{"id":68202,"date":"2024-06-05T08:00:09","date_gmt":"2024-06-05T11:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=68202"},"modified":"2024-12-06T16:05:19","modified_gmt":"2024-12-06T19:05:19","slug":"o-espirito-e-a-escritura-capitulo-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/06\/o-espirito-e-a-escritura-capitulo-9\/","title":{"rendered":"O Esp\u00edrito, a Reforma, a autoridade e a interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Cap\u00edtulo 9 da s\u00e9rie O Esp\u00edrito e a Escritura | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-espirito-e-a-escritura%2F&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nota do Editor:<\/strong> Este artigo \u00e9 um recurso selecionado para a <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/semana-da-inerrancia-biblica\/\">Semana da Inerr\u00e2ncia B\u00edblica do Minist\u00e9rio Fiel e Voltemos ao Evangelho<\/a>, uma semana onde estivemos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerr\u00e2ncia, sufici\u00eancia e autoridade da B\u00edblia, que \u00e9 a Palavra de Deus. Pedimos ao nosso colunista mais ass\u00edduo do blog, o <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/autor\/hermisten-maia\/\">Reverendo Hermisten Maia<\/a>, para escrever sobre o assunto; ele ent\u00e3o nos presenteou com mais uma de suas s\u00e9ries, trazendo profundidade ao tema! Desfrute e compartilhe destes conte\u00fados e tenha sua f\u00e9 na inerrante Palavra de Deus fortalecida!<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; n\u00e3o fiz nada. E ent\u00e3o, enquanto eu dormia, ou bebia (&#8230;) a Palavra enfraqueceu t\u00e3o intensamente o papado que nenhum pr\u00edncipe ou imperador jamais fez estrago assim. N\u00e3o fiz nada. A Palavra fez tudo. \u2212 Martinho Lutero em 1522.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Declaramos que pretendemos seguir somente a Escritura como regra de f\u00e9 e religi\u00e3o, sem misturar com ela qualquer outra coisa que tenha sido inventada pela opini\u00e3o dos homens \u00e0 parte da Palavra de Deus, nem queremos aceitar para nosso governo espiritual nenhuma outra doutrina al\u00e9m do que nos \u00e9 transmitido por essa mesma Palavra sem adi\u00e7\u00e3o nem diminui\u00e7\u00e3o, de acordo com a ordem de nosso Senhor \u2013 Confiss\u00e3o de Genebra (1536).<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/em><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Humanismo e Reforma<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 amplamente sabido, a Reforma surgiu num contexto humanista e renascentista, tendo inclusive alguns pontos em comum;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> como exemplo disto, citamos o fato de que a \u00eanfase humanista no retorno \u00e0s fontes prim\u00e1rias estimulou os humanistas crist\u00e3os a se despertarem para o estudo dos originais da B\u00edblia,<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> o que ocasionou a verifica\u00e7\u00e3o de uma evid\u00eancia cada vez mais forte: as diferen\u00e7as existentes entre os princ\u00edpios do Novo Testamento e a teologia e pr\u00e1tica da igreja romana.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma p\u00f4de se valer das tradu\u00e7\u00f5es e edi\u00e7\u00f5es de obras, inclusive crist\u00e3s, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas ou de pequen\u00edssima circula\u00e7\u00e3o, feitas pelos humanistas.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> A pr\u00f3pria edi\u00e7\u00e3o do Novo Testamento Grego feita por Erasmo (1516)<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> se constitui numa grande evid\u00eancia do que estamos dizendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo as diferen\u00e7as s\u00e3o mais profundas do que as semelhan\u00e7as.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0 \u00c9 importante enfatizar que a Reforma tamb\u00e9m n\u00e3o foi sint\u00e9tica em termos de valores crist\u00e3os e pag\u00e3os, o que se tornara comum em algumas Academias, especialmente em Floren\u00e7a.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lutero (1483-1546), e mais tarde todos os reformadores, n\u00e3o se deixaram limitar por uma vis\u00e3o puramente humanista, antes, pelo contr\u00e1rio, Lutero (1483-1546), Zu\u00ednglio (1484-1531)<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> e Calvino (1509-1564), apesar das diverg\u00eancias de compreens\u00e3o,<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> de \u00eanfase e de estilo,<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> concordavam plenamente quanto \u00e0 centralidade da Palavra de Deus, na Escritura como sendo a fonte, para se pensar acerca de Deus.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAinda que a Reforma e a Renascen\u00e7a tivessem coincidido na Hist\u00f3ria e tamb\u00e9m tratado dos mesmos problemas b\u00e1sicos, as suas respostas foram completamente diferentes\u201d, interpreta Schaeffer (1912-1984).<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Enquanto os humanistas partiam de uma perspectiva secular, o protestantismo tinha uma perspectiva e car\u00e1ter religiosos.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Os reformadores v\u00e3o enfatizar o estudo da Palavra, visto que este fora ofuscado pela preocupa\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica: a raz\u00e3o havia tomado o lugar da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Reforma, o ponto de partida n\u00e3o \u00e9 o homem. Ele n\u00e3o \u00e9 considerado \u201ca medida de todas as coisas\u201d; antes, a sua dignidade consiste em ter sido criado \u00e0 imagem de Deus.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> Portanto, a dissocia\u00e7\u00e3o entre a Renascen\u00e7a e a Reforma teria de ser como foi: inevit\u00e1vel.