{"id":57731,"date":"2021-03-26T18:48:12","date_gmt":"2021-03-26T21:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=57731"},"modified":"2021-03-26T18:48:12","modified_gmt":"2021-03-26T21:48:12","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2021\/03\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-22\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 22)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h2>Gra\u00e7a e conhecimento<\/h2>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Na medida em que as ci\u00eancias se aproximam do centro e deixam de ser meramente formais, a subjetividade e a personalidade do investigador desempenham um papel maior. \u00c9 totalmente f\u00fatil silenciar a subjetividade, negar \u00e0 f\u00e9, \u00e0s convic\u00e7\u00f5es morais e religiosas, \u00e0 metaf\u00edsica e \u00e0 filosofia sua influ\u00eancia sobre o estudo cient\u00edfico. Quem tenta fazer isso nunca ter\u00e1 sucesso, porque o estudioso nunca pode ser separado do ser humano. Portanto, \u00e9 muito melhor perceber que o investigador cient\u00edfico pode ser, tanto quanto poss\u00edvel, um ser humano normal, de tal maneira que ele n\u00e3o traga falsas pressuposi\u00e7\u00f5es para sua obra, mas seja um homem de Deus plenamente equipado para toda boa obra. Para esse fim o conhecimento que Deus revelou de si mesmo em sua palavra \u00e9 \u00fatil: ele n\u00e3o esconde, mas favorece o estudo e a pesquisa cient\u00edfica. Seja qual for o mau uso que tenha sido feito ou que possa ser feito disso, a declara\u00e7\u00e3o continua sendo verdadeira: \u201cA piedade para tudo \u00e9 proveitosa (1Tm 4.8). \u2013 Herman Bavinck.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Clark (1902-1985), faz uma afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvia como aquela do comentarista \u201ccraque\u201d desportivo, ap\u00f3s o goleador dentro da \u00e1rea advers\u00e1ria, resolver chutar a bola e n\u00e3o passar para o seu companheiro, e ter perdido o gol: \u201cEra preciso ter tocado a bola\u201d, \u201co ego\u00edsmo atrapalha\u201d, \u201c\u00e9 preciso pensar no time\u201d, \u201ca competi\u00e7\u00e3o pela artilharia pode levar o time ao fracasso\u201d&#8230; Esses poderiam ser alguns dos coment\u00e1rios feitos depois de malsucedido chute. Creio que concordaria com isso. Ap\u00f3s o fato consumado, as afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas s\u00e3o mais f\u00e1ceis.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que a declara\u00e7\u00e3o de Clark se insere. Apenas, com um detalhe: \u00e9 feita antes do chute. Depois, ficou tudo f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Todo sistema deve come\u00e7ar em algum ponto e n\u00e3o pode ter iniciado antes de come\u00e7ar. (&#8230;) A infer\u00eancia \u00e9: ningu\u00e9m pode contestar de forma coerente o fato de o cristianismo basear-se em axiomas n\u00e3o demonstr\u00e1veis. Se os secularistas se valem do privil\u00e9gio de basear seus teoremas em axiomas, os crist\u00e3os tamb\u00e9m podem fazer o mesmo. Se eles se recusam a aceitar nossos axiomas, ent\u00e3o n\u00e3o podem opor\u00a0 nenhuma obje\u00e7\u00e3o l\u00f3gica para n\u00e3o rejeitarmos os deles. Consequentemente, rejeitamos as pr\u00f3prias bases do ate\u00edsmo, do positivismo l\u00f3gico e do empirismo de forma geral. Nosso axioma \u00e9 o de que Deus falou. Ou, de modo mais completo \u2013 Deus falou na B\u00edblia. De forma mais precisa, as afirma\u00e7\u00f5es b\u00edblicas s\u00e3o o que Deus falou.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>As nossas pressuposi\u00e7\u00f5es nos acompanham sempre ainda que nem sempre de modo consciente. Elas s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es que <strong>consideramos<\/strong> bem fundamentadas que nos ajudam a ver e a interpretar melhor a realidade. \u201cN\u00e3o h\u00e1 algo que possa ser chamado de m\u00e9todo epistemol\u00f3gico neutro. Sempre pressupomos certa vis\u00e3o de realidade antes de perguntar como investig\u00e1-la\u201d, resume Horton.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Seria fascinante se pud\u00e9ssemos perceber criticamente sem depender de pressuposi\u00e7\u00f5es, no entanto, isso pode ser a pressuposi\u00e7\u00e3o mais perigosa de todas: de que conhecemos a realidade em sua complexidade de forma imediata, sem media\u00e7\u00f5es e pressuposi\u00e7\u00f5es. Todo o nosso conhecimento \u00e9 mediato, feito atrav\u00e9s de interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, aquela seria uma pressuposi\u00e7\u00e3o indemonstr\u00e1vel. Percebam a tolice desse pensamento: pressupor que posso conhecer sem pressupor.<\/p>\n<p>Nash (1906-2006) de forma serena faz um coment\u00e1rio pertinente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00d3culos corretos s\u00e3o capazes de p\u00f4r o mundo em foco mais claro \u2013 e a cosmovis\u00e3o correta pode funcionar de um modo muito parecido. Quando algu\u00e9m olha o mundo pela perspectiva da cosmovis\u00e3o errada, o mundo n\u00e3o faz sentido. Ou o que a pessoa pensa fazer sentido estar\u00e1, na verdade, errado em aspectos importantes. Aplicar o esquema conceitual correto, isto \u00e9, ver o mundo atrav\u00e9s da cosmovis\u00e3o correta, pode ter repercuss\u00f5es importantes para o resto da compreens\u00e3o da pessoa de acontecimentos e ideias.