{"id":54873,"date":"2020-08-12T11:00:37","date_gmt":"2020-08-12T14:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=54873"},"modified":"2020-08-12T11:00:37","modified_gmt":"2020-08-12T14:00:37","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/08\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-12\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 12)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos tamb\u00e9m o que nos dizem quando dele nos falam. O que \u00e9, por conseguinte, o tempo? Se ningu\u00e9m me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, j\u00e1 n\u00e3o sei. \u2013 Agostinho (354-430).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Deus inseriu a revela\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Hist\u00f3ria; Ele n\u00e3o a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teol\u00f3gico. Localizando a revela\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revela\u00e7\u00e3o cuja hist\u00f3ria fosse falsa? Tamb\u00e9m o homem foi inserido neste universo que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, ent\u00e3o, teria para Deus ter nos oferecido sua revela\u00e7\u00e3o em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as quest\u00f5es deve ser \u201cnada disso faria sentido!\u201d. Est\u00e1 claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou,\u00a0numa forma lingu\u00edstica e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua hist\u00f3ria e o universo. \u2012 Francis A. Schaeffer (1922-1984).<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de tempo, mesmo com as suas varia\u00e7\u00f5es, influenciou diretamente todo o mundo Ocidental. A compreens\u00e3o de que o tempo tem um in\u00edcio, meio e fim era totalmente estranha \u00e0s culturas pag\u00e3s.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> A quest\u00e3o da hist\u00f3ria e do tempo \u00e9 fundamental para o Cristianismo pela sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma pequena digress\u00e3o. Agostinho (354-430) \u2012 \u201co grande mestre da Idade M\u00e9dia crist\u00e3\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> \u2012, soube como ningu\u00e9m retratar este problema.<\/p>\n<p>Para Agostinho Deus \u00e9 o eterno presente \u2013 na eternidade nada passa<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> \u2013 que antecede o tempo por Ele criado: \u201cPrecedeis, por\u00e9m, todo o passado, alteando-Vos sobre ele com a vossa eternidade sempre presente (Sl 102.27)\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Em outro lugar:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os anos de Deus n\u00e3o s\u00e3o uma coisa e Deus mesmo outra; mas os anos de Deus s\u00e3o a eternidade de Deus; eternidade de Deus \u00e9 a sua subst\u00e2ncia. Nada tem de mut\u00e1vel, nada de pret\u00e9rito, como se j\u00e1 n\u00e3o fosse, nada de futuro como ainda n\u00e3o sendo. Ali s\u00f3 se encontra: \u00c9; n\u00e3o h\u00e1: Foi e ser\u00e1, porque o que foi j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, e o que ser\u00e1 ainda n\u00e3o \u00e9, mas tudo que existe ali, apenas \u00e9.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Por isso, na eternidade, Deus nada fazia, visto que se Ele fizesse, seria criatura dele:\u00a0 \u201cN\u00e3o temo afirmar que antes de criardes o c\u00e9u e a terra n\u00e3o faz\u00edeis coisa alguma. Pois, se tiv\u00e9sseis feito alguma coisa, que poderia ser sen\u00e3o criatura vossa?\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>O tempo s\u00f3 pode ser avaliado a partir de sua finitude, olhando o seu passado ou desejando o seu futuro; o presente \u201cpara ser tempo, tem necessariamente de passar para o pret\u00e9rito&#8230;.