{"id":58961,"date":"2021-06-24T17:00:37","date_gmt":"2021-06-24T20:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=58961"},"modified":"2021-06-24T12:49:54","modified_gmt":"2021-06-24T15:49:54","slug":"o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-27","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2021\/06\/o-pensamento-grego-e-a-igreja-crista-parte-27\/","title":{"rendered":"O pensamento grego e a igreja crist\u00e3 (Parte 27)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;S\u00e9rie &#8220; O pensamento grego e a igreja crist\u00e3&#8220; | Clique para ler os outros artigos&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; button_block=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Ffiel.in%2F3aJBHzG|||&#8221;][vc_column_text]A sabedoria que procede de Deus tem virtudes pr\u00f3prias que n\u00e3o a confundem. Vejamos o tratamento instrutivo que apresenta Tiago:<\/p>\n<p><em><sup>13<\/sup><\/em><em>Quem entre v\u00f3s \u00e9 <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofo\/j)<em> e <u>inteligente<\/u> <\/em>(e)pisth\/mwn)<em>? Mostre em mansid\u00e3o de <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em>, mediante condigno proceder, as suas obras. <sup>14<\/sup> Se, pelo contr\u00e1rio, tendes em vosso cora\u00e7\u00e3o inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. <sup>15<\/sup> Esta n\u00e3o \u00e9 a <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>que desce l\u00e1 do alto; antes, \u00e9 terrena, animal e demon\u00edaca. <sup>16<\/sup> Pois, onde h\u00e1 inveja e sentimento faccioso, a\u00ed h\u00e1 confus\u00e3o e toda esp\u00e9cie de coisas ruins. <sup>17<\/sup> A <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a)<em>, por\u00e9m, l\u00e1 do alto \u00e9, primeiramente, <u>pura<\/u> <\/em>(a(gno\/j = santa, honesta)<em>;<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em> depois, <u>pac\u00edfica<\/u> <\/em>(ei)rhniko\/j)<em>,<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> <em><u>indulgente<\/u><\/em> (e)pieikh\/j<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> = moderada, cordata, tolerante, gentil)<em>, <u>trat\u00e1vel<\/u> <\/em>(*eu)peiqh\/j = simp\u00e1tica, razo\u00e1vel)<em>, <u>plena de miseric\u00f3rdia<\/u> <\/em>(mesto\/j e)\/(leoj) <em>e de <u>bons frutos<\/u> <\/em>(karpo\/j a)gaqo\/j)<em>, <u>imparcial <\/u><\/em>(*a)dia\/kritoj = inabal\u00e1vel, resoluta, isenta de duplicidade)<em>, <u>sem fingimento<\/u> <\/em>(a)nupo\/kritoj<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> = n\u00e3o hip\u00f3crita, real, verdadeira<u>)<\/u><em>. <sup>18<\/sup> Ora, \u00e9 em paz que se semeia o fruto da justi\u00e7a, para os que promovem a paz. <\/em>(Tg 3.13-18).<\/p>\n<p>A sabedoria b\u00edblica consiste n\u00e3o no ac\u00famulo de conhecimento, antes, em um modo de vida que reflita a sabedoria de Deus revelada em Cristo Jesus, em quem temos o modelo encarnado da plenitude de sabedoria. A sabedoria \u00e9 decorrente de nossa comunh\u00e3o com Cristo e a partir dessa realidade, no modo como edificamos a nossa vida.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Ser s\u00e1bio \u00e9 aplicar o conhecimento adquirido \u00e0 arte de viver em comunh\u00e3o com Deus refletindo isso em todas as dimens\u00f5es de nossa exist\u00eancia. Sabedoria \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pr\u00e1tica entre conhecimento e santidade que se manifesta em piedade.<\/p>\n<p>De acordo com a nossa nova natureza, devemos andar com sabedoria, de forma distinta de nossa antiga vida, procurando compreender a vontade de Deus, tendo o cuidado para n\u00e3o sermos enganados por falsos ensinamentos que cultivam uma mera e vazia apar\u00eancia de verdade:<\/p>\n<p><em><sup>6<\/sup><\/em><em>Ningu\u00e9m vos engane com palavras v\u00e3s; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobedi\u00eancia. <sup>7<\/sup>Portanto, n\u00e3o sejais participantes com eles. <sup>8<\/sup> Pois, outrora, \u00e9reis trevas, por\u00e9m, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz <sup>9<\/sup> (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justi\u00e7a, e verdade), <sup>10<\/sup>provando sempre o que \u00e9 agrad\u00e1vel ao Senhor. <sup>11<\/sup>E n\u00e3o sejais c\u00famplices nas obras infrut\u00edferas das trevas; antes, por\u00e9m, reprovai-as. <sup>12<\/sup> Porque o que eles fazem em oculto, o s\u00f3 referir \u00e9 vergonha. <sup>13<\/sup>Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta \u00e9 luz. <sup>14<\/sup>Pelo que diz: Desperta, \u00f3 tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminar\u00e1. <sup>15<\/sup>Portanto, vede prudentemente como andais, n\u00e3o como <u>n\u00e9scios<\/u> <\/em>(*a)\/sofoj)<em>, e sim como <u>s\u00e1bios<\/u> <\/em>(sofo\/j)<em>, <sup>16<\/sup> remindo o tempo, porque os dias s\u00e3o maus. <sup>17<\/sup>Por esta raz\u00e3o, n\u00e3o vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. <\/em>(Ef 5.6-17).<\/p>\n<p>A Palavra, por nos revelar Jesus Cristo, o Deus Encarnado e, por decorr\u00eancias, suas instru\u00e7\u00f5es, torna-nos s\u00e1bios para a salva\u00e7\u00e3o preparada por Deus para n\u00f3s desde a eternidade.<\/p>\n<p>As Escrituras nos capacitam a ter um padr\u00e3o unificador da realidade, indo al\u00e9m da mera apar\u00eancia ou de verdades fragmentadas. Com o cora\u00e7\u00e3o purificado pela Palavra temos maior sensibilidade e discernimento para ver na Cria\u00e7\u00e3o e em nossa vida, o agir de Deus, a a\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo o seu Filho, a sua dire\u00e7\u00e3o, cuidado e prote\u00e7\u00e3o. Aquilo que pode parecer banal ao homem natural, para n\u00f3s, h\u00e1, ainda que muitas vezes por meios naturais, a manifesta\u00e7\u00e3o sobrenatural do cuidado, da preserva\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, da disciplina de Deus (Hb 12.6-7).<\/p>\n<p>N\u00f3s s\u00f3 vemos o que somos capazes de ver.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Deste modo, onde alguns ouvem um ru\u00eddo, poderemos perceber uma sinfonia.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Em lugar de variadas cores, talvez desconexas para muitos, enxerguemos o arco-\u00edris. Onde outros veem com admira\u00e7\u00e3o um c\u00e9u estrelado, veremos a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus (Sl 8.1; 19.1).<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>MacArthur escreve com agudez b\u00edblica: \u201cAquele cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 purificado por Jesus Cristo v\u00ea frequentemente a gl\u00f3ria de Deus. (&#8230;) A pureza de cora\u00e7\u00e3o purifica os olhos da alma para que Deus seja vis\u00edvel\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<h2>Aprendizagem bem-aventurada desde a inf\u00e2ncia<\/h2>\n<p>Paulo exorta Tim\u00f3teo a permanecer naquilo que aprendeu desde a inf\u00e2ncia. Como \u00e9 um alto privil\u00e9gio poder ter usufru\u00eddo desde a mais tenra idade de uma forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Por outro lado, os pais e av\u00f3s nem sempre percebem de imediato os frutos de seus ensinamentos, por\u00e9m, devemos perseverar em ensinar as Sagradas letras deixando com Deus os resultados que certamente aparecer\u00e3o:<\/p>\n<p><em><sup>3<\/sup><\/em><em>Dou gra\u00e7as a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consci\u00eancia pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas ora\u00e7\u00f5es, noite e dia. <sup>4<\/sup> Lembrado das tuas l\u00e1grimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria <sup>5<\/sup> pela recorda\u00e7\u00e3o que guardo de tua f\u00e9 sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua av\u00f3 L\u00f3ide e em tua m\u00e3e Eunice, e estou certo de que tamb\u00e9m, em ti.