{"id":65909,"date":"2023-11-06T08:00:08","date_gmt":"2023-11-06T11:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=65909"},"modified":"2023-11-06T11:41:10","modified_gmt":"2023-11-06T14:41:10","slug":"o-drama-da-gloria-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2023\/11\/o-drama-da-gloria-de-deus\/","title":{"rendered":"O drama da gl\u00f3ria de Deus"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_raw_html]JTNDaWZyYW1lJTIwc3JjJTNEJTIyaHR0cHMlM0ElMkYlMkZ3aWRnZXQuc3ByZWFrZXIuY29tJTJGcGxheWVyJTNGZXBpc29kZV9pZCUzRDU3NTMyMTA2JTI2dGhlbWUlM0RkYXJrJTI2cGxheWxpc3QlM0RmYWxzZSUyNnBsYXlsaXN0LWNvbnRpbnVvdXMlM0RmYWxzZSUyNmNoYXB0ZXJzLWltYWdlJTNEdHJ1ZSUyNmVwaXNvZGVfaW1hZ2VfcG9zaXRpb24lM0RyaWdodCUyNmhpZGUtbG9nbyUzRHRydWUlMjZoaWRlLWxpa2VzJTNEdHJ1ZSUyNmhpZGUtY29tbWVudHMlM0R0cnVlJTI2aGlkZS1zaGFyaW5nJTNEZmFsc2UlMjZoaWRlLWRvd25sb2FkJTNEZmFsc2UlMjIlMjB3aWR0aCUzRCUyMjEwMCUyNSUyMiUyMGhlaWdodCUzRCUyMjIwMHB4JTIyJTIwZnJhbWVib3JkZXIlM0QlMjIwJTIyJTNFJTNDJTJGaWZyYW1lJTNF[\/vc_raw_html][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>RESUMO<\/em><\/strong><em>: <span style=\"font-weight: 400;\">Nenhum outro tema b\u00edblico \u00e9 maior do que a gl\u00f3ria de Deus. Na verdade, todo o enredo b\u00edblico \u00e9 o drama da gl\u00f3ria de Deus. No princ\u00edpio, Deus coroou os portadores de sua imagem de gl\u00f3ria e honra. Na queda, trocamos a gl\u00f3ria de Deus por \u00eddolos. Na cruz, Jesus une seu povo para si, o Senhor da gl\u00f3ria. Nos tempos vindouros, o povo de Deus vai caminhar na liberdade da gl\u00f3ria dos filhos de Deus.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe um outro tema b\u00edblico maior e, mesmo assim, mais negligenciado do que a gl\u00f3ria de Deus? A gl\u00f3ria de Deus aparece em todas as partes principais da B\u00edblia e afeta todas as doutrinas principais. Ela tamb\u00e9m \u00e9 nitidamente dif\u00edcil de se definir. Em geral, a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 a grandeza, a gra\u00e7a, a beleza e o esplendor de suas perfei\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes, a gl\u00f3ria de Deus o define (Sl 24.7\u201310). Normalmente, a gl\u00f3ria expressa a presen\u00e7a especial de Deus, como na coluna de nuvem e fogo (\u00cax 13.21\u201322) ou a gl\u00f3ria que encheu o tabern\u00e1culo (\u00cax 40.34\u201338).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As Escrituras relatam a gl\u00f3ria de Deus em pelo menos seis formas: primeiro, somente ele possui uma gl\u00f3ria inerente (pessoal) (Is 42.8). Segundo, Deus revela sua gl\u00f3ria na cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1), na provid\u00eancia (Sl 104.31), criando o ser humano \u00e0 sua imagem (Sl 8.4\u20135), e na liberta\u00e7\u00e3o (\u00cax 14.13\u201318;\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Acts%203.13%E2%80%9315\"><span style=\"font-weight: 400;\">At 3.13\u201315<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">). Terceiro, os crentes glorificam a Deus (Sl 115.1;\u00a0Ap 19.1). Quarto, Deus recebe a gl\u00f3ria do seu povo (Sl 29.1\u20132;\u00a0Ap 4.9\u201311). Quinto, Deus revela sua gl\u00f3ria para seu povo na reden\u00e7\u00e3o (2Cor 3.18;\u00a02Ts 2.14). Sexto, tudo resulta na gl\u00f3ria de Deus (Rm 11.36).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria b\u00edblica \u00e9, na maior parte, o drama da gl\u00f3ria de Deus. \u201cO Deus trino e glorioso mostra sua gl\u00f3ria em grande parte por meio de sua cria\u00e7\u00e3o, dos portadores de sua imagem, de sua provid\u00eancia e de seus atos redentores. Como consequ\u00eancia o povo de Deus o glorifica. Deus recebe a gl\u00f3ria e, ao unir seu povo com Cristo, demonstra sua gl\u00f3ria para eles \u2014 tudo para sua gl\u00f3ria.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vamos retroceder esse drama da gl\u00f3ria de Deus atrav\u00e9s do enredo b\u00edblico.<\/span><\/p>\n<h2><b>A cria\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria de Deus<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na cria\u00e7\u00e3o, Deus revela sua gl\u00f3ria naquilo que ele criou, principalmente na humanidade, portadores de sua imagem e semelhan\u00e7a. Por\u00e9m, mesmo antes da cria\u00e7\u00e3o, a Trindade eterna existe, gloriosa em perfei\u00e7\u00e3o e autossufici\u00eancia. A distin\u00e7\u00e3o chave na doutrina da gl\u00f3ria de Deus est\u00e1 entre sua gl\u00f3ria intr\u00ednseca\u00a0e\u00a0extr\u00ednseca. A gl\u00f3ria intr\u00ednseca de Deus \u00e9 a gl\u00f3ria pessoal, que pertence somente a ele enquanto Deus, independentemente de suas obras. A gl\u00f3ria extr\u00ednseca de Deus \u00e9 sua gl\u00f3ria intr\u00ednseca revelada parcialmente em suas obras da cria\u00e7\u00e3o, provid\u00eancia, reden\u00e7\u00e3o e consuma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seja utilizando o termo em si ou n\u00e3o, as Escrituras revelam na gl\u00f3ria intr\u00ednseca de Deus:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os c\u00e9us e at\u00e9 o c\u00e9u dos c\u00e9us n\u00e3o te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei.\u00a0 (1Rs 8.27).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sou o Senhor, este \u00e9 o meu nome; a minha gl\u00f3ria, pois, n\u00e3o a darei a outrem, nem a minha honra, \u00e0s imagens de escultura (Is 42.8).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus revela uma parte de sua gl\u00f3ria intr\u00ednseca exteriormente na cria\u00e7\u00e3o. Deus \u00e9 o ponto central em Gn 1\u20132, pois ele \u00e9 o Criador e n\u00e3o a criatura. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Deus, nem uma parte de Deus. Deus \u00e9 absoluto e possui uma exist\u00eancia independente, enquanto a cria\u00e7\u00e3o vem da exist\u00eancia do Senhor e constantemente depende dele como seu apoio (Cl 1.17;\u00a0Hb 1.3). \u201cOs c\u00e9us proclamam a gl\u00f3ria de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas m\u00e3os\u201d (Sl 19.1). O ser humano viu Deus em \u201cseu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, [&#8230;] desde o princ\u00edpio do mundo naquilo que ele criou (Rm 1.20). O Criador sublime mostra sua soberania na cria\u00e7\u00e3o, pois como rei divino ele executa sua vontade atrav\u00e9s de sua Palavra (Gn 1.3). Deus tamb\u00e9m revela sua bondade na cria\u00e7\u00e3o, como relata o vers\u00edculo a seguir: \u201cE viu Deus que a luz era boa\u201d (Gn 1.4;\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Genesis%201.10\"><span style=\"font-weight: 400;\">10<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">;\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Genesis%201.12\"><span style=\"font-weight: 400;\">12<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">;\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Genesis%201.18\"><span style=\"font-weight: 400;\">18<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">;\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Genesis%201.21\"><span style=\"font-weight: 400;\">21<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Genesis%201.25\"><span style=\"font-weight: 400;\">25<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">). A bondade pessoal da cria\u00e7\u00e3o exclui um dualismo b\u00e1sico entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria, no qual o esp\u00edrito seria bom e a mat\u00e9ria seria m\u00e1. Em vez disso, a cria\u00e7\u00e3o material reflete a bondade, a sabedoria, e a gl\u00f3ria de Deus, evidente em sua provis\u00e3o de luz, terra, relva e animais. Na cria\u00e7\u00e3o, Deus revela sua gl\u00f3ria em tudo o que ele criou.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Somos recebedores da gl\u00f3ria, somos transformados em gl\u00f3ria, e seremos participantes da gl\u00f3ria. Nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 do pecado para a gl\u00f3ria.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Deus forma o homem do p\u00f3 da terra, o homem \u00e9 mais do que simples p\u00f3, pois Deus pessoalmente sopra-lhe nas narinas o f\u00f4lego de vida (Gn 2.7). E o mais importante, Deus, a pessoa divina, sobretudo revela sua gl\u00f3ria na cria\u00e7\u00e3o do ser humano como indiv\u00edduos feitos \u00e0 sua imagem (Gn 1.26\u201328). Ao revelar, Deus coroa sua imagem com gl\u00f3ria, honra e dom\u00ednio. Davi fica maravilhado pela forma que Deus fez o homem: \u201cFizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de gl\u00f3ria e de honra o coroaste. Deste-lhe dom\u00ednio sobre as obras da tua m\u00e3o\u00a0 e sob seus p\u00e9s tudo lhe puseste\u201d (Sl 8.5\u20136).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Paulo fala sobre o ser humano ser o portador da imagem divina, ele indica a ideia da gl\u00f3ria de Deus, como Sinclair Ferguson explica: \u201cNas Escrituras, imagem e gl\u00f3ria s\u00e3o ideias inter-relacionadas. Como imagem de Deus, o homem foi criado para refletir, expressar, e participar na gl\u00f3ria de Deus, em forma de criatura, como uma miniatura.