\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> No entanto, n\u00e3o podemos falar do \u201ctempo passado\u201d como \u201clongo\u201d ou \u201cbreve\u201d, j\u00e1 que ele passou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-ser, n\u00e3o podendo mais ser caracterizado por estes acidentes. \u201cTodos os dias do tempo v\u00eam para n\u00e3o existirem mais. Toda hora, todo m\u00eas, todo ano: nada disso permanece. Antes de vir, ser\u00e1; quando vier, n\u00e3o ser\u00e1 mais\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Como ent\u00e3o nos referir a ele? Explica:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o digamos pois: \u2018o tempo passado foi longo\u2019, porque n\u00e3o encontraremos aquilo que tivesse podido ser longo, visto que j\u00e1 n\u00e3o existe desde o instante que passou. Digamos antes: \u2018aquele tempo presente foi longo\u2019, porque s\u00f3 enquanto foi presente \u00e9 que foi longo. (&#8230;) Onde existe portanto o tempo que podemos chamar longo? Ser\u00e1 o futuro? Mas deste tempo n\u00e3o dizemos que \u00e9 longo, porque ainda n\u00e3o existe. Dizemos: \u2018ser\u00e1 longo\u2019. E quando ser\u00e1? Se esse tempo ainda agora est\u00e1 para vir, nem ent\u00e3o ser\u00e1 longo, porque ainda n\u00e3o existe nele aquilo que seja capaz de ser longo. Suponhamos que, ao menos, no futuro ser\u00e1 longo. Mas s\u00f3 o poder\u00e1 come\u00e7ar a ser no instante em que ele nasce desse futuro \u2013 que ainda n\u00e3o existe \u2013 e se torna tempo presente, porque s\u00f3 ent\u00e3o possui capacidade de ser longo. Mas com as palavras que acima deixamos transcritas o tempo presente clama que n\u00e3o pode ser longo.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A brevidade dos dias estende-se at\u00e9 o fim dos s\u00e9culos. Brevidade porque a totalidade do tempo, n\u00e3o digo de hoje at\u00e9 o fim dos s\u00e9culos, mas de Ad\u00e3o at\u00e9 o fim dos s\u00e9culos, \u00e9 uma ex\u00edgua gota d\u2019\u00e1gua, se comparada \u00e0 eternidade.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Que fazer ent\u00e3o, com a lembran\u00e7a e com a esperan\u00e7a? Bem, Agostinho cria tr\u00eas formas de presente; diria que\u00a0 a lembran\u00e7a \u00e9 o presente das coisas passadas;<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> o sonho \u00e9\u00a0 o presente das coisas futuras e o que vejo, aspiro, toco, provo e ou\u00e7o, \u00e9 o presente do presente.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>A perspectiva de Agostinho adquire, naturalmente, um tom escatol\u00f3gico: \u201cPois nada parece mais r\u00e1pido do que tudo aquilo que j\u00e1 passou. Quando vier o dia do ju\u00edzo, ent\u00e3o os pecadores perceber\u00e3o n\u00e3o ser longa a vida que passa\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Deste modo, o tempo \u00e9 o grande sinal de finitude e de mediatez. Assim, <em>Idade M\u00e9dia<\/em> s\u00e3o todos os tempos j\u00e1 que o tempo sempre ser\u00e1 m\u00e9dio entre o antes e o depois ou, entre o tempo anterior e a eternidade,<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> quando o tempo se extinguir\u00e1.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>Gilson (1884-1978) ressaltando a import\u00e2ncia de Agostinho, afirma que ap\u00f3s ele, \u201cA Idade M\u00e9dia passou a representar a hist\u00f3ria do mundo como um belo poema, cujo sentido \u00e9 para n\u00f3s intelig\u00edvel e completo, contanto que conhe\u00e7amos seu in\u00edcio e seu fim\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>Retornando ainda que parcialmente \u00e0 nossa rota, podemos dizer que de fato, a quest\u00e3o do significado do tempo ocupa um lugar cont\u00ednuo em nossa cotidianidade, nas grandes e pequenas corriqueiras coisas da vida. O tempo est\u00e1 sempre presente em nossa fala, expectativas, lembran\u00e7as, e mesmo ang\u00fastias:<\/p>\n<p>Estou sem tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como vou conseguir tempo para fazer isso, n\u00e3o tive tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se terei tempo.<\/p>\n<p>Est\u00e1 se aproximando o dia da cirurgia (ang\u00fastia com a proximidade do tempo).<\/p>\n<p>S\u00f3 daqui a 2 anos (alegria ou tristeza por achar muito ou pouco tempo conforme o meu desejo).<\/p>\n<p>Foi a tanto tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o faz tanto tempo.<\/p>\n<p>O tempo est\u00e1 curto.