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A validade de nossa cosmovis\u00e3o deve ser considerada a partir de sua capacidade de iluminar a realidade oferecendo-nos uma perspectiva abrangente e significativamente coerente.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> No entanto, as nossas pressuposi\u00e7\u00f5es devem sempre ser avaliadas \u00e0 luz das Escrituras, afinal, como escreveu Calvino, \u201cA mente humana \u00e9 pass\u00edvel de vaidade. Entretanto, quando o diabo acende o fogo, vemos eruditos e ignorantes arrebatados por ele\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Apenas destaco mais um aspecto para n\u00e3o me deter em demasia nesse ponto. O homem \u00e9 um ser integral envolvendo o intelecto e o seu cora\u00e7\u00e3o. A leitura da realidade n\u00e3o pode, porque na realidade \u00e9 imposs\u00edvel, fraccionar subjetivamente o indiv\u00edduo, assim como \u00e9 imposs\u00edvel separar objetivamente a realidade que envolve Deus e o mundo criado e sustentado por Ele, como bem escreveu Bavinck (1854-1921):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O homem que se dedica \u00e0 ci\u00eancia n\u00e3o pode se dividir em duas metades, separando sua f\u00e9 de seu conhecimento; mesmo em suas investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, ele continua sendo um homem \u2013 n\u00e3o um ser puramente intelectual, mas uma pessoa com um cora\u00e7\u00e3o, com afei\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, com sentimento e vontade.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Como temos visto, alguns dos pressupostos fundamentais da f\u00e9 crist\u00e3, de sua <strong>ontologia<\/strong> e <strong>epistemologia<\/strong>, \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que Deus existe, \u00e9 um ser pessoal (n\u00e3o apenas uma causa n\u00e3o-causada, ou movente im\u00f3vel), que tem autoconsci\u00eancia, se revela de forma verdadeira e acess\u00edvel, \u2013 se relacionando pessoalmente com Ad\u00e3o e Eva. Temos nas Escrituras o registro dessa verdadeira revela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o pr\u00f3prio Esp\u00edrito de Deus nos guia em sua compreens\u00e3o, nos conduzindo a um relacionamento pessoal com o Deus Tri\u00fano.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o conhecemos a ess\u00eancia de Deus em sua completude, por\u00e9m, podemos conhec\u00ea-la \u00e0 medida que Ele se revela, visto que a sua revela\u00e7\u00e3o \u201cdesvela\u201d facetas de sua natureza eterna, tais como, bondade, justi\u00e7a, santidade, gra\u00e7a, amor, etc.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<h2>As Escrituras n\u00e3o s\u00e3o especulativas<\/h2>\n<p>As Escrituras n\u00e3o se perdem em especula\u00e7\u00f5es. Isso por dois motivos \u00f3bvios: Deus como senhor de todo o conhecimento e verdade, de nada carece saber. Todo o saber lhe pertence; nada lhe \u00e9 derivado.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> O segundo motivo \u00e9 que Ele n\u00e3o deseja que o seu povo se perca em especula\u00e7\u00f5es de assuntos n\u00e3o revelados, que s\u00e3o de sua exclusiva autoridade.<\/p>\n<p>Guiar-se por especula\u00e7\u00f5es significa desejar ir al\u00e9m do que Deus revelou e, ao mesmo tempo, perder-se em hip\u00f3teses e teorias fr\u00edvolas j\u00e1 que pretendem \u201cdecifrar\u201d o que Deus s\u00e1bia e soberanamente n\u00e3o nos quis dar a conhecer. \u201cNossas especula\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem servir de medida para nosso Deus\u201d, acentua Packer (1926-2020).<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>A B\u00edblia \u00e9 um livro descritivo e extremamente pr\u00e1tico. Ela n\u00e3o discute, por exemplo, sobre a exist\u00eancia de Deus ou faz abstra\u00e7\u00f5es de sua natureza e ess\u00eancia, antes, parte do pressuposto da exist\u00eancia do Deus Todo-Poderoso que se revela criando com sabedoria e poder todas as coisas. Portanto, mais do que uma teoria ou abstra\u00e7\u00e3o, as Escrituras nos p\u00f5em em contato com o Deus vivo e pessoal, que age e fala.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> \u00c9 o Deus que se relaciona e cuida de seu povo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do povo de Israel \u00e9 de certa forma a hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o concreta de Deus na Hist\u00f3ria: no tempo e no espa\u00e7o, conduzindo o seu povo. \u201cA Escritura, em sua totalidade, \u00e9 o pr\u00f3prio livro da provid\u00eancia de Deus\u201d, resume Bavinck (1854-1921).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Schaeffer (1912-1984), argumentando em prol da genuinidade da revela\u00e7\u00e3o de Deus em forma de proposi\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria, escreve:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Deus inseriu a revela\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Hist\u00f3ria; Ele n\u00e3o a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teol\u00f3gico. Localizando a revela\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revela\u00e7\u00e3o cuja <em>hist\u00f3ria<\/em> fosse falsa? Tamb\u00e9m o homem foi inserido neste <em>universo<\/em> que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, ent\u00e3o, teria para Deus ter nos oferecido a sua revela\u00e7\u00e3o em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as quest\u00f5es deve ser \u201cnada disso faria qualquer sentido!