{"id":53914,"date":"2020-06-03T10:59:24","date_gmt":"2020-06-03T13:59:24","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=53914"},"modified":"2020-06-03T10:59:24","modified_gmt":"2020-06-03T13:59:24","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/06\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-3\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 3)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]N\u00e3o tento, \u00f3 Senhor, penetrar a tua profundidade: de maneira alguma minha intelig\u00eancia amolda-se a ela, mas desejo, ao menos, compreender a tua verdade, que o meu cora\u00e7\u00e3o cr\u00ea e ama. Com efeito, n\u00e3o busco compreender para crer, mas creio para compreender. Efetivamente creio, porque, se n\u00e3o cresse, n\u00e3o conseguiria compreender. \u2013 Anselmo de Cantu\u00e1ria (1033-1109).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O desejo de conhecer \u00e9 um atributo do ser humano. Creio que seja um resqu\u00edcio magn\u00edfico da nossa condi\u00e7\u00e3o de imagem de Deus, ainda que desfigurada.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> O homem \u00e9 um ser moral que pode conhecer, escolher e decidir. Isso \u00e9 magn\u00edfico. O pecado, que nos incapacitou espiritualmente, n\u00e3o impossibilitou o nosso conhecimento.<\/p>\n<p>O que parece que perdemos, \u00e9 a capacidade de unificar o conhecimento, constituindo uma s\u00edntese que aponte para Deus como autor de todo saber. Desse modo, podemos ter muitos conhecimentos fragmentados, o que est\u00e1 longe de ser irrelevante, por\u00e9m, n\u00e3o conseguimos elabor\u00e1-los e relacion\u00e1-los em um grande sistema coerente e consistente que tenha Deus como Senhor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,\u00a0 e isso \u00e9 o mais tr\u00e1gico, perdemos em grande parte o senso \u00e9tico. Conhecimento sem \u00e9tica, costuma ser altamente perigoso. A \u00e9tica n\u00e3o tem autonomia. Ela est\u00e1 fundamentada consciente ou inconscientemente na teologia.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> \u00c9 por isso, que o rompimento com Deus faz com que o homem construa a sua \u00e9tica a partir de referencias seculares e id\u00f3latras, n\u00e3o mais partindo da revela\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Se a \u201c\u00c9tica crist\u00e3 \u00e9 a ci\u00eancia da conduta humana determinada pela conduta divina\u201d, como interpreta Brunner (1889-1966),<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Deus em sua natureza e revela\u00e7\u00e3o deve ser o fundamento da moralidade humana.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Retornando ao nosso ponto, destacamos a c\u00e9lebre frase de Arist\u00f3teles (384-322 a.C.): &#8220;Todos os homens t\u00eam, por natureza, desejo de conhecer&#8221;.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> S\u00e9culos depois, Com\u00eanio (1592-1670) acrescentaria como express\u00e3o de f\u00e9: \u201cnada existe no mundo que o homem, dotado de sentidos e de raz\u00e3o, n\u00e3o consiga aprender\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles, \u00e9 observ\u00e1vel desde a inf\u00e2ncia, quando a crian\u00e7a faz perguntas intermin\u00e1veis sobre quest\u00f5es para as quais, n\u00f3s, adultos, h\u00e1 muito iniciados no mundo do saber, nem sempre temos respostas satisfat\u00f3rias.<\/p>\n<p>O homem carrega consigo o desejo de conhecer; e este desejo o acompanha por toda a sua exist\u00eancia, visto que a onisci\u00eancia lhe escapa. \u00c9 justamente por meio do conhecimento que descobrimos os nossos limites. Despedir-se desse desejo \u00e9, de certa forma, despedir-se da vida.<\/p>\n<p>O homem, por desejar conhecer, est\u00e1 comprometido com a busca da verdade. A verdade tem seus atrativos pr\u00f3prios que nos fascinam e. de certa forma, sempre a desejamos por perto, ainda que nem sempre com prop\u00f3sitos dos mais nobres.<\/p>\n<p>Acontece que enquanto buscamos a verdade absoluta, na maioria das vezes, temos que nos contentar com as migalhas e fragmentos, por certo significativos,<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> das &#8220;verdades&#8221; de nossa \u00e9poca ou, que representam apenas uma part\u00edcula do universo do saber. Esse \u00e9 mais um motivo que deve nos conduzir humildemente em nossa apreens\u00e3o e di\u00e1logo a respeito da verdade. A ignor\u00e2ncia\u00a0 costuma ser atrevida e arrogante. O discernimento correto torna-nos modestos.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Por crermos na exist\u00eancia de verdade absoluta, n\u00e3o significa que o nosso conhecimento seja absoluto.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Do mesmo modo que crer que exista um Deus n\u00e3o significa necessariamente que me relacione com ele.