{"id":58684,"date":"2021-06-09T11:00:06","date_gmt":"2021-06-09T14:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=58684"},"modified":"2021-06-07T16:46:56","modified_gmt":"2021-06-07T19:46:56","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2021\/06\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-25\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 25)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]Conforme j\u00e1 vimos, Plat\u00e3o (427-347 a.C.) e S\u00f3crates (469-399 a.C.) contrastam a Filosofi\/a com a Sofi\/a: Esta que \u00e9 a sabedoria perfeita, pertence somente a Deus. Os homens s\u00e3o apenas filo\/sofoj, amantes da sabedoria.<\/p>\n<p>Paulo suplica a Deus que conceda aos ef\u00e9sios Esp\u00edrito de sabedoria: <em>\u201cPara que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da gl\u00f3ria, vos conceda esp\u00edrito de <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>e de <u>revela\u00e7\u00e3o<\/u> <\/em>(a)poka\/luyij) <em>no <u>pleno conhecimento<\/u> <\/em>(e)pi\/gnwsij) <em>dele\u201d<\/em> (Ef 1.17).<\/p>\n<p>Paulo ora para que o Deus Pai, pelo Esp\u00edrito que j\u00e1 nos selou, e o temos como penhor de nossa salva\u00e7\u00e3o (Ef 1.13-14), aja em n\u00f3s poderosamente, nos concedendo sabedoria espiritual para podermos conhecer mais a Deus em nossa caminhada na vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>Estudemos um pouco mais sobre o conceito de sabedoria nas Escrituras.<\/p>\n<p>Devemos primeiramente entender que a sabedoria pertence a Deus. Ela \u00e9 um dos <em>Atributos de Deus<\/em>. Todo conhecimento e toda sabedoria fazem parte da natureza essencial de Deus e se revelam em seus atos, na Cria\u00e7\u00e3o e em sua Palavra.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> A <em>digital <\/em>de Deus est\u00e1 em toda parte. A Cria\u00e7\u00e3o, a despeito da corrup\u00e7\u00e3o do pecado, testemunha a respeito de sua natureza e poder (Sl 8.1-9; 19.1-6).<\/p>\n<p>As obras de Deus s\u00e3o admir\u00e1veis revelando aspectos de sua maravilhosa grandeza: <em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 entre os deuses semelhante a ti, Senhor; e nada existe que se compare \u00e0s tuas <u>obras<\/u> <\/em>(hf,[]m) (ma`aseh)<em>\u201d<\/em> (Sl 86.8). <em>\u201cGra\u00e7as te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh) <em>s\u00e3o admir\u00e1veis, e a minha alma o sabe muito bem\u201d<\/em> (Sl 139.14).<\/p>\n<p>O contemplar as obras de Deus proporciona a n\u00f3s um deleite espiritual e uma adora\u00e7\u00e3o sincera:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Grandes s\u00e3o as <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh) <em>do Senhor, consideradas por todos os que nelas se comprazem<\/em> (Sl 111.2).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><sup>4<\/sup><\/em><em> Pois me alegraste, Senhor, com os teus feitos; exultarei nas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh) <em>das tuas m\u00e3os. <sup>5<\/sup> Qu\u00e3o grandes, Senhor, s\u00e3o as tuas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh)<em>! Os teus pensamentos, que profundos!<\/em> (Sl 92.4-5).<\/p>\n<p>Na contempla\u00e7\u00e3o meditativa da Cria\u00e7\u00e3o, podemos perceber aspectos da bondade de Deus que nos aliviam em nossas dores e limita\u00e7\u00f5es, nos concedendo a vis\u00e3o da harmoniosa variedade e beleza daquilo que criou. Nesta vis\u00e3o, somos conduzidos a nos admirar e a glorificar a Deus por sua manifesta\u00e7\u00e3o de sabedoria, bondade e gra\u00e7a para conosco.<\/p>\n<p>O salmista demonstra isso:<\/p>\n<p><em>Que variedade, Senhor, nas tuas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh)<em>! Todas com sabedoria as fizeste; cheia est\u00e1 a terra das tuas riquezas<\/em> (Sl 104.24).<\/p>\n<p><em>O Senhor \u00e9 bom para todos, e as suas ternas miseric\u00f3rdias permeiam todas as suas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh) (Sl 145.9).<\/p>\n<p><em>Justo \u00e9 o Senhor em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas <u>obras<\/u><\/em> (hf,[]m) (ma`aseh) (Sl 145.17).<\/p>\n<p>Sempre \u00e9 bom reafirmar que a Revela\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o \u00e9 uma n\u00e3o-revela\u00e7\u00e3o, um despiste, disfarce ou mesmo, algo inconsistente com Ele. Deus d\u00e1 um testemunho id\u00f4neo de si mesmo. Somente Deus pode faz\u00ea-lo de forma perfeita, completa e compreens\u00edvel \u00e0s suas criaturas.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>O Deus que revela \u00e9 o conte\u00fado da revela\u00e7\u00e3o. O Revelador \u00e9 o Revelado. Deus se revela tal qual \u00e9, contudo, de forma que possamos entender. Deus \u00e9 s\u00e1bio em si mesmo, expressando isso em seus atos, Palavra e obras. \u201cToda a cria\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que a cortina vis\u00edvel por detr\u00e1s da qual irradia a opera\u00e7\u00e3o excelsa desse pensamento divino\u201d, resume Kuyper (1837-1920).