{"id":54576,"date":"2020-08-07T18:05:30","date_gmt":"2020-08-07T21:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=54576"},"modified":"2020-08-07T18:05:30","modified_gmt":"2020-08-07T21:05:30","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/08\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-11\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 11)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A influ\u00eancia do cristianismo no mundo ocidental determinou uma nova orienta\u00e7\u00e3o da filosofia. (&#8230;) Da <em>religi\u00e3o crist\u00e3 <\/em>nasceu assim a <em>filosofia<\/em> crist\u00e3. &#8211; Nicola Abbagnano (1901-1990).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Uma assertiva caracter\u00edstica do pensamento judaico-crist\u00e3o, \u00e9 a compreens\u00e3o de que Deus \u00e9 um ser transcendente e pessoal. E esse ser que antecede \u00e0 toda realidade conhecida, a cria do nada, sem precisar se valer de nenhuma mat\u00e9ria preexistente. Nada \u00e9 mencionado antes do ato criador de Deus.<\/p>\n<p>A doutrina da Cria\u00e7\u00e3o nos fala do poder todo suficiente de Deus e de nossa total depend\u00eancia daquele que nos criou e preserva. Somente Deus, pelo seu poder, pode do nada tudo criar.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> J\u00e1 de in\u00edcio nos deparamos com uma ant\u00edtese em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento grego que jamais cogitou de um doutrina da cria\u00e7\u00e3o partindo de um Ser absoluto e eterno que antecede \u00e0 toda cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A B\u00edblia parte do pressuposto da exist\u00eancia de Deus. <em>\u201cAntes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu \u00e9s Deus\u201d<\/em>, escreveu Mois\u00e9s (Sl 90.2). Mois\u00e9s, por revela\u00e7\u00e3o direta de Deus, registra de forma inspirada (2Pe 1.20-21), narrando os atos criadores de Deus, sem se preocupar em falar com mais detalhes a respeito daquele que, mediante a sua Palavra, faz com que do nada surja a vida.\u00a0 O Senhor cria o universo, estabelece suas leis pr\u00f3prias e avalia a sua cria\u00e7\u00e3o como muito boa (Gn 1.31).<\/p>\n<p>Mois\u00e9s apresenta o Deus Todo-Poderoso exercitando o seu poder de forma criadora, segundo o seu eterno prop\u00f3sito. Deus existe. Este \u00e9 o fato pressuposto em toda a narrativa da Cria\u00e7\u00e3o. Deus cria segundo a sua Palavra e isto nos enche de admira\u00e7\u00e3o e reverente temor: a Palavra de Deus \u00e9 o verbo criador que manifesta a determina\u00e7\u00e3o e o poder de Deus (Gn 1.1,26, 27; Sl 33.6,9; Jo 1.1-3; Hb 11.3),<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> que criou as coisas com sabedoria (Pv 3.19).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas das Escrituras Deus \u00e9 apresentado como o Senhor grandioso e incompar\u00e1vel. Seus pensamentos s\u00e3o inating\u00edveis e insond\u00e1veis.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> \u00c9 o Rei da gl\u00f3ria.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Um dos fundamentos da doutrina crist\u00e3 \u00e9 a certeza de que cremos em um Deus Autopoderoso,<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> e Todopoderoso<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> que ama o seu povo e se d\u00e1 a conhecer pessoalmente.<\/p>\n<p>Sem a revela\u00e7\u00e3o de Deus seria imposs\u00edvel crer ou falar de Deus. No entanto, Ele pode ser genu\u00edna e pessoalmente conhecido: <em>\u201c<u>Conhecido<\/u> <\/em>([d;y&#8221;) (yada\u2019)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> <em>\u00e9<\/em><em> Deus em Jud\u00e1; <u>grande<\/u> <\/em>(lAdG&#8221;) (gadol) (= supremo),<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> <em>o seu nome em Israel\u201d <\/em>(Sl 76.1).<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 da cria\u00e7\u00e3o encontra a sua base e fundamento na Palavra de Deus, por isso, \u00e9 essencial \u00e0 nossa considera\u00e7\u00e3o, o que o Esp\u00edrito Santo fez registrar no Livro de Hebreus: <em>\u201cPela f\u00e9 entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o vis\u00edvel veio a existir das cousas que n\u00e3o aparecem\u201d<\/em> (Hb 11.3).