{"id":55616,"date":"2020-09-23T15:04:14","date_gmt":"2020-09-23T18:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=55616"},"modified":"2020-09-23T15:04:14","modified_gmt":"2020-09-23T18:04:14","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/09\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-17\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 17)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h2>Heran\u00e7a da Sinagoga<\/h2>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Podereis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edif\u00edcios, sem gin\u00e1sios, sem leis, sem uso de moedas como dinheiro, sem cultura das letras. Mas um povo sem Deus, sem ora\u00e7\u00e3o, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrif\u00edcios, tal nunca se viu. \u2013 Plutarco (50-125 A.D.).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>\u00a0<\/strong>Sabemos que somos postos sobre a terra para louvar a Deus com uma s\u00f3 mente e uma s\u00f3 boca, e que esse \u00e9 o prop\u00f3sito de nossa vida. \u2013 Jo\u00e3o Calvino (1509-1564).<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Os hinos e salmos que s\u00e3o cantados na adora\u00e7\u00e3o s\u00e3o m\u00fasicas espirituais, isto \u00e9, elas s\u00e3o as m\u00fasicas do Santo Esp\u00edrito (Atos 4.25; Ef 5.19). &#8211; Hughes Oliphant Old (1933-2016)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mesmo n\u00e3o encontrando nas p\u00e1ginas do Novo Testamento nenhuma descri\u00e7\u00e3o completa do culto crist\u00e3o \u2013 o que considero proposital \u2013, constatamos que, desde o in\u00edcio da igreja neotestament\u00e1ria, havia uma forma pr\u00f3pria de culto p\u00fablico (At 2.42).<\/p>\n<p>Podemos observar, tamb\u00e9m, que desde o florescimento da Igreja crist\u00e3, houve a consci\u00eancia de que o culto sacrificial judaico tivera um valor transit\u00f3rio: ele apontava para o sacrif\u00edcio perfeito e eficaz de Cristo (At 6.8-7.53), sendo tal conceito coroado com a Ep\u00edstola aos Hebreus, escrita cerca de trinta anos mais tarde, por um autor cuja identidade n\u00e3o foi preservada.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Contudo, uma pergunta que se faz necess\u00e1ria \u00e9: o culto crist\u00e3o recebeu algum tipo de heran\u00e7a ou se estruturou sem nenhum modelo pr\u00e9vio, de acordo com alguma orienta\u00e7\u00e3o direta do Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 assunto aceito de modo pac\u00edfico que o culto crist\u00e3o encontrou o seu prot\u00f3tipo na Sinagoga e, possivelmente (aqui, a palavra <em>possivelmente<\/em> \u00e9 relevante), nas comunidades religiosas como a de Qumran, por exemplo.<\/p>\n<p>Analisando historicamente, devemos considerar como natural os crist\u00e3os judeus tomarem a adora\u00e7\u00e3o na sinagoga como modelo. A sinagoga dispunha de grande influ\u00eancia na vida religiosa dos judeus j\u00e1 que ela se constitu\u00eda no centro de sua vida religiosa e cultural, do mesmo modo que o Templo de Jerusal\u00e9m era o centro da vida nacional. Nos dias de Jesus, a sinagoga permanecia como uma institui\u00e7\u00e3o de grande poder conservador, sendo o centro catalisador da vida religiosa e social dos judeus.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o de Maxwell (1931-2018) parece-nos pertinente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O culto crist\u00e3o, como coisa distintiva e aut\u00f3ctone, surgiu da fus\u00e3o da sinagoga e do Cen\u00e1culo, no crisol da experi\u00eancia crist\u00e3. Assim fundidos, cada um completando e estimulando ao outro, se converteram na norma do culto crist\u00e3o. (&#8230;) O culto t\u00edpico da Igreja pode ser achado at\u00e9 ao dia de hoje na uni\u00e3o do culto da Sinagoga e a experi\u00eancia sacramental do Cen\u00e1culo; e esta uni\u00e3o data dos tempos do Novo Testamento.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esta tese \u00e9 facilmente identific\u00e1vel por interm\u00e9dio das evid\u00eancias hist\u00f3ricas. Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, que os primeiros disc\u00edpulos de Jesus Cristo eram judeus e a forma de culto que eles conheciam era o culto prestado na sinagoga e no Templo. Por\u00e9m, \u201ca \u00fanica coisa que faltava na adora\u00e7\u00e3o da sinagoga era o sacrif\u00edcio\u201d, comenta Willis.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Contudo, os judeus das regi\u00f5es mais distantes de Jerusal\u00e9m estavam mais familiarizados com a liturgia da sinagoga, tendo em vista que estas se encontravam por quase todas as cidades onde houvesse judeus, pois, de acordo com a lei da <em>Mishn\u00e1<\/em>,<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> era permitido que dez homens judeus formassem, em qualquer lugar, uma sinagoga.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Havia cidades, inclusive, que possu\u00edam v\u00e1rias. Estima-se que em Jerusal\u00e9m houvesse cerca de 500 delas.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Outro fato que refor\u00e7ou ainda mais a influ\u00eancia da sinagoga na vida religiosa dos judeus, foi a destrui\u00e7\u00e3o do Templo ocorrida cerca de 40 anos depois da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, enquanto a sinagoga continuou irradiando sua influ\u00eancia permanentemente.<\/p>\n<h2>A quest\u00e3o da m\u00fasica na adora\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A m\u00fasica, quer instrumental, quer vocal ou de ambas as formas sempre esteve presente em todas as express\u00f5es de cultura humana. \u201cN\u00e3o h\u00e1 povo antigo no qual n\u00e3o se encontrem manifesta\u00e7\u00f5es musicais. (&#8230;) n\u00e3o existe linguagem mais instintiva, mais espont\u00e2nea do que a m\u00fasica\u201d, escreve Alaleona (1881-1928).<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>A m\u00fasica sempre fez parte dos cultos pag\u00e3os (Ver: Dn 3.4-7). Entendia-se que os deuses gostavam de m\u00fasica, havendo, portanto, uma conex\u00e3o entre a adora\u00e7\u00e3o e a m\u00fasica.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong><sup>[10]<\/sup><\/strong><\/a> A flauta era um dos instrumentos populares, inclusive nos cultos.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><strong><sup>[11]<\/sup><\/strong><\/a> Sendo facilmente confeccionada. Em geral, estava associada \u00e0 alegria (J\u00f3 21.12; 30.31; Sl 149.3; Is 30.29; Mt 11.17; Lc 7.32; Ap 18.22),<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><strong><sup>[12]<\/sup><\/strong><\/a> ainda que n\u00e3o especificamente (Mt 9.23).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><strong><sup>[13]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<h2>Nabucodonosor e a boa m\u00fasica<\/h2>\n<p>Em certa ocasi\u00e3o Nabucodonosor, rei da Babil\u00f4nia, teve um sonho; desejando saber o seu significado e, ao mesmo tempo temendo que os magos o enganassem em sua interpreta\u00e7\u00e3o, pediu para que esses contassem o que o rei havia sonhado e a sua interpreta\u00e7\u00e3o. Os magos, em aperto, procuraram ganhar tempo, pois o rei os amea\u00e7ava de morte caso n\u00e3o soubessem o sonho e o seu significado. Por fim, terminam por dizer: <em>\u201cA coisa que o rei exige \u00e9 dif\u00edcil, e ningu\u00e9m h\u00e1 que a possa revelar diante do rei, sen\u00e3o os deuses, e estes n\u00e3o moram com os homens\u201d <\/em>(Dn 2.11). A rea\u00e7\u00e3o do rei foi intempestiva: <em>\u201cEnt\u00e3o, o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os s\u00e1bios da Babil\u00f4nia. Saiu o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os s\u00e1bios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos\u201d<\/em> (Dn 2.12-13).