{"id":65311,"date":"2023-08-28T08:00:31","date_gmt":"2023-08-28T11:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=65311"},"modified":"2023-09-06T10:09:49","modified_gmt":"2023-09-06T13:09:49","slug":"a-natureza-pode-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2023\/08\/a-natureza-pode-ensinar\/","title":{"rendered":"A natureza pode ensinar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_raw_html]JTNDaWZyYW1lJTIwc3JjJTNEJTIyaHR0cHMlM0ElMkYlMkZ3aWRnZXQuc3ByZWFrZXIuY29tJTJGcGxheWVyJTNGZXBpc29kZV9pZCUzRDU2Njk5NjkyJTI2dGhlbWUlM0RkYXJrJTI2cGxheWxpc3QlM0RmYWxzZSUyNnBsYXlsaXN0LWNvbnRpbnVvdXMlM0RmYWxzZSUyNmNoYXB0ZXJzLWltYWdlJTNEdHJ1ZSUyNmVwaXNvZGVfaW1hZ2VfcG9zaXRpb24lM0RyaWdodCUyNmhpZGUtbG9nbyUzRHRydWUlMjZoaWRlLWxpa2VzJTNEdHJ1ZSUyNmhpZGUtY29tbWVudHMlM0R0cnVlJTI2aGlkZS1zaGFyaW5nJTNEdHJ1ZSUyNmhpZGUtZG93bmxvYWQlM0RmYWxzZSUyMiUyMHdpZHRoJTNEJTIyMTAwJTI1JTIyJTIwaGVpZ2h0JTNEJTIyMjAwcHglMjIlMjBmcmFtZWJvcmRlciUzRCUyMjAlMjIlM0UlM0MlMkZpZnJhbWUlM0U=[\/vc_raw_html][vc_column_text]<span style=\"font-weight: 400;\">RESUMO: Quando algumas pessoas ouvem a frase &#8220;lei natural&#8221;, elas pensam em algum instinto animal, ou na sobreviv\u00eancia do mais forte ou nas leis da f\u00edsica. Na hist\u00f3ria crist\u00e3, no entanto, a lei natural se refere aos princ\u00edpios morais b\u00e1sicos tecidos por Deus na pr\u00f3pria realidade da cria\u00e7\u00e3o. Leis pol\u00edticas derivam da lei natural e carregam a for\u00e7a do padr\u00e3o de Deus s\u00f3 \u00e0 medida que elas acuradamente refletem a natureza. Os autores b\u00edblicos tamb\u00e9m assumem a relev\u00e2ncia da lei natural, tanto no estabelecimento de costumes adequados quanto ao testificar a nossa necessidade de perd\u00e3o. Mesmo assim, a natureza n\u00e3o consegue nos ensinar onde nossa esperan\u00e7a mais profunda se encontra: n\u00e3o na lei em si, mas no Cristo que salva os transgressores da lei.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o da lei natural pode confundir as pessoas&#8230; voc\u00ea e eu pelo menos sabemos do que estamos falando aqui&#8230; Voc\u00ea sabe e eu sei que \u00e9 uma coisa muito, muito s\u00e9ria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. (Joe Biden, em 1991)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o tenho ideia do que ele estava falando.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Clarence Thomas, em 2020) [1]<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Discuss\u00f5es sobre a lei natural podem ser t\u00e3o confusas dentro da igreja quanto elas s\u00e3o na pol\u00edtica americana, demonstrada pelas duas cita\u00e7\u00f5es acima. Alguns t\u00eam fortes opini\u00f5es sobre a lei natural, sobre sua mera exist\u00eancia e, se existe, sobre o que ela ensina. Outros argumentam que se trata de uma influ\u00eancia externa fundamentalmente oposta \u00e0 revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Outros ainda tentam entender sobre o que os pensadores da lei natural sequer est\u00e3o falando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste artigo, eu gostaria de ajudar a entender os principais termos e conceitos envolvidos em uma filosofia da lei natural. Eu discuto o que esses termos e conceitos significam e como eles podem ser usados, e ent\u00e3o discuto algumas passagens do Novo Testamento que usam a l\u00f3gica, e ocasionalmente at\u00e9 a linguagem, da lei natural. A B\u00edblia de fato mostra que a natureza pode ensinar, e isso \u00e9 importante. Mas, igualmente importante, a B\u00edblia mostra que existem algumas li\u00e7\u00f5es que a natureza n\u00e3o consegue ensinar, ou pelo menos n\u00e3o bem o suficiente. Dessa forma, concluo com uma observa\u00e7\u00e3o dos limites da lei natural.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 a Lei Natural?