<\/em> (2Tm 1.3-5).<\/p>\n<p><em><sup>14<\/sup><\/em><em>Tu, por\u00e9m, <u>permanece<\/u> <\/em>(me\/nw = continuar, ficar, morar) <em>naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste <sup>15<\/sup> e que, desde a inf\u00e2ncia, sabes as sagradas letras, que podem <u>tornar<\/u>-te <u>s\u00e1bio<\/u> <\/em>(sofi\/zw) <em>para a salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 em Cristo Jesus. <\/em>(2Tm 3.14-15).<\/p>\n<p>A sabedoria concedida por Deus deve nos tornar s\u00e1bios para o bem, como indica Paulo:<\/p>\n<p><em>Pois a vossa obedi\u00eancia \u00e9 conhecida por todos; por isso, me alegro a vosso respeito; e quero que sejais <u>s\u00e1bios<\/u> <\/em>(sofo\/j) <em>para o bem e <u>s\u00edmplices<\/u> <\/em>(a)ke\/raioj<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> = puro, sem mistura, sem mescla, n\u00e3o adulterado, intacto)<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> <em>para o mal.<\/em> (Rm 16.19).<\/p>\n<p>A palavra (a)ke\/raioj) \u00e9 aplicada ao leite e ao vinho que n\u00e3o foram misturados com \u00e1gua; \u00e0 pureza do metal e \u00e0 muralha de uma fortaleza que se manteve intacta. Portanto, a sabedoria do Esp\u00edrito \u00e9 pura, sem dissimula\u00e7\u00e3o nem segundas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Jesus Cristo nos instrui: <em>\u201cEis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e <u>s\u00edmplices<\/u><\/em> (a)ke\/raioj) <em>como as pombas\u201d <\/em>(Mt 10.16).<\/p>\n<p>A sabedoria crist\u00e3 dos filhos de Deus se revela no seu uso para o bem. A sabedoria que procede de Deus (Tg 1.17) n\u00e3o \u00e9 empregada para o mal, para destruir ou satisfazer os nossos desejos ego\u00edstas.<\/p>\n<p>Deus, descrevendo a insensibilidade espiritual de Jud\u00e1, diz: <em>\u201c&#8230;. o meu povo est\u00e1 louco, j\u00e1 n\u00e3o me conhece; s\u00e3o filhos n\u00e9scios, e n\u00e3o entendidos; s\u00e3o s\u00e1bios para o mal, e n\u00e3o sabem fazer o bem\u201d <\/em>(Jr 4.22).<\/p>\n<p>A sabedoria crist\u00e3 \u00e9 o oposto disso. Ela se disp\u00f5e a ajudar, socorrer, edificar. O seu planejamento \u00e9 para o bem, nunca para o mal.<\/p>\n<p>Jud\u00e1 estava t\u00e3o distante de Deus que desaprendera a fazer o bem, os seus pensamentos eram ligeiros, \u00e1geis para o mal. No entanto, o desafio de Deus para n\u00f3s \u00e9 para que nos exercitemos na pr\u00e1tica do que \u00e9 justo. E quanto ao mal? Que sejamos puros quanto a ele, n\u00e3o tendo ideias para execut\u00e1-lo. No entanto, quando nos desafiarem a fazer o bem, que sejamos argutos, prontos, tendo uma vis\u00e3o perspicaz e penetrante. At\u00e9 para fazer o bem precisamos ter discernimento.<\/p>\n<p>H\u00e1, por exemplo, um tipo de assistencialismo que longe de ajudar, cria um esp\u00edrito de depend\u00eancia que n\u00e3o se configura como ajuda. Ser s\u00e1bio para o bem n\u00e3o significa conceder tudo o que nos pedem, mas, saber administrar com discernimento os recursos dispon\u00edveis, de forma criativa e fraterna visando uma contribui\u00e7\u00e3o individual e social. Assim, Deus ser\u00e1 glorificado.<\/p>\n<p>Portanto, devemos utilizar a intelig\u00eancia que Deus nos deu, para edificar, construir, socorrer, nunca para destruir, lucrar desonestamente: isto seria esperteza, que nada tem a ver com o Cristianismo e a pureza que deve caracterizar os filhos de Deus.<\/p>\n<p>Um exemplo pr\u00e1tico desta sabedoria est\u00e1 na orienta\u00e7\u00e3o de Paulo no que se refere, ainda que n\u00e3o exclusivamente, \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. Devemos aproveitar as oportunidades, falando com gra\u00e7a e com o sal que Deus nos deu, fruto de nossa transforma\u00e7\u00e3o espiritual e evid\u00eancia de nosso discipulado,<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> para que n\u00e3o sejamos ins\u00edpidos: <em>\u201c<sup>5<\/sup><u>Portai<\/u>-vos <\/em>(peripate\/w)<em> com <u>sabedoria<\/u> <\/em>(sofi\/a) <em>para com os que s\u00e3o de fora; aproveitai as <u>oportunidades<\/u> <\/em>(kairo\/j)<em>. <sup>6<\/sup>A vossa palavra seja sempre agrad\u00e1vel, temperada com sal <\/em>[com gra\u00e7a e integridade]<em>, para saberdes como deveis responder a cada um\u201d <\/em>(Cl 4.5-6).<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o de Paulo \u00e9 no sentido de que Deus, pelo Esp\u00edrito, nos d\u00ea sabedoria, nos conduzindo \u00e0 maturidade espiritual (1Co 2.6) para que entendamos a sua revela\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo mediante o conhecimento intenso de sua Pessoa. Somente pela Sabedoria do Esp\u00edrito (1Co 2.6-16),<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> tendo como padr\u00e3o a cruz de Cristo, podemos avaliar toda a realidade, envolvendo a grandeza e a mis\u00e9ria, a sabedoria e a loucura, e, o que de fato \u00e9 relevante.<\/p>\n<p>A sabedoria do Esp\u00edrito nos concede discernimento e um crit\u00e9rio absoluto para enxergar todas as coisas. Dizendo de outro modo, Paulo roga a Deus para que os ef\u00e9sios fossem cheios do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>A profundidade da sabedoria de Deus revelada na Cria\u00e7\u00e3o e em seus atos (Rm 11.33-36) n\u00e3o \u00e9 para ser alvo de especula\u00e7\u00f5es, antes, de contempla\u00e7\u00e3o adoradora e de nossa viv\u00eancia na hist\u00f3ria como povo de Deus.<\/p>\n<p>Sem o Esp\u00edrito de sabedoria jamais entender\u00edamos as maravilhas do Evangelho que consistem no conhecimento n\u00e3o de uma doutrina, mas de uma Pessoa (Jo 17.3).<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Aqui nesta ora\u00e7\u00e3o temos uma s\u00faplica retroalimentadora: pela sabedoria concedida por Deus podemos entender a revela\u00e7\u00e3o. Na compreens\u00e3o progressiva desta revela\u00e7\u00e3o vamos adquirindo, por gra\u00e7a, maior sabedoria. O conhecimento de Deus n\u00e3o se esgota. Devemos prosseguir e nos desenvolver neste conhecimento.<\/p>\n<p>Esta ora\u00e7\u00e3o se torna concreta em n\u00f3s na medida em que sinceramente desejamos a sabedoria do alto. A nossa s\u00faplica sincera por sabedoria (Tg 1.5)<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> deve vir acompanhada pela leitura e medita\u00e7\u00e3o da Escritura.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo da real necessidade que temos da sabedoria espiritual concedida por Deus, isso n\u00e3o significa que devamos abdicar de nossa capacidade de pensar conforme Deus nos concedeu. O pensamento e a f\u00e9 devem caminhar juntos. N\u00e3o estamos estabelecendo paradoxos. Antes, o que estou afirmando \u00e9 que o pensar \u00e9 um imperativo fundamental de nossa condi\u00e7\u00e3o de imagem de Deus. Como homens e mulheres criados \u00e0 imagem de Deus devemos nos valer dessa capacidade t\u00e3o cara concedida a n\u00f3s. N\u00e3o estamos estabelecendo paradoxos. Antes, o que estou afirmando \u00e9 que o pensar \u00e9 um imperativo fundamental de nossa condi\u00e7\u00e3o de imagem de Deus. Como homens e mulheres criados \u00e0 imagem de Deus devemos nos valer dessa capacidade t\u00e3o cara concedida a n\u00f3s. O pensamento e a f\u00e9 devem caminhar juntos.<\/p>\n<p>Precisamos aprender que a f\u00e9 n\u00e3o elimina a nossa responsabilidade de pensar. Pensar n\u00e3o exclui a nossa f\u00e9. Ambas as atitudes devem caracterizar a vida do crist\u00e3o a fim de que a nossa f\u00e9 seja compreens\u00edvel e a nossa raz\u00e3o seja guiada pela f\u00e9. A nossa f\u00e9 e a nossa intelig\u00eancia devem caminhar de m\u00e3os dadas em submiss\u00e3o a Deus.