{"id":57789,"date":"2021-03-31T17:00:36","date_gmt":"2021-03-31T20:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=57789"},"modified":"2021-03-31T10:07:44","modified_gmt":"2021-03-31T13:07:44","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-23","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2021\/03\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-23\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 23)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]Partindo-se do princ\u00edpio de que a revela\u00e7\u00e3o de Deus tem por objetivo mostrar o seu Autor: Deus \u00e9 o substantivo da sua revela\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o teria nenhum valor a revela\u00e7\u00e3o objetiva de Deus, se n\u00e3o houvesse, concomitantemente, uma potencialidade de recep\u00e7\u00e3o subjetiva para ela, porque, assim, seria uma revela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se descobriria, n\u00e3o se tornaria acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Seria o equivalente a um int\u00e9rprete verter para o ingl\u00eas as palavras de um orador alem\u00e3o para um audit\u00f3rio que s\u00f3 entende o portugu\u00eas. Perguntar\u00edamos: o int\u00e9rprete traduziu o que o orador disse? Responderia o interlocutor: sim. Voltar\u00edamos \u00e0 quest\u00e3o: ent\u00e3o ele revelou o conte\u00fado da mensagem?! A resposta seria \u00f3bvia: n\u00e3o. Ele traduziu, mas ningu\u00e9m o entendeu, pois o seu idioma n\u00e3o \u00e9 o nosso nem temos condi\u00e7\u00f5es de aprend\u00ea-lo agora.<\/p>\n<h2>Categorias compat\u00edveis: senso religioso e acomoda\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Deus se revela de modo que possa ser entendido. Ele mesmo criou o homem e o dotou dessa potencialidade. A nossa mente, na condi\u00e7\u00e3o de criatura, se conforma \u00e0 racionalidade de Deus.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><b>[1]<\/b><\/a> Ali\u00e1s, a pressuposi\u00e7\u00e3o dessa capacidade de compreens\u00e3o do mundo \u00e9 que torna a ci\u00eancia poss\u00edvel. Entretanto, a n\u00e3o compreens\u00e3o do homem n\u00e3o inutiliza o valor da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Ela \u00e9 o que \u00e9 independentemente da apreens\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Esta revela\u00e7\u00e3o encontra eco em n\u00f3s pelo fato de Deus o fazer em categorias compreens\u00edveis \u00e0 nossa mente<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><b>[2]<\/b><\/a> \u2013 conforme Ele a criou \u2013 j\u00e1 que o Senhor se \u201c<em>acomoda<\/em>\u201d \u00e0 nossa compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>A despeito do pecado, continuamos sendo a imagem de Deus, carregando conosco o senso do divino, sendo, portanto, incuravelmente religioso.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><b>[3]<\/b><\/a> Al\u00e9m disso, temos o seu Esp\u00edrito que nos ilumina<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><b>[4]<\/b><\/a> para podermos ter uma compreens\u00e3o verdadeira das Escrituras.<\/p>\n<h2>Conhecimento libertador<\/h2>\n<p>Conhecer a Deus em sua soberania, portanto, \u00e9 um dom da gra\u00e7a do soberano Deus. Podemos descansar na certeza gloriosa de saber que podemos conhec\u00ea-lo, ainda que limitadamente, por\u00e9m, de modo verdadeiro, suficiente e claro.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><b>[5]<\/b><\/a> Este conhecimento, por sua vez, nos liberta para que possamos conhecer genuinamente a n\u00f3s mesmos e as demais coisas da realidade,<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><b>[6]<\/b><\/a> possibilitando-nos ter uma dimens\u00e3o adequada de todas as coisas.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><b>[7]<\/b><\/a> Conhecer a Deus confere sentido \u00e0 vida em toda a sua amplitude e esferas, no \u00e2mbito temporal e eterno.