<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No s\u00e9culo XXI, a pessoa comum ouve &#8220;natureza&#8221; e pensa em biologia moderna ou mesmo em zoologia. &#8220;Lei natural&#8221;, ent\u00e3o, \u00e9 entendida como um instinto animal ou algo assim. Pior do que isso, alguns podem interpret\u00e1-la nas linhas da sobreviv\u00eancia do mais forte, fazendo, assim, da lei natural uma mera competi\u00e7\u00e3o de apetite e for\u00e7a. Isso n\u00e3o \u00e9 o que a lei natural significava no pensamento crist\u00e3o antigamente. Outro equ\u00edvoco \u00e9 pensar que a lei natural seja um livro invis\u00edvel no c\u00e9u. A maioria dos humanos &#8220;sempre soube&#8221; algumas coisas, da\u00ed a hip\u00f3tese de que se simplesmente volt\u00e1ssemos ao tempo apropriado na hist\u00f3ria ou olh\u00e1ssemos para as culturas apropriadas, encontrar\u00edamos uma verdadeira lista de leis morais que pudessem ser nosso padr\u00e3o. Isso \u00e9 um trunfo sofisticado, mas ainda \u00e9 um trunfo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais precisamente, a lei natural \u00e9 um m\u00e9todo de racioc\u00ednio moral. Ao inv\u00e9s de simplesmente discutir uma lista positiva do que fazer ou n\u00e3o fazer, a lei natural se trata de uma tentativa de localizar e demonstrar o fundamento racional de um dever ou proibi\u00e7\u00e3o em particular. Tom\u00e1s de Aquino a chama de &#8220;participa\u00e7\u00e3o da lei eterna na criatura racional&#8221;. [2] Mais adequadamente, ela \u00e9 um exerc\u00edcio de pensamento que parte dos mais b\u00e1sicos princ\u00edpios racionais morais aplicando-os a v\u00e1rias quest\u00f5es morais, eventualmente levando a casos legais espec\u00edficos. Considerada somente em si mesma, a lei natural \u00e9 o primeiro est\u00e1gio filos\u00f3fico desse exerc\u00edcio. Conforme nos movemos da argumenta\u00e7\u00e3o especulativa para a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, rapidamente chegamos \u00e0 pol\u00edtica \u2014 n\u00e3o ao por vezes indecente neg\u00f3cio de fazer acordos e alian\u00e7as, mas sim \u00e0 arte de organizar a sociedade humana. Mesmo os primeiros est\u00e1gios do racioc\u00ednio baseado na lei natural, no entanto, implicam a necessidade de maior aplica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a lei impressa na nossa natureza causa diversas inclina\u00e7\u00f5es. [3]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Franciscus Junius, te\u00f3logo reformado do s\u00e9culo XVI, explica a lei natural dessa forma: &#8220;A lei natural \u00e9 inata \u00e0s criaturas dotadas de raz\u00e3o e informa-as com no\u00e7\u00f5es comuns da natureza, isto \u00e9, com princ\u00edpios e conclus\u00f5es esbo\u00e7ando a lei eterna por uma certa participa\u00e7\u00e3o&#8221;. [4] Mesmo surpreendentemente compacta, \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o carregada. A raz\u00e3o inata informa a criatura atrav\u00e9s de no\u00e7\u00f5es comuns que destacam os princ\u00edpios e conclus\u00f5es. Isso significa que as aplica\u00e7\u00f5es e eventuais leis positivas est\u00e3o contidas, no m\u00ednimo como semente, no ensino b\u00e1sico dado pela lei natural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas isso ainda requer um processo de argumenta\u00e7\u00e3o. Como Junius nota, a lei natural nunca foi &#8220;igualmente percebida por todos.\u201d [5] A pecaminosidade humana tende a distorcer e suprimir a lei natural, e o erro aumenta conforme nos movemos dos princ\u00edpios gerais para os particulares. [6] Dessa forma, pensar em termos da lei natural sempre incluiu uma necessidade de ensino, tanto quanto uma forma\u00e7\u00e3o social e moral em alguns contextos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conte\u00fado da lei natural pode ser explicado da forma mais b\u00e1sica como sendo &#8220;seguir o bem e se desviar do mal&#8221;. [7] Autores crist\u00e3os t\u00eam universalmente argumentado que isso tamb\u00e9m implica o conte\u00fado moral dos Dez Mandamentos. Jo\u00e3o Calvino escreve: &#8220;Justamente os ensinos contidos nas duas t\u00e1buas s\u00e3o, de certa forma, ditados a n\u00f3s por aquela lei interna, que, como j\u00e1 foi dito, \u00e9, de certa forma, escrita e impressa em todos os cora\u00e7\u00f5es.