<\/p>\n<p>Nesta passagem b\u00edblica, subjazem algumas verdades que devem ser destacadas:<\/p>\n<ul>\n<li>Deus \u00e9 o Ser eterno que antecede a toda cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 simbiose. A mat\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 eterna. Deus se distingue da cria\u00e7\u00e3o e ao pensamento grego em geral. Aqui n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para nenhum tipo de <em>De\u00edsmo<\/em> (Deus distante da Cria\u00e7\u00e3o), <em>Pante\u00edsmo<\/em> (Deus se confunde com a mat\u00e9ria), <em>Te\u00edsmo Finito <\/em>(Deus \u00e9 bom mas, limitado pelo mal) ou <em>Panente\u00edsmo <\/em>(Deus e o mundo s\u00e3o eternos): <em>\u201cEle mesmo <u>julga<\/u> <\/em>(jp;v) (shaphat) <em>o mundo com justi\u00e7a; <\/em><em><u>administra<\/u><\/em> (!yD) (diyn)<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><em> os povos com <u>retid\u00e3o<\/u><\/em> (rIv&#8217;yme.) (meshar)<em>\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> (Sl 9.8). <a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/li>\n<li>A f\u00e9 \u00e9 que deve dirigir a nossa compreens\u00e3o a respeito da cria\u00e7\u00e3o. Calvino (1509-1564), conclui: \u201c\u00c9 t\u00e3o somente pela f\u00e9 que chegamos a entender que o mundo foi criado por Deus\u201d.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/li>\n<li>A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato livre da vontade soberana de Deus. N\u00e3o h\u00e1 press\u00f5es externas ou necessidades internas que o impulsionem a criar.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Deus fez o que fez, quando fez, e como fez, por sua livre determina\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> \u201cA cria\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o foi um ato arbitr\u00e1rio, sen\u00e3o que serviu para fins elevados e dignos, e estes fins estiveram de acordo com a bondade e sabedoria infinitas do Criador\u201d, interpreta Machen (1881-1937).<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/li>\n<li>Nada pode existir sem que tenha sido criado por Deus (Jo 1.3), os C\u00e9us e a Terra s\u00e3o obras de Deus. N\u00e3o h\u00e1 independ\u00eancia fora de Deus.<\/li>\n<li>A Palavra de Deus \u00e9 o verbo criador. Deus, na for\u00e7a de seu poder em perfeita harmonia com a sua vontade, cria conforme fala: <em>\u201cPois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir\u201d <\/em>(Sl 33.9).<\/li>\n<li>A cria\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foi gerada do nada (<em>creatio ex-nihilo<\/em>),<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> sem exist\u00eancia pr\u00e9via. A possibilidade de algo vir a existir fora de Deus elimina a Deus como Deus. N\u00e3o h\u00e1 dualismo nem sinergismo na cria\u00e7\u00e3o. Deus cria e tudo veio a existir. Aqui temos a confiss\u00e3o de um mist\u00e9rio, n\u00e3o a sua explica\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Tudo o que porventura possa ter existido anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o descrita em Gn 1, deve ser compreendido dentro da esfera da cria\u00e7\u00e3o como todo, porque somente Deus tem poder para chamar <em>\u201c<\/em><em>\u00e0 exist\u00eancia as coisas que n\u00e3o existem\u201d<\/em> (Rm 4.17).<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> \u201cUm absoluto n\u00e3o-ser precedeu o ser do mundo, e nesse sentido n\u00f3s podemos dizer que Deus fez o mundo do nada\u201d, assevera Bavinck.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/li>\n<li>A cria\u00e7\u00e3o se distingue de Deus, n\u00e3o sendo sua emana\u00e7\u00e3o ou extens\u00e3o, mas o resultado de sua vontade e poder.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Algumas dessas verdades se depreendem tamb\u00e9m, das narrativas da Cria\u00e7\u00e3o, registradas em Gn 1.1-2.25<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> e de outros textos b\u00edblicos, tais como:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Neemias 9.6: <em>S\u00f3 tu \u00e9s Senhor, tu fizeste o c\u00e9u, o c\u00e9u dos c\u00e9us e todo o seu ex\u00e9rcito, a terra e tudo quanto nela h\u00e1, os mares e tudo quanto h\u00e1 neles; e tu os preservas a todos com vida, e o ex\u00e9rcito dos c\u00e9us te adora.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">J\u00f3 26.7: <em>Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Salmo 90.2: <em>Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu \u00e9s Deus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Salmo 102.25: <em>Em tempos remotos, lan\u00e7aste os fundamentos da terra; e os c\u00e9us s\u00e3o obra das tuas m\u00e3os.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Salmo 148.1-5: <em>Aleluia! Louvai ao Senhor do alto dos c\u00e9us, louvai-o nas alturas. <sup>2<\/sup> Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legi\u00f5es celestes. <sup>3<\/sup> Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. <sup>4<\/sup> Louvai-o, c\u00e9us dos c\u00e9us e as \u00e1guas que est\u00e3o acima do firmamento. <sup>5<\/sup> Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mateus 19.4-5: <em><sup>4<\/sup><\/em><em> Ent\u00e3o, respondeu ele: N\u00e3o tendes lido que o Criador, desde o princ\u00edpio, os fez homem e mulher <sup>5<\/sup> e que disse: Por esta causa deixar\u00e1 o homem pai e m\u00e3e e se unir\u00e1 a sua mulher, tornando-se os dois uma s\u00f3 carne?