<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Paulo, de forma doxol\u00f3gica, conclui a carta aos Romanos: <em>\u201cAo Deus \u00fanico e <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofo\/j) <em>seja dada gl\u00f3ria, por meio de Jesus Cristo, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Am\u00e9m!\u201d <\/em>(Rm 16.27).<\/p>\n<p>Notemos que esta gl\u00f3ria atribu\u00edda a Deus deve ser dada por meio de Jesus Cristo, seu Filho amado, o \u00fanico mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5), por meio de quem a sabedoria de Deus se manifestou de forma encarnada.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que o culto que prestamos a Deus \u00e9 por meio dos m\u00e9ritos de Cristo. Todo o nosso relacionamento com o Pai s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio de Jesus Cristo. Ele \u00e9 o caminho de todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os, sendo Ele mesmo a maior de todas (Rm 8.32).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 assim que Paulo escrevera aos Ef\u00e9sios:<\/p>\n<p><em><sup>6<\/sup><\/em><em> para louvor da gl\u00f3ria de sua gra\u00e7a, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, <sup>7<\/sup> no qual temos a reden\u00e7\u00e3o, pelo seu sangue, a remiss\u00e3o dos pecados, segundo a riqueza da sua gra\u00e7a, <sup>8<\/sup> que Deus derramou abundantemente sobre n\u00f3s em toda a <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>e <u>prud\u00eancia<\/u> <\/em>(fro\/nhsij = intelig\u00eancia, bom senso, discernimento). (Ef 1.6-8).<\/p>\n<p>Da mesma forma aos Colossenses:<\/p>\n<p><em><sup>1<\/sup><\/em><em>Gostaria, pois, que soub\u00e9sseis qu\u00e3o grande luta venho mantendo por v\u00f3s, pelos laodicenses e por quantos n\u00e3o me viram face a face; <sup>2<\/sup> para que o cora\u00e7\u00e3o deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convic\u00e7\u00e3o do entendimento, para compreenderem plenamente o mist\u00e9rio de Deus, Cristo, <sup>3<\/sup> em quem todos os tesouros da <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em> e do <u>conhecimento<\/u> <\/em>(gnw=sij)<em> est\u00e3o ocultos <\/em>(Cl 2.1-3).<\/p>\n<p>Charnock (1628-1680) se vale de um argumento pertinente, demonstrando como a sabedoria de Deus, que rica em si mesma, se revelou tamb\u00e9m na maneira como escolheu seus servos \u2013 homens modestos \u2013, e os inspirou para registrarem o que Ele desejava que fosse preservado dessa forma:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A sabedoria de Deus \u00e9 vista nos instrumentos que ele empregou na publica\u00e7\u00e3o do Evangelho. Ele n\u00e3o empregou fil\u00f3sofos, mas pescadores; n\u00e3o usava artes conhecidas, mas infundia sabedoria e coragem. Esse tesouro foi colocado e preservado em vasos de barro, para que a sabedoria, bem como o poder de Deus, fossem magnificados. Quanto mais fracos s\u00e3o os meios que alcan\u00e7am o fim, maior \u00e9 a habilidade de seu condutor. Pr\u00edncipes s\u00e1bios escolhem homens de maior cr\u00e9dito, interessantes, sabedoria e habilidade para serem ministros de seus neg\u00f3cios e embaixadores de outros. Mas o que foram estes que Deus escolheu para uma obra t\u00e3o grande, como publicar uma nova doutrina para o mundo? Qual era sua qualidade sen\u00e3o dizer, qual era sua autoridade sem interesse? Qual era a sua habilidade, sem partes eminentes para uma obra t\u00e3o grande, mas que gra\u00e7a Divina de maneira especial os dotou? N\u00e3o, qual era sua disposi\u00e7\u00e3o para isso? t\u00e3o enfadonho e pesado.(&#8230;) O nada e a fraqueza dos instrumentos manifestam que s\u00e3o conduzidos por um poder divino, e declaram que\u00a0 pr\u00f3pria doutrina vem do c\u00e9u. Quando vemos tais instrumentos fracos proclamando uma doutrina repugnante \u00e0 carne e ao sangue, fazendo soar um Cristo crucificado em que se cr\u00ea e em quem se confia, e declamando contra a religi\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o sob as quais o Imp\u00e9rio Romano h\u00e1 muito floresceu; exortando-os ao desprezo do mundo, preparando para as afli\u00e7\u00f5es, negando-se a si mesmos e \u00e0s suas pr\u00f3prias honras, pela esperan\u00e7a de uma recompensa invis\u00edvel, coisas t\u00e3o repugnantes \u00e0 carne e ao sangue; e esses instrumentos concorrendo na mesma hist\u00f3ria, com uma harmonia admir\u00e1vel em todas as partes, e selando esta doutrina com seu sangue; podemos, com base em tudo isso, atribuir esta doutrina a um artif\u00edcio humano, ou consagrar qualquer autor inferior a ela do que a sabedoria do c\u00e9u? \u00c9 a sabedoria de Deus que executa seus pr\u00f3prios des\u00edgnios nos m\u00e9todos mais adequados \u00e0 sua pr\u00f3pria grandeza, e diferentes dos costumes e modos dos homens, que menos da humanidade e mais da divindade possam aparecer.