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma foi um fen\u00f4meno <em>originariamente<\/em> religioso<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> e teol\u00f3gico<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> de profundas implica\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria e na sociedade, fundamentado no problema da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o da Reforma como um movimento originariamente religioso n\u00e3o implica na compreens\u00e3o de que ela esteve restrita a apenas esta esfera da realidade; pelo contr\u00e1rio, entendemos que a Reforma foi um movimento de grande alcance cultural,<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> institucional, social e pol\u00edtico na hist\u00f3ria da Europa<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> e, posteriormente em todo o Ocidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amplitude da influ\u00eancia da Reforma em diversos setores da vida estava impl\u00edcita em sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o: Era imposs\u00edvel algu\u00e9m abra\u00e7ar <em>sinceramente<\/em> a Reforma apenas no campo da religi\u00e3o e continuar em tudo o mais a ser um homem de uma \u00e9tica medieval, com a sua perspectiva da realidade e pr\u00e1tica intoc\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma em sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o era extremamente revolucion\u00e1ria: \u201cA Reforma ocupou, e deve continuar a ocupar, um leg\u00edtimo e significativo lugar na hist\u00f3ria das <em>ideias<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Reconhecendo o aspecto religioso como for\u00e7a motriz da Reforma e de sua influ\u00eancia, continua McGrath: \u201cA relev\u00e2ncia hist\u00f3rica da Reforma n\u00e3o \u00e9 apenas insepar\u00e1vel das vis\u00f5es religiosas dos principais reformadores, mas tamb\u00e9m, em grande parte, consequ\u00eancia das mesmas\u201d.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deixa de ser significativo o testemunho de dois estudiosos cat\u00f3licos, Abbagnano (1901-1990) e Visalberghi (1919-2007), quando afirmam que a contribui\u00e7\u00e3o fundamental \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da mentalidade moderna foi a reforma religiosa de Lutero e Calvino\u201d.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sola Scriptura<\/strong><\/h4>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em><strong>Rainha Maria<\/strong>: Interpretamos a Escritura de um modo, e eles a interpretam de outro. Em quem devo acreditar? E quem julgar\u00e1?<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em><strong>John Knox<\/strong>: Devemos crer em Deus que falou claramente em sua Palavra; e, al\u00e9m do que a Palavra ensina, n\u00e3o devemos crer nem em um nem no outro. A Palavra de Deus \u00e9 clara em si mesma e, se surgir alguma obscuridade em algum lugar, o Esp\u00edrito Santo, que nunca \u00e9 contr\u00e1rio a si mesmo, a explica mais claramente em outros lugares; de modo que n\u00e3o pode restar d\u00favida, mas alguns obstinadamente permanecem ignorantes. \u2013 Conversa entre John Knox e a Rainha Maria da Esc\u00f3cia em 1561.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornando ao nosso ponto, observamos que a quest\u00e3o da autoridade e inerr\u00e2ncia b\u00edblica n\u00e3o era assunto de debate entre os principais reformadores, j\u00e1 que eles criam como os diversos Pais da Igreja haviam escrito,<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> e tamb\u00e9m, esse era ponto pac\u00edfico na cristandade.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> O que por certo, foi enfatizado pela Reforma, foi a sufici\u00eancia das Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso explica o <em>Sola Scriptura,<\/em> tendo a b\u00edblia como a \u00fanica autoridade infal\u00edvel para dirigir a igreja em todas as \u00e1reas e em todos os tempos.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> Enquanto os demais documentos da cristandade t\u00eam um valor relativo, somente a Palavra \u00e9 absoluta para a igreja.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Sola Scriptura <\/em>foi considerado pelos reformadores como o <em>princ\u00edpio formal <\/em>que d\u00e1 subst\u00e2ncia a tudo o mais. Portanto, a tradi\u00e7\u00e3o nunca foi rejeitada pelo simples fato de ser tradi\u00e7\u00e3o. Na pr\u00f3pria Escritura encontramos \u00eanfase e cr\u00edtica \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o (2Ts 2.15).<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> A quest\u00e3o b\u00e1sica \u00e9: a que tradi\u00e7\u00e3o estamos nos referindo?<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sproul (1939-2017) pontua bem a posi\u00e7\u00e3o da Reforma: \u201cLutero e os reformadores n\u00e3o queriam dizer por Sola Scriptura que a B\u00edblia \u00e9 a \u00fanica autoridade da igreja. Pelo contr\u00e1rio, queriam dizer que a B\u00edblia \u00e9 a \u00fanica autoridade <em>infal\u00edvel<\/em> dentro da Igreja\u201d.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muller est\u00e1 certo ao declarar:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>\u00c9 inteiramente anacr\u00f4nico ver o sola Scriptura de Lutero e seus contempor\u00e2neos como uma declara\u00e7\u00e3o de que toda a teologia deva ser constru\u00edda a partir do nada, sem refer\u00eancia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o interpretativa da Igreja, unicamente pela confronta\u00e7\u00e3o isolada do exegeta ao texto puro.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a compreens\u00e3o equivocada do <em>Sola Scriptura <\/em>como uma declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 expl\u00edcita ou impl\u00edcita de que n\u00e3o precisamos estudar, al\u00e9m das Escrituras, a tradi\u00e7\u00e3o e as diversas contribui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e teol\u00f3gicas surgidas na hist\u00f3ria, seria uma nega\u00e7\u00e3o eloquente do princ\u00edpio da Reforma. Certamente quem alega com j\u00fabilo s\u00f3 conhecer as Escrituras,<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a> ignora o esp\u00edrito da Reforma<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a> e, na realidade, n\u00e3o conhece as Escrituras e, de fato, n\u00e3o entendeu o seu prop\u00f3sito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma, por sua pr\u00f3pria \u00eanfase na autoridade, sufici\u00eancia e efic\u00e1cia das Escrituras, gerou grandes exegetas e, como n\u00e3o poderia deixar de ser, estimulou a exegese b\u00edblica com vistas \u00e0 melhor compreens\u00e3o do texto, no intuito de compreender o objetivo n\u00e3o simplesmente do autor humano, mas, do autor divino no registro e preserva\u00e7\u00e3o do texto para a igreja. Aqui temos, sem d\u00favida, como n\u00e3o poderia deixar de ser, aspectos de continuidade e descontinuidade na exegese b\u00edblica.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convic\u00e7\u00e3o da autoridade suficiente das Escrituras que se materializava em suas tradu\u00e7\u00f5es para as diversas l\u00ednguas, a prega\u00e7\u00e3o e em seus estudos cada vez mais aprofundados, trouxe frutos magn\u00edficos para a igreja e a sociedade em geral. O resultado de sua exegese est\u00e1 dilu\u00eddo de modo prof\u00edcuo nos coment\u00e1rios, comp\u00eandios, cartas, serm\u00f5es e tratados dos mais diversos dos Reformadores das primeiras gera\u00e7\u00f5es.