{"id":68230,"date":"2024-06-12T08:00:08","date_gmt":"2024-06-12T11:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=68230"},"modified":"2024-05-24T12:11:14","modified_gmt":"2024-05-24T15:11:14","slug":"o-espirito-e-a-escritura-capitulo-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/06\/o-espirito-e-a-escritura-capitulo-10\/","title":{"rendered":"Como Lutero e Calvino entendiam a autoridade e inerr\u00e2ncia b\u00edblica?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Cap\u00edtulo 10 da s\u00e9rie O Esp\u00edrito e a Escritura | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-espirito-e-a-escritura%2F&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nota do Editor:<\/strong> Este artigo \u00e9 um recurso selecionado para a <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/semana-da-inerrancia-biblica\/\">Semana da Inerr\u00e2ncia B\u00edblica do Minist\u00e9rio Fiel e Voltemos ao Evangelho<\/a>, uma semana onde estivemos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerr\u00e2ncia, sufici\u00eancia e autoridade da B\u00edblia, que \u00e9 a Palavra de Deus. Pedimos ao nosso colunista mais ass\u00edduo do blog, o <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/autor\/hermisten-maia\/\">Reverendo Hermisten Maia<\/a>, para escrever sobre o assunto; ele ent\u00e3o nos presenteou com mais uma de suas s\u00e9ries, trazendo profundidade ao tema! Desfrute e compartilhe destes conte\u00fados e tenha sua f\u00e9 na inerrante Palavra de Deus fortalecida!<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Lutero<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o de Lutero (1483-1546), firmada em 1519, \u00e9 representativa:<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Tenho aprendido a atribuir a honra da infalibilidade apenas aos livros aceitos como can\u00f4nicos. Estou profundamente convencido de que nenhum desses escritores errou. Todos os outros escritores, por mais que se tenham distinguido em santidade ou em doutrina, eu os leio da seguinte forma: Avalio o que eles dizem, n\u00e3o com base no fato de eles mesmos acreditarem que uma coisa \u00e9 verdadeira, mas apenas na medida em que s\u00e3o capazes de me convencer por meio da autoridade dos livros can\u00f4nicos ou por uma raz\u00e3o clara.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos mais tarde, diria:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Um te\u00f3logo deve estar em completa posse da base e fonte da f\u00e9 \u2013 isto significa dizer as Sagradas Escrituras. Foi armado com esse conhecimento que confundi e silenciei todos meus advers\u00e1rios; pois eles n\u00e3o buscam sondar e compreender as Escrituras, antes, percorrem-nas negligente e apaticamente; eles falam, escrevem e ensinam de acordo com as sugest\u00f5es de sua imagina\u00e7\u00f5es descuidadas.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melanchthon (1497-1560), que foi bastante pr\u00f3ximo e admirado por Lutero<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e que\u00a0 mais tarde tornou-se tamb\u00e9m amigo de Calvino, em 19 de setembro de 1519, respondendo a quest\u00f5es para obter o Baccalaureus biblicus (Prelecionador b\u00edblico), afirma: \u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para um cat\u00f3lico crer em quaisquer outros artigos de f\u00e9 que n\u00e3o aqueles dos quais a Escritura \u00e9 testemunha. A autoridade dos conc\u00edlios est\u00e1 abaixo da autoridade das Escrituras\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dizeres da <em>Confiss\u00e3o Gaulesa<\/em> (Cap\u00edtulo 5) resumem bem o esp\u00edrito que orientou a aceita\u00e7\u00e3o dos Credos pelos Reformadores:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Conclu\u00edmos que nem a antiguidade, nem os costumes, nem a maioria, nem sabedoria humana, nem julgamentos, nem pris\u00f5es, nem as leis, nem decretos, nem os conc\u00edlios, nem vis\u00f5es, nem milagres podem se opor a esta <u>santa Escritura<\/u>, mas ao contr\u00e1rio, <u>todas as coisas devem ser examinadas, regulamentadas e reformadas por ela<\/u>. Neste esp\u00edrito, n\u00f3s reconhecemos os tr\u00eas s\u00edmbolos, a saber:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Credo dos Ap\u00f3stolos, de Nic\u00e9ia, e de Atan\u00e1sio, p<u>orque eles est\u00e3o de acordo com a Palavra de Deus<\/u>.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> (Destaques meus).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo, declararia posteriormente (1580), a <em>F\u00f3rmula Conc\u00f3rdia<\/em>:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos prof\u00e9ticos e apost\u00f3licos do Antigo e do Novo Testamento s\u00e3o a \u00fanica regra e norma, segundo a qual devem ser atualizadas e julgadas, igualmente, toda as doutrinas e todos os mestres. (&#8230;) <u>Outros escritos, entretanto, dos antigos ou dos novos mestres, seja qual for o nome deles, n\u00e3o devem ser equiparados \u00e0 Escritura Sagrada, por\u00e9m, todos lhe devem ser completamente subordinados<\/u>. (&#8230;) Dessa maneira, ret\u00e9m-se a distin\u00e7\u00e3o entre a Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e todos os demais escritos, ficando somente a Escritura Sagrada como o \u00fanico juiz, regra e norma, de acordo com que, como \u00fanica pedra de toque, todas as doutrinas devem e t\u00eam de ser discernidas e julgadas quanto a serem boas ou m\u00e1s, correta ou incorretas. <u>Os demais <\/u><u>Symbola, todavia, e os outros escritos citados, n\u00e3o s\u00e3o ju\u00edzes como o \u00e9 a Escritura Sagrada<\/u>&#8230;.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> (Destaques meus).