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>A nulidade e loucura da sabedoria humana nas quest\u00f5es espirituais<\/h2>\n<p>Milosz (1911-2004), escritor russo, ganhador do Pr\u00eamio Nobel de Literatura (1980), escreveu de forma provocante:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Religi\u00e3o, \u00f3pio do povo! Para aqueles que sofrem de dor, humilha\u00e7\u00e3o, doen\u00e7a e servid\u00e3o, prometeu uma recompensa na vida ap\u00f3s a morte. E agora estamos passando por uma transforma\u00e7\u00e3o. Um verdadeiro \u00f3pio para as pessoas \u00e9 a cren\u00e7a em nada ap\u00f3s a morte &#8211; o grande consolo em pensar que n\u00e3o somos julgados por nossa trai\u00e7\u00e3o, gan\u00e2ncia, covardia e homic\u00eddio.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Paulo, com toda a sua genialidade iluminada pelo Senhor, inclusive por causa disso, percebe as limita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de nosso intelecto. O ap\u00f3stolo, por isso mesmo, suplica pela sabedoria de Deus porque, n\u00f3s, por nossa pr\u00f3pria sabedoria jamais poderemos compreender salvadoramente o que Deus nos tem revelado. E mais: se pud\u00e9ssemos por n\u00f3s mesmos faz\u00ea-lo, n\u00e3o haveria gra\u00e7a, mas, m\u00e9rito humano.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Assim, n\u00e3o haveria por que louvar o Deus da gra\u00e7a que a derramou abundantemente sobre n\u00f3s (Ef 1.5-8). A grandeza estaria no homem e em sua capacidade de bem conduzir a sua raz\u00e3o. Ali\u00e1s, este seria a concretiza\u00e7\u00e3o do sonho sempre acalentado pelo homem desde o Para\u00edso, at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Como escreve Bavinck.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">As dire\u00e7\u00f5es nas quais o nosso pensamento pode se dirigir n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o numerosas quanto supomos ou imaginamos. Em nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es, somos todos determinados pela peculiaridade de nossa natureza humana, e tamb\u00e9m cada indiv\u00edduo por seu pr\u00f3prio passado e presente, pelo seu car\u00e1ter e ambiente. E n\u00e3o \u00e9 raro que aqueles que parecem liderar os outros s\u00e3o, antes, liderados por eles.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Por isso, como sabemos, a raz\u00e3o humana, por si s\u00f3, n\u00e3o assistida pela gra\u00e7a, n\u00e3o pode chegar \u00e0s verdades espirituais.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Pode, pela gra\u00e7a comum de Deus chegar a informa\u00e7\u00f5es, estabelecer conex\u00f5es e encontrar algum sentido para a vida em sua estreiteza espa\u00e7o-temporal. Por\u00e9m, n\u00e3o consegue passar disso, considerando inclusive, a sua falta de elementos que confiram sentido \u00e0 exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O fato, portanto, \u00e9 que o Evangelho permaneceria oculto a todos n\u00f3s se Deus n\u00e3o o manifestasse e n\u00e3o nos concedesse o Esp\u00edrito de sabedoria para entend\u00ea-lo.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> \u00a0Receber a mensagem do Evangelho como procedente de Deus \u00e9 gra\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a prega\u00e7\u00e3o de Paulo a judeus e gentios n\u00e3o poderia ser outra do que <em>\u201ca Cristo, poder de Deus e <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>de Deus\u201d<\/em> (1Co 1.24). (Do mesmo modo: 1Co 1.30).<\/p>\n<p>A sabedoria do homem sem Deus, em seus devaneios aut\u00f4nomos, o tornou louco, afetando todos os dom\u00ednios do seu cora\u00e7\u00e3o, pretendendo passar por s\u00e1bio aut\u00f4nomo,<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> e autossuficiente,<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> rejeitou a Deus e a sua revela\u00e7\u00e3o, tornando-se enlouquecidamente escravo de toda sorte de paix\u00f5es id\u00f3latras. Paulo escreve sobre isso aos Romanos:<\/p>\n<p><em><sup>18<\/sup><\/em><em> A ira de Deus se revela do c\u00e9u contra toda impiedade e pervers\u00e3o dos homens que det\u00eam a verdade pela injusti\u00e7a; <sup>19<\/sup> porquanto o que de Deus se pode conhecer \u00e9 manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. <sup>20<\/sup> Porque os atributos invis\u00edveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princ\u00edpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens s\u00e3o, por isso, indesculp\u00e1veis; <sup>21<\/sup> porquanto, tendo conhecimento de Deus, n\u00e3o o glorificaram como Deus, nem lhe deram gra\u00e7as; antes, se tornaram nulos em seus pr\u00f3prios racioc\u00ednios, obscurecendo-se-lhes o cora\u00e7\u00e3o insensato. <sup>22<\/sup> Inculcando-se por <u>s\u00e1bios<\/u> <\/em>(sofo\/j)<em>, tornaram-se <u>loucos<\/u> <\/em>(mwrai\/nw)<em> <sup>23<\/sup> e mudaram a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel em semelhan\u00e7a da imagem de homem corrupt\u00edvel, bem como de aves, quadr\u00fapedes e r\u00e9pteis<\/em> (Rm 1.18-23).<\/p>\n<p>A idolatria torna os homens cativos de uma forma viciada de pensar. O produto de nossos racioc\u00ednios torna-se nulo em sua pr\u00f3pria elabora\u00e7\u00e3o. As evid\u00eancias da revela\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre ocultadas em seus cora\u00e7\u00f5es dominados por uma forma rotineira de pensar e determinantemente horizontal, tendo como fim os seus interesses (Rm 1.19-21).