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Valor e limite da Tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma revoltou-se quanto \u00e0 suposta autoridade da tradi\u00e7\u00e3o independente da Escritura e pretensamente nivelada com ela. Por outro lado, a Reforma n\u00e3o criou a partir de um v\u00e1cuo, antes, valeu-se da tradi\u00e7\u00e3o, das contribui\u00e7\u00f5es de diversos servos de Deus ao longo da hist\u00f3ria. \u201cOs reformadores restauraram a B\u00edblia como tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 autorit\u00e1ria\u201d, conceitua Stanger (1914-1986).<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empregando uma figura em forma de epigrama atribu\u00edda por Jo\u00e3o de Salisbury (c. 1110-1180)<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a> a Bernardo de Chartres (1070-1130),<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a> podemos dizer que os Reformadores equivalem a um an\u00e3o sobre os ombros de gigantes, se valendo das contribui\u00e7\u00f5es de seus predecessores, a fim de poder enxergar um pouco al\u00e9m deles e, obviamente, com um referencial, que por vezes, diferia ou ia al\u00e9m, da sufici\u00eancia das Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a autoridade dos Credos (Apost\u00f3lico, Nic\u00e9ia, Calced\u00f4nia) era indiscutivelmente considerada pelos reformadores \u2013 tendo inclusive Lutero (O <em>Catecismo Maior<\/em> (1529) e O <em>Catecismo Menor<\/em> (1529)) e Calvino (<em>Catecismo de Genebra<\/em> (1536\/37 e 1541\/2) e <em>Confiss\u00e3o Gaulesa <\/em>(1559)) elaborado Catecismos para a Igreja \u2013; contudo, somente as Escrituras s\u00e3o incondicionalmente autoritativas.<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>Apud <\/em>\u00a0T. George, <em>A Teologia dos Reformadores<\/em>, S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1993, p. 55.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> The Geneva Confession of 1536, Art. 1: In: Arthur C. Cochrane, ed., <em>Reformed Confessions of the Sixteenth Century, <\/em>\u00a0Louisville, Westminster John Knox Press, 2003, p. 120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Cf. E. Sichel,<em> O Renascimento, <\/em>3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1977, p. 17; N. Abbagnano; A. Visalberghi, <em>Historia de la Pedagog\u00eda, <\/em>p. 253. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que, sem os humanistas, os reformadores n\u00e3o tivessem conseguido abalar o poderoso edif\u00edcio da ordem medieval e suscitar sentimentos de consterna\u00e7\u00e3o humana e de busca ardente da gra\u00e7a (&#8230;) pode-se afirmar que os per\u00edodos de crise s\u00e3o mais prop\u00edcios para a teologia do que os tempos de riqueza espiritual e moral\u201d (Jacques de Senarclens, <em>Herdeiros da Reforma,<\/em> p. 103). Nunca \u00e9 demais lembrar, que apesar da import\u00e2ncia do Humanismo para a Reforma, esta seguiu um rumo diferente daquele, tendo obviamente pontos discordantes e objetivos diferentes (Vejam-se: Alister E. McGrath, <em>Reformation Thought: An Introduction,<\/em> 2. ed. Massachusetts: Blackwell Publishers, 1993, p. 62-65; Alister McGrath, <em>Origens Intelectuais da Reforma, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 43ss.; Roland H. Bainton, <em>The Reformation of the Sixteenth Century, <\/em>p. 3; F.A. Schaeffer, <em>La Fe de los humanistas,<\/em> p. 10; Andr\u00e9 Bi\u00e9ler, <em>A For\u00e7a Oculta dos Protestantes,<\/em> p. 44-45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u201cO humanismo renascentista redescobriu e reafirmou os gregos, a Reforma redescobriu e reafirmou a B\u00edblia. Tanto o classicismo como o biblicismo renasceram de forma purificada\u201d (Gene Edward Veith, Jr., <em>Tempos P\u00f3s-Modernos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1999, p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Veja-se: Earle E. Cairns, O Cristianismo Por meio dos s\u00e9culos: Uma Hist\u00f3ria da Igreja Crist\u00e3, p. 223.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Ver: Paul Kristeller, <em>Tradi\u00e7\u00e3o Cl\u00e1ssica e Pensamento do Renascimento, <\/em>Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, (1995), p. 85-86.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Novum Instrumentum omne<\/em>, Basil\u00e9ia, Froben, 1516. A palavra <em>Instrumentum<\/em> mais do que um simples sin\u00f4nimo de Testamentum, significa aqui \u201cPacto\u201d. (Cf. T.H.L. Parker, <em>Calvin\u00b4s New Testament Commentaries<\/em>, 2. ed. Louisville, Kentucky: Westminster; John Knox Press, 1993 p. 123). Esta\u00a0 primeira edi\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a ser impressa em 11\/9\/1515 foi conclu\u00edda em 01\/3\/1516, sendo dedicada ao Papa Le\u00e3o X, grande patrocinador das artes, com quem se encontrara em Roma em 1509, ainda como Giovanni de Medici (1475-1521). Ele s\u00f3 se tornaria Papa em 1513.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Froben, no entanto, editara a obra sem maiores preparativos, ocasionando uma s\u00e9rie de erros nessa edi\u00e7\u00e3o, gerando, por isso, grandes constrangimentos a Erasmo. (Veja-se: Timothy George, <em>Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p. 69-74).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um aspecto muito positivo foi que Erasmo de Roterd\u00e3 (1466-1536) demonstrou a sua preocupa\u00e7\u00e3o em tornar a Palavra de Deus acess\u00edvel ao povo. No pref\u00e1cio da sua edi\u00e7\u00e3o do Novo Testamento Grego (1516) e em outros lugares, escreveu: &#8220;Eu discordo veementemente daqueles que n\u00e3o permitem a particulares a leitura das Sagradas Escrituras, nem as permitem ser traduzidas em l\u00edngua vulgar (&#8230;). Quero que todas as mulheres, mesmo meninas, leiam os Evangelhos e as ep\u00edstolas de Paulo. Provera a Deus que a B\u00edblia fosse traduzida em todas as l\u00ednguas de todos os povos, para que pudesse ser lida e conhecida, n\u00e3o s\u00f3 pelos escoceses e pelos irlandeses, mas tamb\u00e9m pelos turcos e pelos sarracenos. Por\u00e9m o primeiro passo necess\u00e1rio \u00e9 faz\u00ea-los intelig\u00edveis ao leitor. Eu almejo o dia quando o lavrador recite para si mesmo por\u00e7\u00f5es das Escrituras enquanto vai acompanhando o arado, quando o tecel\u00e3o as balbucie ao ritmo da sua lan\u00e7adeira e o viajante repare o cansa\u00e7o da sua viagem com as narrativas b\u00edblicas; e que todas as conversas sejam sobre temas da B\u00edblia! Com efeito, n\u00f3s somos aquilo que forem as nossas conversas quotidianas&#8230;.\u201d. Sobre as crian\u00e7as: \u201cQue a primeira palavra que se aprenda a balbuciar seja Cristo; e que, com os Seus Evangelhos, se forme a primeira inf\u00e2ncia: desejaria que estas coisas lhe fossem ensinadas entre as primeiras, para que fossem amadas pelas crian\u00e7as. Dediquem-se, depois, as crian\u00e7as aos estudos b\u00edblicos, at\u00e9 que, com t\u00e1citos progressos, se transformem em homens robustos em Cristo. Feliz aquele que a morte encontra com a B\u00edblia na m\u00e3o!