{"id":62116,"date":"2022-08-05T12:00:09","date_gmt":"2022-08-05T15:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=62116"},"modified":"2022-08-09T18:56:30","modified_gmt":"2022-08-09T21:56:30","slug":"somos-livres-jonathan-edwards-liberdade-libertaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2022\/08\/somos-livres-jonathan-edwards-liberdade-libertaria\/","title":{"rendered":"Somos livres? A cr\u00edtica de Jonathan Edwards \u00e0 liberdade libert\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<span style=\"font-weight: 400;\">Jonathan Edwards estava certo. Se o conceito de liberdade libert\u00e1ria puder ser estabelecido, os te\u00f3logos calvinistas (ele os chamou de \u201cte\u00f3logos reformados\u201d) ter\u00e3o perdido toda a esperan\u00e7a de defender sua vis\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cpecado original, a soberania da gra\u00e7a, elei\u00e7\u00e3o, reden\u00e7\u00e3o, convers\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o eficaz do Esp\u00edrito Santo, natureza da f\u00e9 salvadora, perseveran\u00e7a dos santos e outros princ\u00edpios como esses\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Works of Jonathan Edwards, Original Sin<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Yale University Press, 1970, p. 376).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para entender a liberdade \u201clibert\u00e1ria\u201d e a amea\u00e7a que ela representa para a ortodoxia evang\u00e9lica, devemos olhar atentamente para o t\u00edtulo do tratado de Edwards. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Liberdade da vontade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 uma mera abrevia\u00e7\u00e3o para um t\u00edtulo mais complicado, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Uma investiga\u00e7\u00e3o cuidadosa e rigorosa sobre as ideias modernas vigentes quanto \u00e0quela liberdade da vontade que se sup\u00f5e ser essencial \u00e0 ag\u00eancia moral, virtude e v\u00edcio, recompensa e puni\u00e7\u00e3o, louvor e culp<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">a (Todas as cita\u00e7\u00f5es ser\u00e3o do tratado de Edwards <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Freedom of the Will<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Yale University Press, 1973, 4\u00aa impress\u00e3o.\u00a0 Daqui em diante citadas no texto apenas pelo n\u00famero da p\u00e1gina).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O prop\u00f3sito de Edwards era claramente abordar um conceito \u201cprevalecente\u201d de liberdade humana que era considerado fundamental para a responsabilidade moral. Stephen Holmes est\u00e1 correto ao nos lembrar que \u201ca quest\u00e3o fundamental de Edwards neste livro \u00e9 \u00e9tica: quais condi\u00e7\u00f5es devem ser obtidas para que uma a\u00e7\u00e3o seja digna de louvor ou censura? [&#8230;]. Ele est\u00e1 preocupado em estabelecer aquelas coisas que devem ser o caso da decis\u00e3o humana para que tal decis\u00e3o seja significativamente analis\u00e1vel eticamente\u201d (HOLMES, Stephen R., <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Strange Voices: Edwards on the Will<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em BAKER, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Listening to the Past: The Place of Tradition in Theology<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 2002, p. 87-88). Em outras palavras, \u00e9 \u201caquela liberdade da vontade que se sup\u00f5e ser essencial \u00e0 ag\u00eancia moral\u201d, ou seja, a liberdade libert\u00e1ria, contra a qual Edwards lan\u00e7a suas consider\u00e1veis habilidades teol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 triste dizer, por\u00e9m, apesar dos esfor\u00e7os de Edwards, que a compreens\u00e3o da liberdade humana que ele <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cprocurava manter nos trilhos \u00e9 agora t\u00e3o difundida que se tornou axiom\u00e1tica em todos os lugares, exceto entre os fil\u00f3sofos, que est\u00e3o cientes de que h\u00e1 um argumento a ser estabelecido, e aqueles te\u00f3logos que est\u00e3o preparados para arriscar a incompreens\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o como anacr\u00f4nicos, ao ousar mencionar no\u00e7\u00f5es t\u00e3o ofensivas (mas tradicionais) como predestina\u00e7\u00e3o, provid\u00eancia especial e soberania de Deus\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (HOLMES, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Strange Voices<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 88).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu estabeleci um ponto semelhante em um artigo que aborda o uso da liberdade libert\u00e1ria entre os chamados \u201cte\u00edstas abertos\u201d contempor\u00e2neos (STORMS, C. Samuel, \u201cPrayer and the Power of Contrary Choice: Who Can and Cannot Pray for God to Save the Lost?\u201d <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Reformation &amp; Revival Journal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> 12, 2003, 53-67). Clark Pinnock \u00e9 representante deste \u00faltimo e define a liberdade libert\u00e1ria ou o poder de escolha contr\u00e1ria da seguinte forma:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">O que chamo de \u201cliberdade real\u201d tamb\u00e9m \u00e9 chamado de liberdade libert\u00e1ria ou contracausal. Ela v\u00ea uma a\u00e7\u00e3o livre como aquela em que uma pessoa \u00e9 livre para realiz\u00e1-la ou abster-se de realiz\u00e1-la sem ser completamente influenciada por for\u00e7as precedentes \u2014 natureza, educa\u00e7\u00e3o ou mesmo Deus. A liberdade libert\u00e1ria reconhece o poder da escolha contr\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma pessoa age livremente em uma situa\u00e7\u00e3o se, e somente se, pudesse ter feito de outra forma. As escolhas livres s\u00e3o escolhas que n\u00e3o s\u00e3o determinadas causalmente pelas condi\u00e7\u00f5es que as precedem. \u00c9 a liberdade de autodetermina\u00e7\u00e3o, na qual os v\u00e1rios motivos e influ\u00eancias que balizam a escolha n\u00e3o s\u00e3o a causa suficiente da pr\u00f3pria escolha. A pessoa faz a escolha de forma autodeterminada. Uma pessoa tem op\u00e7\u00f5es e existem diferentes fatores que a influenciam na decis\u00e3o entre elas, mas a decis\u00e3o que se toma envolve exercer uma das raz\u00f5es, que \u00e9 tudo menos aleat\u00f3ria. (PINNOCK, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Most Moved Mover: A Theology of God\u2019s Openness;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> BAKER, 2001, p. 127)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu prop\u00f3sito neste ensaio \u00e9 triplo. Primeiro, eu vou brevemente descompactar a cr\u00edtica devastadora de Edwards ao libertarismo, que estou convencido de que ainda n\u00e3o foi refutada com sucesso. Em segundo lugar, reconstruirei o conceito de vontade de Edwards. Embora alguns o considerem intoleravelmente complexo, na verdade, \u00e9 bastante simples e direto, uma vez que se compreende o significado de v\u00e1rios termos importantes que ele emprega. Terceiro e, finalmente, quero abordar o elemento mais problem\u00e1tico da teologia da vontade de Edwards \u2014 a queda de Ad\u00e3o e a entrada do mal na ra\u00e7a humana. Apesar de toda a convic\u00e7\u00e3o b\u00edblica de seu conceito de vontade, Edwards argumenta consigo mesmo, em uma situa\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica que d\u00e1 toda a apar\u00eancia \u2014 apesar de seus protestos \u2014 de fazer de Deus o autor do pecado. Falo mais sobre isso abaixo.