<\/p>\n<p>Schaeffer (1912-1984) comenta:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando a Escritura fala do homem sendo deste jeito tolo, n\u00e3o significa que ele \u00e9 apenas religiosamente tolo. Antes, significa que ele aceitou uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 intelectualmente tola, n\u00e3o somente com respeito ao que a B\u00edblia diz, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que existe \u2013 o universo e sua forma, e a humanidade do homem. Ao se afastar de Deus e da verdade que ele deu, o homem ficou <em>tolamente<\/em> tolo em rela\u00e7\u00e3o ao que o homem \u00e9 e ao que o universo \u00e9. Ele \u00e9 deixado em uma posi\u00e7\u00e3o com a qual ele n\u00e3o consegue viver, e ele \u00e9 pego numa multid\u00e3o de tens\u00f5es intelectuais e pessoais.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ao que parece, a idolatria, j\u00e1 como resultado da obscuridade espiritual, elimina boa parte de nossa sensibilidade espiritual, brutalizando-nos, amortecendo certas faculdades nossas. Por isso, \u00e9 que a idolatria nunca vem sozinha, ela sempre est\u00e1 acompanhada de outras pr\u00e1ticas irracionais e pecaminosas.<\/p>\n<p>O salmista comparando a grandeza de Deus com os \u00eddolos feitos pelos homens, arremata: <em>\u201cComo eles se tornam os que os fazem, e todos os que neles confiam\u201d<\/em> (Sl 135.18). Os homens que se projetam em seus \u00eddolos n\u00e3o t\u00eam alternativa poss\u00edvel, sen\u00e3o tornarem-se semelhantes \u00e0 sua imagem que adoram, afinal, seus \u00eddolos, nada lhes prop\u00f5em, que j\u00e1 n\u00e3o seja da natureza de seus criadores.<\/p>\n<p>Deste modo, por uma consequ\u00eancia l\u00f3gica, a idolatria estando j\u00e1 bem socializada em nossos cora\u00e7\u00f5es, nos conduz cada vez mais a uma bestializa\u00e7\u00e3o de nossos cora\u00e7\u00f5es (centro vital; o nosso eu essencial) se evidenciando em nossas constru\u00e7\u00f5es intelectuais e pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o pensemos que essa bestialidade se torne autoevidentes. N\u00e3o de um modo t\u00e3o simplista. Ela vir\u00e1, com suas varia\u00e7\u00f5es, com toques de requinte e discursos convalidadores aparentemente \u00f3bvios aos nossos ouvidos.\u00a0 Ao longo da hist\u00f3ria as ideologias t\u00eam sido constru\u00eddas assim. E, se elas dispuserem de um aparelhamento ideol\u00f3gico compat\u00edvel, como meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa e formadores de opini\u00e3o, cada vez mais elas se tornar\u00e3o bem-sucedidas na consecu\u00e7\u00e3o de seus projetos.<\/p>\n<p>Aspectos pr\u00e1ticos dessa concep\u00e7\u00e3o, encontramos tamb\u00e9m em Os\u00e9ias, quando relembrando o pecado do povo de Israel no deserto, diz: <em>\u201cMas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram \u00e0 vergonhosa idolatria, e se tornaram abomin\u00e1veis como aquilo que amaram\u201d <\/em>(Os 9.10). A idolatria apenas forneceu as bases justificadoras da pr\u00e1tica que desejavam.<\/p>\n<p>Como a idolatria \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um deus que se harmonize com seus desejos, nada mais natural de que esta constru\u00e7\u00e3o humana termine por se tornar no seu modelo de vida e comportamento. H\u00e1 aqui um c\u00edrculo vicioso: Crio meus deuses com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s minhas a fim de que ele se torne um modelo para que eu continue sendo o que sou, refor\u00e7ando assim a minha pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Vemos aqui a pertin\u00eancia da cr\u00edtica de Xen\u00f3fanes e Her\u00e1clito, j\u00e1 estudada, ao h\u00e1bito de forjar seus deuses conforme os seus pr\u00f3prios v\u00edcios.<\/p>\n<p>A idolatria traz um desequil\u00edbrio no cerne do pensamento humano, se manifestando em todas outras \u00e1reas de sua vida, ainda que nem sempre de modo imediatamente percept\u00edvel: a idolatria tende a ser desagregadora do car\u00e1ter ainda que possa se esconder sob a capa da compreens\u00e3o tolerante. A idolatria \u00e9 uma doen\u00e7a espiritual resultante da car\u00eancia de Deus e da procura equivocada do sagrado.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a sabedoria deste mundo \u00e9 nula no que diz respeito ao conhecimento das coisas espirituais. Estamos totalmente cegos. A nossa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o alcan\u00e7a nada al\u00e9m do mundo e de seus valores terrenos.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> \u201cOs homens s\u00e3o est\u00fapidos e jamais entendem coisa alguma pertencente \u00e0 sua salva\u00e7\u00e3o sem que Deus opere neles\u201d, conclui Calvino.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Aos arrogantes cor\u00edntios, que com uma suposta sabedoria inexistente queriam limitar Cristo aos seus modestos e fr\u00e1geis c\u00e2nones intelectuais, o ap\u00f3stolo indaga:<\/p>\n<p><em><sup>20<\/sup><\/em><em>Onde est\u00e1 o <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofo\/j)<em>? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste s\u00e9culo? Porventura, n\u00e3o tornou Deus <u>louca<\/u> <\/em>(mwrai\/nw)<em> a <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>do mundo?<sup> 21<\/sup>Visto como, na <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em> de Deus, o mundo n\u00e3o o conheceu por sua pr\u00f3pria <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em>, <u>aprouve<\/u> <\/em>(eu)doke\/w)<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><em> a Deus salvar os que creem pela <u>loucura<\/u> <\/em>(mwri\/a) <em>da prega\u00e7\u00e3o<\/em> (1Co 1.20-21).<\/p>\n<p>A ideia da palavra traduzida por \u201cloucura\u2019, \u00e9 de algo \u201cimbecil\u201d, \u201ctolo\u201d, \u201cinsensato\u201d. Na literatura cl\u00e1ssica est\u00e1 relacionada \u00e0 falta de conhecimento e discernimento. Dentro do aspecto da insensatez, esta figura \u00e9 aplicada ao sal que, se se tornar \u201cins\u00edpido\u201d (mwrai\/nw) (Mt 5.13; Lc 14.34-35) para nada mais serve.<\/p>\n<p>No emprego feito por Paulo, ele demonstra que a mensagem da cruz de Cristo foi alcunhada depreciativamente de \u201cloucura\u201d justamente pela sua falta de sentido intelectual para aqueles que querem avaliar o seu conte\u00fado dentro de seus pressupostos viciados, imanentes e, por isso mesmo, mutilados.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o Evangelho soa como algo \u201csimpl\u00f3rio\u201d. Paulo diz que Deus tornou \u201clouca\u201d (mwrai\/nw) a sabedoria deste mundo (1Co 1.20). Por sua vez, os \u00edmpios se considerando s\u00e1bios, <em>\u201ctornaram-se <u>loucos<\/u>\u201d <\/em>(mwrai\/nw) (Rm 1.22\/Jr 10.14 (\u201cest\u00fapido\u201d [mwrai\/nw]), em sua idolatria, recebendo o justo castigo de Deus (Rm 1.23-27).<\/p>\n<p>Deste modo, a sabedoria de Deus ser\u00e1 sempre loucura (mwri\/a) para os \u201cs\u00e1bios\u201d deste mundo que querem simplesmente adequar o Evangelho aos seus pressupostos (1Co 1.18,23; 2.14). Dentro desta perspectiva, Deus escolheu ent\u00e3o as <em>\u201c<u>cousas loucas<\/u> <\/em>(mwro\/j) <em>do mundo\u201d<\/em> (1Co 1.27). Em outras palavras, Deus deliberou em sua sabedoria que a sabedoria humana n\u00e3o seria o caminho para conhec\u00ea-lo.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>A sabedoria deste mundo \u00e9 loucura (mwri\/a) diante de Deus (1Co 3.19). Deus sabe que os pensamentos destes \u201cs\u00e1bios\u201d s\u00e3o \u201cv\u00e3os\u201d (= \u201cnulos\u201d, \u201cf\u00fateis\u201d [ma\/taioj] *At 14.15; 1Co 3.20; 15.17; Tt 3.9; Tg 1.26; 1Pe 1.18)(1Co 3.20).<\/p>\n<p>Por outro lado, os que creem na loucura (mwri\/a) da prega\u00e7\u00e3o ser\u00e3o salvos (1Co 1.21). A loucura (mwro\/j) de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia do que a sabedoria deste mundo (1Co 1.25).<\/p>\n<p>Mas, qual a diferen\u00e7a entre a sabedoria de Deus e a sabedoria do mundo? A diferen\u00e7a fundamental, \u00e9 que a sabedoria deste mundo tenta anular a cruz de Cristo, buscando um caminho mais de acordo com os seus pressupostos, real\u00e7ando a sua capacidade e autonomia, buscando em si mesmos a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas e, descobrem tristemente, que seus reservat\u00f3rios est\u00e3o vazios de solu\u00e7\u00f5es concretas.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>A sabedoria de Deus, por sua vez, mostra na cruz, o pecado humano e a sua total incapacidade de salvar-se, estando totalmente perdido, real\u00e7ando a gra\u00e7a redentora de Deus (Rm 3.34-26; 5.6-11). A mensagem da cruz reflete em uma s\u00f3 imagem, a majestade de Deus em sua justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia perfeitas na salva\u00e7\u00e3o do seu povo. Isso \u00e9 totalmente incompreens\u00edvel para o homem natural.<\/p>\n<p>Piper resume:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Em outras palavras, a cruz ofende a sabedoria humana porque ela humilha o homem e exalta a imerecida gra\u00e7a de Deus.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> (&#8230;) O \u00e2mago da sabedoria de Deus \u00e9 a paix\u00e3o de Deus por demonstrar sua gra\u00e7a em Cristo para o gozo eterno daqueles que creem. Visto que todos n\u00f3s somos pecadores indignos, a cruz \u00e9 central para essa sabedoria. Sem a cruz, n\u00e3o poder\u00edamos ter essa sabedoria. (&#8230;) A ess\u00eancia da sabedoria de Deus \u00e9 exaltar a gl\u00f3ria de sua gra\u00e7a manifestada em Cristo crucificado.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Portanto, se quisermos nos tornar s\u00e1bios para Deus, tornemo-nos loucos (mwro\/j) para as cousas deste mundo (1Co 3.18).