\u201d (<em>Apud<\/em> Jo\u00e3o Am\u00f3s Com\u00e9nio, <em>Did\u00e1ctica Magna<\/em>, 3. ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, (1985), XXIV. 20. p. 361-362).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tradu\u00e7\u00e3o de Lutero do Novo Testamento (1522) foi baseada na 2. edi\u00e7\u00e3o do Texto Grego de Erasmo (1466-1536), publicado em 1519 (Agora com o t\u00edtulo: <em>Novum Testamentum omne, <\/em>Basil\u00e9ia: Froben, 1519), que j\u00e1 havia corrigido muit\u00edssimos erros, ainda que n\u00e3o todos, da primeira edi\u00e7\u00e3o. (Cf. Timothy George, <em>Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p. 69-70).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Erasmo \u00e9 chamado por Westcott (1825-1901) de \u201co dirigente verdadeiro das escolas liter\u00e1rias e cr\u00edticas da Reforma\u201d (B.F. Westcott, <em>El Canon de la Sagrada Escritura<\/em>, Barcelona: CLIE., [s.d.], p. 293). O te\u00f3logo liberal alem\u00e3o Johann S. Semler (1725-1791) considerou Erasmo \u201co verdadeiro fundador da teologia protestante\u201d (Cf. E. Cassirer, <em>A Filosofia do Iluminismo<\/em>, Campinas, SP.: Editora da UNICAMP., 1992, p. 198). O historiador Gibbon (1737-1794) tamb\u00e9m o designou de \u201cpai da teologia racional\u201d (Edward Gibbon, \u201cDecline and Fall of the Roman Empire,\u201d <em>The Master Christian Library<\/em>, Volume 5 (CD-ROM), (Albany, OR: Ages Sofware, 1998), p. 610). O fato \u00e9 que com a publica\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o grega do Novo Testamento, a autoridade de Erasmo cresceu em todos os grandes centros; como sintoma disso encontramos a sua correspond\u00eancia pessoal passando por um aumento consider\u00e1vel atingindo diversos pa\u00edses. (Vejam-se: Johan Huizinga, <em>Erasmus and the Age Reformation<\/em>, New York and Evanston: Harper &amp; Row, Publishers, 1957, p. 91; H.R. Trevor-Roper, <em>Religi\u00e3o, Reforma e Transforma\u00e7\u00e3o Social<\/em>, Lisboa: Editorial Presen\u00e7a\/Martins Fontes, (1981), p. 153). Quanto a uma s\u00edntese das cr\u00edticas de Erasmo \u00e0 igreja romana e o seu desejo de purific\u00e1-la, ver: Sergio Paulo Rouanet, <em>As Raz\u00f5es do Iluminismo<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 283-284.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. Ernst Cassirer, <em>A Filosofia do Iluminismo,<\/em> Campinas, SP.: Editora da UNICAMP., 1992, p. 195. \u201cA Reforma Protestante n\u00e3o apenas buscou purificar a igreja e livr\u00e1-la dos erros doutrin\u00e1rios, como tamb\u00e9m buscou a restaura\u00e7\u00e3o da integralidade da vida. Isso acarretou a liberta\u00e7\u00e3o da vida natural do homem e das v\u00e1rias esferas na sociedade do senhorio excessivo da igreja. Enquanto o Humanismo foi uma tentativa de proclamar a liberdade do homem em rela\u00e7\u00e3o a Deus e a toda autoridade, refor\u00e7ando a autonomia contra a heteronomia, os reformadores se uniram em sua paix\u00e3o pela liberdade do homem crist\u00e3o, o que significava a subservi\u00eancia \u00e0 Palavra do Senhor\u201d (Henry R. Van Til, <em>O conceito calvinista de cultura, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Comentando a respeito da Academia Plat\u00f4nica de Floren\u00e7a, Hirschberger (1900-1990) diz: &#8220;O que nela se pretendia era uma s\u00edntese da Filosofia grega e do Cristianismo. Mas uma s\u00edntese na qual uma concep\u00e7\u00e3o otimista e \u00e9bria da beleza diria &#8216;sim&#8217; ao mundo, e de modo mais desenvolto do que podia ous\u00e1-lo o Cristianismo, mais previdente, com a sua ci\u00eancia da natureza humana enfraquecida pelas paix\u00f5es e necessitada da gra\u00e7a. J\u00e1 havia uma s\u00edntese no platonismo dos Padres: era o platonismo penetrado de Cristianismo. Na s\u00edntese da Renascen\u00e7a h\u00e1 penetra\u00e7\u00e3o do paganismo. Nem sempre deliberada e consciente, mas este se fazia presente, e os advers\u00e1rios dos homens de Floren\u00e7a sempre lho lan\u00e7avam em rosto\u201d (Johannes Hirschberger, <em>Hist\u00f3ria da Filosofia Moderna, Hist\u00f3ria da Filosofia Moderna, <\/em>2. ed. cor. e aum. S\u00e3o Paulo: Herder, 1967, p. 27-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Zu\u00ednglio que era um admirador dos cl\u00e1ssicos, na juventude, seguiu as ideias de Erasmo \u2013 quem conhecera em 1516 \u2013; posteriormente, 1519-1520, abandonou as suas concep\u00e7\u00f5es, descrendo parcialmente do programa humanista e da vis\u00e3o pelagiana de Erasmo; passou a sustentar a total deprava\u00e7\u00e3o do homem e que este s\u00f3 teria salva\u00e7\u00e3o se fosse transformado por Cristo. (Cf. Bengt H\u00e4gglund, <em>Hist\u00f3ria da Teologia, <\/em>Porto Alegre, RS.: Casa Publicadora Conc\u00f3rdia, 1973, p. 219; Roger Olson, <em>Hist\u00f3ria da Teologia Crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2001, p. 409). George falando sobre o jovem Zu\u00ednglio, assim o descreve: \u201cO desenvolvimento inicial de Zu\u00ednglio foi moldado por dois fatores que continuaram a influenciar seu pensamento por toda a sua carreira: o patriotismo su\u00ed\u00e7o e o humanismo erasmiano\u201d (Timothy George, <em>Teologia dos reformadores,<\/em> p. 111). H\u00e4gglund\u00a0 (1920-2015) observa que \u201cApesar de sua perspectiva reformada, Zu\u00ednglio nunca abandonou seu ponto de vista humanista\u201d (B. H\u00e4gglund, <em>Hist\u00f3ria da Teologia, <\/em>p. 220). (Veja-se: Alister McGrath, <em>Origens Intelectuais da Reforma, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 155-158, 176).