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Edwards e o libertarismo<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os libertaristas que Edwards encontrou insistiam que a vontade deve exercer uma certa soberania sobre si mesma, por meio da qual ela se determina ou se faz agir e escolher. Enquanto a vontade pode ser influenciada por impulsos ou desejos antecedentes, ela sempre ret\u00e9m um poder independente para escolher de forma contr\u00e1ria a eles. A vontade est\u00e1 livre de qualquer conex\u00e3o causal necess\u00e1ria com qualquer coisa anterior ao momento da escolha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards considera esse argumento incoerente e sujeito a uma regress\u00e3o infinita. Ele aponta que para a vontade determinar a si mesma \u00e9 necess\u00e1ria<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">uma a\u00e7\u00e3o da vontade. Assim, o ato de vontade pelo qual determina um ato subsequente deve ser determinado por um ato de vontade anterior, ou a vontade n\u00e3o pode ser propriamente dita <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">auto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">determinada. Se o libertarismo deve ser mantido, todo ato de vontade que determina um ato consequente \u00e9 ele pr\u00f3prio precedido por um ato de vontade, e assim por diante at\u00e9 que se chegue a um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">primeiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ato de vontade. Mas se este primeiro ato \u00e9 determinado por um precedente, n\u00e3o \u00e9 ele mesmo o primeiro ato. Se, por outro lado, esse ato n\u00e3o for determinado por um ato anterior, n\u00e3o pode ser livre, pois n\u00e3o \u00e9 autodeterminado. Se o primeiro ato da vontade n\u00e3o \u00e9 determinado por um ato anterior da vontade, esse assim chamado primeiro ato n\u00e3o \u00e9 determinado pela vontade e, portanto, n\u00e3o \u00e9 livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O argumento de Edwards \u00e9 que, se a vontade faz sua escolha ou determina seus pr\u00f3prios atos, deve-se supor que ela escolha escolher essa escolha, e antes disso ela teria que escolher essa escolha, e assim por diante, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad infinitum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Portanto, o conceito de liberdade como autodetermina\u00e7\u00e3o ou se contradiz ao postular uma escolha n\u00e3o escolhida (isto \u00e9, n\u00e3o autodeterminada) ou se fecha totalmente fora do mundo por uma regress\u00e3o infinita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para evitar esse enigma, alguns libert\u00e1rios argumentam que atos de vontade acontecer\u00e3o por si mesmos sem qualquer causa de qualquer tipo. Eles simplesmente acontecem, de forma espont\u00e2nea e inexplic\u00e1vel. Mas nada acontece sem causa, exceto a Causa Primeira n\u00e3o causada, Deus. Defender a espontaneidade volitiva tornaria todas as escolhas humanas rand\u00f4micas e aleat\u00f3rias, sem raz\u00e3o, inten\u00e7\u00e3o ou motivo algum explicando sua exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se os atos humanos da vontade n\u00e3o est\u00e3o vinculados causalmente ao car\u00e1ter humano, com que fundamento se estabelece seu valor \u00e9tico? Como algu\u00e9m pode ser culpado ou elogiado por um ato de vontade em cuja causa nem ele nem qualquer outra coisa tiveram parte? Al\u00e9m disso, como explicar uma diversidade de efeitos de uma n\u00e3o causa monol\u00edtica? Se n\u00e3o h\u00e1 fundamento ou causa para a exist\u00eancia de um efeito, o que explica a diversidade de um efeito de outro? Por que uma entidade \u00e9 o que \u00e9 e n\u00e3o de outra forma sen\u00e3o pela natureza espec\u00edfica da causa que a produziu?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda outra op\u00e7\u00e3o para o libertarista \u00e9 argumentar que se escolhe na aus\u00eancia de um motivo predominante. A vontade escolhe entre duas ou mais coisas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que s\u00e3o supostamente perfeitamente iguais quando percebidas pela mente. A vontade \u00e9 totalmente indiferente a qualquer um (ou ambos) dos objetos de escolha, mas se determina em dire\u00e7\u00e3o a um sem ser movida por qualquer indu\u00e7\u00e3o preponderante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas isso quer dizer que a vontade escolhe algo em vez de outro ao mesmo tempo que \u00e9 totalmente indiferente a ambos. No entanto, escolher \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, preferir. O que quer que seja preferido exerce, assim, uma influ\u00eancia preponderante sobre a vontade. Como pode a vontade preferir <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em detrimento de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">B<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a menos que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> pare\u00e7a prefer\u00edvel? Diz Edwards:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Qu\u00e3o rid\u00edculo seria algu\u00e9m insistir que a alma escolhe uma coisa antes de outra, quando no mesmo instante \u00e9 perfeitamente indiferente em rela\u00e7\u00e3o a cada uma! Isso \u00e9 o mesmo que dizer que a alma prefere uma coisa \u00e0 outra, ao mesmo tempo em que n\u00e3o tem prefer\u00eancia. A escolha e a prefer\u00eancia n\u00e3o podem estar em estado de indiferen\u00e7a, assim como o movimento n\u00e3o pode estar em estado de repouso, ou a preponder\u00e2ncia de um peso de um lado de uma balan\u00e7a n\u00e3o pode estabelecer um estado de equil\u00edbrio. (p.207)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como poderia um homem ser elogiado por preferir a caridade \u00e0 mesquinhez, por exemplo, se ambas as a\u00e7\u00f5es eram igualmente prefer\u00edveis a ele, ou mais precisamente, se ele n\u00e3o tivesse qualquer prefer\u00eancia? N\u00e3o elogiamos um homem por dar generosamente aos pobres porque assumimos que ele tem um certo car\u00e1ter antecedente que o levou a concluir que tal a\u00e7\u00e3o lhe parece prefer\u00edvel a reter seu dinheiro? Se n\u00e3o h\u00e1 nada no homem que o induz a preferir a generosidade, se o ato de dar dinheiro n\u00e3o \u00e9 prefer\u00edvel a ele a ret\u00ea-lo, ele \u00e9 digno de elogio por dar?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tampouco servir\u00e1 para afirmar que a liberdade consiste n\u00e3o no ato da vontade em si, mas em determinar que assim aja. A esfera operativa da liberdade, nesta sugest\u00e3o, \u00e9 simplesmente afastada um passo para tr\u00e1s e diz que consiste em causar ou determinar a mudan\u00e7a ou transi\u00e7\u00e3o de um estado de indiferen\u00e7a para uma certa prefer\u00eancia. \u201cO que se afirma\u201d, disse Edwards, <i>\u201c\u00e9 que a vontade, enquanto ainda permanece em perfeito equil\u00edbrio, sem <\/i><\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">prefer\u00eancia, determina mudar-se desse estado e provocar em si uma certa escolha ou prefer\u00eancia\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (p. 208).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas esta determina\u00e7\u00e3o da vontade, supostamente indiferente, est\u00e1 sujeita \u00e0 mesma obje\u00e7\u00e3o acima mencionada. Tampouco \u00e9 vi\u00e1vel localizar a esfera da liberdade em um poder de suspender o ato da vontade e mant\u00ea-lo na indiferen\u00e7a at\u00e9 que haja oportunidade de delibera\u00e7\u00e3o adequada. Pois n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria suspens\u00e3o da voli\u00e7\u00e3o um ato de voli\u00e7\u00e3o, sujeito \u00e0s mesmas restri\u00e7\u00f5es j\u00e1 declaradas? E se n\u00e3o \u00e9 um ato de vontade, como pode estar presente nele a liberdade da vontade? Concordo com Edwards que a ideia de liberdade consistindo em indiferen\u00e7a \u00e9 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cno mais alto grau, absurda e contradit\u00f3ria\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (p. 208).