{"id":51145,"date":"2019-11-06T11:00:45","date_gmt":"2019-11-06T14:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=51145"},"modified":"2020-02-11T15:47:08","modified_gmt":"2020-02-11T18:47:08","slug":"a-mulher-mais-feliz-que-ja-conheci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2019\/11\/a-mulher-mais-feliz-que-ja-conheci\/","title":{"rendered":"A mulher mais feliz que j\u00e1 conheci"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]H\u00e1 beleza na simplicidade. E h\u00e1 beleza maior na complexidade harmoniosa. Referindo-se a Jesus, Jonathan Edwards disse que h\u00e1 nele \u201cuma admir\u00e1vel conjun\u00e7\u00e3o de diversas excel\u00eancias\u201d. Essa \u00e9 uma maneira singular de dizer que, \u00e0s vezes, coisas que parecem contr\u00e1rias umas \u00e0s outras se juntam em bela harmonia.<\/p>\n<h2>Simplicidade complexa<\/h2>\n<p>Minha m\u00e3e, Ruth Mohn Piper, era assim. Ela era mais bonita por estar totalmente livre de duplicidade em sua complexidade. A homenagem de meu pai a ela, depois que ela faleceu aos cinquenta e seis anos em um acidente de \u00f4nibus em Israel, incluia:<\/p>\n<p>\u201cSua beleza n\u00e3o conhecia vaidade. Ela desprezava o barato, o de mau gosto, o falso. Ela detestava tudo que fosse rid\u00edculo e hip\u00f3crita. Sua autenticidade era transparente. Ela irradiava realidade. A vida para ela n\u00e3o era uma brincadeira nem uma farsa, mas uma express\u00e3o di\u00e1ria de sinceridade imaculada\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, de certa forma, havia total simplicidade. N\u00e3o por falta de complexidade, mas pela presen\u00e7a de unidade, conc\u00f3rdia, integridade. Como a pura simplicidade de um juiz imparcial cujos vereditos t\u00eam perfeita harmonia, embora um r\u00e9u seja libertado e outro v\u00e1 para a forca.<\/p>\n<p>As \u201cexcel\u00eancias diversas\u201d de minha m\u00e3e foram tecidas juntas em tanta harmonia que eu nunca ficava na d\u00favida. Ela era previs\u00edvel &#8211; como o sol nascente. O que trouxe brilho e estabilidade, seguran\u00e7a e descanso aos cora\u00e7\u00f5es de seus filhos. Seu sorriso e sua carranca, sua afirma\u00e7\u00e3o e sua raiva, seu sim e seu n\u00e3o nunca foram enigm\u00e1ticos. Eles sempre vieram da mesma raiz da verdade, fidelidade e consist\u00eancia. Ela nunca foi um curinga, nunca err\u00e1tica, aleat\u00f3ria, caprichosa, arbitr\u00e1ria. Ela era uma rocha nas \u00e1guas tempestuosas da minha vida.<\/p>\n<h2>1. Riso e Trabalho<\/h2>\n<p>O primeiro par de \u201cdiversas excel\u00eancias\u201d que dominou e permeou todos os outros foi sua alegria e sua atividade. Sua risada e seu trabalho. Seu canto e sua dilig\u00eancia. Eu sei que Branca de Neve e os sete an\u00f5es assobiavam enquanto trabalhavam. Mas minha m\u00e3e levou isso para um novo n\u00edvel. Porque ela estava quase sempre trabalhando. E ela era a mulher mais feliz que eu j\u00e1 conheci.<\/p>\n<p>\u201c<em>Ela virava a noite. As m\u00e3os dela nunca estavam ociosas<\/em>\u201d. Essas s\u00e3o as palavras do meu pai. Mas meu testemunho \u00e9 o mesmo. Eu ia para a cama com a m\u00e3e arrumando a sala de estar e acordava &#8211; no s\u00e1bado &#8211; ao som da camur\u00e7a (Cabra-montesa) guinchando, enquanto a m\u00e3e polia a mesa de vidro na sala de jantar. Sem manchas. Sempre.<\/p>\n<p>Um dos meus estere\u00f3tipos de DNA germ\u00e2nico (seu nome de solteira era <em>Mohn<\/em>) \u00e9 <em>sauberkeit<\/em> (limpeza)! Durante os tr\u00eas anos em que morei na Alemanha, vi parte do que fez minha m\u00e3e (e eu) vibrar. As mulheres, com baldes e panos na m\u00e3o, lavavam diariamente os degraus de pedra que levavam da cal\u00e7ada \u00e0s portas da frente.