{"id":54260,"date":"2020-07-08T21:09:32","date_gmt":"2020-07-09T00:09:32","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=54260"},"modified":"2020-07-08T21:09:32","modified_gmt":"2020-07-09T00:09:32","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/07\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-8\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 8)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]A palavra \u201c<em>principium<\/em>\u201d, que \u00e9 usada extensamente na ci\u00eancia e na filosofia, \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o latina do voc\u00e1bulo grego a)rxh\/ (= \u201cprinc\u00edpio\u201d, \u201ccome\u00e7o\u201d, \u201ccausa\u201d), que desde o poeta \u00e9pico Homero (c. IX s\u00e9c. a.C.) passou a ser \u201cum termo importante na filosofia grega\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>A palavra portuguesa \u201cprinc\u00edpio\u201d prov\u00e9m do latim <em>\u201cprincipium\u201d<\/em> e, corresponde, em significado ao a)rxh\/ grego, quando denota uma fonte ou causa de onde procede uma coisa.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Anaximandro (610-547 a.C.), como vimos, parece ter sido o \u201cprimeiro a introduzir o termo princ\u00edpio\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> para explicar o in\u00edcio de todas as coisas, qualificando-o de &#8220;<em>\u00c1peiron<\/em>&#8221; (a)\/peiron = &#8220;sem fim&#8221;, &#8220;ilimitado&#8221;, &#8220;indeterminado&#8221;, &#8220;indefinido&#8221;). O princ\u00edpio (a)rxh\/) de todas as coisas \u00e9 o &#8220;<em>\u00c1peiron<\/em>&#8221; (a)\/peiron = &#8220;sem fim&#8221;, &#8220;ilimitado&#8221;, &#8220;indeterminado&#8221;, &#8220;indefinido&#8221;).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Neste caso, o a)\/peiron seria basicamente o \u201cprinc\u00edpio de realidade\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Anaximandro assinala um grande progresso em rela\u00e7\u00e3o a Tales, pois, a sua resposta quanto \u00e0 origem do universo \u00e9 marcada por uma compreens\u00e3o de que o elemento primordial, o &#8220;a)rxh\/&#8221; de todas as coisas, n\u00e3o pode ser um elemento material determinado como o Ar, a \u00c1gua, a Terra, o Fogo, ou mesmo a mistura de dois ou mais destes elementos. Todos eles s\u00e3o gerados, criados. Logo, finitos. (Ver: <em>Dox.,<\/em> 2). A sua filosofia, &#8220;\u00e9 o primeiro ensaio ocidental de explica\u00e7\u00e3o do universo por deriva\u00e7\u00e3o do infinito\u201d, inferem Klimke (1878-1924) e Colomer (1924-1997).<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Foi ele, escreve Jaeger (1888-1961), &#8220;o \u00fanico de cuja concep\u00e7\u00e3o do mundo podemos obter uma representa\u00e7\u00e3o exata&#8221;.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Em outro lugar, diz Jaeger: \u201cEm Anaximandro encontramos o primeiro quadro unificado e universal do mundo, baseado em uma dedu\u00e7\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o natural de todos os fen\u00f4menos\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Mora (1912-1991) observa que a partir dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos, a palavra passou a ter dois significados principais: \u201cprinc\u00edpio de todas as coisas\u201d e \u201caquilo do qual derivamos todas as demais coisas\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a preocupa\u00e7\u00e3o dominante dos fil\u00f3sofos deste per\u00edodo, \u00e9 concernente \u00e0s quest\u00f5es cosmol\u00f3gicas; desejavam desvendar a sabedoria dos cosmos. As suas aten\u00e7\u00f5es est\u00e3o dirigidas preponderantemente para a origem, natureza e transforma\u00e7\u00f5es do mundo exterior<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> onde \u00a0\u00e9 considerado como tendo uma vitalidade pr\u00f3pria.