{"id":67686,"date":"2024-04-03T11:01:13","date_gmt":"2024-04-03T14:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=67686"},"modified":"2024-11-06T15:12:17","modified_gmt":"2024-11-06T18:12:17","slug":"ate-os-hereges-sabem-grego-e-hebraico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/ate-os-hereges-sabem-grego-e-hebraico\/","title":{"rendered":"At\u00e9 os hereges sabem grego e hebraico"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a class=\"spreaker-player\" href=\"https:\/\/www.spreaker.com\/episode\/ate-os-hereges-sabem-grego-e-hebraico-kevin-vanhoozer--62642642\" data-resource=\"episode_id=62642642\" data-width=\"100%\" data-height=\"200px\" data-theme=\"light\" data-playlist=\"false\" data-playlist-continuous=\"false\" data-chapters-image=\"true\" data-episode-image-position=\"right\" data-hide-logo=\"false\" data-hide-likes=\"false\" data-hide-comments=\"false\" data-hide-sharing=\"false\" data-hide-download=\"true\">Ou\u00e7a &#8220;At\u00e9 os hereges sabem grego e hebraico \/\/ Kevin Vanhoozer&#8221; no Spreaker.<\/a><br \/>\n<script async src=\"https:\/\/widget.spreaker.com\/widgets.js\"><\/script><br \/>\n<strong>Resumo:<\/strong> No meio intelectual atual, o orgulho e a pregui\u00e7a s\u00e3o os dois principais v\u00edcios na interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica. O orgulho partid\u00e1rio protege suas cren\u00e7as por tr\u00e1s do escudo da pol\u00edtica identit\u00e1ria, enquanto a pregui\u00e7a sist\u00eamica indiferentemente d\u00e1 de ombros \u00e0 busca da pr\u00f3pria verdade. Em resposta, os int\u00e9rpretes da B\u00edblia de hoje precisam de mais do que o tipo certo de m\u00e9todo; eles precisam ser o tipo certo de pessoas: leitores marcados pela virtude interpretativa e n\u00e3o pelo v\u00edcio interpretativo. Com ousadia, op\u00f5em-se \u00e0 pregui\u00e7a sist\u00eamica e proclamam o que Deus disse. Ao mesmo tempo, com humildade, resistem ao orgulho partid\u00e1rio e permanecem humildemente abertos \u00e0 corre\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, as igrejas locais t\u00eam a oportunidade de formar uma cultura de leitura virtuosa, lugares que formam leitores da B\u00edblia para serem pessoas de virtude interpretativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quantidade de livros sobre leitura e interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia parece n\u00e3o ter fim. Vinte e cinco anos atr\u00e1s, publiquei um desses livros:<em> Is There a Meaning in this Text? The Bible, the Reader, and the Morality of Literary Knowledge<\/em> (Edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas: <em>H\u00e1 um Significado neste Texto?, Editora Vida, 2005)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a>.<\/em>Est\u00e1vamos no auge da teoria p\u00f3s-moderna, e eu queria fornecer uma alternativa crist\u00e3 a dois pecados capitais de interpreta\u00e7\u00e3o: o orgulho moderno (uma cren\u00e7a muito confiante na raz\u00e3o, na verdade e no m\u00e9todo) e a pregui\u00e7a p\u00f3s-moderna (uma descren\u00e7a muito duvidosa).<\/p>\n<p>Eu acreditava ent\u00e3o \u2013 como ainda acredito \u2013 que o cristianismo b\u00edblico, por defini\u00e7\u00e3o, depende de ser &#8220;b\u00edblico&#8221;, que ser b\u00edblico requer uma vis\u00e3o elevada da Escritura e a sabedoria para l\u00ea-la corretamente, que ler corretamente \u00e9 desafiador em todas as \u00e9pocas, e que ler corretamente requer que voc\u00ea seja mais um santo do que um estudioso.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Tamb\u00e9m acredito que cumprir a Grande Comiss\u00e3o de Jesus para fazer disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es envolve ajudar os seguidores de Jesus a seguir a Palavra de Deus onde ela conduz com mentes e cora\u00e7\u00f5es, tornando-se assim leitores e realizadores.<\/p>\n<p>H\u00e1 um lugar para m\u00e9todos exeg\u00e9ticos, em aprender a ler a B\u00edblia corretamente, mas mesmo os hereges podem saber como analisar verbos, diagramar senten\u00e7as e assim por diante. Os m\u00e9todos por si s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o garantia de verdade, e \u00e9 por isso que terminei meu texto de hermen\u00eautica com uma se\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da humildade e da convic\u00e7\u00e3o \u2013 qualidades do leitor, e n\u00e3o passos de um processo impessoal.<\/p>\n<h2><strong>Da virtude intelectual \u00e0 virtude interpretativa<\/strong><\/h2>\n<p>A hermen\u00eautica pode ser &#8220;a ci\u00eancia da interpreta\u00e7\u00e3o textual&#8221;. Por\u00e9m, uma boa leitura, como uma boa ci\u00eancia, exige que os leitores tenham certas qualidades pessoais. Assim como o bom saber, como descobri em <em>Virtues of the Mind <\/em>(Virtudes da Mente), de Linda Zagzebski.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Eu conhecia as virtudes <em>morais<\/em> \u2014 tra\u00e7os e h\u00e1bitos caracter\u00edsticos de uma pessoa &#8220;boa&#8221; \u2014, mas, apesar de ter estudado filosofia na faculdade, nunca tinha ouvido falar de virtudes <em>intelectuais<\/em>. A opini\u00e3o tornou-se conhecimento (assim me ensinaram) gra\u00e7as ao processo de fundamenta\u00e7\u00e3o. Em contraste, Zagzebski definiu conhecimento como aquilo que uma pessoa alcan\u00e7a agindo com virtude intelectual (&#8220;um estado de contato cognitivo com a realidade decorrente de atos de virtude intelectual&#8221;).