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">2<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Embora toda a cria\u00e7\u00e3o testifica a gl\u00f3ria Deus, o ser humano \u00e9 \u00fanico, pois ele carrega a imagem e a gl\u00f3ria de Deus para o mundo, servindo como representante e mordomo da terra, relva e animais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em Gn 1\u20132, Deus aben\u00e7oa Ad\u00e3o e Eva com um relacionamento direto com ele, o desfrutar \u00edntimo um com o outro e uma autoridade delegada sobre a cria\u00e7\u00e3o. Deus faz apenas uma proibi\u00e7\u00e3o: n\u00e3o comer da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal.<\/span><\/p>\n<h2><b>A queda e a gl\u00f3ria de Deus<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, Ad\u00e3o e Eva desobedeceram ao mandamento de Deus (Gn 3) e macularam a imagem da gl\u00f3ria de Deus. Por causa do pecado, eles e seus descendentes s\u00e3o destitu\u00eddos da gl\u00f3ria de Deus e at\u00e9 trocam-na pelos \u00eddolos. Um tentador \u201csagaz\u201d questiona Deus e desvia a aten\u00e7\u00e3o da mulher da comunh\u00e3o com o Senhor (Gn 3.1\u20135). As expectativas ego\u00edstas da mulher em rela\u00e7\u00e3o ao fruto (era bom para se comer, agrad\u00e1vel aos olhos e desej\u00e1vel para dar entendimento) s\u00e3o frustradas (Gn 3.6), os olhos deles se abriram, perceberam que est\u00e3o nus e se esconderam (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Gn 3.7\u20138<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">). O contraste \u00e9 surpreendente: o fruto proibido n\u00e3o faz o efeito que o tentador prometera, mas traz consigo realidades sombrias das quais o Deus bom e leal tinha advertido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A rebeldia deles traz a justi\u00e7a de Deus, como Allen Ross observa: \u201cEles pecaram ao comer, e agora sofreriam para obter alimentos; ela levou seu marido a pecar e seria dominada por ele; eles trouxeram o sofrimento ao mundo pela desobedi\u00eancia, e assim teriam o trabalho \u00e1rduo em suas vidas.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">3<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> O casal sente vergonha (Gn 3.7), aliena\u00e7\u00e3o e medo de Deus, e eles tentam se esconder do Senhor (Gn 3.8\u201310). Elas est\u00e3o distantes um do outro, pois a mulher culpa a serpente e o homem culpa a mulher e at\u00e9 mesmo Deus (Gn 3.10\u201313)! O resultado \u00e9 sofrimento e tristeza. A mulher vai sentir uma grande dor no parto; o homem vai fadigar tentando tirar o sustento da terra com cardos e abrolhos. E pior, Deus expulsa o casal de sua presen\u00e7a gloriosa no jardim do \u00c9den (Gn 3.22\u201324).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eles ignoram o alerta de Deus (Gn 2.17) e, ap\u00f3s comerem do fruto proibido, morrem. Embora ainda n\u00e3o morram fisicamente, eles morrem espiritualmente, e seus corpos come\u00e7am a sentir a decad\u00eancia que leva \u00e0 morte f\u00edsica (Gn 3.19). E o mais perturbador, embora o pecado tenha se originado no jardim, ele n\u00e3o fica l\u00e1. Ele gera a morte espiritual, mais pecado e a condena\u00e7\u00e3o para todos, a quem as Escrituras descrevem \u201cdesde Ad\u00e3o\u201d (Rm 5.12\u201321;\u00a01Cor 15.22;\u00a0Ef 2.1\u20133).<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 a grandeza, a gra\u00e7a, a beleza e o esplendor de suas perfei\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pecado devasta os portadores da imagem de Deus que ele criou para refletir sua gl\u00f3ria. A B\u00edblia descreve o pecado como um \u201cdesvio.\u201d\u00a0 Dessa forma, o pecado \u00e9 se desviar do Senhor e n\u00e3o cumprir a lei de Deus (1Jo 3.4), a aus\u00eancia de sua justi\u00e7a (Rm 1.18), a falta de rever\u00eancia a Deus (Jd 15), e, sobretudo, \u201ccarecer da gl\u00f3ria de Deus\u201d (Rm 3.23). Dessa forma, o pecado \u00e9 a natureza das a\u00e7\u00f5es humanas que faz com que elas deixem de glorificar o Senhor, e que traz descr\u00e9dito ao seu nome.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">4<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A narrativa de Gn 4\u201311 refor\u00e7a essa conclus\u00e3o, pois Caim mata Abel (Gn 4.8), e o pecado revela ser abundante e constante (Gn 6.5\u201311), instigando Deus a trazer o dil\u00favio (Gn 6\u20139). O epis\u00f3dio da torre de Babel retrata Deus julgando humanos orgulhosos e ego\u00edstas, que tentam exaltar seus nomes em vez de, como portadores da imagem de Deus, promover o nome e a gl\u00f3ria do Senhor (Gn 11.1\u20139). Isso ilustra um outro efeito terr\u00edvel do pecado na gl\u00f3ria de Deus \u2014 a idolatria. As palavras de Paulo referem-se \u00e0 toda humanidade desde a queda, embora nem todos adorem imagens de esculturas: eles \u201cmudaram a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel em semelhan\u00e7a da imagem de homem corrupt\u00edvel\u201d (Rm 1.23; cf.