&#8221; [8] A Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster declara: &#8220;Essa lei [dada no \u00c9den], depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justi\u00e7a. Como tal, foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas t\u00e1buas.&#8221; [9] A Confiss\u00e3o, citando Mateus 22.37-40, explica que essa lei pode ser entendida como ensinando nosso dever em rela\u00e7\u00e3o a Deus, &#8220;Ama o Senhor teu Deus&#8221;, e nosso dever em rela\u00e7\u00e3o aos homens, &#8220;Ama teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo&#8221;. Isso significa que &#8220;o bem&#8221; que estamos seguindo \u00e9 o amor a Deus e ent\u00e3o, decorrente disso, o amor ao pr\u00f3ximo, e &#8220;o mal&#8221; de que estamos nos desviando \u00e9 seu oposto.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Lei Humana, Costume, Decoro<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, a lei natural, na sua forma mais b\u00e1sica, \u00e9 o entendimento fundamental da bondade e a inclina\u00e7\u00e3o para a\u00e7\u00f5es que sejam consistentes com essa bondade. No entanto, para se aprofundar nisso, os humanos precisam de legisla\u00e7\u00e3o efetiva, a institui\u00e7\u00e3o e o cumprimento de leis positivas, bem como de forma\u00e7\u00e3o moral atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es sociais e ensino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A distin\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica nesse assunto \u00e9 entre a lei natural e a lei humana. Tom\u00e1s de Aquino explica dessa forma:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma que, na raz\u00e3o especulativa, a partir de princ\u00edpios indemonstr\u00e1veis naturalmente conhecidos, n\u00f3s derivamos conclus\u00f5es de diversas ci\u00eancias, o conhecimento que n\u00e3o nos \u00e9 dado pela natureza, mas adquirido pelos esfor\u00e7os da raz\u00e3o, assim tamb\u00e9m a partir dos preceitos da lei natural, igualmente de princ\u00edpios gerais e indemonstr\u00e1veis, a raz\u00e3o humana precisa progredir para a determina\u00e7\u00e3o particular de certos assuntos. Essas determina\u00e7\u00f5es particulares, idealizadas pela raz\u00e3o humana, s\u00e3o chamadas de leis humanas. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[10]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso significa que a lei natural em si consiste nos princ\u00edpios morais conhecidos inatamente e imediatamente, enquanto as &#8220;determina\u00e7\u00f5es particulares&#8221; de uma pessoa ou grupo aplicando esses princ\u00edpios em di\u00e1logo com outras ci\u00eancias s\u00e3o &#8220;lei humana&#8221;. Cham\u00e1-la lei humana n\u00e3o \u00e9 denegrir tais leis, mas sim admitir que a lei humana pode ser mudada conforme necess\u00e1rio. [12] Tamb\u00e9m \u00e9 importante o fato de que a distin\u00e7\u00e3o entre a lei natural e a lei humana explica os limites da lei humana. Se a lei humana \u00e9 inconsistente com a lei natural, se ela viola os princ\u00edpios mais b\u00e1sicos de justi\u00e7a, ent\u00e3o ela n\u00e3o \u00e9 uma lei verdadeira de forma alguma e com raz\u00e3o deve ser resistida. [13] &#8220;Toda lei humana s\u00f3 tem natureza de lei \u00e0 medida que \u00e9 derivada da lei da natureza. Mas se em qualquer ponto ela se desvia da lei da natureza, ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 lei, mas uma pervers\u00e3o da lei&#8221;. [14]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra categoria importante para entendermos essa \u00faltima ideia \u00e9 o costume. Um costume \u00e9 qualquer atividade comumente realizada e respeitada por uma comunidade espec\u00edfica com o prop\u00f3sito