<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles (384-322 a.C.), compreendeu a dial\u00e9tica da facilidade e dificuldade em se encontrar a verdade, todavia, n\u00e3o se entregou a esta ambiguidade, antes, procurou um meio que considerou relevante para esta busca:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A especula\u00e7\u00e3o acerca da verdade \u00e9, num sentido, dif\u00edcil, noutro, f\u00e1cil: a prova \u00e9 que ningu\u00e9m a pode atingir completamente, nem totalmente afastar-se dela, e que cada [fil\u00f3sofo] tem algo a dizer sobre a natureza, nada ou pouco acrescentando cada um \u00e0 verdade, embora se fa\u00e7a do conjunto de todos uma boa colheita. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c9, pois, com direito que a filosofia \u00e9 tamb\u00e9m chamada a ci\u00eancia da verdade.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em outro lugar, Arist\u00f3teles, demonstra o seu otimismo: &#8220;Os homens s\u00e3o, por natureza, suficientemente propensos para o verdadeiro e na maioria dos casos alcan\u00e7am a verdade&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Partimos do princ\u00edpio de que o desejo de conhecer \u00e9 essencial \u00e0 natureza humana, como evid\u00eancia da sua condi\u00e7\u00e3o de car\u00eancia e limita\u00e7\u00e3o. O que h\u00e1 de mais humano do que o desejo? A filosofia \u00e9 uma atividade humana, levada a efeito por todos aqueles que t\u00eam consci\u00eancia de sua limita\u00e7\u00e3o mas, que, ao mesmo tempo, est\u00e3o comprometidos em super\u00e1-la, sabendo que o caminho do saber \u00e9 o caminho da ang\u00fastia<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> e da esperan\u00e7a, da consci\u00eancia cada vez mais eloquente de nossa ignor\u00e2ncia.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Mas, como observou Agostinho (354-430): &#8220;Aquilo que n\u00e3o temos desejo n\u00e3o pode ser objeto de nossa esperan\u00e7a, nem de nosso desespero&#8221;.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>Conhecer significa interpretar os fatos, apontando trilhas, descobrindo sinais que precisam ser decodificados, a fim de que, paradoxalmente, emitamos outros sinais, que outros aprendizes do saber interpretar\u00e3o, deixando tamb\u00e9m a sua rota, que, como a nossa, n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente boa para outro aprendiz do saber. Por isso, \u00e9 que podemos afirmar que a vida \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o existencial, viva, do que vemos e sentimos. Sou aquilo que sinto. Sinto conforme sou. O sentir est\u00e1 para o ser como o ser para o sentir. O fato \u00e9 que em grande parte, o nosso comportamento e a nossa vida se constituem em resposta (n\u00e3o simplesmente &#8220;rea\u00e7\u00e3o&#8221;) ao que vemos, \u00e0 nossa leitura vivida do mundo.<\/p>\n<p>O modo como enxergamos o mundo, a nossa cosmovis\u00e3o, se reflete em nosso modo de viver e de ser. Negar na pr\u00e1tica uma cosmovis\u00e3o professada, n\u00e3o significa n\u00e3o ter cosmovis\u00e3o, antes, sustentar outra que de modo velado, fundamente a cosmovis\u00e3o p\u00fablica que professo. Contudo, aquela \u00e9 que faz parte do meu c\u00e2non interior, da infraestrutura de meu ser. Esta, em geral, n\u00e3o publico. Pelo menos, n\u00e3o conscientemente.<\/p>\n<p>Talvez seja isto que contribua para que o homem seja um desconhecido para si mesmo como para os outros.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, que o poeta E. Young (1683-1765) chama o homem de &#8220;incompreens\u00edvel&#8221;<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> e Agostinho (354-430) o denomine de &#8220;abismo&#8221;,<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Chesterton (1874-1936) o considere <em>comovente,<\/em><a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> Bavinck (1854-1921) o denomine de \u201ccoroa da cria\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> e Schaeffer (1912-1984) o chame de \u201cmaravilhoso\u201d.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> &#8220;S\u00f3 o homem \u00e9 miser\u00e1vel&#8221;,<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> porque ele conhece a sua mis\u00e9ria. A sua grandeza est\u00e1 em saber, perceber que \u00e9 miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>O homem est\u00e1 acima de toda a cria\u00e7\u00e3o; ele talvez seja o mais fr\u00e1gil de tudo o que foi criado; todavia ele sabe quem e o que \u00e9; \u00e9 um &#8220;cani\u00e7o pensante&#8221;;<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> por isso mesmo, o homem \u00e9 o milagre mais portentoso de todos:<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> \u00e9 a obra-prima de Deus.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/p>\n<p>O homem como ser pensante, traduz em sua vida a necessidade de satisfazer o seu desejo vital de conhecer. \u00c9 justamente nesta car\u00eancia que ele revela mais uma vez a sua for\u00e7a: desejar conhecer significa ter consci\u00eancia de que n\u00e3o se sabe e, concomitantemente, de que se pode saber.