{"id":55973,"date":"2020-10-21T16:48:50","date_gmt":"2020-10-21T19:48:50","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=55973"},"modified":"2020-10-21T16:48:50","modified_gmt":"2020-10-21T19:48:50","slug":"justificado-para-o-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2020\/10\/justificado-para-o-bem\/","title":{"rendered":"Justificado para o bem"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<em><strong>Resumo:<\/strong> Paulo escreve: \u201co homem \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei\u201d. Tiago escreve: \u201cuma pessoa \u00e9 justificada por obras e n\u00e3o por f\u00e9 somente\u201d. Como os crist\u00e3os podem entender essa tens\u00e3o no ensino apost\u00f3lico? A mensagem de toda a B\u00edblia sobre f\u00e9 e obras traz clareza ao relacionamento entre Paulo e Tiago. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento afirmam a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente ao lado da necessidade de boas obras. Ambos os Testamentos, da mesma forma, alertam sobre a f\u00e9 falsa e boas obras duvidosas. As mensagens de Paulo e Tiago, ent\u00e3o, embora paradoxais \u00e0 primeira vista, juntas d\u00e3o testemunho do ensino consistente de que Deus nos justifica pela f\u00e9, n\u00e3o pelas obras &#8211; e que a verdadeira f\u00e9 salvadora persevera na obedi\u00eancia fiel.<\/em><\/p>\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 crist\u00e3o h\u00e1 algum tempo, provavelmente j\u00e1 passou algumas horas refletindo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e obras. Em Romanos 3.28, Paulo declara que somos \u201cjustificados pela f\u00e9, independentemente das obras da lei\u201d. Isso parece simples. A justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 somente pela f\u00e9. Mas ent\u00e3o, em Tiago 2.24, lemos: \u201cuma pessoa \u00e9 justificada por obras e n\u00e3o por f\u00e9 somente\u201d. Como, ent\u00e3o, qualquer pessoa racional poderia aceitar esses dois? Essa tens\u00e3o &#8211; o que alguns chamam de contradi\u00e7\u00e3o &#8211; tem sido uma quest\u00e3o perene ao longo da hist\u00f3ria da igreja crist\u00e3. Volume ap\u00f3s volume tem sido escrito sobre a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e obras, mas continuamos a trope\u00e7ar nessa tens\u00e3o. Portanto, ser\u00e1 \u00fatil para n\u00f3s revisitarmos esta quest\u00e3o e perguntar como podemos aprimorar nosso entendimento de todo o ensino da B\u00edblia sobre este importante assunto.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero fingir que podemos responder a todas as perguntas neste pequeno ensaio, mas no que segue, vamos percorrer uma s\u00e9rie de princ\u00edpios claros que a B\u00edblia nos ensina sobre f\u00e9 e obras. Percorreremos v\u00e1rios c\u00edrculos mais ou menos conc\u00eantricos, come\u00e7ando com afirma\u00e7\u00f5es mais amplas e trabalhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s mais espec\u00edficas. Ao examinarmos esses princ\u00edpios, vamos deix\u00e1-los sob tens\u00e3o no in\u00edcio, mas aos poucos vamos junt\u00e1-los. Por meio desse processo, veremos o quadro geral da f\u00e9 e das obras em toda a B\u00edblia, o que tamb\u00e9m nos ajudar\u00e1 a ver como Tiago e Paulo se relacionam neste importante t\u00f3pico e, finalmente, como essas tens\u00f5es devem ser vistas \u00e0 luz de nossa uni\u00e3o com Cristo. Em outras palavras, examinaremos as evid\u00eancias b\u00edblicas e perguntaremos onde os pontos de tens\u00e3o podem realmente nos ajudar a obter mais clareza sobre o que a B\u00edblia ensina sobre f\u00e9, obras e justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma defini\u00e7\u00e3o funcional de justifica\u00e7\u00e3o nos ajudar\u00e1 a estruturar nossa discuss\u00e3o no futuro. Come\u00e7aremos com a defini\u00e7\u00e3o de justifica\u00e7\u00e3o que J.I. Packer sugere. Packer define a justifica\u00e7\u00e3o como \u201cum ato judicial de Deus perdoando os pecadores (pessoas perversas e \u00edmpias, Rm 4.5; 3.9-24), aceitando-os como justos e, assim, corrigindo permanentemente sua rela\u00e7\u00e3o previamente alienada de si mesmo. Esta senten\u00e7a de justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o dom da justi\u00e7a de Deus (Rm 5.15-17), sua concess\u00e3o de uma condi\u00e7\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o por amor de Jesus.