<\/p>\n<h4>Vai ter com a formiga<\/h4>\n<p>Como voc\u00ea poderia esperar, o livro favorito dela na B\u00edblia era Prov\u00e9rbios. Pelo menos \u00e9 o que ela citava com mais frequ\u00eancia para mim. \u00c9 pr\u00e1tico. (\u00c9 tamb\u00e9m principalmente sobre meninos propensos a problemas.) E celebra o trabalho! \u201cVai ter com a formiga, \u00f3 pregui\u00e7oso, considera os seus caminhos e s\u00ea s\u00e1bio\u201d. (Pv 6. 6). \u201cOs seus caminhos\u201d? Nenhuma surpresa para mim.<\/p>\n<p>A m\u00e3o diligente dominar\u00e1, mas a remissa ser\u00e1 sujeita a trabalhos for\u00e7ados. (Pv 12.24)<\/p>\n<p>O pregui\u00e7oso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta. (Pv 13.4)<\/p>\n<p>Quem \u00e9 negligente na sua obra j\u00e1 \u00e9 irm\u00e3o do desperdi\u00e7ador. (Pv 18.9)<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e me pouparia de trabalhos for\u00e7ados e de ser c\u00famplice do desperdi\u00e7ador. Ent\u00e3o ela me ensinou a trabalhar.<\/p>\n<p>E eu estou querendo mesmo dizer <em>ela<\/em>. Meu pai era evangelista e estava fora de casa cerca de dois ter\u00e7os de todos os anos. Fui criado por duas mulheres alem\u00e3s &#8211; Ruth Mohn Piper e sua m\u00e3e, MaMohn, que viveram conosco durante grande parte dos meus anos de crescimento. Ent\u00e3o, quando digo que ela me ensinou a trabalhar, quero dizer <em>ela<\/em>. Papai me ensinou a pescar e jogar golfe &#8211; e estabeleceu um \u00f3timo modelo de poderosa prega\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. Mas, no que diz respeito ao trabalho pr\u00e1tico, minha m\u00e3e me ensinou quase tudo.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cPendure suas roupas quando as tirar, e voc\u00ea nunca precisar\u00e1 arrumar seu quarto\u201d.<\/li>\n<li>\u201cSobreponha o cortador de grama \u00e0 parte que voc\u00ea j\u00e1 cortou e n\u00e3o deixar\u00e1 \u2018rebarbas\u2019\u201d<\/li>\n<li>\u201cTroque o \u00f3leo e o motor durar\u00e1 mais tempo. Fa\u00e7a Voc\u00ea Mesmo. Existe uma chave especial para o filtro \u201c.<\/li>\n<li>\u201cQuando voc\u00ea limpar o canteiro de flores [o que faz\u00edamos continuamente], arranque a \u201cGrama das Bermudas\u201d pelas ra\u00edzes; caso contr\u00e1rio, ela estar\u00e1 de volta em uma semana. \u201c<\/li>\n<li>\u201cCertifique-se de que o \u00f3leo esteja fervendo quando colocar as batatas fatiadas, caso contr\u00e1rio, as batatas fritas caseiras ficar\u00e3o ensopadas, n\u00e3o crocantes.\u201d<\/li>\n<li>\u201cVire as panquecas quando vir as bolhas nas bordas.\u201d<\/li>\n<li>\u201cJogue \u00e1gua fria sobre a panela de press\u00e3o antes de girar a tampa (ou voc\u00ea vai arrancar a sua pr\u00f3pria cabe\u00e7a).\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<p>Eu nunca ouvi uma palavra filos\u00f3fica sair da boca de minha m\u00e3e. O que voc\u00ea poderia fazer com algo filos\u00f3fico? Voc\u00ea n\u00e3o pode limp\u00e1-lo, dobr\u00e1-lo, empilh\u00e1-lo ou guard\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ouvi uma vez que as mulheres n\u00e3o suam &#8211; elas brilham. N\u00e3o \u00e9 verdade. Minha m\u00e3e suava. E o suor escorria pela ponta do nariz. \u00c0s vezes, ela o soprava enquanto suas m\u00e3os empurravam o carrinho de m\u00e3o cheio de turfa. Ou ela o enxugava com a manga entre os golpes de uma l\u00e2mina oscilante. Minha m\u00e3e era forte. Ainda me lembro dos bra\u00e7os dela hoje, sessenta anos depois. Eles eram grandes e no ver\u00e3o eram bronzeados.