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo falaremos sobre Ad\u00e3o e Eva.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Santo Anselmo de Cantu\u00e1ria, <em>Prosl\u00f3gio, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 7), 1973, p. 107.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Veja-se: Alvin Plantinga, <em>Ci\u00eancia, Religi\u00e3o e Naturalismo: onde est\u00e1 o conflito? <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2018, p. 240.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Veja-se: Andr\u00e9 Bi\u00e9ler, <em>Calvino, o profeta de La era industrial: fundamentos y m\u00e9todo de La \u00e9tica calviniana de la sociedad, <\/em>M\u00e9xico, D.F.: Casa Unida de Publicaciones, 2015, p. 27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u201cQuando perguntamos o que \u00e9 certo, o que \u00e9 moral, respondemos \u00e0 quest\u00e3o n\u00e3o apelando para algum padr\u00e3o moral independente, como se pudesse haver um padr\u00e3o para qualquer coisa separado de Deus, e sim apelando para a vontade e natureza do pr\u00f3prio Deus. O certo \u00e9 o que Deus \u00e9 e revela para n\u00f3s\u201d (James M. Boice, <em>Fundamentos da F\u00e9 Crist\u00e3: Um manual de teologia ao alcance de todos, <\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011, p. 112).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Emil Brunner, <em>The Divine Imperative: A study in Christian ethics, <\/em>\u00a06. imp. London: Lutterworth Press, 1958, p. 86.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Veja-se: James M. Boice, <em>Fundamentos da F\u00e9 Crist\u00e3: Um manual de teologia ao alcance de todos, <\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011, p. 112.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Arist\u00f3teles, <em>Metaf\u00edsica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 4), 1973, I.1. p. 211.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>J.A. Com\u00e9nio, <em>Did\u00e1ctica Magna,<\/em> 3. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, [1985], V, p. 105.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Veja-se a observa\u00e7\u00e3o pertinente de John Knox a respeito da relev\u00e2ncia de todo &#8220;pedacinho&#8221; de verdade. (John Knox, <em>A Integridade da Prega\u00e7\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: ASTE. 1964, p. 35-36).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Vejam-se: \u00a0Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1,\u00a0 (Jo 3. 25), p. 140; Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 3.1), p. 81.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Cf. Verdade, natureza da: \u00a0Norman Geisler, <em>Enciclop\u00e9dia de Apolog\u00e9tica: respostas aos cr\u00edticos da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2002, p. 865-866.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Arist\u00f3teles, <em>Metaf\u00edsica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 4), 1973, II.1. p. 239.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>Arist\u00f3teles, <em>Arte Ret\u00f3rica,<\/em> Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint, (s.d.), I.1.3.11. p. 30.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> <em>\u201c<\/em><em>Apliquei o cora\u00e7\u00e3o a <u>esquadrinhar<\/u><\/em> (vrD) (darash) e a <em><u>informar-me<\/u><\/em>\u00a0 (rWT) (tur) (investigar, explorar, examinar cuidadosamente) <em>com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do c\u00e9u; este <u>enfadonho<\/u> <\/em>([r;)(ra`) (mal)<em> trabalho imp\u00f4s Deus aos filhos dos homens, para nele os <u>afligir<\/u> <\/em>(hfnf() (\u2018\u00e3n\u00e3h)<em>\u201d <\/em>(Ec 1.12).<\/p>\n<p>A ideia b\u00e1sica do termo (vrD) (darash) \u00a0\u00e9 <em>buscar com dilig\u00eancia<\/em>: <em>\u201c<\/em><em>Mois\u00e9s <u>diligentemente buscou<\/u> <\/em>(vrd) (darash) <em>o bode da oferta pelo pecado\u201d<\/em> (Lv 10.16). A palavra buscar al\u00e9m deste sentido (Sl 22.26; 24.6 [duas vezes]; Sl 53.3), pode ser traduzida por: <em>requerer<\/em> (Dt 23.22; Sl 9.12); <em>cuidar<\/em> (Dt 11.12); <em>investigar<\/em> (Sl 10.4); se <em>importar<\/em> (Sl 10.13); <em>esquadrinhar<\/em> (Sl 10.15); pro<em>c<\/em>urar (Sl 77.2); <em>considerar<\/em> (Sl 111.2); <em>empenhar-se<\/em> (Sl 119.45); <em>interessar-se<\/em> (Sl 142.4).<\/p>\n<p>A palavra hebraica (hfnf() (\u2018\u00e3n\u00e3h) tem o sentido de \u201c<em>aflito<\/em>\u201d, \u201c<em>oprimido<\/em>\u201d, com o sentimento de impot\u00eancia, consciente de que o seu resgate depende unicamente da miseric\u00f3rdia de Deus. Esta palavra \u00e9 contrastada com o orgulho, que se julga poderoso para resolver todos os seus problemas, relegando Deus a uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, sendo-Lhe indiferente.