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> As virtudes intelectuais s\u00e3o h\u00e1bitos de pensamento que levam \u00e0 verdade ao inv\u00e9s de se afastarem dela, h\u00e1bitos que est\u00e3o de acordo com o &#8220;plano de design&#8221; da mente, a maneira como ela deve trabalhar para alcan\u00e7ar seu pr\u00f3prio bem: o conhecimento.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Simplificando, uma virtude intelectual \u00e9 o que leva a um <em>bem<\/em> intelectual.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Minha proposta (que acredito ter sido a primeira a fazer men\u00e7\u00e3o expl\u00edcita \u00e0s virtudes <em>interpretativas<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup><strong>[7]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>) era semelhante: uma &#8220;virtude interpretativa&#8221; \u00e9 uma caracter\u00edstica ou h\u00e1bito pessoal que leva os leitores ao bem interpretativo da compreens\u00e3o. Tudo come\u00e7a com um desejo sincero pelo <em>bem interpretativo<\/em> da compreens\u00e3o: &#8220;<em>fazer contato cognitivo com o sentido do texto<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Os bons leitores respeitam tanto a inten\u00e7\u00e3o do autor quanto o que est\u00e1 objetivamente <em>l\u00e1<\/em> no texto, em vez de tentar criar interpreta\u00e7\u00f5es interesseiras.<\/p>\n<p>A leitura relaciona-se com a virtude de duas maneiras distintas. Algumas pessoas leem a B\u00edblia (o proverbial &#8220;bom livro&#8221;) por causa da forma\u00e7\u00e3o da virtude. <em>The Book of Virtue (O Livro das Virtudes)<\/em>, de William Bennett, \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o de centenas de hist\u00f3rias de constru\u00e7\u00e3o de personagens cujos contos ajudam crian\u00e7as e outras pessoas a aprender a import\u00e2ncia de tra\u00e7os morais como autodisciplina, lealdade e compaix\u00e3o.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Karen Swallow Prior faz algo semelhante em seu livro <em>On Reading Well (Sobre ler bem)<\/em>, combinando romances cl\u00e1ssicos com virtudes (por exemplo, <em>A Tale of Two Cities<\/em> and justice, de Dickens, ou <em>Shusaku<\/em> Endo&#8217;s Silence and faith).<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Prior sabe que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre ler <em>por<\/em> virtude moral e ler <em>virtuosamente<\/em>, e trata desta \u00faltima em sua introdu\u00e7\u00e3o: &#8220;Ler virtuosamente significa, em primeiro lugar, ler atentamente, ser fiel ao texto e ao contexto, interpretar com precis\u00e3o e perspic\u00e1cia&#8221;.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Podemos ler <em>sobre<\/em> a virtude, e tamb\u00e9m podemos <em>praticar<\/em> a virtude durante a leitura.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima possibilidade \u00e9 a nossa preocupa\u00e7\u00e3o aqui. A premissa principal deve ser \u00f3bvia: a forma como voc\u00ea l\u00ea est\u00e1 relacionada ao tipo de pessoa que voc\u00ea \u00e9. Quando se trata de hermen\u00eautica, o <em>quem<\/em> (o tipo de pessoa que voc\u00ea \u00e9) \u00e9 t\u00e3o ou at\u00e9 mais importante do <em>que o qu\u00ea<\/em> (o m\u00e9todo espec\u00edfico que voc\u00ea usa).<\/p>\n<p>Para evitar o orgulho interpretativo moderno, nossa certeza deve ser temperada pela humildade hermen\u00eautica; para evitar a pregui\u00e7a interpretativa, nosso ceticismo deve ser temperado pela convic\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica. Tanto a ousadia quanto a humildade s\u00e3o apropriadas na interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica porque, como observa James Eglinton, a <em>forma<\/em> da teologia deve ser adequada ao <em>assunto<\/em>.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> A voz de um te\u00f3logo deve ser ousada ao relatar o que Deus disse, e modesta ao afirmar o que isso significa: &#8220;Os meus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos s\u00e3o os meus caminhos, diz o Senhor&#8221; (Isa\u00edas 55.8).<\/p>\n<h2><strong>A situa\u00e7\u00e3o hoje: um velho e novo desafio<\/strong><\/h2>\n<p>Acertar o delicado equil\u00edbrio de uma hermen\u00eautica de humildade e convic\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante do que nunca. O orgulho e a pregui\u00e7a continuam a ser os principais v\u00edcios interpretativos, contagiando mais uma gera\u00e7\u00e3o, mesmo que 25 anos depois tenham sofrido alguma muta\u00e7\u00e3o para se adaptarem a uma nova situa\u00e7\u00e3o cultural. O orgulho agora se expressa como partidarismo acr\u00edtico que gera desconfian\u00e7a; a pregui\u00e7a evoluiu para o ceticismo sist\u00eamico, cinismo e apatia.