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Lucas 3.38: <em>Cain\u00e3, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Ad\u00e3o, filho de Deus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Jo\u00e3o 1.1-5:<em> No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. <sup>2<\/sup> Ele estava no princ\u00edpio com Deus. <sup>3<\/sup> Todas as coisas foram feitas por interm\u00e9dio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. <sup>4<\/sup> A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. <sup>5<\/sup> A luz resplandece nas trevas, e as trevas n\u00e3o prevaleceram contra ela.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Romanos 1.20,25: <em><sup>20<\/sup><\/em><em> Porque os atributos invis\u00edveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princ\u00edpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens s\u00e3o, por isso, indesculp\u00e1veis (&#8230;). <sup>25<\/sup> pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual \u00e9 bendito eternamente. Am\u00e9m!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Colossenses: 1.16-17: <em><sup>16<\/sup><\/em><em> pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos c\u00e9us e sobre a terra, as vis\u00edveis e as invis\u00edveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. <sup>17<\/sup> Ele \u00e9 antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.<\/em><a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Hebreus 1.1-2: <em>Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, <sup>2<\/sup> nestes \u00faltimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual tamb\u00e9m fez o universo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Apocalipse 4.11: <em>Tu \u00e9s digno, Senhor e Deus nosso, de receber a gl\u00f3ria, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Desse modo, a nossa compreens\u00e3o b\u00edblica \u00e9 determinada pela pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o de Deus contida na B\u00edblia.\u00a0 As Escrituras n\u00e3o devem ser interpretadas simplesmente \u00e0 luz da hist\u00f3ria, ou de seus condicionantes pol\u00edticos, sociais, econ\u00f4micos e culturais, antes, olhamos a hist\u00f3ria a partir da perspectiva das promessas divinas.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p>Quando estudamos qualquer tipo de constru\u00e7\u00e3o intelectual, n\u00e3o podemos ignorar os valores e pensamentos que vigoram ou procuram adquirir a supremacia em sua \u00e9poca. O clima intelectual que envolve, obviamente, quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e teol\u00f3gicas entre outras, tem poder, quase sempre n\u00e3o percept\u00edvel aos seus contempor\u00e2neos, de influenciar nossas perguntas, pesquisas e respostas que, em parte, j\u00e1 s\u00e3o condicionadas pelas nossas pressuposi\u00e7\u00f5es.\u00a0 Nenhuma teoria, por mais simples que seja, passa inc\u00f3lume a um pressuposto que tenha em seu cerne uma cren\u00e7a religiosa.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> Conforme escrevemos em outro lugar:<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/p>\n<p>O clima intelectual de uma \u00e9poca \u00e9 sempre fortemente influenciador de nossa estrutura de pensamento e, portanto, de nossas prioridades e valores. A for\u00e7a deste \u201cclima\u201d talvez repouse sobre a sua configura\u00e7\u00e3o \u00f3bvia e normativa com que se apresenta \u00e0 nossa mente.<\/p>\n<p>\u00c9 quase imposs\u00edvel ter a percep\u00e7\u00e3o de algo que nos conduz \u2013 como tamb\u00e9m a nossos parceiros de entendimento \u2013 de forma t\u00e3o suave. Por isso, o simples \u2013 ainda que n\u00e3o seja t\u00e3o simples assim \u2013 fato de podermos pensar com clareza, sem estes condicionantes, \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel de Deus.<\/p>\n<p>Nenhuma contribui\u00e7\u00e3o humana se d\u00e1 em um v\u00e1cuo ass\u00e9ptico conceitual quer seja religioso, quer filos\u00f3fico, quer cultural.