<\/p>\n<p>Daniel sabendo a raz\u00e3o do decreto de morte, se apresenta ao rei pedindo alguns dias para interpretar o sonho. Juntamente com seus companheiros roga a Deus, e Ele revela o sonho e o significado. Nabucodonosor estupefato com a interpreta\u00e7\u00e3o do sonho, se inclina diante de Daniel e reconhece a grandeza de Deus (Dn 2.46-47).<\/p>\n<p>Nabucodonosor que t\u00e3o rapidamente reconheceu a soberania de Deus (Dn 2.47), logo se esquece disso e constr\u00f3i \u2013 certamente tamb\u00e9m com prop\u00f3sito religioso-pol\u00edtico<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><strong><sup>[14]<\/sup><\/strong><\/a> \u2013, um obelisco (que era a sua imagem ou de algum deus babil\u00f4nio) de ouro com cerca 30 metros de altura e tr\u00eas de largura, promovendo ostentosa consagra\u00e7\u00e3o \u2013 inclusive com m\u00fasica bem cuidada \u2013, acompanhada de uma amea\u00e7a real para aqueles que se negassem a adorar \u00e0quela imagem. (Dn 3.1-7).<\/p>\n<p>Calvino (1509-1564) comentando essa passagem, diz:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Os Caldeus pensavam que satisfaziam a Deus quando reuniam muitos instrumentos musicais. Porquanto, como \u00e9 habitual, avaliaram Deus conforme sua pr\u00f3pria intui\u00e7\u00e3o. Seja o que for que nos agrade, cremos que ser\u00e1 tamb\u00e9m do agrado de Deus. Da\u00ed aquela grande quantidade de cerim\u00f4nias no papado. Nossos olhos se enchem com tal esplendor e cremos haver cumprido nossa obriga\u00e7\u00e3o para com Deus, como se a Sua alegria fosse a mesma que sentimos. Esse \u00e9 um erro muit\u00edssimo crasso.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Ar\u00e3o e a adora\u00e7\u00e3o pag\u00e3<\/h2>\n<p>Durante os quarenta dias em que Mois\u00e9s e Josu\u00e9 estiveram no monte Horebe. o povo de Israel se corrompeu, financiando a confec\u00e7\u00e3o de um bezerro (touro ainda jovem?) de ouro para que se transformasse em seu deus.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><strong><sup>[16]<\/sup><\/strong><\/a> Vemos aqui a tentativa humana, em desespero despropositado, de criar os seus pr\u00f3prios deuses, atribuindo-lhes virtudes e poder (Ex 32.1-4).<\/p>\n<p>Ainda que Ar\u00e3o tentasse impiamente associar a adora\u00e7\u00e3o pag\u00e3 com a genu\u00edna adora\u00e7\u00e3o ao Senhor, havia elementos distintos (Ex 32.5-8). Quando Mois\u00e9s e Josu\u00e9 descem do monte Horebe, ouvem cantos; ambos n\u00e3o souberam identificar. Se Mois\u00e9s n\u00e3o soube, muito menos Josu\u00e9. Este at\u00e9 sugeriu tratar-se de alarido de guerra, certamente que algum elemento no ritmo parecia como de guerra. Mois\u00e9s, por\u00e9m, mais experiente, retrucou: n\u00e3o \u00e9 c\u00e2ntico de vencedores nem de vencidos; \u00e9 alarido dos que cantam. O qu\u00ea exatamente era, eles n\u00e3o sabiam, mas era algo diferente. (Ex 32.17-20).<\/p>\n<p>Notemos que a m\u00fasica por eles entoada n\u00e3o era algo que se harmonizasse com o c\u00e2ntico religioso de Israel e mesmo com o c\u00e2ntico conhecido [Mois\u00e9s certamente conhecia bem os ritmos eg\u00edpcios e judeus (At 7.22)]. Havia algo de estranho naquilo tudo.<\/p>\n<p>Quando chegaram ao local, o povo estava adorando ao bezerro de ouro com muita alegria, leia-se: orgia (Ex 32.6,19, 25; At 7.41). Observemos que h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental na forma como cantavam, pois Mois\u00e9s poderia falar: olhe, isso parece com m\u00fasica de Igreja \u2013 cometendo aqui um anacronismo \u2013, n\u00e3o d\u00e1 para entender a letra por causa da dist\u00e2ncia, mas \u00e9 um c\u00e2ntico de Igreja.<\/p>\n<p>O c\u00e2ntico sacro \u00e9 facilmente identific\u00e1vel. No entanto, nada fora identificado por ambos. Josu\u00e9 at\u00e9 pensou tratar-se de canto de guerra. Devia ser algo alegre, ritmado, pois para guerra canta-se algo que impulsione, estimule para uma batalha. A m\u00fasica \u00e9 modeladora e fomentadora de nossas a\u00e7\u00f5es.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a f\u00e9 judaico-crist\u00e3 sempre foi caracterizada pela m\u00fasica. Em momentos de alegria e tristeza, a m\u00fasica com a suas especificidades pontilhavam as experi\u00eancias do povo (Mt 26.30; At 16.25; Rm 15.9;<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> 2Co 4.15; Ef 5.19; Hb 2.12; Tg 5.13).<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<h2>A plenitude do Esp\u00edrito e a embriaguez dissoluta<\/h2>\n<p>Paulo nos mostra que o c\u00e2ntico \u00e9 uma express\u00e3o da adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 marcada pela plenitude do Esp\u00edrito Santo. Mais: A genu\u00edna adora\u00e7\u00e3o \u00e9 operada pelo Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s. O mesmo Esp\u00edrito que falou por interm\u00e9dio de Davi, inspirando-o a escrever, \u00e9 o que nos ilumina na adora\u00e7\u00e3o a Deus (At 4.25):<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><strong><sup>[20]<\/sup><\/strong><\/a> <em>\u201cE n\u00e3o vos embriagueis com vinho, no qual h\u00e1 dissolu\u00e7\u00e3o, mas enchei-vos do Esp\u00edrito, falando entre v\u00f3s com <u>salmos<\/u><\/em> (yalmo\/j),<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><strong><sup>[21]<\/sup><\/strong><\/a> <em>entoando e louvando de cora\u00e7\u00e3o ao Senhor, com <u>hinos<\/u><\/em> (u(\/mnoj)<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><strong><sup>[22]<\/sup><\/strong><\/a> <em>e <u>c\u00e2nticos<\/u><\/em> (%)dh)<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><strong><sup>[23]<\/sup><\/strong><\/a> <em>espirituais\u201d<\/em> (Ef 5.18-19).<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas palavras empregadas tamb\u00e9m conjuntamente em Cl 3.16 \u00e9 dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel de se determinar com precis\u00e3o a diferen\u00e7a entre elas e estabelecer a sua distin\u00e7\u00e3o na adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, <a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> considerando inclusive que elas tamb\u00e9m eram empregadas no culto pag\u00e3o.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><strong><sup>[25]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Ainda que a compreens\u00e3o desta distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja fundamental para a nossa adora\u00e7\u00e3o, segundo nos parece o que estabelece o contraste da adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 neste texto, \u00e9 que esta \u00e9 promovida pelo Esp\u00edrito Santo, com cora\u00e7\u00e3o sincero e, como n\u00e3o poderia deixar de ser, de modo espiritual. Portanto, os tr\u00eas termos parecem resumir a variedade e harmonia dos c\u00e2nticos crist\u00e3os sob o impulso e dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em fidelidade \u00e0 Palavra revelada de Deus.