<\/p>\n<p><em>Untrustworthed <\/em>(N\u00e3o confi\u00e1vel), de Bonnie Kristian, chama a aten\u00e7\u00e3o para a crise de conhecimento que, nas palavras de seu subt\u00edtulo, est\u00e1 &#8220;poluindo nossa pol\u00edtica e corrompendo a comunidade crist\u00e3&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Os americanos n\u00e3o confiam mais em especialistas ou institui\u00e7\u00f5es \u2013 a menos que concordem com suas pol\u00edticas identit\u00e1rias. Em vez de dar raz\u00f5es para o que acredita, basta envolver-se no manto de sua identidade (por exemplo, &#8220;Falar como um <em>x<\/em>&#8220;). Isso \u00e9 o que eu quero dizer com <em>orgulho partid\u00e1rio<\/em> \u2013 a ideia de que eu e minha tribo estamos em uma posi\u00e7\u00e3o especial para <em>saber<\/em>. Infelizmente, se voc\u00ea discorda, voc\u00ea se torna meu antagonista: &#8220;Falando como um <em>X<\/em>, fico ofendido por voc\u00ea reivindicar <em>B<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Para um partid\u00e1rio orgulhoso, toda discord\u00e2ncia \u00e9 um ato hostil. Voc\u00ea \u00e9 a favor ou contra mim; n\u00e3o h\u00e1 um terceiro espa\u00e7o neutro para o di\u00e1logo imparcial \u2013 ou para a racionalidade.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O orgulho partid\u00e1rio n\u00e3o precisa ouvir os outros; ele j\u00e1 sabe tudo. O orgulho partid\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas tribal, mas destrutivo \u00e0 verdadeira democracia. Em uma cultura de pol\u00edtica identit\u00e1ria e orgulho partid\u00e1rio, as pessoas do outro lado do corredor \u2013 seja no Congresso ou na igreja \u2013 n\u00e3o s\u00e3o interlocutores, mas inimigos em potencial. Nem \u00e9 mais seguro falar sobre o clima, pelo menos n\u00e3o se voc\u00ea conectar os pontos entre inunda\u00e7\u00f5es recordes e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Uma manchete do <em>Chicago Tribune<\/em> declara: &#8220;Meteorologistas sentindo o calor dos telespectadores&#8221;.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> Os meteorologistas est\u00e3o sem honra em suas cidades de origem. Aparentemente, confiar ou n\u00e3o no seu meteorologista local tem a ver com pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 vinte e cinco anos, sugeri que a pregui\u00e7a era a tenta\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica dos te\u00f3ricos p\u00f3s-modernos. Desde ent\u00e3o, por\u00e9m, a suspeita de que as afirma\u00e7\u00f5es da verdade s\u00e3o, na verdade, jogos de poder, tornou-se uma esp\u00e9cie de elemento fixo na consci\u00eancia p\u00fablica, resultando em ceticismo e cinismo sist\u00eamicos \u2013 uma incapacidade de confiar ou acreditar em qualquer coisa ou em algu\u00e9m: &#8220;Enquanto o orgulho reivindica o conhecimento prematuramente, a pregui\u00e7a reivindica prematuramente a <em>impossibilidade<\/em> do conhecimento liter\u00e1rio&#8221;.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> A suspeita p\u00f3s-moderna se espalhou, como um v\u00edrus, dos laborat\u00f3rios da teoria liter\u00e1ria francesa para as nossas conversas na fila da padaria.<\/p>\n<p>Pensar que ningu\u00e9m est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de saber o que os textos, incluindo a B\u00edblia, realmente significam \u00e9 desanimador. Por que come\u00e7ar a escalar uma montanha se voc\u00ea sabe que nunca chegar\u00e1 ao topo? Por que come\u00e7ar um jogo de xadrez se voc\u00ea j\u00e1 sabe que acabar\u00e1 em um empate? O que come\u00e7ou como uma hermen\u00eautica da suspeita evoluiu para o ceticismo sist\u00eamico e gera o que o te\u00f3logo Uche Anizor chama de &#8220;cultura da apatia&#8221;, que n\u00e3o apenas tolera, mas nutre &#8220;uma atitude de indiferen\u00e7a&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao que costumava ser importante.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> O que angustia Anizor \u00e9 at\u00e9 que ponto essa atitude de indiferen\u00e7a, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas espirituais e \u00e0 verdade b\u00edblica, se tornou normal.<\/p>\n<p>O orgulho partid\u00e1rio e a pregui\u00e7a sist\u00eamica que caracterizam a cultura contempor\u00e2nea tiveram um longo per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o. No <em>America&#8217;s Book<\/em>, Mark Noll identifica 1844-1865 como um per\u00edodo particularmente importante porque os debates sobre a escravid\u00e3o &#8220;sinalizaram o fim de uma civiliza\u00e7\u00e3o baseada no acordo b\u00edblico protestante branco&#8221;.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> Em tr\u00eas cap\u00edtulos consecutivos, cada um intitulado &#8220;De quem \u00e9 a B\u00edblia?&#8221; Noll mostra como os conflitos sobre qual leitura da posi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia sobre a escravid\u00e3o estava certa acabaram levando as pessoas a pensar que <em>todo<\/em> apelo \u00e0s Escrituras tinha motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Ironicamente, o orgulho partid\u00e1rio alimentou a pregui\u00e7a sist\u00eamica; o pecado interpretativo se alimenta de si mesmo.<\/p>\n<p>A Guerra Civil nos EUA n\u00e3o foi a primeira vez que diverg\u00eancias sobre o que a B\u00edblia diz desencadearam uma crise pol\u00edtica e teol\u00f3gica. Os crist\u00e3os na igreja primitiva tiveram que lidar com gn\u00f3sticos e outros hereges, todos os quais alegaram estar lendo a B\u00edblia corretamente. Como os crist\u00e3os devem lidar com vis\u00f5es concorrentes do cristianismo b\u00edblico? As virtudes interpretativas nasceram para um tempo como este.<\/p>\n<h2><strong>Em louvor \u00e0 ousadia (Mas n\u00e3o muita)<\/strong><\/h2>\n<p>Martinho Lutero \u00e9 o ep\u00edtome da ousadia interpretativa. Na presen\u00e7a do Sacro Imperador Romano na Dieta de Worms, em julgamento por heresia, perguntaram-lhe: &#8220;Martinho, como voc\u00ea pode assumir que voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico a entender as Escrituras?