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> A nossa percep\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o fundamentam-se em nossos pressupostos que determinam, em grande medida, a nossa pr\u00e9-compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso nos conduz \u00e0 uma conex\u00e3o importante entre o pensamento grego e a teologia crist\u00e3, como escreveu Allen (1932-2013):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o haveria teologia crist\u00e3 sem a B\u00edblia e uma comunidade crente. Mas, da mesma forma, n\u00e3o ter\u00edamos a teologia sem a atitude hel\u00eanica nos crist\u00e3os, que os leva a insistir em quest\u00f5es acerca da B\u00edblia e suas rela\u00e7\u00f5es com outros conhecimentos. Assim, quando as pessoas apelam para que se purgue a filosofia grega da teologia crist\u00e3, a menos que estejam se referindo a ideias espec\u00edficas ou conceitos, elas est\u00e3o realmente apelando para o fim da pr\u00f3pria disciplina teologia, embora n\u00e3o percebam isso.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 sempre dependente de saber em qual ponto fixo a minha base para mover as ideias e a\u00e7\u00f5es. Para n\u00f3s crist\u00e3os, o ponto de partida n\u00e3o \u00e9 intr\u00ednseco ou imanente, antes extr\u00ednseco ou transcendente: O Deus transcendente e pessoal que se revela e se relaciona conosco.<\/p>\n<h2>Significado da Filosofia<\/h2>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es apresentadas ao longo da Hist\u00f3ria sobre o significado da Filosofia, t\u00eam sido contradit\u00f3rias e, muitas vezes, apaixonadas. Isto acrescenta mais um dado problem\u00e1tico \u00e0 defini\u00e7\u00e3o. N\u00e3o nos cabe aqui fazer uma apologia da Filosofia, mas, sim, demonstrar que os conceitos d\u00edspares ou mesmo antag\u00f4nicos, contribuem para aumentar o grau de dificuldade \u00e0 tarefa de definir com seguran\u00e7a a Filosofia.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> Vejamos alguns conceitos.<\/p>\n<p>Plat\u00e3o (427-347 a.C.) \u2013\u00a0 disc\u00edpulo de S\u00f3crates (469-399 a.C.) e mestre de Arist\u00f3teles\u00a0 \u2013,\u00a0 por sua vez, observou que a Filosofia era uma ci\u00eancia que nos leva a fazer e a saber utilizar daquilo que fazemos. O que adiantaria, argumenta ele, saber transformar as pedras em ouro, se n\u00e3o soub\u00e9ssemos utilizar o ouro?<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p>Para Arist\u00f3teles (384-322 a.C.)\u00a0 \u2013 Pai da Hist\u00f3ria da Filosofia\u00a0 \u2013, Sofi\/a e Filosofi\/a tinham o mesmo significado.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a> Ele dizia ser a Filosofia, <em>&#8220;a ci\u00eancia da verdade\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/p>\n<p>No per\u00edodo posterior a Arist\u00f3teles, a Filosofia adquiriu uma conota\u00e7\u00e3o exclusivamente \u201cpr\u00e1tica\u201d e instrumental para a vida.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a> Para os epicureus, por exemplo, a Filosofia consistia na busca da felicidade por meio da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 observamos em outro lugar, Epicuro (341-270 a.C.) n\u00e3o estava interessado em criar um sistema l\u00f3gico de pensamento, com princ\u00edpios que conduzissem a raz\u00e3o \u00e0 verdade. Antes, a sua preocupa\u00e7\u00e3o (se \u00e9 que podemos usar este termo), era mais pragm\u00e1tica. Ele desejava conseguir a paz, a tranquilidade e a felicidade; tudo isto, no entanto, sem ostenta\u00e7\u00e3o. Desta forma, a Filosofia, tinha um sentido puramente pr\u00e1tico e se pudermos usar o termo, dir\u00edamos, existencial. Nesta perspectiva, ele escreveu: &#8220;Assim como realmente a medicina em nada beneficia, se n\u00e3o liberta dos males do corpo, assim tamb\u00e9m sucede com a filosofia, se n\u00e3o liberta das paix\u00f5es da alma&#8221;.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Filosofia e F\u00e9 Crist\u00e3, foi alvo de calorosas disputas entre os Pais da Igreja.<\/p>\n<h2>Pais da Igreja<\/h2>\n<p>O designativo \u201cPais\u201d foi aplicado aos bispos da Igreja no segundo s\u00e9culo. A obra an\u00f4nima, <em>O Mart\u00edrio de Policarpo<\/em>, escrita por uma testemunha ocular do ocorrido, por volta do ano 155 AD, relata que \u201ca turba pag\u00e3 e judia desejando matar Policarpo, por ser crist\u00e3o, vociferou: \u2018Eis o doutor da \u00c1sia, o <u>pai dos crist\u00e3os<\/u>, o destruidor dos deuses, que com seu ensino, afasta os homens dos sacrif\u00edcios e da adora\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><strong><sup>[35]<\/sup><\/strong><\/a> (Destaque meu).<\/p>\n<p>Isto indica que na \u00e9poca era comum referir-se aos bispos crist\u00e3os como \u201cPais\u201d (no sentido acima descrito, tinha uma conota\u00e7\u00e3o pejorativa, como \u201cpai de uma heresia\u201d ou \u201cpai dos hereges\u201d). O emprego dessa express\u00e3o disseminou-se de tal forma que, no quarto s\u00e9culo, todos os pastores e mestres que haviam participado do Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia (325), eram chamados de \u201cPais da Igreja\u201d.