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este princ\u00edpio permaneceu com grande vitalidade nos sistemas reformados, inclusive, como princ\u00edpio metodol\u00f3gico na reflex\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o Calvino<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino seguiu de perto essa compreens\u00e3o comum na tradi\u00e7\u00e3o da igreja e, tamb\u00e9m, sustentada entre os Reformadores. Ele estava convicto de que os profetas n\u00e3o falaram aleatoriamente o que pensavam, antes, \u201ctestificaram a verdade de que era a boca do Senhor que falava atrav\u00e9s deles\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que Calvino n\u00e3o tenha detalhado esse assunto no que se refere ao processo de inspira\u00e7\u00e3o, um conceito fica claro em seus escritos: os autores secund\u00e1rios das Escrituras n\u00e3o foram simplesmente aut\u00f4matos. Deus se valeu livre e soberanamente de seus conhecimentos e personalidade. Contudo, tudo que foi escrito o foi conforme a vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas e ap\u00f3stolos tiveram em seus cora\u00e7\u00f5es \u201cgravada a firme certeza da doutrina, de sorte que fossem persuadidos e compreendessem que procedera de Deus o que haviam aprendido\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro lugar:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Eis aqui o princ\u00edpio que distingue nossa religi\u00e3o de todas as demais, ou seja: sabemos que Deus nos falou e estamos plenamente convencidos de que os profetas n\u00e3o falaram de si pr\u00f3prios, mas que, como \u00f3rg\u00e3os do Esp\u00edrito Santo, pronunciaram somente aquilo para o qual foram do c\u00e9u comissionados a declarar. Todos quantos desejam beneficiar-se das Escrituras devem antes aceitar isto como um princ\u00edpio estabelecido, a saber: que a lei e os profetas n\u00e3o s\u00e3o ensinos passados adiante ao bel-prazer dos homens ou produzidos pelas mentes humanas como uma fonte, sen\u00e3o que foram ditados pelo Esp\u00edrito Santo.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro momento, comentando 1Pe 1.11:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Em primeiro lugar, \u201cque estava neles\u201d; e, em segundo lugar, \u201ctestificando\u201d; isto \u00e9, dando testemunho, express\u00e3o que ele usa para notificar que os profetas eram revestidos com o Esp\u00edrito de conhecimento, e realmente de maneira incomum, como aqueles que foram nossos mestres e testemunhas, e contudo n\u00e3o foram participantes daquela luz que nos \u00e9 exibida. Ao mesmo tempo, um alto louvor \u00e9 atribu\u00eddo a sua doutrina, pois este era o testemunho do Esp\u00edrito Santo; os pregadores e ministros eram homens, ele, por\u00e9m, era o mestre. Tampouco declara sem raz\u00e3o que o Esp\u00edrito de Cristo ent\u00e3o governava; e faz do Esp\u00edrito, enviado do c\u00e9u, aquele que preside sobre os mestres do evangelho, porquanto mostra que o evangelho vem de Deus, e que as profecias antigas eram ditadas por Cristo.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Puckett argumenta em prol do conceito de Calvino concernente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o humana no registro das Escrituras:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Os coment\u00e1rios de Calvino, sobre o estilo liter\u00e1rio do texto b\u00edblico, refletem sua cren\u00e7a que a mente dos autores humanos permaneciam ativas na produ\u00e7\u00e3o da Escritura. Ele atribui varia\u00e7\u00f5es de estilos pelo fato de que v\u00e1rios escritores s\u00e3o respons\u00e1veis por diferentes por\u00e7\u00f5es da B\u00edblia. Ele rejeita a autoria Paulina da ep\u00edstola de Hebreus<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> porque ele encontra estilos diferentes entre esta e as ep\u00edstolas que ele cr\u00ea serem genuinamente Paulinas.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino, em cita\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita, entende que nas Escrituras tem-se todos os livros que Deus quis que fossem preservados<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> para a edifica\u00e7\u00e3o do crente:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Aquelas [ep\u00edstolas] que o Senhor quis que fossem indispens\u00e1veis \u00e0 sua Igreja, Ele as consagrou por sua provid\u00eancia para que fossem perenemente lembradas. Saibamos, pois, que o que foi deixado nos \u00e9 suficiente, e que sua insignific\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 acidental; sen\u00e3o que o c\u00e2non das Escritura, o qual se encontra em nosso poder, foi mantido sob controle atrav\u00e9s do grandioso conselho de Deus.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quest\u00e3o hermen\u00eautica<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica sempre foi o ponto nevr\u00e1lgico em toda a hist\u00f3ria da teologia.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Na Reforma deu-se uma mudan\u00e7a de quadro de refer\u00eancia. Por isso, podemos falar deste movimento como tendo um de seus pilares fundamentais a quest\u00e3o hermen\u00eautica.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> O \u201ceixo hermen\u00eautico\u201d desloca-se da tradi\u00e7\u00e3o da igreja para a compreens\u00e3o pessoal da Palavra, contudo, sem desprezar aquela. H\u00e1 aqui uma mudan\u00e7a de crit\u00e9rio de verdade que determina toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, conforme acentua Popkin (1923-2005), Lutero inicialmente confrontou a igreja dentro da perspectiva da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o da igreja, somente mais tarde \u00e9 que ele<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Deu um passo cr\u00edtico que foi negar a regra de f\u00e9 da Igreja, apresentando um crit\u00e9rio de conhecimento religioso totalmente diferente. Foi neste per\u00edodo que ele deixou de ser apenas mais um reformador atacando os abusos e a corrup\u00e7\u00e3o de uma burocracia decadente, para tornar-se o l\u00edder de uma revolta intelectual que viria a abalar os pr\u00f3prios fundamentos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Acomoda\u00e7\u00e3o graciosa de Deus<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando a dist\u00e2ncia qualitativa entre Deus e o homem, Calvino sustenta que Deus em sua gra\u00e7a se acomoda \u00e0 nossa compreens\u00e3o, se adaptando de forma condescendente \u00e0 nossa limita\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> Empregando as palavras de Calvino, Deus na sua revela\u00e7\u00e3o \u201cse acomodava<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> \u00e0 nossa capacidade\u201d,<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> balbuciando a sua Palavra a n\u00f3s como as amas fazem com as crian\u00e7as.