<\/p>\n<p>Portanto, o conhecimento de Deus capacita-nos enxergar a realidade em suas m\u00faltiplas facetas com os seus valores pr\u00f3prios conferidos pelo pr\u00f3prio Deus que a sustenta. A verdade nos liberta (Jo 8.32).<\/p>\n<p>O conhecimento que Deus deseja que tenhamos dele est\u00e1 revelado nas Escrituras. Originalmente, Deus se revelou na Cria\u00e7\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de revela\u00e7\u00e3o: no \u00c9den s\u00f3 havia um livro &#8211; o livro da Natureza. Todavia, com o pecado, a Natureza tamb\u00e9m sofreu as consequ\u00eancias. Ficou obscurecida. Perdeu parte da sua eloqu\u00eancia primeva em apontar para o seu Criador (Gn 3.17-19).<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><b>[8]<\/b><\/a> E como parte do castigo pelo pecado, o homem perdeu o discernimento espiritual para ver a gl\u00f3ria de Deus manifesta na Cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1; Rm 1.18-23).<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o Geral que fora adequada para as necessidades do homem no \u00c9den \u2013 embora saibamos que ali tamb\u00e9m se deu a revela\u00e7\u00e3o Especial (Gn 2.15-17,19,22; 3.8ss.) \u2013 tornou-se, agora, incompleta e ineficiente<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><b>[9]<\/b><\/a> para conduzi-lo a um relacionamento pessoal e consciente com Deus.<\/p>\n<p>A B\u00edblia ou revela\u00e7\u00e3o Especial tornou-se necess\u00e1ria por causa do pecado. Por meio da Hist\u00f3ria, Deus separou e preparou homens para que registrassem de forma exata e infal\u00edvel os seus des\u00edgnios, sendo a Palavra de Deus escrita, dentre outras coisas, \u201co corretivo \u00e0s ideias disformes que pode dar-nos a natureza em seu estado ca\u00eddo\u201d.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><b>[10]<\/b><\/a> Por isso, s\u00f3 se considera adequada a revela\u00e7\u00e3o de Deus contida na B\u00edblia. Somente por meio das Escrituras, o homem pode ter um conhecimento de Deus livre de supersti\u00e7\u00f5es.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><b>[11]<\/b><\/a><\/p>\n<p>A B\u00edblia, como Palavra inspirada e inerrante de Deus, d\u00e1 ao homem a resposta adequada \u00e0s necessidades espirituais de que tanto carece, e aponta para Jesus Cristo (Jo 5.39) e para o poder de Deus. Nas Escrituras, encontramos a esperan\u00e7a da vida preparada, realizada e consumada pelo Deus Tri\u00fano (Rm 15.4; 1Jo 5.13).<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o de Deus gera em n\u00f3s dois sentimentos: <strong>humildade<\/strong> e <strong>alegria<\/strong>. Humildade por sabermos que tudo o que temos e sabemos prov\u00e9m de Deus (Jo 15.5; 1Co 4.7; 2Co 3.5). Alegria, por ter acesso \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de Deus que \u00e9 a verdade. Tais sentimentos, acompanhados do estudo da Palavra, devem conduzir-nos \u00e0 adora\u00e7\u00e3o (Mt 4.10; Hb 13.15; 1Pe 2.9). A B\u00edblia foi-nos confiada a fim de que, mediante a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, sejamos conduzidos a Jesus Cristo (Jo 5.39\/Lc 24.27,44), sendo ele mesmo quem nos leva ao Pai (Jo 14.6-15; 1Tm 2.5; 1Pe 3.18) e nos d\u00e1 vida abundante (Jo 10.10; Cl 3.4).<\/p>\n<p>A B\u00edblia foi registrada para que cumpramos os seus preceitos, dados pelo pr\u00f3prio Deus (Dt 29.29; Js 1.8; 2Tm 3.15, 16; Tg 1.22). Ela foi-nos concedida para que conhe\u00e7amos o seu Autor e, conhecendo-o, o adoremos e, adorando-o, mais o conhe\u00e7amos (Os 6.3; 2Pe 3.18).<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><b>[12]<\/b><\/a> Por isso, \u201cao estudarmos Deus, devemos procurar ser conduzidos a ele. A revela\u00e7\u00e3o nos foi dada com esse prop\u00f3sito e devemos us\u00e1-la com essa finalidade\u201d, conclui Packer (1926-2020).