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><strong><sup>[36]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Entre os crist\u00e3os, a express\u00e3o aplicada aos bispos assume uma conota\u00e7\u00e3o carinhosa, indicando tamb\u00e9m a sua responsabilidade.<\/p>\n<p>Escreve Drobner:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O conceito de \u2018Padre da Igreja\u2019 evidencia um aspecto da rica figura paterna: o bispo como aut\u00eantico transmissor e garante (sic) da verdadeira f\u00e9, aquele que vela pela sucess\u00e3o ininterrupta da f\u00e9 desde os ap\u00f3stolos bem como pela continuidade e unidade da f\u00e9 na comunh\u00e3o com a igreja. Ele \u00e9 o fiel mestre da f\u00e9, ao qual se pode recorrer nas d\u00favidas da f\u00e9. Essa autoridade na verdade n\u00e3o torna o Padre da Igreja individualmente inerrante em todos os pormenores \u2013 ele deve se ater \u00e0 Sagrada Escritura e \u00e0 <em>regula fidei <\/em>da igreja universal \u2013 mas, em sintonia com elas, ele \u00e9 testemunha aut\u00eantica da f\u00e9 e da doutrina da Igreja.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><strong><sup>[37]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Etienne Gilson (1884-1978), seguindo uma compreens\u00e3o cl\u00e1ssica, diz que um \u201cPai\u201d deveria apresentar quatro caracter\u00edsticas: \u201cortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprova\u00e7\u00e3o da Igreja, relativa Antiguidade (at\u00e9 fins do s\u00e9culo III aproximadamente)\u201d.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><strong><sup>[38]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>A assimila\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da \u201ccultura pag\u00e3\u201d, envolvendo a \u201cFilosofia\u201d e a \u201cRet\u00f3rica\u201d, n\u00e3o foi sem resist\u00eancia j\u00e1 que nem todos concordavam em pagar um pre\u00e7o considerado por demais elevado. Seja qual for a perspectiva que adotemos, temos que admitir que seria imposs\u00edvel ao Cristianismo passar inc\u00f3lume \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o hel\u00eanica \u2013 ali\u00e1s, seria desej\u00e1vel? \u2013, com sua quase onipresen\u00e7a nos \u00faltimos 300 anos, em territ\u00f3rios dominados pelos romanos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Nicola Abbagnano, <em>Hist\u00f3ria da Filosofia, <\/em>3. ed. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, (1984), v. 2, \u00a7 128, p. 97,98.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cA doutrina da cria\u00e7\u00e3o a partir do nada ensina a absoluta soberania de Deus e a absoluta depend\u00eancia humana. Se uma part\u00edcula n\u00e3o tivesse sido criada do nada, Deus n\u00e3o seria Deus\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 427).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><em> \u201cNo princ\u00edpio, criou Deus os c\u00e9us e a terra. (&#8230;) <sup>26<\/sup> Tamb\u00e9m disse Deus: Fa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem, conforme a nossa semelhan\u00e7a; tenha ele dom\u00ednio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos c\u00e9us, sobre os animais dom\u00e9sticos, sobre toda a terra e sobre todos os r\u00e9pteis que rastejam pela terra. <sup>27<\/sup> Criou Deus, pois, o homem \u00e0 sua imagem, \u00e0 imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou\u201d <\/em>(Gn 1.1,26-27). <em>\u201c<sup>6<\/sup> Os c\u00e9us por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o ex\u00e9rcito deles. (&#8230;) <sup>9<\/sup> Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir\u201d <\/em>(Sl 36,6,9).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><em> \u201c<\/em><em>O Senhor com sabedoria fundou a terra, com intelig\u00eancia estabeleceu os c\u00e9us\u201d<\/em> (Pv 3.19).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>\u201cO conselho do SENHOR dura para sempre; os <u>des\u00edgnios<\/u> <\/em>(hb&#8217;v&#8217;x]m;) (machashabah)<em> do seu cora\u00e7\u00e3o, por todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d<\/em> (Sl 33.11).<em> \u201cQu\u00e3o <u>grandes<\/u> <\/em>(ld;G&#8221;) (gadal)<em>, SENHOR, s\u00e3o as tuas obras! Os teus <u>pensamentos<\/u> \u00a0<\/em>(hb&#8217;v&#8217;x]m;) (machashabah) (= des\u00edgnios, intentos) <em>que profundos!\u201d<\/em> (Sl 92.5).