\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Est\u00e1 claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou, numa forma lingu\u00edstica e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua hist\u00f3ria e o universo.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>Deus \u00e9 o Senhor eterno antes e independentemente de sua Cria\u00e7\u00e3o. <em>\u201cAntes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu \u00e9s Deus\u201d<\/em>, escreveu Mois\u00e9s (Sl 90.2).<\/p>\n<h2>Deus infinito-pessoal que se revela<\/h2>\n<p>As Escrituras nunca tratam de Deus de forma impessoal ou abstrata, mas, como o Deus infinito-pessoal que se revela<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> e se relaciona misericordiosamente com os seus.<\/p>\n<p>As Escrituras evidenciam o valor metaf\u00edsico da realidade, contudo, n\u00e3o se limitam a isso, por mais importante que seja e, de fato \u00e9. Elas tratam dessa quest\u00e3o em termos <strong>ontol\u00f3gicos<\/strong>, <strong>normativos<\/strong> e <strong>existenciais<\/strong>. A <strong>metaf\u00edsica<\/strong> est\u00e1 relacionada diretamente com a Lei absoluta de Deus e com os efeitos disso em nossa vida. Isso explica, por exemplo, porque grande parte das Escrituras consiste em narrativa hist\u00f3rica, onde esses aspectos s\u00e3o real\u00e7ados na vida do povo de Deus em sua obedi\u00eancia ou n\u00e3o, no l\u00f3cus temporal, ao Deus soberano.<\/p>\n<p>Obviamente, o Deus das Escrituras n\u00e3o \u00e9 um deus criado pela imagina\u00e7\u00e3o do homem projetando em sua cria\u00e7\u00e3o seus desejos e v\u00edcios,<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> o que facilmente conduziria da idolatria ao ate\u00edsmo.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Ali\u00e1s, o ate\u00edsmo n\u00e3o deixa de ser uma forma de idolatria, visto que o homem passa a adorar a criatura, no caso, a sua suposta poderosa mente, em lugar do Criador (Rm 1.25).<\/p>\n<p>Frame comenta:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O argumento b\u00edblico a ser mencionado aqui \u00e9 que ningu\u00e9m \u00e9 realmente ateu, no sentido mais s\u00e9rio desse termo. Quando as pessoas se afastam da adora\u00e7\u00e3o ao Deus verdadeiro, elas n\u00e3o rejeitam o absoluto em geral. Antes, em vez do verdadeiro Deus, eles adoram \u00eddolos, como Paulo ensina em Romanos 1:18\u201332. A grande divis\u00e3o na humanidade n\u00e3o \u00e9 que alguns adorem um deus e outros n\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 entre aqueles que adoram o Deus verdadeiro e aqueles que adoram falsos deuses, \u00eddolos. A adora\u00e7\u00e3o falsa pode n\u00e3o envolver ritos ou cerim\u00f4nias, mas sempre envolve o reconhecimento da asseidade, honrando alguns que n\u00e3o dependem de mais nada.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Deus n\u00e3o se deixa invadir pela raz\u00e3o humana, ou mesmo pela f\u00e9. Ele se d\u00e1 a conhecer livre, fidedigna e explicitamente. Deus se revela a si mesmo como Senhor.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> E &#8220;Senhorio significa liberdade&#8221;, pontua Barth (1886-1968).<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>Conhecer a Deus \u00e9 um privil\u00e9gio da gra\u00e7a que tem o seu in\u00edcio sempre no Deus Trino (Mt 11.27;1Co 12.3). Deus sabe tudo a nosso respeito, nos conhece mais do que n\u00f3s mesmos. Nada que lhe digamos \u00e9 inusitado. N\u00f3s, s\u00f3 o conhecemos \u00e0 medida em que se revela, fala de si mesmo (Sl 139.1-4; 33.13-15; Jo 1.47-48; 2.25).<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais conhecemos Deus, mais compreendemos, e sentimos que seu mist\u00e9rio \u00e9 inescrut\u00e1vel\u201d, comenta Brunner (1889-1966).<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> A douta ignor\u00e2ncia faz parte essencial da f\u00e9 genu\u00edna e sincera.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> O conhecimento de nossa limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inato, antes \u00e9 precedido pela revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem revela\u00e7\u00e3o nada sei a respeito de Deus. Com a gra\u00e7a objetiva da revela\u00e7\u00e3o e o guiar interior do Esp\u00edrito, \u00e9 que passo a saber e a descobrir que n\u00e3o sei. \u00c9 no conhecimento intensivo e experimental de Deus que vamos ampliando reverentemente o nosso conhecimento e descobrindo o quanto ignoramos.<\/p>\n<p>Sem o desvelar-se de Deus n\u00e3o h\u00e1 te\u00edsmo, ate\u00edsmo nem agnosticismo. \u00c9 no encontro significativamente pessoal com Deus que tomamos conhecimento de nossas limita\u00e7\u00f5es.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> Por isso, \u00e9 que todo agnosticismo \u00e9 uma forma de suic\u00eddio intelectual.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> E, no campo teol\u00f3gico, o agnosticismo n\u00e3o difere essencialmente do ate\u00edsmo.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p>Deste modo, o homem passaria toda a sua vida e estaria na eternidade sem o menor conhecimento de Deus por mais engenhosos que fossem os seus m\u00e9todos, por mais sistem\u00e1ticas que fossem as suas pesquisas, por mais que evolu\u00edsse a ci\u00eancia&#8230; O homem nunca conseguiria chegar a Deus, ou mesmo \u00e0 sua ideia: ignoraria eternamente a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia! Entretanto, Deus continuaria sendo o que sempre foi: o Senhor!