<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><b>[13]<\/b><\/a><\/p>\n<p>A Igreja como resultado da a\u00e7\u00e3o de Deus, por meio da Palavra, manifesta tais comportamentos, tendo ci\u00eancia de que a medita\u00e7\u00e3o que faz na Palavra, guiada pelo Esp\u00edrito, \u00e9 uma tentativa de interpret\u00e1-la, a fim de proclamar e ensinar numa linguagem humana<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><b>[14]<\/b><\/a> a verdade que ela tem recebido pela gra\u00e7a de Deus. \u201cA verdade \u00e9 id\u00eantica \u00e0 gra\u00e7a\u201d (Jo 1.17).<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><b>[15]<\/b><\/a><\/p>\n<p>A Teologia Reformada, recebendo a B\u00edblia como de fato \u00e9 \u2013 a inerrante e aut\u00eantica Palavra de Deus \u2013, reconhece ser ela a causa eficiente e instrumental da Teologia, sendo Deus o seu autor, a causa final.<\/p>\n<p>A Teologia busca sempre a gl\u00f3ria de Deus, como objetivo m\u00e1ximo e final. Este objetivo \u00e9 alcan\u00e7ado sempre em sua fidelidade \u00e0 revela\u00e7\u00e3o. Portanto, embora admitindo a infalibilidade da revela\u00e7\u00e3o Geral, s\u00f3 consideramos a Revela\u00e7\u00e3o Especial como fonte da Teologia. Desta forma, a tentativa de reconhecer a revela\u00e7\u00e3o Geral como fonte secund\u00e1ria da Teologia, est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Para que isto aconte\u00e7a, ter\u00edamos de interpret\u00e1-la \u00e0 luz das Escrituras e, podemos observar tamb\u00e9m, que, qualquer tentativa de se criar uma fonte secund\u00e1ria, ou terci\u00e1ria de teologia (Os Catecismos, por exemplo), implica em admitir que a B\u00edblia precisa de um complemento, logo, ela \u00e9 incompleta, ou insuficiente.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 demonstramos biblicamente, cremos que a revela\u00e7\u00e3o Geral tem o seu valor ilustrativo, contudo ela em nada acrescenta \u00e0 revela\u00e7\u00e3o Especial e, aquela, s\u00f3 pode ser entendida corretamente, por aquele que mediante a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo entende a revela\u00e7\u00e3o Especial. Para este homem, a revela\u00e7\u00e3o Geral se constitui numa \u201crepublica\u00e7\u00e3o\u201d, ainda que n\u00e3o cronol\u00f3gica, das verdades contidas nas Escrituras. Contudo, esta \u201crepublica\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 complementar, nem transforma vida. E, o que a Natureza trata de forma estrita e apenas indicativa, a Escritura fala de forma ampla e demonstrativa.<\/p>\n<p>Por outro lado, como vimos, Kuyper (1837-1920),<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><b>[16]<\/b><\/a> nos chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que n\u00e3o devemos considerar a revela\u00e7\u00e3o Especial ou a Escritura como fonte da Teologia (\u201cfons theologiae\u201d), tendo em vista que o termo \u201cfonte\u201d no estudo cient\u00edfico tem um significado muito definido. Em geral, denota uma \u00e1rea de estudo onde o homem, enquanto agente ativo, faz uma triagem para a sua pesquisa, como na Bot\u00e2nica, Zoologia e Hist\u00f3ria. Neste caso, o objeto de estudo \u00e9 passivo. O homem \u00e9 quem \u00e9 ativo, e debru\u00e7a-se sobre o fen\u00f4meno para extrair do objeto o conhecimento desejado.<\/p>\n<p>Assim sendo, usando o termo neste sentido, tem-se a impress\u00e3o, de que o homem como agente ativo, pode se colocar sobre as Escrituras, para descobrir ou tirar dela o conhecimento de Deus, que ali est\u00e1 passivamente esperando o seu descobridor&#8230; Sabemos que isto n\u00e3o \u00e9 verdade! Deus se revela ao homem e mais uma vez, ativamente fornece os meios para a compreens\u00e3o desta revela\u00e7\u00e3o: o Esp\u00edrito Santo. A Teologia, como vimos, \u00e9 sempre o efeito da a\u00e7\u00e3o reveladora, inspiradora e iluminadora de Deus por meio do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Os que est\u00e3o em Cristo, t\u00eam o seu Esp\u00edrito que nos ilumina<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><b>[17]<\/b><\/a> para podermos ter uma