{"id":59591,"date":"2021-08-25T21:00:59","date_gmt":"2021-08-26T00:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=59591"},"modified":"2021-08-25T10:07:47","modified_gmt":"2021-08-25T13:07:47","slug":"invertendo-o-evangelho-b-b-warfield-sobre-raca-e-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2021\/08\/invertendo-o-evangelho-b-b-warfield-sobre-raca-e-racismo\/","title":{"rendered":"Invertendo o Evangelho: B. B. Warfield sobre Ra\u00e7a e Racismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<strong>RESUMO:<\/strong><br \/>\n<em>O gigante da Velha Princeton, Benjamin Breckinridge Warfield, condenou explicitamente o racismo e a r\u00edgida segrega\u00e7\u00e3o da sociedade americana de sua \u00e9poca. Seus pontos de vista estiveram notavelmente \u00e0 frente de seu tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o do mal do racismo e at\u00e9 um pouco prof\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o ao mal adicional que resultaria dele. Suas convic\u00e7\u00f5es foram explicitamente fundamentadas em uma compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o fiel da unidade da ra\u00e7a humana em Ad\u00e3o e da unidade e igualdade dos crentes em Cristo. Este breve estudo analisa os argumentos de Warfield dentro do contexto de seus dias.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cN\u00f3s reverter\u00edamos hoje a declara\u00e7\u00e3o inspirada de que em Cristo Jesus n\u00e3o pode haver grego nem judeu, circuncis\u00e3o nem incircuncis\u00e3o, b\u00e1rbaro, cita, escravo, livre?\u201d (B. B. Warfield, 1887)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Benjamin Breckinridge Warfield (1851\u20131921) da Velha Princeton ganhou reputa\u00e7\u00e3o internacional como o vigoroso defensor da hist\u00f3rica f\u00e9 crist\u00e3 \u2013 particularmente em sua express\u00e3o reformada \u2013 e foi nas categorias tradicionais de estudos b\u00edblicos e teol\u00f3gicos que as suas energias editoriais foram quase que exclusivamente gastas. Causas sociais surgem muito raramente em suas obras, mas uma causa social se destaca como uma que mant\u00e9m seu interesse particular: a causa dos negros americanos. Sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria aqui n\u00e3o foi extensa, com certeza, mas foi apontada, revelando um profundo senso de urg\u00eancia sobre o assunto. E embora Warfield raramente se envolvesse em qualquer esfor\u00e7o organizado fora do semin\u00e1rio, essa era a exce\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo que a posi\u00e7\u00e3o que ele assumiu tenha sido impopular (para dizer o m\u00ednimo!), tanto na sociedade quanto na igreja, e mesmo em seu pr\u00f3prio Semin\u00e1rio de Princeton. Para Warfield, a sociedade de \u201ccastas perversas\u201d que os Estados Unidos ent\u00e3o constitu\u00edam era um mal moral e teol\u00f3gico que, se n\u00e3o fosse revertido, traria apenas mais danos \u00e0 nossa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fundamento teol\u00f3gico da oposi\u00e7\u00e3o de Warfield ao racismo era duplo: 1) a unidade da ra\u00e7a humana criada em Ad\u00e3o \u00e0 imagem de Deus, e 2) as implica\u00e7\u00f5es unificadoras do evangelho de Cristo. Em 1911, Warfield argumentou em \u201cSobre a Antiguidade e a Unidade da Ra\u00e7a Humana\u201d,[1] que a idade da humanidade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o b\u00edblica. A B\u00edblia n\u00e3o fala sobre o assunto, argumentou ele, e, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de interesse teol\u00f3gico. Podemos nos interessar pela idade da humanidade por raz\u00f5es cient\u00edficas, mas n\u00e3o por motivos b\u00edblicos. No entanto, a unidade da ra\u00e7a humana, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 de fato uma quest\u00e3o teol\u00f3gica muito importante.<\/p>\n<p>A unidade da humanidade era, de fato, comumente reconhecida por todos os lados nos dias de Warfield. A evolu\u00e7\u00e3o havia removido o motivo para se negar uma origem comum \u00e0 humanidade e \u201ctornou natural considerar as diferen\u00e7as que existem entre os v\u00e1rios tipos de homens como diferencia\u00e7\u00f5es de uma a\u00e7\u00e3o comum.\u201d[2] Ele observa que no passado havia v\u00e1rias teorias opostas, tais como o co-adamismo e o pr\u00e9-adamismo. Tamb\u00e9m nota que alguns dos primeiros evolucionistas sugeriram m\u00faltiplos tempos e lugares da origem humana. O orgulho racial continuou a existir, com certeza, mas teoricamente todos os lados reconheceram uma unidade para toda a humanidade que \u00e9 evidente tanto f\u00edsica como psicologicamente (fala, tradi\u00e7\u00f5es comuns, etc.). V\u00e1rios fatores foram empregados na explica\u00e7\u00e3o dessa unidade, mas o fato de haver uma humanidade comum j\u00e1 n\u00e3o exigia defesa.