<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Todavia, gra\u00e7as a Deus, porque Ele soberanamente se revelou a si mesmo, para que possamos conhec\u00ea-lo e render-lhe toda a gl\u00f3ria que somente a Ele \u00e9 devida. Em Cristo, n\u00f3s somos confrontados com o cl\u00edmax e plenitude da revela\u00e7\u00e3o de Deus (Jo 14.9-11; 10.30; Cl 1.19; 2.9; Hb 1.1-4). \u201cTudo quanto diz respeito ao genu\u00edno conhecimento de Deus constitui um dom do Esp\u00edrito Santo\u201d, declara Calvino.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n<p>Lewis (1898-1963) escreve de forma perspicaz:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O ate\u00edsmo (&#8230;) \u00e9 uma coisa por demais simplista. Se todo o universo n\u00e3o tem sentido, nunca descobrir\u00edamos que ele n\u00e3o tem sentido, do mesmo modo que, se n\u00e3o houvesse luz no universo, nem, consequentemente, criaturas com olhos, nunca saber\u00edamos que era escuro. A palavra <em>escuro <\/em>seria uma palavra sem sentido.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No entanto, Deus se revelou fidedigna e acessivelmente. \u201cNo Filho temos a revela\u00e7\u00e3o <em>\u00faltima<\/em> de Deus. Da mesma forma como \u00e9 verdade que quem viu o Filho viu o Pai, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que quem <em>n\u00e3o <\/em>viu o Filho, <em>n\u00e3o <\/em>viu o Pai\u201d, escreve Hendriksen (1900-1982).<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> Jesus Cristo, a plenitude da gra\u00e7a encarnada, \u00e9 a medida da revela\u00e7\u00e3o; o seu padr\u00e3o e apelo final!<\/p>\n<p>Bavinck (1854-1921) exulta:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A plenitude do ser de Deus \u00e9 revelada nele. Ele n\u00e3o apenas nos apresenta o Pai e nos revela Seu nome, mas Ele nos mostra o Pai em Si mesmo e nos d\u00e1 o Pai. Cristo \u00e9 a express\u00e3o de Deus e a d\u00e1diva de Deus. Ele \u00e9 Deus revelado a Si mesmo e Deus compartilhado a Si mesmo, e, portanto, Ele \u00e9 cheio de verdade e tamb\u00e9m cheio de Gra\u00e7a.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Deus tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma mera for\u00e7a impessoal sem nenhum sentido de racionalidade, antes, \u00e9 o Deus transcendente e pessoal que se revela genuinamente, com quem podemos nos relacionar: ouvir, amar, temer, confiar e orar.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>A linguagem usada para Deus tem um car\u00e1ter relacional, mostrando um Deus que se relaciona com o seu povo na hist\u00f3ria.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> Ali\u00e1s, \u00e9 a partir do relacionamento de Deus com a Cria\u00e7\u00e3o em geral e com o homem em especial, que torna poss\u00edvel a teologia. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 a passagem do Deus consigo para o Deus conosco. Do Deus <em>absconditus<\/em> <em>\u00a0<\/em>para o <em>\u00a0<\/em>Deus<em>\u00a0 revelatus<\/em>. Aspectos do car\u00e1ter de Deus se revelam em suas rela\u00e7\u00f5es com suas criaturas.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/p>\n<p>O nosso conhecimento pode ser real e genu\u00edno, por\u00e9m \u00e9 fragmentado e limitado.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a> Contudo, devemos nos alegrar em poder conhecer. O Senhor n\u00e3o exigir\u00e1 mais do que nos foi dado. Mas, o Senhor exige a nossa fidelidade no muito e no pouco.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p>A despeito de nossas limita\u00e7\u00f5es, da loucura de nossa tentativa de pensar autonomamente, Deus, o Senhor glorioso e majestoso, torna-se conhecido por n\u00f3s, paradoxalmente n\u00e3o pelos nossos esfor\u00e7os, mas, porque Ele graciosamente se d\u00e1 a conhecer de forma acess\u00edvel \u00e0 nossa capacidade.<\/p>\n<p>Qualquer tentativa de analogia que pensemos em fazer para aplicar a Deus, \u00e9 sempre tacanha, pobre e temer\u00e1ria. Por isso mesmo, a revela\u00e7\u00e3o de Deus sempre \u00e9 uma autorrevela\u00e7\u00e3o consciente, majestosa e objetiva. Deus na express\u00e3o de sua natureza gloriosa, traz beleza variada e harmoniosa \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As Escrituras n\u00e3o tratam a Deus como um ser que se confunde com a mat\u00e9ria (pante\u00edsmo)<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> nem como uma divindade ausente, distante do mundo (de\u00edsmo),<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> como normalmente ocorre com o pensamento pag\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria. Antes, nos mostram tal qual Ele se revela.<\/p>\n<p>Bavinck sintetiza:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Todos os povos ou puxam Deus panteisticamente para baixo, na dire\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 criado, ou o elevam deisticamente, colocando-o infinitamente acima da criatura. Em nenhum dos casos se chega a uma verdadeira comunh\u00e3o, a uma alian\u00e7a, a uma religi\u00e3o genu\u00edna. No entanto, a Escritura insiste em ambos: Deus \u00e9 infinitamente grande e condescendentemente bom; Ele \u00e9 soberano, mas tamb\u00e9m \u00e9 Pai; Ele \u00e9 Criador, mas tamb\u00e9m \u00e9 Prot\u00f3tipo. Em uma palavra, Ele \u00e9 o Deus da alian\u00e7a.