de ensinar um conceito, especialmente um conceito moral. Nos tempos modernos, as pessoas frequentemente falam de algo ser &#8220;s\u00f3 um costume&#8221; e portanto menos autoritativo ou sequer autoritativo em sentido algum. Mas para os pensadores cl\u00e1ssicos, costumes eram meios poderosos e importantes de se treinar virtudes. Dessa forma, eles eram considerados, algumas vezes, como alcan\u00e7ando a for\u00e7a de lei. Aquino o p\u00f5e da seguinte maneira: &#8220;Quando alguma coisa \u00e9 feita de novo e de novo, ela parece proceder de um ju\u00edzo deliberado da raz\u00e3o. Consequentemente, o costume tem a for\u00e7a de lei, abole a lei, e \u00e9 interprete da lei&#8221;. [15] Jo\u00e3o Calvino interpreta o ap\u00f3stolo Paulo em 1 Cor\u00edntios 11.14 como falando de costumes quando escreve: &#8220;Ou n\u00e3o vos ensina a pr\u00f3pria natureza?&#8221; Calvino escreve: &#8220;O que era naquele tempo em uso comum por consentimento universal e por costume. . . ele diz ser natural,\u201d e &#8220;ele reconhece como natureza um costume que havia sido confirmado&#8221;. [16] Em outro lugar, Calvino declara: &#8220;Quando h\u00e1 um costume aceito, e ele \u00e9 bom e decente, n\u00f3s devemos aceit\u00e1-lo. E qualquer um que tente mud\u00e1-lo ser\u00e1 certamente inimigo do bem comum.\u201d [17]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um outro conceito importante da discuss\u00e3o sobre a lei natural \u00e9 o que tem sido chamado de adequa\u00e7\u00e3o ou conveni\u00eancia. Esse conceito \u00e9 discutido pelo advogado e fil\u00f3sofo romano C\u00edcero em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Dos Deveres<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. C\u00edcero usa o termo &#8220;adequado&#8221; para explicar quando algo est\u00e1 &#8220;de acordo com a natureza&#8221; e se apresenta de maneira apropriada dada a ocasi\u00e3o. [18] Uma forma simples de descrever essa ideia seria dizer que algo \u00e9 apropriado. Algo que \u00e9 apropriado \u00e9 moral, porque \u00e9 baseado na lei natural e tamb\u00e9m \u00e9 executado da maneira correta. \u00c9 apropriado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Manter a adequa\u00e7\u00e3o em uma escala social \u00e9 por vezes chamado de decoro. Calvino, entre outros, faz uso desse conceito no seu ensino \u00e9tico. \u00c9 importante notar, no entanto, que ideias como decoro necessariamente envolvem um n\u00edvel maior de subjetividade do que a lei moral em si, e ent\u00e3o requer tamb\u00e9m um respeito pela ordem e submiss\u00e3o \u00e0s autoridades adequadas.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Lei natural n\u00e3o fere o Sola Scriptura?<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A essa altura da discuss\u00e3o, alguns leitores podem pensar se essa \u00e9 uma filosofia que Protestantes deveriam aceitar. Afinal, a maior parte da argumenta\u00e7\u00e3o se baseou na tradi\u00e7\u00e3o, inclusive em fontes n\u00e3o crist\u00e3s. N\u00e3o dever\u00edamos, antes, aderir somente \u00e0 lei b\u00edblica?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse tipo de preocupa\u00e7\u00e3o tem boas inten\u00e7\u00f5es, mas se baseia em um mal-entendido. O princ\u00edpio de Sola Scriptura da Reforma n\u00e3o significa que a B\u00edblia \u00e9 a \u00fanica autoridade que h\u00e1. Antes, significa que a B\u00edblia \u00e9 a maior autoridade, a autoridade pela qual todas as outras s\u00e3o julgadas. Isso tamb\u00e9m significa que a B\u00edblia \u00e9 a \u00fanica fonte de autoridade para assuntos absolutamente necess\u00e1rios \u2014 isto \u00e9, necess\u00e1rios para a salva\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o verdadeira e vida reta. [19] Mas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sola Scriptura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o significa que toda outra autoridade seja ileg\u00edtima, nem