{"id":67872,"date":"2024-04-24T08:00:47","date_gmt":"2024-04-24T11:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=67872"},"modified":"2024-05-24T12:09:58","modified_gmt":"2024-05-24T15:09:58","slug":"o-espirito-e-a-escritura-capitulo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/o-espirito-e-a-escritura-capitulo-3\/","title":{"rendered":"Origem, Autoridade, Inerr\u00e2ncia e Significado (Parte 3)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Cap\u00edtulo 3 da s\u00e9rie O Esp\u00edrito e a Escritura | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-espirito-e-a-escritura%2F&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nota do Editor:<\/strong> Este artigo \u00e9 um recurso selecionado para a <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/semana-da-inerrancia-biblica\/\">Semana da Inerr\u00e2ncia B\u00edblica do Minist\u00e9rio Fiel e Voltemos ao Evangelho<\/a>, uma semana onde estivemos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerr\u00e2ncia, sufici\u00eancia e autoridade da B\u00edblia, que \u00e9 a Palavra de Deus. Pedimos ao nosso colunista mais ass\u00edduo do blog, o <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/autor\/hermisten-maia\/\">Reverendo Hermisten Maia<\/a>, para escrever sobre o assunto; ele ent\u00e3o nos presenteou com mais uma de suas s\u00e9ries, trazendo profundidade ao tema! Desfrute e compartilhe destes conte\u00fados e tenha sua f\u00e9 na inerrante Palavra de Deus fortalecida!<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>B. A Cria\u00e7\u00e3o como revela\u00e7\u00e3o de Deus\u00a0\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m poderia perguntar: Por que a recorr\u00eancia na quest\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o? Nesse di\u00e1logo hipot\u00e9tico, creio poder compreender perfeitamente a quest\u00e3o do questionador realmente interessado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu mesmo fiz uma pergunta parecida h\u00e1 mais de 40 anos sobre a insist\u00eancia de Schaeffer (1912-1984) a respeito da fundamental import\u00e2ncia que ele atribu\u00eda aos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos de G\u00eanesis para a sustenta\u00e7\u00e3o de uma genu\u00edna f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que compreendi, sendo mais radical, que em Gn 1.1 \u2013 conforme vimos \u2212,\u00a0 temos o princ\u00edpio fundamental de uma f\u00e9 crist\u00e3 aut\u00eantica. Ali nos deparamos com a ess\u00eancia de uma f\u00e9 teoc\u00eantrica em um Deus Todo-Poderoso que do nada, cria todas as coisas e as preserva conforme a sua determina\u00e7\u00e3o, poder e bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora disso, teremos apenas um \u201cmacram\u00ea\u201d teol\u00f3gico, habilmente manipulado, repleto de desenhos, n\u00f3s, franjas e cores, mas n\u00e3o conheceremos o Deus das Escrituras; o Deus que se revela com beleza, santidade e objetividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, como causa primeira de todo o conhecimento, proporciona ao homem por meio da sua Cria\u00e7\u00e3o \u2212 a natureza \u2212, a oportunidade e responsabilidade de conhecer a realidade do mundo f\u00edsico. Por\u00e9m, \u00e9 bom que se diga que este conhecimento n\u00e3o \u00e9 completo, nem absolutamente claro, visto que o pecado p\u00f4s seu selo sobre a Cria\u00e7\u00e3o, obscurecendo o entendimento do homem e, a pr\u00f3pria Natureza, perdeu parte da sua eloqu\u00eancia anterior.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim mesmo, pela gra\u00e7a comum de Deus, Ele misericordiosamente nos ajuda nessa compreens\u00e3o que, ap\u00f3s a Queda, estaria totalmente perdida.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meeter (1886-1963), certamente inspirado em Calvino, escreveu com beleza:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Contudo, ainda hoje, a natureza \u00e9 um espelho no qual se refletem as gl\u00f3rias de Deus. Sem embargo, por causa do pecado, pode-se dizer que este espelho est\u00e1 deformado. Como \u00e9 bem sabido, um espelho c\u00f4ncavo reflete as coisas de uma forma grotesca e distinta de como realmente s\u00e3o.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Hist\u00f3ria, a Natureza e o Homem, como parte desta, refletem algo do seu Criador. \u201cO homem, por haver sido criado \u00e0 imagem de Deus, nos revela muito sobre o ser do Criador\u201d, comenta Meeter<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> (Sl 139.14). Por isso, os homens s\u00e3o indesculp\u00e1veis (Rm 1.19, 20).