge como le\u00f5es, cacareja como galinhas, pula, corre e convulsiona. Eles v\u00eaem isso como uma evid\u00eancia de que o poder de Deus lhes foi transmitido.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas tend\u00eancias est\u00e1 avan\u00e7ando por motivos b\u00edblicos consistentes. Pelo contr\u00e1rio, seus defensores citam argumentos pragm\u00e1ticos ou procuram o apoio de interpreta\u00e7\u00f5es erradas de textos das Escrituras, do revisionismo da hist\u00f3ria ou tradi\u00e7\u00f5es antigas. Esta \u00e9 exatamente a mentalidade contra a qual os reformadores lutavam.<\/p>\n<p>Um novo entendimento de\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0\u2013 a sufici\u00eancia das Escrituras \u2013 tem de nos estimular a continuar reformando nossas igrejas, a regular nossos cultos de acordo com as normas b\u00edblicas e a desejar intensamente ser pessoas que adoram a Deus em esp\u00edrito e em verdade.<\/p>\n<p><strong>Aplicando\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0ao Culto<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o que surge a seguir \u00e9 sobre como o princ\u00edpio\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0pode ser usado para regular o culto. Algu\u00e9m pode indicar o fato de que Charles Spurgeon utilizava o princ\u00edpio regulador para excluir o uso de qualquer instrumento musical no culto. Spurgeon recusou permitir a utiliza\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o no Tabern\u00e1culo Metropolitano, porque acre- ditava que n\u00e3o havia base b\u00edblica para m\u00fasica instrumental no culto crist\u00e3o. Na verdade, ainda existem crentes que, pelo mesmo motivo, se op\u00f5em a m\u00fasica instrumental.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que nem todos os que afirmam a ortodoxia do princ\u00edpio regulador necessariamente concordam em todos os detalhes sobre como ele deveria ser aplicado. Alguns poderiam salientar tais diferen\u00e7as nas quest\u00f5es pr\u00e1ticas e sugerir que todo o princ\u00edpio regulador \u00e9, por isso mesmo, insustent\u00e1vel. William Cunningham observou que cr\u00edticas contra o princ\u00edpio regulador freq\u00fcentemente procuram desacredit\u00e1-lo recorrendo \u00e0 t\u00e1tica do\u00a0<em>reduzi-lo ao absurdo<\/em>.<\/p>\n<p>Aqueles que n\u00e3o apreciam o princ\u00edpio regulador, por qualquer motivo, geralmente procuram nos co-locar em dificuldades, pondo sobre ele uma rigorosa conota\u00e7\u00e3o, dando-lhe, deste modo, uma apar\u00eancia de algo absurdo. Mas o princ\u00edpio regulador tem de ser interpretado e ex- plicado com o exerc\u00edcio do bom senso. Dificuldades e diferen\u00e7as de opini\u00f5es podem surgir a respeito dos detalhes, mesmo quando o discernimento correto e o bom senso influenciam a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio. Mas isto n\u00e3o oferece qualquer fundamento para negar ou duvidar das verdades ou da ortodoxia do pr\u00f3prio princ\u00edpio regulador.9<\/p>\n<p>Cunningham reconheceu que o princ\u00edpio regulador com freq\u00fc\u00eancia \u00e9 empregado para argumentar contra coisas que podem ser reputadas como relativamente sem import\u00e2ncia, tais como ritos, cerim\u00f4nias, vestimentas, \u00f3rg\u00e3os, ajoelhar-se, prostrar-se e outros recursos exteriores da religi\u00e3o formal. Por causa disso, Cunningham afirmou: \u201cAlgumas pessoas parecem imaginar que o princ\u00edpio regulador se preocupa com a insignific\u00e2ncia intr\u00ednseca das coisas\u201d.10 Portanto, muitos concluem: os que advogam o princ\u00edpio regulador fazem-no porque realmente gostam de contender por coisas insignificantes.