\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> Para resumir, a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de Deus de que uma pessoa tem a condi\u00e7\u00e3o de <em>justa<\/em>. Consequentemente, essa pessoa, agora justificada, \u00e9 aceita como parte de seu povo da alian\u00e7a.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> \u00c9 importante observar essa defini\u00e7\u00e3o ao come\u00e7armos, pois a justifica\u00e7\u00e3o se preocupa em responder \u00e0 pergunta de como somos corretos para com Deus. Em \u00faltima an\u00e1lise, a quest\u00e3o da f\u00e9 e das obras centra-se em nosso relacionamento com Deus. Como nos acertamos com Deus e como esse status deve nos afetar?<\/p>\n<h2>F\u00e9 justificadora e obras necess\u00e1rias<\/h2>\n<p>Os historiadores da Igreja costumam dizer que a causa material da Reforma Protestante foi a justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9. Ou seja, se estivermos considerando o que os reformadores estavam realmente dizendo e ensinando, a justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9 est\u00e1 no topo da lista. E este princ\u00edpio de justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 claro em todo o Novo Testamento, especialmente nas cartas de Paulo. Como mencionei antes, Romanos 3.28 n\u00e3o \u00e9 amb\u00edguo: \u201co homem \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei.\u201d Embora alguns possam discordar sobre o que exatamente Paulo quer dizer com \u201cobras da lei\u201d, a maioria dos protestantes (e at\u00e9 mesmo os cat\u00f3licos romanos de alguma forma)<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a> concordam que Paulo est\u00e1 ensinando que somente a f\u00e9 nos justifica porque somente a f\u00e9 nos une a Jesus.<\/p>\n<p>Paulo reitera o mesmo princ\u00edpio em Ef\u00e9sios 2. 8-9: \u201cpela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9\u201d. Nesse contexto, Paulo est\u00e1 usando a frase \u201csalvos mediante a f\u00e9\u201d da mesma forma que usa \u201cjustificado pela f\u00e9\u201d em Romanos e G\u00e1latas. Ele est\u00e1 descrevendo a posi\u00e7\u00e3o gloriosa que temos por causa de nossa uni\u00e3o com Cristo. Como observa Lynn Cohick, \u201cPaulo j\u00e1 transmitiu em muitas palavras o conceito de justifica\u00e7\u00e3o quando declarou que fomos vivificados com Cristo\u201d (ver vv. 5-6)<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>.Como resultado disso, Deus \u201cnos assentou com ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus\u201d (v. 6). Assim, Paulo est\u00e1 enfatizando que, de certo modo, j\u00e1 estamos assentados com Cristo no c\u00e9u; esta posi\u00e7\u00e3o celestial est\u00e1 enraizada em nossa condi\u00e7\u00e3o de justificados em Cristo. Estamos unidos a Cristo somente pela f\u00e9; portanto, somos justificados somente pela f\u00e9. Novamente, somos declarados justos somente pela f\u00e9, porque nossa \u00fanica esperan\u00e7a de justifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 somente em Cristo.<\/p>\n<p>Mas a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente significa que as boas obras n\u00e3o t\u00eam papel na vida de um crist\u00e3o? Em Mateus 7, Jesus diz que somente \u201caquele que faz a vontade de meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d entrar\u00e1 no reino (v. 21). Alguns, talvez preocupados que esta advert\u00eancia enfraque\u00e7a a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente, dir\u00e3o que Jesus est\u00e1 fazendo uma declara\u00e7\u00e3o sobre nossa incapacidade. Ningu\u00e9m \u00e9 capaz de fazer a vontade do Pai perfeitamente; portanto, Jesus deve fazer isso por n\u00f3s. E isso \u00e9 teologicamente verdade. Ningu\u00e9m pode obedecer perfeitamente, todos n\u00f3s pecamos, e a gl\u00f3ria do Evangelho \u00e9 que Jesus fez o que nunca poder\u00edamos fazer por n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou convencido, entretanto, de que \u00e9 isso que Jesus quer dizer em Mateus 7 ou em outros lugares onde fala sobre a necessidade de boas obras para provar, no julgamento final, nossa verdadeira f\u00e9 (ver Mt 16.27; 25.31- 46). A ep\u00edstola aos Hebreus fala da \u201csantidade, sem a qual ningu\u00e9m ver\u00e1 o Senhor\u201d (12.14). Alguns podem dizer que isso se refere ao status sagrado que recebemos somente pela f\u00e9. Mas este vers\u00edculo \u00e9 um mandamento para buscar paz e santidade com todos. N\u00f3s n\u00e3o nos esfor\u00e7amos pela justifica\u00e7\u00e3o; ela nos \u00e9 dada somente pela f\u00e9. Mas sem uma transforma\u00e7\u00e3o real e crescimento em santidade, n\u00e3o veremos o Senhor em seu reino glorioso. Embora a justifica\u00e7\u00e3o seja apenas pela f\u00e9, as boas obras s\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, necess\u00e1rias para a salva\u00e7\u00e3o final<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a> .Vamos continuar avan\u00e7ando para ver como essas declara\u00e7\u00f5es aparentemente paradoxais podem ser reconciliadas.