nega que a luz da natureza forne\u00e7a conhecimento verdadeiro de Deus. Na realidade, a Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster se refere \u00e0 luz da natureza no m\u00ednimo cinco vezes. [20] Em uma se\u00e7\u00e3o, a Confiss\u00e3o declara que a liberdade crist\u00e3 n\u00e3o permite a &#8220;publicar opini\u00f5es ou manter pr\u00e1ticas contr\u00e1rias \u00e0 luz da natureza&#8221;. [21] Isso acontece porque, em \u00faltima an\u00e1lise, a luz da natureza e a lei natural s\u00e3o aspectos da revela\u00e7\u00e3o geral e portanto reflexos do pr\u00f3prio car\u00e1ter de Deus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria Escritura pressup\u00f5e uma certa por\u00e7\u00e3o de conhecimento natural. Afinal, a B\u00edblia em lugar nenhum apresenta as leis b\u00e1sicas da l\u00f3gica, nem tenta defender a legitimidade da causalidade. De fato, a B\u00edblia proclama que certos atributos de Deus podem ser vistos &#8220;por meio das coisas que foram criadas\u201d (Rm 1.20). Ela diz, inclusive, que o homem conhece o justo decreto de Deus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas da justi\u00e7a (Rm 1.32). Resumindo, a B\u00edblia pressup\u00f5e a exist\u00eancia da lei natural e apela a ela em v\u00e1rias ocasi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">A Lei Natural na B\u00edblia<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Romanos 1 \u00e9 a fonte mais comum para a lei natural nas Escrituras. Ali, o ap\u00f3stolo Paulo declara:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><em>(&#8230;) porquanto o que de Deus se pode conhecer \u00e9 manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invis\u00edveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princ\u00edpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.<\/em> (Rm 1.19\u201320)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, uma das li\u00e7\u00f5es que a natureza ensina \u00e9 que Deus existe. Paulo prossegue e diz que as pessoas sabiam desse fato mas se recusaram a adorar Deus e dar-lhe gra\u00e7as (Rm 1.21), e portanto podemos tamb\u00e9m dizer que a lei natural ensina que a adora\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9 um imperativo moral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Paulo tamb\u00e9m fala de &#8220;rela\u00e7\u00f5es naturais&#8221; entre homens e mulheres, referindo-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sexuais. Ele deixa claro que a homossexualidade \u00e9 inatural j\u00e1 que vai contra o plano da cria\u00e7\u00e3o. Romanos 1.32 diz at\u00e9 mesmo que a humanidade ca\u00edda &#8220;conhece a senten\u00e7a de Deus&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moralidade, bem como o que merecemos em caso de viola\u00e7\u00e3o, &#8220;que s\u00e3o pass\u00edveis de morte os que tais coisas praticam&#8221; (Rm 1.32). Ent\u00e3o um conhecimento b\u00e1sico da justi\u00e7a, bem como da satisfa\u00e7\u00e3o por violar a justi\u00e7a, tamb\u00e9m \u00e9 ensinado pela lei natural.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Filosofia com os Gregos<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Novo Testamento tamb\u00e9m mant\u00e9m que a natureza testifica a diferen\u00e7a entre o Criador e a criatura. Em Atos 14, Barnab\u00e9 e Paulo dizem:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Senhores, por que fazeis isto? N\u00f3s tamb\u00e9m somos homens como v\u00f3s, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas v\u00e3s vos convertais ao Deus vivo, que fez o c\u00e9u, a terra, o mar e tudo o que h\u00e1 neles&#8221;. (At 14.15)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 interessante que o termo grego traduzido como &#8220;mesmos sentimentos&#8221; \u00e9 na realidade <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">homoiopatheis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que significa mais