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ver: Mark A. Noll, <em>Momentos Decisivos na Hist\u00f3ria do Cristianismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2000, p. 198ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Lucas (1889-1961) apresenta a seguinte distin\u00e7\u00e3o entre alguns reformadores: \u201cO sistema teol\u00f3gico de Calvino foi o mais elaborado e cient\u00edfico corpo de dogma produzido no campo Protestante. Lutero foi um poderoso revolucion\u00e1rio com uma profunda intuitiva sensibilidade religiosa que, no entanto, nunca conseguiu reduzir a um sistema. Melanchthon foi um disc\u00edpulo e nunca o proclamador pioneiro de uma teologia. Zu\u00ednglio foi o produto de diversas influ\u00eancias e atuou somente sob o impulso de eventos espec\u00edficos; ele n\u00e3o foi um te\u00f3logo sistem\u00e1tico\u201d (Henry S. Lucas, <em>The Renaissance and the Reformation, <\/em>New York: Harper &amp; Brothers Publishers, 1934, p. 579). Vejam-se tamb\u00e9m, Philip Schaff, <em>History of the Christian Church,<\/em> v. 8, p. 257-260; Justo L. Gonzalez, <em>A Era dos reformadores, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1986, p. 107; L. Berkhof, <em>Introduccion a la Teologia Sistematica, <\/em>Grand Rapids, Michigan: The Evangelical Literature League, <em>\u00a9 <\/em>1932, p. 79-80. Sobre Zu\u00ednglio, Schaff diz que a sua import\u00e2ncia foi mais hist\u00f3rica que doutrin\u00e1ria. (Philip Schaff, <em>The Creeds of Christendom,<\/em> 6. ed. Revised and Enlarged, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (1931), v. 1, p. 360). No entanto devemos ter em mente que Zu\u00ednglio escreveu seus trabalhos em menos de dez anos e, raramente teve tempo de revisar alguns de seus serm\u00f5es para serem publicados. (Veja-se: Timothy George, <em>Teologia dos reformadores, <\/em>p. 119ss.). Contudo ele, possivelmente influenciado por Erasmo, conhecia muito bem o grego, tendo copiado com suas pr\u00f3prias m\u00e3os, de modo destro, as Ep\u00edstolas de Paulo e a Ep\u00edstola aos Hebreus, baseando-se na edi\u00e7\u00e3o do Novo Testamento Grego de Erasmo (1516). (Cf. Philip Schaff, <em>History of the Christian Church,<\/em> v. 8, p. 31). Bullinger diz que Zu\u00ednglio memorizou em grego todas as Ep\u00edstolas de Paulo (Cf. Timothy George, <em>Teologia dos reformadores, <\/em>p. 113).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>George observa corretamente que os reformadores, \u201cEmbora acolhessem entusiasticamente os esfor\u00e7os dos eruditos humanistas, tais como Erasmo, por recuperar o primeiro texto b\u00edblico e submet\u00ea-lo a uma rigorosa an\u00e1lise filol\u00f3gica, eles n\u00e3o viam a B\u00edblia meramente como um livro entre muitos outros. Eles eram irrestritos em sua aceita\u00e7\u00e3o da B\u00edblia como a \u00fanica e divinamente inspirada Palavra do Senhor\u201d (Timothy George, <em>Teologia dos reformadores,<\/em> p. 312). Dentro de outro prisma afirma Harrison (1920-1993): \u201cA import\u00e2ncia da Reforma para a cr\u00edtica b\u00edblica, n\u00e3o esteve tanto na preocupa\u00e7\u00e3o com os processos hist\u00f3ricos ou liter\u00e1rios envolvidos na formula\u00e7\u00e3o do c\u00e2non b\u00edblico, sen\u00e3o em sua insist\u00eancia cont\u00ednua na primazia do singelo sentido gramatical do texto por direito pr\u00f3prio, independente de toda interpreta\u00e7\u00e3o feita pela autoridade eclesi\u00e1stica\u201d (R.K. Harrison, <em>Introduccion al Antiguo Testamento, <\/em>Jenison, Michigan: TELL., 1990, v. 1, p. 7-8). Ainda sob outra \u00f3tica, afirma o historiador franc\u00eas Boisset: \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o do humanista, em suma, \u00e9 afirmar e demonstrar a grandeza do homem; a do reformador, segundo a express\u00e3o de Calvino, \u00e9 dar testemunho da \u2018honra de Deus\u2019\u201d (Jean Boisset, <em>Hist\u00f3ria do Protestantismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europeia do Livro, 1971, (Cole\u00e7\u00e3o \u201cSaber Atual\u201d), p. 17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Francis A. Schaeffer, <em>Como Viveremos?<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2003, p. 49. Veja-se: Robert W. Pazmi\u00f1o, <em>Temas Fundamentais da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2008, p. 146-151.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Cf. Quirinus Breen, <em>John Calvin: A Study in French Humanism, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1931, p. vii.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>O homem deve ser respeitado, amado e ajudado porque \u00e9 a imagem de Deus (Ver: Jo\u00e3o Calvino, <em>A Verdadeira Vida Crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2000, p. 37-38). Por mais indigno que seja, devemos considerar: \u201cA imagem de Deus nele \u00e9 digna de dispormos a n\u00f3s mesmos e nossas posses a ele\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>A Verdadeira Vida Crist\u00e3, <\/em>p. 38). \u201cN\u00e3o temos de pensar continuamente nas maldades do homem, mas, antes, darmos conta de que ele \u00e9 portador da imagem de Deus\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>A Verdadeira Vida Crist\u00e3, <\/em>p. 38). \u201cDeus, ao criar o homem, deu uma demonstra\u00e7\u00e3o de sua gra\u00e7a infinita e mais que amor paternal para com ele, o que deve oportunamente extasiar-nos com real espanto; e embora, mediante a queda do homem, essa feliz condi\u00e7\u00e3o tenha ficado quase que totalmente em ru\u00edna, n\u00e3o obstante ainda h\u00e1 nele alguns vest\u00edgios da liberalidade divina ent\u00e3o demonstrada para com ele, o que \u00e9 suficiente para encher-nos de pasmo\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.7-9), p. 173-174). \u201cA Escritura nos ajuda com um excelente argumento, ensinando-nos a n\u00e3o pensar no valor real do homem, mas s\u00f3 em sua cria\u00e7\u00e3o, feita conforme a imagem de Deus. A ele devemos toda honra e o amor de nosso ser\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>A Verdadeira Vida Crist\u00e3, <\/em>p. 37). Ver tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.15.3-4; III.7.6; Francis A. Schaeffer, <em>A Morte da raz\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: ABU; FIEL, 1974, p. 20ss.; Andr\u00e9 Bi\u00e9ler, <em>A For\u00e7a Oculta dos Protestantes, <\/em>p. 47. \u00c9 digna de nota a observa\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo cat\u00f3lico \u00c9mile Br\u00e9hier (1876-1952): \u201cA Reforma op\u00f5e-se tanto \u00e0 teologia escol\u00e1stica, quanto ao humanismo. Nega a teologia escol\u00e1stica, porque nega, com Ockham, que nossas faculdades racionais possam conduzir-nos da natureza ao seio de Deus. Renega o humanismo, menos por seus erros do que por seus perigos, posto que as for\u00e7as naturais n\u00e3o podem comunicar qualquer sentido religioso\u201d (\u00c9. Br\u00e9hier, <em>Hist\u00f3ria da Filosofia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Mestre Jou, 1977-1978, I\/3, p. 209).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ernst Cassirer, <em>A Filosofia do Iluminismo,<\/em> p. 196.