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, os oponentes de Edwards frequentemente afirmavam que todos os atos de vontade s\u00e3o eventos contingentes. Eles n\u00e3o s\u00e3o, em nenhum sentido, necess\u00e1rios. Eles poderiam facilmente n\u00e3o acontecer como acontecem. Nada exige sua ocorr\u00eancia. Este argumento \u00e9 impulsionado pela cren\u00e7a de que se um evento \u00e9 necess\u00e1rio, \u00e9 moralmente vazio. Somente um ato de vontade que poderia t\u00e3o facilmente n\u00e3o ter ocorrido como ocorreu \u00e9 um ato digno do predicado \u201clivre\u201d e sujeito a elogios ou censuras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A resposta de Edwards a esse argumento \u00e9 multifacetada e est\u00e1 al\u00e9m do escopo deste ensaio. Note-se que em outro lugar abordei seu argumento da presci\u00eancia divina e a necessidade que esta \u00faltima imp\u00f5e a todos os eventos. Mas a resposta mais importante de Edwards ao argumento da conting\u00eancia \u00e9 encontrada na distin\u00e7\u00e3o que ele faz entre necessidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">natural<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e necessidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">moral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Mais sobre isso abaixo.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Edwards sobre a liberdade aut\u00eantica<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se todos os eventos, incluindo os atos de vontade, t\u00eam uma causa ou s\u00e3o determinados por algo, o que determina a vontade? Edwards argumenta que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00e9 esse motivo, que, na vis\u00e3o da mente, \u00e9 o mais forte, que determina a vontade\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (p. 141, grifo meu). Por \u2019\u2019motivo\u2019\u2019 Edwards quer dizer tudo o que move, excita ou convida a mente \u00e0 voli\u00e7\u00e3o, seja uma coisa sozinha ou v\u00e1rias em conjunto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O motivo n\u00e3o \u00e9 em si desejo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cmas sim a totalidade de tudo o que desperta desejo em n\u00f3s quando apreendido\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (MCCANN, Hugh, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards on Free Will<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jonathan Edwards: Philosophical Theologian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Ashgate, 2003, p. 35). Assim, a voli\u00e7\u00e3o ou a escolha nunca s\u00e3o contr\u00e1rias ao maior bem aparente. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA escolha da mente nunca se afasta daquilo que, naquele momento, e em rela\u00e7\u00e3o aos objetos diretos e imediatos dessa decis\u00e3o da mente, parece mais agrad\u00e1vel e prazeroso, considerando todas as coisas\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Ibid., p. 147).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas se a escolha da mente, para usar os termos de Edwards, \u201cnunca se afasta\u201d daquele motivo que parece mais forte, isso n\u00e3o imp\u00f5e uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">necessidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> a todos os atos de vontade? Sim, mas \u00e9 uma necessidade que surge de dentro e procede da vontade, e n\u00e3o uma que se imp\u00f5e de fora e \u00e9 contr\u00e1ria a ela. A primeira Edwards chama de \u201cnecessidade moral\u201d e a \u00faltima de \u201cnecessidade natural\u201d. Voltarei momentaneamente a essa distin\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se for assumido que a vontade, para usar a linguagem de Edwards, sempre \u00e9 o motivo mais forte, o que constitui um suposto motivo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">para ser <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">o mais forte aos olhos da mente? Qual \u00e9 a causa do estado ou condi\u00e7\u00e3o da mente que resulta em um motivo forte e outro fraco no momento da percep\u00e7\u00e3o? A resposta a esta pergunta nos leva \u00e0 doutrina da deprava\u00e7\u00e3o constitucional de Edwards, ou a doutrina do pecado original.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dado um vi\u00e9s constitucional (isto \u00e9, disposi\u00e7\u00e3o ou inclina\u00e7\u00e3o inata) para o mal e a incredulidade, todo motivo que confronta a mente parecer\u00e1 bom, agrad\u00e1vel e forte apenas na medida em que corresponda (ou tenda a convidar) uma inclina\u00e7\u00e3o m\u00e1 e viciosa. Da mesma forma, todo motivo que n\u00e3o tenha for\u00e7a ou tend\u00eancia a incitar ou induzir uma mente m\u00e1 ser\u00e1 fraco e, portanto, ineficaz para a vontade ou qualquer suposta a\u00e7\u00e3o externa consequente. Assim, dada a realidade da deprava\u00e7\u00e3o constitucional, ou um preconceito fixo da mente, apenas o que parece agrad\u00e1vel a essa qualidade da mente resultar\u00e1 em a\u00e7\u00e3o externa, e toda a\u00e7\u00e3o externa ser\u00e1 simplesmente o efeito desse preconceito. Isto \u00e9 apenas para dizer que o conceito de vontade de Edwards \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o de sua doutrina do pecado original. Conrad Wright certamente est\u00e1 correto no seguinte:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Toda a controv\u00e9rsia teria sido amplamente simplificada se os arminianos tivessem reconhecido claramente que o tratado de Edwards n\u00e3o estava errado, mas era irrelevante (ou talvez uma palavra melhor seria secund\u00e1ria). Deviam ter dispensado a Liberdade da Vontade e se concentrado no tratado sobre o Pecado Original que a complementava. A necessidade moral sem deprava\u00e7\u00e3o total perde todo o seu aguilh\u00e3o. (WRIGHT, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards and the Arminians on the Freedom of the Will<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 252)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voltarei a esse ponto na \u00faltima se\u00e7\u00e3o deste ensaio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na cita\u00e7\u00e3o acima, Wright se referiu \u00e0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">necessidade moral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma ideia sem a qual o conceito de vontade de Edwards \u00e9 incoerente. Necessidade moral refere-se a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201caquela necessidade de conex\u00e3o e consequ\u00eancia, que surge de tais causas morais, como a for\u00e7a da inclina\u00e7\u00e3o, ou motivos, e a conex\u00e3o que existe, em muitos casos, entre essas e tais voli\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (p. 156). Em contraste, a necessidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">natural<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 aquela em que \u201cos homens est\u00e3o sob a for\u00e7a de causas naturais\u201d (p. 156), como compuls\u00e3o f\u00edsica, tortura, amea\u00e7a de dor ou falta de oportunidade. As \u201ccausas morais\u201d apontadas por Edwards s\u00e3o<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] internas \u00e0 pessoa que escolhe \u2014 um gostar ou n\u00e3o gostar; um imperativo moral que \u00e9 tido em alta estima; uma sensa\u00e7\u00e3o de alguma vantagem a ser obtida movendo-se para um lado ou para o outro. Causas naturais s\u00e3o externas \u2014 uma arma apontada para minha cabe\u00e7a ou uma porta de pris\u00e3o trancada. [&#8230;] Edwards pode insistir que uma escolha livre \u00e9 aquela que \u00e9 causada apenas por causas morais, uma escolha restrita (isto \u00e9, uma que n\u00e3o