<\/p>\n<h4>Fonte para a Felicidade<\/h4>\n<p>Em todo esse trabalho, at\u00e9 onde eu sabia, a vida era alegre. Ela era a mulher mais feliz que eu j\u00e1 conheci. E n\u00e3o quero dizer que ela sempre se saia bem. Quero dizer que ela sorria, ria e cantava. Minha lembran\u00e7a dominante dela \u00e9 um rosto sorridente. Trabalho n\u00e3o era labuta penosa. Era uma fonte para ser feliz.<\/p>\n<p>Seja a m\u00e3e dela, sentada ao piano de cauda (que conta alguma coisa sobre a nossa casa), cantando em vibrato com seus cabelos prateados e gargantilha, uma m\u00fasica de sal\u00e3o de 1906 como \u201cI Love You Truly\u201d &#8211; o tipo de som que os adolescentes adoram imitar com hilaridade &#8211; ou se era minha m\u00e3e cantarolando \u201cHeavenly Sunshine\u201d enquanto passava roupas de baixo (!), ou meu pai e minha m\u00e3e juntos cantando \u201cWhen We All Go to Heaven\u201d no banco da frente do carro, por nove horas, indo para as f\u00e9rias em Greenville, Carolina do Sul, em Daytona Beach &#8211; minha vida estava imersa na m\u00fasica.<\/p>\n<p>Isso torna dif\u00edcil, para um jovem, distinguir onde o trabalho termina e a divers\u00e3o come\u00e7a. E sim, minha m\u00e3e se divertia. Ela e papai atra\u00edam minha irm\u00e3 e eu para os jogos de Scrabble sempre que podiam. E quando os convidados chegavam, os jogos de Rook, Pit ou charadas eram estridentes, com a voz risonha de minha m\u00e3e acima das outras.<\/p>\n<h4>Vis\u00e3o de Sa\u00fade e Alegria<\/h4>\n<p>Ela nunca ria tanto quanto quando meu pai voltava para casa por tr\u00eas, quatro ou duas semanas. Seria segunda-feira \u00e0 noite (j\u00e1 que suas reuni\u00f5es terminavam no domingo \u00e0 noite). Papai voava para casa \u00e0 tarde. Havia uma refei\u00e7\u00e3o especial preparada. E \u00e0 mesa ouv\u00edamos hist\u00f3rias do triunfo do evangelho e as novas piadas que ele havia aprendido.<\/p>\n<p>N\u00e3o importava se eram engra\u00e7adas. Meu pai ria tanto de suas pr\u00f3prias piadas que o resto de n\u00f3s n\u00e3o podia deixar de se juntar a ele \u2013 com a m\u00e3e \u00e0 frente. Sua risada come\u00e7aria com uma pequena explos\u00e3o de soprano. Sua cabe\u00e7a prateada se lan\u00e7aria para tr\u00e1s e seus longos dentes brancos brilhariam sob o nariz afiado. Seu pesco\u00e7o bronzeado ficaria vermelho quando os tend\u00f5es se retra\u00edssem. Ela era a vis\u00e3o de sa\u00fade e alegria.<\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas em ambientes dom\u00e9sticos. Certa vez, em uma viagem de pesca em alto mar na Fl\u00f3rida, ela fisgou um peixe-espada de dois metros. O tipo que faz com que os capit\u00e3es de barcos levem bandeiras especiais ao atracar. Demorou mais de uma hora para enrolar a linha, com todos na fam\u00edlia se revezando no carretel. Mas era o peixe dela. Em vez de mant\u00ea-lo inteiro como um trof\u00e9u em uma parede, ela o preparou em bifes salgados e nos enviou em gelo seco.<\/p>\n<p>Assim, as diversas excel\u00eancias de atividade e alegria, riso e trabalho, canto e dilig\u00eancia permearam meu crescimento. O efeito disso em mim foi, suponho, incalcul\u00e1vel. S\u00f3 Deus sabe. Mas estou agradecido.<\/p>\n<h2>2. Onicompet\u00eancia Complementar<\/h2>\n<p>O segundo par de diversas excel\u00eancias que me fez admir\u00e1-la, especialmente \u00e0 medida que envelheci, foi sua onicompet\u00eancia combinada com um profundo compromisso com a \u201ccoreografia\u201d complementar no casamento &#8211; antes que algu\u00e9m ouvisse falar de um adjetivo t\u00e3o desajeitado. O que me surpreendeu n\u00e3o foi apenas o fato de mam\u00e3e <em>poder <\/em>fazer tudo melhor que meu pai (exceto pregar, orar e contar piadas), mas o fato de ela <em>ter feito<\/em> tudo melhor.