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da unidade da humanidade, para Warfield, dificilmente poderia ser supervalorizada, tanto b\u00edblica quanto teologicamente. A ideia \u00e9 constru\u00edda na pr\u00f3pria estrutura do relato de G\u00eanesis sobre a origem do homem: Deus criou um \u00fanico casal a partir do qual descendeu toda a ra\u00e7a (Gn 1:26). Eva foi assim chamada \u201cpor ser a m\u00e3e de todos os seres humanos\u201d (Gn 3:20). O pr\u00f3prio Ad\u00e3o \u00e9 assim chamado (\u201chomem\u201d) por ser o primeiro dessa esp\u00e9cie; Warfield observa e nos aponta isso de acordo com as express\u00f5es b\u00edblicas \u201cfilhos de Ad\u00e3o\u201d ou \u201chomem\u201d como reflexo dessa esp\u00e9cie. Al\u00e9m disso, no dil\u00favio, toda a humanidade, exceto oito, foi destru\u00edda, e a humanidade recome\u00e7a, via Sem, Cam e Jaf\u00e9, com No\u00e9 como pai comum, e dos filhos de No\u00e9 \u201cforam disseminadas todas as na\u00e7\u00f5es na terra\u201d (Gn 10:32) As diferencia\u00e7\u00f5es dos povos, nos lembra Warfield, s\u00e3o o resultado da rebeli\u00e3o e da dispers\u00e3o que segue a torre de Babel (Gn 11). \u201cO que Deus ajuntou os pr\u00f3prios homens separaram.\u201d Ao longo das Escrituras, toda a humanidade \u00e9 tratada como uma unidade, compartilhando \u201cn\u00e3o apenas uma natureza comum, mas uma pecaminosidade comum, n\u00e3o apenas uma necessidade comum, mas uma reden\u00e7\u00e3o comum.\u201d[3] Toda a estrutura do ensino b\u00edblico a respeito do pecado e da salva\u00e7\u00e3o, Warfield insiste, \u00e9 constru\u00edda com base na nossa unidade comum em Ad\u00e3o. A Israel foi dado o privil\u00e9gio, certamente, mas isso n\u00e3o se deu por causa deles mesmos; o privil\u00e9gio deles era apenas por causa da miseric\u00f3rdia divina. E nas provis\u00f5es da lei aos escravos, Israel foi lembrado de sua humanidade comum. Na verdade, o status privilegiado de Israel foi concebido de tal maneira que, atrav\u00e9s deles, a miseric\u00f3rdia se estenderia a toda a humanidade.<\/p>\n<p>Warfield rapidamente examina a evid\u00eancia b\u00edblica, mas de forma abrangente. Ele observa, sobretudo, que Jesus afirmou a origem da humanidade em um \u00fanico casal (Mt 19:4). E ele cita o pronunciamento claro do ap\u00f3stolo Paulo sobre o assunto em Atos 17:26. A unidade da humanidade \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia nas Escrituras que dificilmente requer defesa: \u201ctodo o Novo Testamento \u00e9 compreendido com a irmandade do homem sendo \u00fanica na origem, na natureza, na necessidade e na provis\u00e3o de reden\u00e7\u00e3o.\u201d[4]<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A realidade do pecado racial \u00e9 basilar para todo o sistema paulino (Rm 5:12; 1Co 15:21), e sob essa realidade, existe a realidade da unidade racial. Isso s\u00f3 existe porque todos os homens estavam em Ad\u00e3o, sendo ele o primeiro cabe\u00e7a de quem todos os homens compartilham o pecado e sua puni\u00e7\u00e3o. E somente por que o pecado do homem \u00e9 de origem e, portanto, de mesma natureza e qualidade, \u00e9 que a reden\u00e7\u00e3o, que \u00e9 adequada e pode ser disponibilizada para um homem, \u00e9 igualmente adequada e pode ser disponibilizada para todos. Por ser a ra\u00e7a uma s\u00f3, bem como a sua necessidade, sendo judeus e gentios iguais sob o pecado, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre judeus e gentios tamb\u00e9m em mat\u00e9ria de salva\u00e7\u00e3o, mas como o mesmo Deus \u00e9 Senhor de todos, ent\u00e3o Ele \u00e9 favor\u00e1vel em Cristo Jesus a todos os que o invocam, e justific\u00e1 a incircuncis\u00e3o somente pela f\u00e9, assim como Ele justifica a circuncis\u00e3o somente pela f\u00e9 (Rm 9:22-24, 28; 10:12). Jesus Cristo, portanto, como o \u00faltimo Ad\u00e3o, \u00e9 o Salvador n\u00e3o somente dos judeus, mas do mundo (Jo\u00e3o 4:42; 1Tm 4:10; 1Jo\u00e3o 4:14), tendo sido entregue \u00e0 Sua grande obra somente pelo amor do Pai pelo mundo (Jo\u00e3o 3:16). A unidade da ra\u00e7a humana \u00e9, portanto, estabelecida na Escritura n\u00e3o apenas como base de uma exig\u00eancia de que devemos reconhecer a dignidade da humanidade em todos os seus representantes, por menores que sejam os bens ou a fam\u00edlia, pois todos carregam a mesma imagem de Deus em semelhan\u00e7a da qual o homem foi criado, sendo esta mais profunda do que o pecado, n\u00e3o podendo ser vencida por ele (Gn 5:3; 9:6; 1Co 11:7; Hb 2:5); mas tamb\u00e9m como base de todo o plano de restaura\u00e7\u00e3o concebido pelo amor divino para salva\u00e7\u00e3o de uma ra\u00e7a perdida.