<\/p>\n<p>O pensar confuso, destitu\u00eddo de fundamento, leva-nos \u00e0 confus\u00e3o. O seu repetir e propagar cria uma estagna\u00e7\u00e3o social em todos os n\u00edveis. A confus\u00e3o intelectual \u00e9 uma das ra\u00edzes de repeti\u00e7\u00f5es infind\u00e1veis que sufoca a possibilidade de crescimento, ajudando a perpetuar o erro, o equ\u00edvoco e o que \u00e9 obsoleto em sua constitui\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Calvino (1509-1564), um grande expoente da Reforma Protestante, escreveu com propriedade:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Chamo servi\u00e7o n\u00e3o somente o que consiste na obedi\u00eancia \u00e0 Palavra de Deus, mas tamb\u00e9m aquele pelo qual o entendimento do homem, despojado dos seus pr\u00f3prios sentimentos, converte-se inteiramente e se sujeita ao Esp\u00edrito de Deus. Essa transforma\u00e7\u00e3o, que o ap\u00f3stolo Paulo chama renova\u00e7\u00e3o da mente [Rm 12.2], tem sido ignorada por todos os fil\u00f3sofos, apesar de constituir o primeiro ponto de acesso \u00e0 vida. Eles ensinam que somente a raz\u00e3o deve reger e dirigir o homem, e pensam que s\u00f3 a ela devemos ouvir e seguir; com isso, atribuem unicamente \u00e0 raz\u00e3o o governo da vida. Por outro lado, a filosofia crist\u00e3 pretende que a raz\u00e3o ceda e se afaste, para dar lugar ao Esp\u00edrito Santo, e que por Ele seja subjugada e conduzida, de modo que j\u00e1 n\u00e3o seja o homem que viva, mas que, tendo sofrido com Cristo, nele Cristo viva e reine.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o vivemos em um mundo de apar\u00eancias. A realidade \u00e9 acess\u00edvel e Deus deseja que a conhe\u00e7amos. O mundo real foi revelado a n\u00f3s. Deus nos concedeu meios para conhec\u00ea-lo dentro do palco maravilhoso de sua gl\u00f3ria revelado na Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Senhor nos d\u00e1 compreens\u00e3o, nos faz ter entendimento de toda a realidade. O real n\u00e3o \u00e9 uma mera utopia, antes, \u00e9 acess\u00edvel e, portanto, conhec\u00edvel. Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos acesso \u00e0 realidade, seria, por exemplo, imposs\u00edvel escrever hist\u00f3ria e, da mesma forma, estud\u00e1-la. Qual seria o sentido disso al\u00e9m de um exame psicol\u00f3gico do historiador?<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o vivemos num mundo de imagens, mas, de realidade, por mais desagrad\u00e1vel que essa possa se configurar a n\u00f3s em determinadas circunst\u00e2ncias. No entanto, precisamos refletir a respeito. N\u00e3o basta ler, \u00e9 preciso refletir. O que me faz pensar que o caminho para a compreens\u00e3o das coisas \u00e9 um pensar intenso, humilde e submisso a Deus. Nem sempre as coisas se mostram a n\u00f3s de forma clara e evidente. Precisamos pensar a respeito. O pensar e o repensar podem fazer parte de um processo cognitivo aben\u00e7oador de considerar, compreender e viver de acordo com o prop\u00f3sito de Deus.<\/p>\n<p>Todo conhecimento parte de um pr\u00e9-conhecimento que \u00e9-nos fornecido pela nossa condi\u00e7\u00e3o ontologicamente finita e pelas circunst\u00e2ncias temporais, geogr\u00e1ficas, intelectuais e sociais dentro das quais constru\u00edmos as nossas estruturas de conhecimento. Afinal, a humanidade atesta a sua humanidade; a criatura demonstra a sua condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe neutralidade existencial porque de fato, n\u00e3o h\u00e1 neutralidade ontol\u00f3gica.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><strong><sup>[19]<\/sup><\/strong><\/a> Esta realidade prejulgadora na maioria das vezes \u00e9-nos impercept\u00edvel. O que pensamos determina a nossa vis\u00e3o e compreens\u00e3o do objeto. Numa rela\u00e7\u00e3o de conhecimento, o c\u00e9rebro influencia mais o olho do que o olho ao c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a vis\u00e3o que tenho, ainda que respaldada por forte elemento referente, \u00e9 minha vis\u00e3o, com suas particularidades. Em geral, o que me privilegia, me delimita. Em outras palavras: o que me possibilita uma vis\u00e3o mais adequada de um ponto, \u00e9 justamente o que dificulta a vis\u00e3o mais ampla de outros. \u00c9 por esse, entre outros motivos, que a ci\u00eancia \u00e9 um saber social, constitu\u00eddo de v\u00e1rias vis\u00f5es, de diversos saberes que se completam,<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> se transformam e se aperfei\u00e7oam.<\/p>\n<p>A realidade se mostra a n\u00f3s com contornos pr\u00f3prios delineados n\u00e3o simplesmente pelo que ela \u00e9, mas, tamb\u00e9m, pelos nossos olhos que a enxergam e pin\u00e7am fragmentos desta realidade conferindo-lhes novas configura\u00e7\u00f5es com cores mais ou menos vivas, atribuindo-lhes valores muitas vezes bastante distintos dos reais.<\/p>\n<p>Desta forma, a avalia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de todas as coisas dever\u00e1 ser cr\u00edtica e construtiva. A cosmovis\u00e3o do ser pensante, por mais apaixonante e intensa que seja,<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><strong><sup>[21]<\/sup><\/strong><\/a> n\u00e3o pode estar acima de uma avalia\u00e7\u00e3o. O seu produto n\u00e3o \u00e9 simplesmente produto de seu g\u00eanio aut\u00f4nomo, desejado, por\u00e9m, inexistente. Ali\u00e1s, inclino-me a crer que o seu g\u00eanio \u00e9 profundamente modelado pelo \u201cclima\u201d ou \u201catmosfera\u201d de sua \u00e9poca, pelas cores com as quais a realidade \u00e9 pintada e os acordes que d\u00e3o o tom aos valores hodiernos, ainda que isso n\u00e3o determine uma \u00fanica forma de apreens\u00e3o e express\u00e3o, como sublinha W\u00f6lfflin (1864-1945).<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><strong><sup>[22]<\/sup><\/strong><\/a> Ali\u00e1s, nem um de n\u00f3s pode ser separado da hist\u00f3ria e da sua hist\u00f3ria.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<h2>O perigo de sacrificar princ\u00edpios<\/h2>\n<p>Contudo, uma tenta\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s \u00e9 sacrificar princ\u00edpios que consideramos absolutos, os relativizando a fim de sermos aceitos pelos nossos pares, ou, nos considerar atualizados. Os vi\u00favos intelectuais de hoje, foram, em geral, casados com a moda tortuosa de ontem. O cons\u00f3rcio intelectual motivado por desejos estranhos \u00e0 busca da verdade e instru\u00e7\u00e3o a fim de uma vida digna, em geral \u00e9 decepcionante e o seu fim pode ser tr\u00e1gico.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> A mudan\u00e7a inconsistente de refer\u00eancia \u00e9, em geral deprimente, revelando a fraqueza moral de seus praticantes.<\/p>\n<p>Henry (1913-2003), pontua bem a quest\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Sancionar a \u201ccredibilidade\u201d da investiga\u00e7\u00e3o crist\u00e3, exibindo em primeiro lugar sua compatibilidade com teorias estranhas, significa apenas mercadejar a singularidade do cristianismo. (&#8230;) De modo similar, os crist\u00e3os devem apresentar sua distintiva maneira de ver a verdade, que engloba o Deus que cria e\u00a0 ilumina nossos mecanismos formadores de cren\u00e7a. Os crist\u00e3os n\u00e3o devem sentir compuls\u00e3o alguma para afinar sua epistemologia te\u00edstica transcendente para coincidir com as prefer\u00eancias de fil\u00f3sofos hostis.