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se vale de analogias, recorrendo a met\u00e1foras \u2013 comparando-se a um le\u00e3o, ao urso e ao homem \u2013, visando ser entendido por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Quando o Senhor \u00e0s vezes se compara a um le\u00e3o, a um urso, a um homem, ou a outros objetos, isto nada tem a ver com imagens, como imaginam os papistas, sen\u00e3o que, por meio de tais met\u00e1foras, ou a benignidade e merc\u00ea de Deus, ou sua ira e desprazer, e outras coisas da mesma natureza se expressam. Pois Deus n\u00e3o pode revelar-se a n\u00f3s de qualquer outra maneira sen\u00e3o por meio de uma compara\u00e7\u00e3o com coisas que conhecemos.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, quando Deus se compara a um homem embriagado \u2013 <em>\u201cexcitado pelo vinho\u201d <\/em>(Sl 78.65) \u2013, assumindo um car\u00e1ter totalmente estranho ao seu, Calvino diz que Ele se acomoda \u201c\u00e0 estupidez do povo\u201d.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> Ou seja: Deus adapta-se \u00e0 linguagem humana e \u201cao n\u00edvel humano de compreens\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> \u201c&#8230;. Deus, acomoda-se ao nosso modo ordin\u00e1rio de falar por causa de nossa ignor\u00e2ncia, \u00e0s vezes tamb\u00e9m, se me \u00e9 permitida a express\u00e3o, gagueja\u201d.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>\u00a0 Resumindo: \u201cEm Cristo, Deus, por assim dizer, tornou-se pequeno, para acomodar-se \u00e0 nossa compreens\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> \u201cO Senhor Jesus (&#8230;) acomoda de algum modo Suas palavras \u00e0 capacidade deles&#8230;.\u201d.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, quando lemos as Escrituras, \u201csomos arrebatados mais pela dignidade do conte\u00fado que pela gra\u00e7a da linguagem\u201d.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino observa, contudo, que os homens incr\u00e9dulos sempre procuram uma desculpa para a sua impiedade:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Se Deus, acomodando-se \u00e0 tacanha capacidade dos homens, fala num estilo humilde e acess\u00edvel, esse m\u00e9todo de ensino \u00e9 desprezado como simples demais; por\u00e9m, se ele se manifesta num estilo mais elevado, com vistas a imprimir maior autoridade \u00e0 sua Palavra, os homens, com o intuito de eximir-se de sua ignor\u00e2ncia, dir\u00e3o que ela \u00e9 obscura demais. Como esses dois v\u00edcios s\u00e3o por demais prevalecentes no mundo, o Esp\u00edrito Santo assim tempera seu estilo, para que a sublimidade das verdades que ele ensina n\u00e3o fique oculta daqueles que porventura sejam de uma capacidade mais d\u00e9bil, contanto que sejam de uma disposi\u00e7\u00e3o submissa e d\u00f3cil e tragam consigo um desejo sol\u00edcito de ser instru\u00eddos.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Embora saibamos que a posi\u00e7\u00e3o de Lutero n\u00e3o seja sempre clara em seus diversos escritos, assumindo posi\u00e7\u00f5es multifacetadas (Cf. Richard A. Muller, <em>Post-Reformation Reformed Dogmatics, v. 2 \u2013 Holy Scripture: The cognitive foundation of theology,<\/em> Grand Rapids: Baker Academic, 2003, p. 66ss.). Ilustro.\u00a0 Lutero tinha um crit\u00e9rio pr\u00f3prio para avaliar a import\u00e2ncia dos livros Can\u00f4nicos. Ele exp\u00f5e o seu crit\u00e9rio no Pref\u00e1cio de Tiago (1546), dizendo: \u201cEsta \u00e9, tamb\u00e9m, a verdadeira pedra de toque para se criticar todos os livros: verificando se eles promovem Cristo ou n\u00e3o, uma vez que toda Escritura aponta para Cristo, Rm 3. E S. Paulo s\u00f3 quer saber de Cristo, 1 Cor\u00edntios 2. O que n\u00e3o ensina Cristo ainda n\u00e3o \u00e9 apost\u00f3lico, mesmo que S. Pedro ou Paulo o ensinem. Por outro lado, o que prega a Cristo seria apost\u00f3lico, mesmo que fosse feito por Judas, An\u00e1s, Pilatos e Herodes\u201d (Martinho Lutero, Pref\u00e1cio \u00e0s Ep\u00edstolas de S. Tiago e Judas: In: <em>Martinho Lutero: Obras Selecionadas, <\/em>S\u00e3o Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comiss\u00e3o Interluterana de Literatura; Sinodal; Conc\u00f3rdia, 2003, v. 8, p. 154).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi partindo deste princ\u00edpio,\u00a0 subjetivo e insatisfat\u00f3rio em sua aplica\u00e7\u00e3o, que Lutero atreveu-se a tra\u00e7ar um grau de import\u00e2ncia entre os Livros, especialmente nos do Novo Testamento. Desta forma, no seu Pref\u00e1cio ao Novo Testamento (1522), escreveu: \u201cPois o Evangelho segundo Jo\u00e3o e as ep\u00edstolas de Paulo, em especial, aquela aos Romanos e a Primeira Ep\u00edstola de Pedro s\u00e3o o bom cerne e a medula dentre todos os livros. Esses deveriam, perfeitamente, ser os primeiros. (&#8230;) Tamb\u00e9m as ep\u00edstolas de Paulo e Pedro superam, em muito, os tr\u00eas evangelhos de Mateus Marcos e Lucas. (&#8230;) O Evangelho segundo Jo\u00e3o e sua primeira ep\u00edstola, as ep\u00edstolas de Paulo, particularmente, as dirigidas aos romanos, aos g\u00e1latas, aos ef\u00e9sios e a Primeira Ep\u00edstola de Pedro, s\u00e3o livros que te apresentam Cristo e te ensinam tudo que \u00e9 necess\u00e1rio e bom saber, ainda que jamais visses ou desses ouvidos a qualquer outro livro ou doutrina. Por