[5]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A unidade da ra\u00e7a humana em Ad\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas biblicamente evidente, insistiu Warfield \u2013 \u00e9 de import\u00e2ncia central para a teologia crist\u00e3 e para o pr\u00f3prio cristianismo. Al\u00e9m disso, o reconhecimento de nossa humanidade comum \u00e9 acompanhado de uma obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica correspondente. Warfield escreve:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A unidade da ra\u00e7a humana \u00e9, portanto, estabelecida na Escritura n\u00e3o apenas como base de uma exig\u00eancia de que devemos reconhecer a dignidade da humanidade em todos os seus representantes, por menores que sejam os bens ou a fam\u00edlia, pois todos carregam a mesma imagem de Deus em semelhan\u00e7a da qual o homem foi criado, sendo esta mais profunda do que o pecado, n\u00e3o podendo ser vencida por ele (Gn 5:3; 9:6; 1Co 11:7; Hb 2:5); mas tamb\u00e9m como base de todo o plano de restaura\u00e7\u00e3o concebido pelo amor divino para salva\u00e7\u00e3o de uma ra\u00e7a perdida.[6]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Isso quer dizer que nossa compreens\u00e3o da unidade essencial da humanidade em Ad\u00e3o carrega um significado moral; n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de interesse teol\u00f3gico meramente abstrato. Warfield tampouco deixou essa quest\u00e3o para uma mera discuss\u00e3o teol\u00f3gica e, em sua condena\u00e7\u00e3o do orgulho racial, esteve gera\u00e7\u00f5es \u00e0 frente de seu tempo.<\/p>\n<p>Os pais de Warfield vieram ambos de fam\u00edlias de abolicionistas declarados e com importantes conex\u00f5es com a causa da emancipa\u00e7\u00e3o. Em uma carta ele at\u00e9 parece se gabar disso: John Clarke Young, o desenhista das resolu\u00e7\u00f5es do S\u00ednodo de Kentucky de 1835, era o marido da prima da minha m\u00e3e. Meu av\u00f4 R. J. Breckinridge concorreu a uma legislatura por uma chapa pr\u00f3-emancipa\u00e7\u00e3o em 1849 \u2013 com risco de vida. Cassius M. Clay era o marido da prima do meu pai. Minha sogra era uma abolicionista do tipo William Lloyd Garrison. Meus av\u00f3s, meus pais e os pais de minha esposa procuraram de todas as formas cumprir seus deveres para com aqueles a quem se sentiam haver pecado por manter em cativeiro.[7]<\/p>\n<p>Ironicamente, a fam\u00edlia de Warfield e as fam\u00edlias dos seus av\u00f3s todos possu\u00edam escravos \u2013 mesmo que, aparentemente, com a consci\u00eancia pesada. Contudo (correta ou erroneamente), eles consideravam os escravos insuficientemente preparados para a vida l\u00e1 fora, e os escravos foram visivelmente bem tratados, respeitosa e generosamente pela vontade da fam\u00edlia.[8]<\/p>\n<p>No entanto, a sociedade p\u00f3s-guerra civil \u2013 mesmo p\u00f3s-reconstru\u00e7\u00e3o \u2013 ainda estava profundamente segregada, mesmo que os escravos tivessem sido libertados. O antagonismo racial n\u00e3o desapareceu e, nessa sociedade decididamente segregada, os negros tiveram pouco espa\u00e7o para o progresso pessoal ou social. O sofrimento dos libertos e de seus filhos, como Warfield o apresenta \u2013 como \u201cpraticamente subordinados e n\u00e3o cidad\u00e3os, camponeses em vez de libertos\u201d[9], mesmo que sete milh\u00f5es das cinquenta milh\u00f5es de almas nos EUA [10], \u00e9 preocupante e reveladora. A \u201ccasta perversa\u201d n\u00e3o estava exagerando, insistiu Warfield, e quando ele assumiu essa causa, deve ter parecido uma voz praticamente \u00fanica.<\/p>\n<p>Em 1885, Warfield tornou-se membro do Conselho Presbiteriano de Miss\u00f5es para Libertos e trabalhou por sua melhoria. Como mencionado acima, Warfield n\u00e3o foi dado ao ativismo social, e n\u00e3o estava disposto a servir em comit\u00eas. Todavia, essa foi a exce\u00e7\u00e3o, e sua paix\u00e3o pela causa \u00e9 not\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 1887 e 1888 ele publicou artigos condenando a situa\u00e7\u00e3o e pedindo aos crist\u00e3os que considerassem mais seriamente a doutrina que professavam crer. No artigo \u201cUma Calma Perspectiva do Condi\u00e7\u00e3o do Liberto\u201d (1887), ele argumentou que a \u201celeva\u00e7\u00e3o e civiliza\u00e7\u00e3o\u201d dos negros era \u201ca maior obra ante o povo americano hoje\u201d, e que \u201co terr\u00edvel legado do mal que gera\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o deixaram aos nossos libertos \u00e9 pouco apreciado por qualquer um de n\u00f3s.\u201d[11] Ele reconhece que remediar o problema \u00e9 mais f\u00e1cil falar do que fazer, mas ele contesta aqueles que acham que fizeram tudo o que podiam, e ele prev\u00ea apenas um futuro muito dif\u00edcil para os libertos. O potencial individual entre os libertos era, sem d\u00favida, percept\u00edvel a todos, mas com tantos obst\u00e1culos a perspectiva parecia desanimadora.