{"id":63360,"date":"2022-10-10T09:52:32","date_gmt":"2022-10-10T12:52:32","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=63360"},"modified":"2025-03-31T13:53:15","modified_gmt":"2025-03-31T16:53:15","slug":"culto-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2022\/10\/culto-cristao\/","title":{"rendered":"O culto crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O culto \u00e9 oferecido a Deus. Na B\u00edblia, o verbo \u201cadorar\u201d possui uma estreita rela\u00e7\u00e3o com o reconhecimento de que Deus est\u00e1 no controle; de que s\u00f3 ele \u00e9 o Alto e o Sublime, e n\u00f3s somos meras criaturas, incomparavelmente inferiores. Na cultura hebraica, isso se manifestava atrav\u00e9s do ato f\u00edsico de curvar-se ou prostrar-se. Neste aspecto conv\u00e9m lembrar a m\u00e1xima crist\u00e3 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">lex orandi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> lex credendi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, cuja tradu\u00e7\u00e3o pode ser \u201co que se ora, \u00e9 o que se cr\u00ea\u201d. Segundo este princ\u00edpio, adora\u00e7\u00e3o e teologia caminham juntas e grande parte de nossa liturgia (forma de adora\u00e7\u00e3o), \u00e9 influenciada por nossa teologia (certa ou errada). Nossa liturgia, em certo ponto, \u00e9 um reflexo de nossa teologia. Como resultado direto, uma teologia corrompida produzir\u00e1 uma adora\u00e7\u00e3o distorcida.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#1b\"><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Um elemento estranho presente no culto contempor\u00e2neo \u00e9 a \u00eanfase human\u00edstica. Entretanto, a perspectiva crist\u00e3 b\u00edblica e hist\u00f3rica sobre adora\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00ea o culto p\u00fablico como focalizado na esperteza ou criatividade humana, mas na santidade de Deus. Cultuamos para glorificar o Senhor, receber as suas b\u00ean\u00e7\u00e3os e responder com louvor e gratid\u00e3o. Assim, temos que definir exatamente qual a audi\u00eancia que, em rigor, objetivamos em nosso culto, se a congrega\u00e7\u00e3o ou \u201co c\u00e9u\u201d. O fim do nosso culto n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar os perdidos, ainda que isto possa legitimamente ocorrer por meio dele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">James M. Boice corretamente afirma que nossa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 centralizada no homem e infelizmente \u201ca igreja, trai\u00e7oeiramente, tem se tornado egoc\u00eantrica\u201d. Como filhos desta nossa gera\u00e7\u00e3o, exigimos que cada momento do culto venha satisfazer nossas necessidades. Nesse contexto, o culto foi transformado em um \u201cprograma\u201d e o desejo de se obter \u201cfelicidade\u201d \u00e9 certamente maior do que o de se obter \u201csantidade.\u201d Queremos avidamente alegria, mas o comprometimento tornou-se secund\u00e1rio. Julgamos o culto como \u201cagrad\u00e1vel\u201d, n\u00e3o com base na instru\u00e7\u00e3o b\u00edblica apresentada, mas no grau de \u201csatisfa\u00e7\u00e3o\u201d pessoal alcan\u00e7ada. Assim, nossa prega\u00e7\u00e3o tornou-se uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">homil\u00e9tica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de consenso, na qual a boa mensagem n\u00e3o \u00e9 a que confronta nossos pecados, mas a que nos faz sentir melhor. Al\u00e9m do mais, os serm\u00f5es tornaram-se mais curtos porque nossa aten\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria s\u00e3o curtas. Neste sentido, J. I. Packer observa: \u201cGeralmente reclamamos que os ministros n\u00e3o sabem como pregar; mas n\u00e3o \u00e9 igualmente verdade que nossas congrega\u00e7\u00f5es n\u00e3o sabem mais como ouvir?\u201d O grande perigo dessa adora\u00e7\u00e3o \u00e9 o de \u201cusar a Deus, antes que atribuir-lhe\u201d a devida gl\u00f3ria.