<\/p>\n<h4>Dan\u00e7a da submiss\u00e3o<\/h4>\n<p>Como meu pai estava ausente durante dois ter\u00e7os do ano, eu conhecia minha m\u00e3e tanto como m\u00e3e solit\u00e1ria onicompetente e tamb\u00e9m como uma esposa complementar. Voc\u00ea pode pensar: esta \u00e9 uma receita para o desastre &#8211; o homem constantemente chegando e saindo de casa. Mas surpreendentemente, para cr\u00e9dito de minha m\u00e3e, n\u00e3o foi um desastre. Quando ele estava fora, ela fazia tudo, com facilidade e excel\u00eancia. Quando ele chegava em casa, ela realmente amava sua lideran\u00e7a. Ele nos reunia \u00e0 mesa. Ele nos levava \u00e0 igreja. Ele nos chamava para devo\u00e7\u00f5es familiares. Ele falava a primeira e mais firme palavra de disciplina. Ele tomava a iniciativa de sair para comer no Howard Johnson. Ele mostrava o tipo de cortesias masculinas que hoje s\u00e3o desprezadas. E em tudo isso a m\u00e3e sorria. Ela adorava. Mais tarde, eu aprenderia que a B\u00edblia chama isso de submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>E, claro, o fato de ela amar a lideran\u00e7a de papai n\u00e3o tinha nada a ver com suas incompet\u00eancias. At\u00e9 onde eu sabia, ela n\u00e3o as tinha. Tinha a ver com um profundo senso de afinidade com a maneira como Deus coreografou a dan\u00e7a da masculinidade e da feminilidade no casamento. Fui aben\u00e7oado com um lugar na primeira fila do \u201cdrama\u201d do casamento, em que minha m\u00e3e levou o Oscar de mulher onicompetente e de esposa complementar.<\/p>\n<h4>Treinando-me a cada passo<\/h4>\n<p>Enquanto papai estava fora, eu a assistia lidar com todas as finan\u00e7as: pagar as contas, lidar com o banco e os credores, lavar em uma lavanderia operada por moedas e me ensinar a cada passo como tudo era feito. Eu a observava liderar o clube da horta comunit\u00e1ria, administrar uma franquia da \u201cAmway\u201d, administrar propriedades imobili\u00e1rias e lidar com os empreiteiros quando adicionamos um por\u00e3o, mais de uma vez colocando a m\u00e3o na p\u00e1. E tamb\u00e9m servia como superintendente do Departamento de Ensino M\u00e9dio da Escola Dominical.<\/p>\n<p>Quando eu precisava de ajuda na escola, n\u00e3o contrat\u00e1vamos um tutor. L\u00e1 estava mam\u00e3e. Ela me ajudou com os mapas em geografia; ela me mostrou como fazer uma bibliografia e a elaborar um projeto cient\u00edfico sobre eletricidade est\u00e1tica. Ela me guiou pela \u00c1lgebra II e me convenceu de que era poss\u00edvel aprend\u00ea-la. Duvido que meu pai pudesse ter feito alguma dessas coisas &#8211; certamente n\u00e3o t\u00e3o bem quanto mam\u00e3e.<\/p>\n<p>Mas, apesar de toda a sua compet\u00eancia, nunca me ocorreu pensar que a masculinidade de meu pai e a feminilidade de minha m\u00e3e eram funcionalmente intercambi\u00e1veis. Ambos eram fortes. Ambos eram brilhantes. Ambos eram gentis. Ambos me beijaram e me bateram. Ambos eram bons com palavras. Ambos oravam com fervor e amavam a B\u00edblia. Mas, inconfundivelmente, meu pai era homem e minha m\u00e3e era mulher. Eles sabiam disso e eu sabia disso. E n\u00e3o era apenas um fato biol\u00f3gico. Era mais uma quest\u00e3o de personalidade dada por Deus e din\u00e2mica relacional.<\/p>\n<h2>3. Car\u00e1ter moral e cuidados misericordiosos<\/h2>\n<p>O terceiro par de diversas excel\u00eancias \u00e9 o car\u00e1ter moral e o cuidado delicado &#8211; uma sensa\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel de certo e errado misturada com ternura misericordiosa. Eu disse acima que ela parecia fazer tudo com facilidade. Nem tanto. N\u00e3o era f\u00e1cil. Dois pais \u00e9 ideia de Deus. Mesmo que, aos catorze anos, eu fosse quinze cent\u00edmetros mais alto que minha m\u00e3e de um metro e cinquenta e cinco, eu ainda precisava da m\u00e3o firme de um pai &#8211; se necess\u00e1rio no meu traseiro.