&#8221; Lutero tinha a coragem de suas convic\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m estava aberto a ser mostrado \u2013 pela B\u00edblia, n\u00e3o pela tradi\u00e7\u00e3o humana \u2013 que estava errado. \u00c9 claro que, como outras virtudes, a ousadia est\u00e1 em um espectro entre v\u00edcios opostos e, portanto, precisa ser regulada. Algu\u00e9m poderia ter cedido \u00e0 press\u00e3o, manifestando covardia interpretativa, n\u00e3o ousadia. Alternativamente, \u00e9 poss\u00edvel ter muita coisa boa: uma ousadia desregulada leva \u00e0 precipita\u00e7\u00e3o, \u00e0 temeridade e, no limite, come\u00e7a a se assemelhar ao orgulho partid\u00e1rio feio que estima apenas as pr\u00f3prias interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A resposta de Lutero em Worms tamb\u00e9m serve como exemplo do que o fil\u00f3sofo franc\u00eas Michel Foucault diz sobre o discurso corajoso (<em>parrhesia<\/em>) em uma s\u00e9rie de palestras posteriormente publicadas como um livro, <em>Fearless Speech<\/em>, cujo t\u00edtulo original franc\u00eas, <em>Le Courage de la V\u00e9rit\u00e9<\/em>, significa &#8220;A Coragem da Verdade&#8221;.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Foucault descobre o discurso ousado ou destemido (<em>parrhesia<\/em>) na Gr\u00e9cia antiga, onde era tido como uma virtude essencial para a democracia. Foucault contrasta a ousadia do discurso com outros tipos de discurso, como a bajula\u00e7\u00e3o e o sofisma. O que diferencia a <em>parrhesia<\/em> \u00e9 seu compromisso de falar a verdade, mesmo quando \u00e9 perigoso ou impopular faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Isso nos remete aos meteorologistas e outros cientistas, ambientais ou n\u00e3o, que buscam falar a verdade ao poder a servi\u00e7o do interesse p\u00fablico. Quando Tyrone Hayes encontrou evid\u00eancias de que o pesticida atrazina da Syngenta era prejudicial, o departamento de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da corpora\u00e7\u00e3o tentou desacreditar sua pesquisa. Hayes perseverou em seu trabalho, insistindo: &#8220;A ci\u00eancia \u00e9 um princ\u00edpio e um processo de busca da verdade. A verdade n\u00e3o pode ser comprada.&#8221;<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Essa observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediu que as empresas de tabaco n\u00e3o se esfor\u00e7assem para suprimir a publica\u00e7\u00e3o de dados negativos sobre os perigos de fumar cigarros. Como observa um especialista em \u00e9tica, &#8220;os cientistas individuais raramente t\u00eam recursos ou for\u00e7a para resistir a tais ataques&#8221;.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Foucault ficou impressionado com a disposi\u00e7\u00e3o dos est\u00f3icos de sofrer por sua destemida <em>parr\u00e9sia (parrhesia<\/em>) em vez de trair suas convic\u00e7\u00f5es. Os primeiros crist\u00e3os, em particular os atos de fala dos ap\u00f3stolos no livro de Atos, s\u00e3o um exemplo ainda melhor. Pedro, Jo\u00e3o, Est\u00eav\u00e3o e, eventualmente, Paulo falam a verdade do evangelho ao poder imperial. Seu discurso destemido \u00e9 um dos destaques narrativos: &#8220;Ora, quando viram a ousadia [<em>parrhesia<\/em>] de Pedro e Jo\u00e3o, e perceberam que eram homens comuns e sem instru\u00e7\u00e3o, ficaram at\u00f4nitos&#8221; (Atos 4.13).<\/p>\n<p>Atos 4 registra a pris\u00e3o de Pedro e Jo\u00e3o por proclamarem a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Depois de serem acusados de n\u00e3o falar de Jesus, eles s\u00e3o libertados, embora saibam que a amea\u00e7a de persegui\u00e7\u00e3o paira sobre eles. O que mais eles podem fazer sen\u00e3o orar? &#8220;Senhor, olha para as suas amea\u00e7as e concede aos teus servos que continuem a falar a tua palavra com toda a ousadia&#8221; (Atos 4.29). Suas ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o respondidas: eles est\u00e3o cheios do Esp\u00edrito Santo, que os encoraja a falar com ousadia (Atos 4.31). De acordo com o Novo Testamento, essa ousadia de fala \u00e9 mais do que um tra\u00e7o de car\u00e1ter: \u00e9 um dom divino em resposta \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Significativamente, ao longo do resto do livro, at\u00e9 o final, v\u00e1rios ap\u00f3stolos continuam a falar corajosamente do evangelho e de sua esperan\u00e7a em Cristo (Atos 9.27\u201328; 13.46; 14.3; 18.26; 19.8; 26.26; 28.31).<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Os int\u00e9rpretes b\u00edblicos contempor\u00e2neos, como o ap\u00f3stolo Paulo, foram &#8220;confiados ao evangelho&#8221; (G\u00e1latas 2.7; 1 Tessalonicenses 2.4; 1 Tim\u00f3teo 111). Como Paulo, os int\u00e9rpretes b\u00edblicos podem ter que falar a verdade do evangelho \u00e0s autoridades e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral, e eles fazem bem em orar ao Esp\u00edrito pedindo for\u00e7a para faz\u00ea-lo. No entanto, ao contr\u00e1rio de Paulo, os int\u00e9rpretes b\u00edblicos de hoje carecem das qualifica\u00e7\u00f5es e autoridade proporcionais \u00e0 apostolicidade.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> Mesmo os reformadores n\u00e3o podiam alegar ter a interpreta\u00e7\u00e3o <em>autorizada<\/em> de &#8220;Este \u00e9 o meu corpo&#8221; (Mateus 26.26; Marcos 14.22; Lucas 22.19; cf. 1 Cor\u00edntios 11.24), raz\u00e3o pela qual o conflito de interpreta\u00e7\u00f5es protestantes \u00e9 t\u00e3o doloroso.