<\/p>\n<p>Com certeza, ningu\u00e9m se deleitaria em disputas por quest\u00f5es irrelevantes. \u00c9 verdade que o princ\u00edpio regulador ocasionalmente tem sido utilizado daquela maneira. Uma obsess\u00e3o por aplicar qualquer princ\u00edpio aos menores detalhes pode facilmente se tornar uma forma destrutiva de legalismo.11<\/p>\n<p>Mas o princ\u00edpio\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>, aplicado ao culto, \u00e9 sempre digno de ser defendido com ferocidade. O princ\u00edpio em si mesmo n\u00e3o \u00e9 trivial. Al\u00e9m disso, a falha de apegar-se \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o b\u00edblica no que se refere ao culto \u00e9 exatamente aquilo que mergulhou a igreja nas trevas e na idolatria da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho interesse em suscitar um debate sobre instrumentos musicais, vestimentas pastorais, decora\u00e7\u00e3o do templo ou outros assuntos. Se existem aqueles que utilizam o princ\u00edpio regulador como um trampolim para tais debates, excluam-me de entre eles. As quest\u00f5es que inflamam minha preocupa\u00e7\u00e3o relacionada ao culto contempor\u00e2neo s\u00e3o mais profundas do que tais assuntos. Referem-se ao pr\u00f3prio \u00e2mago do que significa adorar a Deus em esp\u00edrito e em verdade.<\/p>\n<p>Minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: o fato de a igreja moderna ter abandonado o\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0abriu as portas para diversos abusos grotescos e imagin\u00e1veis, incluindo cultos com banda de cabar\u00e9, a atmosfera de espet\u00e1culos carnavalescos e exibi\u00e7\u00f5es de luta livre. Mesmo a mais liberal e ampla aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio regulador do culto teria um efeito corretivo em tais abusos.<\/p>\n<p>Pense, por um momento, no que aconteceria \u00e0 adora\u00e7\u00e3o coletiva, se a igreja contempor\u00e2nea levasse a s\u00e9rio o\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>. Quatro diretrizes b\u00edblicas para o culto imediatamente viriam \u00e0 nossa mente. Essas diretrizes ca\u00edram em um tr\u00e1gico estado de neglig\u00eancia. Recuper\u00e1-las com certeza produziria uma nova reforma no culto da igreja moderna.<\/p>\n<p><strong>Pregar a Palavra<\/strong>. Na adora\u00e7\u00e3o coletiva, a prega\u00e7\u00e3o da Palavra deve ter a primazia. Todas as instru\u00e7\u00f5es do Novo Testamento aos pastores centralizam-se nessas palavras de Paulo a Tim\u00f3teo: \u201cPrega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer n\u00e3o, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina\u201d (2 Tm 4.2). Em outra carta, o ap\u00f3stolo resumiu seu conselho ao jovem pastor: \u201cAt\u00e9 \u00e0 minha chegada, aplica-te \u00e0 leitura, \u00e0 exorta\u00e7\u00e3o, ao ensino\u201d (1 Tm 4.13). Evidentemente, o minist\u00e9rio de pregar a Palavra era o \u00e2mago das responsabilidades pastorais de Tim\u00f3teo.<\/p>\n<p>Na igreja do Novo Testamento, as atividades da comunidade de crentes eram completamente centralizadas \u201cna doutrina dos ap\u00f3stolos e na comunh\u00e3o, no partir do p\u00e3o e nas ora\u00e7\u00f5es\u201d (At 2.42). A prega\u00e7\u00e3o da Palavra era o centro de todo o culto. Em certa ocasi\u00e3o, Paulo pregou a um grupo de crentes at\u00e9 depois da meia-noite (At 20.7-8). O minist\u00e9rio da Palavra tinha uma parte t\u00e3o crucial na vida da igreja, que, antes de um membro ser qualificado para servir como presb\u00edtero, teria de ser provado como algu\u00e9m habilidoso em ensinar a Palavra (cf. 1 Tm 3.2; 2 Tm 2.24; Tt 1.9).