<\/p>\n<p>O tempo passa t\u00e3o depressa.<\/p>\n<p>Ganhar tempo.<\/p>\n<p>Perder tempo.<\/p>\n<p>Passatempo.<\/p>\n<p>O tempo a gente faz etc.<\/p>\n<p>O cidad\u00e3o comum pode n\u00e3o filosofar sobre o tempo, no entanto, essa tem\u00e1tica faz parte da sua vida.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o significado do tempo \u00e9 infind\u00e1vel. Faz tempo. \u00a0Agostinho estava certo em sua perplexidade. O que posso dizer ent\u00e3o? Nessa condi\u00e7\u00e3o de vida, podemos dizer que o tempo foi criado por Deus juntamente com suas criaturas. Sem cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00edamos tempo. Na eternidade n\u00e3o teremos mais tempo como instrumento de medi\u00e7\u00e3o da sucess\u00e3o de eventos. Creio que talvez tenhamos uma outra forma de mensura\u00e7\u00e3o de sucess\u00e3o (precisaremos disso?) na eternidade. Mas, esse assunto escapa \u00e0 minha compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Como realidade presente, o tempo tem a sua objetividade da qual somente Deus tem o seu controle. Deus \u00e9 Senhor do tempo. O tempo, portanto, por ser dirigido e preservado por Deus, \u00e9 implac\u00e1vel no seu transcorrer na vida da cria\u00e7\u00e3o. Todavia, o tempo assume caracter\u00edsticas subjetivas ativas e passivas nessa mesma cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ativa<\/strong>, quando conscientemente lido com o tempo, atribuindo-lhe significados pessoais de prazer e dor, alegria e tristeza, trabalho e lazer, frustra\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, rapidez ou lentid\u00e3o.<\/p>\n<p>De outro modo, tento enganar o tempo, com cremes, tratamentos e cirurgias para que aparente ter menos tempo de vida (vivido e mais por viver), ainda que na juventude, tenha tentado usar determinada roupa para parecer mais velho. Parece que o tempo contribui para existir esses paradoxos: Encontro ouvidos prazerosos para dizer a uma menina de 7 anos que ela parece ter 10. Mas, essa mesma menina n\u00e3o ouviria com satisfa\u00e7\u00e3o eu afirmar que ela com 30 parece ter 35 anos.<\/p>\n<p><strong>Passiva<\/strong>, quando ainda que n\u00e3o tenha consci\u00eancia disso, o tempo se mostrou mais \u201cfavor\u00e1vel\u201d a mim por determinados h\u00e1bitos alimentares, viver em determinada regi\u00e3o com o clima mais ameno, cor de minha pele menos suscet\u00edvel a mostrar as \u201cmarcas do tempo\u201d etc. Dessa forma, todos somos influenciados pelo tempo que pode ser um aliado ou algoz, conforme nos valemos dele. (1Co 3.1-2; Hb 5.11-14).<\/p>\n<p>O Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de hist\u00f3ria.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Elimine, por exemplo, a historicidade dos 11 primeiros cap\u00edtulos de G\u00eanesis, e mutilaremos o sentido das Escrituras e, por isso mesmo, os fundamentos da f\u00e9 crist\u00e3. Pelo fato de a Cria\u00e7\u00e3o ter ocorrido na hist\u00f3ria, bem como a Queda, a promessa (Gn 3.15) e o Dil\u00favio, \u00e9 que tudo o mais faz sentido. Se a Queda \u00e9 apenas uma lenda, porque precisar\u00edamos crer na encarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo como fato hist\u00f3rico? Bastaria a cria\u00e7\u00e3o de outra lenda para, quem sabe, remediar o que fora inventado anteriormente.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o d\u00e1-se na hist\u00f3ria. Qual o sentido de Deus falar e agir na hist\u00f3ria e, ao mesmo tempo, fornecer por meio de sua Palavra uma hist\u00f3ria mentirosa, cheia de equ\u00edvocos, contradi\u00e7\u00f5es e erros? Grande parte dos ensinamentos doutrin\u00e1rios das Escrituras prov\u00e9m de fatos hist\u00f3ricos n\u00e3o apenas de proposi\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>As narrativas b\u00edblicas se constituem em uma pedagogia hist\u00f3rica da gra\u00e7a da lei e da lei da gra\u00e7a. Vemos de forma\u00a0 v\u00edvida na hist\u00f3ria a manifesta\u00e7\u00e3o de aspectos de atributos de Deus na dire\u00e7\u00e3o do seu povo conforme os seus preceitos, promessas e, tamb\u00e9m, na manifesta\u00e7\u00e3o de seu ju\u00edzo levando o homem ao arrependimento, confiss\u00e3o, perd\u00e3o e vida.