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Cada reformador foi presumivelmente iluminado pelo Esp\u00edrito, um exegeta respons\u00e1vel e um homem de sincera convic\u00e7\u00e3o \u2014 e, no entanto, eles discordaram sobre a natureza da presen\u00e7a de Cristo na Ceia do Senhor.<\/p>\n<p>Embora esteja claro no livro de Atos que a ousadia de falar \u00e9 um dos principais meios que o Esp\u00edrito usa para edificar a igreja, tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que ousadia n\u00e3o \u00e9 o mesmo que precipita\u00e7\u00e3o. A ousadia crist\u00e3 do discurso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica ret\u00f3rica. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma qualidade pessoal: uma vontade de colocar n\u00e3o apenas as palavras, mas a si mesmo \u2013 a pr\u00f3pria vida \u2013 em jogo. As outras testemunhas crist\u00e3s primitivas n\u00e3o eram meros oradores, mas m\u00e1rtires: sua disposi\u00e7\u00e3o de sofrer e morrer por suas convic\u00e7\u00f5es de verdade era uma extens\u00e3o <em>incorporada<\/em> de seu discurso ousado.<\/p>\n<h2><strong>Em Louvor \u00e0 Humildade: Poder na Fraqueza<\/strong><\/h2>\n<p>Os int\u00e9rpretes b\u00edblicos devem mostrar ousadia sempre que a verdade sobre o Deus do evangelho e o evangelho de Deus estiverem em jogo. O discurso ousado \u00e9 apropriado quando estamos testemunhando o que Deus fez em Jesus Cristo por n\u00f3s e por nossa salva\u00e7\u00e3o. No entanto, uma coisa \u00e9 testemunhar o que Deus disse e fez, outra \u00e9 explicar o seu significado. Jesus disse: &#8220;Este \u00e9 o meu corpo&#8221;, sim \u2013 mas o que exatamente ele quis dizer? Os pastores-te\u00f3logos devem falar corajosamente ao testemunhar o que Deus fez e o que os autores b\u00edblicos disseram, mas devem agir modestamente ao desvendar suas implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como sabiam Arist\u00f3teles e Tom\u00e1s de Aquino, &#8220;as virtudes n\u00e3o podem existir atomisticamente: para possuir uma \u00fanica virtude, \u00e9 preciso possuir as virtudes em sua totalidade&#8221;.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> A raz\u00e3o deve ser \u00f3bvia. Sem algum contrapeso, a ousadia facilmente se transforma em imprud\u00eancia, temeridade ou, no limite, orgulho partid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pessoas humildes (1) se veem com precis\u00e3o, (2) consideram os outros e n\u00e3o apenas a si mesmas, e (3) est\u00e3o abertas \u00e0 possibilidade de estarem erradas.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Todas as tr\u00eas s\u00e3o qualidades cruciais para os int\u00e9rpretes b\u00edblicos. Devemos reconhecer, em primeiro lugar, que estamos situados em um determinado lugar, tempo e cultura. Nossa finitude afeta o que vemos nos textos, assim como nossa queda (mesmo como jogador de futebol do ensino m\u00e9dio, eu sabia que o outro time n\u00e3o era o \u00fanico a cometer faltas). Nossa situabilidade nos inclina a privilegiar evid\u00eancias que confirmem nossos vieses. Grant Osborne afirma: &#8220;Raramente lemos a B\u00edblia para descobrir a verdade; mais frequentemente, queremos harmoniz\u00e1-la com nosso sistema de cren\u00e7as.&#8221;<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> Em segundo lugar, para ser uma pessoa de &#8220;consci\u00eancia interpretativa&#8221;<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> devemos reconhecer que outros int\u00e9rpretes podem estar se esfor\u00e7ando tanto quanto n\u00f3s para ler bem a B\u00edblia. Isso leva, em terceiro lugar, a um reconhecimento de que podemos interpretar ou entender mal o que os autores b\u00edblicos disseram. Sem essa humildade interpretativa, a ideia de &#8220;estar sempre se reformando&#8221; (pela Palavra de Deus) \u00e9 apenas uma promessa vazia.<\/p>\n<p>A humildade \u00e9, naturalmente, uma virtude crist\u00e3 primordial.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> Paulo exorta os filipenses a terem a mente de Cristo, a saber, a disposi\u00e7\u00e3o de &#8220;[considerar] cada um os outros superiores a si mesmo.&#8221; (Filipenses 2.3). E a\u00ed est\u00e1 o problema. A humildade \u2013 a disposi\u00e7\u00e3o para ouvir e atender aos interesses dos outros \u2013 \u00e9 dif\u00edcil, porque pode significar colocar algo em n\u00f3s mesmos at\u00e9 a morte. Foi precisamente assim que Jesus se humilhou, &#8220;tornando-se obediente at\u00e9 \u00e0 morte&#8221; (Filipenses 2.8).<\/p>\n<p>Para um leitor com convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, admitir que a sua interpreta\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser r\u00edgida \u2013 ou pior, que pode estar errada \u2013 \u00e9 doloroso. \u00c9 por isso que admiro tanto Agostinho, cujas <em>Retrata\u00e7\u00f5es<\/em> examinam suas publica\u00e7\u00f5es e questionam onde ele cometeu erros. Agostinho se via com precis\u00e3o: deste lado do <em>eschaton<\/em>, nosso conhecimento \u00e9 apenas parcial (1 Cor\u00edntios 13.12). Como brinca Bonnie Kristian, agora sabemos em parte, &#8220;e muitas vezes uma parte menor do que imaginamos&#8221;.