<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Nada nem ningu\u00e9m na cria\u00e7\u00e3o reflete mais de perto a Deus do que o ser humano. Somente o homem e a mulher foram feitos \u00e0 sua imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus expressa o seu pensamento e a sua vontade no mundo \u2212 na Cria\u00e7\u00e3o \u2212, envolvendo o homem com a manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da sua gl\u00f3ria, a qual \u00e9 proclamada, apesar do pecado, de forma fecunda nas obras da Cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1; At 14.17; Rm 1.19,20). Em tudo que Deus faz, h\u00e1 sempre um refletir de seu poder, justi\u00e7a, santidade e bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino (1509-1564) acentua que,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>A apar\u00eancia do c\u00e9u e da terra compele at\u00e9 mesmo os \u00edmpios a reconhecerem que algum criador existe (&#8230;). Certamente que a religi\u00e3o nem sempre teria florescido entre todos os povos, se porventura as mentes humanas n\u00e3o se persuadissem de que Deus \u00e9 o Criador do mundo.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, o mundo e o homem s\u00e3o as tr\u00eas realidades com as quais toda a ci\u00eancia e toda filosofia se ocupam.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Pois bem, se Deus n\u00e3o tivesse primeiramente, de forma livre e soberana se revelado (Sl 115.3; Rm 11.33-36) \u2013 concedendo ao homem o universo como meio externo de conhecimento, onde funciona com as suas leis pr\u00f3prias e regulares \u2013 toda e qualquer ci\u00eancia seria imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poythress que caminha na mesma dire\u00e7\u00e3o, escreveu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>O trabalho da ci\u00eancia depende do fato de existirem regularidades no mundo. Sem elas n\u00e3o haveria nada no final para ser estudado. Os cientistas dependem n\u00e3o s\u00f3 das regularidades com que j\u00e1 est\u00e3o acostumados, como do comportamento regular dos aparelhos de medi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m dependem do postulado da ocorr\u00eancia de outras regularidades a serem descobertas nas respectivas \u00e1reas de pesquisa. Os cientistas precisam manter a esperan\u00e7a de encontrar regularidades adicionais, ou desistiriam das explora\u00e7\u00f5es mais recentes.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo, inclusive o homem, \u00e9 o grande laborat\u00f3rio de todas as ci\u00eancias. Quem, no entanto, \u201cconstruiu\u201d este laborat\u00f3rio foi Deus. Ele mesmo vocaciona o homem ao privil\u00e9gio e responsabilidade de estud\u00e1-lo, bem como descobrir os \u201cenigmas\u201d que est\u00e3o por tr\u00e1s das leis que funcionam de acordo com as prescri\u00e7\u00f5es do seu Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pensemos, contudo, que Deus criou o mundo apenas para satisfazer a curiosidade humana. Deus o fez como testemunho da sua gl\u00f3ria: \u201cA grande finalidade da Cria\u00e7\u00e3o foi a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus\u201d, infere Pink (1886-1952).<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus ainda hoje n\u00e3o deixou de dar testemunho da sua exist\u00eancia e bondoso cuidado para com o homem (At 14.17).<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Deus est\u00e1 ativo, preservando a sua cria\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> para o fim proposto por Ele mesmo. \u201cDeus n\u00e3o \u00e9 mero espectador do universo que Ele criou. Ele est\u00e1 presente e ativo em todas as partes, como o fundamento que sustenta tudo e o poder que governa tudo o que existe\u201d, comenta Boettner (1901-1990).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> A B\u00edblia atesta este fato amplamente. (Vejam-se: Ne 9.6; At 17.28; Ef 4.6; Cl 1.17; Hb 1.3).<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Deus faz todas as coisas <em>\u201cconforme o conselho da sua vontade\u201d<\/em> (Ef 1.11\/Sl 115.3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem natural pode n\u00e3o saber disso, pode n\u00e3o aceitar e at\u00e9 combater tal <em>\u201cabsurdo\u201d,<\/em> entretanto, o que o homem pode fazer contra a verdade? (2Co 13.8). O que s\u00e3o os argumentos que tentam negar a exist\u00eancia de Deus, sen\u00e3o fruto de uma falsa interpreta\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o Geral de Deus?