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Por meio de Isa\u00edas, Deus faz registrar:<\/p>\n<p><em>Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito tamb\u00e9m com o contrito e abatido de esp\u00edrito, para vivificar o esp\u00edrito dos abatidos, e vivificar o cora\u00e7\u00e3o dos contritos.<\/em> (Is 57.15)<\/p>\n<p>A Palavra de Deus nos ensina que Deus n\u00e3o pode estar limitado pelo universo, que \u00e9 sua cria\u00e7\u00e3o: Deus \u00e9 infinito e, por isso, \u00e9 imenso e eterno, transcendendo de forma perfeita todas as limita\u00e7\u00f5es espaciais e temporais \u2013 que s\u00e3o pr\u00f3prias da criatura, n\u00e3o do Criador. Entretanto, Deus est\u00e1 presente em todas as suas criaturas e em todos os lugares, sustentando toda a exist\u00eancia e realidade<\/p>\n<p>Com isso n\u00e3o queremos dizer que Deus esteja presente no mesmo sentido em todas as suas criaturas. Deus est\u00e1 em todo ser de acordo com a natureza deles. Desse modo, afirmamos que Deus habita de uma forma no homem e de outra no mundo org\u00e2nico, de outro no mundo inorg\u00e2nico, etc. O modo como Deus est\u00e1 em n\u00f3s, seu povo, \u00e9 diferente da forma como Ele habita nos incr\u00e9dulos. Deus est\u00e1 presente agindo soberanamente numa intermin\u00e1vel variedade de maneiras. Ele enche todo o universo, envolve com sua presen\u00e7a o c\u00e9u e o inferno.<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/p>\n<h2>Transcend\u00eancia e iman\u00eancia<\/h2>\n<p>Desta forma, afirmamos a <strong>transcend\u00eancia<\/strong> de Deus, negando com isso o pante\u00edsmo; e, tamb\u00e9m afirmamos a <strong>iman\u00eancia<\/strong> de Deus, partindo de um fato real: a Revela\u00e7\u00e3o de Deus, negando, portanto, o de\u00edsmo. A f\u00e9 crist\u00e3 sustenta a cria\u00e7\u00e3o de todas as coisas pela vontade livre, que nos \u00e9 inacess\u00edvel, e soberana de Deus e, ao mesmo tempo, a manuten\u00e7\u00e3o desta realidade por meio deste Deus pessoal e que se revela, se relacionando conosco.<\/p>\n<p>A B\u00edblia ensina estas duas verdades:<\/p>\n<p>1) O C\u00e9u e a Terra n\u00e3o podem conter Deus: 1Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48,49.<\/p>\n<p>2) Todavia, Ele sustenta os C\u00e9us e a Terra, estando <em>especial<\/em> e <em>qualitativamente<\/em> pr\u00f3ximo daqueles que sinceramente o buscam: Sl 139.7-10; Is 57.15; Jr 23.23,24; At 17.27,28. Calvino exulta: \u201cA gl\u00f3ria de nossa f\u00e9 \u00e9 que Deus, o Criador do mundo, n\u00e3o descarta nem abandona a ordem que Ele mesmo no princ\u00edpio estabelecera\u201d.<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n<p>Foi com este Deus que nossos primeiros Pais se relacionavam, mas, optaram por rejeitarem-no, justamente porque tinham a pretens\u00e3o de serem iguais a Ele.<\/p>\n<p>Quando voltamos ao livro de G\u00eanesis, vemos em Ad\u00e3o o conceito de pecado, limita\u00e7\u00e3o, transitoriedade e, paradoxalmente, o desejo de ser igual a Deus; portanto, presun\u00e7\u00e3o e arrog\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Quando contemplamos a cruz de Cristo,\u00a0 vemos o Deus encarnado, o Senhor glorioso e o Servo sofredor, onde h\u00e1 plenitude de conhecimento e de sabedoria (Cl 2.3) que ultrapassam totalmente a nossa capacidade de compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Por maravilhosa gra\u00e7a, podemos ent\u00e3o ter um verdadeiro conhecimento de Deus e da realidade. A epistemologia crist\u00e3, como qualquer outra, parte do pressuposto de que h\u00e1 um mundo real e, que este mundo \u00e9 acess\u00edvel. N\u00e3o enxergamos simplesmente miragens, antes, temos contado com a realidade que \u00e9 autoevidente. Por isso, mesmo admitindo que as percep\u00e7\u00f5es da realidade variam por quest\u00f5es intelectuais, f\u00edsicas, emocionais e circunstanciais, podemos, assim mesmo conhecer, e chegar a um grau bastante consistente de senso-comum.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que possamos esgotar o mundo real ou, que em todos os pontos do conhecimento teremos unanimidade, antes, que \u00e9 poss\u00edvel submeter o nosso conhecimento ao que \u00e9 considerado absoluto, podendo, assim, submeter as nossas compreens\u00f5es a um aperfei\u00e7oamento constante. Ali\u00e1s, h\u00e1 ci\u00eancia justamente porque pensamos haver essa possibilidade. A ci\u00eancia \u00e9 transit\u00f3ria e, justamente \u00e9 transit\u00f3ria por ser uma ci\u00eancia humana, em constru\u00e7\u00e3o e depura\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a> No entanto, talvez falte a ela a consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o. Ela pouco se conhece. Como escreveu Morin: \u201cA quest\u00e3o \u2018o que \u00e9 a ci\u00eancia?\u2019 \u00e9 a \u00fanica que ainda n\u00e3o tem nenhuma resposta cient\u00edfica\u201d.<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a> Mas, deixemos para explorar esse ponto mais \u00e0 frente.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 43.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Gordon H. Clark, <em>Em Defesa da Teologia, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2010, p. 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 53.