isso, a Ep\u00edstola de Tiago \u00e9 uma ep\u00edstola de palha comparada \u00e0s outras, pois ela, de qualquer forma, n\u00e3o tem caracter\u00edstica evang\u00e9lica\u201d (Martinho Lutero, Pref\u00e1cio ao Novo Testamento: In: <em>Martinho Lutero: Obras Selecionadas, <\/em>S\u00e3o Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comiss\u00e3o Interluterana de Literatura; Sinodal; Conc\u00f3rdia, 2003, v. 8, p. 127). Falando ainda sobre a Ep\u00edstola de Tiago diz: \u201cN\u00e3o a considero escrito apost\u00f3lico\u201d porque contraria os escritos de Paulo, Pedro e as demais Escrituras. Sup\u00f5e tamb\u00e9m que Tiago teria vivido muito tempo depois de Pedro e Paulo. (Martinho Lutero, Pref\u00e1cio \u00e0s Ep\u00edstolas de S. Tiago e Judas: In: <em>Martinho Lutero: Obras Selecionadas,<\/em> v. 8, p. 153-154). Quanto ao Apocalipse, seguindo a d\u00favida e ambiguidade de Eus\u00e9bio (Eus\u00e9bio de Ces\u00e1rea, <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em>, Madrid: La Editorial Cat\u00f3lica, S. A. (Biblioteca de Autores Cristianos, v. 349 e 350), III.25.2,4; III.39.6; VII.25.1ss.) e, talvez a Erasmo, que tinha a mesma posi\u00e7\u00e3o (Cf. W. G. K\u00fcmmel,<em> Introdu\u00e7\u00e3o ao Novo Testamento,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1982, p. 620: B. F. Westcott, <em>El C\u00e2non<\/em>, Barcelona: CLIE, [s.d.], p. 231-232), n\u00e3o o considerava nem apost\u00f3lico nem prof\u00e9tico. \u201cTendo em vista essa interpreta\u00e7\u00e3o incerta a esse sentido oculto, n\u00f3s, at\u00e9 agora, tamb\u00e9m o deixamos de lado&#8230;.\u201d (Martinho Lutero, Pref\u00e1cio ao Apocalipse de S. Jo\u00e3o: In: <em>Martinho Lutero: Obras Selecionadas, <\/em>S\u00e3o Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comiss\u00e3o Interluterana de Literatura; Sinodal; Conc\u00f3rdia, 2003, v. 8, p. 155). Deve ser dito que Zu\u00ednglio, que fora disc\u00edpulo de Erasmo na juventude (Cf. Timothy George, <em>Teologia dos Reformadores,<\/em> p. 111; B. H\u00e4gglund, <em>Hist\u00f3ria da Teologia, <\/em>Porto Alegre, RS.: Casa Publicadora Conc\u00f3rdia, 1973, p. 220),\u00a0 jamais pregou sobre o Apocalipse, justamente por ter d\u00favida quanto \u00e0 sua autenticidade (Cf. G. R. Potter, <em>Zwingli<\/em>, Cambridge: Cambridge University Press, 1976, p. 61). Os coment\u00e1rios de Calvino, ainda que n\u00e3o saibamos o motivo, de quase toda a Escritura tamb\u00e9m n\u00e3o incluem o Apocalipse (Ele n\u00e3o entendia?), pretendia tratar do Apocalipse quando terminasse Ezequiel, por\u00e9m, morreu antes de concluir, indo apenas at\u00e9 Ez 20.44 (02.02.1564)? (Veja-se: W. de Greef, <em>The Writings of John Calvin: An Introductory Guide<\/em>, Grand Rapids, Michigan:\u00a0 Baker Book House, 1993, p. 109). N\u00e3o sei. Pessoalmente, no caso de Calvino, a minha opini\u00e3o \u00e9 que ele n\u00e3o teve tempo para se deter nesse livro ou,\u00a0 explicando de forma complementar, n\u00e3o foi a sua prioridade considerando a necessidade de seu rebanho e de seus amigos que precisavam de apoio, orienta\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o. (Vejam-se algumas interpreta\u00e7\u00f5es a respeito dessa omiss\u00e3o, e as palavras ponderadas de\u00a0 Reuss (1804-1891) e Warfield (Eduard Reuss, <em>History of the Canon of the Holy Scriptures in the Christian Church,\u00a0 <\/em>Edinburgh, Gemmell. Edi\u00e7\u00e3o do Kindle. p. 318-319 (Posi\u00e7\u00e3o: 5629 de 7073);\u00a0 B.B. Warfield, <em>Calvin and Calvinism,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work\u2019s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 49-52; Irena Backus, <em>Reformation Readings of the Apocalypse: Geneva, Zurich and Wittenberg, <\/em>New York: Oxford University Press, 2000, p. 71-73)<em>. <\/em>Al\u00e9m disso, a preocupa\u00e7\u00e3o dos primeiros reformadores estava dirigida para outros pontos da teologia al\u00e9m de considerarem tenebrosas as especula\u00e7\u00f5es dos fan\u00e1ticos de sua \u00e9poca (Quanto a isso, veja-se:\u00a0 (H. Quistorp, <em>\u00a0Calvin\u2019s Doctrine of the Last Things, <\/em>\u00a0Eugene, Oregon: Wipf &amp; Stock, \u00a9 1955, 2009, p. 11-13; David E. Wolwerda, Eschatology and History: A Look at Calvin\u2019s Eschatological Vision. In: David E. Holwerda, ed., <em>Exploring the Heritage of John Calvin<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Baker, 1976, p. 110-139).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que ser refere \u00e0 opini\u00e3o de Lutero a livros do Antigo Testamento, podemos encontrar o sum\u00e1rio de algumas de suas posi\u00e7\u00f5es em: Martinho Lutero, <em>Conversas \u00e0 Mesa, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2017, p. 24-27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Referindo-se ao crit\u00e9rio de Lutero para identificar um livro prof\u00e9tico ou apost\u00f3lico, observou Harrison (1920-1993): \u201cPor raz\u00f5es \u00f3bvias, esta norma n\u00e3o se podia aplicar diretamente ao Antigo Testamento sem alguma dificuldade, e foi principalmente devido a isto que Lutero nunca empreendeu uma revis\u00e3o do c\u00e2non do Antigo Testamento, ainda que em forma uniforme enfatizasse que o pr\u00f3prio Antigo Testamento reclamava seu sentido mais pleno em propor\u00e7\u00e3o \u00e0 medida em que apontava para o evangelho de Cristo\u201d (R. K. Harrison, <em>Introduccion al Antiguo Testamento<\/em>, Jennison, Michigan: T.E.L.L., 1990, v. 1, p.18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Martinho Lutero, WA, 2.618. Apud\u00a0 John W. Montgomery, Lessons from Luther on the Inerrancy of Holy Writ: In: John W. Montgomery, ed., God&#8217;s Inerrant Word: An International Symposium on the Trustworthiness of Scripture,\u00a0 Minneapolis: Bethany Fellowship, \u00a9\u00a0 1974, 2015, (p. 65-95), p. 86.