{"id":66033,"date":"2023-11-20T08:00:19","date_gmt":"2023-11-20T11:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=66033"},"modified":"2023-12-18T11:10:31","modified_gmt":"2023-12-18T14:10:31","slug":"eclesiastes-tudo-e-realmente-vaidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2023\/11\/eclesiastes-tudo-e-realmente-vaidade\/","title":{"rendered":"Tudo \u00e9 realmente vaidade?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_raw_html]JTNDaWZyYW1lJTIwc3JjJTNEJTIyaHR0cHMlM0ElMkYlMkZ3aWRnZXQuc3ByZWFrZXIuY29tJTJGcGxheWVyJTNGZXBpc29kZV9pZCUzRDU3NzQ5NzY0JTI2dGhlbWUlM0RkYXJrJTI2cGxheWxpc3QlM0RmYWxzZSUyNnBsYXlsaXN0LWNvbnRpbnVvdXMlM0RmYWxzZSUyNmNoYXB0ZXJzLWltYWdlJTNEdHJ1ZSUyNmVwaXNvZGVfaW1hZ2VfcG9zaXRpb24lM0RyaWdodCUyNmhpZGUtbG9nbyUzRHRydWUlMjZoaWRlLWxpa2VzJTNEdHJ1ZSUyNmhpZGUtY29tbWVudHMlM0R0cnVlJTI2aGlkZS1zaGFyaW5nJTNEZmFsc2UlMjZoaWRlLWRvd25sb2FkJTNEZmFsc2UlMjIlMjB3aWR0aCUzRCUyMjEwMCUyNSUyMiUyMGhlaWdodCUzRCUyMjIwMHB4JTIyJTIwZnJhbWVib3JkZXIlM0QlMjIwJTIyJTNFJTNDJTJGaWZyYW1lJTNF[\/vc_raw_html][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<span style=\"font-weight: 400;\">Resumo: A aparente desola\u00e7\u00e3o e pessimismo em Eclesiastes tem confundido int\u00e9rpretes das Escrituras h\u00e1 muito tempo. Alguns at\u00e9 argumentam que o ep\u00edlogo do livro corrige a teologia \u201cn\u00e3o ortodoxa\u201d do meio. Os crist\u00e3os, por\u00e9m, n\u00e3o precisam descartar o corpo de Eclesiastes como se fossem as reflex\u00f5es de um c\u00ednico. O chocante, intencional e provocante realismo do livro reenquadra nossa perspectiva desse mundo \u00e0 luz da eternidade, nos convidando a prepararmo-nos agora para a surpreendente esperan\u00e7a do ju\u00edzo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Deus protetor de todos os que confiam em ti,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">sem quem nada \u00e9 forte, nada \u00e9 sagrado;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">aumenta e multiplica sobre n\u00f3s a tua miseric\u00f3rdia;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">para que, sendo tu nosso governante e guia,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">possamos atravessar as coisas temporais de tal forma que finalmente n\u00e3o percamos as coisas eternas:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Concede isto, Pai celestial, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Am\u00e9m.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014A Coleta, Quarto Domingo ap\u00f3s a Trindade, do <\/span><a href=\"https:\/\/www.churchofengland.org\/prayer-and-worship\/worship-texts-and-resources\/book-common-prayer\/collects-epistles-and-gospels-49\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Livro de ora\u00e7\u00e3o comum.<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu famoso serm\u00e3o \u201cAprendizado em tempos de Guerra\u201d, C.S. Lewis lutou profundamente contra a rela\u00e7\u00e3o entre as coisas temporais e as coisas eternas. O ponto de press\u00e3o particular desse contexto era o advento da Segunda Guerra Mundial. Como seus alunos deveriam compreender a busca pelos prazeres acad\u00eamicos \u2014 o que Lewis chamava de \u201ctarefas pl\u00e1cidas\u201d \u2014 enquanto a Europa se encontrava no precip\u00edcio de um conflito t\u00e3o grande? Lewis abordou a quest\u00e3o ampliando suas lentes, alargando dramaticamente o escopo do perigo imediato para a mais remota \u2014 por\u00e9m maior de todas \u2014 realidade: o julgamento pelo Deus vivo. Se o aprendizado em tempos de guerra pode ser comparado a Nero tocando enquanto Roma queimava, ent\u00e3o \u201cpara o crist\u00e3o, a verdadeira trag\u00e9dia de Nero n\u00e3o deveria ser que ele tocava harpa durante o inc\u00eandio da cidade, mas que ele tocava harpa \u00e0 beira do Inferno.\u201d [1] Em outras palavras, Lewis sugeriu que a verdadeira quest\u00e3o \u00e9: como devemos dar sentido a qualquer coisa em nossa presente vida, corporal e terrena, enquanto o abismo da eternidade nos espera al\u00e9m da sepultura?