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Vejam-se: Andr\u00e9 Bi\u00e9ler, <em>O Pensamento Econ\u00f4mico e Social de Calvino, <\/em>S\u00e3o Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 43, 67; Andr\u00e9 Bi\u00e9ler, <em>A For\u00e7a Oculta dos Protestantes,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1999, p. 49-51; David S. Schaff, <em>Nossa Cren\u00e7a e a de Nossos Pais,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Imprensa Metodista, 1964, p. 66; Felipe Fern\u00e1ndez-Armesto; Derek Wilson, <em>Reforma: O Cristianismo e o Mundo 1500-2000, <\/em>Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 11; Timothy George, <em>Teologia dos Reformadores, <\/em>p. 20. O fil\u00f3sofo cat\u00f3lico Mondin (1926-2015), disse: &#8220;A Reforma protestante foi um acontecimento essencialmente religioso, mas causou ao mesmo tempo profundas transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas e culturais\u201d (B. Mondin, <em>Curso de Filosofia,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1981, v. 2, p. 27). Em outro lugar reafirma: &#8220;Como dissemos no in\u00edcio do cap\u00edtulo, a Reforma protestante foi antes e acima de tudo um acontecimento religioso. Em consequ\u00eancia disso, ela deve ser estudada e julgada segundo crit\u00e9rios religiosos, mais precisamente, segundo os crit\u00e9rios da f\u00e9 crist\u00e3, cujo esp\u00edrito original a Reforma se propunha restabelecer\u201d (B. Mondin, <em>Curso de Filosofia, <\/em>v. 2, p. 41). O antigo professor de Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica da Universidade de Yale, Bainton (1894-1984), diz que \u201cA Reforma foi acima de tudo um reavivamento da religi\u00e3o\u201d (Roland H. Bainton, <em>The Reformation of the Sixteenth Century, <\/em>Boston, Massachusetts: Beacon Press, 1985 (Enlarged Editon), p. 3). Ver tamb\u00e9m: Fernand Braudel, <em>Gram\u00e1tica das Civiliza\u00e7\u00f5es,<\/em> 3. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 324). \u201cSe as reformas de Calvino desempenharam um papel central na hist\u00f3ria do Ocidente, elas o fizeram n\u00e3o por serem princ\u00edpios de organiza\u00e7\u00e3o que moldaram desenvolvimentos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, e sim por causa de suas exig\u00eancias de que os crentes e as congrega\u00e7\u00f5es conformassem, individualmente, sua vida \u00e0 Palavra de Deus\u201d (D.G. Hart, O Reformador da F\u00e9 e da vida. In: Burk Parsons, ed., <em>Jo\u00e3o Calvino: Amor \u00e0 devo\u00e7\u00e3o, doutrina e gl\u00f3ria de Deus, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, p. 77). De modo especial a respeito do Calvinismo, veja-se: Philip Benedict, <em>Christ\u2019s Churches Purely Reformed: A Social History of Calvinism, <\/em>New Haven: Yale University Press, 2002, p. 543. \u00c9 pertinente a observa\u00e7\u00e3o de McGrath, quanto ao equil\u00edbrio necess\u00e1rio neste ponto. Veja-se: Alister E. McGrath, <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Protestante, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Editora Palavra, 2012, p. 15-16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Partilho da ideia de Tom Nettles, de que \u201cTentativas de Reforma atrav\u00e9s do tratamento de dimens\u00f5es morais, espirituais e eclesiol\u00f3gicas, ignorando a teol\u00f3gica, sempre falharam\u201d (Tom Nettles, Um Caminho Melhor: Crescimento de Igreja atrav\u00e9s de reavivamento e reforma: In: Michael Horton, ed. <em>Religi\u00e3o de Poder, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1998, p. 134).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Veja-se: Alain Peyrefitte, A Sociedade de Confian\u00e7a: Ensaio sobre as origens e a natureza do desenvolvimento, Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Ali\u00e1s, este \u00e9 o pressuposto fundamental do historiador Alister McGrath. (Veja-se: Alister E. McGrath, <em>The Intellectual Origins of The European Reformation, <\/em>Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, 1995 (reprinted), p. 4). \u201cO protestantismo, por sua exata natureza, criou espa\u00e7o para empreendimentos individuais com o intuito de redirecionar e redefinir o cristianismo. Era uma ideia perigosa, mas ela era um entendimento da ess\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3 que possu\u00eda uma capacidade sem precedentes para se adaptar \u00e0s circunst\u00e2ncias locais. Desde o in\u00edcio, o protestantismo foi um des\u00edgnio religioso para adapta\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00e3o globais\u201d\u00a0 (Alister E. McGrath, <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Protestante, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Editora Palavra, 2012, p. 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Alister E. McGrath, The Intellectual Origins of The European Reformation, p. 4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Alister McGrath, <em>Origens Intelectuais da Reforma, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> N. Abbagnano; A. Visalberghi, <em>Historia de la Pedagog\u00eda, <\/em>Novena reimpresi\u00f3n, M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1990, p. 253.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>John Knox, <em>The History of the Reformation of Religion within the Realm Scotland, <\/em>Edinburgh: The Banner of Truth Trust, \u00a91898, 2000 (Reprinted), p. 280.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>Em estudo bem documentado, conclui Kelly (1909-1997): \u201c\u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que os pais consideravam toda a B\u00edblia inspirada. N\u00e3o era uma cole\u00e7\u00e3o de segmentos d\u00edspares, alguns de origem divina\u00a0 e outros de elabora\u00e7\u00e3o meramente humana. (&#8230;) O ponto de vista deles era que as Escrituras n\u00e3o apenas estavam livres de erros, como tamb\u00e9m n\u00e3o continham nada sup\u00e9rfluo\u201d (J.N.D. Kelly,<em> Doutrinas Centrais da F\u00e9 Crist\u00e3: origem e desenvolvimento,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1993, p. 45). Veja-se: Nathan Busenitz, O fundamento e a coluna da f\u00e9: In: John F. MacArthur, org., \u00a0<em>A Palavra Inerrante, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2018, p. 117-135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> \u201cEra tido por certo, por todos os estudiosos da Escritura na Idade M\u00e9dia, que o texto da B\u00edblia era\u00a0 literal e diretamente inspirado. A imagem de um evangelista se sentando para escrever com o Esp\u00edrito Santo na forma de uma pomba com o bico em sua orelha \u00e9 um lugar-comum iconogr\u00e1fico\u201d\u00a0 (G.R. Evans, The Middle Ages to the Reformation: In: John Rogerson, ed. <em>\u00a0<\/em><em>The Oxford illustrated history of the Bible, <\/em>Oxford: Oxford University Press, 2001, [p. 180-191], p. 188). Vejam-se: Timothy George, <em>Teologia dos Reformadores<\/em>, S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1993, p. 312; Timothy George, <em>Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, 13-14. Veja-se tamb\u00e9m, de forma ilustrativa a demonstra\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da autoridade das Escrituras antes da Reforma e a posi\u00e7\u00e3o bem documentada de alguns dos reformadores em: Mark D. Thompson, Sola Scriptura: In: Matthew Barrett, ed., <em>Teologia da Reforma, <\/em>Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2017, p. 129-164.