compreens\u00e3o verdadeira das Escrituras. O pecado, ainda que tenha destru\u00eddo a nossa percep\u00e7\u00e3o espiritual, n\u00f3s a reencontramos em Cristo, como sempre, por pura gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Bavinck sintetiza:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Todos os povos ou puxam Deus panteisticamente para baixo, na dire\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 criado, ou o elevam deisticamente, colocando-o infinitamente acima da criatura. Em nenhum dos casos se chega a uma verdadeira comunh\u00e3o, a uma alian\u00e7a, a uma religi\u00e3o genu\u00edna. No entanto, a Escritura insiste em ambos: Deus \u00e9 infinitamente grande e condescendentemente bom; Ele \u00e9 soberano, mas tamb\u00e9m \u00e9 Pai; Ele \u00e9 Criador, mas tamb\u00e9m \u00e9 Prot\u00f3tipo. Em uma palavra, Ele \u00e9 o Deus da alian\u00e7a.<a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><b>[18]<\/b><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O conhecimento humano consiste sempre em uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre sujeito e objeto, visto que o sujeito s\u00f3 \u00e9 sujeito para o objeto e, por sua vez, o objeto s\u00f3 o \u00e9 para um sujeito, assim, a revela\u00e7\u00e3o objetiva reclama algu\u00e9m e, este algu\u00e9m (objeto) s\u00f3 o \u00e9, enquanto recebe de forma adequada a revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o, como parte da cria\u00e7\u00e3o divina, \u00e9 o instrumento de que dispomos, pela gra\u00e7a de Deus, para descobrir a sabedoria divina no mundo que nos rodeia e, portanto, \u00e9 o <em>principium cognoscendi<\/em> <em>internum<\/em> da ci\u00eancia. Entendemos que o conhecimento tamb\u00e9m se d\u00e1 pela experi\u00eancia, contudo cremos que o esp\u00edrito humano traz consigo certas categorias que lhe s\u00e3o inerentes as quais n\u00e3o podem ser apreendidas pela experi\u00eancia. A experi\u00eancia pode ser a fonte de quase todo o conhecimento, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente do conhecimento todo.<\/p>\n<p>Concluindo este t\u00f3pico, reafirmamos que: Deus criou o homem \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a (Gn 1.27), dotando-o de capacidade para receber e interpretar as impress\u00f5es da sua revela\u00e7\u00e3o que s\u00e3o demonstradas por meio do universo, da sua Cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1; At 14.17). Toda a Cria\u00e7\u00e3o de Deus foi realizada de forma s\u00e1bia e soberana (Sl 115.3; Pv 3.19: Ef 1.11).<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><b>[1]<\/b><\/a> Vejam-se: Alvin Plantinga, <em>Ci\u00eancia, Religi\u00e3o e Naturalismo: onde est\u00e1 o conflito? <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2018, p. 240; Vern S. Poythress, <em>Redimindo a ci\u00eancia: uma abordagem teoc\u00eantrica<\/em> Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 258.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><b>[2]<\/b><\/a> \u201cAs tentativas de explicar a origem e a ess\u00eancia da religi\u00e3o sem fazer refer\u00eancia a Deus e sua revela\u00e7\u00e3o cognosc\u00edvel est\u00e3o fadadas ao fracasso\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 302).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><b>[3]<\/b><\/a>\u201cAssim como n\u00e3o se pode encontrar homem algum, por mais b\u00e1rbaro e mesmo selvagem que possa ser, que n\u00e3o seja tocado por alguma ideia de religi\u00e3o, \u00e9 certo que todos somos criados a fim de conhecer a majestade de nosso Criador, e tendo-a conhecido, estim\u00e1-la acima de todas as coisas e honr\u00e1-la com todo temor, amor e rever\u00eancia\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Instru\u00e7\u00e3o na F\u00e9 <\/em>Goi\u00e2nia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 1, p. 11). \u201cOs pr\u00f3prios \u00edmpios s\u00e3o para exemplo de que vige sempre na alma de todos os homens alguma no\u00e7\u00e3o de Deus\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.3.2). Vejam-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.6), p. 305; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.5), p. 167.