tem liberdade aut\u00eantica) \u00e9 aquela causada, pelo menos em parte, por causas naturais. (HOLMES, Stephen, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">God of Grace and God of Glory: An Account of the Theology of Jonathan Edwards<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Eerdmans, 2000, p. 153)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se uma pessoa escolher o mal em consequ\u00eancia daquela necessidade que \u00e9 externa \u00e0 sua vontade e imposta a ela por coer\u00e7\u00e3o de for\u00e7as naturais, ela est\u00e1 isenta da responsabilidade moral, entretanto, se ela se comporta ilegalmente <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">por uma necessidade que est\u00e1 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">em<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> sua vontade e \u00e9 consistente com ela, ela certamente \u00e9 culpada. Longe de minar a responsabilidade moral, isso \u00e9 fundamental para ela, pois n\u00e3o elogiamos muito aquela pessoa cuja compaix\u00e3o surge de uma disposi\u00e7\u00e3o ou propens\u00e3o profunda para o bem-estar dos outros e n\u00e3o condenamos aquela pessoa cuja crueldade \u00e9 fruto de um personagem arraigado e malicioso? A explica\u00e7\u00e3o de Hugh McCann \u00e9 l\u00facida e direta. A liberdade, observa ele,<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre querer e suas consequ\u00eancias, se a decis\u00e3o e a voli\u00e7\u00e3o s\u00e3o capazes de resultar no comportamento escolhido, onde somos capazes de fazer o que quisermos, de modo que a escolha de fazer <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> resulte em nosso <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> realizado, temos livre arb\u00edtrio. O oposto disso n\u00e3o \u00e9 a causalidade, que Edwards sustenta que opera por toda parte, mas sim a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">constri\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, pela qual somos for\u00e7ados a fazer o que n\u00e3o queremos ou impedidos de fazer o que fazemos ou poder\u00edamos querer fazer. Esse tipo de necessidade \u2014 Edwards \u00e0s vezes chama de \u201cnecessidade natural\u201d, para distingui-la da variedade moral \u2014 \u00e9 capaz de justificar. Um prisioneiro em uma cela trancada n\u00e3o pode ser elogiado nem culpado por n\u00e3o ter sa\u00eddo. Mas a necessidade moral n\u00e3o. Por mais determinada que tenha sido sua vontade em cometer o crime que o levou \u00e0 sua cela, o prisioneiro merece estar l\u00e1. (MCCANN, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards on the Will<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 36).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou, para ilustrar mais uma vez, se um homem confinado a uma cadeira de rodas por paralisia n\u00e3o se move para livrar uma mulher de um ataque, ele n\u00e3o \u00e9 moralmente culpado. Todavia, se ele n\u00e3o se importa que ela seja atacada, ele \u00e9. Ou, se ele n\u00e3o est\u00e1 confinado e \u00e9 fisicamente capaz de salv\u00e1-la, mas escolhe olhar para o outro lado, ele \u00e9 merecedor de desprezo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um incidente estranho, que ilustra essa distin\u00e7\u00e3o, ocorreu h\u00e1 n\u00e3o muito tempo no estado da Pensilv\u00e2nia. Um homem que roubou um banco dizendo a um funcion\u00e1rio que ele tinha uma bomba amarrada ao seu corpo foi mais tarde detido pela pol\u00edcia. Ele implorou por ajuda, insistindo que a bomba havia sido colocada l\u00e1 por outra pessoa que amea\u00e7ou deton\u00e1-la se ele n\u00e3o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">obedecesse. De fato, no exato momento em que o \u201cladr\u00e3o\u201d disse que a bomba explodiria, ela explodiu \u2014 em rede nacional, nada menos que isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assumindo que este homem n\u00e3o estava inclinado a roubar, sua escolha de \u201croubar\u201d o banco foi limitada. Sua vontade estava sujeita a uma necessidade natural por fatores sobre os quais ele n\u00e3o tinha controle. Se ele tivesse sobrevivido e sua alega\u00e7\u00e3o fundamentada, um tribunal certamente o teria declarado inocente. Por outro lado, se tivesse sido provado que ele mentiu sobre a bomba e que a decis\u00e3o de roubar o banco foi sua, decorrente de sua gan\u00e2ncia, raiva ou rebeli\u00e3o de seu cora\u00e7\u00e3o, ele seria plenamente merecedor de quaisquer san\u00e7\u00f5es penais que lhe fossem impostas por tal crime.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ponto de Edwards \u00e9 que h\u00e1 uma incapacidade natural, decorrente de uma necessidade natural, que isenta uma pessoa de elogios ou culpas. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma incapacidade moral, decorrente de uma necessidade moral, que de fato estabelece a culpa. Se eu n\u00e3o conseguir salvar uma crian\u00e7a que est\u00e1 se afogando por n\u00e3o saber nadar (uma incapacidade natural), estou sujeito a uma necessidade natural e, portanto, sou irrepreens\u00edvel. Se me recuso a salvar uma crian\u00e7a que est\u00e1 se afogando porque n\u00e3o me importo (uma incapacidade moral), estou sujeito a uma necessidade moral e sou merecedor de condena\u00e7\u00e3o. Quando Martinho Lutero se apresentou diante da Dieta de Worms em 1521 e declarou: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAqui estou e n\u00e3o posso ser diferente\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o fez n\u00e3o porque suas pernas fossem incapazes de lev\u00e1-lo para fora da presen\u00e7a de seus acusadores. Sua \u201cincapacidade\u201d de fazer qualquer outra coisa era o produto \u201cnecess\u00e1rio\u201d de uma vontade que \u201clivremente\u201d desafiava a Igreja Cat\u00f3lica Romana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 o mesmo entendimento que encontramos em Calvino, que repreende aqueles que n\u00e3o conseguem distinguir entre necessidade e compuls\u00e3o. Ele aponta, assim como Edwards, para a necessidade de que Deus sempre fa\u00e7a o que \u00e9 bom. \u201cMas suponha\u201d, diz Calvino, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cse algum sacr\u00edlego blasfema de que a Deus se deve pouco louvor por sua bondade, a qual ele \u00e9 compelido a conservar, n\u00e3o se lhe dar\u00e1 uma resposta imediata, a saber: que ele n\u00e3o pode fazer o mal em raz\u00e3o de sua imensa bondade, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[necessidade moral]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> e n\u00e3o por for\u00e7osa compuls\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> [ou o que Edwards chamaria de necessidade natural]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">?\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele conclui que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cse o fato de que ele <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">deve<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> fazer o bem <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[grifo meu]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o impede a livre vontade de Deus em fazer o bem; e se o diabo, que s\u00f3 pode <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">fazer o mal, peca com a sua vontade \u2014 quem dir\u00e1, portanto, que o homem voluntariamente peca menos porque est\u00e1 sujeito \u00e0 necessidade <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[moral]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> de pecar?