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>\u201c<sup>7<\/sup>Levantai, \u00f3 portas, as vossas cabe\u00e7as; levantai-vos, \u00f3 portais eternos, para que entre o Rei da Gl\u00f3ria. <sup>8<\/sup>Quem \u00e9 o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. <sup>9<\/sup>Levantai, \u00f3 portas, as vossas cabe\u00e7as; levantai-vos, \u00f3 portais eternos, para que entre o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>. <sup>10<\/sup>Quem \u00e9 esse Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>? O SENHOR dos Ex\u00e9rcitos, ele \u00e9 o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>\u201d<\/em> (Sl 24.7-10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>&#8220;<\/em><em><sup>33<\/sup><\/em><em>\u00d3 profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Qu\u00e3o insond\u00e1veis s\u00e3o os seus ju\u00edzos, e qu\u00e3o inescrut\u00e1veis, os seus caminhos! <sup>34<\/sup> Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? <sup>35<\/sup> Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restitu\u00eddo? <sup>36<\/sup> Porque dele, e por meio dele, e para ele s\u00e3o todas as coisas. A ele, pois, a gl\u00f3ria eternamente. Am\u00e9m!&#8221;<\/em> (Rm 11.33-36).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>\u201cNo c\u00e9u est\u00e1 o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada\u201d<\/em> (Sl 115.3).<em> \u201cTudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos c\u00e9us e na terra, no mar e em todos os abismos\u201d<\/em> (Sl 135.6). <em>\u201c&#8230; O meu conselho permanecer\u00e1 de p\u00e9, farei toda a minha vontade\u201d<\/em> (Is 46.10).<em> \u201cTodos os moradores da terra s\u00e3o por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o ex\u00e9rcito do c\u00e9u e os moradores da terra; n\u00e3o h\u00e1 quem lhe possa deter a m\u00e3o, nem lhe dizer: Que fazes?\u201d<\/em> (Dn 4.35). <em>\u201cNele (Jesus Cristo), digo, no qual fomos tamb\u00e9m feitos heran\u00e7a, predestinados segundo o prop\u00f3sito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade\u201d<\/em> (Ef 1.11).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> ([d;y&#8221;) (yada\u2019)<em>. <\/em>Este conhecimento envolve a capacidade de discernir (Sl 4.4), experimentar (Sl 9.11; 20.7; 25.4.14; 119.75; 139.1,2,4; 139.14), ver (Sl 16.11); pensar\/perceber (Sl 35.8); perfeito conhecimento (Sl 37.18; 44.21; 50.11; 69.5; 94.11; 103.14; 139.23; 142.3); conhecimento \u00edntimo e pessoal (Sl 51.3); intimidade\/proximidade (Sl 55.13; 88.18); compreender (Sl 73.16); aprender (Sl 78.3); ensinar (Sl 90.12); fazer not\u00f3rio\/manifestar (Sl 98.2; 103.7; 145.12).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Para um estudo mais exaustivo do uso da palavra e de suas variantes, vejam-se: M.G. Abegg, Jr., Gdl: In: Willem A. VanGemeren, org., <em>Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 798-801; Jan Bergman, et. al., G\u00e2dhal: In: G.J. Botterweck, Helmer Ringgren, eds., <em>Theological Dictionary of the Old Testament, <\/em>Grand Rapids, MI.: Eerdamans, 1977 (Revised edition), v. 2, p. 390-416. (Para os nossos objetivos, especialmente, as p\u00e1ginas 406-412).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> No c\u00e2ntico de Ana, h\u00e1 a declara\u00e7\u00e3o do governo de Deus sobre \u201cas extremidades da Terra\u201d: <em>\u201c<\/em><em>Os que contendem com o SENHOR s\u00e3o quebrantados; dos c\u00e9us troveja contra eles. O SENHOR <u>julga<\/u> <\/em>(!yD) (diyn) <em>as extremidades da terra, d\u00e1 for\u00e7a ao seu rei e exalta o poder do seu ungido\u201d<\/em> (1Sm 2.10). A Palavra enfatiza o dom\u00ednio de Deus sobre todos os povos; todas as na\u00e7\u00f5es da Terra. <em>\u201cEle <u>julga<\/u> <\/em>(!yD) (diyn)<em> entre as na\u00e7\u00f5es; enche-as de cad\u00e1veres; esmagar\u00e1 cabe\u00e7as por toda a terra\u201d <\/em>(Sl 110.6). Isto deve ser proclamado entre as na\u00e7\u00f5es: O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 de uma cultura ou de um povo, antes \u00e9 o Rei; e como tal,\u00a0 juiz de todas as na\u00e7\u00f5es: <em>\u201cDizei entre as na\u00e7\u00f5es: Reina o SENHOR. Ele firmou o mundo para que n\u00e3o se abale e <u>julga<\/u> <\/em>(!yD) (diyn)<em> os povos com equidade\u201d<\/em> (Sl 96.10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>A palavra <em>retid\u00e3o<\/em> significa, entre outras coisas: <em>Sinceridade<\/em> (1Cr 29.17); <em>Equidade<\/em> (Sl 17.2; 96.10; 98.9; 99.4; Pv 1.3; 2.9); <em>Retamente<\/em> (Sl 75.2); <em>Coisas retas<\/em> (Pv 8.6; 23.16); <em>Suavidade<\/em> (Pv 23.31; Ct 7.9); <em>Caminho plano<\/em> (Metaforicamente) (Is 26.7); <em>Reto<\/em> (Is 33.15); <em>Direito<\/em> (Is 45.19); <em>Conc\u00f3rdia<\/em> (Dn 11.6).