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ampliar as lentes geralmente muda tudo. N\u00e3o \u00e9 que nossas quest\u00f5es e desafios desaparecem; pelo contr\u00e1rio, eles se tornam mais n\u00edtidos. Quando estamos perguntando a respeito do sentido da vida, se alguma coisa importa, por que devemos amar e ser amados j\u00e1 que um dia vamos morrer e sobre como podemos continuar dando um passo de cada vez quando luto e dor amea\u00e7am sufocar nossas pr\u00f3prias vidas, ent\u00e3o a necessidade de uma vis\u00e3o geral, que ao mesmo tempo \u00e9 verdadeira e bonita, \u00e9 muito urgente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu quero sugerir que a t\u00e9cnica de Lewis segue o habilidoso Pregador em Eclesiastes, que nos ajuda a passar pelas coisas temporais com sabedoria e sagacidade, precisamente porque ele vislumbrou o peso das coisas eternas. Eclesiastes \u00e9 o livro da B\u00edblia que pergunta algumas das maiores quest\u00f5es da vida, mas nos deixa perplexos com suas respostas aparentemente n\u00e3o ortodoxas e impenetr\u00e1veis. \u201cVaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo \u00e9 vaidade. Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?\u201d (Ec 1.2-3). A chave para responder a essa pergunta \u00e9 ver como o Pregador nos ajuda a passar pelas coisas temporais (\u201cdebaixo do sol\u201d) para que, enfim, n\u00e3o percamos as coisas eternas (\u201c[Deus] p\u00f4s a eternidade no cora\u00e7\u00e3o do homem\u201d, Ec 3.11).<\/span><\/p>\n<h2><b>Erros Interpretativos\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguir a mensagem do Pregador n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil em um livro estranho a n\u00f3s como Eclesiastes. Muitos int\u00e9rpretes crist\u00e3os se equivocam ao lidar com a voz incomum com a qual esse devoto Pregador da sabedoria fala. Deixe-me demonstrar tr\u00eas erros comuns que nos ensurdecem para o serm\u00e3o sobre a realidade que Eclesiastes est\u00e1 pregando. Ent\u00e3o, destacarei quatro \u00eanfases principais do quadro geral do livro que ampliam a lente e aprimoram o foco da mensagem do livro.<\/span><\/p>\n<h3><b>Formato do Livro<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro erro tem a ver com o formato de todo o livro. Tremper Longman III, por exemplo, observa que o pr\u00f3logo (Ec 1.1-11) e o ep\u00edlogo (Ec 12.8-14) s\u00e3o ambos escritos em terceira pessoa, marcando uma clara diferen\u00e7a estil\u00edstica do corpo principal do livro que consiste em reflex\u00f5es autobiogr\u00e1ficas (Ec 1.12-12.7). Para Longman, essa se\u00e7\u00e3o principal cont\u00e9m observa\u00e7\u00f5es marcantes sobre Deus, a vida e a morte que est\u00e3o em conflito evidente com as tradi\u00e7\u00f5es de sabedoria de Israel, tanto que o Deus do Pregador \u00e9 \u201cdistante, ocasionalmente indiferente e \u00e0s vezes cruel.\u201d [2] Essa perspectiva n\u00e3o ortodoxa \u00e9 contrariada e corrigida pelo ep\u00edlogo que, junto ao pr\u00f3logo, fornece uma moldura ao entorno do livro que molda como devemos ler o todo. O ensino normativo do livro \u00e9 Eclesiastes 12.9-14, e essa narra\u00e7\u00e3o emoldurada existe para corrigir e redimir o relato autobiogr\u00e1fico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A perspectiva de Longman n\u00e3o deve ser descartada rapidamente. Por um lado, h\u00e1 precedentes para a presen\u00e7a de pontos de vista n\u00e3o ortodoxos em livros individuais da B\u00edblia, como os consoladores de J\u00f3 (um exemplo que o pr\u00f3prio Longman usa em apoio \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o). O ponto de vista de Longman surge da tentativa de levar muito a s\u00e9rio a desola\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias partes de