\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Ibid.) O ponto desta distin\u00e7\u00e3o entre necessidade e compuls\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9 que<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] o homem, corrompido pela Queda, pecou voluntariamente, n\u00e3o relutantemente ou por compuls\u00e3o; mas pela inclina\u00e7\u00e3o mais ansiosa de seu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por compuls\u00e3o for\u00e7ada; mas pelo est\u00edmulo de sua pr\u00f3pria lux\u00faria, n\u00e3o por compuls\u00e3o de fora. No entanto, sua natureza \u00e9 t\u00e3o depravada que ele s\u00f3 pode ser movido ou impelido para o mal. Mas se isso \u00e9 verdade, ent\u00e3o est\u00e1 claramente expresso que o homem est\u00e1 certamente sujeito \u00e0 necessidade [moral] de pecar.\u201d (Ibid.)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, deixe-me resumir. Fundamental para a teoria de Edwards \u00e9 que nada acontece sem uma causa, incluindo todos os atos da vontade. A causa de um ato de vontade \u00e9 aquele motivo que parece mais agrad\u00e1vel \u00e0 mente. A vontade, portanto, \u00e9 determinada, ou encontra sua causa e fundamento de exist\u00eancia, no motivo mais forte percebido pela mente. A vontade, portanto, sempre reflete o maior bem aparente. A vontade n\u00e3o \u00e9 autodeterminada nem indeterminada, mas sempre segue o \u00faltimo e predominante ditame do entendimento. O ato da vontade est\u00e1 necessariamente conectado a uma rela\u00e7\u00e3o de causa\/efeito com o motivo mais forte como percebido pela mente e n\u00e3o pode deixar de ser como o motivo \u00e9. Esse tipo de necessidade \u00e9 moral, est\u00e1 dentro da vontade e \u00e9 um com ela. \u00c9 uma necessidade totalmente compat\u00edvel com elogios e\/ou censuras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se, por outro lado, a vontade for influenciada por fatores externos contr\u00e1rios aos seus desejos, o indiv\u00edduo fica isento de responsabilidade. A liberdade \u00e9 simplesmente a oportunidade que se tem de agir de acordo com sua vontade ou na busca de seus desejos. Essa no\u00e7\u00e3o de liberdade, afirma Edwards, n\u00e3o \u00e9 apenas compat\u00edvel, mas absolutamente essencial \u00e0 responsabilidade moral.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Edwards e o problema do mal<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como observei de maneira breve anteriormente, a quest\u00e3o fundamental n\u00e3o \u00e9 se o motivo mais forte tem uma influ\u00eancia causal sobre a vontade, mas o que faz com que qualquer suposto motivo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">seja<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> o mais alto na vis\u00e3o da mente. Qual \u00e9 a causa do estado ou temperamento da mente que resulta em um motivo ser forte e outro fraco no momento da percep\u00e7\u00e3o? Uma vez que todo efeito deve ter uma causa, ou o homem ou Deus \u00e9 a causa inicial n\u00e3o causada da disposi\u00e7\u00e3o ou estado de esp\u00edrito do qual surgem as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. Se a vontade n\u00e3o \u00e9 autodeterminada, deve ser determinada por Deus. Mas isso parece fazer de Deus a causa direta e eficiente do mal moral. Edwards nega explicitamente isso e explica a exist\u00eancia do mal apelando para a no\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">permiss\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> divina:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1, portanto, uma grande diferen\u00e7a entre Deus estar preocupado, por sua <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">permiss\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em um evento e ato, que,\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 no sujeito inerente e agente dele, \u00e9 pecado (embora o evento certamente siga sua permiss\u00e3o), e ele estar preocupado em estar <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">produzindo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e exercendo o ato do pecado; ou entre ele ser o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ordenador<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de sua exist\u00eancia certa, por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o a impedir<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sob certas circunst\u00e2ncias, e ele ser o pr\u00f3prio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ator<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">autor<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> dela, por uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ag\u00eancia ou efici\u00eancia positiva<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (p. 403).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas se Edwards deve exonerar Deus, ele deve definir a permiss\u00e3o divina como a aus\u00eancia de qualquer influ\u00eancia causal no in\u00edcio de uma disposi\u00e7\u00e3o pecaminosa. Mas fazer isso resulta em n\u00e3o afirmar nenhuma causa para a m\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o da mente (espontaneidade) ou permitir que a pessoa seja sua pr\u00f3pria causa (autodetermina\u00e7\u00e3o), ambas contr\u00e1rias a todo o seu tratado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ficamos com esta pergunta: Por que e como Ad\u00e3o pecou? A primeira transgress\u00e3o foi autocausada, espont\u00e2nea, ou foi causada por algum ato de Deus. James Dana, o principal cr\u00edtico de Edwards, insiste que Edwards <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cdeve manter a energia positiva e a a\u00e7\u00e3o da divindade na introdu\u00e7\u00e3o do pecado no mundo, ou ent\u00e3o admitir que ele surgiu de uma causa na mente do pecador \u2014 em outras palavras, que ele era autodeterminado\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (DANA, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Examination Continued<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 59).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para entender a resposta de Edwards a essa cr\u00edtica, devemos considerar sua vis\u00e3o da natureza de Ad\u00e3o e sua vontade como criadas antes da Queda. Edwards articulou sua vis\u00e3o em resposta a John Taylor, que argumentou que a doutrina reformada do pecado original exigia que a natureza humana, em algum momento, fosse corrompida por uma influ\u00eancia positiva ou infus\u00e3o do mal, seja de Deus ou do indiv\u00edduo. Edwards respondeu insistindo que<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] a aus\u00eancia de bons princ\u00edpios positivos, e assim a reten\u00e7\u00e3o de uma influ\u00eancia divina especial para transmitir e manter esses bons princ\u00edpios, deixando os princ\u00edpios naturais comuns de amor-pr\u00f3prio, apetite natural, etc. (que estavam no homem na inoc\u00eancia) deixando-os, digo, a eles mesmos, sem o governo de princ\u00edpios divinos superiores, certamente ser\u00e3o seguidos de corrup\u00e7\u00e3o, sim, e corrup\u00e7\u00e3o total do cora\u00e7\u00e3o, sem ocasi\u00e3o para qualquer influ\u00eancia positiva. (EDWARDS, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Original Sin<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 381)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards concebeu a cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o da seguinte forma:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Deus fez o homem, inicialmente ele implantou nele dois tipos de princ\u00edpios. Havia um tipo inferior, que pode ser chamado de natural, sendo os princ\u00edpios da mera natureza humana; como o amor-pr\u00f3prio, com aqueles apetites e paix\u00f5es naturais, que pertencem \u00e0 natureza do homem, nos quais seu amor \u00e0 pr\u00f3pria liberdade, honra e prazer foram exercidos.\u201d (Ibid.)