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Martinho Lutero, <em>Conversas \u00e0 Mesa, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2017, # 5, p. 15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Veja-se por exemplo: Martinho Lutero, <em>\u00a0Conversas \u00e0 Mesa, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2017, p. 25, 35. Lutero, como j\u00e1 fizera nas indica\u00e7\u00f5es acima, tra\u00e7a uma diferen\u00e7a entre ele e seu grande e admirado amigo: \u201cMeu esp\u00edrito \u00e9 tosco, barulhento e tempestuoso. Sou o rude derrubador de mato, que precisa abrir picada. O mestre Filipe, no entanto, passa por ali de maneira refinada e calma, semeia e irriga com prazer&#8230;\u201d (<em>Apud<\/em> Ricardo W. Rieth, O pensamento teol\u00f3gico de Filipe Melanchthon (1497-1560). In: <em>Estudos Teol\u00f3gicos, <\/em>S\u00e3o Leopoldo, RS., v. 37, n. 3, 1997, [p. 223-235], p. 224). (Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/periodicos.est.edu.br\/index.php\/estudos_teologicos\/article\/view\/798\/729\">http:\/\/periodicos.est.edu.br\/index.php\/estudos_teologicos\/article\/view\/798\/729<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Cf. Mark D. Thompson, Sola Scriptura: In: Matthew Barrett, ed. <em>Teologia da Reforma, <\/em>Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2017, [p. 129-164], p. 142-145. Vozes como essa j\u00e1 brotavam aqui e ali entre alguns l\u00edderes cat\u00f3licos. Vejam-se alguns exemplos: Timothy George, <em>Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p. 89.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Wallace (1911-2006) acentua que Calvino \u201csempre insistiu que a tradi\u00e7\u00e3o precisava ser constantemente corrigida pelo ensino das Sagradas Escrituras e ser subordinada a elas. Por\u00e9m, ele sempre foi cuidadoso e criterioso em examinar minuciosamente dentro da tradi\u00e7\u00e3o o que devia ser rejeitado e o que devia ser aceito. Ningu\u00e9m foi mais obstinado em manter aquilo que ele tinha experimentado como algo bom, qualquer que fosse sua origem, contanto que sua reten\u00e7\u00e3o n\u00e3o atrapalhasse a total sujei\u00e7\u00e3o de sua mente e de sua vida \u00e0 Palavra de Deus ou o desviasse de seguir a Cristo\u201d (Ronald S. Wallace, <em>Calvino, Genebra e a Reforma, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2003, p. 11-12)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a><em>F\u00f3rmula de Conc\u00f3rdia, <\/em>Introdu\u00e7\u00e3o: In: <em>Livro de Conc\u00f3rdia, <\/em>\u00a07. ed. (revisada e atualizada), Canoas, RS.; S\u00e3o Leopoldo, RS.; Porto Alegre, RS.: Conc\u00f3rdia; Sinodal; Ulbra, 2016, p. 499-501.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Boettner\u00a0 (1901-1990) resume bem a posi\u00e7\u00e3o protestante: \u201cN\u00e3o rejeitamos todas as tradi\u00e7\u00f5es, mas antes usamo-las judiciosamente at\u00e9 onde elas concordam com as Escrituras e se fundamentam na verdade. Podemos, por exemplo, tratar com respeito e estudar com cuidado as confiss\u00f5es e os pronunciamentos dos conc\u00edlios de diversas igrejas, particularmente aquelas da antiga Igreja e as do tempo da Reforma. (\u2026) Mas n\u00e3o concedemos a nenhuma igreja o direito de formular novas doutrinas ou tomar decis\u00f5es contr\u00e1rias aos ensinamentos das Escrituras. A hist\u00f3ria da igreja prova de maneira geral e muito claramente que os l\u00edderes da igreja e os conc\u00edlios da igreja podem cometer erros e os cometem, alguns deles s\u00e9rios\u201d (Loraine Boettner, <em>Catolicismo Romano, <\/em>S\u00e3o Paulo: Imprensa Batista Regular, 1985, p. 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (2Tm 3.16), p. 262.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.6.2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>(2Tm 3.16), p. 262. Do mesmo modo: Jo\u00e3o Calvino, <em>O Profeta Daniel: 1-6, <\/em>S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, p. 29; John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 2 (Preface), p. 14; (Ex 3.1), p. 59; v. 17 (Jo) (Argument), p. 22; Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>III.2.39; <em>\u00a0<\/em>IV.8.6). Em outro lugar Calvino diz que os Ap\u00f3stolos foram \u201ccertos e aut\u00eanticos amanuenses do Esp\u00edrito Santo\u201d (<em>As Institutas,<\/em> IV.8.9). No entanto, devemos entender, que Calvino usa esta express\u00e3o n\u00e3o para sustentar o \u201cditado\u201d divino, mas sim, para demonstrar que os Ap\u00f3stolos n\u00e3o criaram de sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o a sua mensagem, antes, a receberam diretamente do Esp\u00edrito. Ou seja, ele se refere ao resultado do registro, n\u00e3o ao processo em si. Entendia que Mois\u00e9s escreveu os cinco livros da Lei \u201cn\u00e3o somente sob a orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito do Deus, mas porque Deus mesmo os tinha sugerido, falando-lhe com palavras de sua pr\u00f3pria boca\u201d (John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 3, (Ex 31.18), p. 328. A Palavra procede dos \u201cl\u00e1bios de Deus\u201d (John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> v. 1\/1, (Gn 17.4), p. 446) Vejam-se tamb\u00e9m: John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 10 (Jr 36.28), p. 352; v. 22 (2Pe 1.21), p. 391). Veja-se uma boa exposi\u00e7\u00e3o sobre este ponto em: B.B. Warfield, <em>Calvin and Calvinism,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work\u2019s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 63ss.; Edward J. Young, <em>Thy Word Is Truth, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1957, p. 66-67; Wilson Castro Ferreira, <em>Calvino: Vida, Influ\u00eancia e Teologia, <\/em>Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1985, p. 356-257; David L. Puckett, <em>John Calvin\u2019s Exegesis of the Old Testament<\/em>, Louisville, Kentucky: Westminster John Knox Press (Columbia series Reformed Theological), 1995, p. 25ss.; Derek Thomas, A Prega\u00e7\u00e3o Expositiva: Mantendo os olhos no texto: In: R. Albert Mohler, Jr., <em>Apascenta o meu rebanho: um apaixonado apelo em favor da prega\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 51. Curiosamente, o Conc\u00edlio de Trento, na sua quarta sess\u00e3o (08\/04\/1546), usa esta express\u00e3o para as Escrituras: <em>\u201cSpiritu Sancto dictante\u201d <\/em>(<em>\u201cForam ditadas verbalmente por Jesus Cristo ou pelo Esp\u00edrito Santo\u201d<\/em>) (<a href=\"http:\/\/agnusdei.50webs.com\/trento7.htm\">http:\/\/agnusdei.50webs.com\/trento7.htm<\/a>). (Ver: P. Schaff, <em>The Creeds of Christendom,<\/em> 6. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Revised and Enlarged), (1931), v. 2, p. 80; Robert Laird Harris, <em>Inspira\u00e7\u00e3o e Canonicidade da B\u00edblia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2001, p. 18 e 306; Carl R. Trueman, O poder da Palavra no presente: A inerr\u00e2ncia e a Reforma: In:\u00a0 John F. MacArthur, org. \u00a0<em>A Palavra Inerrante, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2018, [p. 137-148], p. 143; Kenneth S. Kantzer, Calvin and the Holy Scriptures: In: John W. Walvoord, ed. <em>Inspiration and Interpretation, <\/em>\u00a0Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1957, [p. 115-155], p. 137ss.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker, 1996 (Reprinted), v. 22, (1Pe 1.11), p. 39-40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> J\u00e1 nos Pais da Igreja encontramos uma variedade de opini\u00f5es concernentes \u00e0 sua autoria. Alguns, conforme informa Or\u00edgenes \u2013 citado por Eus\u00e9bio \u2013, pensavam que teria sido escrito por Paulo (Eusebio de Cesarea, <em>Historia Eclesi\u00e1stica,<\/em> Madrid: La Editorial Catolica, S.A., (Biblioteca de Autores Cristianos), 1973, VI.25.13. (Ver III.3.5; III.38.1ss; VI.20.3), Clemente de Roma ou Lucas. (Cf. Eus\u00e9bio, HE, VI.25.14. (Ver III.38.1ss.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Erasmo de Roterd\u00e3 (1466-1536) reviveu, no s\u00e9culo XVI, a hip\u00f3tese de Clemente ter sido o autor de Hebreus. (Cf. Donald Guthrie, <em>New Testament Introduction<\/em>, 3. ed. (Rev.), Downers Grove, Illinois: Inter-Varsity Press, in one volume, 1970, p. 694). Posi\u00e7\u00e3o (Clemente ou Lucas) que Calvino (1509-1564) parecia estar disposto a aceitar (<em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreos<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 13.23), p. 402). Certo era que ele n\u00e3o cria na autoria paulina. (<em>Ibidem<\/em>, (Introdu\u00e7\u00e3o), p. 22; Hb 2.3, p. 54, 55; (Hb 11.3), p. 300).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lutero acreditava que poderia ter sido escrita tardiamente por algum disc\u00edpulo dos ap\u00f3stolos. Por\u00e9m, considera a quest\u00e3o da autoria irrelevante (Martinho Lutero, Pref\u00e1cio \u00e0 Ep\u00edstola aos Hebreus: In: <em>Martinho Lutero: Obras Selecionadas, <\/em>S\u00e3o Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comiss\u00e3o Interluterana de Literatura; Sinodal; Conc\u00f3rdia, 2003, v. 8, p. 152-153).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Clemente de Alexandria (c. 150- c.215) supunha ter sido escrita por Paulo em Hebraico e Lucas a teria traduzido. (Eus\u00e9bio, HE, VI.14.2\/III.38.2). S. Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274) tamb\u00e9m partilhou desta concep\u00e7\u00e3o (Cf. F.F. Bruce, <em>La Epistola a Los Hebreos,<\/em> Michigan: Nueva Creacion, 1987, p. xxxix). Aquino, numa s\u00e9rie de serm\u00f5es pregados sobre o \u201c<em>Credo Apost\u00f3lico<\/em>\u201d, em N\u00e1poles (1273), cita Hebreus como sendo de Paulo. (Ver: S. Tom\u00e1s de Aquino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o Sobre o Credo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Loyola, 1994, p. 17.25). O pr\u00f3prio Or\u00edgenes considerava que o estilo da ep\u00edstola assemelha-se ao de Paulo e a composi\u00e7\u00e3o parecia de algu\u00e9m que evocava os seus ensinamentos, como um aluno que anota os escritos de seu mestre (Eusebio, HE, VI.25.13), contudo, sobre quem escreveu a carta, conclui ele, somente Deus sabe a verdade (Eusebio, HE, VI.25.14). (Para uma discuss\u00e3o mais completa desse assunto, veja-se: Hermisten M.P. Costa, <em>A Inspira\u00e7\u00e3o e Inerr\u00e2ncia das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>David L. Puckett, <em>John Calvin\u2019s Exegesis of the Old Testament<\/em>, Louisville, Kentucky: Westminster John Knox Press (Columbia series Reformed Theological), 1995, p. 27. Em uma linha semelhante, resume Crampton: \u201cA vis\u00e3o que Calvino mantinha sobre os autores da Escritura \u00e9 que o Esp\u00edrito Santo agiu neles em um caminho org\u00e2nico, em acordo com suas pr\u00f3prias personalidades, car\u00e1ter, temperamentos, dons e talentos. Cada autor escreveu em seu pr\u00f3prio estilo, e todos eles foram movidos pelo Esp\u00edrito Santo para escreverem a verdade infal\u00edvel. Realmente cada estilo de autor foi nele mesmo produzido pela provid\u00eancia de Deus\u201d (W. Gary Crampton, <em>What Calvin Says, <\/em>Maryland: The Trinity Foundation, 1992, p. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ver Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.8.10-12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Ef\u00e9sios<\/em><strong>,<\/strong> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 3.3), p. 86.