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o geral de Deus demonstra aspectos de seu poder, sabedoria e bondade. Desse modo, tornou poss\u00edvel ao homem conhecer algumas fagulhas do seu ser reveladas na natureza. Isso, n\u00e3o por descoberta natural, mas, porque Deus ativamente se deu a conhecer, deixando o seu \u201crastro\u201d; a sua \u201cassinatura\u201d em toda Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, \u00e9 poss\u00edvel falar em uma \u201cteologia natural\u201d, desde que consideremos que ela n\u00e3o \u00e9 resultado de elocubra\u00e7\u00f5es humanas; n\u00e3o parte de baixo, mas, de cima; \u00e9 transcendental: \u00c9 Deus quem se d\u00e1 a conhecer de forma compat\u00edvel com a nossa estrutura intelectual criada por Ele mesmo. \u00c9 Deus quem nos criou com um apelo \u00edntimo e irrevog\u00e1vel ao Eterno. A saudade do Eterno jaz em todo ser humano, ainda que na maioria das vezes n\u00e3o saibamos defini-lo. No princ\u00edpio \u00e9 sempre Deus.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquino (1225-1274) argumenta que a Cria\u00e7\u00e3o tem a \u201cdigital\u201d de Deus; a marca do grande artista em sua obra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Pela medita\u00e7\u00e3o sobre as obras [de Deus] podemos admirar de algum modo e considerar a sabedoria divina: as coisas realizadas pela arte s\u00e3o representativas da arte, porque s\u00e3o realizadas \u00e0 sua semelhan\u00e7a. Ora, Deus, pela sua sabedoria, deu o ser \u00e0s coisas, raz\u00e3o por que \u00e9 dito: Tudo fizestes com sabedoria (Sl 103.24). Da\u00ed podermos, pela considera\u00e7\u00e3o das obras, recolher a sabedoria divina, que est\u00e1 como que espelhada nas criaturas por certa comunica\u00e7\u00e3o da sua semelhan\u00e7a.(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Essa considera\u00e7\u00e3o faz-nos admirar a \u00faltima virtude de Deus e, consequentemente, produz nos cora\u00e7\u00f5es dos homens a rever\u00eancia para com Deus. Com efeito, conv\u00e9m que a capacidade do artista seja tida como superior \u00e0s coisas que ele faz. (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Dessa admira\u00e7\u00e3o prov\u00e9m o temor de Deus e a rever\u00eancia. (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Como a f\u00e9 crist\u00e3 esclarece o homem principalmente a respeito de Deus e, pela luz da revela\u00e7\u00e3o divina, o faz conhecedor das criaturas, realiza-se no homem uma certa semelhan\u00e7a da sabedoria divina,<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino (1509-1564), discorrendo sobre a revela\u00e7\u00e3o de Deus na natureza, diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Em toda a arquitetura de seu universo, Deus nos imprimiu uma clara evid\u00eancia de sua eterna sabedoria, munific\u00eancia e poder; e embora em sua pr\u00f3pria natureza nos seja ele invis\u00edvel, em certa medida se nos faz vis\u00edvel em suas obras. O mundo, portanto, \u00e9 com raz\u00e3o chamado o espelho da divindade, n\u00e3o porque haja nele suficiente clareza para que os homens alcancem perfeito conhecimento de Deus, s\u00f3 pela contempla\u00e7\u00e3o do mundo, mas, porque ele se faz conhecer aos incr\u00e9dulos de tal maneira que tira deles qualquer chance de justificarem sua ignor\u00e2ncia. (&#8230;) O mundo foi fundado com esse prop\u00f3sito, a saber: para que servisse de palco \u00e0 gl\u00f3ria divina.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Este mundo \u00e9 semelhante a um teatro onde o Senhor exibe diante de n\u00f3s um surpreendente espet\u00e1culo de sua gl\u00f3ria.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele entende que \u201co princ\u00edpio da religi\u00e3o\u201d que \u00e9 implantado nos homens \u00e9 uma das evid\u00eancias da sua \u201cpreeminente e celestial sabedoria\u201d.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro lugar, observando que \u201cno cora\u00e7\u00e3o de todos jaz gravado o senso da divindade\u201d,<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> argumenta que a tentativa humana de negar a Deus nada mais \u00e9 do que uma revela\u00e7\u00e3o do \u201csenso de divindade que, t\u00e3o ardentemente, desejariam extinto\u201d.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> Conclui que \u00e9 imposs\u00edvel haver verdadeiro ate\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem a a\u00e7\u00e3o primeira de Deus, n\u00e3o haveria ci\u00eancia. Gra\u00e7as a Deus porque Ele registrou de forma mui santa e s\u00e1bia as suas leis (f\u00edsicas, qu\u00edmicas, termodin\u00e2micas, etc.) \u201cno grande livro do mundo\u201d.