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 extremamente f\u00e1cil e perigoso nos deixarmos seduzir pelos nossos pr\u00f3prios pensamentos a respeito do pensamento vigente e aparentemente definitivo. O nosso amanh\u00e3 poder\u00e1 refletir tragicamente o nosso cons\u00f3rcio intelectual e moral de hoje.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><strong><sup>[26]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Por sua vez, as s\u00ednteses que por vezes fazemos, tendem a ignorar as reais ant\u00edteses de nosso pensamento \u2013 ora as minimizando, ora as ocultando \u2013, demonstrando, a inconsist\u00eancia de nossa percep\u00e7\u00e3o ou, talvez de nosso car\u00e1ter, o que \u00e9 bem pior.<\/p>\n<p>Beeke e Jones escrevem com pesar: \u201cSeja em virtude da ignor\u00e2ncia das Escrituras, seja em virtude de uma distor\u00e7\u00e3o das Escrituras para que estas se adaptem aos nossos desejos, perdemos nossas convic\u00e7\u00f5es antit\u00e9ticas acerca do mundo \u00edmpio ao nosso redor\u201d.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n<p>Somos chamados a vivenciar a nossa f\u00e9 em todos os desafios que se apresentam em nossa cultura. Portanto, n\u00e3o estamos propondo uma aliena\u00e7\u00e3o da cultura, nem, simplesmente, uma identifica\u00e7\u00e3o cultural irrespons\u00e1vel, imaginando que a for\u00e7a da igreja esteja em sua semelhan\u00e7a e n\u00e3o na sua diferen\u00e7a gen\u00e9tica e, portanto, naturalmente sobrenatural. Fomos gerados de novo para uma nova vida caracterizada por uma nova esperan\u00e7a, fundamentada na historicidade da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que perpassa e confere sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia hoje (1Pe 1.3,13,21; 3.15\/1Tm 4.10).<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><strong><sup>[28]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>O equil\u00edbrio aqui \u00e9 necess\u00e1rio. Estamos no mundo, mas, n\u00e3o somos deste mundo. Somos peregrinos, estrangeiros e h\u00f3spedes.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<p>Valendo-me de uma express\u00e3o de Tchividjian, diria que somos \u201cestrangeiros residentes\u201d.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> \u00c9 natural que haja uma tens\u00e3o em n\u00f3s. Somos imperfeitos, limitados, temos nossos anseios que, por vezes, tendem a ser maximizados em meio a aspectos da nossa cultura t\u00e3o convidativos e, em certo sentido, confort\u00e1veis. \u00c9 necess\u00e1rio discernimento para que n\u00e3o caiamos no mundanismo intelectual e vivencial, o que inviabilizaria totalmente a nossa possibilidade de influ\u00eancia em nosso meio. N\u00e3o podemos permitir que a nossa mente e o nosso comportamento sejam regidos pela forma mundana e pag\u00e3 de pensar e agir. Ingressar\u00edamos, assim, num ate\u00edsmo pr\u00e1tico ou funcional, que se caracteriza pela dire\u00e7\u00e3o de sua vida como se Deus n\u00e3o existisse.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>Veith usa um exemplo pertinente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O desejo de ser intelectualmente respeit\u00e1vel pode produzir h\u00edbridos de secularismo e Cristianismo, como visto na teologia liberal, ou levar \u00e0 total incredulidade. O desejo de ser socialmente respeit\u00e1vel pode corroer a severidade da moralidade b\u00edblica para uma toler\u00e2ncia livre e f\u00e1cil que pode chegar a justificar, tanto em outros como em si mesmo, a imoralidade mais chocante. O desejo de ser popular pode se tornar um pretexto para atenuar ou abandonar verdades b\u00edblicas em favor de cren\u00e7as que estejam mais em voga.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Deus opera ordinariamente em nossa vida por meio da Palavra. E \u00e9 esta opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em nossos cora\u00e7\u00f5es que nos transforma concedendo-nos uma vis\u00e3o diferente da realidade e, tamb\u00e9m, um modo de agir condizente com a nossa nova natureza. Neste sentido, \u00e9 que Jesus Cristo disse que o mundo odiou os seus disc\u00edpulos e, acrescentou: <em>\u201cEles n\u00e3o s\u00e3o do mundo\u201d<\/em> (Jo 17.14). \u201cA primeira coisa que verdadeiramente caracteriza o crist\u00e3o \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 deste mundo, e n\u00e3o lhe pertence\u201d.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/p>\n<p>Na <em>Rep\u00fablica<\/em>, Plat\u00e3o (427-347 a.C.) referindo-se \u00e0queles que adquiriram o conhecimento verdadeiro, demonstra como os demais saberes tornaram-se secund\u00e1rios: \u201cOs que ascenderam \u00e0quele ponto n\u00e3o querem tratar dos assuntos dos homens, antes se esfor\u00e7am sempre por manter a sua alma nas alturas\u201d.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>Acreditamos que podemos conhecer a verdade \u2013 ainda que n\u00e3o exaustivamente \u2012 porque nenhuma cosmovis\u00e3o est\u00e1 acima de uma avalia\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Os bereanos se constituem em exemplo de uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa do que ouviram, primariamente, com aten\u00e7\u00e3o e interesse, independente de quem lhes ensinava, conforme narra Lucas: <em>\u201cOra, estes de Ber\u00e9ia eram mais nobres que os de Tessal\u00f4nica; pois receberam a palavra com toda a avidez, <u>examinando<\/u> <\/em>(a)nakri\/zw) (\u201cfazer uma pesquisa cuidadosa\u201d, um \u201cexame criterioso\u201d, \u201cinquirir\u201d)<em> as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim<\/em>\u201d (At 17.11).<\/p>\n<p>O nosso desejo de servir a Deus nos valendo, inclusive, de ferramentas variadas, com o prop\u00f3sito de melhor conhecer a realidade e de servir ao nosso pr\u00f3ximo na melhor compreens\u00e3o da verdade, n\u00e3o nos deve tornar presas f\u00e1ceis de qualquer ensinamento ou doutrina.<\/p>\n<p>Precisamos cientificar-nos se aquilo que \u00e9-nos transmitido procede ou n\u00e3o de Deus. Para este exame, temos as Escrituras Sagradas como fonte de todo conhecimento revelado a respeito de Deus e do que Ele deseja de n\u00f3s. O n\u00e3o investigar (Sl 10.4) \u00e9 um mal em si mesmo. Um bom princ\u00edpio \u00e9 examinar o que se nos apresenta como realidade dentro de suas multif\u00e1rias percep\u00e7\u00f5es,<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><strong><sup>[35]<\/sup><\/strong><\/a> n\u00e3o nos deixando seduzir e guiar por nossas inclina\u00e7\u00f5es ou pelas tend\u00eancias massificantes.<\/p>\n<p>Em geral, quando nos faltam crit\u00e9rios objetivos, apelamos para o gosto como crit\u00e9rio definitivo e solit\u00e1rio. Desse modo, somos conduzidos simplesmente por princ\u00edpios que nos agradam sem verificar a sua veracidade. O fim disso pode ser tr\u00e1gico. Assim sendo, por mais autoeloquentes que possam se configurar aspectos da chamada realidade, precisamos examin\u00e1-los antes de os tomarmos como pressupostos para a aceita\u00e7\u00e3o de outras declara\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m reivindicat\u00f3rias. Quando nos omitimos deste exame, deste ju\u00edzo cr\u00edtico, sem percebermos, estamos contribuindo para que os ensinamentos hoje aceitos inconsistentemente, amanh\u00e3 se tornem pressupostos que determinar\u00e3o as nossas escolhas e avalia\u00e7\u00f5es.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><strong><sup>[36]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>As <em>hip\u00f3teses<\/em> de hoje poder\u00e3o se tornar nas <em>teorias<\/em> de amanh\u00e3 e as futuras <em>leis<\/em> do pensamento e da moral.