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A humildade interpretativa \u00e9 prima de primeiro grau da humildade epist\u00eamica, a consci\u00eancia de que, embora existam significado objetivo e verdade, nossa compreens\u00e3o deles pode ser t\u00eanue. Humildade interpretativa significa estar pronto para admitir que pode haver sentido no texto que n\u00e3o conseguimos ver. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre <em>sentir<\/em> que nossas interpreta\u00e7\u00f5es est\u00e3o certas e <em>estar<\/em> certo. Esta lacuna \u00e9 precisamente a raz\u00e3o pela qual os leitores s\u00e1bios est\u00e3o preparados para ouvir outros leitores e estarem abertos \u00e0 corre\u00e7\u00e3o. Infelizmente, quando ao escrever um livro sobre pensamento cr\u00edtico, Adam Grant queria um exemplo de pessoas mais interessadas em proteger cren\u00e7as do que em ter raz\u00e3o, ele decidiu pelo pregador, a quem contrastou com o cientista de mente aberta.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> A capacidade de repensar, e de estar sempre reformando, &#8220;come\u00e7a com a humildade intelectual \u2013 saber o que n\u00e3o sabemos&#8221;.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&#8220;O orgulho precede a destrui\u00e7\u00e3o&#8221; (Prov\u00e9rbios 16.18). Ele tamb\u00e9m precede a instru\u00e7\u00e3o. O orgulho \u00e9 o v\u00edcio interpretativo preeminente, uma garantia de que os leitores estar\u00e3o inclinados a seguir sua pr\u00f3pria linha de pensamento, n\u00e3o a dos autores b\u00edblicos. Por outro lado, a humildade \u00e9 a principal virtude interpretativa, uma condi\u00e7\u00e3o essencial para exibir a mente de Cristo. Em uma \u00e9poca marcada pelo orgulho partid\u00e1rio e seu oposto reacion\u00e1rio, a pregui\u00e7a sist\u00eamica, \u00e9 mais importante do que nunca para os int\u00e9rpretes b\u00edblicos manter a ousadia interpretativa e a humildade interpretativa em uma tens\u00e3o equilibrada.<\/p>\n<p>Quando os Cor\u00edntios desafiaram as credenciais apost\u00f3licas de Paulo, a prova de que Cristo estava falando nele foi um poder paradoxalmente manifestado atrav\u00e9s da fraqueza (2 Cor\u00edntios 13.3-4). A perseveran\u00e7a da f\u00e9, a dor da perseveran\u00e7a, exige humildade e ousadia. Os int\u00e9rpretes b\u00edblicos devem estar dispostos a expor suas leituras e a si mesmos ao conflito de interpreta\u00e7\u00f5es, e faz\u00ea-lo n\u00e3o para provar que est\u00e3o certos, mas para alcan\u00e7ar a verdade. Isso \u00e9 t\u00e3o verdadeiro \u00e0 n\u00edvel de igreja quanto no individual. A igreja no Ocidente precisa de humildade para ouvir a igreja global \u2013 e as gera\u00e7\u00f5es anteriores de leitores crist\u00e3os.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> Os m\u00e9todos e a tecnologia modernos n\u00e3o necessariamente fizeram com que os crist\u00e3os ocidentais se tornassem melhores leitores.<\/p>\n<h2><strong>A igreja local como cultura de leitura virtuosa<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 bom ensinar os alunos a ler a B\u00edblia nas l\u00ednguas originais e a atender \u00e0 gram\u00e1tica e ao contexto hist\u00f3rico. No entanto, uma coisa \u00e9 adquirir conhecimento e aprender habilidades, outra bem diferente \u00e9 adquirir virtude e aprender a Cristo. Isso \u00e9 menos um golpe no m\u00e9todo gramatical-hist\u00f3rico do que um lembrete: uma ferramenta \u00e9 t\u00e3o eficaz quanto a pessoa que a empunha.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O teste \u00e1cido para qualquer hermen\u00eautica \u00e9 como ela prepara os leitores para lidar com diverg\u00eancias interpretativas, como as diferen\u00e7as doutrin\u00e1rias que dividiram os protestantes evang\u00e9licos.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> Uma hermen\u00eautica de virtudes que mantenha a ousadia e a humildade em tens\u00e3o n\u00e3o resolver\u00e1 todas as diverg\u00eancias doutrin\u00e1rias, mas pode ajudar os crist\u00e3os a navegar pelo conflito de interpreta\u00e7\u00f5es sem entrar em guerra uns com os outros.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da Igreja devem ser ousados o suficiente para serem &#8220;capazes de ensinar&#8221; (1 Tim\u00f3teo 3.2) e humildes o suficiente para serem ensin\u00e1veis (Prov\u00e9rbios 5.12\u201313). Assim como as tradi\u00e7\u00f5es interpretativas. Como membros do que \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, um s\u00f3 corpo, batistas, presbiterianos, metodistas e outros devem estar dispostos a cogitar a possibilidade de que o Esp\u00edrito possa estar usando insights de outras tradi\u00e7\u00f5es interpretativas para corrigir seus respectivos pontos cegos.<\/p>\n<p>Lemos para nossos filhos desde a mais tenra idade, e depois os ensinamos a ler. Ou n\u00f3s? A compreens\u00e3o textual envolve mais do que decifrar marcas pretas em papel branco. Conscientemente ou n\u00e3o, indiv\u00edduos e tradi\u00e7\u00f5es interpretativas est\u00e3o sempre modelando (ou deixando de modelar) interpreta\u00e7\u00f5es virtuosas. A igreja local deve ser um lugar para expor e promover culturas de leitura virtuosas \u2013 um lugar que forma leitores da B\u00edblia e crentes para serem pessoas de virtude interpretativa. Outras virtudes interpretativas, al\u00e9m da ousadia e da humildade, tamb\u00e9m s\u00e3o importantes: aten\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, honestidade, caridade, justi\u00e7a e, acima de tudo, sabedoria, a virtude que ajuda a discernir quando uma situa\u00e7\u00e3o exige ousadia e quando requer humildade \u2013 quando permanecer firme, quando admitir a derrota e quando se comprometer.