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> \u00c9 preciso, contudo, que n\u00e3o nos detenhamos apenas a\u00ed, para que n\u00e3o fiquemos com a menor parte, pois, o que disse Pascal (1623-1662), apesar do exagero de \u00eanfase, tem o seu lugar: \u201cO Deus dos crist\u00e3os n\u00e3o consiste num Deus simplesmente autor de verdades geom\u00e9tricas e da ordem dos elementos; essa \u00e9 a por\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os e dos epicuristas\u201d.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de tudo o que foi colocado, surge de forma natural a pergunta: E o homem, pode entender esta revela\u00e7\u00e3o? Pode o homem, como int\u00e9rprete que \u00e9, reconhecer a mensagem un\u00edvoca do grande \u201clocutor\u201d,<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> que \u00e9 Deus?&#8230; Creio que a Ci\u00eancia nos seus avan\u00e7os e retrocessos \u2013 diferentemente da concep\u00e7\u00e3o de Comte (1798-1857) a respeito da ci\u00eancia<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> \u2013 com conex\u00f5es aqui e ali,<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> tem respondido a estas quest\u00f5es. Passemos, agora, \u00e0 resposta formal destas indaga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>C. A Compatibilidade da revela\u00e7\u00e3o com a raz\u00e3o humana<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo-se do princ\u00edpio de que a revela\u00e7\u00e3o de Deus tem por objetivo mostrar o seu Autor: Deus \u00e9 o substantivo da sua revela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o teria nenhum valor a revela\u00e7\u00e3o objetiva de Deus, se n\u00e3o houvesse, concomitantemente, uma potencialidade de recep\u00e7\u00e3o subjetiva para ela. Isso, porque, seria uma revela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se descobriria, n\u00e3o se tornaria acess\u00edvel. Seria o equivalente a um int\u00e9rprete verter para o ingl\u00eas as palavras de um orador alem\u00e3o para um audit\u00f3rio que s\u00f3 entende o portugu\u00eas. Perguntar\u00edamos: o int\u00e9rprete traduziu o que o orador disse? Responderia o interlocutor: sim. Voltar\u00edamos \u00e0 quest\u00e3o: ent\u00e3o ele revelou o conte\u00fado da mensagem?! A resposta seria \u00f3bvia: n\u00e3o. Ele traduziu, mas ningu\u00e9m o entendeu, pois o seu idioma n\u00e3o \u00e9 o nosso nem temos condi\u00e7\u00f5es de aprend\u00ea-lo agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme j\u00e1 indicamos, Deus se revela sabendo que h\u00e1 a possibilidade de ser entendido. Ele mesmo criou o homem e o dotou dessa capacidade. Entretanto, a n\u00e3o compreens\u00e3o do homem n\u00e3o inutiliza o valor da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Ela \u00e9 o que \u00e9 independentemente da apreens\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pecado corrompeu o intelecto, a vontade e a faculdade moral do ser humano. Ele est\u00e1 morto espiritualmente, sendo escravo do pecado (Gn 6.5; 8.21; Jo 8.34,43-44; Rm 3.23; 6.6,23; Ef 2.1; Cl 1.13; 2.13). A deprava\u00e7\u00e3o total \u00e9 justamente isto: a contamina\u00e7\u00e3o de todas as nossas faculdades pelo pecado. O homem \u00e9 extensivamente mau. Todo o seu ser est\u00e1 contaminado pelo pecado. Como decorr\u00eancia disso, o homem tornou-se positivamente mau (Gn 6.5; 8.21; Mt 7.11). Ainda assim, o pecado n\u00e3o destruiu a possibilidade da percep\u00e7\u00e3o. (\u00c0 frente detalharemos esse assunto)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o, como uma faceta da cria\u00e7\u00e3o divina, \u00e9 o instrumento de que dispomos, pela gra\u00e7a de Deus, para perceber a sabedoria divina no mundo que nos rodeia. \u00c9, portanto, o <em>principium cognoscendi<\/em> <em>internum<\/em> da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conhecimento humano consiste sempre em uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre sujeito e objeto, visto que o sujeito s\u00f3 \u00e9 sujeito para o objeto e, por sua vez, o objeto s\u00f3 o \u00e9 para um sujeito, assim, a revela\u00e7\u00e3o objetiva reclama algu\u00e9m e, este algu\u00e9m (objeto) s\u00f3 o \u00e9, enquanto recebe de forma adequada a revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que o conhecimento tamb\u00e9m se d\u00e1 pela experi\u00eancia, contudo cremos que o esp\u00edrito