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#2b\"><span style=\"font-weight: 400;\">2<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, a adora\u00e7\u00e3o que \u00e9 digna de seu nome deve ser teoc\u00eantrica. No cora\u00e7\u00e3o da adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 est\u00e1 o pr\u00f3prio Deus. E mais: na adora\u00e7\u00e3o o crist\u00e3o n\u00e3o apenas busca a Deus, mas tamb\u00e9m o encontra. John Owen evidencia este ponto ao dizer que, na adora\u00e7\u00e3o, Cristo \u201ctoma os adoradores pelas m\u00e3os e os conduz \u00e0 presen\u00e7a de Deus\u201d. E, como disse Richard Baxter: \u201cSe \u00e9 a Deus que voc\u00ea est\u00e1 buscando em sua adora\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o ficar\u00e1 satisfeito sem Deus\u201d. Este aspecto teoc\u00eantrico na adora\u00e7\u00e3o pode ser resumido em dois subt\u00f3picos claramente ensinados nas Escrituras, a saber, que \u00e9 a gl\u00f3ria divina que requer nossa adora\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 a vontade divina que normatiza nossa adora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Ess\u00eancia e forma<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na l\u00edngua portuguesa os verbos \u201cadorar\u201d e \u201ccultuar\u201d, em sentido amplo, podem ser tomados como sin\u00f4nimos. A origem dos nossos voc\u00e1bulos \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cculto\u201d encontra-se na l\u00edngua latina. A raiz do voc\u00e1bulo \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d resulta da jun\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> + verbo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">oro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. O verbo latino <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">oro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> significa pronunciar uma s\u00faplica, pleitear, e descrevia, por exemplo, as fun\u00e7\u00f5es de um embaixador. Daqui deriva nossa palavra portuguesa \u201cora\u00e7\u00e3o\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ad-oro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> significa \u201cdirigir uma s\u00faplica a\u201d, \u201cpedir\u201d, \u201cprostrar-se, ajoelhar-se diante de algu\u00e9m\u201d. Mais tarde adquiriu o sentido de \u201cvenerar\u201d, \u201cadmirar\u201d, \u201creverenciar\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O radical da palavra portuguesa \u201cculto\u201d \u00e9 o riqu\u00edssimo verbo latino <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">colo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que tem o sentido original de \u201ccultivar\u201d. Mas o verbo latino colo adquiriu tamb\u00e9m o sentido de \u201ccuidar de\u201d, \u201ctratar de\u201d, \u201cquerer bem\u201d, \u201cocupar-se de\u201d, \u201cadornar\u201d, \u201cenfeitar\u201d. E por fim adquiriu a acep\u00e7\u00e3o de \u201chonrar\u201d, \u201cvenerar\u201d, \u201crespeitar\u201d, \u201cacatar\u201d. Assim, o voc\u00e1bulo latino <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">cultus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (partic\u00edpio de colo) adquiriu o sentido de \u201cculto\u201d, mostrar respeito, acatamento, rever\u00eancia e adora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Conclu\u00edmos, pois, que \u00e0 luz de sua etimologia, os nossos voc\u00e1bulos \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cculto\u201d podem ser tomados como sin\u00f4nimos em seu sentido amplo. Entretanto, um estudo sem\u00e2ntico das duas palavras verifica que, com o desenvolvimento hist\u00f3rico dos termos, uma distin\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">stricto sensu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> pode ser verificada entre os dois voc\u00e1bulos, desde um tempo relativamente mais recente. Assim, a palavra portuguesa \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d parece relacionar-se mais com a ess\u00eancia, enquanto \u201cculto\u201d parece estar mais relacionada com a forma, algo bem pr\u00f3ximo ou id\u00eantico \u00e0 nossa palavra liturgia. Realmente, por vezes nos parece que na L\u00edngua Portuguesa a palavra \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d tem mais a ver com sentimentos, com uma dimens\u00e3o n\u00e3o material, um ato mental, interior, invis\u00edvel, enquanto \u201cculto\u201d tem mais a ver com a manifesta\u00e7\u00e3o externa, a pr\u00e1tica externa e vis\u00edvel desse ato. Colocando isto em mi\u00fados, significaria que a adora\u00e7\u00e3o se manifesta ou se expressa em culto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Um fato \u00e9 que o culto que oferecemos a Deus pode consistir-se de pr\u00e1ticas externas em que, muitas vezes, falta o essencial. Isto aconteceu no tempo em que Jesus Cristo andou neste mundo. Uma vez, citando o profeta Isa\u00edas, disse ele: \u201cEste povo honra-me com os l\u00e1bios; o seu cora\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 longe de mim. E em v\u00e3o me adoram [&#8230;]\u201d (Mc 7.6).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como seres humanos, temos uma tend\u00eancia de confundir a forma com a ess\u00eancia. Dificilmente paramos para pensar se o nosso culto corresponde \u00e0 adora\u00e7\u00e3o que Deus procura. Um culto que n\u00e3o representa uma atitude interna de amor pelo Senhor \u00e9 prestado em v\u00e3o. Isa\u00edas declara que Deus rejeitava os rituais dos israelitas de seu tempo. Deus os achava uma abomina\u00e7\u00e3o: \u201cas vossas solenidades, a minha alma as aborrece\u201d (Is 1.14). O culto externo pode impressionar aos que dele participam. Mas Deus, que sonda os cora\u00e7\u00f5es, \u00e9 apto para verificar se a ess\u00eancia est\u00e1 presente, se o culto pode ser classificado como verdadeira adora\u00e7\u00e3o. Alguns assumem, neste ponto, um tipo de subjetivismo ou \u201crelativismo est\u00e9tico\u201d, respondendo que a forma do culto n\u00e3o \u00e9 relevante. Entretanto, Deus se importa tanto com a forma e conte\u00fado da adora\u00e7\u00e3o quanto com seu esp\u00edrito.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Um espet\u00e1culo para os sentidos?<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No que diz respeito \u00e0 adora\u00e7\u00e3o que o povo redimido presta a Deus, a atual concep\u00e7\u00e3o eminentemente est\u00e9tica de louvor associa-o ou vincula-o ao contexto espec\u00edfico da arte. Como portador da imagem de Deus, o homem possui certamente a possibilidade tanto de criar algo belo como de se deleitar nele. Esta \u00e9 a origem da arte. Algu\u00e9m definiu a arte como a incorpora\u00e7\u00e3o do conceito de beleza em formas sensoriais. N\u00e3o colocamos em discuss\u00e3o se a arte pode glorificar a Deus, mas ela deveria encontrar a plenitude do seu espa\u00e7o pr\u00f3prio. No culto crist\u00e3o a finalidade n\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o art\u00edstica que apela aos sentidos humanos, mas o louvor a Deus \u201cem esp\u00edrito e em verdade\u201d. Em diversos momentos da hist\u00f3ria da Igreja, o casamento da arte com o culto redundou em que este foi devorado por aquela. Novamente estamos presenciando este fen\u00f4meno, com a explos\u00e3o sensorial e art\u00edstica do \u201cculto evang\u00e9lico\u201d brasileiro. Se por um lado \u201ctodo brasileiro \u00e9 um artista\u201d, por outro, e tristemente, nem todo brasileiro membro das igrejas evang\u00e9licas \u00e9 um adorador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O louvor, assim, \u00e9 apresentado, cada vez mais, como um evento das capacidades sensoriais e visuais, e n\u00e3o como um acontecimento caracterizado por palavras, atrav\u00e9s do qual nos envolvemos em um profundo di\u00e1logo da alma com o Deus tri\u00fano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em um de seus artigos, Sinclair Ferguson escreveu que \u201ca atitude predominante do evangelicalismo contempor\u00e2neo consiste em focalizar a centralidade daquilo que \u00b4acontece` no espet\u00e1culo da adora\u00e7\u00e3o [&#8230;]. A est\u00e9tica, quer seja musical, quer seja art\u00edstica, recebe prioridade acima da santidade. Mais e mais \u00e9 visto, menos e menos \u00e9 ouvido. Acontece uma festa dos sentidos, mas existe fome de ouvir [&#8230;]. Agora, tem de haver cores, movimento, efeitos audiovisuais, etc., pois, de modo contr\u00e1rio, Deus n\u00e3o pode ser conhecido, amado, adorado e crido\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">E Dr. Michael Horton escreveu:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A \u201cm\u00fasica crist\u00e3\u201d \u00e9 freq\u00fcentemente uma desculpa para artistas inferiores conseguirem vencer numa subcultura crist\u00e3 que imita o brilho e glamour do entretenimento secular, inclusive suas pr\u00f3prias cerim\u00f4nias de premia\u00e7\u00e3o e seu ambiente de superestrelato. Pode ser que essa n\u00e3o seja a inten\u00e7\u00e3o por parte de muitos artistas que querem contribuir para o cen\u00e1rio da m\u00fasica crist\u00e3 contempor\u00e2nea, mas a ind\u00fastria acaba produzindo, na maioria, imita\u00e7\u00f5es nada criativas, repetitivas, superficiais da m\u00fasica popular. Produzir m\u00fasica em conformidade com os gostos anestesiados duma cultura consumista j\u00e1 \u00e9 ruim; imitar a arte comercializada \u00e9 desperdi\u00e7ar os talentos [&#8230;]. Isto trivializa tanto a arte quanto a religi\u00e3o.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#3b\"><span style=\"font-weight: 400;\">3<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A adora\u00e7\u00e3o e a arte na cosmovis\u00e3o da Reforma<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No Antigo Testamento, a adora\u00e7\u00e3o teve todo um apelo \u00e0 sensorialidade. A adora\u00e7\u00e3o divina apareceu inseparavelmente unida \u00e0 arte, e mediada fortemente pela forma est\u00e9tica. Naquele per\u00edodo, todas as artes estavam envolvidas no servi\u00e7o religioso, n\u00e3o somente a m\u00fasica, a pintura, a escultura e a arquitetura, mas, circunstancialmente, tamb\u00e9m a dan\u00e7a, a m\u00edmica e o drama.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a Idade M\u00e9dia, a Igreja Romana retrocede e recupera os elementos da Antiga Dispensa\u00e7\u00e3o. A mesma forma de religi\u00e3o \u00e9 imposta sobre uma na\u00e7\u00e3o, tanto pelo pr\u00edncipe como pelo sacerdote, com a uni\u00e3o entre Igreja e Estado. H\u00e1 um retorno \u00e0s pr\u00e1ticas sacerdotais, e o culto ganhou novamente forte apelo sensorialista. A adora\u00e7\u00e3o divina forneceu o la\u00e7o que unia as diversas artes. O estilo da arte e o estilo da adora\u00e7\u00e3o coincidiam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Dr. Abraham Kuyper, cujo pensamento certamente \u00e9 influenciado em alguns aspectos pela filosofia plat\u00f4nica, chega mesmo a expressar a opini\u00e3o de que \u201ca alian\u00e7a da religi\u00e3o com a arte representa um est\u00e1gio inferior de religi\u00e3o, e em geral do desenvolvimento humano\u201d. E Kuyper cita Von Hartmann:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] Quanto mais a Religi\u00e3o se desenvolve em maturidade espiritual, tanto mais se livrar\u00e1 das ataduras da arte, porque a arte sempre \u00e9 incapaz de expressar a pr\u00f3pria ess\u00eancia da religi\u00e3o. E o resultado final deste processo hist\u00f3rico de separa\u00e7\u00e3o deve ser que a Religi\u00e3o quando plenamente madura se abster\u00e1 completamente do estimo pelo qual a pseudoemo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica a intoxicou, a fim de concentrar-se total e exclusivamente sobre o avivamento daquelas emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o puramente espirituais.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#4b\"><span style=\"font-weight: 400;\">4<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito kuyperiano da rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e espiritualidade pode (e deve) certamente ser submetido ao rigor da cr\u00edtica, mas suas inquietantes conclus\u00f5es acerca do bin\u00f4mio adora\u00e7\u00e3o e arte merecem toda a nossa melhor pondera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na Idade Moderna come\u00e7amos a ver a emancipa\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o da tutela sacerdotal e pol\u00edtica. A