\u00a01Jo 5.21). O pecado \u00e9 o fracasso de n\u00e3o retratar nosso Criador para o mundo. O pecado \u00e9 trocar a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel por aquilo que \u00e9 de nenhum proveito (Sl 106.20;\u00a0Jr 2.11\u201313). Richard Gaffin capta a triste condi\u00e7\u00e3o dos portadores da imagem desde a queda:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pecado entra na cria\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de Ad\u00e3o (Rm 5.12\u201319). Porquanto, \u201ctendo conhecido a Deus\u201d os seres humanos \u201cn\u00e3o o glorificaram como Deus, nem lhe renderam gra\u00e7as\u201d (Rm 1.21, NVI); ou seja, eles retiveram o louvor e a adora\u00e7\u00e3o, a devida resposta \u00e0 gl\u00f3ria divina refletida na cria\u00e7\u00e3o e neles mesmos como portadores da imagem de Deus. Em vez disso, tornaram nulos em seus pr\u00f3prios racioc\u00ednios, obscurecendo-se-lhes o cora\u00e7\u00e3o insensato (cf.\u00a01 Cor\u00edntios 1.18\u201325), eles mudaram a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel em semelhan\u00e7a da imagem de homem corrupt\u00edvel, bem como de aves, quadr\u00fapedes e r\u00e9pteis (Rm 1.21\u201323). Tendo desfigurado de modo t\u00e3o dr\u00e1stico a imagem divina, perderam, sem exce\u00e7\u00e3o, o privil\u00e9gio de refletir a gl\u00f3ria do Senhor (Rm 3.23). Essa falta de louvor a Deus resulta em futilidade incessante, corrup\u00e7\u00e3o e morte, e permeia toda a ordem criada (Rm 8.20\u201322).<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">5<\/span><\/p>\n<h2><b>A reden\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria de Deus<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Felizmente, Deus n\u00e3o erradicou a humanidade pela trai\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, mas opera com gra\u00e7a para redimir os homens e o cosmos. Na reden\u00e7\u00e3o, Deus come\u00e7a a restaurar sua gl\u00f3ria nos portadores de sua imagem. Ele pretende restaurar o ser humano como portadores completos de sua imagem que ir\u00e3o refletir sua gl\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<h3><b>Dos Patriarcas ao Ex\u00edlio<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus chama Abra\u00e3o em meio \u00e0 idolatria e faz um alian\u00e7a com ele, prometendo ser Deus para ele e seus descendentes (Gn 12.1\u20133;\u00a017.7). Deus promete dar para Abra\u00e3o uma terra e fazer dele uma grande na\u00e7\u00e3o, e por meio dele aben\u00e7oar todos os povos (Gn 12.3). Pois de Abra\u00e3o vem Isaque e Jac\u00f3, cujos nomes Deus muda para Israel e dos quais o Senhor faz surgir doze tribos e uma na\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus manifesta sua gl\u00f3ria no seu povo, Israel (Isa\u00edas 40.5;\u00a043.6\u20137;\u00a060.1). Ele promete aben\u00e7o\u00e1-los, assim eles aben\u00e7oar\u00e3o as na\u00e7\u00f5es que o glorificar\u00e3o. Quando o Egito escraviza os hebreus, Deus os redime por interm\u00e9dio de Mois\u00e9s, mostrando sua gl\u00f3ria nas pragas e no \u00eaxodo, para que todos saibam que ele \u00e9 incompar\u00e1vel (\u00caxodo 9.16). Ele tamb\u00e9m mostra sua gl\u00f3ria pelas teofanias, ao dar a lei e, sobretudo, pelo tabern\u00e1culo e o templo. A presen\u00e7a de Deus guia seu povo, quando eles ocupam a terra prometida sob a lideran\u00e7a de Josu\u00e9. Deus d\u00e1 reis para Israel. Sob Davi o reinado cresce, e o Senhor renova sua alian\u00e7a com seu povo. Ele promete ao rei Davi descendentes de uma dinastia e estabelecer o trono de um deles para sempre (2 Samuel 7.16). Salom\u00e3o constr\u00f3i um templo para manifestar a presen\u00e7a de Deus. Salom\u00e3o age corretamente, mas sua desobedi\u00eancia faz com que o reino se divida entre norte (Israel) e sul (Jud\u00e1).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus envia os profetas para afastar seu povo pecador dos \u00eddolos in\u00fateis e voltarem para o Senhor, o \u00fanico Deus glorioso. Esses profetas chamam o povo a serem fi\u00e9is \u00e0 alian\u00e7a e alertam sobre o julgamento que ocorrer\u00e1 caso n\u00e3o se arrependam. Por\u00e9m, o povo rebela-se contra Deus constantemente. Logo, Deus envia o reino do norte para o cativeiro na Ass\u00edria em 722 a.C. e o reino do sul para o cativeiro na Babil\u00f4nia em 586 a.C. Por meio dos profetas, Deus promete enviar um libertador (Isa\u00edas 9.6\u20137;\u00a052.13\u201353.12). Os profetas anseiam que Israel se torne o que Deus pretendia \u2014 uma na\u00e7\u00e3o gloriosa (Isa\u00edas 60\u201366) \u2014 quando vier o Messias. Deus promete restaurar seu povo \u00e0 terra do cativeiro da Babil\u00f4nia ap\u00f3s setenta anos (Jeremias 25.11\u201312), e assim Ele cumpre por meio de Esdras e Neemias. O povo reconstr\u00f3i os muros de Jerusal\u00e9m e constr\u00f3i o segundo templo. Mas o Antigo Testamento termina com o povo de Deus sempre se afastando do Senhor (Malaquias).