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> \u201cEm certo sentido, a hist\u00f3ria da teologia crist\u00e3 pode ser entendida como a hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica\u201d (Alister E. McGrath, <em>Fundamentos do Di\u00e1logo entre Ci\u00eancia e Religi\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005, p. 15). \u00c0 frente: \u201cEmbora a controv\u00e9rsia centralizada em Galileu seja quase sempre considerada a luta entre ci\u00eancia e religi\u00e3o, ou entre libertarismo e autoritarismo, o que estava verdadeiramente em jogo era o sentido a da correta interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia\u201d (Alister E. McGrath, <em>Fundamentos do Di\u00e1logo entre Ci\u00eancia e Religi\u00e3o<\/em><strong>,<\/strong> p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201cN\u00e3o h\u00e1 exagero em dizer que a Reforma do S\u00e9culo XVI foi, no fundo, uma revolu\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica\u201d (Mois\u00e9s Silva, Has the Church Misread the Bible?: In: Mois\u00e9s Silva, ed. ger. <em>Foundations of Contemporary Interpretation<\/em> (Six Volumes in One), Grand Rapids: Michigan: Zondervan, 1996. [p. 15-90], p. 62).\u201cA Reforma Protestante foi em sua raiz um evento do dom\u00ednio da hermen\u00eautica\u201d (Edward A. Dowey Jr., Documentos Confessionais como Hermen\u00eautica: In: Donald K. Mckim, ed., <em>\u00a0Grandes Temas da Teologia Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Pend\u00e3o Real, 1999, p. 13). \u201cA Reforma Protestante foi, em muitos sentidos, um movimento hermen\u00eautico\u201d (Augustus N. Lopes, <em>A B\u00edblia e Seus Int\u00e9rpretes, <\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2004, p. 159).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Richard H. Popkin, <em>Hist\u00f3ria do Ceticismo de Erasmo a Spinoza, <\/em>Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2000, p. 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>Cf. Alister E. McGrath, <em>Historical Theology: An Introduction to the History of Christian Thought<\/em>, Massachusetts: Blackwell Publishers, 1998, p. 210. A <em>Confiss\u00e3o de Westminster<\/em> fala tamb\u00e9m da \u201ccondescend\u00eancia\u201d de Deus em firmar um Pacto com o homem ca\u00eddo (Ver: <em>Confiss\u00e3o de Westminster, <\/em>VII.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Battles\u00a0 (1915-1979) nos adverte que Calvino nunca empregou a palavra \u201cacomoda\u00e7\u00e3o\u201d na forma substantivada (<em>accommodatio) <\/em>nas <em>Institutas <\/em>e, possivelmente em qualquer de seus escritos. Por\u00e9m, utilizou os verbos <em>accommodare <\/em>ou <em>attemperare<\/em>. (acomodar). (Cf. Ford L. Battles, <em>Interpreting John Calvin,<\/em> Grand Rapids, MI.: Baker Books, 1996, p. 117).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>J. Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> (1Co 2.7), p. 82.\u00a0 \u201cDeus n\u00e3o pode ser compreendido por n\u00f3s, a menos que se acomode ao nosso padr\u00e3o\u201d (John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 11\/2, (Ez. 9.3,4), p. 304). \u201cN\u00e3o podemos compreender plenamente a Deus em toda a sua grandeza, mas que h\u00e1 certos limites dentro dos quais os homens devem manter-se, embora Deus acomode \u00e0 nossa tacanha capacidade toda declara\u00e7\u00e3o que faz de si mesmo. Portanto, somente os estultos \u00e9 que buscam conhecer a ess\u00eancia de Deus\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Paracletos, 1997, (Rm 1.19), p. 64). \u201cO Esp\u00edrito Santo propositadamente acomoda ao nosso entendimento os modelos de ora\u00e7\u00e3o registrados na Escritura\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos, <\/em>v. 1, (Sl 13.3), p. 265). \u201cPorque se viesse a n\u00f3s em Sua majestade estar\u00edamos perdidos; por\u00e9m quando Se nos apresenta por meio de homens se acomoda a nossas debilidades para que possamos conhecer mais convenientemente sua verdade a qual Ele nos prop\u00f5e\u201d (Juan Calvino, Autoridad y Reverencia que Debemos a la Palabra de Dios: In: <em>Sermones Sobre Job,<\/em> Jenison, Michigan: T.E.L.L., 1988, (Sermon n\u00ba 17), p. 212).\u00a0 \u201cPorque, uma vez que em si mesmo seja incompreens\u00edvel, ele assume, quando quer manifestar-se, aquelas marcas pelas quais possa ser conhecido\u201d (John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 1\/1, (Gn 3.8), p. 161). \u201cEste \u00e9 aquele arrependimento t\u00e3o ami\u00fade referido nas Escrituras. N\u00e3o que Deus seja em si mut\u00e1vel, mas Ele usa a linguagem humana para que sejamos afetados com o mais profundo senso de sua ira\u201d (J. Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 106.23), p. 685]. \u201cO Esp\u00edrito Santo n\u00e3o teve inten\u00e7\u00e3o de ensinar astronomia; e, com o prop\u00f3sito de instruir procurou ser comum \u00e0s pessoas mais simples e iletradas\u201d (John Calvin, <em>Commentary on the Book of Psalms, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin\u2019s Commentaries, v. 6\/4), 1996 (Reprinted), (Sl 136.7), p. 184]. Veja-se: James Orr, Ci\u00eancia e F\u00e9 Crist\u00e3: In: R.A. Torrey, ed. <em>Os Fundamentos<\/em>, (Edi\u00e7\u00e3o atualizada por L. Feinberg), S\u00e3o Paulo: Hagnos Editora, 2005, p. 129-139. Ver tamb\u00e9m: Herman Bavinck, <em>Reformed Dogmatics: Volume 1: Prolegomena<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 2003, p. 214.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Calvino usou deste recurso hermen\u00eautico para explicar assuntos aparentemente contradit\u00f3rios na B\u00edblia. Falando sobre os antropomorfismos b\u00edblicos, diz em lugares diferentes: \u201cPois quem, mesmo que de bem parco entendimento, n\u00e3o percebe que Deus assim conosco fala como que a balbuciar, como as amas costumam fazer com as crian\u00e7as? Por isso, formas de express\u00e3o que tais n\u00e3o exprimem, de maneira clara e precisa, tanto qu\u00ea Deus seja, quanto Lhe acomodam o conhecimento \u00e0 paucidade da compreens\u00e3o nossa. Para que assim se d\u00ea, necess\u00e1rio Lhe \u00e9 descer muito abaixo de Sua excelsitude\u201d (J. Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.13.1). \u201cA descri\u00e7\u00e3o que dele se nos outorga tem de acomodar-se-nos \u00e0 capacidade, para que seja de n\u00f3s entendida. Esta \u00e9, na verdade, a forma de acomodar-se: que tal se nos represente, n\u00e3o qual \u00e9 em Si, por\u00e9m, qual \u00e9 poss\u00edvel de ser de n\u00f3s apreendido\u201d (J. Calvino, <em>As<\/em> <em>Institutas, <\/em>I.17.13). Ver tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> v. 1, (Sl 13.3), p. 265; (Sl 19.4-6), p. 420-421\/ v. 2, (Sl 50.14), p. 409; v. 3, (Sl 78.65), p. 241; (Sl 91.4), p. 447; (Sl 93.2), p. 474; (Sl 106.23), p. 685; Jo\u00e3o Calvino, <em>O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.1), p. 30;\u00a0 (Jo 3.12), p. 127; v. 2, (Jo 14.28), p. 111; (Jo 21.25), p. 327; <em>As Institutas,<\/em> I.14.3,11; I.16.9; IV.17.11; <em>As Institutas, <\/em>(1541) III.8. Deste princ\u00edpio derivado da Ret\u00f3rica (Cf. Alister E. McGrath, <em>A Vida de Jo\u00e3o Calvino,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2004, p. 154ss.) ele tirou um princ\u00edpio pedag\u00f3gico: \u201cUm s\u00e1bio mestre tem a responsabilidade de acomodar-se ao poder de compreens\u00e3o daqueles a quem ele administra o ensino, de modo a iniciar-se com os princ\u00edpios rudimentares quando instrui os d\u00e9beis e ignorantes, n\u00e3o lhes dando algo que porventura seja mais forte do que podem suportar\u201d (J. Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> (1Co 3.1), p. 98-99. Ver tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>(2Tm 2.15), p. 235]. Hooykaas (1906-1994) sustenta que a \u201cteoria da acomoda\u00e7\u00e3o de Calvino\u201d exerceu poderosa influ\u00eancia sobre os astr\u00f4nomos protestantes (Ver: R. Hooykaas, <em>A Religi\u00e3o e o Desenvolvimento da Ci\u00eancia Moderna,<\/em> Bras\u00edlia, DF.: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1988, p. 160ss.; Alister E. McGrath, <em>Historical Theology: An Introduction to the History of Christian Thought<\/em>, Massachusetts: Blackwell Publishers, 1998, p. 210. Em que pese o marxismo do autor, veja-se a obra de Christopher Hill, <em>A B\u00edblia Inglesa e as Revolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XVII,<\/em> Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2003, p. 43ss.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> John Calvin, <em>Calvin&#8217;s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted),\u00a0 v. 8\/1,\u00a0 (Is 40.18), p.\u00a0 223<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> v. 3, (Sl 78.65), p. 241.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>John H. Gerstner, A Atitude da Igreja Perante a B\u00edblia: Calvino e os Te\u00f3logos de Westminster: In: Norman Geisler, org. <em>A Inerr\u00e2ncia B\u00edblica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2003, p. 477. Veja-se tamb\u00e9m: Alister E. McGrath, <em>A Vida de Jo\u00e3o Calvino,<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 2004, p. 154ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> John Calvin, <em>Commentary on the Gospel According to John,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin\u2019s Commentaries, v. 18), 1996 (Reprinted), (Jo 21.25), p. 299.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>John Calvin, <em>Calvin&#8217;s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 22,\u00a0 (1Pe 1.21), p. 54. Parker interpretando Calvino, diz: \u201c&#8230;. Os pensamentos e a linguagem de Deus s\u00e3o incompreens\u00edveis ao homem. Mas revela\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 revela\u00e7\u00e3o se ela for compreens\u00edvel. Portanto, os pensamentos e a linguagem de Deus devem tornar-se compreens\u00edveis, e isso acontece quando Deus, para dizer assim, os traduz em pensamentos e linguagem humanos\u201d (T.H.L. Parker, <em>Calvin\u00b4s New Testament Commentaries,<\/em> 2. ed. Louisville, Kentucky: Westminster; John Knox Press, 1993 p. 94). Esse princ\u00edpio de acomoda\u00e7\u00e3o fora amplamente usado pelos judeus e Pais da Igreja. Para um estudo mais detalhado desse tema, vejam-se: \u00a0Stephen D. Benin, <em>The footprints of God: divine accommodation in Jewish and Christian Thought<\/em>, Albany: State University of New York Press, 1993; Ford L. Battles, <em>Interpreting John Calvin,<\/em> Grand Rapids, MI.: Baker Books, 1996, p. 117-137; Edward A. Dowey, Jr., <em>Knowledge ot God in Calvin\u2019s Theology, <\/em>\u00a0New York: Columbia University Press, 1952, p. 3ss.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, (III.7). v. 3,\u00a0 p. 9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.8.1. Calvino, continua: \u201cOra, e n\u00e3o sem a ex\u00edmia provid\u00eancia de Deus isto se faz, que sublimes mist\u00e9rios do reino celeste fossem, em larga medida transmitidos em termos de linguagem apoucada e sem realce, para que houvessem eles de ser adere\u00e7ados em mais esplendorosa eloqu\u00eancia, os \u00edmpios n\u00e3o alegassem cavilosamente que a s\u00f3 for\u00e7a desta aqui impera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cAgora, quando essa n\u00e3o burilada e quase r\u00fastica simplicidade provoca maior rever\u00eancia de si que qualquer eloqu\u00eancia de ret\u00f3ricos oradores, que \u00e9 de julgar-se, sen\u00e3o que a pujan\u00e7a da verdade da Sagrada Escritura t\u00e3o sobranceira se estadeia, que n\u00e3o necessite do artif\u00edcio das palavras?\u201d (J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.8.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, ele tamb\u00e9m entendia que \u201calguns Profetas t\u00eam um modo de dizer elegante e polido, at\u00e9 mesmo esplendoroso, assim que a eloqu\u00eancia lhes n\u00e3o cede aos escritores profanos\u201d (J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.8.2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 78.3), p. 198.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Editor e Revisor: Vinicius Lima.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica sempre foi o ponto nevr\u00e1lgico em toda a hist\u00f3ria da teologia. 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