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 escravid\u00e3o em si, Warfield a caracteriza como \u201co mais poderoso dos desmoralizadores\u201d, tendo vetado ao escravo uma vontade pr\u00f3pria. \u00c9 uma \u201cmaldi\u00e7\u00e3o\u201d que \u201ccome at\u00e9 as ra\u00edzes de toda a vida\u201d, um \u201csistema falso e pervertido\u201d[12] que tem apenas um efeito desmoralizador sobre aqueles que um dia foram cativos. Em 1887 (ano do artigo de Warfield), a sociedade na qual os filhos dos escravos libertos foram criados, agora sem as restri\u00e7\u00f5es artificiais impostas pela escravid\u00e3o, teve um efeito ainda mais desmoralizante e at\u00e9 mesmo imoralizante.[13] A observa\u00e7\u00e3o de Moorhead \u00e9 \u00fatil: \u201cComo a maioria dos brancos, Warfield presumiu que os afro-americanos haviam experimentado uma decad\u00eancia moral desde a emancipa\u00e7\u00e3o. No entanto, ao contr\u00e1rio de muitos outros, ele n\u00e3o atribuiu esse fato a algum defeito moral nos pr\u00f3prio afro-americanos.\u201d[14] A sociedade branca era em grande parte culpada, e Warfield argumenta:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Que press\u00e3o podemos aplicar a essas almas errantes para atra\u00ed-las para as influ\u00eancias formativas de uma verdadeira e s\u00f3lida moralidade? O motivo mais forte com a maioria dos homens \u00e9 a esperan\u00e7a de ascens\u00e3o. O imigrante mais degradado que chega \u00e0s nossas margens est\u00e1 sob esse feiti\u00e7o: a atra\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a dan\u00e7a sempre diante de seus olhos. Ainda assim, acima dele podem estar outros, ele por\u00e9m tem que erguer os olhos para ver que o caminho plano corre de seus p\u00e9s para os dos outros, e que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de saber se ele est\u00e1 disposto a subir esse caminho \u2013 se ele vai ou n\u00e3o estar ao lado dos outros amanh\u00e3. Se ele n\u00e3o tem ambi\u00e7\u00e3o para si mesmo, ele tem para seus filhos; e \u00e9 raro, na verdade, que as influ\u00eancias civilizadoras dessa \u00fanica esperan\u00e7a n\u00e3o sejam a excita\u00e7\u00e3o suficiente para se esfor\u00e7ar, respeitar a si mesmo e crescer. Mas isso se perdeu para o africano. A classe a qual ele pertence por nascimento \u00e9 a classe com a qual ele deve fazer sua casa at\u00e9 que a morte o liberte. Ele carrega uma marca em sua testa que fecha todas as avenidas de avan\u00e7o diante dele, e o des\u00e2nimo de seu cora\u00e7\u00e3o, que o torna imprudente da opini\u00e3o p\u00fablica quanto a seus atos, \u00e9 apenas a resposta interior ao fato aparente de que, tornar-se o que ele individualmente pode, ele n\u00e3o pode subir nas classes acima dele. \u00c9 provavelmente imposs\u00edvel para qualquer um de n\u00f3s perceber o fardo mort\u00edfero dessa falta de esperan\u00e7a. A escravid\u00e3o prende as asas de todos os esp\u00edritos elevados e faz com que suas ambi\u00e7\u00f5es voltem para remorder a l\u00edngua em um sofrimento vazio. No entanto, uma avalia\u00e7\u00e3o adequada da escravid\u00e3o \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o da gravidade do problema que est\u00e1 diante de n\u00f3s, em nossos esfor\u00e7os para educar e elevar os negros a ocupar o lugar que lhes \u00e9 devido em nossa civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3.[15]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O analfabetismo entre os negros estava aumentando, o que era apenas mais desmoralizante. Eles foram \u201clibertos\u201d, mas deixados praticamente sem esperan\u00e7a, \u201cparalisados\u201d em uma sociedade de \u201ccastas perversas\u201d. Warfield usou esse termo conscientemente, insistindo que fosse no m\u00ednimo assim chamado: n\u00e3o se pode negar que era, de fato, uma sociedade de castas, e que essa sociedade de castas era obviamente perversa para qualquer um que visse. E assim Warfield pressionou a responsabilidade da sociedade \u2013 e especialmente dos crist\u00e3os \u2013 em ajudar os libertos e seus filhos em sua causa, e ajud\u00e1-los em elevar-se a todo o seu potencial na sociedade.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais enfatizar que n\u00e3o \u00e9 ele quem se sente persuadido de que o negro foi feito um pouco menor que o homem, quem est\u00e1 graciosamente disposto a trein\u00e1-lo para a aptid\u00e3o para tal posi\u00e7\u00e3o, e quem pode educ\u00e1-lo em verdade e masculinidade autocentrada. \u00c9 s\u00f3 ele quem est\u00e1 completamente persuadido de que Deus fez de um s\u00f3 sangue todas as na\u00e7\u00f5es da terra, quem tem o esp\u00edrito mission\u00e1rio, ou quem pode servir como a m\u00e3o do Alt\u00edssimo para elevar os humildes e resgatar os oprimidos.