<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>De certa forma, somos os loucos de Cristo (1Co 4.10). Por sua vez, ilustrando que a \u201cloucura\u201d ou \u201cinsensatez\u201d n\u00e3o s\u00e3o boas em si mesmas, Paulo faz recomenda\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para que rejeitemos as quest\u00f5es \u201cs\u00e1bias\u201d deste mundo que consistem em discuss\u00f5es e quest\u00f5es \u201cinsensatas\u201d que produzem contendas, n\u00e3o tendo utilidade (2Tm 2.23; Tt 3.9 [\u201cf\u00fateis\u201d (ma\/taioj]). Portanto, o Evangelho n\u00e3o tem a \u201cloucura\u201d e \u201cinsensatez\u201d como virtudes (Mt 23.16-17; 25.1-13). A verdadeira sabedoria consiste em ouvir a Palavra de Deus e pratic\u00e1-la. Loucura \u00e9 desprez\u00e1-la (Mt 7.24-27).<\/p>\n<p>A sabedoria deste mundo tenta excluir Deus, por isso a loucura desta suposta sabedoria que astutamente torna a realidade apenas material, ou, quando muito, v\u00ea a vida como sendo dominada por alguma for\u00e7a c\u00f3smica impessoal. Dentro desta perspectiva secular-m\u00edstica, a mensagem do Evangelho permanece como loucura. Ela \u00e9 inacess\u00edvel \u00e0 compreens\u00e3o puramente humana e limitada.<\/p>\n<p>Portanto, o argumento de Paulo quanto \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho:<\/p>\n<p><em>&#8230;.a sabedoria deste mundo \u00e9 loucura diante de Deus; porquanto est\u00e1 escrito: Ele apanha os <u>s\u00e1bios<\/u> <\/em>(sofo\/j) <em>na pr\u00f3pria ast\u00facia deles<\/em> (1Co 3.19).<\/p>\n<p><em>&#8230;.expomos <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em> entre os experimentados; n\u00e3o, por\u00e9m, a <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>deste s\u00e9culo, nem a dos poderosos desta \u00e9poca, que se reduzem a <u>nada<\/u><\/em> (katarge\/w) (algo que desvanece, se dilui) (1Co 2.6).<\/p>\n<p>Lloyd-Jones (1899-1981) colocou esta quest\u00e3o nestes termos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Se voc\u00eas n\u00e3o partirem deste elemento de mist\u00e9rio e de encantamento, nunca ir\u00e3o crer no Evangelho. \u201cN\u00e3o julgues o Senhor pela d\u00e9bil raz\u00e3o.\u201d Reconhe\u00e7a a sua finitude pessoal, a sua pecaminosidade, a sua incapacidade total para entender a mente do Deus eterno.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Assim, sendo, o crist\u00e3o deve aceitar este paradoxo: tornar-se louco diante dos valores deste s\u00e9culo para entender a verdadeira e definitiva sabedoria:<\/p>\n<p><em><sup>18<\/sup><\/em><em> Ningu\u00e9m se engane a si mesmo: se algu\u00e9m dentre v\u00f3s se tem por s\u00e1bio neste s\u00e9culo, fa\u00e7a-se estulto para se tornar s\u00e1bio. <sup>19<\/sup> Porque a sabedoria deste mundo \u00e9 loucura diante de Deus; porquanto est\u00e1 escrito: Ele apanha os s\u00e1bios na pr\u00f3pria ast\u00facia deles. <sup>20<\/sup> E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos s\u00e1bios, que s\u00e3o pensamentos v\u00e3os.<\/em> (1Co 3.18-20).<\/p>\n<p>Por isso a nossa f\u00e9 n\u00e3o pode se apoiar em sabedoria humana, mas, no poder de Deus. Paulo sabia bem deste risco, certamente t\u00e3o tentador para muitos. Relembra ent\u00e3o aos cor\u00edntios, como foi a sua chegada entre eles:<\/p>\n<p><em>Eu, irm\u00e3os, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, n\u00e3o o fiz com ostenta\u00e7\u00e3o de linguagem ou de <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em>. <sup>2<\/sup>Porque decidi nada saber entre v\u00f3s, sen\u00e3o a Jesus Cristo e este crucificado. <sup>3<\/sup> E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre v\u00f3s. <sup>4<\/sup> A minha palavra e a minha prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o consistiram em linguagem persuasiva de <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em>, mas em demonstra\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e de poder, <sup>5<\/sup> para que a vossa f\u00e9 n\u00e3o se apoiasse em <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>humana, e sim no poder de Deus. <\/em>(1Co 2.1-5\/2Co 1.12).<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p>Continua:<\/p>\n<p><em>Mas falamos a <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>de Deus em mist\u00e9rio, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa gl\u00f3ria<\/em> (1Co 2.7).<\/p>\n<p><em>Disto tamb\u00e9m falamos, n\u00e3o em palavras ensinadas pela <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>humana, mas ensinadas pelo Esp\u00edrito, conferindo coisas espirituais com espirituais.<\/em> (1Co 2.13).<\/p>\n<p>A prega\u00e7\u00e3o entre os colossenses n\u00e3o foi diferente:<\/p>\n<p><em><sup>24<\/sup><\/em><em> Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por v\u00f3s; e preencho o que resta das afli\u00e7\u00f5es de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que \u00e9 a igreja; <sup>25<\/sup> da qual me tornei ministro de acordo com a dispensa\u00e7\u00e3o da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento \u00e0 palavra de Deus: <sup>26<\/sup> o mist\u00e9rio que estivera oculto dos s\u00e9culos e das gera\u00e7\u00f5es; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; <sup>27<\/sup> aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da gl\u00f3ria deste mist\u00e9rio entre os gentios, isto \u00e9, Cristo em v\u00f3s, a esperan\u00e7a da gl\u00f3ria; <sup>28<\/sup> o qual n\u00f3s anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a <u>sabedoria<\/u><\/em> (sofi\/a)<em>, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; <sup>29<\/sup> para isso \u00e9 que eu tamb\u00e9m me afadigo, esfor\u00e7ando-me o mais poss\u00edvel, segundo a sua efic\u00e1cia que opera eficientemente em mim.