<\/p>\n<h2>O Esp\u00edrito e o c\u00e2ntico<\/h2>\n<p>Em Ef 5.18, Paulo faz um contraste entre a embriaguez, ainda que \u201creligiosa\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><strong><sup>[26]<\/sup><\/strong><\/a> \u2013 comportamento habitual entre os pag\u00e3os e ainda sobrevivente em alguns c\u00edrculos da Igreja (Cf. 1Co 11.21) \u2013, que gera a dissolu\u00e7\u00e3o de todos os bons costumes, devassid\u00e3o e libertinagem (a)swti\/a),<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><strong><sup>[27]<\/sup><\/strong><\/a> e o enchimento do Esp\u00edrito. Portanto, ao inv\u00e9s dos homens procurarem a excita\u00e7\u00e3o desenfreada da bebida,<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><strong><sup>[28]<\/sup><\/strong><\/a> ou a embriaguez como recurso para fugirem de seus problemas por meio do entorpecimento de suas mentes, devem buscar o discernimento do Esp\u00edrito para compreender a vontade de Deus, que deve ser o grande objetivo de nossa exist\u00eancia (Ef 5.17). O homem com o discernimento pr\u00f3prio de Deus, n\u00e3o buscar\u00e1 alegria no vinho, antes, no Esp\u00edrito Santo. O enchimento do Esp\u00edrito exige consci\u00eancia, n\u00e3o a perda do controle por meio do exacerbamento da emo\u00e7\u00e3o em detrimento da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O ato de cantar infindavelmente pode se tornar num meio de excessivo est\u00edmulo emocional que nos conduziria \u00e0 embriaguez mental e emocional, tornando-nos presas f\u00e1ceis de manipula\u00e7\u00f5es. Lamentavelmente a m\u00fasica tem sido usada com muita frequ\u00eancia com este prop\u00f3sito.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><strong><sup>[29]<\/sup><\/strong><\/a> MacArthur conclui acertadamente: \u201cO sentimentalismo irracional, estimulado geralmente pela repeti\u00e7\u00e3o e \u2018libera\u00e7\u00e3o\u2019, se aproxima mais do paganismo dos gentios (ver Mt 6.7) do que de alguma forma de adora\u00e7\u00e3o b\u00edblica\u201d.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><strong><sup>[30]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Agostinho (354-430), comentando de forma bel\u00edssima o salmo 148, diz:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Sabeis o que \u00e9 hino? \u00c9 um c\u00e2ntico com louvor a Deus. Se louvas a Deus sem canto, n\u00e3o \u00e9 hino. Se cantas e n\u00e3o louvas a Deus, n\u00e3o \u00e9 hino; se louvas outra coisa n\u00e3o pertencente ao louvor de Deus, apesar de cantares louvores, n\u00e3o \u00e9 um hino. O hino, pois, consta de tr\u00eas coisas: canto [canticum], louvor [laudem], de Deus. Portanto, louvor a Deus com c\u00e2ntico chama-se hino.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><strong><sup>[31]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas\u201d, assinala Stott (1921-2011).<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><strong><sup>[32]<\/sup><\/strong><\/a> A sequ\u00eancia do texto de Ef\u00e9sios nos mostra os frutos pr\u00e1ticos e concretos desse \u201cenchimento\u201d. Contudo, isso escapa \u00e0 nossa abordagem.<\/p>\n<p><em>\u201cLouvando de cora\u00e7\u00e3o ao Senhor, com hinos e c\u00e2nticos espirituais\u201d<\/em> (Ef 5.19). O enchimento do Esp\u00edrito evidencia-se no louvor a Deus com c\u00e2nticos, os quais expressam a integridade e biblicidade da nossa f\u00e9.<\/p>\n<h2>Pl\u00ednio e o esvaziamento dos templos pag\u00e3os<\/h2>\n<p>Pl\u00ednio, o jovem (c. 62-113 AD) foi enviado pelo Imperador Trajano (53-117 AD)<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><strong><sup>[33]<\/sup><\/strong><\/a> \u00e0 \u00c1sia Menor para sanar um problema existente: o n\u00famero de crist\u00e3os tinha aumentado tanto, que os templos pag\u00e3os estavam quase que totalmente desertos e, consequentemente, tais crist\u00e3os n\u00e3o veneravam a imagem do imperador, nem adoravam os deuses romanos.<\/p>\n<p>Para resolver tal quest\u00e3o, Pl\u00ednio dispunha de poderes amplos, podendo at\u00e9 mesmo usar da for\u00e7a se julgasse necess\u00e1rio; o que de fato fez. Contudo, havia alguns casos a respeito dos quais ele preferiu escrever ao Imperador Trajano, a fim de saber como solucion\u00e1-los. E por meio de uma dessas cartas, escrita por volta do ano 112 AD, vamos saber que os crist\u00e3os, durante o interrogat\u00f3rio, disseram que: \u201c&#8230;. sua culpa se reduzia apenas a isto: em determinados dias costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a Deus&#8230;.\u201d.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><strong><sup>[34]<\/sup><\/strong><\/a> Notamos aqui, que o culto era realizado pela manh\u00e3, cantavam-se hinos e, tinha dias fixos, que geralmente se interpreta como sendo o domingo.<\/p>\n<p>No IV s\u00e9culo, houve um entusiasmo sem precedente entre alguns Pais da Igreja, tais como, Bas\u00edlio (c. 330-379), Cris\u00f3stomo (347-407) e Ambr\u00f3sio (340-397), quanto ao c\u00e2ntico de Salmos na vida cotidiana.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<h2>Agostinho e os c\u00e2nticos<\/h2>\n<p>Agostinho (354-430) colocou esta quest\u00e3o em termos belos: \u201cQuem canta com parcialidade, canta can\u00e7\u00f5es antigas; qualquer de seus c\u00e2nticos \u00e9 velho, \u00e9 o velho homem que canta. Est\u00e1 dividido, \u00e9 carnal. Certamente, enquanto \u00e9 carnal \u00e9 velho, e \u00e0 medida em que \u00e9 espiritual, \u00e9 novo\u201d.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><strong><sup>[36]<\/sup><\/strong><\/a> Devemos cantar ao Senhor com novidade de vida, com integridade.<\/p>\n<p>De forma po\u00e9tica, mostra que o nosso louvor a Deus \u00e9 o fruto do trabalho do Agricultor em n\u00f3s. Embora o louvor nada acrescente a Deus, n\u00f3s crescemos quando sinceramente bendizemos o Senhor atestando o resultado de sua obra em n\u00f3s:<\/p>\n<p>Quando Deus nos aben\u00e7oa, n\u00f3s crescemos, e quando bendizemos ao Senhor, tamb\u00e9m crescemos; ambas as coisas s\u00e3o para o nosso proveito. Ele nada ganha quando o bendizemos, nem diminui por nossas maldi\u00e7\u00f5es. (&#8230;) A b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor vem-nos em primeiro lugar, e por consequ\u00eancia tamb\u00e9m n\u00f3s bendizemos ao Senhor. A primeira \u00e9 a chuva, e esta \u00e9 o fruto. Por isso estamos entregando a Deus, o agricultor, que nos manda a chuva e nos cultiva, o fruto que produzimos. Cantemos estas palavras com devo\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o est\u00e9ril, nem s\u00f3 de voz, mas com um cora\u00e7\u00e3o sincero.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><strong><sup>[37]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>No nosso louvor Deus \u00e9 quem deve ser engrandecido, a sua gl\u00f3ria \u00e9 que deve ser buscada:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Se, pois, jubilais de tal modo que Deus ou\u00e7a, salmodiai tamb\u00e9m de sorte que os homens vejam e ou\u00e7am; mas n\u00e3o a vosso nome. (&#8230;) Presta aten\u00e7\u00e3o ao fim, conta com certa finalidade; considera qual o fim que te move. Se ages assim para seres glorificado, foi o que proibi; se, por\u00e9m, para que Deus seja glorificado, foi o que mandei. Salmodiai, portanto, n\u00e3o a vosso nome, mas ao nome do Senhor vosso Deus. Salmodiai v\u00f3s; Ele seja louvado; vivei bem e Ele seja glorificado.