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria vemos a demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos ensinamentos de Deus, revelando os acertos e fracassos de suas criaturas em serem fi\u00e9is ao seu Senhor, e, ao mesmo tempo, a demonstra\u00e7\u00e3o de sua miseric\u00f3rdia incompreens\u00edvel que atinge o seu \u00e1pice na encarna\u00e7\u00e3o do Verbo.<\/p>\n<p>Insistimos: O Cristianismo n\u00e3o se ampara em lendas, antes, em fatos os quais devem ser testemunhados, visto que t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta com a vida dos que creem.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> O Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de fatos, palavra e vida. Os fatos, corretamente compreendidos, t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta com a nossa vida. A f\u00e9 crist\u00e3 fundamenta-se no pr\u00f3prio Cristo: O Deus-Homem. Sem o Cristo Hist\u00f3rico n\u00e3o haveria Cristianismo.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> A sua for\u00e7a e singularidade est\u00e3o neste fato, melhor dizendo: na pessoa de Cristo, n\u00e3o simplesmente nos seus ensinamentos.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> O Cristianismo \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo. A encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 toda e inclusivamente mission\u00e1ria: o Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s (Jo 1.14). \u00c9 por isso tamb\u00e9m, que o Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de mem\u00f3ria, relatando os feitos de Deus e desafiando o povo a reafirmar a sua f\u00e9 a partir do rememorar dos atos de Deus na hist\u00f3ria.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p>Paulo d\u00e1 a gra\u00e7as a Deus pela f\u00e9 dos ef\u00e9sios porque era centrada em Cristo (Ef 1.15-16). E n\u00e3o poderia ser diferente. Justamente pelo fato de o Evangelho ser centrado em Cristo, \u00e9 que a genu\u00edna f\u00e9, identificada como salvadora, n\u00e3o \u00e9 uma cren\u00e7a qualquer, cujo teor seja indefinido, tendo como virtude apenas o fato de poder crer; uma esp\u00e9cie de f\u00e9 na f\u00e9. O Evangelho n\u00e3o \u00e9 algo como uma garrafa \u201cpet\u201d que depois de esvaziada do seu conte\u00fado original, pode ser preenchida com amaciante, detergente, \u00e1gua ou alguma outra subst\u00e2ncia. O Evangelho conforme a Escritura nos ensina, \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor Jesus Cristo. Nele temos \u201cuma revela\u00e7\u00e3o aberta de Deus\u201d<em>.<\/em><a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p>A Boa Nova \u00e9 de Deus, cujo conte\u00fado \u00e9 o pr\u00f3prio Deus anunciando a salva\u00e7\u00e3o para todos os que sinceramente a desejarem.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Portanto, o Evangelho tem como conte\u00fado e ess\u00eancia<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> a Jesus Cristo como Senhor e Salvador conforme revelado na Escritura. \u201cTer f\u00e9 \u00e9 crer que aquilo que Deus diz \u00e9 verdade. O conte\u00fado da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 a Palavra revelada de Deus\u201d, resume MacArthur.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> Jesus Cristo \u00e9 a Palavra encarnada.<\/p>\n<p>A f\u00e9 faz parte essencial do Evangelho. No entanto, essa f\u00e9 deve repousar unicamente em Cristo como nosso salvador (Jo 3.16).<\/p>\n<p>Bavinck (1854-1921) corretamente destaca a singularidade de Cristo para o Cristianismo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Ele ocupa um lugar completamente \u00fanico no Cristianismo. Ele n\u00e3o foi o fundador do Cristianismo em um sentido usual, ele \u00e9 o Cristo, o que foi enviado pelo Pai e que fundou Seu reino sobre a terra e agora expande-o at\u00e9 o fim dos tempos. Cristo \u00e9 o pr\u00f3prio Cristianismo. Ele n\u00e3o est\u00e1 fora, Ele est\u00e1 dentro do Cristianismo. Sem Seu nome, pessoa e obra, n\u00e3o h\u00e1 Cristianismo. Em outras palavras, Cristo n\u00e3o \u00e9 aquele que aponta o caminho para o Cristianismo, Ele mesmo \u00e9 o caminho.