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ronald H. Nash, <em>Cosmovis\u00f5es em Conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2012, p. 27. Na fic\u00e7\u00e3o escrita por Comenius, o peregrino s\u00f3 saiu de uma vis\u00e3o desesperadora da vida, quando Deus o atrai\u00a0 e muda os seus \u00f3culos. O anterior fora-lhe posto pelo Engano, tendo as lentes de vidro feitas pela Opini\u00e3o e a arma\u00e7\u00e3o feita de um chifre, denominado Costume. A sorte do peregrino foi que descobriu a possibilidade de enxergar por cima e por baixo das lentes, o que lhe proporcionava uma vis\u00e3o diferente. O novo \u00f3culos tinha como arma\u00e7\u00e3o a Palavra de Deus e o Esp\u00edrito como lentes. (J.A. Comenius, <em>O Labirinto do Mundo e o Para\u00edso do Cora\u00e7\u00e3o, <\/em>Bragan\u00e7a Paulista, SP.: Editora Comenius, 2010, p. 22-23; 141-142). Para um estudo mais detalhado a respeito dos nossos pressupostos e como eles influenciam a leitura da realidade, vejam-se: Hermisten M.P. Costa, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cosmovis\u00e3o Reformada: um desafio a se viver responsavelmente a f\u00e9 professada, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Editora Cruz, 2017; Hermisten M.P. Costa, <em>Ra\u00edzes da Teologia Contempor\u00e2nea, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Veja-se: Alister E. McGrath<em>, Surpreendido pelo sentido: ci\u00eancia, f\u00e9 e o sentido das coisas,<\/em> S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2015, p. 162.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Profeta Daniel: 1-6,<\/em> S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, (Dn\u00a0 3.2-7), p. 186. \u201cSatan\u00e1s labora muito mais do que imaginamos para banir de nossas mentes, por todos os meios poss\u00edveis, a f\u00e9 na s\u00e3 doutrina; e visto que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil fazer\u00a0 isso atrav\u00e9s de um franco ataque \u00e0 nossa f\u00e9, ele se arma contra n\u00f3s secretamente e pelo uso de m\u00e9todos indiretos e a fim de destruir a credibilidade de seu ensino, ele desperta suspeitas acerca da voca\u00e7\u00e3o dos santos mestres\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (2Tm 1.11), p. 210).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Herman Bavinck, <em>Filosofia da Revela\u00e7\u00e3o,<\/em> Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 129-130.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u201cO axioma ontol\u00f3gico prim\u00e1rio do crist\u00e3o \u00e9 o \u00fanico Deus vivente, e seu axioma epistemol\u00f3gico prim\u00e1rio \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o divina\u201d (Carl F.H. Henry, <em>O Resgate da F\u00e9 Crist\u00e3, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2014, p. 59). Vejam-se tamb\u00e9m: Cornelius Van Til, <em>Epistemologia Reformada<\/em>, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publica\u00e7\u00f5es, 2020, v. 1, p. 31, E-book.\u00a0 Posi\u00e7\u00e3o 456 de 715; Gordon H. Clark, <em>Em Defesa da Teologia, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2010, p. 36-39).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Veja-se: John M. Frame, <em>\u00a0A Doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 168, 175ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> \u201cA verdade das criaturas, por exemplo, seria sem sentido sem a verdade de Deus, mas a verdade de Deus n\u00e3o depende do mundo que ele criou. Ele conhece todas as coisas por si mesmo, conhecendo sua natureza e seu plano eterno, e cria a verdade sobre o mundo real por meio de suas obras de cria\u00e7\u00e3o e provid\u00eancia. Nosso conhecimento depende do dele (Sl 36.9), mas o dele n\u00e3o depende de nada, a n\u00e3o ser dele mesmo\u201d (John M. Frame, <em>\u00a0A Doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 455).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> J.I. Packer, <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e Soberania de Deus, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990, p. 20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Veja-se: Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>Santa B\u00e1rbara D\u2019Oeste, SP.: SOCEP, 2001, p. 175.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a cria\u00e7\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 607.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Francis A. Schaeffer, <em>O Deus que interv\u00e9m<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 113.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Veja-se: Hermisten M.P. Costa, <em>Princ\u00edpios b\u00edblicos de adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> \u201cA perda total de significado impl\u00edcita no ate\u00edsmo \u00e9 de mais para que muitos suportem. As pessoas precisam de alguns valores, alguns padr\u00f5es, algumas maneiras para orientar suas vidas. Entre essas pessoas, aqueles que continuam a resistir \u00e0 cren\u00e7a no verdadeiro Deus tornam-se inconsistentes quanto ao seu ate\u00edsmo, ou tornam-se id\u00f3latras. Se n\u00e3o querem o verdadeiro Deus, ter\u00e3o de procurar outro\u201d (John Frame, <em>Apolog\u00e9tica para a Gl\u00f3ria de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010. p. 150).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>John M. Frame, <em>A History of Western Philosophy and Theology<\/em>, Phillipsburg, New Jersey: P&amp;R Publishing, 2015, p. 7.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Ver: Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 181,186ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> K. Barth, <em>Church Dogmatics,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, I\/1, p. 306.