humano traz consigo certas categorias que lhe s\u00e3o inerentes as quais n\u00e3o podem ser apreendidas pela experi\u00eancia. A experi\u00eancia pode ser a fonte de quase todo o conhecimento, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente do conhecimento todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo este t\u00f3pico, reafirmamos que: Deus criou o homem \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a (Gn 1.27), dotando-o de capacidade para receber e interpretar as impress\u00f5es da sua revela\u00e7\u00e3o que s\u00e3o demonstradas por meio do universo, da sua Cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1; At 14.17). Toda a Cria\u00e7\u00e3o de Deus foi realizada de forma s\u00e1bia e soberana (Sl 115.3; Pv 3.19: Ef 1.11).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Veja-se: C.H. Spurgeon, <em>Serm\u00f5es Sobre a Salva\u00e7\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1992, p. 72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Cf. Abraham Kuyper, <em>Sabedoria &amp; Prod\u00edgios: Gra\u00e7a comum na ci\u00eancia e na arte, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2018, p. 75.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> H.H. Meeter, <em>La Iglesia y Estado,<\/em> 3. ed. Grand Rapids, Michigan: TELL., [s.d.], p. 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>H.H. Meeter, <em>La Iglesia y Estado,<\/em> 3. ed. Grand Rapids, Michigan: TELL., [s.d.], p. 26. Calvino comentou: \u201cPor esta causa, alguns dos fil\u00f3sofos antigos chamaram, n\u00e3o sem raz\u00e3o, ao homem, microcosmos, que quer dizer mundo em miniatura; porque ele \u00e9 uma rara e admir\u00e1vel amostra do grande poder, bondade e sabedoria de Deus, e cont\u00e9m em si milagres suficientes para ocupar nosso entendimento se n\u00e3o desdenharmos consider\u00e1-los\u201d (J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.5.3). Comentando G\u00eanesis 5.1, Calvino diz que Mois\u00e9s repetiu o que ele havia dito antes, porque \u201ca excel\u00eancia e dignidade deste favor n\u00e3o podiam ser suficientemente celebradas. J\u00e1 era uma grande coisa que se desse ao homem um lugar primordial entre as criaturas; mas \u00e9 uma nobreza muito mais exaltada que ele portasse semelhan\u00e7a com seu Criador, como um filho com seu pai\u201d (John Calvin, <em>Commentaries on the First Book of Moses Called Genesis,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1996 (Reprinted), v. 1, p. 227. (Veja-se tamb\u00e9m:\u00a0 J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> II.1.1). Veja-se: Stuart Olyott, <em>Jonas &#8211; O mission\u00e1rio bem-sucedido que fracassou<\/em>, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2012,\u00a0 p. 75.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cPorquanto o que de Deus se pode conhecer \u00e9 manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invis\u00edveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princ\u00edpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens s\u00e3o, por isso, indesculp\u00e1veis\u201d (Rm 1.19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Veja-se: J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.5.2 e 4.; J. Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 1.19-20), p. 64-66; Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 160.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 299.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Herman Bavinck, <em>The Philosophy of Revelation,<\/em> New York: Longmans, Green, and Company, 1909, p. 83.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Vern S. Poythress, <em>Redimindo a ci\u00eancia: uma abordagem teoc\u00eantrica,<\/em> Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 22. Veja-se tamb\u00e9m: Eric C. Bust, Ci\u00eancia e \u00c9tica: In: Carl Henry, org. <em>Dicion\u00e1rio de \u00c9tica Crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 106-108.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> A.W. Pink, <em>Deus \u00e9 Soberano,<\/em> S\u00e3o Paulo: Fiel, 1977, p. 84.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> &#8220;A finalidade de conhecer a Deus atrav\u00e9s de sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0 voca\u00e7\u00e3o do homem na terra&#8221;. (Hendrik van Riessen, <em>Enfoque Cristiano de la Ciencia,<\/em> 2. ed. Pa\u00edses Bajos: FELIRE, 1990, p. 64).