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> Neste caso, j\u00e1 estar\u00e3o acima de qualquer suspeita e discuss\u00e3o: tornaram-se verdade. A ci\u00eancia \u00e9, com frequ\u00eancia, um refinamento das observa\u00e7\u00f5es cotidianas.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><strong><sup>[38]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Como escreveu Pearcey: \u201cA quest\u00e3o importante \u00e9 o que aceitamos como premissas b\u00e1sicas, pois s\u00e3o elas que moldam tudo o que vem depois\u201d.<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"><strong><sup>[39]<\/sup><\/strong><\/a> H\u00e1 o perigo de, sem nos darmos conta, formar a nossa cosmovis\u00e3o baseados em um mosaico de pe\u00e7as prom\u00edscuas, contradit\u00f3rias e excludentes.<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n<p>O homem n\u00e3o \u00e9 a medida de todas as coisas como queria Prot\u00e1goras (c. 480-410 a.C.)<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\"><strong><sup>[41]<\/sup><\/strong><\/a> e os Renascentistas ao revisitarem a sua frase.<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"><strong><sup>[42]<\/sup><\/strong><\/a> No entanto, isto n\u00e3o significa a admiss\u00e3o de falta de um referencial, antes, na afirma\u00e7\u00e3o de que Jesus Cristo \u00e9 a medida, o c\u00e2non da verdade e, portanto, de toda avalia\u00e7\u00e3o que fizermos da realidade que nos circunda.<\/p>\n<p>Os bereanos tinham um padr\u00e3o de verdade. Eles criam na sua exist\u00eancia e acessibilidade. Examinaram o que Paulo dizia \u00e0 luz das Escrituras, ou seja: o Antigo Testamento. Se n\u00e3o tivermos um referencial te\u00f3rico claro, como poderemos analisar de modo coerente a realidade? Sem refer\u00eancias, tudo \u00e9 poss\u00edvel dentro de um quadro interpretativo forjado conforme as circunst\u00e2ncias e meus interesses. Todo absoluto envolve ant\u00edteses. A f\u00e9 crist\u00e3 em sua ess\u00eancia \u00e9 antit\u00e9tica a todo pensamento aut\u00f4nomo.<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a><\/p>\n<p>Talvez, mesmo para n\u00f3s crist\u00e3os, esteja faltando hoje, ainda que n\u00e3o de hoje, um <em>pensamento crist\u00e3o<\/em>, uma mente cativa a Cristo que nos propicie o desenvolvimento de uma cosmovis\u00e3o crist\u00e3.<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\"><strong><sup>[44]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Cosmovis\u00e3o \u00e9 um compromisso de f\u00e9 e pr\u00e1tica. Por isso, o nosso trabalho pastoral consiste na aplica\u00e7\u00e3o de nossa f\u00e9 \u2013 criticamente avaliada a partir das Escrituras \u2013 \u00e0s condi\u00e7\u00f5es concretas de nossa exist\u00eancia. A f\u00e9 \u00e9 chamada a se materializar nos desafios que se configuram diante de n\u00f3s em nossa hist\u00f3ria de vida. E, como diz Lloyd-Jones (1899-1981): \u201cA f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 algo que se manifeste \u00e0 superf\u00edcie da vida de um homem, n\u00e3o \u00e9 meramente uma esp\u00e9cie de camada de verniz. N\u00e3o, mas \u00e9 algo que est\u00e1 sucedendo no \u00e2mago mesmo de sua personalidade\u201d.<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a><\/p>\n<p>Por conseguinte, o minist\u00e9rio pastoral \u00e9 um servi\u00e7o que prestamos a Deus por meio da igreja, do povo que Ele mesmo nos concedeu o privil\u00e9gio de pastorear. Em fidelidade a nossa voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o podemos perder de vista o nosso prop\u00f3sito: servimos a Deus dentro de nossas limita\u00e7\u00f5es e expectativas. A gra\u00e7a de Deus t\u00e3o necess\u00e1ria \u00e9 abundante e, por isso, suficiente.<\/p>\n<p>Tomemos a orienta\u00e7\u00e3o de Paulo: <em>\u201c<u>Pondera<\/u> <\/em>(noe\/w) (= atentar, compreender, pensar, entender)<em> o que acabo de dizer, porque o <u>Senhor<\/u> <\/em>(ku\/rioj)<em> te dar\u00e1 <u>compreens\u00e3o<\/u> <\/em>(su\/nesij) (= entendimento, intelig\u00eancia, discernimento)<em> em todas as coisas\u201d<\/em> (2Tm 2.7).<\/p>\n<p>O que Paulo instrui a Tim\u00f3teo \u00e9 no sentido de que ele reflita sobre o que o Ap\u00f3stolo lhe escreveu buscando a compreens\u00e3o no Senhor. Pensamento e ora\u00e7\u00e3o caminham juntos. \u201cUm ministro que ora est\u00e1 no caminho de ter um minist\u00e9rio bem-sucedido\u201d.<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\"><strong><sup>[46]<\/sup><\/strong><\/a> Contrariamente, a aus\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o determinar\u00e1 de forma tr\u00e1gica a morte de toda a sua vitalidade espiritual.<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\"><strong><sup>[47]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<h2>A piedade e sua praticidade<\/h2>\n<p>N\u00e3o podemos excluir Deus de nossas pesquisas. A piedade para tudo \u00e9 proveitosa (1Tm 4.8). N\u00e3o permitamos que a nossa f\u00e9 nos afaste de uma pesquisa s\u00e9ria.<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\"><strong><sup>[48]<\/sup><\/strong><\/a> A nossa f\u00e9 deve ser o transpirar de nossa teologia. \u201cA f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 ap\u00e1tica, uma f\u00e9 de c\u00e9rebros mortos, mas uma f\u00e9 viva, inquiridora. Como Anselmo afirmou, a nossa f\u00e9 \u00e9 uma f\u00e9 que busca entendimento\u201d, resume Craig.<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\"><strong><sup>[49]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>A nossa f\u00e9 nunca pode ser algo ocioso.<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\"><strong><sup>[50]<\/sup><\/strong><\/a> Devemos, portanto, pensar sobre o pensar rogando a Deus a sua ilumina\u00e7\u00e3o. As nossas m\u00e3os devem ser agentes daquilo que, por gra\u00e7a temos percebido. Deus mesmo, por gra\u00e7a, nos dar\u00e1 o discernimento sobre todas as coisas. Pense sobre isso. Ore, persevere em orar a respeito.\u00a0 Aos ministros de modo especial: Pregue a Palavra com fidelidade, profundidade, integridade e simplicidade.<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\"><strong><sup>[51]<\/sup><\/strong><\/a> Cumpra a sua voca\u00e7\u00e3o. Ou\u00e7a o Esp\u00edrito falando por meio da sua Palavra. Viva esta Palavra. Ensine \u00e0 Igreja a Palavra do Esp\u00edrito. Assim Deus ser\u00e1 glorificado. Ele mesmo, o Senhor da Gl\u00f3ria, haver\u00e1 de aben\u00e7o\u00e1-los suprindo todas e cada uma de suas necessidades.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> *2Co 7.11; 2Co 11.2; Fp 4.8; 1Tm 5.22; Tt 2.5; Tg 3.17; 1Pe 3.2; 1Jo 3.3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> *Hb 12.11; Tg 3.17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> *Fp 4.5; 1Tm 3.3; Tt 3.2; Tg 3.17; 1Pe 2.18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> *Rm 12.9; 2Co 6.6; 1Tm 1.5; 2Tm 1.5; Tg 3.17; 1Pe 1.22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Veja-se: Vern S. Poythress, <em>O Senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, em toda a vida e de todo o nosso cora\u00e7\u00e3o, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 53.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Hendriksen e especialmente Barclay (1907-1978) desenvolvem este conceito com varia\u00e7\u00f5es estimulantes. Vejam-se: William Hendriksen, <em>Mateus<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2001, v. 1, (Mt 5.8), p. 387-388; William Barclay, <em>El Nuevo Testamento Comentado, <\/em>Buenos Aires: La Aurora, 1973, v. 1, (Mt 5.8), p. 116-117.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Veja a figura em Polanyi, citada por McGrath (Alister E. McGrath, <em>Surpreendido pelo sentido: ci\u00eancia, f\u00e9 e o sentido das coisas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2015, p. 24).