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><strong><sup>[38]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Agostinho (354-430), com a sua eloqu\u00eancia pr\u00f3pria, descreve algumas de suas inquieta\u00e7\u00f5es com a m\u00fasica na igreja:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando ou\u00e7o cantar essas vossas santas palavras com mais piedade e ardor, sinto que o meu esp\u00edrito tamb\u00e9m vibra com devo\u00e7\u00e3o mais religiosa e ardente do que se fossem cantadas doutro modo. Sinto que todos os afetos da minha alma encontram, na voz e no canto, segundo a diversidade de cada um, as suas pr\u00f3prias modula\u00e7\u00f5es, vibrando em raz\u00e3o dum parentesco oculto, para mim desconhecido, que entre eles existe. Mas o deleite da minha carne, ao qual se n\u00e3o deve dar licen\u00e7a de enervar a alma, engana-me muitas vezes. Os sentidos, n\u00e3o querendo colocar-me humildemente atr\u00e1s da raz\u00e3o, negam-se a acompanh\u00e1-la. S\u00f3 porque, gra\u00e7as \u00e0 raz\u00e3o, mereceram ser admitidos, j\u00e1 se esfor\u00e7am por preced\u00ea-la e arrast\u00e1-la! Deste modo peco sem consentimento, mas advirto depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Outras vezes, preocupando-me imoderadamente com este embuste, peco por demasiada severidade. Uso \u00e0s vezes de tanto rigor que desejaria desterrar meus ouvidos e da pr\u00f3pria igreja todas as melodias dos suaves c\u00e2nticos que ordinariamente costuma acompanhar o salt\u00e9rio de Davi. Nessas ocasi\u00f5es parece-me que o mais seguro \u00e9 seguir o costume de Atan\u00e1sio, bispo de Alexandria. Recordo-me de muitas vezes me terem dito que aquele prelado obrigava o leitor a recitar os salmos com t\u00e3o diminuta inflex\u00e3o de voz que mais parecia um leitor que um cantor.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por\u00e9m, quando me lembro das l\u00e1grimas derramadas ao ouvir os c\u00e2nticos da vossa Igreja nos prim\u00f3rdios da minha convers\u00e3o \u00e0 f\u00e9, e ao sentir-me agora atra\u00eddo, n\u00e3o pela m\u00fasica, mas pelas letras dessas melodias, cantadas em voz l\u00edmpida e modula\u00e7\u00e3o apropriada, reconhe\u00e7o, de novo, a grande utilidade deste costume.<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<\/blockquote>\n<p>A seguir, Agostinho, n\u00e3o isoladamente, relata o seu impasse quanto ao assunto:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Assim flutuo entre o perigo do prazer e os salutares efeitos que a experi\u00eancia nos mostra. Portanto, sem proferir uma senten\u00e7a irrevog\u00e1vel, inclino-me a aprovar o costume de cantar na Igreja, para que, pelos deleites do ouvido, o esp\u00edrito, demasiado fraco, se eleve at\u00e9 aos afetos da piedade. Quando, \u00e0s vezes, a m\u00fasica me sensibiliza mais do que as letras que se cantam, confesso com dor que pequei. Neste caso, por castigo, preferiria n\u00e3o ouvir cantar. Eis em que estado me encontro.<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Depois do IV s\u00e9culo \u2013 mesmo Ambr\u00f3sio\u00a0 tendo introduzido o costume do c\u00e2ntico congregacional na Igreja de Mil\u00e3o, seguindo o modelo do Oriente<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\"><strong><sup>[41]<\/sup><\/strong><\/a> \u2013, o c\u00e2ntico congregacional perdeu a sua \u00eanfase. A m\u00fasica foi confiada a um coro de sacerdotes, sendo a congrega\u00e7\u00e3o silenciada, \u201cos leigos eram mais testemunhas de um milagre que participantes do ato misericordioso e redentor de Deus\u201d.<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"><strong><sup>[42]<\/sup><\/strong><\/a> O c\u00e2ntico congregacional passou a ser permitido apenas por ocasi\u00e3o do Natal e da P\u00e1scoa.<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\"><strong><sup>[43]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Mas, se por um lado as persegui\u00e7\u00f5es cessaram, por outro, vemos que no quarto e quinto s\u00e9culos tornam-se evidente a influ\u00eancia das religi\u00f5es de mist\u00e9rio no culto. O antigo respeito para com os m\u00e1rtires transformou-se em culto, surgindo a partir da\u00ed um \u201ccristianismo popular de segunda classe\u201d. Aos poucos os novos convertidos tendiam a transferir a Deus, aos ap\u00f3stolos e m\u00e1rtires, parte da rever\u00eancia dos antigos cultos prestados a poderes miraculosos que atribu\u00edam aos seus antigos deuses pag\u00e3os. Da\u00ed foi apenas um passo para que os ap\u00f3stolos, os anjos e Maria passassem a ser adorados. O culto crist\u00e3o pouco a pouco se paganizara.<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos v\u00e1rios personagens dentro da igreja se insurgiram contra isso. No entanto, somente na Reforma Protestante do s\u00e9culo XVI \u00e9 que o problema foi tratado de forma satisfat\u00f3ria e, lamentavelmente, ainda que n\u00e3o somente por isso, a Igreja se dividiu.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Conforme j\u00e1 mencionei, conhe\u00e7o essa cita\u00e7\u00e3o desde a minha mocidade, no entanto, nunca encontrei a fonte prim\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 1. (Sl 6.5), p. 129.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Seguimos aqui a tese de que \u00e9 in\u00fatil especular a respeito da autoria de Hebreus: Se Deus desejasse que soub\u00e9ssemos, teria revelado. O pr\u00f3prio Or\u00edgenes (c. 185-254), considerava que o estilo da Ep\u00edstola assemelha-se ao de Paulo e a composi\u00e7\u00e3o parecia de algu\u00e9m que evocava os seus ensinamentos, como um aluno que anota os escritos de seu mestre; contudo, quem escreveu a carta, conclui ele, somente Deus sabe a verdade. (Veja-se: Eusebio de Cesarea, <em>Historia Eclesi\u00e1stica<\/em>, Madrid: La Editorial Catolica, S.A., (Biblioteca de Autores Cristianos, 350), 1973, v. 2, VI.25.13-14). Para maiores detalhes, veja-se, Hermisten M.P. Costa, <em>A Inspira\u00e7\u00e3o e Inerr\u00e2ncia das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2008.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> William D. Maxwell, <em>El Culto Cristiano: su evoluci\u00f3n y sus formas,<\/em> Buenos Aires: Methopress Editorial y Grafica, 1963, p. 19.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Wendell Willis, <em>Adora\u00e7\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Vida Crist\u00e3, (s.d.), p. 28.