<\/p>\n<h2>F\u00e9 condenat\u00f3ria e obras duvidosas<\/h2>\n<p>Quando uma pessoa tem f\u00e9 em Cristo, ela \u00e9 unida a ele e mantida por ele. Mas h\u00e1 v\u00e1rias ocasi\u00f5es na B\u00edblia onde algu\u00e9m parece ter f\u00e9, mas essa f\u00e9 mais tarde foi provada ser falsa. Provavelmente, o exemplo mais conhecido desse fen\u00f4meno seja Judas Iscariotes, que seguiu Jesus por anos antes de tra\u00ed-lo e provar que sua f\u00e9 nunca havia sido genu\u00edna.<\/p>\n<p>Vemos outro exemplo dessa f\u00e9 falsa em Jo\u00e3o 2.23. Jo\u00e3o nos diz que depois que as multid\u00f5es, em Jerusal\u00e9m, viram Jesus fazendo milagres, \u201cmuitos creram no seu nome\u201d. No entanto, no vers\u00edculo seguinte, Jo\u00e3o nos diz que Jesus n\u00e3o se \u201cconfiava\u201d a eles (v. 24) porque sabia que sua f\u00e9 n\u00e3o duraria. O verbo grego para crer no vers\u00edculo 23 e confiar no vers\u00edculo 24 \u00e9 o mesmo (pisteu\u014d). Poder\u00edamos at\u00e9 dizer que eles acreditavam em Jesus, mas ele n\u00e3o cria neles &#8211; porque eles tinham um tipo de f\u00e9 que n\u00e3o era a verdadeira f\u00e9 salvadora.<\/p>\n<p>A ep\u00edstola de Tiago nos fala mais sobre esse tipo de f\u00e9. No cap\u00edtulo 2, Tiago diz que at\u00e9 mesmo os dem\u00f4nios creem na verdade sobre Deus: \u201cCr\u00eas, tu, que Deus \u00e9 um s\u00f3? Fazes bem. At\u00e9 os dem\u00f4nios creem e tremem\u201d (v. 19). Os dem\u00f4nios, diz Tiago, acreditam nas coisas certas sobre Deus e at\u00e9 t\u00eam uma resposta emocional adequada \u00e0 verdade. Eles estremecem porque sabem quem \u00e9 Deus e o julgamento que os espera. Mesmo assim, Tiago nos diz que esse tipo de f\u00e9 n\u00e3o tem valor porque n\u00e3o est\u00e1 conectada a boas obras de f\u00e9.<\/p>\n<p>Alguns vers\u00edculos antes, quando ele introduz esse t\u00f3pico, Tiago pergunta: \u201cMeus irm\u00e3os, qual \u00e9 o proveito, se algu\u00e9m disser que tem f\u00e9, mas n\u00e3o tiver obras?\u201d (2.14). Ele est\u00e1 falando sobre um tipo espec\u00edfico de f\u00e9 &#8211; uma f\u00e9 \u201csem obras\u201d &#8211; e pergunta se esse tipo de f\u00e9 salva algu\u00e9m. A resposta \u00f3bvia \u00e9 negativa. A f\u00e9 falsa n\u00e3o salva; \u00e9 um consentimento intelectual vazio, sem devo\u00e7\u00e3o real a Cristo. Esse tipo de f\u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, nos coloca na mesma posi\u00e7\u00e3o que os dem\u00f4nios; essa f\u00e9 falsa vai nos condenar.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 existe uma f\u00e9 falsa que nos condenar\u00e1, mas tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de boas obras que far\u00e1 o mesmo. De volta ao Serm\u00e3o do Monte, em Mateus 7.22, Jesus diz que no dia do julgamento, muitos apontar\u00e3o as grandes obras que fizeram em seu nome. Mas Jesus responder\u00e1 a eles: \u201cNunca vos conheci. Apartai-vos de mim\u201d (v. 23). Se \u00e9 poss\u00edvel profetizar, expulsar dem\u00f4nios e fazer milagres em nome de Jesus, mas ainda assim ser lan\u00e7ado no inferno, ent\u00e3o certamente \u00e9 poss\u00edvel dar dinheiro para a igreja, sempre dizer a verdade e evitar a imoralidade sexual e ainda ser lan\u00e7ado no inferno.<\/p>\n<p>Ao longo do Serm\u00e3o do monte, Jesus est\u00e1 ensinando que nossas a\u00e7\u00f5es externas e nossa motiva\u00e7\u00e3o interna devem estar alinhadas uma com a outra. A grande falha dos fariseus foi que eles falharam em alinhar suas a\u00e7\u00f5es externas com suas motiva\u00e7\u00f5es internas. Como resultado, eles n\u00e3o eram justos de forma alguma. Ent\u00e3o, quando Jesus diz que nossa justi\u00e7a deve exceder a dos escribas e fariseus, em Mateus 5.20, ele n\u00e3o est\u00e1 dizendo que eles eram realmente justos, e ent\u00e3o temos que ser \u201cextra bons\u201d para ultrapass\u00e1-los; ele estava dizendo que eles n\u00e3o eram verdadeiramente justos, porque suas motiva\u00e7\u00f5es internas n\u00e3o se alinhavam com suas a\u00e7\u00f5es externas. Suas boas obras estavam na verdade mandando-os para o inferno, porque estavam sendo feitas da maneira errada e pelos motivos errados.