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a><em>\u201c\u00d3 SENHOR, Senhor nosso, qu\u00e3o magn\u00edfico em toda a terra \u00e9 o teu nome! Pois expuseste nos c\u00e9us a tua majestade\u201d<\/em> (Sl 8.1). <em>\u201cOs c\u00e9us proclamam a gl\u00f3ria de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas m\u00e3os\u201d<\/em> (Sl 19.1).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> John MacArthur Jr., <em>O Caminho da Felicidade, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2001, p. 148.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>\u201cSe porventura algu\u00e9m tenha adquirido desde sua tenra juventude um s\u00f3lido conhecimento das Escrituras, o mesmo deve considerar tal coisa como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial da parte de Deus\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (2Tm 3.15), p. 261).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> *Mt 10.16; Rm 16.19; Fp 2.15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Tem o sentido figurado de <em>pureza<\/em>, <em>inoc\u00eancia<\/em>, <em>integridade.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><em>\u201cBom \u00e9 o sal; mas, se o sal vier a tornar-se ins\u00edpido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em v\u00f3s mesmos e paz uns com os outros\u201d <\/em>(Mc 9.50\/Mt 5.13).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a><em>\u201c <sup>6<\/sup> Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; n\u00e3o, por\u00e9m, a sabedoria deste s\u00e9culo, nem a dos poderosos desta \u00e9poca, que se reduzem a nada; <sup>7<\/sup> mas falamos a sabedoria de Deus em mist\u00e9rio, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa gl\u00f3ria; <sup>8<\/sup> sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste s\u00e9culo conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da gl\u00f3ria; <sup>9<\/sup> mas, como est\u00e1 escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em cora\u00e7\u00e3o humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. <sup>10<\/sup> Mas Deus no-lo revelou pelo Esp\u00edrito; porque o Esp\u00edrito a todas as coisas perscruta, at\u00e9 mesmo as profundezas de Deus. <sup>11<\/sup> Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, sen\u00e3o o seu pr\u00f3prio esp\u00edrito, que nele est\u00e1? Assim, tamb\u00e9m as coisas de Deus, ningu\u00e9m as conhece, sen\u00e3o o Esp\u00edrito de Deus. <sup>12<\/sup> Ora, n\u00f3s n\u00e3o temos recebido o esp\u00edrito do mundo, e sim o Esp\u00edrito que vem de Deus, para que conhe\u00e7amos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. <sup>13<\/sup> Disto tamb\u00e9m falamos, n\u00e3o em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Esp\u00edrito, conferindo coisas espirituais com espirituais. <sup>14<\/sup> Ora, o homem natural n\u00e3o aceita as coisas do Esp\u00edrito de Deus, porque lhe s\u00e3o loucura; e n\u00e3o pode entend\u00ea-las, porque elas se discernem espiritualmente. <sup>15<\/sup> Por\u00e9m o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo n\u00e3o \u00e9 julgado por ningu\u00e9m. <sup>16<\/sup> Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? N\u00f3s, por\u00e9m, temos a mente de Cristo\u201d <\/em>(1Co 2.6-16).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a><em>\u201cE a vida eterna \u00e9 esta: que te conhe\u00e7am a ti, o \u00fanico Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste\u201d <\/em>(Jo 17.3).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a><em>\u201c<\/em><em>Se, por\u00e9m, algum de v\u00f3s necessita de sabedoria, pe\u00e7a-a a Deus, que a todos d\u00e1 liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-\u00e1 concedida\u201d <\/em>(Tg 1.5).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 4, (IV.17), p. 184 (Veja-se a nota 5 <em>in loc.<\/em>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Sei que a narrativa hist\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 objetiva e que o historiador \u00e9 fundamental no di\u00e1logo com os \u201cfatos\u201d. Para uma abordagem mais detalhada sobre o assunto, veja-se: Hermisten M. P. Costa, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Metodologia das ci\u00eancias teol\u00f3gicas, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Editora Cruz, 2015, p. 155-208.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Vejam-se: H.R. Rookmaaker, <em>A Arte n\u00e3o precisa de justificativa, <\/em>Vi\u00e7osa, MG.: Editora Ultimato, 2010, p. 39; H.R. Rookmaaker, <em>Arte Moderno y la Muerte de una Cultura, <\/em>Barcelona: CLIE; Publicaciones Andamio, 2002, p. 285-286; L. Kalsbeek, <em>Contornos da Filosofia Crist\u00e3, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p. 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> \u201cA ci\u00eancia \u00e9 obra coletiva, porquanto sup\u00f5e vasta coopera\u00e7\u00e3o de todos os s\u00e1bios, n\u00e3o somente de dada \u00e9poca, mas de todas as \u00e9pocas que se sucedem na hist\u00f3ria\u201d (\u00c9mile Durkheim, <em>Educa\u00e7\u00e3o e Sociologia<\/em>, 5. ed. S\u00e3o Paulo: Melhoramentos, (s.d.) p. 35).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>\u201cCosmovis\u00e3o \u00e9 um compromisso, uma orienta\u00e7\u00e3o fundamental do cora\u00e7\u00e3o que pode ser expresso como uma est\u00f3ria ou num conjunto de pressuposi\u00e7\u00f5es (suposi\u00e7\u00f5es que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas) que sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constitui\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da realidade, e que fornece o fundamento no qual vivemos, nos movemos e existimos\u201d (James W. Sire, <em>Dando nome ao elefante: Cosmovis\u00e3o como um conceito. <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2012, p. 179). \u201cA ess\u00eancia de uma cosmovis\u00e3o reside profundamente nos rec\u00f4nditos interiores do eu humano\u201d (<em>Ibidem.,<\/em> p. 180). \u201cCosmovis\u00f5es s\u00e3o uma quest\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Ibidem<\/em>., p. 181). \u201cSe havemos de ter uma cosmovis\u00e3o crist\u00e3, buscaremos eliminar as contradi\u00e7\u00f5es em nossa cosmovis\u00e3o\u201d (<em>Ibidem<\/em>., p. 193). \u201cVivemos a nossa cosmovis\u00e3o ou ela n\u00e3o \u00e9 a nossa cosmovis\u00e3o\u201d (<em>Ibidem<\/em>., p. 195).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Heinrich W\u00f6lfflin, <em>Conceitos Fundamentais da Hist\u00f3ria da Arte, <\/em>4. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2000, (2\u00aa tiragem) 2006, p. 331ss. No campo da hist\u00f3ria, tempos percep\u00e7\u00f5es semelhantes. Destaco dois autores: Jacob Burckhardt (1818-1897) \u2013 um dos maiores historiadores do s\u00e9culo XIX \u2013 referindo-se \u00e0 sua obra magna sobre o Renascimento (1855), admitiu que: &#8220;&#8230;.os mesmos estudos realizados para este trabalho poderiam, nas m\u00e3os de outrem, facilmente experimentar n\u00e3o apenas utiliza\u00e7\u00e3o e tratamento totalmente distintos, como tamb\u00e9m ensejar conclus\u00f5es substancialmente diversas&#8221; (Jacob Burckhardt, <em>A Cultura do Renascimento na It\u00e1lia: Um Ensaio,<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 21). Do mesmo modo, um historiador contempor\u00e2neo, Delumeau: \u201cIdentificar um caminho n\u00e3o implica ach\u00e1-lo sempre belo, como n\u00e3o implica que n\u00e3o haja outro poss\u00edvel\u201d (Jean Delumeau, <em>A Civiliza\u00e7\u00e3o do Renascimento,<\/em> Lisboa: Editorial Estampa, 1984, v. 1, p. 21).