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Mishn\u00e1<\/em>, que \u00e9 a primeira divis\u00e3o do Talmude (\u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d), significa \u201crepeti\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201censinamento\u201d. A <em>Mishn\u00e1 <\/em>constitui-se em uma sele\u00e7\u00e3o hebraica harmonizada de: <strong>a) <\/strong>todas as leis orais que se supunha terem sido comunicadas verbalmente por Mois\u00e9s aos setenta anci\u00e3os; <strong>b) <\/strong>tradi\u00e7\u00f5es; <strong>c) <\/strong>explica\u00e7\u00f5es das Escrituras do Antigo Testamento. Esta obra foi composta em cerca do ano 200 AD, em hebraico (contendo, contudo, palavras gregas, latinas e aramaicas) por Jud\u00e1 Ha-Nassi, o Patriarca (c. 135-220) e completada por seus disc\u00edpulos. O material foi dividido em seis ordens: 1) Leis agr\u00edcolas; 2) O s\u00e1bado e as festas religiosas; 3) Leis dom\u00e9sticas: casamento, div\u00f3rcio etc.; 4) Leis civis e penais; 5) Leis do templo e dos sacrif\u00edcios; 6) Leis referentes \u00e0 pureza e impureza. (Quanto a algumas lendas referentes \u00e0 vida de Jud\u00e1 Ha-Nassi, ver: Jud\u00e1 Ha-Nassi: In: Alan Unterman, <em>Dicion\u00e1rio Judaico de Lendas e Tradi\u00e7\u00f5es,<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed. 1992, p. 138).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Veja-se: Philip Schaff, <em>History of the Christian Church,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 1, p. 456.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Broadus B. Hale, <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Novo Testamento,<\/em> Rio de Janeiro: JUERP., 1983, p. 17. Variando as estimativas entre 394 e 480 (Cf. Philip Schaff, <em>History of the Christian Church,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 1, p. 457).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Domingos Alaleona, <em>Hist\u00f3ria da M\u00fasica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Ricordi, (1972), edi\u00e7\u00e3o revista e atualizada pelo tradutor, Jo\u00e3o C. Caldeira Filho, 1984, p. 38. Isso n\u00e3o significa que concordemos com o autor em sua proposi\u00e7\u00e3o de que \u201ca linguagem musical, em forma rudimentar, precedeu a linguagem propriamente dita\u201d (p. 38) e o seu esp\u00edrito antirreligioso em geral. Na realidade, as Escrituras nos dizem que ap\u00f3s Deus criar o homem e o colocar no jardim do \u00c9den para o cultivar e guardar (Gn 2.15), incumbiu-lhe de dar nome aos animais (Gn 2.19-20).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Veja-se: Johannes Quasten, <em>Music &amp; Worship in Pagan &amp; Christian Antiquity,<\/em> Washington, D.C.: National Association of Pastoral Musicans, 1983, p. 1ss. e Parcival M\u00f3dolo, \u201cImpress\u00e3o\u201d ou \u201cExpress\u00e3o\u201d O Papel da M\u00fasica na Missa Romana Medieval e no Culto Reformado: In: <em>Teologia e Vida, <\/em>S\u00e3o Paulo: Semin\u00e1rio Presbiteriano Rev. Jos\u00e9 Manoel da Concei\u00e7\u00e3o, 1\/1 (2005), p. 114.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>Cf. Johannes Quasten, <em>Music &amp; Worship in Pagan &amp; Christian Antiquity,<\/em> p. 2ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u201cVisto que as flautas eram muito f\u00e1ceis de se fazer, e podiam ser constru\u00eddas de uma variedade de materiais \u2013 juncos, canas, ossos etc. \u2013 elas eram muitos populares. Segundo os quadros da Antiguidade o revelam, tais flautistas eram ami\u00fade acompanhados de palmas\u201d (William Hendriksen, <em>Mateus<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2001, v. 1, (Mt 9.23), p. 612). Para uma vis\u00e3o panor\u00e2mica do uso de flauta e suas varia\u00e7\u00f5es, veja-se: Stanley Sade, ed. <em>Dicion\u00e1rio Grove de M\u00fasica: Edi\u00e7\u00e3o concisa, <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1994, p. 331-333.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><em> \u201cTendo Jesus chegado \u00e0 casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoro\u00e7o, disse: Retirai-vos, porque n\u00e3o est\u00e1 morta a menina, mas dorme&#8230;.\u201d<\/em> (Mt 9.23-24).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> \u201cA est\u00e1tua (&#8230;) n\u00e3o foi um \u00eddolo sen\u00e3o um s\u00edmbolo do glorioso poder de Babil\u00f4nia. Sem embargo, se mandou que os homens a adorassem. Nesse instante o poder da Babil\u00f4nia se converteu em \u00eddolo\u201d (S.G. De Graaf, <em>El Pueblo de la Promesa,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Subcomision Literatura Cristiana de la Iglesia Cristiana Reformada, 1981, v. 2, p. 372).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Profeta Daniel: 1-6,<\/em> S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, (Dn 3.2-7), p. 194. Veja-se Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> Carta ao Rei Francisco I, p. 28. Lutero (1483-1546) enfatizara que, \u201cnem trabalho em pedra, nem boa constru\u00e7\u00e3o, nem ouro, nem prata tornam uma igreja formosa e santa, mas a Palavra de Deus e a s\u00e3 prega\u00e7\u00e3o. Pois onde \u00e9 recomendada a bondade de Deus e revelada aos homens, e almas s\u00e3o encorajadas para que possam depender de Deus e chamar pelo Senhor em tempos de perigo, a\u00ed est\u00e1 verdadeiramente uma santa igreja\u201d (Jaroslav Pelikan, ed. <em>Luther\u2019s Works,<\/em> Saint Louis: Concordia Publishing House, 1960, v. 2, (Gn 13.4), p. 332). O eminente te\u00f3logo puritano John Owen (1616-1683) em um serm\u00e3o, disse: \u201cQu\u00e3o pouco pensam os homens sobre Deus e seus caminhos, se imaginarem que um pouco de tinta e de verniz fazem uma beleza aceit\u00e1vel!\u201d (John Owen, Sermon IV. In: <em>The Works of John Owen,<\/em> Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1982, v. 9, p. 78). \u201cPara mim sempre foi pat\u00e9tico assistir a um culto nalguma grande igreja quando o que se busca \u00e9 o efeito produzido por algum tipo particular de edif\u00edcio\u201d (D. Martyn Lloyd-Jones, <em>A Vida de Paz, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 2008, p. 31). \u00c9 bastante ilustrativo o discurso de Lloyd-Jones por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es dos 100 anos da Capela de Westminster em 1965. (Veja-se: D.M. Lloyd-Jones, <em>Discernindo os tempos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1994, p. 238-261).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Em Ex 32.1 e 4, a palavra \u201cdeus\u201d \u00e9 usada no plural na forma pag\u00e3 e polite\u00edsta. Foram esses deuses que \u201ctiraram\u201d o povo da terra do Egito (Ex 32.6).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Veja-se: David Teme, <em>O poder oculto da m\u00fasica, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Cultrix, \u00a9 1984, 334p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> <em>\u201c<\/em><em>E, tendo cantado um hino, sa\u00edram para o monte das Oliveiras\u201d <\/em>(Mt 26.30). <em><sup>\u201d<\/sup>Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de pris\u00e3o escutavam\u201d <\/em>(At 16.25). <em>\u201cE para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua miseric\u00f3rdia, como est\u00e1 escrito: Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome\u201d<\/em> (Rm 15.9).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Quanto ao uso dos Salmos nas reuni\u00f5es familiares, veja-se o excelente artigo de Cardoso: Dario Ara\u00fajo Cardoso, O C\u00e2ntico de Salmos na Igreja Crist\u00e3 at\u00e9 a Reforma: In: <em>Ci\u00eancias da Religi\u00e3o: Hist\u00f3ria e Sociedade<\/em>, S\u00e3o Paulo: Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da Universidade Presbiteriana Mackenzie, (9\/1, \/2011): 26-51. Ao que parece, nos primeiros s\u00e9culos, a pr\u00e1tica dos c\u00e2nticos nas reuni\u00f5es familiares pag\u00e3s e em seus cultos, se constituiu, de certa forma, em um obst\u00e1culo \u00e0 m\u00fasica na igreja.