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, vimos que somente a f\u00e9 justifica, mas as boas obras s\u00e3o, de alguma forma, necess\u00e1rias; entretanto, h\u00e1 exemplos de \u201cf\u00e9\u201d e \u201cboas obras\u201d na B\u00edblia que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e9 salvadora ou boas obras de f\u00e9. Vamos adicionar mais uma camada antes de juntar alguns desses fios das cartas de Tiago e Paulo.<\/p>\n<h2>F\u00e9 do Antigo Testamento e Obras do Novo Testamento<\/h2>\n<p>No s\u00e9culo II d.C., o conhecido herege Marcion ensinou que havia uma divis\u00e3o radical entre o Antigo e o Novo Testamento. Embora seja dif\u00edcil saber de tudo o que o pr\u00f3prio Marcion ensinou, sua premissa principal era que o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento s\u00e3o divindades diferentes porque a mensagem do Antigo Testamento e a mensagem do Novo Testamento s\u00e3o fundamentalmente contradit\u00f3rias. O Antigo Testamento \u00e9 uma mensagem de condena\u00e7\u00e3o; o Novo Testamento \u00e9 uma mensagem de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo que a igreja sempre tenha condenado o Marcionismo de forma consistente, resqu\u00edcios de suas ideias sempre permaneceram. Hoje podemos ver sua influ\u00eancia sempre que os crist\u00e3os sugerem que a igreja moderna n\u00e3o tem necessidade real do Antigo Testamento. Embora muitos n\u00e3o digam isso, quando o Antigo Testamento quase nunca \u00e9 lido ou ensinado, a mensagem que muitos crist\u00e3os recebem \u00e9 que ele \u00e9 irrelevante, ou mesmo prejudicial, para a vida crist\u00e3 moderna. Como resultado dessa suposi\u00e7\u00e3o, muitos crist\u00e3os t\u00eam a vaga no\u00e7\u00e3o de que o Antigo Testamento e o Novo Testamento s\u00e3o contradit\u00f3rios e que os santos do Antigo Testamento foram de alguma forma justificados pelas obras.<\/p>\n<p>Mas uma leitura cuidadosa do Antigo Testamento revela exatamente o oposto. No Antigo Testamento, o povo de Deus foi declarado justo por meio de sua f\u00e9 nas promessas da alian\u00e7a de Deus. Vemos isso mais claramente em G\u00eanesis 15.6. Neste cap\u00edtulo, Deus aparece a Abra\u00e3o, v\u00e1rios anos depois que ele o chamou pela primeira vez e lhe deu uma s\u00e9rie de promessas de alian\u00e7a. Abra\u00e3o estava envelhecendo, mas ainda n\u00e3o tinha um filho e n\u00e3o tinha certeza se algum dia teria um (vv. 1-3). Deus o reassegurou de seu compromisso de guardar sua alian\u00e7a, e Abra\u00e3o creu em Deus (vv. 4-6). Ele acreditava que as promessas da alian\u00e7a de Deus eram verdadeiras; essas promessas da alian\u00e7a foram, enfim, focalizadas no compromisso de Deus de salvar o mundo por meio do Prometido. Em um sentido muito real, a f\u00e9 de Abra\u00e3o estava no Prometido, Jesus. E por meio dessa f\u00e9, Abra\u00e3o foi justificado &#8211; considerado justo. Podemos debater o quanto Abra\u00e3o sabia sobre a vinda do Messias (talvez ele soubesse muito mais do que muitos de n\u00f3s tendemos a pensar que sabia), mas o ponto \u00e9 claro: Abra\u00e3o foi justificado pela f\u00e9 nas promessas da alian\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o, ent\u00e3o, se torna o prot\u00f3tipo da f\u00e9 em todo o restante do Antigo Testamento. O povo de Deus s\u00e3o os filhos de Abra\u00e3o. Ser filho de Abra\u00e3o \u00e0s vezes se refere \u00e0 descend\u00eancia f\u00edsica, mas mais fundamentalmente, se refere a seguir o caminho da f\u00e9 de Abra\u00e3o. Os verdadeiros filhos de Abra\u00e3o s\u00e3o seus herdeiros espirituais (Rm 9.7; Gl 3.29).