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>\u201cPor mais que lutemos arduamente para evitar os preconceitos associados \u00e0 cor, credo, classe ou sexo, n\u00e3o podemos evitar olhar o passado de um ponto de vista particular. O relativismo cultural obviamente se aplica, tanto \u00e0 pr\u00f3pria escrita da hist\u00f3ria, quanto a seus chamados objetos. Nossas mentes n\u00e3o refletem diretamente a realidade. S\u00f3 percebemos o mundo atrav\u00e9s de uma estrutura de conven\u00e7\u00f5es, esquemas e estere\u00f3tipos, um entrela\u00e7amento que varia de uma cultura para outra\u201d (Peter Burke, Abertura: a nova hist\u00f3ria, seu passado e seu futuro: in: Peter Burke, org. <em>A Escrita da Hist\u00f3ria: novas perspectivas,<\/em> S\u00e3o Paulo: UNESP., 1992, p. 15.).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> \u201cOs fil\u00f3sofos crist\u00e3os n\u00e3o deveriam ser t\u00e3o r\u00e1pidos na ado\u00e7\u00e3o de ideias e modas filos\u00f3ficas hist\u00f3ricas ou contempor\u00e2neas a n\u00e3o ser que elas se ajustem bem aos nossos compromissos crist\u00e3os\u201d (David K. Naugle, <em>Filosofia: um guia para estudantes, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2014, p. 140).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Carl F.H. Henry, <em>O Resgate da F\u00e9 Crist\u00e3, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2014, p. 54-55.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Vejam-se: Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2007, p. 59; W. G. Tullian Tchividjian, <em>Fora de Moda, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Joel Beeke; Mark Jones, <em>Teologia Puritana: Doutrina para a vida, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2016, p. 1196.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a><em>\u201cBendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita miseric\u00f3rdia, nos regenerou para uma viva esperan\u00e7a, mediante a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo dentre os mortos\u201d<\/em> (1Pe 1.3). <em>\u201cPor isso, cingindo o vosso entendimento, sede s\u00f3brios e esperai inteiramente na gra\u00e7a que vos est\u00e1 sendo trazida na revela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u201d<\/em> (1Pe 1.13). <em>\u201cQue, por meio dele (Jesus Cristo), tendes f\u00e9 em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu gl\u00f3ria, de sorte que a vossa f\u00e9 e esperan\u00e7a estejam em Deus\u201d <\/em>(1Pe 1.21). <em>\u201cAntes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso cora\u00e7\u00e3o, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir raz\u00e3o da esperan\u00e7a que h\u00e1 em v\u00f3s\u201d <\/em>(1Pe 3.15). <em>\u201cOra, \u00e9 para esse fim que labutamos e nos esfor\u00e7amos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperan\u00e7a no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fi\u00e9is\u201d <\/em>(1Tm 4.10).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>Vejam-se:\u00a0 D.M. Lloyd-Jones, <em>O Supremo Prop\u00f3sito de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1996, p. 367; John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1996 (Reprinted), v. 22, (1Pe 2.11), p. 78; Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Paracletos, 1997, (Hb 13.14), p. 391-392.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>W. G. Tullian Tchividjian, <em>Fora de Moda, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 93.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> \u201cUma grande porcentagem das pessoas de hoje diria que cr\u00ea em Deus, mas raramente lhe dedica um pensamento e rotineiramente tomam suas decis\u00f5es como se Ele n\u00e3o existisse\u201d (John M. Frame, <em>A Doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 23).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>Gene Edward Veith, Jr, <em>De Todo o Teu Entendimento<\/em>, p. 88.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>D. M. Lloyd-Jones, <em>Seguros Mesmo no Mundo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 2005 (Certeza Espiritual: v. 2), p. 25. \u00c0 frente, continua: \u201cSer do mundo pode ser assim resumido \u2013 \u00e9 vida, imaginada e vivida, separadamente de Deus. Noutras palavras, o que decide definitiva e especificamente se eu e voc\u00eas somos do mundo ou n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tanto o que podemos fazer em particular como a nossa atitude fundamental. \u00c9 uma atitude para com todas as coisas, para com Deus, para com n\u00f3s mesmos, e para com a vida neste mundo; em \u00faltima an\u00e1lise, ser do mundo \u00e9 ver todas estas coisas separadamente de Deus [&#8230;]<\/p>\n<p>\u201cSer do mundo \u2013 e isso \u00e9 repetido pelos ap\u00f3stolos \u2013 significa que somos governados pela mente, pela perspectiva e pelos procedimentos deste mundo no qual vivemos\u201d (D. Martyn Lloyd-Jones, <em>Seguros mesmo no Mundo,<\/em> p. 28-29).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>Plat\u00e3o, <em>A Rep\u00fablica, <\/em>7. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, (1993), 517c-d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> \u201cA prova de que as coisas s\u00e3o apenas valores \u00e9 \u00f3bvia; pegue-se uma coisa qualquer, transmita-lhe diferente sistema de valora\u00e7\u00e3o, e se ter\u00e1 outras tantas coisas diferentes em lugar de apenas uma. Compare-se o que \u00e9 a terra para um lavrador e para um astr\u00f4nomo: para o lavrador \u00e9 suficiente pisar a rubra pele do planeta e arranh\u00e1-la com o arado; sua terra \u00e9 um caminho, uns sulcos e umas messes. O astr\u00f4nomo necessita determinar exatamente o lugar que o globo ocupa em cada instante dentro da enorme suposi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o sideral: o ponto de vista da exatid\u00e3o o obriga a convert\u00ea-la em uma abstra\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, em um caso da gravita\u00e7\u00e3o universal. O exemplo poderia continuar indefinidamente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe, portanto, essa suposta realidade imut\u00e1vel e \u00fanica com a qual se pode comparar os conte\u00fados das obras art\u00edsticas; h\u00e1 tantas realidades quanto pontos de vista. O ponto de vista cria o panorama. H\u00e1 uma realidade de todos os dias formada por um sistema de laxas rela\u00e7\u00f5es, aproximativas, vagas o suficiente para os usos da vida cotidiana. H\u00e1 uma realidade cient\u00edfica forjada em um sistema de rela\u00e7\u00f5es exatas, impostas pela necessidade de exatid\u00e3o. Ver e tocar as coisas n\u00e3o s\u00e3o, no fim das contas, sen\u00e3o maneiras de pens\u00e1-las\u201d (Ortega y Gasset, Ad\u00e3o no Para\u00edso: In: Juan Esc\u00e1rnez S\u00e1nchez, <em>Ortega y Gasset,<\/em> Recife: Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010, p. 127).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>Veja-se: C.S. Lewis, <em>A Aboli\u00e7\u00e3o do Homem, <\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 5. \u201dOs meio-deuses de uma gera\u00e7\u00e3o logo passam a ser o objeto do rid\u00edculo da gera\u00e7\u00e3o seguinte\u201d (Carl F.H. Henry, <em>O Resgate da F\u00e9 Crist\u00e3, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2014, p. 45).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> \u201cAquilo que come\u00e7a hoje como uma especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica acaba movendo ex\u00e9rcitos e construindo imp\u00e9rios amanh\u00e3\u201d (Michael S. Horton, <em>O Crist\u00e3o e a Cultura, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, p. 154).