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>Aqui a Filosofia grega \u00e9 eminentemente Filosofia da Natureza, todavia, n\u00e3o se limita \u00e0 Natureza, visto que quando os gregos &#8220;falavam da natureza, pensavam tamb\u00e9m no esp\u00edrito, e no ser em geral. Eram, pois, mais metaf\u00edsicos do que f\u00edsicos\u201d, conclui Hirschberger (1900-1990).<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> De fato, eles n\u00e3o se limitavam \u00e0 experi\u00eancia sens\u00edvel, antes, buscavam a &#8220;causa primeira&#8221; da realidade. Contudo, apesar da busca do &#8220;imaterial&#8221;, a verdade \u00e9 que eles jamais alcan\u00e7aram a concep\u00e7\u00e3o de &#8220;esp\u00edrito&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Mesmo a Filosofia Pr\u00e9-Socr\u00e1tica estando intensamente interessada pelo universo f\u00edsico, ela n\u00e3o \u00e9 um bloco monol\u00edtico, com uma \u00fanica perspectiva e respostas semelhantes, antes era um pensamento vivo, com conclus\u00f5es estupendas, que ampliava cada vez mais o leque de respostas para os fen\u00f4menos da natureza.<\/p>\n<p>Cassirer (1874-1945), resume bem isto ao dizer que,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A cosmologia predominava claramente sobre todos os ramos da investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. N\u00e3o obstante, o que caracterizava a profundidade e a amplitude do esp\u00edrito grego \u00e9 o fato de quase todo pensador grego representar, ao mesmo tempo, um novo <strong>tipo<\/strong> geral de pensamento. Al\u00e9m da filosofia f\u00edsica da Escola de Mileto, os pitag\u00f3ricos descobriram uma filosofia matem\u00e1tica enquanto os pensadores ele\u00e1ticos s\u00e3o os primeiros a conceber o ideal de uma filosofia l\u00f3gica. Her\u00e1clito encontra-se nas fronteiras entre o pensamento cosmol\u00f3gico e o antropol\u00f3gico.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mais tarde Plat\u00e3o (427-347 a.C.), no <em>Fedro<\/em>, usa o mesmo termo indicando a ideia de movimento: \u201cO in\u00edcio \u00e9 algo que n\u00e3o se formou, sendo evidente que tudo que se forma, forma-se de um princ\u00edpio. Este princ\u00edpio de nada proveio, pois se proviesse de uma outra cousa, n\u00e3o seria princ\u00edpio\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Arist\u00f3teles (384-322 a.C.) definiu \u201cprinc\u00edpio\u201d, como sendo \u201co que n\u00e3o cont\u00e9m em si mesmo o que quer que siga necessariamente outra coisa, e que, pelo contr\u00e1rio, tem depois de si algo com que est\u00e1 ou estar\u00e1 necessariamente unido\u201d.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>Conforme acentua Bavinck, na filosofia de Arist\u00f3teles em geral, a palavra, se refere \u201cas primeiras coisas em uma s\u00e9rie e particularmente \u00e0s primeiras causas que n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas a outras causas\u201d.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>Eisler (1873-1926) apresenta a seguinte defini\u00e7\u00e3o de \u201cPrinc\u00edpio\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Princ\u00edpio \u00e9 aquilo que d\u00e1 origem, ou que forma a base do pensamento e do conhecimento (princ\u00edpio real, princ\u00edpio de exist\u00eancia), como tamb\u00e9m aquele sobre o que necessariamente se apoiam o pensamento e o conhecimento (princ\u00edpio de pensamento, princ\u00edpio de conhecimento, considerados como aspecto formal e aspecto material de um princ\u00edpio ideal); e tamb\u00e9m um ponto de vista b\u00e1sico, isto \u00e9, uma norma para atuar (princ\u00edpio pr\u00e1tico).<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Os modos de entender a realidade fizeram com que surgissem na hist\u00f3ria, o \u201cprinc\u00edpio do ser\u201d (<em>principia essendi <\/em>ou <em>princ\u00edpio formal<\/em>) e o \u201cprinc\u00edpio do conhecer\u201d (<em>principia cognoscendi <\/em>ou <em>princ\u00edpio real<\/em>).