<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo caracterizou assim a sua pr\u00f3pria chamada: \u201cMe tornei ministro de acordo com a dispensa\u00e7\u00e3o da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor,\u00a0<em>para dar pleno cumprimento \u00e0 palavra de Deus&#8221;<\/em><\/p>\n<p>(Cl 1.25 \u2013 \u00eanfase acrescentada). Voc\u00ea pode estar certo de que a prega\u00e7\u00e3o era um elemento predominante em todo culto do qual Paulo participava.<\/p>\n<p>Muitas pessoas v\u00eaem a prega\u00e7\u00e3o e a adora\u00e7\u00e3o como dois aspectos distintos do culto da igreja, como se a prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse qualquer liga\u00e7\u00e3o com a adora\u00e7\u00e3o e vice-versa. Mas este \u00e9 um conceito err\u00f4neo. O minist\u00e9rio da Palavra \u00e9 a plataforma sobre a qual a verdadeira adora\u00e7\u00e3o \u00e9 edificada. Em seu livro\u00a0<em>Between Two Worlds<\/em>\u00a0(Entre Dois Mundos), John Stott afirmou muito bem: \u201cA Palavra e a Adora\u00e7\u00e3o pertencem indissoluvelmente uma \u00e0 outra. Toda a adora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma resposta inteligente e am\u00e1vel \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de Deus, porque \u00e9 a adora\u00e7\u00e3o de seu nome. Portanto, a adora\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel \u00e9 imposs\u00edvel sem a prega\u00e7\u00e3o. Pregar \u00e9 tornar conhecido o nome de Deus, e adorar \u00e9 louvar o nome do Senhor sobre o qual fomos informados. Ao inv\u00e9s de ser uma intrus\u00e3o alien\u00edgena \u00e0 adora\u00e7\u00e3o, o ler e o pregar a Palavra s\u00e3o realmente indispens\u00e1veis \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. As duas n\u00e3o podem ser divorciadas\u201d.<\/p>\n<p>Pregar \u00e9 um aspecto insubstitu\u00edvel de toda a adora\u00e7\u00e3o coletiva. Na verdade, todo o culto da igreja gira em torno do minist\u00e9rio da Palavra. Todas as outras coisas s\u00e3o preparat\u00f3rias ou uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 mensagem das Escrituras.<\/p>\n<p>Quando o teatro, a m\u00fasica, a com\u00e9dia e outras atividades t\u00eam a permiss\u00e3o de usurpar o lugar da prega\u00e7\u00e3o da Palavra, a verdadeira adora\u00e7\u00e3o inevitavelmente \u00e9 prejudicada. E, quando a prega\u00e7\u00e3o \u00e9 subjugada \u00e0 pompa e \u00e0 circunst\u00e2ncia, ela tamb\u00e9m obstrui a adora\u00e7\u00e3o genu\u00edna. Um culto de adora\u00e7\u00e3o sem o minist\u00e9rio da Palavra tem um valor question\u00e1vel. Al\u00e9m disso, a \u201cigreja\u201d onde a Palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 regularmente e fielmente pregada n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira igreja.<\/p>\n<p><strong>Edificar o Rebanho<\/strong>. As Escrituras nos dizem que o prop\u00f3sito dos dons espirituais \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o de toda a igreja (Ef 4.12; cf. 1 Co 14.12). Por esse motivo, todo o minist\u00e9rio da igreja tem de produzir edifica\u00e7\u00e3o, fazendo o rebanho crescer espiritualmente e n\u00e3o apenas estimulando emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Acima de tudo, o minist\u00e9rio da igreja deve ter como alvo o promover a adora\u00e7\u00e3o verdadeira. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, ele tem de ser edificante. Isso est\u00e1 impl\u00edcito na ex- press\u00e3o \u201cque&#8230; o adorem em esp\u00edrito e em verdade\u201d. Como j\u00e1 observamos, a adora\u00e7\u00e3o deve envolver o intelecto e as emo\u00e7\u00f5es. A adora\u00e7\u00e3o deve ser emocionante, profundamente sentida e tocante. Mas o importante n\u00e3o \u00e9 estimular as emo\u00e7\u00f5es, enquanto desligamos nosso intelecto. A adora\u00e7\u00e3o verdadeira mescla a mente e o cora\u00e7\u00e3o em uma resposta de adora\u00e7\u00e3o pura, fundamentada na verdade revelada da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>A m\u00fasica pode, \u00e0s vezes, nos comover pela agrad\u00e1vel beleza da melodia, mas este sentimento n\u00e3o \u00e9 adora\u00e7\u00e3o. Por si mesma, a m\u00fasica, sem a verdade contida nos versos, n\u00e3o \u00e9 um recurso leg\u00edtimo para a adora\u00e7\u00e3o aut\u00eantica. De maneira semelhante, uma hist\u00f3ria comovente pode ser tocante ou inspirativa, mas, se a mensagem que ela transmite n\u00e3o estiver no contexto da verdade b\u00edblica, quaisquer sentimentos que ela desperte n\u00e3o t\u00eam qualquer utilidade em fomentar a verdadeira adora\u00e7\u00e3o. Emo\u00e7\u00f5es fortes despertadas durante o culto n\u00e3o constituem necessariamente uma evid\u00eancia de que houve verdadeira adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A adora\u00e7\u00e3o genu\u00edna \u00e9 uma resposta \u00e0\u00a0<em>verdade<\/em>\u00a0divina. \u00c9 emotiva porque surge de nosso amor a Deus. No entanto, a adora\u00e7\u00e3o verdadeira tamb\u00e9m deve ser fruto de um correto entendimento de sua lei, sua justi\u00e7a, sua miseric\u00f3rdia e seu ser. A genu\u00edna adora\u00e7\u00e3o reconhece Deus conforme Ele se revela nas Escrituras. Por exemplo, atrav\u00e9s das Escrituras, sabemos que Ele \u00e9 a \u00fanica, perfeitamente santa, onipotente, onisciente e onipresente fonte da qual flui toda bondade, miseric\u00f3rdia, verdade, sabedoria, poder e salva\u00e7\u00e3o. Adorar significa atribuir gl\u00f3ria a Deus por causa dessas verdades; significa louv\u00e1-Lo por aquilo que Ele \u00e9, aquilo que tem feito e aquilo que tem prometido. Por conseguinte, adora\u00e7\u00e3o tem de ser uma resposta \u00e0 verdade que Ele revelou a respeito de si mesmo. Tal adora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resultar de um vazio. \u00c9 motivada e vitalizada pela verdade objetiva da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Cerim\u00f4nias mortas e entretenimento tamb\u00e9m s\u00e3o incapazes de provocar essa adora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa qu\u00e3o emocionantes tais coisas sejam. Elas n\u00e3o edificam. No m\u00e1ximo, elas podem despertar emo\u00e7\u00f5es. Mas isso n\u00e3o \u00e9 adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Honrar o Senhor<\/strong>. Hebreus 12.28 afirma: \u201cRetenhamos a gra\u00e7a, pela qual sirvamos a Deus de modo agrad\u00e1vel, com rever\u00eancia e santo temor\u201d. Esse vers\u00edculo nos fala sobre a atitude com que devemos adorar. A palavra grega traduzida por \u201csirvamos\u201d \u00e9\u00a0<em>latreuo<\/em>, que literalmente significa \u201ccultuar\u201d. O argumento principal \u00e9 que a adora\u00e7\u00e3o tem de ser realizada com rever\u00eancia, de uma maneira que honra a Deus.