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, continua ele,<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] havia princ\u00edpios superiores, que eram espirituais, santos e divinos, sumariamente compreendidos no amor divino; em que consistia a imagem espiritual de Deus, a justi\u00e7a e a verdadeira santidade do homem; que s\u00e3o chamados nas Escrituras a natureza divina. (Ibid.)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O princ\u00edpio superior foi designado por Deus para governar o natural e assim manter a harmonia ps\u00edquica e f\u00edsica no ser de Ad\u00e3o. No entanto, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cquando o homem pecou, quebrou a alian\u00e7a de Deus, e caiu sob sua maldi\u00e7\u00e3o, esses\u00a0 <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">princ\u00edpios superiores deixaram seu cora\u00e7\u00e3o: pois, de fato, Deus o deixou\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Ibid., 382). Mas, se esses princ\u00edpios n\u00e3o foram embora <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">at\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que Ad\u00e3o houvesse pecado, sua aus\u00eancia n\u00e3o pode ser a causa do pecado. A comunh\u00e3o com Deus, da qual dependia a exist\u00eancia dos princ\u00edpios superiores em Ad\u00e3o e sua domina\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios inferiores, s\u00f3 cessou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">depois<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que ele transgrediu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards diz: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cera necess\u00e1rio, uma vez que o homem pecasse, que a justi\u00e7a original devesse ser retirada; [&#8230;] Era imposs\u00edvel, portanto, mas essa justi\u00e7a original deve ser retirada em face do pecado do homem\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Miscellanies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Works of Jonathan Edwards<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Miscellanies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a-500, Yale University Press, 1994, 446, \u00eanfase minha). A consequ\u00eancia para Ad\u00e3o foi esta:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] Os princ\u00edpios inferiores do amor-pr\u00f3prio e do apetite natural, que foram dados apenas para servir, estando sozinhos e deixados a si mesmos, naturalmente tornaram-se princ\u00edpios reinantes; n\u00e3o tendo princ\u00edpios superiores para regul\u00e1-los ou control\u00e1-los, eles se tornaram senhores absolutos do cora\u00e7\u00e3o. A consequ\u00eancia imediata foi uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">cat\u00e1strofe fatal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma reviravolta de todas as coisas e a sucess\u00e3o de um estado da mais odiosa e terr\u00edvel confus\u00e3o. (EDWARDS, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Original Sin<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, 382).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se fosse necess\u00e1rio, Edwards acreditava ser uma tarefa f\u00e1cil demonstrar<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] como toda lux\u00faria e disposi\u00e7\u00e3o depravada do cora\u00e7\u00e3o do homem surgiria naturalmente desse original <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">privativo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, [&#8230;] fica f\u00e1cil dar conta de como a corrup\u00e7\u00e3o total do cora\u00e7\u00e3o deve seguir-se ao homem comer o fruto proibido, embora isso tenha sido apenas um ato de pecado, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sem Deus colocar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> qualquer mal em seu cora\u00e7\u00e3o, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">implantar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> qualquer princ\u00edpio ruim, ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">infundir <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">qualquer mancha corrupta, tornando-se, assim, o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> autor <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">da deprava\u00e7\u00e3o.\u201d (Ibid., 383)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui est\u00e1 o problema: se a corrup\u00e7\u00e3o total do cora\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">seguiu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> a transgress\u00e3o inicial e, portanto, n\u00e3o foi sua causa, mas sua consequ\u00eancia, como Ad\u00e3o pecou? Edwards insiste que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201csomente a <\/span><\/i><b><i>retirada<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Deus do homem rebelde, como era altamente apropriado, necess\u00e1rio, e o que ele deveria fazer \u2014 <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">como se tivesse sido expulso por sua abomin\u00e1vel maldade \u2014 al\u00e9m dos princ\u00edpios naturais dos homens sendo <\/span><\/i><b><i>deixados a si mesmos<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, j\u00e1 seria suficiente para explicar o homem sendo totalmente corrupto e inclinado a pecar contra Deus\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Ibid.).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas visto que a queda de Ad\u00e3o precedeu e resultou na retirada, por Deus, do princ\u00edpio superior em sua alma, assegurando assim apenas que Ad\u00e3o persistiria no pecado, mas n\u00e3o explicando a causa de seu aparecimento inicial, e visto que Edwards rejeitou anteriormente a sugest\u00e3o de que o pecado de Ad\u00e3o, o primeiro ato de rebeli\u00e3o volitiva, foi autodeterminado ou espont\u00e2neo, por que, ou melhor, como Ad\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">poderia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> pecar?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards consistentemente afirma que a retirada da influ\u00eancia divina foi <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">subsequente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e0 transgress\u00e3o de Ad\u00e3o. O afastamento da gra\u00e7a sustentadora de Deus sobre Ad\u00e3o foi consequ\u00eancia de algo que Ad\u00e3o, n\u00e3o Deus, fez. A natureza de Ad\u00e3o tornou-se corrupta, diz Edwards, antes, e portanto, \u00e0 parte de qualquer a\u00e7\u00e3o por parte da Divindade. Como ent\u00e3o Ad\u00e3o pecou? Foi em consequ\u00eancia de alguma disposi\u00e7\u00e3o antecedente em sua natureza conforme havia sido criada?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, pois Ad\u00e3o foi criado reto e inclinado \u00e0 justi\u00e7a. Edwards sugere, em algum lugar, que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cseria pr\u00f3prio <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[adequado]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">, que se o pecado viesse \u00e0 exist\u00eancia e surgisse no mundo, deveria surgir da imperfei\u00e7\u00e3o que pertence propriamente a uma criatura, como tal, e deveria surgir assim, para que n\u00e3o parecesse ser Deus o gerador ou fonte\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (p. 413). Mas qualquer imperfei\u00e7\u00e3o na criatura, como tal, refletir\u00e1 de forma m\u00e1 no Criador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa m\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser o efeito de um ato pecaminoso da vontade de Ad\u00e3o, em vez de antecedente a ele? Mas como Ad\u00e3o poderia ter chegado a essa vontade perversa se ele foi criado santo? Tal ato de vontade n\u00e3o pode ser autodeterminado nem ter surgido espontaneamente. Portanto, Thomas Schafer est\u00e1 correto ao dizer que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201ca<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">doutrina da vontade de Edwards, exigida tanto por sua teologia quanto por sua metaf\u00edsica, rompe com a tarefa imposs\u00edvel de explicar tanto a retid\u00e3o original quanto a queda\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(SCHAFER, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Concept of Being in the Thought of Jonathan Edwards<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,\u201d Ph.D. diss., Duke University, 1951, p. 228)?