<\/span><\/p>\n<h3><b>Jesus e a Igreja<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quatrocentos anos depois, Deus envia seu Filho como o Messias prometido, servo sofredor, rei de Israel, e Salvador do mundo. Como Messias, Jesus \u00e9 glorioso, mas n\u00e3o como esperado. Os judeus esperavam por um l\u00edder pol\u00edtico para restaurar Israel \u00e0 sua gl\u00f3ria antiga. Mas a reden\u00e7\u00e3o de Jesus e sua gl\u00f3ria s\u00e3o mais profundos do que o esperado, pois ele \u00e9 o Senhor da gl\u00f3ria, \u00e9 o resplendor da gl\u00f3ria de Deus, o pr\u00f3prio Iav\u00e9 (Tiago 2.1;\u00a0Hebreus 1.3;\u00a0Daniel 7.13\u201314). Jesus, o Messias, \u00e9 o Filho eterno, profundamente glorioso, que se humilha para se tornar um homem (Jo\u00e3o 1.1\u201318;\u00a0Filipenses 2.5\u201311). Tanto os pastores humildes quanto uma multid\u00e3o da mil\u00edcia celestial testemunham seu nascimento (Lucas 2.1\u201320). Seus sinais testemunham sua identidade gloriosa da presen\u00e7a do reino de Deus (Jo\u00e3o 2.11;\u00a011.38\u201344). Na transfigura\u00e7\u00e3o, a gl\u00f3ria de Jesus tamb\u00e9m resplandece (Marcos 9.2\u201313;\u00a02 Pedro 1.16\u201321).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jesus escolhe doze disc\u00edpulos para liderarem sua comunidade messi\u00e2nica. Ele traz o reino de Deus ao expulsar dem\u00f4nios, operar milagres e pregar as boas novas. Os l\u00edderes judeus eram contra o Senhor por ele ser contra as tradi\u00e7\u00f5es judaicas. O Sin\u00e9drio condena Jesus num julgamento ilegal, onde P\u00f4ncio Pilatos, contra sua vontade e pressionado pelos l\u00edderes judeus, crucifica Jesus. Humanamente falando, Jesus morre como uma v\u00edtima num ato revoltantemente maligno. Contudo, sua morte cumpre o plano eterno de Deus, e Jesus \u00e9 bem-sucedido em sua miss\u00e3o de buscar e salvar o perdido. Sua gl\u00f3ria est\u00e1 ligada ao seu sofrimento e morte (Jo\u00e3o 17.1\u20135). A cruz tamb\u00e9m \u00e9 o caminho de Jesus para uma gl\u00f3ria ainda maior (1 Pedro 1.10\u201311). E a cruz tamb\u00e9m demonstra a gl\u00f3ria de Deus ao revelar sua justi\u00e7a e amor (Romanos 3.25\u201326). Jesus n\u00e3o s\u00f3 carrega o pecado do mundo na sua morte, mas ele tamb\u00e9m ressuscita dos mortos. Sua ressurrei\u00e7\u00e3o confirma sua identidade, derrota o pecado e a morte, d\u00e1 uma nova vida aos crentes e promete a ressurrei\u00e7\u00e3o vindoura. Ele foi ressuscitado dentre os mortos pela gl\u00f3ria do Pai, exaltado sobremaneira (Romanos 6.4;\u00a0Filipenses 2.9\u201311;\u00a0Hebreus 2.9). Ele ascende e reina gloriosamente (1 Tim\u00f3teo 3.16;\u00a0Atos 7.55\u201356).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jesus ordena aos disc\u00edpulos a pregarem o evangelho por todas as na\u00e7\u00f5es, cumprir a promessa de Deus de aben\u00e7oar todos os povos atrav\u00e9s de Abra\u00e3o. Eles t\u00eam que discipular os outros, e estes far\u00e3o o mesmo. Em Pentecostes, Jesus envia o seu Esp\u00edrito, que forma a igreja como o povo de Deus do Novo Testamento. A igreja primitiva \u00e9 comprometida com o evangelismo (Atos 2.38\u201341), a comunh\u00e3o (Atos 2.42\u201347), o minist\u00e9rio (Atos 2.42\u201346), e a adora\u00e7\u00e3o (Atos 2.46\u201347). A igreja enfrenta persegui\u00e7\u00e3o, mas alguns judeus e muitos gentios creem em Cristo, e a igreja \u00e9 ent\u00e3o implementada. Eles ensinam a s\u00e3 doutrina, exortam e chamam os crentes para viverem por Deus. Os ap\u00f3stolos ensinam que o Pai planeja a salva\u00e7\u00e3o, o Filho cumpre-a, e o Esp\u00edrito a realiza. Deus chama, regenera, faz justo e adota em sua fam\u00edlia todos os que confiam em Cristo. Deus est\u00e1 fazendo seu povo ser cada vez mais santo e glorioso em Cristo (2 Cor\u00edntios 3.17\u201318).