[16]<\/p>\n<p>Warfield critica a sociedade de castas do norte e do sul. Ele relata a hist\u00f3ria de uma mulher negra que ele conhecia que foi assistir a uma reuni\u00e3o de reavivamento em uma igreja. Quando ela chegou, os anci\u00e3os da igreja pediram que ela fosse embora. Ele relata outra hist\u00f3ria de episcopais se gabando de terem se sa\u00eddo bem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es raciais em sua igreja, afirmando alegremente que os negros tinham permiss\u00e3o de comparecer aos seus cultos: \u201clugares foram reservados para eles em todas as igrejas\u201d. Warfield lamenta que, em praticamente todo canto da sociedade, eles eram instru\u00eddos a saber qual era o \u201clugar deles\u201d. Mesmo na congrega\u00e7\u00e3o dos santos, o lugar deles n\u00e3o era no meio dos filhos de Deus, mas separados de lado. A tudo isso, Warfield exclama abruptamente: \u201cEstamos hoje invertendo a declara\u00e7\u00e3o inspirada de que em Cristo Jesus n\u00e3o pode haver grego nem judeu, circuncis\u00e3o nem incircuncis\u00e3o, b\u00e1rbaro, cita, escravo, livre?\u201d[17] Esse tipo de tratamento cont\u00ednuo destr\u00f3i a esperan\u00e7a, paralisa o esfor\u00e7os, e corta todo o incentivo ao crescimento pr\u00f3prio. \u00c0 luz de tudo isso, Warfield pede aos crist\u00e3os que forne\u00e7am a ajuda necess\u00e1ria em todos os n\u00edveis:<\/p>\n<p>Se \u00e9 preciso uma verdadeira moraliza\u00e7\u00e3o dos negros, isso s\u00f3 pode ser assegurado por um ensino moral cuidadoso, tal como pode ser fornecido apenas por organiza\u00e7\u00f5es religiosas que ir\u00e3o educar assim como pregar. Um treinamento secular far\u00e1 um bem insignificante; a prega\u00e7\u00e3o ocasional do evangelho n\u00e3o ser\u00e1 profunda o suficiente. N\u00f3s precisamos ter escolas crist\u00e3s em todos os lugares, onde o cristianismo como um sistema revelado de verdade e pr\u00e1tica seja diariamente ensinado por homens e mulheres cujos cora\u00e7\u00f5es estejam cheios de fervor mission\u00e1rio \u2013 que encontram em toda criatura de Deus a promessa e a for\u00e7a de uma vida melhor.[18]<\/p>\n<p>Em 1888, Warfield come\u00e7a o \u201cDrawing the Color Line\u201d [Delimitando a Fronteira da Cor] com uma refer\u00eancia a dois artigos de jornais que afirmavam que as rela\u00e7\u00f5es raciais haviam melhorado muito, o que era uma afirma\u00e7\u00e3o que Warfield achou espantosa. Em vez disso, Warfield alega que \u201ca emancipa\u00e7\u00e3o aboliu apenas a submiss\u00e3o privada mas n\u00e3o a p\u00fablica\u201d e \u201ctornou o ex-escravo n\u00e3o um homem livre, mas apenas um negro livre\u201d.[19] Ent\u00e3o, em palavras que parecem prof\u00e9ticas, escreveu:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">As popula\u00e7\u00f5es negras que, como uma classe, emergiram da escravid\u00e3o sem nenhum senso de injusti\u00e7a para reclamar, mas sim com uma intensa aprecia\u00e7\u00e3o das gentilezas que haviam recebido de seus mestres, e com uma verdadeira gratid\u00e3o pela eleva\u00e7\u00e3o que receberam em suas m\u00e3o atrav\u00e9s de uma ou duas gera\u00e7\u00f5es que os separavam da vaga lembran\u00e7a da \u00c1frica selvagem, foram gradativamente se tornando, sob a irrita\u00e7\u00e3o de grandes e pequenas injusti\u00e7as repetidas continuamente, cada vez mais compactadas em uma massa tenebrosa de murm\u00fario descontente, a qual assegura seu desenvolvimento para um verdadeiro antagonismo racial tamb\u00e9m no lado deles.[20]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Warfield previu que o desprez\u00edvel tratamento dos negros naquela sociedade de castas criaria em troca apenas ressentimento e \u00f3dio. Os levantes sociais e os dist\u00farbios raciais que os EUA testemunhariam apenas d\u00e9cadas depois n\u00e3o teriam surpreendido Warfield \u2013 ele previu isso.<\/p>\n<p>Warfield recita as a\u00e7\u00f5es das denomina\u00e7\u00f5es episcopais e presbiterianas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201clinha da cor\u201d e observa que n\u00e3o havia pastores negros de congrega\u00e7\u00f5es de brancos e que existiam muitas igrejas separadas para os negros. A profundidade de suas convic\u00e7\u00f5es aqui \u00e9 revelada em seus coment\u00e1rios relacionados \u00e0 reuni\u00e3o proposta com os presbiterianos do sul. Reunir-se com os presbiterianos do sul \u2013 com seus luminares como Robert Louis Dabney \u2013 foi um movimento que Warfield teria preferido, mas n\u00e3o se isso significasse tolerar a cont\u00ednua segrega\u00e7\u00e3o que era \u201cpraticamente universal\u201d no corpo do sul.[21]<\/p>\n<p>Pode a hist\u00f3ria incorporada em tais exemplos ser perdida? Os homens crist\u00e3os, sob a press\u00e3o de sua antipatia racial, abandonam a lei fundamental da Igreja do Deus vivo, de que em Cristo Jesus n\u00e3o pode haver grego nem judeu, circuncis\u00e3o nem incircuncis\u00e3o, b\u00e1rbaro, cita, escravo, livre.