literalmente &#8220;mesmas paix\u00f5es&#8221; ou &#8220;mesmas afei\u00e7\u00f5es&#8221;. Dessa forma, Paulo n\u00e3o s\u00f3 alega que os humanos t\u00eam uma natureza qualitativamente distinta da de Deus, mas tamb\u00e9m que Deus n\u00e3o tem paix\u00f5es humanas \u2014 e ele pressup\u00f5e que a sua audi\u00eancia de gentios pode aprender essa verdade a partir da lei natural. Tamb\u00e9m \u00e9 interessante que, no Are\u00f3pago, Paulo tamb\u00e9m argumenta contra a idolatria apelando ao que sua audi\u00eancia grega j\u00e1 sabia. Ele explica que \u00e9 errado pensar na natureza divina como uma imagem &#8220;trabalhada pela arte e imagina\u00e7\u00e3o do homem&#8221;, j\u00e1 que o pr\u00f3prio homem \u00e9 anterior e superior a essas cria\u00e7\u00f5es (At 17.29). \u00c9 interessante que, ao longo do livro de Atos, Paulo argumenta a partir da natureza e da literatura filos\u00f3fica local quando evangeliza gregos, mas argumenta a partir do Antigo Testamento quando evangeliza judeus.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">V\u00e9u e Submiss\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Paulo tamb\u00e9m faz uso dos conceitos de costume, adequa\u00e7\u00e3o e decoro. Vemos isso especialmente em 1 Cor\u00edntios 11.1\u20136, mas tamb\u00e9m em 1 Tim\u00f3teo 2. O v\u00e9u em 1 Cor\u00edntios 11 causa confus\u00e3o em muitos leitores modernos. Claramente parece se tratar de um artefato cultural, um costume do tempo e espa\u00e7o de Paulo, e Paulo inclusive o chama de costume em 1 Cor\u00edntios 11.16 (o termo por vezes traduzido &#8220;pr\u00e1tica&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 traduzido como &#8220;costume&#8221;, e se encaixa melhor assim no contexto intelectual da passagem). Mas com igual clareza, ou assim parece, Paulo est\u00e1 ordenando o costume, e o conecta \u00e0 natureza. Isso n\u00e3o faz muito sentido se n\u00f3s usarmos somente categorias modernas, mas \u00e0 luz do racioc\u00ednio baseado na lei natural de antigamente, \u00e9 perfeitamente intelig\u00edvel e consistente. O ponto de Paulo \u00e9 que o uso de v\u00e9u por mulheres para que falassem na assembleia \u00e9 consistente com o princ\u00edpio da lei natural acerca da submiss\u00e3o e da boa ordem. Portanto, para preservar essa boa ordem, Paulo instrui a igreja a manter o costume. Ver isso como uma aplica\u00e7\u00e3o da lei natural na manuten\u00e7\u00e3o do decoro tamb\u00e9m nos ajuda a entender como podemos aplicar essa passagem fielmente hoje, quando esse costume espec\u00edfico se perdeu na maioria dos lugares. Devemos ensinar os mesmos princ\u00edpios, mas podemos encontrar novos modos de aplic\u00e1-los ao nosso contexto cultural se seguirmos os mesmos conceitos de adequa\u00e7\u00e3o. [22]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m vemos essa \u00eanfase no decoro em 1 Tim\u00f3teo 2. Ali, Paulo n\u00e3o est\u00e1 discutindo o relacionamento entre homens e mulheres mas, na realidade, a submiss\u00e3o a toda autoridade apropriada. Ele come\u00e7a pedindo ora\u00e7\u00e3o &#8220;em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade\u201d (1 Tm 2.2a) e ent\u00e3o segue discutindo a &#8220;vida tranquila e mansa&#8221; (1 Tm 2.2b). Tudo que se segue \u00e9 uma discuss\u00e3o maior do mesmo tema. Uma preocupa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 a mod\u00e9stia, e Paulo at\u00e9 diz que certos trajes s\u00e3o &#8220;pr\u00f3prios&#8221; para esse objetivo (1 Tm 2.10). De novo, leitores modernos n\u00e3o v\u00eaem de imediato como isso pode ser um discurso especializado, mas ele vem precisamente do racioc\u00ednio baseado na lei natural e da ret\u00f3rica que esse artigo est\u00e1 explicando. O objetivo de Paulo \u00e9 promover a harmonia social atrav\u00e9s da submiss\u00e3o \u00e0s autoridades apropriadas. Ele ent\u00e3o instrui a igreja sobre a\u00e7\u00f5es e costumes que ajudar\u00e3o a viver