<\/p>\n<p>Tornar-se filho de Abra\u00e3o requer f\u00e9 nas promessas de Deus. Quando Deus est\u00e1 chamando Israel de volta \u00e0 fidelidade a ele, nas profecias de Isa\u00edas, ele lhes diz para \u201cOlhai para Abra\u00e3o, vosso pai, . . . porque era ele \u00fanico, quando eu o chamei, o aben\u00e7oei e o multipliquei\u201d (Is 51.2). Os israelitas deveriam ter o mesmo tipo de f\u00e9 em Deus que Abra\u00e3o tinha. Se o fizessem, poderiam esperar o mesmo resultado: justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O povo de Deus sempre foi justificado pela f\u00e9, ent\u00e3o isso n\u00e3o \u00e9 novidade no Novo Testamento. J\u00e1 observamos alguns dos lugares onde o Novo Testamento nos chama a boas obras pela f\u00e9, mas \u00e9 importante reiterar isso. Assim como alguns crist\u00e3os presumem que o Antigo Testamento ensina um Evangelho da justifica\u00e7\u00e3o pelas obras, alguns tamb\u00e9m presumem que o Novo Testamento ensina que qualquer pedido de boas obras de f\u00e9 mina o Evangelho da justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9. Esse claramente n\u00e3o \u00e9 o caso. A verdadeira f\u00e9 salvadora persevera em boas obras de f\u00e9. Paulo afirma esse princ\u00edpio sucintamente em 2 Tim\u00f3teo 2.12: \u201cse perseveramos, tamb\u00e9m com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negar\u00e1\u201d. A quest\u00e3o \u00e9: se n\u00e3o perseverarmos em boas obras de f\u00e9 e, assim, neg\u00e1-lo, ele nos negar\u00e1 e nos enviar\u00e1 a julgamento<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>.<\/p>\n<p>Vimos que somos justificados pela f\u00e9, mas as obras s\u00e3o necess\u00e1rias. Tamb\u00e9m vimos que a f\u00e9 falsa e as obras falsas s\u00e3o poss\u00edveis e, no final das contas, elas nos condenar\u00e3o. Agora vemos, no Antigo Testamento, que a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 pela f\u00e9, e mais uma vez, no Novo Testamento, que perseverar nas boas obras \u00e9 necess\u00e1rio para a salva\u00e7\u00e3o. Finalmente, podemos nos voltar para Tiago e Paulo e encaixar seus ensinos sobre f\u00e9 e obras no que vemos no restante da B\u00edblia.<\/p>\n<h2>Paulo e Tiago, F\u00e9 e Obras<\/h2>\n<p>Neste ponto, j\u00e1 observamos v\u00e1rios lugares onde Paulo e Tiago afirmam os princ\u00edpios que vimos ao longo deste ensaio. Mas agora pode ser \u00fatil reuni-los para mostrar que esses dois ap\u00f3stolos afirmam as verdades que observamos acima. Resumindo, tanto Tiago quanto Paulo afirmam a justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9 e a necessidade de boas obras de f\u00e9.<\/p>\n<h2>F\u00e9 justificadora e obras necess\u00e1rias<\/h2>\n<p>Tanto Tiago quanto Paulo ensinam que nossa justifica\u00e7\u00e3o, sermos declarados justos por Deus, \u00e9 somente pela f\u00e9. J\u00e1 vimos isso em Paulo, mas voc\u00ea pode estar se perguntando sobre Tiago. Afinal, ele diz: \u201cuma pessoa \u00e9 justificada por obras e n\u00e3o por f\u00e9 somente\u201d (Tg 2.24). Mas precisamos olhar de perto a maneira como Tiago est\u00e1 falando sobre \u201cn\u00e3o por f\u00e9 somente\u201d neste cap\u00edtulo. Lembra do que vimos acima? Tiago est\u00e1 argumentando contra uma f\u00e9 falsa que \u00e9 apenas consentimento intelectual. Este \u00e9 o tipo de \u201cf\u00e9 somente\u201d que ele est\u00e1 se referindo aqui. Isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e9 de qualquer forma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seu entendimento de \u201cjustificado pelas obras\u201d \u00e9 diferente do que Paulo quer dizer com isso. Tiago quer dizer que as obras desempenhar\u00e3o um papel de confirma\u00e7\u00e3o na justifica\u00e7\u00e3o. Afinal, ele cita G\u00eanesis 15.6 em Tiago 2.23 para afirmar a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente no sentido paulino. Assim, Tiago afirma que Abra\u00e3o foi considerado justo &#8211; justificado &#8211; pela f\u00e9. No entanto, esse status de justificado teve que ser cumprido por meio de sua vida de boas obras pela f\u00e9.<\/p>\n<p>J\u00e1 vimos as diferentes maneiras como esses dois ap\u00f3stolos afirmam a necessidade de boas obras. N\u00e3o precisamos aprofundar o ponto de Tiago 2; sua \u00eanfase nas boas obras pela f\u00e9 \u00e9 clara. As cartas de Paulo t\u00eam uma \u00eanfase semelhante. Se continuarmos lendo ap\u00f3s a famosa declara\u00e7\u00e3o de Paulo sobre a salva\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a por meio da f\u00e9 (Ef 2. 8-9), descobriremos que o corol\u00e1rio necess\u00e1rio, da gra\u00e7a de Deus na salva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o nossas cont\u00ednuas boas obras: \u201cPois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antem\u00e3o preparou para que and\u00e1ssemos nelas\u201d (v. 10). Somos justificados pela f\u00e9, n\u00e3o pelas obras, mas pela boa obra de Deus em n\u00f3s \u00e9 que produziremos boas obras.