Reforma contribuiu decisivamente para essa transi\u00e7\u00e3o. E na tradi\u00e7\u00e3o de Ulrico Zu\u00ednglio (1484-1531), Jo\u00e3o Calvino e os reformadores, o tema principal, em rigor, n\u00e3o era a justifica\u00e7\u00e3o, conquanto reconhecessem sua vital import\u00e2ncia. O foco deles era a adora\u00e7\u00e3o. O foco dos zuinglianos estava em que o homem pecador deveria voltar-se da idolatria para o Deus verdadeiro. Assim, os te\u00f3logos da tradi\u00e7\u00e3o reformada pregaram <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Soli Deo Gloria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em todas as \u00e1reas da vida, porque eles tinham em vista a adora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Retornando ao Novo Testamento, o calvinismo compreendeu que Deus n\u00e3o mais ser\u00e1 adorado no monumental templo em Jerusal\u00e9m, e que na literatura apost\u00f3lica n\u00e3o se encontra o apelo \u00e0s artes com prop\u00f3sito de adora\u00e7\u00e3o. Para o calvinismo\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e desde ent\u00e3o esta tem sido a dire\u00e7\u00e3o em todo o Ocidente <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0a adora\u00e7\u00e3o e a arte t\u00eam cada uma sua pr\u00f3pria esfera de vida. Isso n\u00e3o significa que um estilo de arte possa originar-se independentemente da religi\u00e3o, pois o tronco da arte est\u00e1 firmemente enraizado na concep\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica do artista, mas significa emancipar a adora\u00e7\u00e3o divina mais e mais de sua forma sensorial e encorajar sua vigorosa espiritualidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como exemplo deste princ\u00edpio reformado, em Zurique, Zu\u00ednglio desencorajou a arte e a m\u00fasica na igreja, insistindo na centralidade \u00fanica da Palavra e dos sacramentos. Contudo, ele pr\u00f3prio tocava instrumentos e fundou a orquestra de Zurique. A atitude do reformador estava longe de ser antiarte ou antim\u00fasica. \u201cPelo contr\u00e1rio\u201d, escreve Dr. Horton, \u201cele queria libertar a Palavra no culto e as artes na cria\u00e7\u00e3o, desde que estas n\u00e3o tivessem primazia sobre a Palavra\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Horton cita ainda outros exemplos. Ele relembra que, conquanto muitos anabatistas defendessem desprezar as artes como sendo \u201cmundanas\u201d, Lutero contra-argumentava: \u201cN\u00e3o sou da opini\u00e3o de que as artes devam ser jogadas de lado ou desprezadas pelo Evangelho, como protestam algumas pessoas superespirituais; eu quisera ver, com prazer, todas as artes, especialmente a m\u00fasica, a servi\u00e7o daquele que as deu e as criou\u201d. Sendo compositor de hinos, o pr\u00f3prio Lutero inspirou toda uma tradi\u00e7\u00e3o de hinologia evang\u00e9lica. E Jo\u00e3o Calvino n\u00e3o encontrava o mal na representa\u00e7\u00e3o teatral p\u00fablica, como tal. No tempo de Calvino, e com sua aprova\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas eram feitas para todas as pessoas em Genebra em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, a cosmovis\u00e3o da Reforma concedeu que a arte fosse um empreendimento com terreno pr\u00f3prio, que, conquanto devesse tamb\u00e9m ser para a gl\u00f3ria de Deus, n\u00e3o estivesse amarrada \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. O calvinismo exerceu forte influ\u00eancia sobre o culto crist\u00e3o, quando teve a coragem de superar o apelo \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o externa e ao simbolismo, e insistiu na beleza interior, espiritual, da alma adorando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, o culto no Protestantismo Reformado \u00e9 simples, em acordo com o car\u00e1ter e processo da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica acerca da adora\u00e7\u00e3o. De fato, a adora\u00e7\u00e3o do Novo Testamento \u00e9 destitu\u00edda de normas e complexidade cerimonial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Terry L. Johnson, em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Adora\u00e7\u00e3o