essa submiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso significa que o que n\u00f3s chamamos agora de &#8220;complementarismo&#8221; \u00e9 um reflexo da lei natural, mas somente como um componente do conceito maior de obedi\u00eancia \u00e0s autoridades e da tranquilidade e ordem dentro da sociedade humana. A rebeldia \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 lei natural, como tamb\u00e9m o desrespeito \u00e0s autoridades e o desprezo pela adequa\u00e7\u00e3o. Isso porque nosso Deus \u00e9 um Deus de ordem (1 Co 14.33), e, portanto, sua cria\u00e7\u00e3o reflete a mesma realidade.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">O que a natureza n\u00e3o pode ensinar<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A natureza ensina que h\u00e1 um Deus, que ele \u00e9 digno de adora\u00e7\u00e3o e que ele nos deu uma ordem moral b\u00e1sica, o resumo da qual \u00e9 equivalente ao conte\u00fado dos dez mandamentos. Mas h\u00e1 algumas li\u00e7\u00f5es cruciais que a natureza n\u00e3o pode nos ensinar. Desde a queda do homem no pecado, a lei natural revela o jeito certo de viver e, igualmente, revela tamb\u00e9m que o homem n\u00e3o est\u00e1 vivendo dessa forma. Ela mostra que algo est\u00e1 quebrado, que h\u00e1 um problema. Mas a lei natural n\u00e3o pode explicar porque a ordem est\u00e1 quebrada. Ela n\u00e3o pode nos dizer qual \u00e9 o problema (o pecado) nem como ele surgiu. Para isso, precisamos da revela\u00e7\u00e3o especial de Deus, a lei revelada. Como Paulo escreve, \u201ceu n\u00e3o teria conhecido o pecado, sen\u00e3o por interm\u00e9dio da lei\u201d (Rm 7.7). Pelo contexto, fica claro que ele est\u00e1 falando da lei revelada por Deus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E da mesma forma que a lei n\u00e3o pode explicar a fonte do problema, ela n\u00e3o pode explicar a solu\u00e7\u00e3o. \u201cQuem me livrar\u00e1 do corpo desta morte?\u201d (Rm 7.24). A \u00fanica resposta \u00e9 Cristo, e isso requer a luz do evangelho, a revela\u00e7\u00e3o especial de Deus (Hb 1.2; Is 49.6; At 13.47). E a revela\u00e7\u00e3o especial, por sua vez, requer uma mensagem e um proclamador. \u201cComo, por\u00e9m, invocar\u00e3o aquele em quem n\u00e3o creram? E como crer\u00e3o naquele de quem nada ouviram? E como ouvir\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 quem pregue?\u201d (Rm 10.14). Assim, enquanto o cristianismo tem ensinado a import\u00e2ncia da natureza como mestra e meio de responsabiliza\u00e7\u00e3o, ele tamb\u00e9m tem ensinado a necessidade absoluta da gra\u00e7a. O \u00fanico nome pelo qual os homens podem ser salvos \u00e9 o nome de Jesus Cristo (At 4.12), e esse nome precisa ser pregado por seu povo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, \u00e9 importante notar que a lei natural ensina, de fato, uma compaix\u00e3o b\u00e1sica. O Novo Testamento em toda parte assume que os descrentes cuidam dos seus (Lc 6.33; 1 Tm 5.8). Paulo chega a dizer: &#8220;poder\u00e1 ser que pelo bom algu\u00e9m se anime a morrer\u201d (Rm 5.7). Mas a lei natural nunca dirigiria algu\u00e9m a se sacrificar por uma pessoa que n\u00e3o merecesse. Ela nunca ensinaria o auto-sacrif\u00edcio sem nenhuma recompensa terrena em vista. \u201cMas Deus prova o seu pr\u00f3prio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por n\u00f3s, sendo n\u00f3s ainda pecadores.\u201d (Rm 5.8). O evangelho n\u00e3o contradiz a lei natural, mas vai al\u00e9m dela, e nisso encontramos nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[1] Matt Naham, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJustice Clarence Thomas Says He Still Has \u2018No Idea\u2019 What Joe Biden Was Talking About in 1991<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,\u201d Law &amp; Crime, May 19, 2020, https:\/\/lawandcrime.com\/awkward\/justice-clarence-thomas-says-he-still-has-no-idea-what-joe-biden-was-talking-about-in-1991\/.