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Se formos sinceros em nossa investiga\u00e7\u00e3o b\u00edblica, n\u00e3o restam muitas alternativas para n\u00f3s. Ou Jesus Cristo \u00e9 de fato Deus conforme o seu pr\u00f3prio testemunho e, assim, podemos ent\u00e3o consider\u00e1-lo de forma decorrente como um grande mestre, um bom homem, justo e misericordioso, ou Ele \u00e9 um farsante n\u00e3o merecendo a nossa f\u00e9 nem mesmo o nosso respeito.<\/p>\n<p>Barth (1886-1968) coerentemente afirma que a Escritura n\u00e3o nos deixa vagueando em nossa f\u00e9, antes, quando nos fala de Deus, aponta para Jesus Cristo, em quem nossa aten\u00e7\u00e3o e pensamentos devem se concentrar.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p>Stott (1921-2011) coloca a quest\u00e3o nestes termos: \u201cJesus deve ser adorado ou apenas admirado? Se ele \u00e9 Deus, \u00e9 digno de nossa adora\u00e7\u00e3o, f\u00e9 e obedi\u00eancia; se n\u00e3o \u00e9 Deus, dedicar a ele essa devo\u00e7\u00e3o \u00e9 idolatria\u201d.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>Se as reivindica\u00e7\u00f5es divinas e redentivas do Jesus Cristo hist\u00f3rico s\u00e3o verdadeiras como de fato s\u00e3o, a mensagem do Evangelho deve ser anunciada ao mundo para que aqueles que crerem sejam salvos.<\/p>\n<p>Noll resume bem ao dizer que: \u201cEstudar a hist\u00f3ria do cristianismo \u00e9 lembrar continuamente o car\u00e1ter hist\u00f3rico da f\u00e9 crist\u00e3\u201d.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/p>\n<p>Sem o fato hist\u00f3rico da encarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, podemos falar at\u00e9 de experi\u00eancia religiosa, mas n\u00e3o de experi\u00eancia crist\u00e3. A experi\u00eancia crist\u00e3 depende fundamentalmente destes eventos.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a> \u00c9 por isso que a prega\u00e7\u00e3o da Igreja primitiva, conforme nos mostram as Escrituras, estava fundamentalmente amparada na certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>Quando focamos o nosso olhar na experi\u00eancia, corremos o risco de perdermos a dimens\u00e3o da ess\u00eancia, do Referente, que \u00e9 Deus. Neste processo, como escreveu Barth (1886-1968)<em>,<\/em> \u201ca passagem da <em>experi\u00eancia <\/em>do Senhor \u00e0 experi\u00eancia de <em>Baal <\/em>\u00e9 curta. O religioso e o sexual s\u00e3o extremamente semelhantes\u201d.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 o cl\u00edmax da Revela\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 a Palavra Final de Deus. Nele temos n\u00e3o uma met\u00e1fora ou um sinal, antes, temos o pr\u00f3prio Deus que Se fez homem na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sire (1933-2018) escreveu de modo esclarecedor:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Jesus Cristo \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o final e especial de Deus. Porque Jesus Cristo era verdadeiramente Deus Ele nos mostrou mais plenamente com quem Deus era semelhante do que qualquer outra forma de revela\u00e7\u00e3o. Porque Jesus foi tamb\u00e9m completamente homem, Ele falou mais claramente a n\u00f3s do que pode faz\u00ea-lo qualquer outra forma de revela\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 6), 1973, XI.14.17, p. 244.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Francis A. Schaeffer, <em>O Deus que interv\u00e9m<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Cf. Gene Edward Veith, Jr., <em>De Todo o Teu Entendimento<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, p. 22-23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Jacques Le Goff, Tempo: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. <em>Dicion\u00e1rio Tem\u00e1tico do Ocidente Medieval, <\/em>Bauru, SP.; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade Sagrado Cora\u00e7\u00e3o; Imprensa Oficial do Estado, 2002, v. 2, p. 531.