Eclesiastes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1, contudo, s\u00e9rios problemas com sua leitura geral do livro. Devemos observar que o pr\u00f3logo (Ec 1.1-11) est\u00e1 apenas estranhamente inserido em um esquema que contrasta o corpo principal com as se\u00e7\u00f5es moldura do narrador; embora os versos iniciais possam ser poeticamente belos, tomados isoladamente, eles s\u00e3o t\u00e3o sombrios e negativos quanto muitas outras coisas no livro e dificilmente &#8220;corrigem&#8221; a se\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica. Al\u00e9m disso, como o pr\u00f3prio Longman aceita, seu ponto de vista requer uma forte reinterpreta\u00e7\u00e3o do ep\u00edlogo como condenando o Pregador apenas com d\u00e9beis elogios e fortes cr\u00edticas, um ponto de vista que \u00e9 bastante dif\u00edcil de sustentar em uma leitura direta do ep\u00edlogo, em que as palavras do Pregador s\u00e3o descritas como agrad\u00e1veis e incorporam a sabedoria de um pastor (Ec 12.10-11).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A principal falha na proposta de Longman, entretanto, \u00e9 sua pr\u00f3pria admiss\u00e3o de que muitas passagens positivas no corpo principal aparecem bem ao lado das passagens mais negativas (Ec 2.24\u201326; 3.12\u201314,22; 5.18\u201320; 8.15; 9.7\u201310). Para Longman, essas oferecem apenas um \u201ctipo limitado de alegria\u201d, conectadas como est\u00e3o como comer, beber e trabalhar [3] \u2014 e \u00e9 precisamente essa avalia\u00e7\u00e3o de alegria que, como sugiro, diz mais sobre nossa situa\u00e7\u00e3o moderna do que a cosmovis\u00e3o b\u00edblica da literatura de sabedoria. Para o Pregador de Longman, os prazeres temporais apenas aliviam o fardo de uma exist\u00eancia sem sentido. Mas ser\u00e1 que o Pregador tem algum tipo de lente grande angular que lhe permite manter unidas as coisas que pensamos ser irreconcili\u00e1veis? Acredito que sim.<\/span><\/p>\n<h3><b>\u201cDebaixo do Sol\u201d<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um segundo erro em Eclesiastes \u00e9 n\u00e3o entender uma de suas express\u00f5es-chave: \u201cdebaixo do sol\u201d. N\u00f3s lemos as palavras \u201cdebaixo do sol\u201d (Ec 1.3,14) e pensamos espacialmente: n\u00f3s dividimos o mundo entre abaixo e acima. N\u00f3s entendemos que debaixo do sol tudo \u00e9 de certa maneira, mas acima do sol \u00e9 diferente; abaixo \u00e9 o mundo vivido sem Deus e sem o Senhor Jesus, acima \u00e9 a vida vivida com ele. Essa forma de ler Eclesiastes por ser ligado a uma cristologia muito simples, aquele tipo de cosmovis\u00e3o que diz que a vida sem Jesus \u00e9 terr\u00edvel (debaixo de sol), mas que a vida com Jesus \u00e9 maravilhosa (acima do sol). Se vivermos conforme a inten\u00e7\u00e3o de Deus, e se olharmos para o mundo de sua perspectiva, ent\u00e3o poderemos ser poupados do niilismo de uma perspectiva abaixo do sol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que isso \u00e9 interpretar mal essa express\u00e3o-chave. Em vez de pensarmos espacialmente, devemos pensar cronologicamente. No mundo antigo e nas Escrituras, o sol marcava o tempo mais do que o espa\u00e7o. \u201cA express\u00e3o \u2018debaixo do sol\u2019 [&#8230;] se refere a um agora ao inv\u00e9s de um aqui.\u201d [4] \u201cDebaixo do sol\u201d aponta para estes dias, agora \u2014 enquanto a terra durar, neste per\u00edodo, \u00e9 assim que as coisas ser\u00e3o. Um dia n\u00e3o haver\u00e1 mais sol; viveremos em uma nova cria\u00e7\u00e3o, uma nova ordem do mundo. Mas por agora o Pregador est\u00e1 simplesmente comentando sobre como \u00e9 essa vida temporal. Pastoralmente, \u00e9 muito importante perceber que isso \u00e9 verdade. Ir a Cristo como Salvador e Senhor n\u00e3o muda a exist\u00eancia debaixo do sol. Muitos abra\u00e7am Cristo em dificuldades e trilham o caminho da cruz com mais sofrimento e m\u00e1goa deste lado da eternidade. Vivemos sob o sol hoje, mas viveremos na gl\u00f3ria amanh\u00e3.