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[2] Tom\u00e1s de Aquino, Summa Theologica I-II, q. 91, a. 2, co. (daqui em diante, ST).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[3] Aquino, ST I-II, q. 91, a. 2, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[4] Franciscus Junius, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Mosaic Polity <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(Grand Rapids: CLP Academic, 2015), 44.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[5] Junius, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mosaic Polity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 45.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[6] Aquino, ST I-II, q. 94, a. 4, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[7] Aquino, ST I-II, q. 94, a. 4, co.; Junius diz o mesmo em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mosaic Polity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 45.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[8] Jo\u00e3o Calvino, Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[9] CFW 19.2.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[10] Aquino, ST I-II, q. 91, a. 3, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[11] Aquino, ST I-II, q. 95, a. 2, ad. 3.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[12] Aquino, ST I-II, q. 97, a. 1, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[13] Isto \u00e9, dado que essa resist\u00eancia seja \u201cadequada\u201d ou \u201capropriada\u201d. Ver abaixo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[14] Aquino, ST I-II, q. 95, a. 2, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[15] Aquino, ST I-II, q. 97, a. 3, co.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[16] Jo\u00e3o Calvino,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Commentary on Corinthians, vol. 1<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Grand Rapids: Christian Classics Ethereal Library, n.d.), https:\/\/www.ccel.org\/ccel\/c\/calvin\/calcom39\/cache\/calcom39.pdf.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[17] Jo\u00e3o Calvino, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Men, Women, and Order in the Church: Three Sermons<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Dallas: Presbyterian Heritage Publications, 1992), 57.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[18] Cicero, Dos Deveres 1.27.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[19] CFW 1.6, 20.2, 21.2.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[20] CFW 1.1, 1.6, 10.4, 20.4, 21.1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[21] CFW 20.4.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[22] Para mais reflex\u00f5es sobre essa passagem, ver Steven Wedgeworth, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Going on a Bear Hunt: Head Coverings, Custom, and Proper Decorum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,\u201d The Gospel Coalition, February 24, 2021, https:\/\/www.thegospelcoalition.org\/article\/head-coverings-1-corinthians-11\/. <\/span>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: <span style=\"font-weight: 400;\">STEVEN WEDGEWORTH<\/span>. \u00a9\ufe0f Desiring God Foundation. Website: <a href=\"http:\/\/desiringGod.org\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/nature-can-teach\"><span style=\"font-weight: 400;\">What Nature Can Teach: A Biblical Introduction To Natural Law<\/span><\/a>. Todos os direitos reservados. Tradu\u00e7\u00e3o: Pedro H. Lima. Revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o por <em>Vinicius Lima<\/em>.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na hist\u00f3ria crist\u00e3, a lei natural se refere aos princ\u00edpios morais b\u00e1sicos tecidos por Deus na pr\u00f3pria realidade da 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