Reformada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, escreve:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 Jerusal\u00e9m, nem Templo e nem instru\u00e7\u00f5es lev\u00edticas [&#8230;] e a aus\u00eancia de um livro de Lev\u00edtico no Novo Testamento reflete a simplicidade da adora\u00e7\u00e3o na Igreja de Cristo [&#8230;]. O Novo Testamento est\u00e1 cheio, como um guia completo, de afirma\u00e7\u00f5es que sustentam a adora\u00e7\u00e3o simples dos filhos de Deus em Esp\u00edrito. Nenhuma liberdade \u00e9 dada no Novo Testamento para inventar formas de adora\u00e7\u00e3o, mais do que a que \u00e9 dada no Velho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No Antigo Testamento h\u00e1 todo um ritual para se achegar a Deus, com procedimentos definidos, rico em simbolismo e ancorado num calend\u00e1rio. Na adora\u00e7\u00e3o do Novo Testamento n\u00e3o h\u00e1 nada disso. O que n\u00e3o significa que a igreja est\u00e1 livre para fazer a adora\u00e7\u00e3o do modo que ela desejar. Mas quer dizer que a nossa adora\u00e7\u00e3o \u00e9 para ser simples, direta, sem ritual elaborado, destitu\u00edda de formas complexas, liberta de um calend\u00e1rio e ciclos naturais, contudo, limitada ao uso daqueles s\u00edmbolos institu\u00eddos por Cristo, a Santa Ceia e o Batismo. Se a igreja inventar uma adora\u00e7\u00e3o jungida por ritual, simbolismo, e normas, estar\u00e1 minando o prop\u00f3sito de Deus de que nossa adora\u00e7\u00e3o seja simples, e estar\u00e1 voltando \u00e0s sombras do Antigo Testamento. Rejeite isso, n\u00e3o aceite a pompa e circunst\u00e2ncia da liturgia medieval. N\u00e3o abrace t\u00e3o pouco a extravagante alta voltagem da adora\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. N\u00e3o crie um novo sacerd\u00f3cio de t\u00e9cnicos, artistas e atores. Nossa adora\u00e7\u00e3o \u00e9 simples e, portanto, universalmente v\u00e1lida; ela pode ser conduzida e usufru\u00edda em qualquer lugar, a qualquer hora, seja qual for o sal\u00e1rio, educa\u00e7\u00e3o, ou per\u00edcia tecnol\u00f3gica dos envolvidos. Pode ser feita num iglu no Alasca, numa cabana de palha no Congo, ou numa grande catedral em Paris. Deus agora pode ser adorado tanto em Samaria como em Jerusal\u00e9m.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#5b\"><span style=\"font-weight: 400;\">5<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m a este prop\u00f3sito, escreveu o pastor Paulo Anglada:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Desejo, portanto, concluir sugerindo que, \u00e0 luz da hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, \u00eanfases sobre pompa, ritos, s\u00edmbolos, gestos e demais pr\u00e1ticas lit\u00fargicas inventadas pelo homem, n\u00e3o constituem avan\u00e7o, e sim, um retrocesso. Significam um retorno a formas de culto mais rudimentares, apropriadas apenas \u00e0 velha dispensa\u00e7\u00e3o. A gl\u00f3ria e beleza do culto na nova dispensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no templo, na sua decora\u00e7\u00e3o, nos ritos, nos s\u00edmbolos, nos gestos, nas luzes, nos corais, na pompa, nas cerim\u00f4nias, nos instrumentos musicais, ou em quaisquer coisas do g\u00eanero. Est\u00e1, sim, na sua simplicidade, na sua natureza espiritual, na santidade do adorador, na conforma\u00e7\u00e3o do culto \u00e0 verdade revelada nas Escrituras, na realidade do acesso do crente \u00e0 presen\u00e7a de Deus pela intermedia\u00e7\u00e3o de Cristo e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#6b\"><span style=\"font-weight: 400;\">6<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As ordenan\u00e7as lev\u00edticas foram \u201csombras das coisas celestiais\u201d (Hb 6.5-6). Foi uma \u201csombra dos bens vindouros\u201d (Hb 10.10). N\u00e3o dever\u00edamos retornar aos s\u00edmbolos complexos, aos rituais, e normas pelas quais o povo de Deus se aproximava dEle no Antigo Testamento. Essa forma de adora\u00e7\u00e3o foi abolida por Cristo, que cumpriu todas as fun\u00e7\u00f5es sacerdotais e sacrificiais, em nosso favor de