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> \u201cA insist\u00eancia evang\u00e9lica sobre a autoridade da Escritura reflete a determina\u00e7\u00e3o de n\u00e3o permitir que nada fora da heran\u00e7a crist\u00e3 torne-se norma para o que \u00e9 verdadeiramente \u2018crist\u00e3o\u2019.\u201d (Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2007, p. 50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> \u201cReservamos \u00e0 B\u00edblia uma estima e um amor que n\u00e3o temos, no mesmo grau, pela tradi\u00e7\u00e3o, nem mesmo pelos mais valiosos de seus elementos. Nenhuma Confiss\u00e3o de F\u00e9 datando da Reforma ou da \u00e9poca atual pode, da mesma maneira que as Escrituras, elevar-se \u00e0 pretens\u00e3o de solicitar o respeito da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cMas isso n\u00e3o retira nada do fato de que a Igreja escuta e aprecia o testemunho de seus Pais. Ent\u00e3o, mesmo que n\u00f3s n\u00e3o encontremos nele a Palavra de Deus como em Jeremias ou em Paulo, ele tem para n\u00f3s um significado elevado. Obedecendo ao mandamento \u2018honra teu pai e tua m\u00e3e\u2019, n\u00f3s n\u00e3o nos recusaremos a respeitar, seja na prega\u00e7\u00e3o, seja na elabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da dogm\u00e1tica, as afirma\u00e7\u00f5es de nossos Pais. Diferentemente das Escrituras, as Confiss\u00f5es n\u00e3o t\u00eam autoridade que <em>obrigue<\/em>, mas devemos, todavia, lev\u00e1-las seriamente em considera\u00e7\u00e3o e lhes atribuir uma autoridade relativa\u201d (Karl Barth, <em>Esbo\u00e7o de uma Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>A tradi\u00e7\u00e3o oral (para\/dosij) (\u201c<em>transmiss\u00e3o<\/em>\u201d, \u201c<em>entrega<\/em>\u201d, \u201c<em>tradi\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d. A palavra \u00e9 formada de \u201c<u>Para<\/u>\/\u201d (\u201cjunto a\u201d, \u201cao lado de\u201d) &amp; \u201c<u>Di<\/u>\/<u>dwmi<\/u>\u201d (<u>Conforme o contexto<\/u>: \u201cdar\u201d, \u201ctrazer\u201d, \u201cconceder\u201d, \u201ccausar\u201d, \u201ccolocar\u201d etc.) consistia basicamente no que Jesus Cristo, os ap\u00f3stolos e outros servos de Deus ensinavam, transmitiram por meio de seus serm\u00f5es, orienta\u00e7\u00f5es e comportamento (1Co 11.2, 23-25; Gl 1.14; 2Ts 2.15; 3.6\/Rm 6.17; 16.17; 1Co 15.1-11; Fp 4.9; 1Ts 2.9, 13; 4.11,12). Significava, portanto, uma entrega oral ou escrita. Nestes textos, evidenciam-se que a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d recebida e ensinada amparava-se numa certeza quanto \u00e0 sua origem divina. Portanto, as \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d mencionadas por Paulo distinguem-se daquelas inventadas e transmitidas pelos homens, as quais s\u00e3o recriminadas por Cristo, visto que estes ensinamentos anulavam a Palavra de Deus (Cf. Mt 15.2,3,6; Mc 7.3,5,8,9,13). A para\/dosij \u00e9 rejeitada todas as vezes que entra em choque com a Palavra de Deus (Vejam-se: H.M.F. Buchsel, Para\/dosij: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1983 (Reprinted), v. 2, p. 172-173; G. Hendriksen, <em>1 y 2 Tesalonicenses,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Subcomision Literatura Cristiana de la Iglesia Cristiana Reformada, 1980, p. 217 e 230; I.H. Marshall, <em>I e II Tessalonicenses: Introdu\u00e7\u00e3o e Coment\u00e1rio,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova; Mundo Crist\u00e3o, 1984, p. 245 e 257; W. Popkes, Para\/dosij: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. <em>Exegetical Dictionary of New Testament, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1978-1980, v. 3, p. 21). Portanto, \u201cA quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se <em>temos<\/em> tradi\u00e7\u00f5es, mas se as nossas tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o em conflito com o \u00fanico padr\u00e3o absoluto nessas quest\u00f5es: as Escrituras Sagradas\u201d (J.I. Packer, O Conforto do Conservadorismo: In: Michael Horton, ed., <em>Religi\u00e3o de Poder, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, p. 234). Ridderbos salienta que o conceito de tradi\u00e7\u00e3o no Novo Testamento, n\u00e3o est\u00e1 associado ao pensamento grego antes, \u00e9 orientado pela concep\u00e7\u00e3o judaica, pela qual \u201co que confere autoridade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o peso dos antepassados ou da escola sen\u00e3o primordialmente o car\u00e1ter do material dessa tradi\u00e7\u00e3o&#8230;.\u201d (Herman N. Ridderbos, <em>Historia de la Salvaci\u00f3n y Santa Escritura,<\/em> Buenos Aires: Editorial Escaton, (1973), p. 39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Quanto\u00a0 a uma vis\u00e3o panor\u00e2mica dos Pais da Igreja quando ao conceito de tradi\u00e7\u00e3o, vejam-se: Nathan Busenitz, O fundamento e a coluna da f\u00e9: In: John F. MacArthur, org., \u00a0<em>A Palavra Inerrante, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2018, [p. 117-135], p. 131-134.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> R. C. Sproul, Sola Scriptura: Crucial ao Evangelicalismo: In: J.M. Boice, ed. <em>O Alicerce da Autoridade B\u00edblica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1982, p. 122. Timothy George coloca a quest\u00e3o nestes termos: \u201cO sola scriptura n\u00e3o pretendia desprezar completamente o valor da tradi\u00e7\u00e3o da igreja, mas sim subordin\u00e1-la \u00e0 primazia das Escrituras Sagradas. Enquanto a Igreja Romana recorria ao testemunho da igreja a fim de validar a autoridade das Escrituras can\u00f4nicas, os reformadores protestantes insistiam em que a B\u00edblia era autolegitimadora, isto \u00e9, considerada fidedigna com base em sua pr\u00f3pria perspicuidade, comprovada pelo testemunho \u00edntimo do Esp\u00edrito Santo\u201d (Timothy George, <em>Teologia dos Reformadores,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1994, p. 312). A observa\u00e7\u00e3o de Packer \u00e9 pertinente como princ\u00edpio que deve servir de par\u00e2metro: \u201cDentro dessa abordagem, e com base na percep\u00e7\u00e3o comum de que tanto o Esp\u00edrito de Deus como tamb\u00e9m o pecado humano est\u00e3o sempre trabalhando dentro da igreja, espera-se que as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s sejam parcialmente certas e parcialmente erradas\u201d (J.I. Packer, O Conforto do Conservadorismo: In: Michael Horton, ed. <em>Religi\u00e3o de Poder,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1998, p. 234).