<\/span><\/p>\n<h3><b>Vaidade de Vaidades?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O terceiro erro ocorre quando n\u00f3s movemos do quadro geral e frases cruciais para palavras-chave, e nenhuma est\u00e1 mais sujeita a mal-entendidos em Eclesiastes do que a palavra \u201cvaidade\u201d ou \u201csem sentido\u201d. Essa palavra \u00e9 recorrente ao longo do texto e \u00e9 o principal clamor do Pregador quando ele olha para a vida: \u201cVaidade de vaidades, tudo \u00e9 vaidade\u201d. Em minha pr\u00f3pria leitura, tenho seguido int\u00e9rpretes como Iain D. Provan, que desafia a ideia de que a palavra hebraica <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hebel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> carrega o significado principal em Eclesiastes de aus\u00eancia de sentido existencial. Com essa conota\u00e7\u00e3o, o livro se torna um discurso sombrio sobre o vazio da vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contrastando com isso, por\u00e9m, Provan (entre outros) aponta que, em outras partes do Antigo Testamento, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hebel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> significa \u201csopro\u201d, \u201cbrisa\u201d, \u201cn\u00e9voa\u201d ou \u201cvapor\u201d e, consequentemente, a aplica\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica seria de que as coisas s\u00e3o insubstanciais, passageiras e transit\u00f3rias ao inv\u00e9s de se referir a a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o v\u00e3s ou n\u00e3o t\u00eam prop\u00f3sito. [5] \u201cSenhor, que \u00e9 o homem para que dele tomes conhecimento? E o filho do homem, para que o estimes? O homem \u00e9 como um sopro [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hebel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">]; os seus dias, como a sombra que passa.\u201d (Sl 144.3-4). Isso significa que, ao usar essa palavra, o Pregador de Eclesiastes est\u00e1 quase sempre pontuando como a vida vem e vai em um piscar de olhos e est\u00e1 explorando o que se sente quando se considera tanto toda beleza quanto toda a fragilidade do mundo. Ele est\u00e1 refletindo, profunda e perturbadoramente, sobre a repetitividade, brevidade e indefinibilidade da vida, sobre a rapidez com que as coisas deslizam por entre os nossos dedos, e tudo \u00e0 luz de uma eternidade pertencente a um Deus que ir\u00e1 julgar os vivos e os mortos. \u201cO livro de Eclesiastes \u00e9 uma medita\u00e7\u00e3o sobre o que significa para nossas vidas ser como sussurros ditos ao vento: aqui em um minuto e levados para sempre no instante seguinte.\u201d [6]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se essa perspectiva estiver correta, ent\u00e3o Eclesiastes se torna um abalo para nosso sistema espiritual, uma limpeza de nossos \u00f3culos danificados para olharmos para o mundo. Adquirimos uma perspectiva nova e talvez totalmente inesperada sobre n\u00f3s mesmos, nossas alegrias e tristezas, e a maneira como Deus fez o mundo funcionar. Na bela frase de Anthony Thiselton, Deus nos deu a literatura de sabedoria para &#8220;ferir por tr\u00e1s&#8221;. [7] Ficamos piscando de surpresa e, \u00e0 medida que nos orientamos, o mundo parece diferente. Por outro lado, se os erros de interpreta\u00e7\u00e3o descritos acima forem seguidos com vigor \u2014 como geralmente s\u00e3o, no p\u00falpito ou na sala de aula \u2014 o resultado \u00e9 uma vis\u00e3o da ordem criada que v\u00ea tudo como vaidade, coisas temporais como meras distra\u00e7\u00f5es sem peso da realidade verdadeiramente espiritual da vida em Cristo.