<\/p>\n<p>Em nossa cultura partid\u00e1ria e c\u00e9tica, \u00e9 muito f\u00e1cil encontrar falhas em proposi\u00e7\u00f5es opostas. \u00c9 mais dif\u00edcil encontrar culpa em pessoas que leem a B\u00edblia com convic\u00e7\u00e3o e humildade em equil\u00edbrio s\u00e1bio. Que as igrejas locais se tornem lugares onde os leitores s\u00e3o formados n\u00e3o para serem partid\u00e1rios dos reinos terrenos, mas m\u00e1rtires do reino dos c\u00e9us, capazes de dizer com Lutero: &#8220;Aqui estou eu&#8221;, com uma ousadia temperada por uma abertura para ser corrigido. Aprender a incorporar essas virtudes interpretativas tamb\u00e9m \u00e9 santifica\u00e7\u00e3o \u2013 e talvez a melhor maneira de proclamar a verdade b\u00edblica em uma cultura repleta de orgulho partid\u00e1rio e suspeita sist\u00eamica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para saber mais sobre hermen\u00eautica b\u00edblica, veja mais artigos sobre isso em nosso blog <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/assunto\/hermeneutica-biblica\/\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 oferecido pelo minist\u00e9rio <em>Desiring God<\/em>, <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/serie\/desiring-god\/\">clique aqui <\/a>para ver mais conte\u00fados deste minist\u00e9rio em parceria com nosso blog!<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Kevin J. Vanhoozer, <em>H\u00e1 um sentido neste texto? A B\u00edblia, o Leitor e a Moralidade do Conhecimento Liter\u00e1rio<\/em> (Grand Rapids: Zondervan, 1998). <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/even-heretics-know-hebrew#fnref1\">\u21a9<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Sobre a leitura correta, ver Iain Provan, <em>The Reformation and the Right Reading of Scripture<\/em> (Waco, TX: Baylor University Press, 2017) e C. John Collins, <em>Reading Genesis Well: Navigating History, Poetry, Science, and Truth in Genesis 1\u201311<\/em> (Grand Rapids: Zondervan Academic, 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Linda Trinkhaus Zagzebski, <em>Virtues of the Mind: An Inquiry into the Nature of Virtue and the Ethical Foundations of Knowledge<\/em> (Cambridge: Cambridge University Press, 1996).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Zagzebski, <em>Virtues of the Mind <\/em>(Virtudes da Mente), 270.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Sobre o &#8220;plano de design&#8221; da mente, ver Alvin Plantinga, <em>Knowledge and Christian Belief<\/em> (Grand Rapids: Eerdmans, 2015), p. 26.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Para mais sobre virtude intelectual, ver W. Jay Wood, <em>Epistemology: Becoming Intellectually Virtuous<\/em> (Downers Grove, IL: IVP Academic, 1998) e Nathan L. King, <em>The Excellent Mind: Intellectual Virtues for Everyday Life<\/em> (Oxford: Oxford University Press, 2021). Para o paralelo entre virtude intelectual e interpretativa, ver Stephen T. Pardue, &#8220;Athens and Jerusalem Once More: What the Turn to Virtue Means for Theological Exegesis,\u201d\u00a0<em>Journal of Theological Interpretation<\/em>\u00a04, no. 2 (2010): 295\u2013308.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Richard S. Briggs confirma isso em seu <em>The Virtuous Reader: Old Testament Narrative and Interpretive Virtue<\/em> (Grand Rapids: Baker Academic, 2010), pp. 18\u201321.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Vanhoozer, <em>Is There a Meaning? (<\/em><em>H\u00e1 um Significado neste Texto?)<\/em>, 376.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> William J. Bennett, ed., <em>The Book of Virtue <\/em>(O Livro das Virtudes) (Nova York: Simon Schuster, 1993).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Karen Andorinha Prior, <em>On Reading Well: Finding the Good Life Through Great Books<\/em> (Sobre Ler Bem: Encontrando a Boa Vida Atrav\u00e9s de Grandes Livros) (Grand Rapids: Brazos, 2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Prior,\u00a0<em>On Reading Well<\/em>, 15<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> James Eglinton, \u201c<em>Vox Theologiae<\/em>: Boldness and Humility in Public Theological Speech,\u201d\u00a0<em>International Journal of Public Theology<\/em>\u00a09, no. 1 (2015): 5\u201328.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Bonnie Kristian, <em>Untrustworthed: The Knowledge Crisis Breaking our Brains, Polluting Our Politics, and Corrupting Christian Community <\/em>(N\u00e3o confi\u00e1vel: a crise do conhecimento quebrando nossos c\u00e9rebros, poluindo nossa pol\u00edtica e corrompendo a comunidade crist\u00e3) (Grand Rapids: Brazos, 2022).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Kristian, <em>Untrustworthed, 15.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Em outro lugar, me refiro ao orgulho interpretativo como &#8220;ego\u00edsmo interpretativo extremo&#8221;, a vis\u00e3o que privilegia uma interpreta\u00e7\u00e3o simplesmente porque \u00e9 minha. Ver Kevin J. Vanhoozer, <em>Biblical Authority after Babel: Retrieving the Solas in the Spirit of Mere Protestant Christianity <\/em>(Autoridade B\u00edblica ap\u00f3s Babel: Recuperando os Solas no Esp\u00edrito do Mero Cristianismo Protestante) (Grand Rapids: Brazos, 2016), p. 20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> Meteorologists Feeling the Heat from Viewers,\u201d <em>Chicago Tribune<\/em>, July 12, 2023.