<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Os fil\u00f3sofos \u201c<em>realistas<\/em>\u201d \u2013 admitindo a independ\u00eancia do ser em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento \u2013 d\u00e3o primazia ao \u201cprinc\u00edpio do ser\u201d, entendendo que o princ\u00edpio do conhecimento vem em decorr\u00eancia do conhecimento da realidade, da ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Os \u201c<em>idealistas<\/em>\u201d \u2013 reduzindo a realidade ao pensamento \u2013 priorizam o \u201cprinc\u00edpio do conhecer\u201d, afirmando que os princ\u00edpios do conhecimento da realidade determinam a realidade enquanto conhecida ou cognosc\u00edvel.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>Devido ao fato de que a exist\u00eancia do ser em si n\u00e3o depende de nosso conhecimento \u2013 o ser \u00e9 o que \u00e9, independentemente da nossa consci\u00eancia de sua exist\u00eancia \u2013<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> e de que o nosso conhecimento s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver um objeto, o ser.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Podemos, ent\u00e3o, dizer como Fleming (1794-1866), que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Os <em>principia essendi<\/em> podem tamb\u00e9m ser <em>principio cognoscendi<\/em> porque o fato de que as coisas existam \u00e9 a base ou raz\u00e3o para que sejam conhecidas. Por\u00e9m, o contr\u00e1rio n\u00e3o resulta certo porque a exist\u00eancia das coisas de nenhuma maneira depende de que tenhamos conhecimento delas.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Os princ\u00edpios das ci\u00eancias n\u00e3o teol\u00f3gicas t\u00eam algo em comum com os princ\u00edpios das ci\u00eancias teol\u00f3gicas. No entanto, tamb\u00e9m t\u00eam pontos divergentes.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> \u00a0Por ora, devemos ter em mente que os princ\u00edpios de uma ci\u00eancia s\u00e3o as suas proposi\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas que dirigem a sua pesquisa, \u00e0s quais, portanto, todo o seu desenvolvimento posterior est\u00e1 subordinado.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> Deste modo, em qualquer abordagem que fizermos, devemos estar conscientes de que os pressupostos s\u00e3o fatores fundamentais na nossa aproxima\u00e7\u00e3o do assunto estudado.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>D. M\u00fcller, Come\u00e7o: In: Colin Brown, ed. ger. <em>O<\/em> <em>Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Novo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 1, p. 446. Vejam-se: Gerhard Delling, a)rxh\/, etc.: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1982, v. 1, p. 479-480; F.E. Peters, <em>Termos Filos\u00f3ficos Gregos: Um l\u00e9xico hist\u00f3rico,<\/em> 2. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, (1983), p. 36-38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Condillac (1714-1780) resume, dizendo: \u201c<em>Princ\u00edpio<\/em> \u00e9 sin\u00f4nimo de come\u00e7o e \u00e9 com este sentido que foi empregado desde o primeiro instante: mas, sem seguida, pela for\u00e7a do h\u00e1bito, se serviu dela maquinalmente, sem ligar ideias, e se tiveram princ\u00edpios que n\u00e3o s\u00e3o o come\u00e7o de nada\u201d (\u00c9tienne B. de Condillac, <em>L\u00f3gica ou os Primeiros Desenvolvimentos da Arte de Pensar, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores, v. 27), II.6. p. 121). No entanto, Bavinck, faz uma distin\u00e7\u00e3o que nos parece pertinente: \u201c<em>Causa<\/em> \u00e9 um tipo particular de <em>principium<\/em>. Toda causa \u00e9 um <em>principium, <\/em>mas nem todo <em>principium<\/em> \u00e9 uma <em>causa<\/em>\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 211).