[22]<\/p>\n<p>Na carta mencionada acima, para Joseph William Torrence, Warfield fala com mais clareza: \u201cque [a Igreja do Sul] n\u00e3o est\u00e1 acordada com seu dever para com os liberto e que a uni\u00e3o org\u00e2nica com ela prejudicaria se n\u00e3o destruiria nosso trabalho entre eles. Oremos contra a reuni\u00e3o deles em qualquer futuro pr\u00f3ximo.[23]<\/p>\n<p>Mais uma vez, as convic\u00e7\u00f5es de Warfield sobre esse assunto tinham uma base teol\u00f3gica dupla: 1) a unidade da humanidade em Ad\u00e3o, criada \u00e0 imagem de Deus, e 2) as vincula\u00e7\u00f5es niveladoras do evangelho. Sua posi\u00e7\u00e3o pode ter sido impopular, mas estava firmemente fundamentada. E para ele havia apenas uma op\u00e7\u00e3o: o sistema de castas e o pr\u00f3prio \u201cesp\u00edrito de casta\u201d deviam ser totalmente repudiados por todos. Nenhum tipo de racismo \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o crist\u00e3o para toler\u00e1-lo em qualquer n\u00edvel.<\/p>\n<p>Previsivelmente, os coment\u00e1rios publicados por Warfield atra\u00edram oposi\u00e7\u00e3o. Encontramos isso em sua correspond\u00eancia, como a carta de Torrence j\u00e1 citada sugere. Outro ministro responde com receios do que aconteceria se o conselho de Warfield fosse seguido: igualdade dos pastores negros e brancos, pastores negros em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a denominacional, respeito igual ao das mulheres negras e brancas, e \u2013 o mais impens\u00e1vel de todos \u2013 casamento inter-racial. Certamente Warfield simplesmente n\u00e3o pensara nas implica\u00e7\u00f5es de sua posi\u00e7\u00e3o!<br \/>\nEm sua resposta, Warfield, tipicamente, se volta para as Escrituras \u2013 neste caso, Tg 2:1-13, Ef 3:1 e 1Tm 3:15 \u2013 e escreve com uma exorta\u00e7\u00e3o correspondente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Tudo isso n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o sua e minha. Pois, pelo fato de a Igreja ser o pilar e a base da Verdade pela qual o mundo deve ser salvo, o Senhor n\u00e3o deixou de nos aconselhar, mas nos deu instru\u00e7\u00f5es sobre como devemos nos comportar na Igreja do Deus vivo\u2026 N\u00e3o posso deixar de acreditar que n\u00e3o h\u00e1 caminho t\u00e3o s\u00e1bio, bom e leal tal como simplesmente permitir que Deus ordene a sua pr\u00f3pria casa a seu pr\u00f3prio modo e que alegremente nos escolha para estar ao seu lado. Tenhamos cuidado para que, ao organizarmos as coisas para n\u00f3s mesmos e ao ajustarmos nossos preconceitos pessoais, n\u00e3o construamos de fato um reino, mas um reino que n\u00e3o \u00e9 para Deus ou de Deus e aben\u00e7oado por Ele. [24]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A mensagem contundente de Warfield era clara: n\u00e3o devemos fingir ser mais s\u00e1bios que Deus. Se estas preocupa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea expressou n\u00e3o s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es de Deus, ent\u00e3o elas n\u00e3o devem ser nossas.<br \/>\nEm 1907, Warfield publicou seu apelo em um poema intitulado \u201cProcurado \u2013 Um Samaritano\u201d. Aqui ele aplica a par\u00e1bola do bom samaritano \u00e0s sensibilidades e comportamentos contempor\u00e2neos. A aplica\u00e7\u00e3o \u2013 a moral da hist\u00f3ria, podemos dizer \u2013 \u00e9 reservada para a \u00faltima linha, mas a pancada \u00e9 contundente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Deitado na estrada ele estava<br \/>\nFerido e dolorido:<br \/>\nSacerdotes, levitas, por aquele caminho passavam<br \/>\nE viraram a cabe\u00e7a de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o eram homens r\u00edgidos<br \/>\nNa neglig\u00eancia do servi\u00e7o humano:<br \/>\nSua necessidade era grande: mas ent\u00e3o,<br \/>\nVeja, seu rosto, era preto.[25]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 1913, enquanto Warfield atuava como presidente do semin\u00e1rio, ele agia administrativamente de acordo com essas convic\u00e7\u00f5es. O corpo docente sustentou que brancos e negros deveriam permanecer socialmente separados, e Machen, o colega mais novo de Warfield na \u00e9poca, reclamou em carta \u00e0 sua m\u00e3e que Warfield unilateralmente rejeitara o protesto e permitiu que um estudante negro morasse no dormit\u00f3rio de estudantes em Alexander Hall.[26] Warfield praticou o que pregou.