<\/span><\/p>\n<h3><b>Palavras dolorosas e agrad\u00e1veis<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, como seria ler Eclesiastes de forma diferente? De forma semelhante a Longman, acredito que o ep\u00edlogo funciona de fato como uma chave hermen\u00eautica para o livro devido \u00e0 forma como os vers\u00edculos finais comentam explicitamente o que aconteceu antes. Em contraste com Longman, no entanto, sugiro que esses vers\u00edculos n\u00e3o corrigem a autobiografia, mas nos d\u00e3o uma estrutura teol\u00f3gica por meio da qual podemos manter unidas as coisas temporais e eternas. H\u00e1 uma maneira de ver o que \u00e9 alegria e o que Deus faz na dor, e uma maneira de ver o hoje \u00e0 luz do amanh\u00e3, que nos ajuda a ver que a sabedoria dos s\u00e1bios \u00e9 encontrada nos lugares mais inesperados. Observe como Eclesiastes \u00e9 capaz de dizer que as palavras do Pregador s\u00e3o ao mesmo tempo agrad\u00e1veis (Ec 12.10) e dolorosas (Ec 12.11) \u2014 nossa tarefa \u00e9 habitar o mundo de tal forma que possamos compreender como um s\u00f3 livro \u00e9 ao mesmo tempo essas duas coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui est\u00e3o quatro \u00eanfases no ep\u00edlogo que nos d\u00e3o essa perspectiva geral.<\/span><\/p>\n<h2><b>Prazer<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cProcurou o Pregador achar palavras agrad\u00e1veis e escrever com retid\u00e3o palavras de verdade\u201d (Ec 12:10). Esse \u00e9 um convite para adotar lentes hermen\u00eauticas para todo o livro: ele cont\u00e9m palavras verdadeiras e belas. Eclesiastes deveria nos encantar. Deus n\u00e3o \u00e9 um desmancha-prazeres na forma como criou o mundo, nem \u00e9 puritano (no uso comum dessa palavra) nas palavras que nos deu para ler e que nos falam sobre ele pr\u00f3prio. Uma coisa \u00e9 dizer que voc\u00ea precisa se lembrar de Deus antes do dia da ang\u00fastia e da velhice, mas outra coisa \u00e9 nos dizer isso nas palavras da bela poesia do cap\u00edtulo 12: lembre-se dele \u201cantes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o c\u00e2ntaro junto \u00e0 fonte, e se desfa\u00e7a a roda junto ao po\u00e7o\u201d (Ec 12.6). A poesia refor\u00e7a a pung\u00eancia. A velhice \u00e9 como uma casa outrora excelente, mas agora entregue \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o. Em uma poderosa cole\u00e7\u00e3o de met\u00e1foras e alus\u00f5es, somos brindados com um quadro de triste degenera\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio do que j\u00e1 foi, com o objetivo de nos mostrar que &#8220;na corajosa luta pela sobreviv\u00eancia, h\u00e1 uma lembran\u00e7a quase mais n\u00edtida da decad\u00eancia do que em uma ru\u00edna total.&#8221; [8]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa descri\u00e7\u00e3o de velhice vem ao fim do livro e \u00e9 introduzida juntamente a imagens de cria\u00e7\u00e3o que ecoam G\u00eanesis 1, mas agora ao contr\u00e1rio: os geradores de luz do universo est\u00e3o escurecendo (Ec 12.2). Isso \u00e9 \u201co desfazer da cria\u00e7\u00e3o\u201d para retratar como, tal qual Deus fez a todos, na morte ent\u00e3o todas as pessoas ser\u00e3o desfeitas [9]. Esse \u00e9 o cl\u00edmax de um livro que abre t\u00e3o poderosamente com imagens da cria\u00e7\u00e3o, onde a terra, o sol, o vento e rios aparecem em uma bela virada l\u00edrica que, por sua pr\u00f3pria forma, pretende evocar as esta\u00e7\u00f5es e os ritmos do mundo, o palco no qual os seres humanos ocupam seu lugar por um curto espa\u00e7o de tempo (Ec 1.2-7). Nesse mundo, a humanidade acaba aprendendo, muitas vezes de maneira dif\u00edcil, que h\u00e1 esta\u00e7\u00f5es para tudo, e ignoramos essa parte de nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas por nossa conta e risco (Ec 3.1-8). Eu sugiro que o escritor esteja trabalhando em uma tese sobre os bens da mat\u00e9ria criada e do tempo criado, que podem ser recebidos como presentes at\u00e9 mesmo por seres humanos ca\u00eddos, precisamente porque eles delimitam nossas tentativas id\u00f3latras de ser como Deus, vivendo para sempre. \u00c9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o saber que