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><b>[4]<\/b><\/a> \u201cAs mentes humanas s\u00e3o cegas a essa luz da natureza, a qual resplandece em todas as coisas criadas, at\u00e9 que sejam iluminadas pelo Esp\u00edrito de Deus e comecem a compreender, pela f\u00e9, que jamais poder\u00e3o entend\u00ea-lo de outra forma\u201d (Jo\u00e3o Calvino<em>, Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 299). Vejam-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 3, (III.7), p. 10-11; Jo\u00e3o Calvino, <em>As<\/em> <em>Institutas<\/em>, I.9.3; II.2.19; III.2.33; III.21.3; III.24.2; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 40.8), p. 229; Jo\u00e3o Calvino, <em>Salmos, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2009, v. 4, (Sl 119.18), p. 184; John Calvin, <em>Commentary on the Book of the Prophet Isaiah,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin&#8217;s\u00a0 Commentaries), 1996, v. 8\/4, (Is 59.21), p. 271; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 2, (Jo 14.25), p. 109; Jo\u00e3o\u00a0 Calvino, <strong>\u00a0<\/strong><em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 10.16), p, 374;\u00a0 Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 2.11), p. 88-89; (1Co 2.14), p. 93; Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 154; Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 6.4), p. 152,154; Abraham Kuyper, <em>A Obra do Esp\u00edrito Santo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 113; D.M. Lloyd-Jones, <em>O Supremo Prop\u00f3sito de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1996, p. 230.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><b>[5]<\/b><\/a> \u201c\u00c9 claro que todo o nosso conhecimento de Deus \u00e9 ect\u00edpico ou derivado da Escritura. Somente o autoconhecimento de Deus \u00e9 adequado, n\u00e3o-derivado ou arquet\u00edpico. Apesar disso, nosso conhecimento finito, inadequado, ainda \u00e9 verdadeiro, puro e suficiente\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada; : Deus e a cria\u00e7\u00e3o, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo, Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 97). \u201cEmbora n\u00e3o conhe\u00e7amos nada exatamente como Deus conhece, o verdadeiro conhecimento humano n\u00e3o contradiz o conhecimento divino, mas depende dele\u201d (Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 59).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><b>[6]<\/b><\/a> Veja-se: Hermisten M.P. Costa, <em>A Soberania de Deus e a responsabilidade humana, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Editora Cruz, 2016.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><b>[7]<\/b><\/a> \u201cSomente o crente \u00e9 que pode realmente ver na cria\u00e7\u00e3o a m\u00e3o de Deus, e lhe rende seus louvores pelas maravilhas de suas obras\u201d (Allan Harman, <em>Coment\u00e1rio do Antigo Testamento \u2012 Salmos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, (Sl 19.1), p. 122).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><b>[8]<\/b><\/a>Groningen acentua: \u201cO Senhor soberano julgou necess\u00e1rio revelar explicitamente a natureza de sua rela\u00e7\u00e3o pactual com a humanidade. Ele fez isto antes do homem cair em pecado. Depois da queda, isto se tornou ainda mais necess\u00e1rio devido aos efeitos do pecado\u201d (Gerard Van Groningen, <em>Revela\u00e7\u00e3o Messi\u00e2nica no Velho Testamento<\/em>, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1995, p. 63).