<\/p>\n<p>Em uma revis\u00e3o de 1918 da Enciclop\u00e9dia da Religi\u00e3o e \u00c9tica de James Hastings,[27] Warfield discorda de um artigo sobre \u201cNegros nos Estados Unidos\u201d, de William O. Carver, do Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Batista do Sul. Warfield caracteriza o artigo de Carver como apoiando entusiasticamente uma Am\u00e9rica permanentemente segregada \u2013 \u201cduas ra\u00e7as, separadas uma da outra por barreiras sociais intranspon\u00edveis, cada uma possuindo uma consci\u00eancia racial cada vez mais intensificada e seguindo, sem se importar com a outra, seus pr\u00f3prios ideais raciais\u201d.[28]<\/p>\n<p>Warfield contesta, e argumenta em vez de uma posi\u00e7\u00e3o integracionista:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Esse [ponto de vista de Carver expresso no artigo da enciclop\u00e9dia] considera o negro como (de acordo com uma teoria atual da natureza do crescimento do c\u00e2ncer, para todos os efeitos) apenas um c\u00e2ncer permanente no corpo pol\u00edtico. Podemos suspeitar que n\u00e3o \u00e9 um sentimento inexplic\u00e1vel de repulsa racial que impele o Dr. Carver a repelir com uma decis\u00e3o precisa a previs\u00e3o de que a fus\u00e3o das ra\u00e7as deve ser a quest\u00e3o final. Com a imigra\u00e7\u00e3o branca cont\u00ednua e a alta taxa de mortalidade dos negros contribuindo com a diminui\u00e7\u00e3o progressiva da propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra para o branco, n\u00e3o \u00e9 natural se esperar por sua absor\u00e7\u00e3o final? Ou seja, em meio mil\u00eanio ou menos? Esse n\u00e3o \u00e9, no entanto, nosso problema: para n\u00f3s e nossos filhos e nossos netos, as duas ra\u00e7as em diferencia\u00e7\u00e3o bem marcada formar\u00e3o elementos desproporcionais no mesmo Estado. O que claramente temos que fazer \u00e9 aprender a viver juntos em solidariedade, respeito e aux\u00edlio, e trabalhar juntos para a realiza\u00e7\u00e3o de nossos ideais nacionais e a conquista do objetivo de uma civiliza\u00e7\u00e3o verdadeiramente crist\u00e3.[29]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mais uma vez, Warfield pede o fim da segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Carver concluiu seu artigo com um chamado a viver juntos em busca de objetivos comuns, e por isso Warfield faz um coment\u00e1rio mais favor\u00e1vel: \u201c\u00c9 com isso que o Dr. Carver nos exorta corretamente em suas palavras finais. Com efeito, \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, \u2013 se n\u00e3o ainda racial. Afinal, estamos todos, para o melhor e para o pior, atados no mesmo feixe de vida.\u201d[30]<br \/>\nEm nenhum lugar Warfield exp\u00f5e longamente suas convic\u00e7\u00f5es quanto ao racismo. Contudo, suas v\u00e1rias refer\u00eancias \u00e0 quest\u00e3o s\u00e3o expl\u00edcitas e pungentes. Ele critica a segrega\u00e7\u00e3o em qualquer n\u00edvel, na sociedade em geral e especialmente na igreja. O orgulho racial \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o de nossa unidade em Ad\u00e3o e de nossa cria\u00e7\u00e3o compartilhada \u00e0 imagem de Deus. E o orgulho racial na igreja implica um mal adicional \u2013 uma nega\u00e7\u00e3o de nossa unidade e estado compartilhado em Cristo; Para Warfield, isso constitui uma nega\u00e7\u00e3o do evangelho e \u00e9 motivo de separa\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel medir a influ\u00eancia que Warfield pode ter ou n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atitudes raciais, mas n\u00e3o temos evid\u00eancias de que sua voz tenha sido amplamente ouvida. Alguns podem argumentar que encontramos, mesmo nos tra\u00e7os de Warfield, sentimentos paternalistas que ainda o prendiam aos seus dias. Mesmo assim, as condena\u00e7\u00f5es de Warfield estavam \u00e0 frente de seu tempo. Ele era um corretivo necess\u00e1rio para o seu dia, cuja voz certamente n\u00e3o foi ouvida o suficiente. Ele serve como um guia para n\u00f3s ainda hoje. Ele condena o racismo nos dois n\u00edveis mais fundamentais \u2013 cria\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o \u2013 e insiste que n\u00f3s permitamos que as implica\u00e7\u00f5es desses ensinamentos b\u00edblicos funcionem em vias de uma sociedade e de uma igreja completamente integrada, com igualdade de direitos e privil\u00e9gios a todos.<\/p>\n<p>A sociedade de \u201ccastas perversas\u201d que Warfield deplora n\u00e3o \u00e9, felizmente, a Am\u00e9rica de hoje. A escravid\u00e3o est\u00e1 no passado, assim como a reconstru\u00e7\u00e3o e as leis de Jim Crow. Mas tudo deixou uma cicatriz de racismo que permanece. Poucos argumentariam que conseguimos, como atestam os recentes acontecimentos nos EUA. Preconceito e ressentimento permanecem. No entanto, o caminho a seguir \u00e9 simples, s\u00f3 se o orgulho n\u00e3o estivesse no caminho: uma vez que reconhecemos nossa unidade em Ad\u00e3o (e em No\u00e9!), criados \u00e0 imagem de Deus, e uma vez que reconhecemos as necess\u00e1rias vincula\u00e7\u00f5es do evangelho pelo qual estamos unidos uns aos outros em nosso Redentor, resta apenas submeter nossas mentes, nossas decis\u00f5es, nossas atitudes e nosso comportamento em acordo m\u00fatuo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] Benjamin B. Warfield, Studies in Theology: The Works of Benjamin B. Warfield, vol. 9 (Grand Rapids: Baker, 1991), 235\u201358.