uma vez por todas. A adora\u00e7\u00e3o praticada pela igreja primitiva, conforme registra o Novo Testamento, reafirma este ponto. Os crist\u00e3os primitivos devotaram-se \u00e0 \u201cdoutrina dos ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o, ao partir do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es\u201d (At 2.42). Seu culto n\u00e3o se assemelhava ao ritual ricamente elaborado do templo, estando mais pr\u00f3ximo da simples e singela adora\u00e7\u00e3o da sinagoga. Os cultos da igreja crist\u00e3 primitiva eram simples ministra\u00e7\u00f5es da Palavra, ordenan\u00e7as e ora\u00e7\u00e3o. E eles estavam satisfeitos com a media\u00e7\u00e3o espiritual do Senhor Jesus Cristo, entronizado \u00e0 direita de Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Concluindo este ponto, vale uma cita\u00e7\u00e3o de Kuyper a esse respeito:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[O fato] de uma reintrodu\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico em nossos lugares de adora\u00e7\u00e3o ser ardentemente desejada, devemos \u00e0 triste realidade de que a pulsa\u00e7\u00e3o da vida religiosa em nossos dias est\u00e1 muito mais fraca que estava nos dias de nossos m\u00e1rtires [&#8230;] esta fraqueza da vida religiosa deve inspirar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o por uma obra mais poderosa do Esp\u00edrito Santo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">E o pensamento de Kuyper o conduz \u00e0s veementes palavras: \u201cA segunda inf\u00e2ncia, em sua velhice, \u00e9 um movimento retr\u00f3grado, doloroso. O homem que teme a Deus e cujas faculdades permanecem claras e inalteradas, n\u00e3o retorna do ponto de maioridade para os brinquedos de sua inf\u00e2ncia\u201d.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>No louvor, a m\u00fasica \u00e9 eminentemente um meio.<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No que concerne \u00e0 m\u00fasica, h\u00e1 um entendimento popular de que o louvor que o povo redimido presta a Deus \u00e9 \u201cuma celebra\u00e7\u00e3o em palavras e m\u00fasicas\u201d. Mas este entendimento precisa ser colocado em quest\u00e3o. O maestro brasileiro, Parcival M\u00f3dolo, diz acertadamente que no culto \u201ca m\u00fasica \u00e9 serva do texto, \u00e9 ve\u00edculo para o texto\u201d. N\u00f3s acreditamos que o Senhor permite que cantemos e tamb\u00e9m usemos instrumentos para acompanhar os c\u00e2nticos, mas, em rigor, n\u00e3o s\u00e3o estes que verdadeiramente expressam louvor ao Senhor. Eles s\u00e3o secund\u00e1rios; n\u00e3o s\u00e3o conforme a imagem de Deus, e n\u00e3o t\u00eam almas redimidas. Isto n\u00e3o significa que a igreja deva desprezar a preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade est\u00e9tica da m\u00fasica em si mesma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ali\u00e1s, Horton est\u00e1 certo quando diz que \u201ctemos que ser rigorosamente anal\u00edticos quanto \u00e0 m\u00fasica sacra\u201d. Por\u00e9m, significa que, no louvor, a m\u00fasica \u00e9 eminentemente um meio, ainda que muito nobre e adequado. No louvor que o povo redimido deve prestar a Deus, o que ele procura s\u00e3o palavras e pensamentos que resultem da objetiva condi\u00e7\u00e3o do adorador. A m\u00fasica nos auxilia num n\u00edvel pr\u00e1tico, mas, em rigor, n\u00e3o \u00e9 ela em si mesma que expressa o nosso louvor. O canto do povo de Deus certamente deve ser grande e glorioso nos termos de esfor\u00e7o e fervor, mas s\u00e3o as palavras e o cora\u00e7\u00e3o do adorador que Deus deseja.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Donald P. Hustad diz que \u201ca adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 primitiva era estritamente vocal, visto que a m\u00fasica instrumental era primordialmente associada com os sacrif\u00edcios no templo hebraico, provavelmente n\u00e3o era usada nas sinagogas, e foi abandonada at\u00e9 pelos judeus quando o templo foi destru\u00eddo em 70 A.D\u201d.