\u00a0 Veja-se:\u00a0 Johannes Quasten, <em>Music &amp; Worship in Pagan &amp; Christian Antiquity,<\/em> Washington, D.C.: National Association of Pastoral Musicans, 1983, p. 121ss.; 125ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a><em>\u201cQ<\/em><em>ue disseste por interm\u00e9dio do Esp\u00edrito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas v\u00e3s?\u201d <\/em>(At 4.25).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>yalmo\/j (* Lc 20.42; 24.44; At 1.20;13.33; 1Co 14.26; Ef 5.19; Cl 3.16) (C\u00e2ntico de louvor, salmo). A palavra \u00e9 usada para referir-se ao Livro de Salmos ou a algum Salmo espec\u00edfico (Cf. Lc 20.42; 24.44; At 1.20; 13.33), contudo em outras refer\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o especifica\u00e7\u00f5es daquele, parecendo indicar com isso, que al\u00e9m dos Salmos can\u00f4nicos outros \u201csalmos\u201d (hinos crist\u00e3os) eram cantados na Igreja. Os salmos eram empregados apenas para hinos de louvor. O verbo ya\/llw (* Rm 15.9; 1Co 14.15; Ef 5.19; Tg 5.13), tem o sentido b\u00e1sico de cantar, cantar louvores. Outra palavra da mesma raiz usada no NT. \u00e9 yhlafa\/w (* Lc 24.39; At 17.27; Hb 12.18; 1Jo 1.1), que tem o sentido de \u201cm\u00e3o\u201d ou ato de tocar, apalpar. Parece-nos, portanto, que o louvor a Deus aqui caracterizado, envolvia o emprego de algum instrumento que fosse tocado com as m\u00e3os. Curiosamente encontrei posteriormente esta defini\u00e7\u00e3o de yalmo\/j em Isidro: \u201ca\u00e7\u00e3o de sacudir as cordas de um instrumento\u201d (Isidro Pereira, <em>Dicion\u00e1rio Grego-Portugu\u00eas e Portugu\u00eas-Grego,<\/em> 7. ed. Braga: Livraria Apostolado da Imprensa, (1990), p. 636). Na literatura cl\u00e1ssica o verbo parece estar associado ao ato de tanger as cordas de um instrumento musical. Agostinho comentando o Salmo 66.2, diz: \u201cSalmodiar \u00e9 tomar um instrumento chamado salt\u00e9rio, e fazer a voz concordar com o toque e o movimento das m\u00e3os\u201d (Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, v. 2, (Sl (66) 67.3), p. 336). Em outro lugar: \u201c&#8230;. salmos seriam as composi\u00e7\u00f5es acompanhadas ao salt\u00e9rio\u201d (Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, v. 1, (Sl 4), p. 40).<\/p>\n<p>Inclino-me a crer que os salmos aludidos por Paulo eram can\u00e7\u00f5es de adora\u00e7\u00e3o feitas por compositores crist\u00e3os, que eram cantadas, ainda que n\u00e3o estritamente, com acompanhamento musical. O seu estilo se assemelhava e se inspirava no Salt\u00e9rio e, outras vezes, ao inv\u00e9s de composi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, fosse o pr\u00f3prio Salt\u00e9rio cantado. Aqui, talvez tenhamos a for\u00e7a da heran\u00e7a judaica na adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 modelada pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>u(\/mnoj (* Ef 5.19; Cl 3.16)(Uma can\u00e7\u00e3o, hino de louvor a Deus (Sl 40.3; Is 42.10), \u201chino festivo de louvor\u201d). O verbo \u00e9 u(mne\/w (* Mt 26.30; Mc 14.26; At 16.25; Hb 2.12) (Cantar o louvor de, cantar um hino, celebrar (Sl 22.22)). No Novo Testamento, ambas as palavras est\u00e3o associadas a c\u00e2nticos a Deus. A origem da palavra \u00e9 incerta, sendo aplicada no grego cl\u00e1ssico desde Homero englobando uma gama variada de formas po\u00e9ticas, sendo aplicada \u00e0 poesia cantada e recitada, referindo-se geralmente aos hinos cantados em honra a alguma divindade ou a her\u00f3is. (Veja-se: Plat\u00e3o, <em>A Rep\u00fablica,<\/em> 7. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, [1993], 607a. p. 475).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>%)dh (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap 5.9; 14.3 (2 vezes); 15.3) (\u201cOde\u201d, \u201ccan\u00e7\u00e3o\u201d, \u201chino\u201d). O verbo \u00e9 #)\/dw (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap 5.9; 14.3; 15.3) (\u201cCantar\u201d). Em Ap 15.3 o verbo e o substantivo ocorrem conjuntamente referindo-se ao c\u00e2ntico de Mois\u00e9s (Cf. Ex 15.1; Sl 145.7) e ao c\u00e2ntico do Cordeiro. %)dh \u00e9 uma contra\u00e7\u00e3o de a)oidh\/ (arte de cantar, canto), proveniente de a)ei\/dw, do verbo #)\/dw (cantar, celebrar, elogiar). Das tr\u00eas esta \u00e9 a palavra mais gen\u00e9rica. A %)dh pode ser de lamenta\u00e7\u00e3o, queixa ou alegria. A palavra na literatura grega secular n\u00e3o estava limitada ao \u201cc\u00e2ntico\u201d do ser humano, podendo referir-se a todo tipo de sons: ao coaxar do sapo, ao som de um instrumento (harpa), o silvo produzido pelo vento nas \u00e1rvores ou de uma pedra. Talvez \u201c<em>hinos<\/em>\u201d e \u201c<em>c\u00e2nticos<\/em>\u201d descritos por Paulo refiram-se principalmente aos c\u00e2nticos neotestament\u00e1rios, estando refletido neles elementos da heran\u00e7a grega \u2013 considerando que muitos dos crist\u00e3os tinham esta forma\u00e7\u00e3o \u2013, no entanto, sob a dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, tendo como elemento aferidor a Palavra de Cristo (Cl 3.16).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>Vejam-se, por exemplo: wv|dh,: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. <em>Exegetical Dictionary of New Testament,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1994 (Reprinted), v. 3, p. 505-506; M. Rutenfranz, u(\/mnoj: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. <em>Exegetical Dictionary of New Testament,<\/em> Grand Rapids, v. 3, p. 392-393; H.M. Best; D. Huttar, M\u00fasica, Instrumentos Musicais: In: Merrill C. Tenney, org. ger., <em>Enciclop\u00e9dia da B\u00edblia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2008, v. 4, p. 415-416; K.H. Bartels, C\u00e2ntico: In: Colin Brown, ed. ger. <em>O Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Novo Testamento,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1981, v. 1, p. 346-351; G. Delling, u)\/mnoj, etc.: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament, <\/em>8. ed. (reprinted) Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., 1982, v. 8, p. 489-503; H. Schlier, a)\/dw, o(\/dh\/: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament, <\/em>v. 1, p. 163-165; R.P. Martin, Hinos, Fragmentos de Hinos, etc.: In: Gerald F. Hawthorne, <em>et. al.<\/em> eds. <em>Dicion\u00e1rio de Paulo e Suas Cartas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova; Paulus; Loyola, 2008, p. 630.