<\/em> (Cl 1.24-29).<\/p>\n<p>Do mesmo modo entre os ef\u00e9sios:<\/p>\n<p><em><sup>8<\/sup>A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta gra\u00e7a de pregar aos gentios o evangelho das insond\u00e1veis riquezas de Cristo <sup>9<\/sup> e manifestar qual seja a dispensa\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, desde os s\u00e9culos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, <sup>10<\/sup> para que, pela igreja, a multiforme <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, <sup>11<\/sup> segundo o eterno prop\u00f3sito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, <sup>12<\/sup> pelo qual temos ousadia e acesso com confian\u00e7a, mediante a f\u00e9 nele<\/em> (Ef 3.8-12).<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><em>\u201cQue variedade, SENHOR, nas tuas <u>obras<\/u> <\/em>(hf,[]m) (ma`aseh)<em>! Todas com sabedoria as fizeste; cheia est\u00e1 a terra das tuas riquezas\u201d<\/em> (Sl 104.24).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u201cPois, como haja a mente humana, que ainda n\u00e3o pode estatuir ao certo de que natureza seja a massa do sol, que entretanto se v\u00ea diariamente com os olhos, de reduzir \u00e0 sua parca medida a imensur\u00e1vel ess\u00eancia de Deus? Muito pelo contr\u00e1rio, como haja de, por sua pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o, penetrar at\u00e9 a subst\u00e2ncia de Deus, a fim de perscrut\u00e1-<em>la<\/em>, <em>ela <\/em>que <em>n\u00e3o <\/em>alcan\u00e7a nem ao menos a sua pr\u00f3pria? Por cuja raz\u00e3o, de bom grado deixemos a Deus o conhecimento de si <em>mesmo<\/em>, pois, al\u00e9m de tudo, como <em>o <\/em>diz Hil\u00e1rio, <em>ele <\/em>pr\u00f3prio, que n\u00e3o foi conhecido, a n\u00e3o ser por si <em>mesmo<\/em>, \u00e9 de si mesmo a \u00fanica testemunha id\u00f4nea. Ora, deixaremos com ele o que lhe compete se o concebermos tal como ele se nos manifesta; e s\u00f3 poderemos inteirar-nos disto por interm\u00e9dio de sua Palavra\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>(2006), I.13.21).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Abraham Kuyper, \u00a0<em>Sabedoria &amp; Prod\u00edgios: Gra\u00e7a comum na ci\u00eancia e na arte, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2018, p. 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><em>\u201c<\/em><em>Aquele que n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho, antes, por todos n\u00f3s o entregou, porventura, n\u00e3o nos dar\u00e1 graciosamente com ele todas as coisas?\u201d <\/em>(Rm 8.32).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Stephen Charnock, <em>The Existence and Attributes of God<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Two volumes in one), 1996 (Reprinted),\u00a0 v. 1, p. 578-579.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Czeslaw Milosz, Diskreter Charme des Nihilismus.\u00a0 In:\u00a0 <em>New York Times Revies of Books, <\/em>\u00a019 de novembro de 1998 (<a href=\"https:\/\/www.nybooks.com\/articles\/1998\/11\/19\/discreet-charm-of-nihilism\/\">https:\/\/www.nybooks.com\/articles\/1998\/11\/19\/discreet-charm-of-nihilism\/<\/a>) (Consulta feita em 22.04.2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u201cSe todo homem fosse capaz de crer e ter f\u00e9 de moto pr\u00f3prio, ou a pudesse obter por algum poder de si mesmo, o louvor disso n\u00e3o teria que ser dado a Deus\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 132).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Herman Bavinck, <em>A Filosofia da Revela\u00e7\u00e3o<\/em> (Locais do Kindle 839-843). Edi\u00e7\u00f5es Calced\u00f4nia<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Vejam-se: John MacArthur, <em>Deus: Face a face com sua majestade,<\/em> S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2013, p. 67; Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.5),\u00a0 p. 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> \u201cO Evangelho s\u00f3 pode ser entendido por meio da f\u00e9 \u2013 n\u00e3o pela raz\u00e3o, nem pela perspic\u00e1cia do entendimento humano, porque de outro modo ele seria algo oculto de n\u00f3s\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Colossenses<\/em>: In: <em>G\u00e1latas &#8211; Ef\u00e9sios &#8211; Filipenses &#8211; Colossenses, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2010, (Cl 2.1-5), p. 531). \u201cCrer no Evangelho nada mais \u00e9 do que consentir com as verdades que Deus revelou\u201d (Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1,\u00a0 (Jo 3. 32), p. 147).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>\u201cA forma extrema da idolatria \u00e9 o humanismo, que v\u00ea o homem como a medida de todas as coisas\u201d (R.C. Sproul, <em>O que \u00e9 a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 33).