<\/p>\n<h2>F\u00e9 condenat\u00f3ria e obras duvidosas<\/h2>\n<p>Esses dois ap\u00f3stolos n\u00e3o apenas afirmam a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente e a necessidade de boas obras pela f\u00e9, mas tamb\u00e9m veem (e combatem) a f\u00e9 e as obras falsas. Como vimos, Paulo consistentemente precisava combater uma vis\u00e3o errada das obras. Alguns estavam ensinando que as obras da lei eram, de alguma forma, a maneira como somos declarados justos diante de Deus. Mas Paulo mostra que somente a f\u00e9 nos justifica (Rm 3.28) porque somente a f\u00e9 nos une a Cristo (Ef 2. 4-9). Tiago, no entanto, est\u00e1 expondo uma compreens\u00e3o falha da f\u00e9. Contra algu\u00e9m que pode entender a f\u00e9 apenas como consentimento intelectual que n\u00e3o tem efeito real sobre n\u00f3s, Tiago mostra que a f\u00e9 (e o status de justo que se segue) deve ser realizada por meio de uma vida transformada.<\/p>\n<h2>F\u00e9 do Antigo Testamento e Obras do Novo Testamento<\/h2>\n<p>Tanto Paulo quanto Tiago tamb\u00e9m demonstram que a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 somente (e a vida transformada que se segue) est\u00e1 enraizada no Antigo Testamento &#8211; especificamente em G\u00eanesis 15.6. Esses ap\u00f3stolos aplicam esse texto de maneiras diferentes, mas complementares. Paulo cita G\u00eanesis 15 da perspectiva do in\u00edcio da f\u00e9 de Abra\u00e3o. Quando Abra\u00e3o creu em Deus, ele foi verdadeiramente considerado justo, independentemente de quaisquer obras. Tiago afirma a mesma verdade, mas considera G\u00eanesis 15 de um ponto posterior da vida de Abra\u00e3o. Ele se refere ao sacrif\u00edcio de Isaque em G\u00eanesis 22 como um exemplo de como a posi\u00e7\u00e3o justa de Abra\u00e3o foi \u201ccompletada\u201d ou \u201ccumprida\u201d (teleio\u014d) em sua obedi\u00eancia ao Senhor (Tg 2.21-22).<\/p>\n<h2>Uni\u00e3o Fundamental com Cristo<\/h2>\n<p>Finalmente, junto com os princ\u00edpios que j\u00e1 vimos, em ambos os ap\u00f3stolos, tanto a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 quanto nosso crescimento em boas obras s\u00e3o insepar\u00e1veis e enraizados em nossa uni\u00e3o com Cristo. Para Paulo, esse conceito \u00e9 bastante claro. Por exemplo, a uni\u00e3o com Cristo satura Ef\u00e9sios 1-2. Ef\u00e9sios 2.5-6 enfatiza que somos vivificados com Cristo, ressuscitados com Cristo e assentados com Cristo nos lugares celestiais. Em outras palavras, estamos verdadeiramente unidos a Cristo de maneira que compartilhamos sua morte, ressurrei\u00e7\u00e3o, ascens\u00e3o e reinado. Temos seu status: somos declarados justos &#8211; justificados &#8211; nele.<\/p>\n<p>As refer\u00eancias de Tiago \u00e0 uni\u00e3o com Cristo s\u00e3o mais sutis. Em Tiago 1.21, Tiago diz ao p\u00fablico para \u201cacolher com mansid\u00e3o a palavra neles implantada\u201d. A \u201cpalavra implantada\u201d \u00e9 provavelmente uma refer\u00eancia \u00e0 promessa da nova alian\u00e7a de que Deus escreveria a lei no cora\u00e7\u00e3o de seu povo (ver Jeremias 31.33)<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a> .Alguns vers\u00edculos depois, em Tiago 2.1, ele nos lembra de nossa \u201cf\u00e9 em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da gl\u00f3ria\u201d compartilhada. Quando colocamos essas realidades juntas, temos f\u00e9 em Cristo, o que resulta na transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, que ent\u00e3o resulta em vidas transformadas. A realidade por tr\u00e1s disso \u00e9 nossa verdadeira uni\u00e3o com ele. Por estarmos verdadeiramente unidos a ele pela f\u00e9, recebemos a condi\u00e7\u00e3o de justos e ent\u00e3o nos transformamos mais e mais \u00e0 sua imagem.<\/p>\n<h2>Trabalhando Fielmente<\/h2>\n<p>Se quisermos ser fi\u00e9is a todo o ensino da B\u00edblia sobre f\u00e9 e obras, devemos estar constantemente cientes dos desafios em ambas as extremidades do espectro. N\u00e3o podemos presumir que qualquer coisa que fizermos servir\u00e1 como base para nossa aceita\u00e7\u00e3o diante de Deus. Isso inclui os atos de \u201cobras de justi\u00e7a\u201d em que normalmente pensamos: frequ\u00eancia \u00e0 igreja, dar dinheiro, servir e assim por diante.