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>Richard A. Muller, <em>Post-Reformation Reformed Dogmatics, v. 2 \u2013 Holy Scripture: The cognitive foundation of theology,<\/em> 2. ed. Grand Rapids: Baker Academic, 2003, p. 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Vejam-se exemplos dessa pr\u00e1tica citados em:\u00a0 Timothy George, Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p.19-20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> \u201cOs evang\u00e9licos t\u00eam tido sempre a tend\u00eancia de ler a Escritura como se fossem os primeiros a fazer isso. Precisamos lembrar que outros j\u00e1 estiveram l\u00e1 antes de n\u00f3s, e j\u00e1 leram antes que n\u00f3s o fiz\u00e9ssemos. Esse processo de receber a revela\u00e7\u00e3o escritural \u00e9 \u2018tradi\u00e7\u00e3o\u2019 \u2013 n\u00e3o uma fonte de revela\u00e7\u00e3o somada \u00e0 Escritura, e sim um modo particular de se entender a B\u00edblia que a igreja crist\u00e3 tem reconhecido como respons\u00e1vel e confi\u00e1vel\u201d (Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2007, p. 81).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Veja-se: Richard A. Muller; John L. Thompson, eds., Biblical interpretation in the Era of the Reformation: Essays presented to David C. Steinmetz in honor of his sixtieth birthday,\u00a0 Grand Rapids, MI.; Cambridge, U.K.: Eerdmans, 1996. Destaco o primeiro cap\u00edtulo escrito por Richard A. Muller, Biblical Interpretation in the Era of the Reformation: The view from the Middle Ages, p. 3-22, onde o autor faz uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e apresenta os demais textos da colet\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> &#8220;Os reformadores eram grandes exegetas das Escrituras Sagradas. Suas obras teol\u00f3gicas mais incisivas encontram-se em seus serm\u00f5es e coment\u00e1rios b\u00edblicos. Eles estavam convencidos de que a proclama\u00e7\u00e3o da igreja crist\u00e3 n\u00e3o poderia originar-se da filosofia ou de qualquer cosmovis\u00e3o auto- elaborada. N\u00e3o poderia ser nada menos que uma interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras. Nenhuma outra proclama\u00e7\u00e3o possui direito ou esperan\u00e7a na igreja. Uma teologia que se baseia na doutrina reformada das Escrituras Sagradas n\u00e3o tem nada a temer com as descobertas precisas dos estudos b\u00edblicos modernos&#8221; (Timothy George, <em>Teologia dos Reformadores,<\/em> S\u00e3o Paulo, Vida Nova, 1993, p. 313).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Frank B. Stanger, Tradi\u00e7\u00e3o: In: Carl Henry, org. <em>Dicion\u00e1rio de \u00c9tica Crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 583.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Cf. N. Abbagnano; A. Visalberghi, <em>Historia de la Pedagog\u00eda,<\/em> p. 203. Parece que esta figura tamb\u00e9m foi empregada por outro te\u00f3logo medieval, \u201cque morreu quase 300 anos antes de Lutero nascer&#8230;.\u201d, Pedro de Blois. (Cf. Timothy George, <em>Teologia dos reformadores, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1994, p. 23). Newton mais tarde (05\/02\/1676)(ou 1675?) em carta a Robert Hooke (1635-1703) &#8211; seu ferrenho advers\u00e1rio (Cf. Paolo Casini, <em>Newton e a Consci\u00eancia Europeia,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995, p. 26ss. Comparar com: Umberto Eco, <em>Nos ombros dos gigantes: escritos para La Milanesiana, 2001-2015, <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2018, p. 22-23) -, supostamente referindo-se a Kepler (1571-1630), Galileu (1564-1643) e Descartes (1596-1650), entre outros, tamb\u00e9m faria uso desta analogia. (Vejam-se: N. Abbagnano; A. Visalberghi, <em>Historia de la Pedagog\u00eda,<\/em> p. 280; Stephen Hawking, <em>Os G\u00eanios da Ci\u00eancia: Sobre os ombros do Gigante: as mais importantes ideias e descobertas da f\u00edsica e da astronomia<\/em>, Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2005, p. XI, 441. Quanto \u00e0 tentativa de estabelecer uma genealogia da figura, valendo-se dos trabalhos de \u00c9douard Jeauneau (1924-2019) e Robert Merton (1910-2003) veja-se: Umberto Eco, <em>Nos ombros dos gigantes: escritos para La Milanesiana, 2001-2015, <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2018, p. 11ss. Especialmente, p. 22ss.). Para um estudo mais detalhado, veja-se: Robert K. Merton, <em>A hombros de gigantes: postdata Shandiana, <\/em>Barcelona: Edicions 62, 1990). Essa edi\u00e7\u00e3o espanhola, rara e car\u00edssima, est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pdfslide.net\/documents\/merton-robert-k-a-hombros-de-gigantes.html?h=myslide.es\">https:\/\/pdfslide.net\/documents\/merton-robert-k-a-hombros-de-gigantes.html?h=myslide.es<\/a>\u00a0\u00a0 (Consulta feita em 07.04.2024).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a>&#8220;Bernardo de Chartres dizia que somos como an\u00f5es sobre os ombros de gigantes, de modo que podemos ver mais longe que eles, n\u00e3o em virtude de nossa estatura ou da acuidade de nossa vis\u00e3o, mas porque, estando sobre seus ombros, estamos acima deles\u201d (<em>Apud <\/em>\u00a0Umberto Eco, <em>Nos ombros dos gigantes: escritos para La Milanesiana, 2001-2015, <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2018, p. 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Ver: Alister E. McGrath, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, hist\u00f3rica e filos\u00f3fica: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2005, p. 109-110. Referindo-se aos primeiros s\u00e9culos do Cristianismo, McGrath afirma: \u201cA tradi\u00e7\u00e3o era vista como um legado dos ap\u00f3stolos, por meio da qual a igreja era guiada em dire\u00e7\u00e3o a uma correta interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras. Ela n\u00e3o era encarada como uma \u2018fonte secreta de revela\u00e7\u00e3o\u2019, em acr\u00e9scimo \u00e0s Escrituras, uma ideia que Irineu rejeitava e considerava \u2018gn\u00f3stica\u2019. Antes, a tradi\u00e7\u00e3o era vista como um meio de assegurar que a igreja permanecia fiel aos ensinamentos apost\u00f3licos, em vez de adotar interpreta\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que fossem idiossincr\u00e1ticas\u201d (Alister E. McGrath, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, hist\u00f3rica e filos\u00f3fica: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2005, p. 50). (Igualmente: Alister E. McGrath, <em>Teologia Hist\u00f3rica: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do Pensamento Crist\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2007, p. 44).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. 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