<\/p>\n<p>Na adora\u00e7\u00e3o coletiva, n\u00e3o existe lugar para a atmosfera fr\u00edvola, superficial e leviana que freq\u00fcentemente prevalece nas igrejas modernas que procuram ser relevantes. Substituir o\u00a0culto de adora\u00e7\u00e3o por um espet\u00e1culo distancia-se tanto quanto poss\u00edvel da atitude de adora\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u201ccom rever\u00eancia e temor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cRever\u00eancia e temor\u201d referem-se ao solene sentimento de honra que resulta de percebermos a majestade de Deus. Exige uma percep\u00e7\u00e3o\u00a0da santidade de Deus e de nossa pr\u00f3pria pecaminosidade. Tudo na adora\u00e7\u00e3o coletiva da igreja deve ter como alvo o fomentar esse tipo de atmosfera.<\/p>\n<p>Por que igrejas substituem a adora\u00e7\u00e3o por entretenimento e com\u00e9dia nos cultos no Dia do Senhor? Muitas que o t\u00eam feito declaram que t\u00eam o objetivo de alcan\u00e7ar os n\u00e3o-crentes; querem criar um ambiente \u201camig\u00e1vel\u201d, que ser\u00e1 mais atraente aos incr\u00e9dulos. O objetivo concreto deles \u00e9 \u201crelev\u00e2ncia\u201d, ao inv\u00e9s de \u201crever\u00eancia\u201d. Seus cultos s\u00e3o idealizados para alcan\u00e7ar os incr\u00e9dulos com o evangelho, e n\u00e3o para os crentes se reunirem a fim de adorarem a Deus e serem edificados. Muitas dessas igrejas n\u00e3o atribuem qualquer \u00eanfase \u00e0s ordenan\u00e7as do Novo Testamento. A Ceia do Senhor, quando observada nessas igrejas, \u00e9 transformada em um culto insignificante, no meio da semana. O batismo se torna real- mente opcional e normalmente s\u00e3o realizados em qualquer outra ocasi\u00e3o, exceto nos cultos dominicais.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 errado nisso? Existe problema em utilizar os cultos do Dia do Senhor como reuni\u00f5es evangel\u00edsticas? H\u00e1 uma raz\u00e3o b\u00edblica que justifica o domingo como dia em que os crentes se re\u00fanem para adora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>As Escrituras e a hist\u00f3ria nos fornecem in\u00fameras raz\u00f5es para separarmos o primeiro dia da semana para adora\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o entre os crentes. Infelizmente, uma considera\u00e7\u00e3o mais detalhada desses argumentos est\u00e1 fora do escopo desse breve artigo. Mas uma simples aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio regulador oferece bastante orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo, aprendemos das Escrituras que o primeiro dia da semana era o dia em que a igreja apost\u00f3lica se reunia para celebrar a Ceia do Senhor: \u201cNo primeiro dia da se- mana, estando n\u00f3s reunidos com o fim de partir o p\u00e3o, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os\u201d (At 20.7). O ap\u00f3s- tolo instruiu os crentes de Corinto a fazerem suas ofertas, sistematicamente, no primeiro dia da semana, deixando claramente impl\u00edcito que este era o dia em que eles deveriam se reunir para adora\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria nos revela que a igreja dos primeiros s\u00e9culos se referia ao primeiro dia da semana como o Dia do Senhor, uma express\u00e3o que encontramos em Apocalipse 1.10.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a B\u00edblia sugere que as reuni\u00f5es regulares da igreja primitiva n\u00e3o visavam a prop\u00f3sitos evangel\u00edsticos, e sim, primariamente, ao encorajamento m\u00fatuo e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o na comunidade de crentes. Esta \u00e9 a raz\u00e3o por que o escritor de Hebreus fez o seguinte apelo: \u201cConsideremo-nos tamb\u00e9m uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e \u00e0s boas obras. N\u00e3o deixemos de<em>congregar-nos<\/em>, como \u00e9 costume de alguns; antes, fa\u00e7amos admoesta\u00e7\u00f5es e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima\u201d (Hb 10.24-25 \u2013 \u00eanfase acrescentada).