<\/p>\n<p>Mas as obras de justi\u00e7a podem ser mais insidiosas. O racismo pode ser uma forma de obra de justi\u00e7a, pois exigimos que uma identidade racial ou cultural seja aceita diante de Deus e contada como seu povo<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>. Pressionar por um certo tipo de experi\u00eancia emocional na adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pode ser uma forma de obras de justi\u00e7a, tamb\u00e9m. Podemos n\u00e3o ter essa inten\u00e7\u00e3o, mas se dermos a impress\u00e3o de que nossa aceita\u00e7\u00e3o diante de Deus depende de uma intensidade particular de emo\u00e7\u00e3o, estaremos acrescentando ao Evangelho e exigindo obras adicionais para sermos aceitos por Deus. Somente a f\u00e9 nos une a Cristo, e somente ele \u00e9 a base para nossa justifica\u00e7\u00e3o diante de Deus.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m nunca devemos dar a impress\u00e3o de que nossa aceita\u00e7\u00e3o por Deus n\u00e3o resultar\u00e1 em uma transforma\u00e7\u00e3o real. Se estivermos verdadeiramente unidos a Cristo, seremos verdadeiramente transformados \u00e0 imagem de Cristo. Novamente, isso exclui o que podemos considerar distor\u00e7\u00f5es mais \u00f3bvias, como \u201ccren\u00e7a f\u00e1cil\u201d e o ensino que afirma alguma f\u00f3rmula estranha onde Jesus pode ser nosso Salvador, mas n\u00e3o nosso Senhor.<\/p>\n<p>Mas para muitos de n\u00f3s, a tenta\u00e7\u00e3o de negligenciar as boas obras pode ser mais sutil. Por exemplo, defender o \u201ccasamento\u201d de pessoas do mesmo sexo pode ser uma forma de negligenciar o ensino de Tiago sobre as boas obras pela f\u00e9, porque p\u00f5e de lado o ensino da B\u00edblia sobre a sexualidade, que a igreja tem afirmado por mil\u00eanios.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a> O mesmo pode ser verdade para qualquer quantidade de quest\u00f5es que podem ser impopulares em uma determinada cultura, como cuidar de \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas e imigrantes. Ou, a desobedi\u00eancia a Tiago 2, pode ser simplesmente uma falta de vontade de pedir f\u00e9 e arrependimento por medo de ser chamado de legalista.<\/p>\n<p>A m\u00e1 compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e obras foi, e continua a ser, um perigo constante para a igreja. Para sermos fi\u00e9is ao Senhor Jesus, devemos manter e ensinar essas verdades juntas. A justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 somente pela f\u00e9, mas boas obras resultar\u00e3o inevitavelmente de nosso status justificado. Devemos estar cientes e combater os pontos de vista errados sobre a f\u00e9 e as obras, que podem, em \u00faltima an\u00e1lise, nos condenar. O Antigo e o Novo Testamento, juntos com Tiago e Paulo, s\u00e3o unificados nesta mensagem. Embora diferentes partes da B\u00edblia enfatizem diferentes partes deste quadro, o quadro todo permanece consistente. Estamos unidos a Cristo somente pela f\u00e9, e nossa uni\u00e3o com ele leva \u00e0 nossa transforma\u00e7\u00e3o em sua imagem gloriosa.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Packer, <em>Concise Theology: A Guide to Historic Christian Beliefs<\/em> (Carol Stream, IL: Tyndale House, 1993), 164.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> A inclus\u00e3o no povo da alian\u00e7a de Deus n\u00e3o \u00e9 constitutiva da justifica\u00e7\u00e3o, como alguns argumentam. Por exemplo, N.T. Wright argumentou que a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ca defini\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica de Deus, tanto futura quanto presente, de quem \u00e9, de fato, um membro de seu povo\u201d (<em>What Saint Paul Really Said: Paul of Tarso the Real Founder of Christianity?<\/em> [Grand Rapids: Eerdmans, 1997], 119). Wright est\u00e1 correto ao ver uma conex\u00e3o entre a justifica\u00e7\u00e3o e a ades\u00e3o \u00e0 alian\u00e7a, pois a declara\u00e7\u00e3o de Deus, de que uma pessoa \u00e9 justa, e a inclus\u00e3o dessa pessoa em seu povo da alian\u00e7a, s\u00e3o insepar\u00e1veis. No entanto, eles s\u00e3o distintas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Em uma reuni\u00e3o de bispos alem\u00e3es em Mainz, em 1980, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, em certo sentido, afirmou a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o de Lutero. Stephan Pf\u00fcrtner escreveu: \u201cPela primeira vez na hist\u00f3ria, um papa citou Martinho Lutero como uma testemunha cuja mensagem de f\u00e9 e justifica\u00e7\u00e3o deveria ser ouvida por todos n\u00f3s\u201d (\u201cOs Paradigmas de Tom\u00e1s de Aquino e Martinho Lutero: A Mensagem da Justifica\u00e7\u00e3o de Lutero significava mudan\u00e7a de paradigma?