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Vanhoozer, <em>Is There a Meaning? <\/em>(H\u00e1 um Significado neste Texto?), 463.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Uche Anizor, <em>Overcoming Apathy: Gospel Hope for Those Who Struggle to Care<\/em> (Wheaton, IL: Crossway, 2022). See in particular his exegesis of the series finale of <em>Seinfeld<\/em> (20\u201321).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> Mark A. Noll, <em>America\u2019s Book: The Rise and Decline of a Bible Civilization<\/em>, 1794\u20131911 (Oxford: Oxford University Press, 2022), 473<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Cf. Mark A. Noll, <em>The Civil War as a Theological Crisis<\/em> (Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 2006).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Michel Foucault, <em>Fearless Speech<\/em>, ed. Joseph Pearson (Los Angeles: Semiotext(e), 2001).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Cited in Paul Scherz, \u201cThe Legal Suppression of Scientific Data and the Christian Virtue of <em>Parrhesia<\/em>,\u201d <em>Journal of the Society of Christian Ethics<\/em> 35, no. 2 (2015): 176.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> Scherz, \u201cThe Legal Suppression,\u201d 181.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> See further Beverly Roberts Gaventa, \u201cTo Speak Thy Word with All Boldness: <a href=\"https:\/\/biblia.com\/bible\/esv\/Acts%204.23%E2%80%9331\">Acts 4:23\u201331<\/a>,\u201d <em>Faith and Mission<\/em> 3, no. 2 (1986): 76\u201382.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> See John Howard Sch\u00fctz, <em>Paul and the Anatomy of Apostolic Authority<\/em> (Cambridge: Cambridge University Press, 1975).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Rhyne R. Putman notes that the dispute between Luther and Zwingli was over not simply doctrine but biblical interpretation: \u201cEach took issue with the other\u2019s hermeneutics.\u201d See Rhyne R. Putman, <em>When Doctrine Divides the People of God: An Evangelical Approach to Theological Diversity<\/em> (Wheaton, IL: Crossway, 2020), 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> Eglinton, \u201c<em>Vox Theologiae<\/em>,\u201d 15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> I take these three points from Mark R. McMinn, <em>The Science of Virtue: Why Positive Psychology Matters to the Church<\/em> (Grand Rapids: Brazos, 2017), 101<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> Grant R. Osborne, <em>The Hermeneutical Spiral: A Comprehensive Introduction to Biblical Interpretation<\/em>, rev. ed. (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2006), 29. On bias in interpretation, see also Putman, <em>When Doctrine Divides<\/em>, 151\u201371. (Edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas: A Espiral Hermen\u00eautica, Editora Vida Nova).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Estou aqui modificando a no\u00e7\u00e3o de \u201cconsci\u00eancia epist\u00eamica\u201d de Linda Zagzebski: \u201cQuando eu for consciente, passarei a acreditar que outros humanos normais e maduros t\u00eam o mesmo desejo natural pela verdade e os mesmos poderes e capacidades gerais que eu tenho\u201d. Veja Linda Zagzebski, <em>Epistemic Authority: A Theory of Truth, Authority, and Autonomy in Belief<\/em> (Oxford: Oxford University Press, 2012), 55.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> Veja mais em Stephen T. Pardue, <em>The Mind of Christ: Humility and the Intellect in Early Christian Theology<\/em> (Londres: Bloomsbury T&amp;T Clark, 2013).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> Kristian, <em>Untrustworthy<\/em>, 155.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> Adam Grant, <em>Think Again: The Power of Knowing What You Don\u2019t Know<\/em> (New York: Viking, 2021), 18\u201321.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> Grant, <em>Think Again<\/em>, 27.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> A point made convincingly in Stephen T. Pardue, <em>Why Evangelical Theology Needs the Global Church<\/em> (Grand Rapids: Baker Academic, 2023).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> Assim \u00e9 Pardue, que diz que as virtudes interpretativas podem ser as \u201cchaves subjacentes e abrangentes para o funcionamento adequado dos m\u00e9todos [exeg\u00e9ticos]\u201d. Veja \u201cAthens and Jerusalem Once More,\u201d 303.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> Para uma proposta construtiva para lidar com a pluralidade protestante, veja meu livro <em>Biblical Authority after Babel<\/em>.[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Por: Kevin Vanhoozer. \u00a9\ufe0f Desiring God Foundation. Website: <a href=\"http:\/\/desiringGod.org\">desiringGod.org<\/a>. Traduzido com permiss\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.desiringgod.org\/articles\/even-heretics-know-hebrew\"><span style=\"font-weight: 400;\">Even Heretics Know Hebrew: How To Interpret The Bible In Partisan Times<\/span><\/a>. Todos os direitos reservados. 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