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Simpl\u00edcio, <em>F\u00edsica,<\/em> 24.13. In: Victor Civita, ed. <em>Os Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973, (Os Pensadores, v. 1), p. 21. G.S. Kirk; J.E. Raven, <em>Os Fil\u00f3sofos Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos,<\/em> 2. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 1982, p. 103-104 e Werner Jaeger, <em>A Teologia de los Primeiros Filosofos Gregos,<\/em> M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1992, 31ss., discutem se este \u00e9 o sentido correto do texto de Simpl\u00edcio interpretando Teofrasto (Cf. <em>Dox.,<\/em> 1).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><em>Dox<\/em>., 1,2,6. <em>Segundo Anaximandro<\/em>, o a)\/peiron \u00e9 ilimitado, eterno, indissol\u00favel e indestrut\u00edvel (Frags., 2,3; Dox., 2,3). Ele dirige todas as coisas (Dox., 2,3). \u00c9 poss\u00edvel que Anaximandro tenha derivado o seu a)\/peiron do xa\/oj de Hes\u00edodo, quem atribu\u00eda ao xa\/oj o in\u00edcio de tudo (Hes\u00edodo, <em>Teogonia: A Origem dos Deuses,<\/em> S\u00e3o Paulo: Roswitha Kempf\/Editores, 1986, 116ss. p. 132). Para Hes\u00edodo, o xa\/oj era espa\u00e7o indefinido entre o c\u00e9u e a terra. (Veja-se: Dami\u00e3o Berge, <em>O Logos Heracl\u00edtico: Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo dos Fragmentos,<\/em> Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969, p. 139-140). Uma discuss\u00e3o mais completa sobre a vis\u00e3o de Her\u00e1clito, temos em G.S. Kirk; J.E. Raven, <em>Os Fil\u00f3sofos Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos,<\/em> <em>,<\/em> 2. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 1982, p. 18ss.<\/p>\n<p>O &#8220;<em>\u00c1peiron<\/em>&#8221; tem a possibilidade de se transformar em qualquer coisa. Abbagnano comenta:<\/p>\n<p>&#8220;Embora n\u00e3o possa encontrar-se em Anaximandro o conceito de um espa\u00e7o incorp\u00f3reo, a indetermina\u00e7\u00e3o do \u00e1peiron, reduzindo-o \u00e0 espacialidade, faz dele necessariamente um corpo determinado somente pela sua extens\u00e3o. Ora esta extens\u00e3o \u00e9 infinita e como tal englobante e governante do todo. Estas determina\u00e7\u00f5es e sobretudo a primeira fazem do \u00e1peiron uma realidade distinta do mundo e transcendente: aquilo que abra\u00e7a est\u00e1 sempre fora e para al\u00e9m do que \u00e9 abra\u00e7ado, ainda que em rela\u00e7\u00e3o com ele. O princ\u00edpio que Anaximandro estabelece como subst\u00e2ncia origin\u00e1ria merece pois o nome de &#8216;divino&#8217;\u201d (Nicola Abbagnano, <em>Hist\u00f3ria da Filosofia,<\/em> 4. ed. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, (1985), v. 1, \u00a7 9, p. 36. Da mesma forma, Jaeger, quando diz que: &#8220;S\u00f3 um Deus pode &#8216;governar&#8217; o todo\u201d (W. Jaeger,<em> Paideia: A Forma\u00e7\u00e3o do Homem Grego,<\/em> 2. ed., S\u00e3o Paulo; Bras\u00edlia, DF.: Martins Fontes; Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1989, p. 138)).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Cf. Jos\u00e9 Ferrater Mora, Princ\u00edpio: <em>Dicion\u00e1rio de Filosofia<\/em>, S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2001, v. 3, p. 2371.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>F. Klimke; E. Colomer, <em>Historia de la Filosof\u00eda,<\/em> 3. ed.\u00a0 rev. amp., Barcelona, Editorial Labor, 1961, p. 22. Veja-se tamb\u00e9m, G.S. Kirk; J.E. Raven, <em>Os Fil\u00f3sofos Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos,<\/em> p 139; F. Nietzsche, <em>A Filosofia na \u00c9poca Tr\u00e1gica dos Gregos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, \u00a7 4, p. 42.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Werner Jaeger, <em>Paideia: A Forma\u00e7\u00e3o do Homem Grego,<\/em> S\u00e3o Paulo; Bras\u00edlia, DF.: Martins Fontes; Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1989, p. 136.