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez que Edwards tenha isentado Deus de qualquer influ\u00eancia causal direta na transgress\u00e3o inicial de Ad\u00e3o, ele simplesmente n\u00e3o tem como explicar como o primeiro homem, sendo justo, poderia conceber um ato de rebeli\u00e3o, e isso n\u00e3o obstante a presen\u00e7a positiva e a influ\u00eancia da gra\u00e7a! A \u00fanica causa antecedente em Ad\u00e3o, suficiente para um efeito volitivo, \u00e9 aquela disposi\u00e7\u00e3o reta e santa com a qual ele foi dotado por Deus desde o in\u00edcio de sua exist\u00eancia. No entanto, tal disposi\u00e7\u00e3o poderia, pela pr\u00f3pria admiss\u00e3o de Edwards, produzir apenas os atos que participam da qualidade da causa (ou motivo) de onde procedem. Assim, o esquema de Edwards \u00e9 capaz apenas de explicar como Ad\u00e3o pode continuar a pecar, mas n\u00e3o como ele pode <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">come\u00e7ar a pecar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o pecado de Ad\u00e3o, como todos os eventos, exige uma causa suficiente para o efeito, ou Ad\u00e3o por autodetermina\u00e7\u00e3o ou Deus por interposi\u00e7\u00e3o direta \u00e9 o gerador moralmente respons\u00e1vel dessa primeira transgress\u00e3o. Um decreto divino para permitir a Queda meramente afirma que Deus decidiu n\u00e3o impedi-la <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">caso <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ela ocorresse. N\u00e3o explica suficientemente por que ou como de fato ocorreu. Em v\u00e1rias de suas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Miscellanies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Edwards aborda esse ponto. Por exemplo:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ad\u00e3o teve a assist\u00eancia suficiente de Deus sempre presente com ele para habilit\u00e1-lo a obedecer, se ele tivesse usado suas habilidades naturais para faz\u00ea-lo; embora essa assist\u00eancia n\u00e3o tenha sido a mesma ap\u00f3s sua prova\u00e7\u00e3o, para torn\u00e1-lo imposs\u00edvel de pecar. (\u201cMiscellanies,\u201d em The Works of Jonathan Edwards, The \u201cMiscellanies,\u201d p. 501-832, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Yale University Press<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 2000, p. 51).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas por que ele n\u00e3o usou suas habilidades naturais se elas foram criadas justas? Se elas n\u00e3o eram justas, ent\u00e3o eram m\u00e1s ou indiferentes. Se eram m\u00e1s, ent\u00e3o Deus \u00e9 a causa do pecado por ter criado Ad\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o. Se indiferentes, ent\u00e3o como elas poderiam produzir uma a\u00e7\u00e3o eticamente censur\u00e1vel? Edwards j\u00e1 argumentou que uma causa indiferente n\u00e3o pode explicar um efeito imoral (ou moral).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mesmo par\u00e1grafo, ele afirma que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201co homem pode ser enganado, para que n\u00e3o esteja disposto a usar seus esfor\u00e7os a fim de perseverar; mas se ele usou <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">seus esfor\u00e7os, havia sempre uma assist\u00eancia suficiente com ele para capacit\u00e1-lo a perseverar\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Ibid.). Mas, em Ad\u00e3o, como havia sido criado, para o que a tenta\u00e7\u00e3o teria apelado? O que, em Ad\u00e3o, estava sujeito a ser enganado pelo pecado se, como argumentado, Ad\u00e3o foi criado justo? E, se era justo, como qualquer tenta\u00e7\u00e3o pode ter for\u00e7a para evocar uma resposta pecaminosa? Pelo pr\u00f3prio racioc\u00ednio de Edwards, a vontade est\u00e1 sempre sujeita ao maior bem aparente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, em virtude daquela justi\u00e7a original, com a qual Ad\u00e3o foi inicialmente dotado, nenhum motivo mau poderia parecer bom ou ter qualquer tend\u00eancia a evocar ou excitar a mente. A mente, sendo por natureza inclinada \u00e0 justi\u00e7a, achar\u00e1 adequados ou agrad\u00e1veis apenas os motivos que s\u00e3o moralmente compat\u00edveis com ela. Se for sugerido que Deus permitiu que Ad\u00e3o fosse confrontado com uma tenta\u00e7\u00e3o (motivo), ele sabia que Ad\u00e3o era fraco demais para resistir naquela condi\u00e7\u00e3o em que Deus o havia criado, ent\u00e3o \u00e9 Deus, n\u00e3o Ad\u00e3o, o culpado pelo pecado que necessariamente se seguiu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ad\u00e3o, diz Edwards, foi criado reto, e assim, desde o momento de sua primeira exist\u00eancia, prefere o que \u00e9 bom e justo. Consequentemente \u2014 para usar a pr\u00f3pria terminologia de Edwards \u2014 para Ad\u00e3o, que naturalmente preferia o bem, naquele momento prefere o mal, ou seja, ele preferiu, naquele momento, o que n\u00e3o deveria preferir naquele momento. O pr\u00f3prio Edwards insistiu que isso \u00e9 logicamente absurdo. Mas predicar uma prefer\u00eancia de Ad\u00e3o pelo mal precisamente no momento em que ele prefere o bem \u00e9 afirmar exatamente isso. Com base no que o pr\u00f3prio Edwards disse, a \u00fanica maneira de Ad\u00e3o preferir, naquele momento, o oposto (ou seja, o mal) do que naturalmente seja preferido (ou seja, o bem) \u00e9 Deus alterar ou influenciar diretamente sua prefer\u00eancia natural. Admitir isso, no entanto, \u00e9 admitir a obje\u00e7\u00e3o de que o conceito de Edwards de determinismo causal da vontade faz de Deus o autor do pecado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edwards n\u00e3o desconhece esse problema e o aborda desta forma:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Se for perguntado como o homem veio a pecar, visto que ele n\u00e3o tinha inclina\u00e7\u00f5es pecaminosas em si, exceto que Deus retirou sua gra\u00e7a dele e assim o deixou cair, eu respondo, n\u00e3o havia necessidade disso, n\u00e3o havia necessidade de tirar nada que lhe havia sido dado, mas ele pecou sob a tenta\u00e7\u00e3o porque Deus n\u00e3o lhe deu mais da gra\u00e7a. (Miscel\u00e2neas, n\u00ba 290, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">WJE<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 18:382).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas como ele pecou mesmo com o que Deus lhe deu, se o que ele tinha era justo? Edwards continua:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus n\u00e3o retirou essa gra\u00e7a dele enquanto ele era perfeitamente inocente, gra\u00e7a essa que era sua justi\u00e7a original; mas ele apenas reteve sua gra\u00e7a confirmadora. [&#8230;] Essa era a gra\u00e7a que Ad\u00e3o deveria ter se tivesse permanecido em p\u00e9 quando viesse receber sua recompensa. Deus n\u00e3o era obrigado a conceder-lhe essa gra\u00e7a, [&#8230;] e assim o pecado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">certamente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> seguiu a tenta\u00e7\u00e3o do diabo. De modo que, quanto ao pecado da humanidade, ele veio do diabo. (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ibid.