iremos e voltaremos, mas a terra permanecer\u00e1, e aprendemos isso na poesia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um prazer descobrir que a B\u00edblia \u00e9 assim: a verdade do conte\u00fado das palavras est\u00e1 ligada \u00e0 beleza da forma das palavras. Uma coisa \u00e9 ouvir o que \u00e9 o casamento como a uni\u00e3o de um homem e uma mulher, mas outra coisa \u00e9 ouvir uma balada que expressa o que \u00e9 estar apaixonado e fazer amor (C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos). Uma coisa \u00e9 ouvir que logo morreremos, mas outra \u00e9 aprender em Eclesiastes que \u201co destino que nos foi dado n\u00e3o pode florescer sem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s esta\u00e7\u00f5es que passam.\u201d [10]<\/span><\/p>\n<h2><b>Dor<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em Eclesiastes, todavia, o prazer \u00e9 misturado \u00e0 dor. \u201cAs palavras dos s\u00e1bios s\u00e3o como aguilh\u00f5es, e como pregos bem-fixados as senten\u00e7as coligidas, dadas pelo \u00fanico Pastor\u201d (Ec 12.11). Aguilh\u00f5es eram usados pelos condutores no mundo antigo para manter os animais em um caminho reto: se o animal fosse para a esquerda, haveria dor; se fosse para a direita, haveria dor. A \u00fanica maneira de n\u00e3o sentir dor \u00e9 andar na dire\u00e7\u00e3o determinada pelo pastor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algumas das palavras em Eclesiastes v\u00eam a n\u00f3s com pontas afiadas. \u00c9 como se o autor estivesse dizendo que, se realmente queremos lembrar de nosso Criador nos dias de nossa mocidade (Ec 12.1), ent\u00e3o nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes precisar\u00e3o latejar um pouco. Ent\u00e3o ele nos d\u00e1 palavras para nos fazer parar e prestar aten\u00e7\u00e3o \u2014 palavras para nos parar em nossos trilhos, nos fazer dar meia-volta, e nos fazer prosseguir na dire\u00e7\u00e3o correta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considere Eclesiastes 7.1: \u201cMelhor \u00e9 a boa fama do que o unguento precioso, e o dia da morte, melhor do que o dia do nascimento\u201d. O que? Isso pode estar mesmo certo? N\u00f3s estremecemos quando o aguilh\u00e3o perfura. Deus estabeleceu a morte como o limite de nossos dias, a puni\u00e7\u00e3o por nossa rebeli\u00e3o orgulhosa. Sabemos que morreremos, mas vivemos como se n\u00e3o f\u00f4ssemos. O Pregador, ent\u00e3o, se encarrega de trazer para bem perto e de modo pessoal a nossa pr\u00f3pria morte, que preferimos manter \u00e0 dist\u00e2ncia de um bra\u00e7o e fingir que um dia acontecer\u00e1 a outra pessoa. Em Eclesiastes, aprendemos que todas as nossas decep\u00e7\u00f5es na vida s\u00e3o lembretes da morte, todas as nossas ang\u00fastias s\u00e3o ecos do grande espectro que enche a terra de futilidade. A morte espreita e pega suas presas sem discri\u00e7\u00e3o. Nossas l\u00e1grimas s\u00e3o reais. Nosso pesar pode ser intermin\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabemos que isso \u00e9 verdade, mas o que o Pregador v\u00ea \u00e9 que a morte tem um poder positivo se aceitarmos essa presen\u00e7a certa muito antes de sua chegada. A morte pode ser exatamente a coisa que nos impede de esperar demais das coisas que acabam apenas nos decepcionando. A morte pode ser exatamente o que nos faz parar e saborear um momento que, de outra forma, teria passado despercebido \u2014 um momento em uma mesa cheia de comida, na presen\u00e7a de nosso c\u00f4njuge (Ec 9.7-10), na companhia de nossa fam\u00edlia (Ec 4.8), na b\u00ean\u00e7\u00e3o do trabalho que satisfaz a mente e o corpo e cria riqueza para o bem dos outros (Ec 4.9). Tudo \u00e9 vaidade apenas quando pensamos que tudo \u00e9 tudo o que existe. Se tudo existe porque Deus o colocou l\u00e1 para agora, para hoje, para eu usar para os outros e para ele, ent\u00e3o, de fato, as coisas eternas est\u00e3o moldando