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.11.13. p. 242. Ele insiste neste ponto: \u201cQuanto ao presente, se fosse sempre presente, e n\u00e3o passasse para o pret\u00e9rito, j\u00e1 n\u00e3o seria tempo, mas eternidade\u201d (Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.14.17. p. 244). Em outro lugar: \u201cO que tem fim n\u00e3o \u00e9 duradouro e todos os s\u00e9culos termin\u00e1veis, em compara\u00e7\u00e3o com a eternidade intermin\u00e1vel, s\u00e3o, n\u00e3o direi pequenos, mas nada\u201d (Santo Agostinho, <em>A Cidade de Deus,<\/em> 2. ed. Petr\u00f3polis, RJ.; S\u00e3o Paulo: Vozes; Federa\u00e7\u00e3o Agostiniana Brasileira, 1990, (Parte II), XII.12. p. 74). \u201cNa eternidade n\u00e3o h\u00e1 passado, como se algo ainda n\u00e3o existisse, mas apenas no presente, porque aquilo que \u00e9 eterno existe sempre\u201d (Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997, (Patr\u00edstica, 9\/1), v. 1, (Sl 2.7), p. 27).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.13.16. p. 243.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/3), 1998, (Sl 101), v. 3, p. 37.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.12.14. p. 242.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.14.17. p. 244.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> v. 3, (Sl 101), p. 37.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.15.18 e XI.15.20. p. 244 e 245. Adiante acrescenta: \u201cO futuro longo \u00e9 apenas a longa expecta\u00e7\u00e3o do futuro. Nem \u00e9 longo o tempo passado porque n\u00e3o existe, mas o pret\u00e9rito longo outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a longa lembran\u00e7a do passado\u201d (Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.28.37. p. 255).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> v. 3, (Sl 101), p. 36.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>\u201cO tempo feudal privilegia o passado. \u00c9 o tempo da mem\u00f3ria que desenvolve as potencialidades do cristianismo como religi\u00e3o da mem\u00f3ria \u2013 mem\u00f3ria de Jesus, mem\u00f3ria destes mortos modelares que s\u00e3o os m\u00e1rtires e os santos\u201d (Jacques Le Goff, Tempo: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. <em>Dicion\u00e1rio Tem\u00e1tico do Ocidente Medieval, <\/em>Bauru, SP.; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade Sagrado Cora\u00e7\u00e3o; Imprensa Oficial do Estado, 2002, v. 2, p. 535).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Vejam-se: Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> XI.20.26. p. 248.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997, (Patr\u00edstica, 9\/1), v. 1, (Sl 13), p. 70.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Veja-se: \u00c9tienne Gilson, <em>O Esp\u00edrito da Filosofia Medieval, <\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 485.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Le Goff interpretando a compreens\u00e3o medieval, resume: \u201cO tempo dirige-se para a eternidade, que o abolir\u00e1\u201d (Jacques Le Goff, Tempo: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. <em>Dicion\u00e1rio Tem\u00e1tico do Ocidente Medieval, <\/em>Bauru, SP.; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade Sagrado Cora\u00e7\u00e3o; Imprensa Oficial do Estado, 2002, v. 2, p. 535).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u00c9tienne Gilson, <em>O Esp\u00edrito da Filosofia Medieval, <\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 481. Para um estudo mais abrangente das dificuldades da conceitua\u00e7\u00e3o de Agostinho sobre o tempo, veja-se: \u00c9tienne Gilson, <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo de Santo Agostinho. <\/em>S\u00e3o Paulo: Discurso Editorial; Paulus, 2006, p. 357-370.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Veja-se a exposi\u00e7\u00e3o de Alan Richardson,<em> As\u00ed se hicieron los Credos: Una breve introducci\u00f3n a la historia de la Doctrina Cristiana,<\/em> Barcelona: Editorial CLIE, 1999, p. 15ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Veja-se, por exemplo: Francis A. Schaeffer, <em>Nenhum conflito final: a B\u00edblia sem erro em tudo o que ela afirma, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2017, p. 13-33.