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>\u201cO ap\u00f3stolo est\u00e1 se referindo \u00e0 sabedoria do mundo [1Co 1.20-21; 3.18-19], independente de Deus e de sua revela\u00e7\u00e3o. \u00c9 o tipo de sabedoria que deixa Deus e sua revela\u00e7\u00e3o de fora e, com isso, distorce inteiramente o conceito de realidade\u201d (Francis A. Schaeffer, O Grande Desastre Evang\u00e9lico. In: Francis A. Schaeffer, <em>A Igreja no S\u00e9culo 21, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 255).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>Francis A. Schaeffer, <em>Morte na Cidade,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2003, p. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Veja-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 153ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 154.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Tanto o verbo (eu)doke\/w) quanto o substantivo (eu)doki\/a) enfatizam aquilo ou aquele que \u00e9 prazeroso, considerando a ess\u00eancia da coisa ou o que se tem em vista. Assim, vemos que Deus Se compraz em Jesus Cristo, o Filho amado (Mt 3.17; 12.18; 17.5; 2Pe 1.17), em quem reside, conforme a vontade de Deus, toda a plenitude da divindade (Cl 1.19\/2.9). Deus tem prazer em revelar a Sua vontade aos \u201cpequeninos\u201d (Mt 11.25-26; Lc 10.21), concedendo o Seu Reino (Lc 12.32). Ele nos predestinou para ado\u00e7\u00e3o conforme o seu \u201cbenepl\u00e1cito\u201d (eu)doki\/a)( Ef 1.5,9), assim como vocaciona os Seus servos conforme Sua vontade (Gl 1.15-16). Deus tem prazer em salvar o seu povo por meio da prega\u00e7\u00e3o da Palavra (1Co 1.21). Deus opera em n\u00f3s conforme a Sua liberdade soberana e prazerosa (Fp 2.13). No entanto, estas palavras n\u00e3o s\u00e3o utilizadas somente para Deus, elas tamb\u00e9m descrevem atitudes e aspira\u00e7\u00f5es humanas, como o desejo de Paulo pela salva\u00e7\u00e3o dos judeus (Rm 10.1); a sua ora\u00e7\u00e3o em favor dos tessalonicenses (2Ts 1.11); a voluntariedade prazerosa da Igreja em socorrer os irm\u00e3os necessitados (Rm 15.26-27); o desejo de deixar o corpo para estar com Cristo (2Co 5.8); a abnega\u00e7\u00e3o de Paulo em prol dos tessalonicenses, compartilhando a sua pr\u00f3pria vida (1Ts 2.8<em> \u201cest\u00e1vamos prontos\u201d <\/em>(eu)doke\/w)\/1Ts 3.1-5: Verso 1: <em>\u201c<u>pareceu<\/u>-nos <u>bem<\/u> <\/em>(eu)doke\/w) <em>ficar sozinhos em Atenas\u201d<\/em>); sofrer pelo testemunho de Cristo, a quem amava (2Co 12.10). O Evangelho deve ser pregado: <em>\u201cde <u>boa vontade<\/u>\u201d <\/em>(eu)doki\/a) (Fp 1.15).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Veja-se: John Piper, <em>Pense \u2013 A Vida da Mente e o Amor de Deus, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2011, p. 205.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>\u201cEm sua insanidade arrogante, os homens afirmam que s\u00e3o mais s\u00e1bios do que Deus, ao asseverarem seu pr\u00f3prio pensamento e abordagem quanto \u00e0 vida. E aqueles que os ouvem procuram, em grande n\u00famero, as cisternas rotas da filosofia humanista deles, em busca de respostas para a vida. Mas tudo que descobrem s\u00e3o reservat\u00f3rios vazios que escarnecem de sua sede\u201d (Steven J. Lawson, <em>O tipo de prega\u00e7\u00e3o que Deus aben\u00e7oa<\/em>, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2013, p. 52).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> \u201cA cruz se levanta como testemunho da infinita dignidade de Deus e o infinito ultraje do pecado\u201d (John Piper, <em>A Supremacia de Deus na Prega\u00e7\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2003, p. 31).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>John Piper, <em>Pense \u2013 A Vida da Mente e o Amor de Deus, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2011, p. 209,210.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a><em> <sup>\u201c<\/sup>Ningu\u00e9m se engane a si mesmo: se algu\u00e9m dentre v\u00f3s se tem por <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofo\/j) <em>neste s\u00e9culo, fa\u00e7a-se <u>estulto<\/u> <\/em>(mwro\/j)<em> para se tornar <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofo\/j)<em>\u201d<\/em> (1Co 3.18).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> D.M. Lloyd-Jones,<em> Cristianismo Aut\u00eantico: Serm\u00f5es nos Atos dos Ap\u00f3stolos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 2006, v. 4, p. 304.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> <em><sup>\u201c<\/sup>Porque a nossa gl\u00f3ria \u00e9 esta: o testemunho da nossa consci\u00eancia, de que, com santidade e sinceridade de Deus, n\u00e3o com <u>sabedoria<\/u><\/em> (sofi\/a) <em>humana, mas, na gra\u00e7a divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco\u201d<\/em> (2Co 1.12).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A verdadeira sabedoria consiste em ouvir a Palavra de Deus e pratic\u00e1-la. 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