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 156. \u201cO mist\u00e9rio \u00e9 a for\u00e7a vital da dogm\u00e1tica\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 29).\u00a0 \u201cA teologia crist\u00e3 sempre tem a ver com mist\u00e9rios que ela conhece e com os quais fica maravilhada, mas n\u00e3o compreende, nem sonda\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 619).\u201cQuanto mais compreendemos a verdade de Deus, mais somos chocados pelo mist\u00e9rio\u201d (Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 32). Dentro de outro tema, escreveu Packer: \u201cSeja como for, n\u00e3o devemos ficar surpresos ao encontrar mist\u00e9rios dessa esp\u00e9cie na Palavra de Deus. Pois o Criador \u00e9 incompreens\u00edvel para as suas criaturas. Um Deus que pudesse ser exaustivamente compreendido por n\u00f3s, cuja revela\u00e7\u00e3o sobre Si mesmo n\u00e3o nos apresentasse\u00a0 qualquer mist\u00e9rio, seria um Deus segundo a imagem do homem e, portanto, um Deus imagin\u00e1rio, e nunca o Deus da B\u00edblia\u201d (J.I. Packer, <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e Soberania de Deus,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990, p. 20).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Ver: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> III.21.2; III.23.8. \u00a0Na edi\u00e7\u00e3o de 1541, escrevera: \u201cE que n\u00e3o achemos ruim submeter neste ponto o nosso entendimento \u00e0 sabedoria de Deus, aos cuidados da qual Ele deixa muitos segredos. Porque \u00e9 douta ignor\u00e2ncia ignorar as coisas que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito nem poss\u00edvel saber; o desejo de sab\u00ea-las revela uma esp\u00e9cie de raiva canina\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 3 (III.8), p. 53-54). Semelhantemente, Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 647-648.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Ver: Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 157, 159ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>Cf. Cornelius Van Til, <em>Epistemologia Reformada<\/em>, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publica\u00e7\u00f5es, 2020, v. 1, p. 7, E-book.\u00a0 Posi\u00e7\u00e3o 99 de 715.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Cf. Gordon H. Clark, <em>Em Defesa da Teologia, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2010, p. 23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> \u201cAinda que o mundo inteiro fosse incr\u00e9dulo, a verdade de Deus permaneceria inabal\u00e1vel e intoc\u00e1vel\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>G\u00e1latas,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 2.2), p. 48-49).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> \u00a0Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 12.3), p. 373.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>C.S. Lewis, <em>A ess\u00eancia do Cristianismo aut\u00eantico, <\/em>S\u00e3o Paulo: Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria, (1979), p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> William Hendriksen, <em>O Evangelho de Jo\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2004, (Jo 14.9) p. 657.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 25-26. \u201cDeus se revelou mais abundantemente no nome \u2018Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo\u2019. A plenitude que, desde o princ\u00edpio, estava no nome Elohim, foi gradualmente desenvolvida e tornou-se mais plena e manifestamente expressa no nome trinit\u00e1rio de Deus\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 150).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> \u201cA principal \u00eanfase do cristianismo b\u00edblico consiste na doutrina de que um Deus infinito e pessoal \u00e9 a realidade final, o Criador de todas as outras coisas, e de que um indiv\u00edduo pode se aproximar do Deus santo com base na obra consumada de Cristo, e somente desse modo\u201d (Francis A. Schaeffer, <em>O Grande Desastre Evang\u00e9lico. <\/em>In: Francis A. Schaeffer, <em>A Igreja no S\u00e9culo 21, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 272).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Cf. Terence Fretheim, Jav\u00e9: In: Willem A. VanGemeren, org., <em>Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 4, p. 740-741; Gottfried Quell, ku\/rioj, etc.: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament<\/em>, 8. ed. Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., (reprinted) 1982, v. 3, p. 1062-1063.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>Cf. A.H. Strong, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2003, v. 1, p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 98, 110.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Veja-se: Karl Barth, <em>Esbo\u00e7o de uma Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a><strong>Pante\u00edsmo<\/strong> [\u201cPan\u201d (pa=n = tudo, todas as coisas) &amp; \u201cThe\u00f3s\u201d (qeo\/j = Deus)], \u00e9 a doutrina que ensina que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma realidade transcendente e que tudo \u00e9 imanente; por isso, Deus e o mundo formam uma unidade essencial, sendo, portanto, a mesma coisa, constituindo um todo indivis\u00edvel; por isso a nega\u00e7\u00e3o da transcend\u00eancia de Deus visto que Ele se confunde com a pr\u00f3pria mat\u00e9ria, sendo esta a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>A B\u00edblia n\u00e3o confunde Deus com a mat\u00e9ria; antes, afirma que Deus criou a mat\u00e9ria (Gn 1.1) e a sustenta com o seu poder (Cl 1.17; Hb 1.3). Esta distin\u00e7\u00e3o entre o Deus Criador e a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um ensinamento fundamental das Escrituras.