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O glorioso Deus trino manifesta e revela a sua gl\u00f3ria ao seu povo atrav\u00e9s da uni\u00e3o com Cristo. Paulo louva o poder de Deus que gera \u201ca gl\u00f3ria na igreja e em Cristo Jesus\u201d (Ef\u00e9sios 3.20\u201321). Paulo descreve a igreja em linguagem gloriosa: ela \u00e9 \u201co seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas\u201d e a \u201chabita\u00e7\u00e3o de Deus no Esp\u00edrito\u201d (Ef\u00e9sios 1.23;\u00a02.22). Al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o, a igreja \u00e9 o teatro e a testemunha da gl\u00f3ria de Deus (Ef\u00e9sios 3.10\u201311). \u00c0 medida que o povo de Deus o ama e o busca, ele lhes d\u00e1 alegria, que por sua vez lhe traz gl\u00f3ria (como Maria ilustrou, Lucas 1.46\u201347). Deus \u00e9 glorificado em n\u00f3s como igreja, \u00e0 medida que o amamos e nos deleitamos nele.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">6<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A igreja agora est\u00e1 sendo santificada, e um dia Cristo a apresentar\u00e1 \u201ca si mesmo igreja gloriosa, sem m\u00e1cula, nem ruga, nem coisa semelhante, por\u00e9m santa e sem defeito\u201d (Ef\u00e9sios 5.27). Na verdade, a igreja \u00e9 uma nova humanidade, um povo escolhido, testemunhando que a miss\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de Deus est\u00e1 bem encaminhada e indo em dire\u00e7\u00e3o ao grande final da hist\u00f3ria.(Ef\u00e9sios 1.10\u201311;\u00a02.14\u201316;\u00a03.10\u201311). Enquanto isso, a igreja glorifica a Deus atrav\u00e9s da sua adora\u00e7\u00e3o e do seu car\u00e1cter que foi transformado pelo Esp\u00edrito para expressar os atributos comunic\u00e1veis de Deus. \u00c0 medida que a igreja \u00e9 marcada pelo amor, santidade, bondade, justi\u00e7a e fidelidade, Deus \u00e9 refletido e, portanto, glorificado.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">7<\/span><\/p>\n<h2><b>A consuma\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria de Deus<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O drama b\u00edblico da gl\u00f3ria de Deus culmina na consuma\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 caracterizada pela gl\u00f3ria. Jesus vai terminar o que come\u00e7ou e sua segunda vinda ser\u00e1 gloriosa (Mateus 16.27;\u00a0Lucas 21.27;\u00a0Tito 2.13), assim como sua vit\u00f3ria, julgamento e castigo dos \u00edmpios (2 Tessalonicenses 1.6\u201311;\u00a0Apocalipse 20.11\u201315). Acima de tudo, a revela\u00e7\u00e3o de Jesus de si mesmo na nova cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gloriosa na igreja e no cosmos (Romanos 8.21;\u00a0Ef\u00e9sios 5.27; Apocalipse 21\u201322).<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Deus recebe a gl\u00f3ria e, ao reconciliar seu povo com Cristo, revela sua gl\u00f3ria para eles \u2014 tudo para sua gl\u00f3ria.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Justificados pela f\u00e9, ent\u00e3o \u201cgloriamo-nos na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus\u201d (Romanos 5.2). Porque estamos unidos a Cristo, a quem o Pai ressuscitou dentre os mortos pela sua gl\u00f3ria (Romanos 6.4), n\u00f3s tamb\u00e9m temos uma nova vida. Embora possamos sofrer agora, Deus conduz a hist\u00f3ria para seu fim desejado, incluindo glorificar-nos com Cristo (Romanos 8.17). Isso inclui \u201ca gl\u00f3ria a ser revelada em n\u00f3s\u201d (Romanos 8.18), \u201ca liberdade da gl\u00f3ria dos filhos de Deus\u201d (Romanos 8.21), e sermos, por fim, conforme \u00e0 imagem de Cristo (Romanos 8.29) e a nossa glorifica\u00e7\u00e3o(Romanos 8.30).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, Deus vai \u201cconduzir muitos filhos \u00e0 gl\u00f3ria\u201d (Hebreus 2:10). Deus preparou tal gl\u00f3ria para n\u00f3s \u201cde antem\u00e3o\u201d (Romanos 9.23) e, devido nossa uni\u00e3o com Cristo e sua ressurrei\u00e7\u00e3o, nossos corpos ser\u00e3o \u201crevestidos de incorruptibilidade\u201d\u00a0 (1 Cor\u00edntios 15.42\u201358).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Paulo mostra que nossa uni\u00e3o com Cristo \u00e9 \u201cpara louvor da gl\u00f3ria de sua gra\u00e7a\u201d e \u201cpara louvor da sua gl\u00f3ria\u201d (Ef\u00e9sios 1.6,\u00a012,\u00a014) e resulta numa reden\u00e7\u00e3o pessoal e c\u00f3smica (Ef\u00e9sios 1.3\u201314), at\u00e9 nossa \u201criqueza da gl\u00f3ria da sua heran\u00e7a\u201d \u201cdo Pai da gl\u00f3ria\u201d (Ef\u00e9sios 1.17\u201318). A passagem decisiva da consuma\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Apocalipse 20\u201322. Assim como Gn 1\u20132\u00a0mostra que a hist\u00f3ria b\u00edblica come\u00e7a com a cria\u00e7\u00e3o dos c\u00e9us e da terra por Deus, Apocalipse 21\u201322\u00a0mostra que ela termina com a cria\u00e7\u00e3o de um novo c\u00e9u e uma nova terra. A hist\u00f3ria come\u00e7a com a bondade