<\/p>\n<h4>Cinto, sab\u00e3o e pol\u00edcia<\/h4>\n<p>Mas ela fazia o que tinha que fazer. Ela dava a lei e a aplicava. Lembro-me de apenas uma vez sendo chicoteado por esta pequena mulher com um cinto. Eu faltei \u00e0 igreja em um domingo \u00e0 noite quando tinha catorze anos. Isso foi uma ofensa dupla. Irresponsabilidade na frequ\u00eancia e engano. O que tornou essa surra t\u00e3o memor\u00e1vel \u00e9 que eu fiquei ali como uma pedra, como se dissesse que ela n\u00e3o poderia me machucar. Quando ela saiu do meu quarto chorando, eu me senti mal e desprez\u00edvel por trat\u00e1-la t\u00e3o mal.<\/p>\n<p>Depois, houve um dia em que ela literalmente lavou minha boca com sab\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma met\u00e1fora. Agarrou meu cabelo, me inclinou sobre a pia e enfiou uma barra de sab\u00e3o na boca (acho que era da marca Ivory.) O que eu disse para desencadear essa ira? Eu disse: \u201cCale a boca\u201d! Para minha irm\u00e3.<\/p>\n<p>Depois, houve aquela noite em minha adolesc\u00eancia, quando ela me deixou sair com o carro com alguns de meus amigos. Naquele tempo, voc\u00ea poderia obter sua carteira de motorista aos catorze. No caminho para casa, fui parado por excesso de velocidade na Church Street. Tudo em que eu conseguia pensar era na minha m\u00e3e. Sozinha em casa, sem um homem para apoi\u00e1-la.<\/p>\n<p>Entrei e disse a ela que havia sido multado. Ela chorou como se eu tivesse atirado em algu\u00e9m, me conduziu at\u00e9 o carro e me fez dirigir direto para a delegacia \u00e0s onze da noite. Ela esperou no carro enquanto eu entrei, pedi desculpas e paguei a multa. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<h4>Sozinha contra o racismo<\/h4>\n<p>E depois houve aquela vota\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel em nossa igreja em uma quarta-feira \u00e0 noite, quando a m\u00e3e ficou completamente sozinha. Menciono isso apenas para mostrar a for\u00e7a de car\u00e1ter que ela possu\u00eda, mesmo quando n\u00e3o se tratava de pastorear seu filho, mas de defender a justi\u00e7a. As quest\u00f5es raciais eram explosivas em Greenville no in\u00edcio dos anos sessenta. Igrejas brancas estavam sendo visitadas por afro-americanos para expor suas rea\u00e7\u00f5es ao racismo.<\/p>\n<p>Nossa igreja decidiu votar para que nenhum negro fosse autorizado a entrar no santu\u00e1rio. Minha m\u00e3e foi a \u00fanica que n\u00e3o votou a favor disso. Ela ficou arrasada. N\u00e3o muito tempo depois, o casamento de minha irm\u00e3 foi realizado na igreja e, quando os convidados negros que chegavam ao casamento estavam prestes a ser direcionados para a varanda n\u00e3o utilizada para evitar \u201cuma cena\u201d, minha m\u00e3e assumiu o comando e levou esses amigos para o Santu\u00e1rio. Ela pode ter pouco mais de um metro e meio. Mas no cen\u00e1rio da minha forma\u00e7\u00e3o moral, ela era imponente.<\/p>\n<h4>Mas n\u00e3o era t\u00e3o simples<\/h4>\n<p>As regras eram claras. Quebre as regras, pague o pre\u00e7o. Era uma atmosfera moralmente limpa e clara para se respirar enquanto crescia. N\u00e3o se perguntava o certo e o errado. E as consequ\u00eancias eram claras. Mas, \u00e0 medida que amadureci, vi que n\u00e3o era t\u00e3o simples. Ela sabia disso. E logo eu saberia disso. Por exemplo, eu sabia que nossa fam\u00edlia n\u00e3o ia ao cinema e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00edamos a bailes. Se voc\u00ea acha que isso parece sufocante, n\u00e3o era. Lembre-se, eu tinha a fam\u00edlia mais feliz que eu j\u00e1 conheci.