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Veja-se: W. Gary Crampton; Richard E. Bacon, <em>\u00a0Em Dire\u00e7\u00e3o a uma Cosmovis\u00e3o Crist\u00e3, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2010, p. 93-106; Cosmovis\u00e3o: In: Norman Geisler, <em>Enciclop\u00e9dia de Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2002, (2\u00aa impress\u00e3o),\u00a0 p. 188-189.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 298. \u201cAs mentes humanas s\u00e3o cegas a essa luz da natureza, a qual resplandece em todas as coisas criadas, at\u00e9 que sejam iluminados pelo Esp\u00edrito de Deus e comecem a compreender pela f\u00e9, que jamais poder\u00e3o entend\u00ea-lo de outra forma\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> (Hb 11.3), p. 299).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ver: J. Moltmann<em>, Doutrina Ecol\u00f3gica da Cria\u00e7\u00e3o,<\/em> Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1993, p. 119.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ver: J. Moltmann, <em>Doutrina Ecol\u00f3gica da Cria\u00e7\u00e3o,<\/em> p. 126ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> J. Gresham Machen, <em>El Hombre: La Ense\u00f1anza B\u00edblica sobre el hombre<\/em>, Lima: El Estandarte de la Verdad, 1969, p. 82.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Excelente o coment\u00e1rio de Bavinck a respeito da express\u00e3o latina tardia n\u00e3o encontrada nas Escrituras (2Mc 7.28), mas, que faz jus ao sentido b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o como sendo o ato s\u00e1bio e poderoso de Deus que traz \u00e0 exist\u00eancia coisas que antes n\u00e3o existiam (Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 425-429).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ver: Cria\u00e7\u00e3o: In: J.I. Packer, <em>Teologia Concisa,<\/em> Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1999, p. 19.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Veja-se: Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 548.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 180.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>Quanto \u00e0 distin\u00e7\u00e3o dos nomes empregados para Deus nas primeiras narrativas de G\u00eanesis, Veja-se, entre outros: Gleason L. Archer Jr., <em>Merece Confian\u00e7a o Antigo Testamento,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1974, p. 130-135, especialmente, p. 132-133. Para um estudo mais detalhado a respeito dos nomes b\u00edblicos usados para Deus, entre uma ampla bibliografia dispon\u00edvel, vejam-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 97-150; Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 155ss.; p. 159ss.; H. Bietenhard, o(noma, etc.: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1981 (Reprinted), v. 5, p. 242-283.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Em contraste com a concep\u00e7\u00e3o dos Pr\u00e9-Socr\u00e1ticos a respeito dos quatro elementos como preexistentes (ar, \u00e1gua, fogo, terra), Paulo apresenta Cristo como o fundamento de toda cria\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o de tudo o que existe.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>Veja-se: David M. Lloyd-Jones, <em>Do Temor \u00e0 F\u00e9, <\/em>Miami, Florida: Vida, 1985, <em>passim<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Veja-se: Roy A. Clouser, <em>O mito da neutralidade religiosa: um ensaio sobre a cren\u00e7a religiosa e seu papel oculto no pensamento te\u00f3rico, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2020,\u00a0 Edi\u00e7\u00e3o do Kindle.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Hermisten M.P. Costa, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cosmovis\u00e3o Reformada, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Cruz, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a>Veja-se: Nancy R. Pearcey; Charles B. Thaxton, <em>A Alma da Ci\u00eancia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2005, p. 9-12; 294. Obviamente, isso se aplica tamb\u00e9m \u00e0 exegese e \u00e0 teologia.\u00a0 \u201cA reflex\u00e3o teol\u00f3gica (&#8230;) nunca ocorre em um v\u00e1cuo social ou cultural\u201d (Alister E. MacGrath, <em>Lutero e a Teologia da Cruz, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2014, p. 22). Silva argumenta com precis\u00e3o e franqueza: \u201cQuer tenhamos ou n\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo, quer gostemos ou n\u00e3o, todos lemos o texto conforme interpretado por nossas pressuposi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas. Ali\u00e1s, o argumento mais s\u00e9rio contra a ideia de que a exegese deve ser feita independente da teologia sistem\u00e1tica \u00e9 que tal ponto de vista \u00e9 irremediavelmente ing\u00eanuo. A mera possibilidade de entender qualquer coisa depende de nossas estruturas anteriores de interpreta\u00e7\u00e3o. Se observarmos um fato que faz sentido para n\u00f3s, \u00e9 simplesmente porque conseguimos encaix\u00e1-lo dentro de um conjunto complexo de ideias que assimilamos anteriormente\u201d (Mois\u00e9s Silva, Em Favor da Hermen\u00eautica de Calvino: In: Walter C. Kaiser Jr.; Mois\u00e9s Silva, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hermen\u00eautica B\u00edblica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2002, p. 255).