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>Julgo ser interessante ler o artigo: Taylor B. Jones, Por que uma vis\u00e3o b\u00edblica da Ci\u00eancia?: In: John MacArthur, ed. ger., <em>Pense Biblicamente!: recuperando a vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2005, especialmente, p. 337-363.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a>Nancy Pearcey, <em>Verdade Absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural, <\/em>Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006, p. 44.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a>Veja-se: Nancy Pearcey, <em>Verdade Absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural, <\/em>Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006, p. 48. Creio que de certa forma foi isso o que disse Gramsci (1891-1937), obviamente com referencial totalmente distinto do nosso: \u201cQuando a concep\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa pr\u00f3pria personalidade\u00a0 \u00e9 comp\u00f3sita, de uma maneira bizarra&#8230;.\u201d (Antonio Gramsci, <em>Cadernos do c\u00e1rcere, <\/em>12. ed. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2020, v. 1, p. 94).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a><em>Apud <\/em>Plat\u00e3o, <em>Teeteto<\/em>, 152a: In: <em>Teeteto-Cr\u00e1tilo, <\/em>2. ed. Bel\u00e9m: Universidade Federal do Par\u00e1, 1988, p 15. Citado tamb\u00e9m em Plat\u00e3o, <em>Cr\u00e1tilo, <\/em>385e. Arist\u00f3teles, diz: &#8220;O princ\u00edpio (&#8230;) expresso por Prot\u00e1goras, que afirmava ser o homem a medida de todas as coisas (&#8230;) outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o que aquilo que parece a cada um tamb\u00e9m o \u00e9 certamente. Mas, se isto \u00e9 verdade, conclui-se que a mesma cousa \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo e que \u00e9 boa e m\u00e1 ao mesmo tempo, e, assim, desta maneira, re\u00fane em si todos os opostos, porque ami\u00fade uma cousa parece bela a uns e feia a outros, e deve valer como medida o que parece a cada um\u201d (<em>Metaf\u00edsica<\/em>, XI, 6. 1 062. Veja-se tamb\u00e9m, Plat\u00e3o, <em>Eutidemo<\/em>, 286). Plat\u00e3o diferentemente de Prot\u00e1goras, entendia que a medida de todas as coisas estava em Deus. \u201cAos nossos olhos a divindade ser\u00e1 \u2018a medida de todas as coisas\u2019 no mais alto grau\u201d (Plat\u00e3o, <em>As Leis,<\/em> Bauru, SP.: EDIPRO, 1999, IV, 716c. p. 189).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> \u201cVivemos em uma cultura que procura nos convencer de que o homem \u00e9 a medida de todas as coisas \u2012 cada um \u00e9 o pr\u00f3prio capit\u00e3o de seu destino e o senhor de sua alma\u201d (W. G. Tullian Tchividjian, <em>Fora de Moda, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 44).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> Veja-se: Vern S. Poythress, <em>Redimindo a filosofia: uma abordagem teoc\u00eantrica \u00e0s grandes quest\u00f5es,<\/em> Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 79ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> \u201cNossas igrejas est\u00e3o cheias de pessoas que s\u00e3o espiritualmente nascidas de novo, mas que ainda pensam como n\u00e3o crist\u00e3s\u201d (William L. Craig, <em>Apolog\u00e9tica Crist\u00e3 para Quest\u00f5es dif\u00edceis da vida, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2010, p. 14).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> David M. Lloyd-Jones, <em>Estudos no Serm\u00e3o do Monte<\/em>, S\u00e3o Paulo: Editora Fiel, 1984, p. 89.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a>John Shaw, <em>The Character of a Pastor According to God\u2019s Considered, <\/em>Morgan, Pa.: Soli Deo Gloria, 1992, p. 10. <em>Apud <\/em>Alistair Begg, <em>Pregando para a Gl\u00f3ria de Deus, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2014, p. 63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a> \u201cA ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a conversa da alma com Deus. (&#8230;) Um homem sem ora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e totalmente irreligioso. N\u00e3o pode haver vida sem atividade. Assim como o corpo est\u00e1 morto quando cessa sua atividade, assim a alma que n\u00e3o se dirige em suas a\u00e7\u00f5es a Deus, que vive como se n\u00e3o houvesse Deus, est\u00e1 espiritualmente morta\u201d (Charles Hodge, <em>Systematic Theology, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Eerdmans,1986 (Reprinted), v. 3, p. 692).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a> \u201cTorne sua vida \u2012 especialmente sua vida de estudos \u2012 uma vida de constante comunh\u00e3o com Deus em ora\u00e7\u00e3o. O aroma de Deus n\u00e3o permanece por muito tempo sobre uma pessoa que n\u00e3o se demora em sua presen\u00e7a (&#8230;). Somos chamados ao minist\u00e9rio da Palavra e da <em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>, porque sem ora\u00e7\u00e3o o Deus de nossos estudos ser\u00e1 o Deus que n\u00e3o assusta, que n\u00e3o inspira, oriundo de uma pr\u00e1tica acad\u00eamica ardilosa&#8221; (John Piper, <em>A Supremacia de Deus na Prega\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2003, p. 57).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a>William L. Craig, <em>Apolog\u00e9tica Crist\u00e3 para Quest\u00f5es dif\u00edceis da vida<\/em>, S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2010, p. 29. De igual modo: Garrett J. DeWeese; J.P. Moreland, <em>Filosofia Concisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2011, p. 158. \u00a0Veja-se tamb\u00e9m: Leo Strauss; Eric Voegelin, <em>F\u00e9 e filosofia pol\u00edtica: a correspond\u00eancia entre Leo Strauss e Eric Voegelin, <\/em>S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2017, p. 169.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a>Veja-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 134.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a> \u201cO uso de uma linguagem mais dif\u00edcil pode ser a forma correta em determinadas situa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o \u00e9 a forma correta na prega\u00e7\u00e3o. Prega\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas verbalmente. T\u00eam como objetivo o ser compreendido. Se, ocasionalmente, \u00e9 necess\u00e1rio o uso de palavras incomuns, elas s\u00e3o explicadas. Pregadores que n\u00e3o usam palavras do dia-a-dia em suas mensagens n\u00e3o est\u00e3o ministrando como o seu Mestre\u201d (Stuart Olyott, <em>Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os m\u00e9todos de Jesus, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, \u00a9 2005, 2010 (Reimpress\u00e3o), p. 12). \u201cA prega\u00e7\u00e3o de hoje deve ser feita em uma linguagem de comunica\u00e7\u00e3o social; caso contr\u00e1rio, haver\u00e1 um obst\u00e1culo ao entendimento\u201d (Francis A. Schaeffer, <em>A Arte e a B\u00edblia, <\/em>Vi\u00e7osa, MG.: Editora Ultimato, 2010, p. 63).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sabedoria b\u00edblica consiste n\u00e3o no ac\u00famulo de conhecimento, antes, em um modo de vida que reflita a sabedoria de Deus revelada em Cristo Jesus, em quem temos o modelo encarnado da plenitude de sabedoria.<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":58964,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"A sabedoria b\u00edblica consiste n\u00e3o no ac\u00famulo de conhecimento, antes, em um modo de vida que reflita a sabedoria de 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