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><b>[9]<\/b><\/a> Vejam-se: B.B. Warfield, Revelation and Inspiration: In: <em>The Works of Benjamin B. Warfield,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981, p. 7ss.; Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 312ss.; William G.T. Shedd, <em>Dogmatic Theology,<\/em> Grand Rapids, MI.: Zondervan, (s.d.), v. 1, p. 66ss.). A revela\u00e7\u00e3o Geral \u00e9 \u201ct\u00eanue e obscura para a humanidade pecadora, e mesmo para a humanidade redimida\u201d (Gerard Van Groningen, <em>Revela\u00e7\u00e3o Messi\u00e2nica no Velho Testamento<\/em>, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1995, p. 64).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><b>[10]<\/b><\/a> H.H. Meeter, <em>La Iglesia y El Estado,<\/em> p. 28.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><b>[11]<\/b><\/a>Vejam-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.6.4; Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> (1Tm 3.15), p. 98 e <em>Confiss\u00e3o de Westminster,<\/em> I.1.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><b>[12]<\/b><\/a>Vejam-se: \u00a0J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.5.10; J.I. Packer, <em>O Conhecimento de Deus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 1980, p. 26-35.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><b>[13]<\/b><\/a>J.I. Packer, <em>O Conhecimento de Deus,<\/em> p. 15. Veja-se: Gerard Van Groningen, <em>Revela\u00e7\u00e3o Messi\u00e2nica no Velho Testamento,<\/em>Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1995, p. 63-64.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><b>[14]<\/b><\/a> Veja-se: Emil Brunner, <em>Revelation and Reason,<\/em> Philadelphia: The Westminster Press, 1946, p. 3.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><b>[15]<\/b><\/a> Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica, <\/em>v. 1, p. 167.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><b>[16]<\/b><\/a> Abraham Kuyper, <em>Principles of Sacred Theology,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1980 (reprinted), \u00a7 56, p. 341ss.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><b>[17]<\/b><\/a>Vejam-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 3, (III.7), p. 10-11; Jo\u00e3o Calvino, <em>As<\/em> <em>Institutas<\/em>, I.9.3; II.2.19; III.2.33; III.21.3; III.24.2; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 40.8), p. 229; Jo\u00e3o Calvino, <em>Salmos, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2009, v. 4, (Sl 119.18), p. 184; John Calvin, <em>Commentary on the Book of the Prophet Isaiah,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin&#8217;s\u00a0 Commentaries), 1996, v. VIII\/4, (Is 59.21), p. 271; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 2, (Jo 14.25), p. 109; Jo\u00e3o\u00a0 Calvino, <strong>\u00a0<\/strong><em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 10.16), p, 374;\u00a0 Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 2.11), p. 88-89; (1Co 2.14), p. 93; Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 154; Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 6.4), p. 152,154; Abraham Kuyper, <em>A Obra do Esp\u00edrito Santo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 113; D.M. Lloyd-Jones, <em>O Supremo Prop\u00f3sito de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1996, p. 230.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E5AECABD-9924-48C2-A516-AAA5038E91B5#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><b>[18]<\/b><\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 580.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A raz\u00e3o, como parte da cria\u00e7\u00e3o divina, \u00e9 o instrumento de que dispomos, pela gra\u00e7a de Deus, para descobrir a sabedoria divina no mundo que nos rodeia e, portanto, \u00e9 o principium cognoscendi internum da ci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":57791,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"A raz\u00e3o, como parte 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