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Para o conceito de \u201cpreserva\u00e7\u00e3o\u201d, veja-se: entre outros, A.H. Strong, <em>Systematic Theology,<\/em> Valley Forge, PA.: The Judson Press, 1993, p. 419; Charles Hodge, <em>Systematic Theology,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Wm. Eerdmans Publishing Co. 1986, v. 1, p. 575.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>L. Boettner, <em>La Predestinaci\u00f3n,<\/em> Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 33. O Deus em Quem cremos \u00e9 totalmente oposto \u00e0quele pintado nos versos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), em sua <em>Romaria<\/em>, que termina assim: \u201cOs romeiros pedem com os olhos,\/ pedem com a boca, pedem com as m\u00e3os.\/ Jesus j\u00e1 cansado de tanto pedido\/ dorme sonhando com outra humanidade\u201d (Carlos D. de Andrade, <em>Antologia Po\u00e9tica,<\/em> 18. ed. Rio de Janeiro: Livraria Jos\u00e9 Olympio Editora, 1983, p. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Veja-se: Confiss\u00e3o de Westminster, Cap. V.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Veja-se uma iluminadora exposi\u00e7\u00e3o sobre a possibilidade de uma \u201cteologia natural\u201d em: Alister McGrath,<em> A Ci\u00eancia de Deus: Uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia cient\u00edfica, <\/em>Vi\u00e7osa, MG.: Ultimato, 2016, p. 85-103.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Tom\u00e1s de Aquino, <em>Suma Contra os Gentios,<\/em> Caxias do Sul, RS.; Porto Alegre: Escola Superior de Teologia S\u00e3o Louren\u00e7o de Brindes; Universidade de Caxias do Sul; Livraria Sulina Editora, 1990, v. 1, II.2.1-2,4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> (Hb 11.3), p. 300-301. \u00a0Vejam-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> v. 1, (Sl 8.1), p. 356; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 5.3), p. 202;\u00a0 v. 2, (Jo 13.31),\u00a0 p. 78; Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 1.21), p. 62.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 1.21), p. 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.5), p. 167.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.3.1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.3.3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Express\u00e3o de Descartes (1596-1650), (Veja-se: R. Descartes, <em>Discurso do M\u00e9todo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores, v. 16), I, p. 41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> B. Pascal, <em>Pensamentos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores, v. 16), VIII. 556, p. 178.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> P. Ricouer, <em>Interpreta\u00e7\u00e3o e Ideologias,<\/em> 2. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983, p. 19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Augusto Comte (1798-1857), considerado o <em>Pai da Sociologia <\/em>e do <em>Positivismo<\/em>, acreditava ter descoberto uma lei fundamental que regia a intelig\u00eancia humana bem como toda a hist\u00f3ria. Ele assim descreve:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstudando, assim, o desenvolvimento total da intelig\u00eancia humana em suas diversas esferas de atividade, desde seu primeiro voo mais simples at\u00e9 nossos dias, creio ter descoberto uma grande lei fundamental, a que se sujeita por uma necessidade invari\u00e1vel, e que me parece poder ser solidamente estabelecida, quer na base de provas racionais fornecidas pelo conhecimento de nossa organiza\u00e7\u00e3o, quer na base de verifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas resultantes dum exame atento do passado\u201d (Augusto Comte, <em>Curso de Filosofia Positivista,<\/em> S\u00e3o Paulo: Abril Cultura, (Os Pensadores, v. 33), 1973, I.11. p. 9-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, Comte exp\u00f5e a lei descoberta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa lei consiste em que cada uma de nossas concep\u00e7\u00f5es principais, cada ramo de nossos conhecimentos, passa sucessivamente por tr\u00eas estados hist\u00f3ricos diferentes: estado teol\u00f3gico ou fict\u00edcio, estado metaf\u00edsico ou abstrato, estado cient\u00edfico ou positivo\u201d (Augusto Comte, <em>Curso de Filosofia Positivista,<\/em> I.11. p. 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Cf. H. Bavinck, <em>The Philosophy of Revelation,<\/em> New York: Longmans, Green, and Company, 1909, p. 84.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. 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