<\/p>\n<p>hfnf( (\u2018\u00e3n\u00e3h) apresenta tamb\u00e9m a ideia de ser humilhado por outra pessoa: (Gn 16.6; 34.2; Ex 26.6; Dt 22.24,29; Jz 19.24; 20.5).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>Blaise Pascal (1623-1662), com a sua costumeira sensibilidade e perspic\u00e1cia, aconselha-nos: &#8220;Conhe\u00e7amos, pois, nossas for\u00e7as; somos algo e n\u00e3o tudo; o que temos que ser priva-nos do conhecimento dos primeiros princ\u00edpios que nascem do nada; e o pouco que temos de ser impede-nos a vis\u00e3o do infinito. (&#8230;) A simples compara\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e o infinito nos acabrunha&#8221; (B. Pascal, <em>Pensamentos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 16), 1973, II.72. p. 57 e 59).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Agostinho, <em>Apud<\/em> J\u00fcrgen Moltmann, <em>Teologia da Esperan\u00e7a,<\/em> S\u00e3o Paulo: Herder, 1971, p. 11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>C.G. Jung, <em>Psicologia e Religi\u00e3o,<\/em> Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1978, \u00a7 140, p. 87. O t\u00edtulo da obra de Rollo May (1909-1994) \u00e9 significativo, <em>O Homem \u00e0 Procura de Si Mesmo,<\/em> Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1971, 230p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>Edward Young, <em>Pensamentos Noturnos:<\/em> In: Gabriel V. do Monte Pereira, red. <em>Biblioteca Internacional de Obras C\u00e9lebres,<\/em> Lisboa: Sociedade Internacional, (s.d.), v. 13, p. 6231.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> 9. ed. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1977, IV.14. p. 102.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>\u201cO simples homem sobre duas pernas, tal qual \u00e9, devia comover-nos mais do que nos comove qualquer m\u00fasica e impressionar-nos mais do que nos impressiona qualquer caricatura\u201d (G.K. Chesterton, <em>Ortodoxia,<\/em> 5. ed. Porto: Livraria Tavares Martins, 1974, p. 83).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 187.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> \u201cJamais estaremos em condi\u00e7\u00f5es de tratar as pessoas como seres humanos, de atribuir a elas o mais alto n\u00edvel de humanidade verdadeira, a menos que realmente conhe\u00e7amos a sua origem \u2013 quem essas pessoas s\u00e3o. Deus diz ao homem quem ele \u00e9. Deus nos diz que Ele criou o homem \u00e0 sua imagem. Portanto, o homem \u00e9 algo maravilhoso\u201d (Francis A. Schaeffer, <em>A Morte da Raz\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2002, p. 34). \u201cNa verdade, o homem \u00e9 uma maravilhosa cria\u00e7\u00e3o de Deus\u201d (Francis Schaeffer, <em>A Obra Consumada de Cristo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2003, p. 74). \u201cA B\u00edblia diz que voc\u00ea \u00e9 maravilhoso porque foi feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, mas que voc\u00ea \u00e9 imperfeito, porque em certo espa\u00e7o-temporal da Hist\u00f3ria, o homem caiu\u201d (Francis A. Schaeffer, <em>A Morte da Raz\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2002, p. 34). Ainda que por outros motivos, Shakespeare usa a mesma express\u00e3o para o homem: \u201cQue obra-prima \u00e9 homem! Como \u00e9 nobre pela raz\u00e3o! Como \u00e9 infinito em faculdade! Em forma e movimentos, como \u00e9 expressivo e maravilhoso! Nas a\u00e7\u00f5es, como se parece com um anjo! Na intelig\u00eancia, como se parece com um deus! A maravilha do mundo! Prot\u00f3tipo dos animais!\u201d (William Shakespeare, <em>Hamlet, Pr\u00edncipe da Dinamarca,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978, II.2).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Blaise Pascal, <em>Pensamentos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 16), 1973, VI. 399, p. 136.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> B. Pascal, <em>Pensamentos,<\/em> VI.347, p. 127.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>S\u00f3focles, <em>A Ant\u00edgone,<\/em> 2. ed. Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1968, 330.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> W. Shakespeare, <em>Hamlet,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Obras Primas), 1978, II.2.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desejo de conhecer \u00e9 um atributo do ser humano. 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Leciona em diversos Semin\u00e1rios ininterruptamente desde 1980. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teologia Sistem\u00e1tica, lecionando h\u00e1 40 anos, e Hist\u00f3ria da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: Jo\u00e3o Calvino e Teologia Reformada e Cosmovis\u00e3o Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Brasil. 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