da cria\u00e7\u00e3o e termina com a bondade da nova cria\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria come\u00e7a com Deus habitando em meio ao seu povo num jardim e termina com Deus habitando em meio ao seu povo no c\u00e9u, uma nova cidade na terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 manifesta na nova cria\u00e7\u00e3o (Isa\u00edas 66.22\u201323;\u00a0Romanos 8.18\u201327; Apocalipse 21\u201322). E uma vez que a gl\u00f3ria extr\u00ednseca de Deus \u00e9 transmitida ao seu povo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, ela se relaciona com a tens\u00e3o ainda n\u00e3o manifesta. Agora a gl\u00f3ria de Deus est\u00e1 sendo revelada, e sua revela\u00e7\u00e3o m\u00e1xima ainda \u00e9 vindoura (1 Jo\u00e3o 3.2). As ideias de Gregory Beale sobre o tema teol\u00f3gico central do Apocalipse s\u00e3o \u00fateis: \u201cA soberania de Deus e de Cristo ao redimir e julgar lhes traz a gl\u00f3ria, que tem como objetivo motivar os justos a adorar a Deus e refletir seus atributos gloriosos por meio da obedi\u00eancia \u00e0 sua Palavra.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">8<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Al\u00e9m disso, \u201cnada do mundo antigo ser\u00e1 capaz de impedir a presen\u00e7a gloriosa de Deus de preencher completamente o novo cosmos\u201d ou \u201cimpedir os justos de terem acesso total \u00e0 presen\u00e7a divina\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">9<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De uma vez por todas, a vit\u00f3ria de Deus \u00e9 consumada. O julgamento de Deus \u00e9 definitivo, o pecado \u00e9 vencido, a justi\u00e7a prevalece, a santidade predomina e a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 total. O plano eterno de reconcilia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de Deus em Cristo \u00e9 realizado e Deus \u00e9 \u201ctudo em todos\u201d(1 Cor\u00edntios 15.28). Como parte de sua vit\u00f3ria, Deus lan\u00e7a o diabo e os dem\u00f4nios no lago de fogo e enxofre, onde eles n\u00e3o ser\u00e3o aniquilados, mas \u201catormentados de dia e de noite, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u201d (Apocalipse 20.10). Ent\u00e3o Deus julga a todos: os poderosos, aqueles considerados indigentes e todos os seres humanos. \u201cE, se algu\u00e9m n\u00e3o foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lan\u00e7ado para dentro do lago de fogo\u201d (Apocalipse 20.15). Deus envia para o inferno todos os que n\u00e3o fazem parte do povo de Cristo (cf.\u00a0Daniel 12.1;\u00a0Apocalipse 13.8;\u00a021.8,\u00a027).<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, todo o enredo b\u00edblico \u2014 cria\u00e7\u00e3o, queda, reden\u00e7\u00e3o e consuma\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 o drama da gl\u00f3ria de Deus.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De modo deslumbrante, o novo c\u00e9u e a nova terra chegam e Deus habita em meio ao seu povo da alian\u00e7a (Apocalipse 21.3,\u00a07), conforta-os (Apocalipse 21:4) e faz novas todas as coisas (Apocalipse 21.5).\u00a0 Jo\u00e3o descreve o c\u00e9u como um templo glorioso e santo para todas as na\u00e7\u00f5es (Apocalipse 21.9\u201327). O povo de Deus porta corretamente sua imagem: servindo, adorando, reinando com ele, conhecendo o Senhor pessoalmente (Apocalipse 22.1\u20135). Deus recebe a adora\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 devida e aben\u00e7oa o ser humano al\u00e9m da medida, finalmente vivendo ao m\u00e1ximo a realidade de ser criado \u00e0 sua imagem e mostrando sua gl\u00f3ria. E do come\u00e7o ao fim, Deus \u00e9 glorificado.<\/span><\/p>\n<h2><b>O drama da gl\u00f3ria de Deus<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como seres humanos, recusamo-nos a reconhecer a gl\u00f3ria de Deus e, em vez disso, buscamos a nossa pr\u00f3pria gl\u00f3ria, abrindo m\u00e3o da gl\u00f3ria que ele pretendia dar a n\u00f3s como sendo portadores da sua imagem. Por\u00e9m, pela sua gra\u00e7a, atrav\u00e9s da uni\u00e3o com Cristo, Deus restaura-nos, os portadores de sua imagem, para participarmos e refletirmos a gl\u00f3ria do Senhor. Somos recebedores da gl\u00f3ria, somos transformados em gl\u00f3ria, e seremos participantes da gl\u00f3ria. Nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 do pecado para a gl\u00f3ria. Recebemos uma grande gra\u00e7a: n\u00f3s, que trocamos a gl\u00f3ria de Deus pelos \u00eddolos e rebelamo-nos contra a sua gl\u00f3ria fomos, estamos sendo e seremos transformados pela pr\u00f3pria gl\u00f3ria que desprezamos e rejeitamos! Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s da uni\u00e3o com Cristo, juntos somos a igreja, a nova ra\u00e7a humana, as prim\u00edcias da nova cria\u00e7\u00e3o, portando a imagem de Deus, mostrando como a vida deveria ser e transmitindo a sabedoria de Deus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso resulta em sua gl\u00f3ria, pois Deus em suas m\u00faltiplas perfei\u00e7\u00f5es \u00e9 exaltado, conhecido, celebrado e valorizado. Nesse sentido, todo o enredo b\u00edblico \u2014 cria\u00e7\u00e3o, queda, reden\u00e7\u00e3o e consuma\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 o drama da gl\u00f3ria de Deus. Jonathan Edwards compreendeu muito bem: \u201ctudo \u00e9\u00a0de Deus, e\u00a0est\u00e1 em<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Deus, e\u00a0\u00e9 para\u00a0Deus; e ele \u00e9 o princ\u00edpio, o meio, e o fim.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">10<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Christopher W. Morgan, \u201cToward a Theology of the Glory of God,\u201d em <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Glory of God<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, ed. Christopher W. Morgan and Robert A. Peterson, Theology in Community 2 (Wheaton, IL: Crossway, 2010), 159.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sinclair B. Ferguson,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Holy Spirit<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, Contours of Christian Theology (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1996), 139\u201340.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Allen P. Ross,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Creation and Blessing: A Guide to the Study and Exposition of Gn<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0(Grand Rapids, MI: Baker Academic, 1997), 148.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Christopher W. Morgan,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Christian Theology: The Biblical Story and Our Faith<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0(Nashville: B&amp;H, forthcoming).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ricos B. Gaffin Jr., \u201cGlory, Glorification,\u201d em <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Dictionary of Paul and His Letters<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, eds. Gerald F. Hawthorne, Ralph P. Martin, e Daniel G. Reid (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1993), 348.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como John Piper discutiu exaustivamente, \u201cDeus \u00e9 glorificado em n\u00f3s quando estamos satisfeitos nele.\u201d Veja\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Desiring God: Meditations of a Christian Hedonist<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0(Colorado Springs: Multnomah, 1986);\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Pleasures of God: Meditations on God\u2019s Delight in Being God<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0(Colorado Springs: Multnomah, 1991);\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">God\u2019s Passion for His Glory: Living the Vision of Jonathan Edwards<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0(Wheaton, IL Crossway, 1998).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para mais informa\u00e7\u00f5es de como a igreja se identifica com a gl\u00f3ria de Deus, veja Christopher W. Morgan, \u201cThe Church and God\u2019s Glory,\u201d em\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Community of Jesus: A Theology of the Church<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, ed. Kendell H. Easley and Christopher W. Morgan (Nashville: B&amp;H, 2013), 213\u201335.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gregory K. Beale,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Book of Revelation<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, NIGTC (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999), 174.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Beale,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The Book of Revelation<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, 1115.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Jonathan Edwards: <i>O fim para o qual Deus criou o mundo<\/i> <i>(S\u00e3o Paulo: Editora Mundo Crist\u00e3o, 2018)<\/i><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Christofer W. Morgan. \u00a9 Desiring God Foundation. 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