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Veja-se: F.A. Schaeffer, <em>O Deus que interv\u00e9m, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2002, p. 250-251.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Georges Duby (1919-1996), dentro de uma perspectiva puramente hist\u00f3rica, admite: \u201cO Cristianismo, que impregnou fundamentalmente a sociedade medieval, \u00e9 uma religi\u00e3o da hist\u00f3ria. Proclama que o mundo foi criado num dado momento e que, num outro, Deus fez-se homem para salvar a humanidade. A partir disso, a hist\u00f3ria continua e \u00e9 Deus quem a dirige\u201d (Georges Duby, <em>Ano 1000, ano 2000, na pista de nossos medos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora UNESP; Imprensa Oficial do Estado, 1999, p. 16). \u201cOs historiadores insistiram com justeza sobre o fato de que o cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o hist\u00f3rica, ancorada na hist\u00f3ria e se afirmando como tal\u201d (Jacques Le Goff, Tempo: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. <em>Dicion\u00e1rio Tem\u00e1tico do Ocidente Medieval, <\/em>Bauru, SP.; S\u00e3o Paulo, SP.: Editora da Universidade Sagrado Cora\u00e7\u00e3o; Imprensa Oficial do Estado, 2002, v. 2, p. 534). \u201cO cristianismo, como tamb\u00e9m a religi\u00e3o de Israel, da qual ele nasceu, se apresenta como uma religi\u00e3o hist\u00f3rica de forma absolutamente concreta, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nenhuma das outras religi\u00f5es do mundo pode se equiparar \u2013 nem mesmo o Isl\u00e3, apesar de este se aproximar mais do cristianismo e do juda\u00edsmo, nesse sentido, que qualquer outra religi\u00e3o\u201d (Christopher Dawson, <em>Din\u00e2micas da Hist\u00f3ria no Mundo, <\/em>S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es Editora, 2010, p. 343). Do mesmo modo: Marc Bloch, <em>Apologia da hist\u00f3ria, ou, O of\u00edcio do historiador<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997, p. 58. Veja-se tamb\u00e9m: Gordon H. Clark, <em>Uma vis\u00e3o crist\u00e3 dos homens e do mundo, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2013, p. 85, 92.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Veja-se: Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Shedd, 2007, p. 23ss. \u201cQualquer coisa que se apresente como cristianismo, mas que n\u00e3o insista na absoluta e essencial necessidade de Cristo, n\u00e3o \u00e9 cristianismo. Se Ele n\u00e3o for o cora\u00e7\u00e3o, a alma e o centro, o princ\u00edpio e o fim do que \u00e9 oferecido como salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3, seja l\u00e1 o que for\u201d (D. M. Lloyd-Jones, <em>O supremo prop\u00f3sito de Deus: Exposi\u00e7\u00e3o sobre Ef\u00e9sios 1.1-23, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1996, p. 143). \u201cO evangelho nos confronta com fatos. Ele se baseia completamente numa pessoa; est\u00e1 fundamentado em fatos definidos que ocorreram ao longo da hist\u00f3ria. (&#8230;) Ele me conduziu por entre os fatos, ao longo do t\u00fanel das trevas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 aurora que ilumina a outra extremidade\u201d (D.M. Lloyd-Jones, <em>N\u00e3o se perturbe o cora\u00e7\u00e3o de voc\u00eas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 2016, p. 29). Veja-se Alister E. McGrath, <em>A g\u00eanese da doutrina: fundamentos da cr\u00edtica doutrin\u00e1ria, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2015, p. 195ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Veja-se: Michael S. Horton, Os Sola\u2019s de Reforma: In: J.M. Boice; B. Sasse, <em>Reforma Hoje, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1999, p. 97.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Segundo Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 3.18), p. 78.