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a><strong>De\u00edsmo<\/strong> \u00e9 uma denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica das doutrinas filos\u00f3fico-religiosas que surgiram em meados do s\u00e9culo XVII, as quais, contrapondo-se ao \u201cate\u00edsmo\u201d, afirmavam a exist\u00eancia de Deus; entretanto, negavam a Revela\u00e7\u00e3o Especial, os milagres e a Provid\u00eancia. Esse Deus \u00e9 concebido preliminarmente como a causa motora do universo. Uma das ideias predominantes, era a de que um Deus transcendente criou o mundo dotando-o de leis pr\u00f3prias e retirou-se para o seu \u00f3cio celestial, deixando o mundo trabalhar conforme as leis predeterminadas. Uma figura comum ao de\u00edsmo do s\u00e9culo XVIII era a do rel\u00f3gio de precis\u00e3o que seria o equivalente ao universo que trabalha sozinho depois de se lhe dar corda. Neste caso, Deus seria uma esp\u00e9cie de relojoeiro distante, apenas observando a sua cria\u00e7\u00e3o sem \u201cintervir\u201d em suas quest\u00f5es cotidianas. A conclus\u00e3o chegada pelos de\u00edstas \u00e9 a que as leis que regem o universo s\u00e3o imut\u00e1veis. O de\u00edsmo consequentemente atribui \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o a capacidade de se sustentar e se governar por si mesma. Temos aqui um naturalismo aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p>Desta forma, Deus \u00e9 um propriet\u00e1rio ausente, que n\u00e3o age diretamente sobre a Cria\u00e7\u00e3o; a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o existente entre o Criador e a Cria\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se por meio de suas leis deixadas, as quais regem o universo de forma determinista. Deus seria regente do universo \u201capenas de nome\u201d. O de\u00edsmo n\u00e3o deixa de ser um ate\u00edsmo pr\u00e1tico visto que Deus n\u00e3o \u00e9 considerado de forma concreta na vida de seus adeptos. Deus sai do cen\u00e1rio real e concreto, mas, o destino e o acaso terminam por ser entronizados. (Para maiores detalhes sobre o pante\u00edsmo e o de\u00edsmo, vejam-se: Hermisten M.P. Costa, <em>O homem no teatro de Deus: provid\u00eancia, tempo, hist\u00f3ria e circunst\u00e2ncia, <\/em>Eus\u00e9bio, CE.: Peregrino, 2019, p. 96-101).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 580.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Vejam-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.16.3; Edward Leigh, <em>A Treatise of Divinity,\u00a0 <\/em>London: Printed by E. Griffin for W. Lee, 1646, Cap. 4, p. 39; Stephen Charnock, <em>The Existence and Attributes of God<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Two volumes in one), 1996 (Reprinted), v. 1, p. 370.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 11.4-5), p. 241.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Gene Edward Veith, Jr., <em>De todo o teu entendimento<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, p. 57. Vejam-se tamb\u00e9m: K.R. Popper, <em>A L\u00f3gica da Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 44), 1975, \u00a7 85. p. 383, 384; Karl R. Popper, <em>O realismo e o objectivo da ci\u00eancia,<\/em> (P\u00f3s-Escrito \u00e0 L\u00f3gica da Descoberta Cient\u00edfica, v. 1), Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1987, * 27, p. 234-235; Jean Piaget, <em>A Epistemologia Gen\u00e9tica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 51), 1975, p. 129-130).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a>Edgar Morin, Ci\u00eancia com consci\u00eancia, 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 21.\u00a0 \u00c0 frente: \u201cA quest\u00e3o \u2018o que \u00e9 ci\u00eancia?\u2019 n\u00e3o tem resposta cient\u00edfica. A \u00faltima descoberta da epistemologia anglo-sax\u00f4nica afirma ser cient\u00edfico aquilo que \u00e9 reconhecido como tal pela maioria dos cientistas. Isso quer dizer que n\u00e3o existe nenhum m\u00e9todo objetivo para considerar ci\u00eancia objeto de ci\u00eancia, e o cientista, sujeito\u201d (Edgar Morin, <em>Ci\u00eancia com consci\u00eancia,<\/em> p. 119). \u201cA ci\u00eancia n\u00e3o controla sua pr\u00f3pria estrutura de pensamento. O conhecimento cient\u00edfico \u00e9 um conhecimento que n\u00e3o se conhece. Essa ci\u00eancia que desenvolveu metodologias t\u00e3o surpreendentes e h\u00e1beis para apreender todos os objetos a ela externos, n\u00e3o disp\u00f5e de nenhum m\u00e9todo para se conhecer e se pensar\u201d\u00a0 (Edgar Morin, <em>Ci\u00eancia com consci\u00eancia, <\/em>p. 20).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guiar-se por especula\u00e7\u00f5es significa desejar ir al\u00e9m do que Deus revelou e, ao mesmo tempo, perder-se em hip\u00f3teses e teorias fr\u00edvolas j\u00e1 que pretendem \u201cdecifrar\u201d o que Deus s\u00e1bia e soberanamente n\u00e3o nos quis dar a 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