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Di\u00f3genes Allen; Eric Springsted, <em>Filosofia para entender Teologia, <\/em>\u00a03. ed. Santo Andr\u00e9, SP.; S\u00e3o Paulo: Academia Crist\u00e3; Paulus, 2010, p. 18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>Sobre isto, observou W. Dilthey (1833-1911), em 1907:<\/p>\n<p>&#8220;O nome filosofia ou filos\u00f3fico tem, segundo a \u00e9poca e o lugar, significados diferentes e as cria\u00e7\u00f5es espirituais que\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 receberam este nome pelos seus autores s\u00e3o t\u00e3o diversas, que pareceria que as diferentes \u00e9pocas teriam associado \u00e0 formosa palavra filosofia, criada pelos gregos, imagens espirituais sempre diferentes .(&#8230;) Cada um determina como filosofia um c\u00edrculo particular de fen\u00f4menos e deduz dele os outros fen\u00f4menos designados com o nome de filosofia&#8221; (Wilhelm Dilthey, <em>Ess\u00eancia da Filosofia,<\/em> 3. ed. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, (1984), p. 8 e 54. Veja-se tamb\u00e9m: Johannes Hessen, <em>Tratado de Filosof\u00eda,<\/em> Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1957, v. 1. p. 18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>Plat\u00e3o, <em>Eutidemo,<\/em> 288 e 290b.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>Arist\u00f3teles, <em>Metaf\u00edsica,<\/em> S\u00e3o Paulo, Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 4), 1973, I.1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>Arist\u00f3teles, <em>Metaf\u00edsica,<\/em> IIa. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Johannes Hessen, <em>Tratado de Filosof\u00eda,<\/em> v. 1, p. 15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>Epicuro, <em>Antologia dos Textos de Epicuro,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 5), 1973, I, p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a><em>O Mart\u00edrio de Policarpo<\/em>, XII.2. In: H. Bettenson, <em>Documentos da Igreja Crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: ASTE., 1967, p. 39. Para um estudo cr\u00edtico deste documento, inclusive no que se refere \u00e0 data do mart\u00edrio, veja-se: J.B. Lightfoot, <em>The Apostolic Fathers, <\/em>2. ed. Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers. \u00a9 1989, v. 1, p. 646-722. Para uma vis\u00e3o abreviada desta discuss\u00e3o, ver: J.B. Lightfoot, <em>The Apostolic Fathers, <\/em>10. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker, 1978, p. 103-106.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>Agostinho (354-430) parece ter sido o primeiro a ampliar o conceito, incluindo S\u00e3o Jer\u00f4nimo, um presb\u00edtero, entre os <em>Pais<\/em> (Cf. B. Altaner; A. Stuiber, <em>Patrologia, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1988, p. 19). Seguindo o exemplo de Agostinho, Vicente de L\u00e9rins em 434, aplicou o termo <em>Pai<\/em> a diversos escritores eclesi\u00e1sticos sem nenhuma distin\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica. (Ver: Vincent of L\u00e9rins, <em>Commonitorium<\/em>, 31 e 33. In: Philip Schaff; Henry Wace, eds. <em>Nicene and Post-Nicene Fathers of Christian Church<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (reprinted). (Second Series), 1978, v. 11, p. 155 e 156).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Hubertus R. Drobner, <em>Manual de Patrologia<\/em>, Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2003, p. 11-12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>E. Gilson, <em>A Filosofia na Idade M\u00e9dia<\/em>, S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1995, \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o\u201d, p. XXI. Do mesmo modo: Hubertus R. Drobner, <em>Manual de Patrologia<\/em>, p. 12; B. Altaner; A. Stuiber, <em>Patrologia,<\/em> p. 20.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Filosofia e F\u00e9 Crist\u00e3 foi alvo de calorosas disputas entre os Pais da 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