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Werner Jaeger, <em>A Teologia de los Primeiros Filosofos Gregos,<\/em> M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1992, p. 29. (Ver: <em>Dox.,<\/em> 1,2,6).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Jos\u00e9 F. Mora, <em>Diccionario de Filosofia Abreviado,<\/em> Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1970, p. 342.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>A pr\u00f3pria palavra empregada, fu\/sij, adquire o sentido entre os Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos, de &#8220;verdadeira natureza das coisas&#8221; e &#8220;origem de todas as coisas&#8221; (Veja-se: Helmut K\u00f6ster, fu\/sij: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament,<\/em> 8. ed. Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., (reprinted) 1982, v. 9, p. 252 e 256). &#8220;No conceito grego de physis estavam, insepar\u00e1veis, as duas coisas: o problema da origem \u2013 que obriga o pensamento a ultrapassar os limites do que \u00e9 dado na experi\u00eancia sensorial \u2013 e a compreens\u00e3o, por meio da investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica (histor\u00ed\u00eb) (&#8216;procurar&#8217;, &#8216;investigar&#8217;), do que deriva daquela origem e existe atualmente (t\u00e0 \u00f3nta)(&#8220;a realidade&#8221;)\u201d (W. Jaeger, <em>Paideia: A Forma\u00e7\u00e3o do Homem Grego,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo; Bras\u00edlia, DF.: Martins Fontes; Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1989, p. 135. Veja-se tamb\u00e9m, p. 132). (Do mesmo modo: Werner Jaeger, <em>A Teologia de los Primeiros Filosofos Gregos,<\/em> M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1992, p. 26ss.;198)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>Collingwood (1889-1943), diz que para os gregos, a ci\u00eancia natural, &#8220;baseava-se no princ\u00edpio de que o mundo da natureza est\u00e1 saturado ou penetrado pela mente, pelo entendimento. (&#8230;) Encaravam o mundo da natureza como um mundo de corpos em movimento. Os movimentos em si mesmos (&#8230;) eram devidos \u00e0 vitalidade, ou &#8216;alma&#8217;; mas, achavam eles, o movimento em si mesmo \u00e9 uma coisa e a ordem outra. (&#8230;) O mundo da natureza era n\u00e3o s\u00f3 vivo como inteligente; n\u00e3o s\u00f3 um vasto animal dotado de &#8216;alma&#8217;, ou vida pr\u00f3pria, mas tamb\u00e9m animal racional, com &#8216;mente&#8217; pr\u00f3pria\u201d (R.G. Collingwood, <em>Ci\u00eancia e Filosofia,<\/em> 5. ed. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, (1986), p. 9-10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Johannes Hirschberger, <em>Hist\u00f3ria da Filosofia na Antiguidade,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Herder, 1969, p. 29; A afirma\u00e7\u00e3o de Hirschberger \u00e9 inspirada entre outros, em Jaeger. Vejam-se: Werner Jaeger, <em>Paideia<\/em>, p. 135; Werner Jaeger, <em>A Teologia de los Primeiros Filosofos Gregos,<\/em> p. 27)..<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>Veja-se: Guillermo Fraile, <em>Historia de la Filosof\u00eda I: Gr\u00e9cia y Roma,<\/em> 3. ed. Madrid: La Editorial Catolica, S.A., 1971, (Biblioteca de Autores Cristianos), p. 139.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ernst Cassirer, <em>Antropologia Filos\u00f3fica,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Mestre Jou, 1977, p. 19.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Plat\u00e3o, <em>Fedro,<\/em> Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint, (s.d.), 245. p. 224.