<\/p>\n<p>Com certeza, havia ocasi\u00f5es em que os incr\u00e9dulos vinham \u00e0s reuni\u00f5es dos crentes. As reuni\u00f5es da igreja do primeiro s\u00e9culo eram essencialmente p\u00fablicas, assim como muitas o s\u00e3o hoje. Mas o pr\u00f3prio culto tinha como objetivo a adora\u00e7\u00e3o a Deus e a comunh\u00e3o entre os crentes. O evangelismo acontecia no contexto da vida di\u00e1ria, \u00e0 medida que os crentes propagavam o evangelho. Eles se reuniam para adora\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o e se separavam para evangelizar. Quando uma igreja torna todas as suas reuni\u00f5es evangel\u00edsticas, os crentes perdem a oportunidade de crescer, de serem edificados e de adorar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o existe qualquer fundamento b\u00edblico para adaptarmos os cultos semanais de acordo com a prefer\u00eancia dos incr\u00e9dulos. Na realidade, essa pr\u00e1tica parece contr\u00e1ria ao esp\u00edrito de tudo que as Escrituras dizem a respeito da comunidade de crentes.<\/p>\n<p>Quando a igreja se re\u00fane, no Dia do Senhor, essa n\u00e3o \u00e9 uma ocasi\u00e3o para entreter o incr\u00e9dulo, divertir os irm\u00e3os ou satisfazer as \u201cnecessidades sentidas\u201d de nossos ouvintes. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma ocasi\u00e3o para, como igreja, nos humilharmos diante de nosso Deus e honr\u00e1-Lo com nossa adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o Confiar na Carne<\/strong>. Em Filipenses 3.3, o ap\u00f3stolo Paulo descreve nesses termos a adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3: \u201cPorque n\u00f3s \u00e9 que somos a circuncis\u00e3o, n\u00f3s que adoramos a Deus no Esp\u00edrito, e nos gloriamos em Cristo Jesus,\u00a0<em>e n\u00e3o confiamos na carne\u201d<\/em>\u00a0(\u00eanfase acrescentada).<\/p>\n<p>Mais adiante nessa carta, Paulo testemunhou como ele chegou a perceber que seu legalismo farisaico, no qual ele vivia antes de tornar-se crente, n\u00e3o tinha qualquer valor. Ele mostrou como anteriormente tinha obsess\u00e3o por quest\u00f5es exteriores e carnais, tais como circuncis\u00e3o, descend\u00eancia e obedi\u00eancia \u00e0 lei, ao inv\u00e9s de se interessar pelas quest\u00f5es mais importantes a respeito do estado de sua alma. A convers\u00e3o de Paulo na estrada de Damasco mudou tudo isso. Seus olhos foram abertos \u00e0 gloriosa verdade da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9. Ele compreendeu que a \u00fanica maneira de estar e ser aceito na presen\u00e7a de Deus era ser vestido com a justi\u00e7a de Cristo. Paulo aprendeu que a simples obedi\u00eancia a ritos religiosos, tais como a circuncis\u00e3o e as cerim\u00f4nias prescritas na lei, n\u00e3o tinha qualquer valor espiritual. De fato, ele rotulou essas coisas como \u201crefugo\u201d, literalmente, \u201cesterco\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, a maioria das pessoas que falam sobre adora\u00e7\u00e3o geralmente t\u00eam em mente as coisas externas \u2013 a liturgia, as cerim\u00f4nias, a m\u00fasica, o ajoelhar-se e outros aspectos for- mais. Recentemente li o testemunho de um homem que abandonou o cristianismo evang\u00e9lico e se uniu ao catolicismo romano. Uma das principais raz\u00f5es que ele apresentou para deixar o evangelicalismo foi que ele encontrou no catolicismo romano uma liturgia que \u201cse parecia mais com adora\u00e7\u00e3o\u201d. Quando ele explicou isso, tornou-se evidente que ele realmente estava dizendo que a Igreja