<\/p>\n<p>Bem, na s\u00e9tima s\u00e9rie, a sala da Sra. Adams ganhou o pr\u00eamio por maior frequ\u00eancia. A senhora Adams era a professora de ingl\u00eas com quem aprendi quase tudo o que sei sobre gram\u00e1tica inglesa. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o ponto. A quest\u00e3o \u00e9 que nossa sala conseguiu dispensa da escola para ir ao cinema como pr\u00eamio. Ent\u00e3o eu contei \u00e0 mam\u00e3e e perguntei o que eu deveria fazer. Ela disse: \u201cSuponho que voc\u00ea deva fazer o que achar melhor\u201d. Uau! O legislador e o policial acabam de entregar as r\u00e9deas morais a um garoto de treze anos.<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu na oitava s\u00e9rie. Havia uma garota bonita na minha classe que pertencia a um grupo que anualmente realizava um baile \u201cSadie Hawkins\u201d, para o qual, ao contr\u00e1rio do convencional, as meninas convidam os rapazes. Ela me ligou me convidando para ir. Eu me atrapalhei e desajeitadamente disse algo como: \u201cEu n\u00e3o sei dan\u00e7ar\u201d. Para o qual ela respondeu de maneira embara\u00e7osa: \u201cBem, podemos sentar e conversar.\u201d Pedi licen\u00e7a para perguntar \u00e0 mam\u00e3e o que fazer. Mesma resposta: \u201cO que voc\u00ea achar melhor\u201d. Oh n\u00e3o. Um novo mundo de responsabilidade moral estava caindo sobre mim.<\/p>\n<p>Voc\u00ea provavelmente esteja se perguntando o que eu fiz, certo? Bem, esse n\u00e3o \u00e9 o ponto. A quest\u00e3o \u00e9 que essa m\u00e3e mais feliz de todas as fundamentalistas, que poderia exercer sua autoridade com cinto, sab\u00e3o e pol\u00edcia, sabia que estava criando um homem que teria que se sustentar sobre suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es. E ela me conhecia.<\/p>\n<p>Sim, eu fui ao cinema. N\u00e3o, eu n\u00e3o fui ao baile. Pelo que me lembro, est\u00e1vamos saindo da cidade naquela noite (misericordiosamente).<\/p>\n<h4>Cuidado incessante<\/h4>\n<p>Talvez uma das raz\u00f5es pelas quais eu tenha abra\u00e7ado alegremente a sabedoria moral de meus pais, incluindo uma alta vis\u00e3o de feliz santidade e separa\u00e7\u00e3o do mundanismo, seja que minha m\u00e3e n\u00e3o era principalmente legisladora e executora da lei. Ela era principalmente um suporte terno, carinhoso e misericordioso em minhas lutas. A maior luta foi em rela\u00e7\u00e3o ao fato de eu ficar paralisado na frente de qualquer grupo ao qual eu tivesse que falar. N\u00e3o estamos falando aqui de borboletas de nervosismo no est\u00f4mago sobre as quais as pessoas brincam. Isso n\u00e3o era brincadeira.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o podia &#8211; <em>n\u00e3o podia<\/em> &#8211; falar na frente de uma classe. Na d\u00e9cima s\u00e9rie, o Sr. Vermillion exigia um relat\u00f3rio oral sobre algum livro, em sua aula c\u00edvica. Eu disse a ele que n\u00e3o podia. Ele n\u00e3o tinha ideia do que eu quis dizer. Eu n\u00e3o o fiz e minha nota nessa mat\u00e9ria refletiu o fracasso. Essa ang\u00fastia durante todo o ensino m\u00e9dio causou profunda ansiedade e muitas l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Em um determinado momento minha m\u00e3e me levou a um psic\u00f3logo. Ap\u00f3s alguns testes de \u201cRorschach\u201d, o psic\u00f3logo deu a entender que o problema poderia ser minha m\u00e3e. Agradeci, sa\u00ed do consult\u00f3rio e nunca mais voltei. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o entendia muitas coisas, mas havia uma que eu sabia: minha m\u00e3e era a \u00fanica pessoa no mundo que estava me ajudando pacientemente, com ternura e amorosamente durante aqueles anos terr\u00edveis. E eu n\u00e3o estava disposto a culp\u00e1-la por nada.<\/p>\n<p>Seus cuidados para comigo nunca cessaram at\u00e9 o dia de sua morte, quando eu tinha vinte e oito anos. Cartas, cartas e mais cartas. Por exemplo, a \u00faltima carta que ela me escreveu foi do avi\u00e3o no qual ela seguia para Israel em dez de dezembro, seis dias antes dela falecer em um acidente de \u00f4nibus nos arredores de Bel\u00e9m. Nos noventa dias que antecederam a \u00faltima carta, quando eu acabara de chegar em Minnesota, ela me escreveu cinquenta p\u00e1ginas (ainda as tenho) de not\u00edcias, incentivos e conselhos.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o a Deus melhor porque minha m\u00e3e o refletiu, com autenticidade perfeita, um senso inabal\u00e1vel de certo e errado misturado com ternura misericordiosa. Ela era legisladora, executora da lei e s\u00e1bia saturada do evangelho. De que outra forma uma crian\u00e7a estaria preparada para conhecer o verdadeiro Deus das Escrituras?<\/p>\n<h4>A palavra de Deus<\/h4>\n<p>As Escrituras. Que fundamento glorioso para a vida &#8211; e para a eternidade. Papai pregou e orou. Mam\u00e3e trabalhou em uma vida que deve ter sido muito dif\u00edcil. Quanto mais eu amadurecia, mais percebia os sacrif\u00edcios e a dor. O que tornou aquela alegria ainda mais incr\u00edvel e doce. Sob tudo isso estava a palavra de Deus. \u00c9 o \u00fanico livro que eu a vi ler. Ela n\u00e3o era uma leitora. Ent\u00e3o, ela guardou quase toda a sua leitura para o livro mais importante.<\/p>\n<p>Tenho diante de mim a B\u00edblia Scofield King James preta, encadernada em couro, que meus pais me deram no meu anivers\u00e1rio de quinze anos. Por dentro, em sua letra inconfund\u00edvel, est\u00e3o as palavras,<\/p>\n<p>Feliz Anivers\u00e1rio, filho<br \/>\n11 de janeiro de 1961<br \/>\n\u201cEste livro manter\u00e1 voc\u00ea longe do pecado.<br \/>\nOu o pecado manter\u00e1\u00a0voc\u00ea longe deste livro\u201d.<br \/>\nMam\u00e3e e papai<\/p>\n<p>Tem o nome de ambos. Mas a m\u00e3o \u00e9 a dela. Papai provavelmente n\u00e3o estivesse em casa. \u00c9 assim que as coisas eram. O fato de eu sempre ter considerado meu pai na mais alta estima, am\u00e1-lo profundamente, e admirar seu minist\u00e9rio, \u00e9 sem d\u00favida devido \u00e0 inabal\u00e1vel alegria de minha m\u00e3e em apoi\u00e1-lo. No funeral dela, um homem que estava naquela \u00faltima viagem a Israel disse que os viu de m\u00e3os dadas na Terra Prometida.<\/p>\n<p>Obrigado, Pai, por esse casamento, pelas diversas excel\u00eancias e por essa grande mulher.[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: John Piper. \u00a9 Desiring God Foundation. Website: <a href=\"http:\/\/www.desiringgod.org\/languages\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/the-happiest-woman-i-have-ever-known\">The Happiest Woman I Have Ever Known<\/a>.<\/p>\n<p>Original: <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2019\/11\/a-mulher-mais-feliz-que-ja-conheci\/\">A mulher mais feliz que j\u00e1 conheci<\/a>. \u00a9 Minist\u00e9rio Fiel. Website:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ministeriofiel.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MinisterioFiel.com.br<\/a>. Todos os direitos reservados. Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Reiss Junior. 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