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Arist\u00f3teles, <em>Po\u00e9tica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores, v. 4), VII, 1450 b 26, p. 449. Abbagnano apresenta os significados que o termo \u201cprinc\u00edpio\u201d tomou em Arist\u00f3teles. (Veja-se: N. Abbagnano, <em>Dicion\u00e1rio de Filosofia, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Mestre Jou, 1982, p. 760). Ver tamb\u00e9m: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 211.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena,<\/em> v. 1, p. 211.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>Rudolf Eisler, <em>Handworterbuch der Philosophie<\/em>, <em>Apud<\/em> L. Berkhof, <em>Introduccion a la Teologia Sistematica,<\/em> Grand Rapids, Michigan: T.E.L.L., (1973), p. 95. (Veja-se mais detalhes na obra de R. Eisler<em> Handworterbuch der Philosophie, <\/em>verbetes: Kausalit\u00e4t e Prinzip. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/eislershandwrte00fregoog\/page\/n187\/mode\/2up\">https:\/\/archive.org\/details\/eislershandwrte00fregoog\/page\/n187\/mode\/2up<\/a> (p. 497-498).(Consulta feita em 28.06.2020).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Para um exame mais detalhado do conceito de <em>princ\u00edpio <\/em>e de suas classifica\u00e7\u00f5es, veja-se: William Fleming, <em>The Vocabulary of Philosophy, Mental, Moral, and Metaphysical, <\/em>2. ed. New York: Sheldon &amp; Company, 1869, p. 399-402.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>Cf. Princ\u00edpio: In: Jos\u00e9 Ferrater Mora, <em>Dicion\u00e1rio de Filosofia<\/em>, v. 3, p. 2371.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Como dizia Agostinho \u201cO verdadeiro \u00e9 o que \u00e9 em si (&#8230;) \u00e9 o que \u00e9\u201d (Agostinho, <em>Solil\u00f3quios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1993, II.5.8. p. 76-77).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> N\u00e3o se conhece o \u201cnada\u201d porque ele n\u00e3o \u00e9. A afirma\u00e7\u00e3o positiva que podemos fazer a respeito dele, \u00e9 que ele \u00e9 a aus\u00eancia da coisa. Caso a aus\u00eancia da coisa tivesse algum conte\u00fado, o nada seria cognosc\u00edvel. O nada s\u00f3 pode ser enunciado a partir da coisa por via negativa. O nada \u00e9, portanto, nadificado em sua pr\u00f3pria \u201cess\u00eancia\u201d de nada.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>William Fleming, <em>The Vocabulary of Philosophy, Mental, Moral, and Metaphysical, <\/em>2. ed. New York: Sheldon &amp; Company, 1869, p. 399.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Tratei desse assunto em outro lugar: Hermisten M.P. Costa,<em> Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia das ci\u00eancias teol\u00f3gicas, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Editora Cruz, 2015, p. 83-110.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Veja-se: Princ\u00edpio: In: A. Lalande, <em>Vocabul\u00e1rio T\u00e9cnico e Cr\u00edtico da Filosofia,<\/em> S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 861.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Sobre pressupostos, veja-se: Hermisten M.P. Costa,<em> Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia das ci\u00eancias teol\u00f3gicas, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Editora Cruz, 2015, p. 73-82.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devemos ter em mente que os princ\u00edpios de uma ci\u00eancia s\u00e3o as suas proposi\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas que dirigem a sua pesquisa, \u00e0s quais, portanto, todo o seu desenvolvimento posterior est\u00e1 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Leciona em diversos Semin\u00e1rios ininterruptamente desde 1980. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teologia Sistem\u00e1tica, lecionando h\u00e1 40 anos, e Hist\u00f3ria da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: Jo\u00e3o Calvino e Teologia Reformada e Cosmovis\u00e3o Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Brasil. 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