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>\u201cElimine-se o evangelho, e todos permaneceremos malditos e mortos \u00e0 vista de Deus. Esta mesma Palavra, por meio da qual somos gerados, passa a ser leite para nos criar, bem como alimento s\u00f3lido para a nossa nutri\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 4.15), p. 143).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a>\u201cCristo \u00e9 o fim da lei e a suma do Evangelho\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Ef\u00e9sios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 2.20), p. 78).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>John MacArthur, <em>Deus: Face a face com sua majestade,<\/em> S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2013, p. 16.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 311.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>Karl Barth, <em>Church Dogmatics, <\/em>Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, II\/2, p. 52-53.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>Timothy Dudley, <em>Cristianismo aut\u00eantico: 968 textos selecionados das obras de <\/em>John Stott, S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2006, p. 44. Lewis (1898-1963)\u00a0 escreveu de forma contundente: \u201cUm homem que fosse s\u00f3 homem, e dissesse as coisas que Jesus disse, n\u00e3o seria um grande mestre de moral: seria ou um lun\u00e1tico, em p\u00e9 de igualdade com quem diz ser um ovo cozido, ou ent\u00e3o seria o Dem\u00f4nio. Cada um de n\u00f3s tem que optar por uma das alternativas poss\u00edveis. Ou este homem era, e \u00e9, Filho de Deus, ou ent\u00e3o foi um louco, ou cuspir nele e mat\u00e1-lo como um dem\u00f4nio; ou podemos cair a seus p\u00e9s e cham\u00e1-lo de Senhor e Deus. Mas n\u00e3o venhamos com nenhuma bobagem paternalista sobre ser Ele um grande mestre humano. Ele n\u00e3o nos deu esta escolha. Nem nunca pretendeu\u201d (C.S. Lewis, <em>A ess\u00eancia do Cristianismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: ABU Editora, 1979, p. 29). Boice com maestria analisa as op\u00e7\u00f5es fornecidas por Lewis. Veja-se: James M. Boice, <em>Fundamentos da F\u00e9 Crist\u00e3, <\/em>Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011, p. 238-240. John Piper faz algo semelhante, com uma aproxima\u00e7\u00e3o diferente. (Veja-se: John Piper, <em>Um homem chamado Jesus Cristo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida, 2005, p. 11-12). Do mesmo modo, Josh McDowell, <em>Mais que um carpinteiro, <\/em>Venda Nova, MG.: Editora Bet\u00e2nia, 1989, p. 26-35.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>Mark A. Noll, <em>Momentos Decisivos na Hist\u00f3ria do Cristianismo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2000, p. 16. Vejam-se tamb\u00e9m: Clyde P. Greer, Jr., Refletindo honestamente sobre a hist\u00f3ria: In: John F. MacArthur Jr. ed. ger.<em> Pense Biblicamente!: recuperando a vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2005, p. 400-401.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Cf. J. Gresham Machen, <em>Cristianismo e Liberalismo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Os Puritanos, 2001, p. 77.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> \u201cGostemos ou n\u00e3o, n\u00e3o podemos escapar ao fato de que historicamente o Cristianismo foi fundado sobre a cren\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (Alan Richardson,<em> As\u00ed se hicieron los Credos: Una breve introducci\u00f3n a la hist\u00f3ria de la Doctrina Cristiana,<\/em> Barcelona: Editorial CLIE, 1999, p. 24).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Karl Barth, <em>A Palavra de Deus e a palavra do homem, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, p. 217.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>James W. Sire, <em>O Universo ao Lado, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2004, p. 40.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de fatos, palavra e vida. 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