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Calvino admitindo a dificuldade de se estabelecer a distin\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o Calvino, <em>Ef\u00e9sios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 5.19), p. 165), diz: <em>salmo<\/em> \u00e9 o que \u00e9 cantado com acompanhamento de algum instrumento musical; o <em>hino<\/em> \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de louvor sem acompanhamento de instrumento; a <em>ode<\/em> al\u00e9m de louvor, cont\u00e9m exorta\u00e7\u00f5es e outros assuntos (Cf. John Calvin, <em>Epistle to the Colossians,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (<em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> v. 21), 1996 (Reprinted), (Cl 3.16), p. 217). Hodge, com discernimento, comenta: \u201cO antigo uso das palavras yalmo\/j, u(\/mnoj, %)dh, parece ter sido t\u00e3o livre como o \u00e9 para n\u00f3s o uso dos termos ingleses correspondentes salmo, hino e c\u00e2ntico. Um salmo era um hino, e um hino, um c\u00e2ntico. Apesar disso, havia uma distin\u00e7\u00e3o entre eles\u201d (Charles Hodge, \u201cEpistle to the Ephesians,\u201d <em>The Master Christian Library<\/em>, Version 8 (CD-ROM), (Albany, OR: Ages Sofware, 2000), (Ef 5.19), p. 205). Vejam-se tamb\u00e9m as pertinentes observa\u00e7\u00f5es de MacArthur (John F. MacArthur Jr., et. al. <em>Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma \u00c9poca de Erro<\/em>, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 127-129).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> No paganismo a rela\u00e7\u00e3o entre o excesso de bebida e a pr\u00e1tica religiosa era comum, especialmente nos servi\u00e7os ao generoso (Thomas Bulfinch, <em>O Livro de Ouro da Mitologia: (A idade da f\u00e1bula): hist\u00f3rias de deuses e her\u00f3is, <\/em>12. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000, p. 39ss.) e astuto (Cf.\u00a0 Thomas Bulfinch, <em>O Livro de Ouro da Mitologia, <\/em>p. 196ss) deus Dion\u00edsio (Dio\/nusoj) \u2013 (= Baco (Ba\/kxoj), filho de Zeus (= J\u00fapiter, na sua forma latina) \u2013, na <em>bacan\u00e1lia, <\/em>estando a embriaguez tamb\u00e9m associada \u00e0 nudez, dan\u00e7as er\u00f3ticas e prostitui\u00e7\u00e3o (Ver: Ap 17.2). Segundo a mitologia grega Baco fazia uso do vinho para embriagar pessoas a fim de que estas realizassem os seus desejos, inclusive de conquista. \u201cN\u00e3o representava apenas o poder embriagador do vinho, mas tamb\u00e9m suas influ\u00eancias ben\u00e9ficas e sociais, de maneira que era tido como o promotor da civiliza\u00e7\u00e3o, legislador e amante da paz\u201d (Thomas Bulfinch, <em>O Livro de Ouro da Mitologia, <\/em>p. 14).<\/p>\n<p>Paulo Matos Peixoto resume algumas caracter\u00edsticas das festividades em homenagem a Baco: \u201cAs festas b\u00e1quicas foram as primeiras representa\u00e7\u00f5es teatrais, ainda inconscientes do sentido que continham. Baco, o deus bo\u00eamio, precisava de movimento, de alegria, de tumulto, de m\u00e1scaras, de paix\u00f5es. Seus adeptos, guiados pelos seus sacerdotes, organizam festas ao ar livre, com baile, vinho, mulheres, a fim de proclamar-se o del\u00edrio, atributo do deus da alegria desenfreada. Entre interjei\u00e7\u00f5es de alegria, sons de flautas, cantos confusos, a multid\u00e3o representava a corte de Baco, o seu legend\u00e1rio reino de prazeres e uma forma de vida que era a sua caracter\u00edstica\u201d (Paulo Matos Peixoto em <em>Introdu\u00e7\u00e3o <\/em>\u00e0 obra: <em>Teatro <\/em>Grego, S\u00e3o Paulo: Paumape, 1993, p. 10-11. Mais detalhes sobre as bacan\u00e1lias podem ser encontrados em Jocelyn Santos, <em>Deuses Antigos, <\/em>Rio de Janeiro: Livros do Mundo Inteiro, 1970, p. 91-92). \u201cO culto a Dion\u00edsio, com sua \u00eanfase sobre a embriaguez religiosa, era conhecido em Corinto e em outros lugares, e \u00e9 razo\u00e1vel ver dentro destes textos das Ep\u00edstolas do NT a preocupa\u00e7\u00e3o no sentido de tra\u00e7ar uma linha divis\u00f3ria entre todos esses cultos helen\u00edsticos, e a vida do crist\u00e3o no Esp\u00edrito\u201d (J.P. Budd, S\u00f3brio: In: Colin Brown, ed. ger. <em>O Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Novo Testamento,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 4, p. 518). As festas em homenagem a Baco eram t\u00e3o prom\u00edscuas que o Senado romano as proibiu por decreto; no entanto, o costume estava t\u00e3o arraigado no povo que a lei foi ineficaz. (Cf. P. Commelin, <em>Mitologia Greco-Romana,<\/em> Salvador, Ba.: Aguiar &amp; Souza, 1957, p. 72; Jocelyn Santos, <em>Deuses Antigos,<\/em> p. 91). Baco, na mitologia esteve associado \u00e0 m\u00fasica e ao teatro: \u201cAfirma-se que foi Baco o primeiro a estabelecer uma escola de M\u00fasica; as primeiras representa\u00e7\u00f5es teatrais foram feitas em sua homenagem\u201d (P. Commelin, <em>Mitologia Greco-Romana,<\/em> p. 69). Ele foi sagrado protetor das belas-artes, especialmente do teatro (Ver: Baco: <em>Dicion\u00e1rio de Mitologia Greco-Romana, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 21). Devido \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o musical e ao embelezamento do culto oferecido ao deus Apolo, ele foi escolhido como o patrono dos cantores e poetas. (Cf. Johannes Quasten<em>, Music &amp; Worship in Pagan &amp; Christian Antiquity,<\/em> p. 3). (Quanto \u00e0 origem etimol\u00f3gica dos nomes \u201cDion\u00edsio\u201d e \u201cBaco\u201d, ver: Junito de Souza Brand\u00e3o, <em>Mitologia Grega, <\/em>2. ed. Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1988, v. 2, p. 113).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> a)swti\/a \u00e9 constitu\u00edda de duas palavras: a = \u201cn\u00e3o\u201d &amp; sw\/zw = \u201clibertar\u201d, \u201csalvar\u201d, \u201ccurar\u201d. O sentido literal da palavra \u00e9 de algu\u00e9m que n\u00e3o consegue poupar, economizar; \u00e9, portanto, perdul\u00e1rio, dissoluto. (* Ef 5.18; Tt 1.6; 1Pe 4.4. (Veja-se: <u>LXX<\/u>: Pv 28.7)). A forma adverbial a)sw\/toj (dissolutamente), \u00e9 empregada em sua \u00fanica apari\u00e7\u00e3o no Novo Testamento, para se referir ao modo de vida do filho pr\u00f3digo longe de sua casa (Lc 15.13). (Veja-se: Richard C. Trench, <em>Synonyms of the New Testament,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985 (Esta edi\u00e7\u00e3o reproduz a 9\u00aa, de 1880), p. 53-58). Portanto, a palavra est\u00e1 geralmente associada ao modo devasso e libertino de viver. Ela descreve a condi\u00e7\u00e3o da mente e do corpo que foram arrastados \u00e0 uma situa\u00e7\u00e3o vil sendo decorrente da\u00ed uma total insensibilidade espiritual. (Veja-se: R.C.H. Lenski, <em>St. Paul\u00b4s Epistle to the Ephesians,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, (<em>Commentary on the New Testament<\/em>), 1998, (Ef 5.18), p. 618). C. S. Lewis faz um oportuno contraste: &#8220;Precisamos divertir-nos. Mas nossa alegria deve ser aquela (ali\u00e1s, a maior de todas) que existe entre pessoas que sempre se levaram a s\u00e9rio \u2013 sem leviandade, sem superioridade, sem presun\u00e7\u00e3o (&#8230;) a leviandade parodia a alegria&#8221; (C.S. Lewis, <em>Peso de Gl\u00f3ria,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1993, p. 23).