[<\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#7b\"><span style=\"font-weight: 400;\">7<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Qual a finalidade da m\u00fasica na Igreja Crist\u00e3? H\u00e1 quem entenda que ela deve ser utilizada apenas como ve\u00edculo para exprimir adora\u00e7\u00e3o a Deus. Outros entendem que ela situa-se num contexto eminentemente de ensino. De fato, no Novo Testamento as refer\u00eancias \u00e0 m\u00fasica na igreja (1Co 14.15; Cl 3.16; Ef 5.19b; Hb 13.15; Tg 5.13) encontram-se num contexto principalmente de ensino: \u201cfalando entre v\u00f3s\u201d, \u201censinai-vos\u201d, \u201cadmoestai-vos\u201d. Mas tamb\u00e9m dizem respeito ao louvor a Deus: \u201clouvando a Deus com gratid\u00e3o a Deus em vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d, \u201centoando e louvando de cora\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cofere\u00e7amos a Deus, sempre, sacrif\u00edcio de louvor, que \u00e9 o fruto dos l\u00e1bios\u201d. Al\u00e9m disso, h\u00e1 aqueles que sugerem haver tamb\u00e9m lugar para a evangeliza\u00e7\u00e3o na m\u00fasica da igreja, em que a letra seja dirigida ao incr\u00e9dulo. Ela seria um meio de \u201cproclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz\u201d <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ainda que este uso da m\u00fasica para o testemunho crist\u00e3o tem sido bastante questionado, talvez porque muitas vezes seja centralizada na pessoa do descrente, e n\u00e3o no Deus que lhe \u00e9 apresentado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#1a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[1]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Santos, Valdeci. <\/span><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19669\/refletindo-sobre-a-adoracao-e-o-culto-cristao\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Refletindo sobre a Adora\u00e7\u00e3o e o Culto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#2a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[2]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Boice, James M. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Evangelho da Gra\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2003, 224 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#3a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[3]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Horton, Michael S. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Crist\u00e3o e a Cultura; Nem separatismo nem mundanismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1998, 206 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#4a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[4]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Kuyper, Abraham. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Calvinismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2002, 208 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#5a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[5]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Johnson, Terry. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Adora\u00e7\u00e3o Reformada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Editora Os Puritanos, 2001, 68 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#6a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[6]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Anglada, Paulo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Princ\u00edpio Regulador do Culto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: PES, s.d., 46 pp. Conte\u00fado de palestra proferida em 1997.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/musicaeadoracao.com.br\/19597\/o-culto-cristao-consideracoes-sobre-sua-natureza\/#7a\"><span style=\"font-weight: 400;\">[7]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Hustad, Donald P. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A M\u00fasica na Igreja<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Vida Nova, 1991, 310 pp.<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Gilson Santos.\u00a0\u00a9 Instituto Poim\u00eanica. 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