a forma como consideramos as coisas temporais. [11]<\/span><\/p>\n<h2><b>Perspectiva<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso \u00e9, claramente, uma mudan\u00e7a de perspectiva sobre esses dias debaixo do sol. N\u00f3s nos angustiamos, como todos se angustiam, mas n\u00e3o como aqueles que n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a. Gememos, como o pr\u00f3prio Senhor Jesus (Mc 7.31-37; 8.12) e como o ap\u00f3stolo Paulo (Rm 8.22-23), mas gememos com esperan\u00e7a. Pois nossa perspectiva \u00e9 a seguinte: \u201cTeme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto \u00e9 o dever de todo homem\u201d (Ec 12.13).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso n\u00e3o nos vem naturalmente. Temos esperan\u00e7as, sonhos, objetivos e ambi\u00e7\u00f5es e, em meio a isso, pensamos em nossas responsabilidades para com os outros: c\u00f4njuges, filhos, pais, colegas de trabalho, amigos. Mas o Pregador nos diz que todo dever ou responsabilidade que tenho para com qualquer outra pessoa \u00e9, antes de tudo, para com Deus. Longe de ser niilista em todo o livro, o Pregador est\u00e1 endossando a mesma vis\u00e3o de mundo defendida por Mois\u00e9s e pelo pr\u00f3prio Senhor Jesus, de que o que Deus exige \u00e9 amor e obedi\u00eancia a ele e amor ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos \u2014 isso \u00e9 simplesmente o que significa ser um ser criado. Achamos que isso significa ter todas as respostas e saber por que nos ferimos e por que perdemos, mas, na verdade, fui criado para temer a Deus, n\u00e3o para ser Deus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que nos d\u00e1 nossa verdadeira perspectiva sobre o tempo n\u00e3o \u00e9 o tempo em si, mas a eternidade.<\/span><\/p>\n<h2><b>Preparo<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em Eclesiastes, a eternidade invade o presente com a esperan\u00e7a do ju\u00edzo. \u201cPorque Deus h\u00e1 de trazer a ju\u00edzo todas as obras, at\u00e9 as que est\u00e3o escondidas, quer sejam boas, quer sejam m\u00e1s\u201d (Ec 12.14). O julgamento pode ser uma promessa ou um impasse, uma esperan\u00e7a ou um medo, tudo depende de como o abordamos. Parece-me que Eclesiastes se harmoniza com o tema b\u00edblico do julgamento como motivo de j\u00fabilo, a esperan\u00e7a de um mundo restaurado, fazendo com que o pr\u00f3prio mundo irrompa al\u00e9m de suas restri\u00e7\u00f5es f\u00edsicas em louvor exultante (Salmo 98).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso se d\u00e1 porque \u2014 como Eclesiastes nos mostra t\u00e3o claramente \u2014 algumas coisas simplesmente n\u00e3o t\u00eam resposta nesta vida. Uma das coisas mais dif\u00edceis sobre Eclesiastes \u00e9 aprender a aceitar sua tese de que o sil\u00eancio \u00e9 a \u00fanica resposta dispon\u00edvel para certos traumas. Alguns terrores excedem nossa capacidade de suportar. &#8220;Vi ainda todas as opress\u00f5es que se fazem debaixo do sol: vi as l\u00e1grimas dos que foram oprimidos, sem que ningu\u00e9m os consolasse; vi a viol\u00eancia na m\u00e3o dos opressores, sem que ningu\u00e9m consolasse os oprimidos. Pelo que tenho por mais felizes os que j\u00e1 morreram, mais do que os que ainda vivem; por\u00e9m mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda n\u00e3o nasceu e n\u00e3o viu as m\u00e1s obras que se fazem debaixo do sol.&#8221; (Ec 4.1-3). N\u00f3s, modernos, somos t\u00e3o incapazes de olhar longa e intensamente para o que est\u00e1 quebrado que, quando um crente o faz e nos diz como se sente, outros crist\u00e3os dizem que ele n\u00e3o deve ser um crente! Na realidade, por\u00e9m, ele simplesmente pode estar expressando a terr\u00edvel e devastadora vida a leste do \u00c9den.