<br \/>\n[2] Ibid., 9:252.<br \/>\n[3] Ibid., 9:256.<br \/>\n[4] Ibid., 9:257.<br \/>\n[5] Ibid., 9:257\u201358.<br \/>\n[6] Ibid., 9:258.<br \/>\n[7] B. B. Warfield, Letter to Joseph William Torrence, 7 January, 1887 (Princeton Theological Seminary Archives, Warfield Papers, box 17). Bradley Gundlach provides the most complete background for this generally available. See his \u201c\u2018Wicked Caste\u2019: Warfield, Biblical Authority, and Jim Crow,\u201d in Gary L. W. Johnson, ed., B. B. Warfield: Essays on His Life and Thought (Philipsburg, NJ: P&amp;R Publishing, 2007), ch. 6, esp. pp. 139\u201347. See also James H. Moorhead, Princeton Seminary in American Religion and Culture (Grand Rapids: Eerdmans, 2012), 252\u201355.<br \/>\n[8] There is, however, a story from the Warfield family of Robert Jefferson Breckinridge who, upon turning age 16, beat up an older family slave\u2014to prove his manhood, it seems\u2014an offense for which he received due punishment. In fairness, it should also be pointed out that as an older man Breckinridge championed emancipation.<br \/>\n[9] B. B. Warfield, Benjamin B. Warfield: Selected Shorter Writings, ed. John E. Meeter, 2 vols. (Philipsburg, NJ: P&amp;R Publishing, 2001), 2:743.<br \/>\n[10] Ibid., 2:735.<br \/>\n[11] Ibid., 2:735.<br \/>\n[12] Ibid., 2:736\u201337.<br \/>\n[13] Ibid., 2:737\u201340.<br \/>\n[14] Moorhead, Princeton Seminary, 253.<br \/>\n[15] Selected Shorter Writings, 2:738\u201339.<br \/>\n[16] Ibid., 2:740.<br \/>\n[17] Ibid., 2:739\u201341.<br \/>\n[18] Ibid., 2:742.<br \/>\n[19] Ibid., 2:744.<br \/>\n[20] Ibid., 2:744.<br \/>\n[21] Ibid., 2:740, 746\u201348.<br \/>\n[22] Ibid., 2:748.<br \/>\n[23] Cf. Gundlach, \u201cWicked Caste,\u201d 163\u201365; Moorhead, Princeton Seminary, 253\u201355.<br \/>\n[24] B. B. Warfield, Letter to R. M. Carson, 3 March 1887 (Princeton Theological Seminary Archives, Warfield Papers, box 17). See Gundlach, \u201cWicked Caste,\u201d 157.<br \/>\n[25] \u201cWanted\u2013A Samaritan,\u201d in The Independent LXII (31 January 1907), 251; republished in B. B. Warfield, Four Hymns and Some Religious Verses (Philadelphia: Westminster Press, 1910), 11. See David B. Calhoun, Princeton Seminary, vol. 2: The Majestic Testimony 1869\u20131929 (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1996), 326, 505.<br \/>\n[26] Calhoun, Princeton Seminary, 505.<br \/>\n[27] B. B. Warfield, review of Encyclopedia of Religion and Ethics by James Hastings, PTR 16 (1918): 110\u201315.<br \/>\n[28] Ibid., 114\u201315.<br \/>\n[29] Ibid., 115.<br \/>\n[30] Ibid.[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Fred G. Zaspel. \u00a9 Themelios. Website: <a href=\"https:\/\/www.thegospelcoalition.org\/themelios\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">thegospelcoalition.org\/themelios<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.thegospelcoalition.org\/themelios\/article\/reversing-the-gospel-warfield-on-race-and-racism\/\">Reversing the Gospel: Warfield on Race and Racism<\/a>.<\/p>\n<p>Original: <a href=\"https:\/\/wp.me\/p4MFiq-fv9\">Invertendo o Evangelho: B. B. Warfield sobre Ra\u00e7a e Racismo<\/a>. \u00a9 Minist\u00e9rio Fiel. Website:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ministeriofiel.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MinisterioFiel.com.br<\/a>. Todos os direitos reservados.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fundamento teol\u00f3gico da oposi\u00e7\u00e3o de Warfield ao racismo era duplo: 1) a unidade da ra\u00e7a humana criada em Ad\u00e3o \u00e0 imagem de Deus, e 2) as implica\u00e7\u00f5es unificadoras do evangelho de Cristo.<\/p>\n","protected":false},"author":931,"featured_media":59593,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"O fundamento teol\u00f3gico da oposi\u00e7\u00e3o de Warfield ao racismo era duplo: 1) a unidade da ra\u00e7a humana criada em Ad\u00e3o \u00e0 imagem de Deus, e 2) as implica\u00e7\u00f5es unificadoras do evangelho de Cristo.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-59591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","tema-etica","tema-etica-cosmovisao-cosmovisao-e-cultura","tema-problemas-sociais","tema-problemas-sociais-dup","tema-raca","tema-racismo","tema-racismo-dup"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Invertendo o Evangelho: B. 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