Cat\u00f3lica oferece mais instrumentos de rituais formalistas \u2013 acender velas, imagens, ajoelhar-se, rezar, benzer e outras coisas assim. Ele equiparou essas coisas \u00e0 adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas estas coisas nada significam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o verdadeira, em esp\u00edrito e em verdade. Na realidade, como inven\u00e7\u00f5es humanas \u2013 n\u00e3o prescri\u00e7\u00f5es b\u00edblicas \u2013 correspondem exatamente ao tipo de artif\u00edcios carnais que Paulo chamou de \u201cesterco\u201d.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria e a experi\u00eancia nos mostram que \u00e9 incrivelmente grande a tend\u00eancia humana para acrescentar aparatos carnais \u00e0 adora\u00e7\u00e3o prescrita por Deus. Israel fez isso no Antigo Testamento, culminando na religi\u00e3o dos fariseus. As religi\u00f5es consistiam em nada mais do que rituais da carne. O fato de que tais cerim\u00f4nias freq\u00fcentemente s\u00e3o belas e emocionantes n\u00e3o as transforma em adora\u00e7\u00e3o verdadeira. As Escrituras s\u00e3o claras em afirmar que Deus condena todos os acr\u00e9scimos humanos \u00e0quilo que Ele ordenou de maneira expl\u00edcita \u2013 \u201cEm v\u00e3o me adoram, ensinando doutrinas que s\u00e3o preceitos de homens\u201d (Mt 15.9). N\u00f3s, que amamos a Palavra de Deus e cremos no princ\u00edpio\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>temos de nos acautelar diligentemente contra essa tend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A Adora\u00e7\u00e3o \u00e9 Prioridade Crucial<\/strong><\/p>\n<p>Nosso Senhor disse a Marta, que estava aflita devido aos afazeres dom\u00e9sticos por receber muitos convidados: \u201cMarta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco \u00e9 necess\u00e1rio ou mesmo uma s\u00f3 coisa\u201d (Lc 10.41-42).<\/p>\n<p>A verdade principal \u00e9 evidente. Maria, que se assentara aos p\u00e9s de Jesus, em adora\u00e7\u00e3o, escolhera \u201ca boa parte\u201d, e esta n\u00e3o lhe seria tirada. A adora\u00e7\u00e3o de Maria tinha um significado eterno, enquanto toda a intensa atividade de Marta n\u00e3o significou absolutamente nada, al\u00e9m daquela tarde especial.<\/p>\n<p>Nosso Senhor estava ensinando que a adora\u00e7\u00e3o \u00e9 a atividade essencial que deve preceder todas as outras atividades da vida. Se isto \u00e9 verdade em nossas vidas particulares, n\u00e3o dever\u00edamos n\u00f3s tributar maior import\u00e2ncia \u00e0 adora\u00e7\u00e3o no contexto da congrega\u00e7\u00e3o dos crentes?<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 cheio de religi\u00e3o falsa e superficial. N\u00f3s, que amamos a Cristo e cremos que sua Palavra \u00e9 verdadeira, n\u00e3o ousemos moldar nossa adora\u00e7\u00e3o aos estilos e prefer\u00eancias de um mundo incr\u00e9dulo. Pelo contr\u00e1rio, temos de reputar como nosso principal objetivo ser adoradores em esp\u00edrito e em verdade. Devemos ser pessoas que adoram a Deus no Esp\u00edrito, se gloriam em Cristo Jesus e n\u00e3o confiam na carne. Para fazer isso, temos de permitir que somente a Escritura \u2013\u00a0<em>Sola Scriptura<\/em>\u00a0\u2013 regule nossa adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por:\u00a0John MacArthur.\u00a0\u00a9 Grace to You. Website: <a href=\"https:\/\/www.gty.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gty.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Original: Como devemos cultuar a Deus? \u00a9 Minist\u00e9rio Fiel. 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