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, ao nos dizer essas coisas \u2014 e nunca devemos nos esquecer disso ao longo de todo o livro \u2014 o Pregador est\u00e1 nos ensinando a nos prepararmos para o julgamento e a ansiarmos por ele com todas as fibras de nosso ser. N\u00e3o podemos acabar com o mal, nem explicar por que os desastres naturais chegam sem aviso pr\u00e9vio, nem racionalizar o terrorismo que assola nosso mundo com uma crueldade que parece pertencer a uma era passada, apesar de nossos melhores esfor\u00e7os de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o. Mas nem tudo \u00e9 vaidade. Isso porque o julgamento est\u00e1 chegando.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O julgamento est\u00e1 chegando.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Alegrem-se os c\u00e9us, e a terra exulte;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">ruja o mar e a sua plenitude.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Folgue o campo e tudo o que nele h\u00e1;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">regozijem-se todas as \u00e1rvores do bosque,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">na presen\u00e7a do Senhor,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">porque vem, vem julgar a terra;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">julgar\u00e1 o mundo com justi\u00e7a<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><em>e os povos, consoante a sua fidelidade.<\/em> (Sl 96.11-13)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[1] C.S. Lewis, \u201cLearning in War-Time,\u201d in The Weight of Glory and Other Addresses (New York: MacMillan, 1949), 48.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[2] Tremper Longman III, The Book of Ecclesiastes, NICOT (Grand Rapids: Eerdmans, 1980), 35.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[3] Longman, The Book of Ecclesiastes, 34.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Peter J. Leithart, Solomon among the Postmoderns (Grand Rapids, MI: Brazos, 2008), 69. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[4] Iain D. Provan, Ecclesiastes\/Song of Songs, NIVAC (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2001), 52. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[5] David Gibson, Living Life Backward: How Ecclesiastes Teaches Us to Live in Light of the End (Wheaton, IL: Crossway, 2017), 20. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[6] Anthony C. Thiselton, \u201cWisdom in the Jewish and Christian Scriptures: The Hebrew Bible and Judaism,\u201d Theology 114.3 (May\/June 2011): 163\u201372 (165).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[7] Derek Kidner, The Message of Ecclesiastes (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1976), 102. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[8] Provan, Ecclesiastes\/Song of Songs, 213\u201314. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[9] Zack Eswine, Recovering Eden: The Gospel According to Ecclesiastes (Phillipsburg, NJ: P&amp;R, 2014), 118. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[10] Veja Matthew McCullough, Remember Death: The Surprising Path to Living Hope (Wheaton, IL: Crossway 2018). <\/span>[\/vc_column_text][vc_message color=&#8221;alert-danger&#8221; message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;alert-danger&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: David Gibson. \u00a9 Desiring God Foundation. Website: <a href=\"http:\/\/www.desiringgod.org\/languages\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/is-all-really-vanity\"><span style=\"font-weight: 400;\">Is All Really Vanity? Finding Meaning In Ecclesiastes<\/span><\/a>. Traduzido por <em>Pietro Menezes Silva<span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/em>\u00a0Revisor e Editor: <em>Vinicius Lima.<\/em>[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aparente desola\u00e7\u00e3o e pessimismo em Eclesiastes tem confundido int\u00e9rpretes das Escrituras h\u00e1 muito tempo. 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