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>Calvino comenta: \u201c(Paulo) quer dizer, pois, que os beberr\u00f5es logo perdem a mod\u00e9stia e n\u00e3o mais conseguem conter-se pelo pudor: que onde o vinho reina, o desregramento prevalecer\u00e1: e, consequentemente, que todos aqueles que cultivam algum respeito pela modera\u00e7\u00e3o ou dec\u00eancia, devem fugir e abominar a bebedice\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Ef\u00e9sios<\/em>, (Ef 5.18), p. 164). Em outro contexto, Calvino escreve: \u201cBeber com excesso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 indecoroso num pastor, mas geralmente resulta em muitas coisas ainda piores, tais como rixas, atitudes n\u00e9scias, aus\u00eancia de castidade e outras que n\u00e3o carecem de men\u00e7\u00e3o\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>(1Tm 3.3), p. 88).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Ver D.M. Lloyd-Jones, <em>Cantando ao Senhor, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 2003, p. 47ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> John F. MacArthur Jr., et. al. <em>Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma \u00c9poca de Erro<\/em>, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 137.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>Agostinho,<em> Coment\u00e1rio aos Salmos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/3), 1998, (Sl (102)101), v. 3, (Sl 148.17), p. 1142.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> John R.W. Stott, <em>Batismo e Plenitude do Esp\u00edrito Santo,<\/em> 2. ed. Ampli., S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1986, p. 44.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Trajano, no ano 107, crucificou a Sim\u00e3o, irm\u00e3o de Jesus, bispo de Jerusal\u00e9m e, posteriormente (110 AD), lan\u00e7ou a In\u00e1cio (30-110 AD), Bispo de Antioquia, \u00e0s feras em Roma.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>Pl\u00ednio, <em>Ep\u00edstola ao Imperador Trajano,<\/em> X.96. In: Henry Bettenson, <em>Documentos da Igreja Crist\u00e3,<\/em> S\u00e3o Paulo: ASTE., 1967, p. 29; Eusebio de Cesarea, <em>Historia Eclesi\u00e1stica,<\/em> Madrid: La Editorial Catolica, S.A. (Biblioteca de Autores Cristianos, v. 349 e 350), IV.23.11 e IV.26.2. Veja-se coment\u00e1rio do assunto In: J.B. Lightfoot, ed. and transl. <em>The Apostolic Fathers,<\/em> Peabody, <em>Massachusetts: <\/em>Hendrickson Publishers, 1989, II\/2, p. 129-130; Philip Schaff, <em>History of the Christian Church,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 2, p. 201-205.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Cf. Calvin R. Stapert, <em>A New Song for an Old World: Musical Thought in the Early Church, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 2007, p. 150ss.; Dario Ara\u00fajo Cardoso, O C\u00e2ntico de Salmos na Igreja Crist\u00e3 at\u00e9 a Reforma: In: <em>Ci\u00eancias da Religi\u00e3o: Hist\u00f3ria e Sociedade<\/em>, S\u00e3o Paulo: Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da Universidade Presbiteriana Mackenzie, (9\/1, \/2011): 26-51. Para um levantamento de representativos documentos prim\u00e1rios, veja-se: James W. McKinnon, ed. \u00a0\u00a0<em>Music in Early Christian Literature,<\/em> Cambridge, UK.: Cambridge University Press, \u00a9 1987,\u00a0 1989 (Reprinted), 192p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/2), 1997, v. 2, (Sl (65) 66.6), p. 371.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/2), 1997, v. 2, (Sl (67) 66.1), p. 361.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/2), 1997, v. 2, (Sl (66) 65.3), p. 336, 337.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 6), 1973, X.33. p. 219-220. Compare com a descri\u00e7\u00e3o que Agostinho faz de festivais pag\u00e3os obscenos dos quais ele na juventude participara com satisfa\u00e7\u00e3o (Santo Agostinho, <em>A Cidade de Deus,<\/em> 2. ed. Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1990, (v. 1), II.4, p. 71-72). Essa luta era comum. Os Pais tendiam a combater as m\u00fasicas seculares por serem de origem pag\u00e3, cheias de frivolidades e com uma conota\u00e7\u00e3o id\u00f3latra, Veja-se: Johannes Quasten, <em>Music &amp; Worship in Pagan &amp; Christian Antiquity,<\/em> p. 121ss. Beeke informa \u201cque o S\u00ednodo de Laodic\u00e9ia (350 DC) e o Conc\u00edlio de Bracatara (563 DC) proibiram o canto de hinos n\u00e3o escritur\u00edsticos\u201d.\u00a0 (Joel Beeke, Psalm Singing in Calvin and the Puritans. In: <em>The Outlook<\/em>, Middleville, Mi.: <strong>Reformed Fellowship, Inc., <\/strong>\u00a02010, v. 60, July-august (Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.reformedfellowship.net\/psalm-singing-in-calvin-and-the-puritans\">https:\/\/www.reformedfellowship.net\/psalm-singing-in-calvin-and-the-puritans<\/a>) (Consultado em 19.01.2020).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> X.33. p. 220. \u201cA ele [Deus], portanto, cante o salmo; a ele cante nosso cora\u00e7\u00e3o, a ele cante dignamente a nossa l\u00edngua; se, contudo, ele se dignar dar-nos a possibilidade de cant\u00e1-lo. Ningu\u00e9m pode cantar-lhe dignamente, se dele mesmo n\u00e3o receber os c\u00e2nticos. Finalmente, o c\u00e2ntico que acabamos de cantar, foi composto por seu profeta, sob a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito\u00a0 (Agostinho, <em>Coment\u00e1rio aos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, (Patr\u00edstica, 9\/1), 1997, v. 1, (Sl 34), p. 457). Sobre os instrumentos, veja-se: Agostinho, <em>A Doutrina Crist\u00e3: manual de exegese e forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002, (Patr\u00edstica; 17), II.17-18. p. 114-115.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Cf. St. Agostinho, <em>Confiss\u00f5es,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 6), 1973, IX.7.15. p. 178-179.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a>Gordon H.M. Pearce, El Culto Medieval: In: R.G. Turnbull, ed. ger. <em>Diccionario de la Teolog\u00eda Pr\u00e1ctica,<\/em> Grand Rapids, Michigan: SLC., 1977, p. 29; Donald P. Hustad, <em>Jubilate! A M\u00fasica na Igreja,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1986, p. 109; Henriqueta R.F. Braga, <em>M\u00fasica Sacra Evang\u00e9lica no Brasil,<\/em> Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora, (1961), p. 19; R.G. Rayburn, Adora\u00e7\u00e3o na Igreja: In: Walter A. Elwell, ed. <em>Enciclop\u00e9dia Hist\u00f3rico-Teol\u00f3gica da Igreja Crist\u00e3,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1988-1990, v. 1, p. 23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a>Henriqueta R.F. Braga, <em>M\u00fasica Sacra Evang\u00e9lica no Brasil<\/em>, p. 19.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo n\u00e3o encontrando nas p\u00e1ginas do Novo Testamento nenhuma descri\u00e7\u00e3o completa do culto crist\u00e3o \u2013 o que considero proposital \u2013, constatamos que, desde o in\u00edcio da igreja neotestament\u00e1ria, havia uma forma pr\u00f3pria de culto p\u00fablico (At 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Leciona em diversos Semin\u00e1rios ininterruptamente desde 1980. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teologia Sistem\u00e1tica, lecionando h\u00e1 40 anos, e Hist\u00f3ria da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: Jo\u00e3o Calvino e Teologia Reformada e Cosmovis\u00e3o Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Brasil. 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