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, grifo meu)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com isso Edwards quer dizer, como ele diz novamente em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Miscellany<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">436<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que Deus deu a Ad\u00e3o gra\u00e7a \u201csuficiente\u201d, mas n\u00e3o gra\u00e7a \u201ceficaz\u201d para resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. Mas por que Edwards infere, da aus\u00eancia de gra\u00e7a eficaz, que o pecado \u201ccertamente\u201d se seguiu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o? Como j\u00e1 argumentei, mesmo na aus\u00eancia de confirma\u00e7\u00e3o ou gra\u00e7a eficaz, n\u00e3o h\u00e1 nada em Ad\u00e3o causalmente suficiente para explicar o efeito (ou seja, seu pecado). Se pela cria\u00e7\u00e3o ele est\u00e1 em tal condi\u00e7\u00e3o que, antes da retirada da influ\u00eancia divina de Deus, ele necessariamente peca, ent\u00e3o Deus certamente \u00e9 a causa e o agente moralmente respons\u00e1vel pela transgress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tampouco ser\u00e1 suficiente dizer que Ad\u00e3o caiu porque sua vontade foi dominada pela influ\u00eancia imoral e enganosa de Satan\u00e1s. Esta sugest\u00e3o \u00e9 problem\u00e1tica por duas raz\u00f5es. Primeira, isso significaria que Ad\u00e3o caiu por uma necessidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">natural<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que, conforme argumentou Edwards, isenta a pessoa da responsabilidade moral. Em segundo lugar, isso s\u00f3 faria o problema do mal retroceder um passo, de tal forma que todas as perguntas feitas at\u00e9 ent\u00e3o a Ad\u00e3o, bem como sua transgress\u00e3o, seriam atribu\u00eddas a Satan\u00e1s e aos seus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 o dilema que levou James Dana a concluir que, em geral, a doutrina de Edwards,<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] enquanto absolve a criatura de toda culpa, acusa o Criador como a causa e fonte da revolta dos anjos e da humanidade e, finalmente, fixa toda a criminalidade do universo sobre ele. Qu\u00e3o infinitamente reprovador deve ser esse sistema de doutrina, que envolve uma imputa\u00e7\u00e3o t\u00e3o horr\u00edvel e blasfema ao supremo criador e governador do universo. (DANA<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Examination Continued<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, p. 68).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A solu\u00e7\u00e3o de Dana para o problema, no entanto, tamb\u00e9m \u00e9 atormentada por uma dificuldade intranspon\u00edvel. Nada que o arminiano possa dizer sobre a conting\u00eancia ou poder autodeterminante da vontade pode servir para explicar com menor dificuldade como uma inclina\u00e7\u00e3o pecaminosa pode surgir no cora\u00e7\u00e3o daquele que foi criado santo e reto. Nem ser\u00e1 suficiente argumentar (como fez Pel\u00e1gio) que Ad\u00e3o n\u00e3o foi criado santo e reto, mas com uma indiferen\u00e7a ou equil\u00edbrio de vontade, pois as mesmas obje\u00e7\u00f5es que Edwards levantou anteriormente contra a indiferen\u00e7a se aplicariam aqui com igual for\u00e7a (p. 414).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dana simplesmente afirma que a forma como o pecado veio a ser permitido \u00e9 mais do que se pode compreender. Mas se Deus soubesse (e todos, exceto os te\u00edstas abertos contempor\u00e2neos, afirmariam que ele sabia) que Ad\u00e3o pecaria se deixado por si mesmo \u2014 uma condi\u00e7\u00e3o que Dana afirma ter vindo do Criador e pela qual ele, portanto, \u00e9 respons\u00e1vel em \u00faltima inst\u00e2ncia \u2014 e sem aquela assist\u00eancia que foi absolutamente necess\u00e1rio para evitar o pecado (cuja assist\u00eancia Deus certamente poderia ter fornecido se assim o desejasse), ent\u00e3o, na natureza do caso, Deus \u00e9, muito apropriadamente, a raz\u00e3o pela qual Ad\u00e3o pecou como se ele (Deus) fosse a causa geradora disso. Assim, a mera exist\u00eancia do pecado, e n\u00e3o apenas a quest\u00e3o de sua causa original, apresenta um problema que parece desafiar a explica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parece que Dana \u00e9 incapaz, e Edwards n\u00e3o quer explicar, como Ad\u00e3o caiu. Dana \u00e9 incapaz porque espontaneidade, autodetermina\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a n\u00e3o explicam a transi\u00e7\u00e3o da vontade de Ad\u00e3o da obedi\u00eancia para a rebeli\u00e3o. Edwards est\u00e1 relutante em que seu conceito determinista de voli\u00e7\u00e3o humana, se aplicado consistentemente, deve delinear todo efeito no universo e, portanto, todo ato de vontade, para a causa final, toda-suficiente e n\u00e3o causada, a Divindade Eterna.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comecei este ensaio com a afirma\u00e7\u00e3o insistente de Edwards de que, se a liberdade libert\u00e1ria for adotada, deve-se renunciar a qualquer apego \u00e0 soteriologia calvinista e \u00e0s doutrinas essenciais a ela. Acredito que, quer o leitor concorde ou n\u00e3o com as conclus\u00f5es de Edwards, ele reconhecer\u00e1 a veracidade dessa afirma\u00e7\u00e3o. Por mais misterioso e perturbador que o tratado de Edwards tantas vezes demonstra ser, eu, pelo menos, continuo convencido de que ele est\u00e1 correto em seu racioc\u00ednio e leitura das Escrituras. Talvez, ent\u00e3o, eu deva encerrar apoiando-me fortemente naquele texto com o qual o pr\u00f3prio Edwards concluiu sua obra mais famosa:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pois est\u00e1 escrito: Destruirei a sabedoria dos s\u00e1bios e aniquilarei a intelig\u00eancia dos instru\u00eddos. Onde est\u00e1 o s\u00e1bio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste s\u00e9culo? Porventura, n\u00e3o tornou Deus louca a sabedoria do mundo? [&#8230;] pelo contr\u00e1rio, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os s\u00e1bios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que n\u00e3o s\u00e3o, para reduzir a nada as que s\u00e3o; a fim de que ningu\u00e9m se vanglorie na presen\u00e7a de Deus.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1Co 1.19-20, 27-29)<\/span>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Sam Storms. \u00a9 Desiring God Foundation.Website: <a href=\"http:\/\/www.desiringgod.org\/languages\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/the-will-fettered-yet-free\">The Will: Fettered Yet Free &#8211; Freedom of the Will.<\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">Este artigo aparece como um cap\u00edtulo em <\/span><a href=\"http:\/\/www.desiringgod.org\/books\/a-god-entranced-vision-of-all-things\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">A God-Entranced Vision of All Things<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p>\u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradutor: Paulo Reiss Junior. Editor: Vinicius Lima. Revisor: Z\u00edpora Dias.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A resposta de Jonathan Edwards sobre o problema do mal e a liberdade libert\u00e1ria, por mais complexa e paradoxal que seja, ainda n\u00e3o p\u00f4de ser refutada.<\/p>\n","protected":false},"author":492,"featured_media":62119,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[435,611],"tags":[592],"class_list":["post-62116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teologia","category-teologia-reformada","tag-desiring-god","tema-desiring-god","tema-desiring-god-dup","tema-problema-do-mal","tema-soberania-de-deus","tema-soberania-de-deus-dup","tema-teologia-reformada","tema-teologia-sistematica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Somos livres? 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