\u201dem <em>Paradigm Change in Theology: A Symposium for the Future, ed. Hans K\u00fcng e David Tracy<\/em> [Edinburgh: T&amp;T Clark, 1989], 131). Ver tamb\u00e9m Peter Kreeft, \u201cJustifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9\u201d, em <em>Fundamentals of the Faith<\/em> (San Francisco: Ignatius Press, 1988), 277\u201381.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Lynn H. Cohick, <em>Ephesians: A New Covenant Commentary<\/em> (Cambridge: Lutterworth Press, 2013), 67. Cohick sugere que a palavra justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cmuito restritiva para o significado [de Paulo]\u201d aqui. No entanto, pode simplesmente ser o caso de Paulo estar usando uma linguagem diferente para comunicar uma realidade semelhante. F.F. Bruce provavelmente est\u00e1 correto: \u201cEm G\u00e1latas, ele diz \u2018uma pessoa \u00e9 justificada\u2019 porque a quest\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o era parte integrante da crise da G\u00e1latas; em Ef\u00e9sios, ele diz, usando um termo mais geral, \u2018voc\u00ea foi salvo\u2019, talvez porque a justifica\u00e7\u00e3o no sentido mais espec\u00edfico n\u00e3o fosse um assunto controverso para os leitores desta carta\u201d( <em>The Epistles to the Colossians, to Philemon, and to the Ephesians,<\/em> NICNT [Grand Rapids: Eerdmans, 1984], 233). Assim, Paulo tamb\u00e9m pode incluir a santifica\u00e7\u00e3o posicional na \u201csalva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9\u201d em Ef\u00e9sios 2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Conforme observado acima, a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de Deus de que uma pessoa \u00e9 considerada justa. A salva\u00e7\u00e3o, entretanto, \u00e9 mais ampla do que esta declara\u00e7\u00e3o, pois inclui justifica\u00e7\u00e3o, santifica\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o final. Embora a justifica\u00e7\u00e3o garanta que todos os outros componentes da salva\u00e7\u00e3o ser\u00e3o cumpridos, esses termos n\u00e3o s\u00e3o equivalentes uns aos outros.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Isso significa que 2 Tim\u00f3teo 2.13 se refere \u00e0 fidelidade de Deus em julgar, n\u00e3o em nos salvar, apesar de nossa falta de f\u00e9. Caso contr\u00e1rio, isso contradiria o ponto claro do vers\u00edculo 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Ver Douglas J. Moo, <em>James,<\/em> TNTC, rev. ed. (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2015), 111.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Veja minha discuss\u00e3o em <em>Paul vs. James: What We\u2019ve Been Missing in the Faith and Works Debate<\/em> (Chicago: Moody, 2019), 136-39. Observe tamb\u00e9m que o ativismo social, especialmente quando impulsionado por sentimentos populares, pode facilmente se tornar uma forma de obras de justi\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Bruno, <em>Paul vs. James<\/em>, 131-36.[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Chris Bruno. \u00a9 Desiring God Foundation.Website: <a href=\"http:\/\/www.desiringgod.org\/languages\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/justified-for-good\">Justified for Good<\/a>.<\/p>\n<p>Original: <a href=\"https:\/\/wp.me\/p4MFiq-eyN\">Justificado para o bem<\/a>. \u00a9 Minist\u00e9rio Fiel. Website:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ministeriofiel.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MinisterioFiel.com.br<\/a>. Todos os direitos reservados. Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Reiss Junior. Revis\u00e3o: Filipe Castelo Branco.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tanto a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 quanto nosso crescimento em boas obras s\u00e3o insepar\u00e1veis e enraizados em nossa uni\u00e3o com Cristo.<\/p>\n","protected":false},"author":847,"featured_media":55976,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Tanto a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 quanto nosso crescimento em boas obras s\u00e3o insepar\u00e1veis e enraizados em nossa uni\u00e3o com 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