{"id":68367,"date":"2024-06-19T08:00:59","date_gmt":"2024-06-19T11:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=68367"},"modified":"2024-06-11T17:28:43","modified_gmt":"2024-06-11T20:28:43","slug":"a-autoridade-e-responsabilidade-de-quem-prega-a-palavra-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/06\/a-autoridade-e-responsabilidade-de-quem-prega-a-palavra-de-deus\/","title":{"rendered":"A autoridade e responsabilidade de quem prega a Palavra de Deus"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Cap\u00edtulo 11 da s\u00e9rie O Esp\u00edrito e a Escritura | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-espirito-e-a-escritura%2F&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nota do Editor:<\/strong> Este artigo \u00e9 um recurso selecionado para a <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2024\/04\/semana-da-inerrancia-biblica\/\">Semana da Inerr\u00e2ncia B\u00edblica do Minist\u00e9rio Fiel e Voltemos ao Evangelho<\/a>, uma semana onde estivemos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerr\u00e2ncia, sufici\u00eancia e autoridade da B\u00edblia, que \u00e9 a Palavra de Deus. Pedimos ao nosso colunista mais ass\u00edduo do blog, o <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/autor\/hermisten-maia\/\">Reverendo Hermisten Maia<\/a>, para escrever sobre o assunto; ele ent\u00e3o nos presenteou com mais uma de suas s\u00e9ries, trazendo profundidade ao tema! Desfrute e compartilhe destes conte\u00fados e tenha sua f\u00e9 na inerrante Palavra de Deus fortalecida!<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>A Reforma n\u00e3o inventou a prega\u00e7\u00e3o, contudo, a colocou no centro do culto e, esfor\u00e7ou-se por falar na l\u00edngua nativa de suas congrega\u00e7\u00f5es. Aos poucos, a Reforma procurou preparar bem os futuros pregadores, crendo sempre na autoridade da Palavra e na total depend\u00eancia do Esp\u00edrito Santo.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Quando um jovem pregador que, desanimado reclamava que n\u00e3o conseguia fazer serm\u00f5es <em>mais longos<\/em>, achava que teria sido melhor seguir sua antiga profiss\u00e3o, Lutero aconselhou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Tenha em vista apenas a honra de Deus e n\u00e3o os aplausos. Ore para que Deus lhe d\u00ea boca [para falar] e ouvidos \u00e0 sua audi\u00eancia. Posso lhe dizer que pregar n\u00e3o \u00e9 obra de homens. Embora eu j\u00e1 seja velho [ele estava com 48 anos de idade] e experiente, sinto medo toda as vezes que preciso pregar. (&#8230;) Por isso, ore a Deus e deixe todo o resto em suas m\u00e3os.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Algo que chama a aten\u00e7\u00e3o na teologia de Calvino, expressa em sua ampla e prof\u00edcua obra composta por serm\u00f5es, cartas, coment\u00e1rios, tratados e nas <em>Institutas, <\/em>\u00e9 o apego dele \u00e0s Escrituras. Ele amava a B\u00edblia. As Escrituras n\u00e3o constitu\u00edam para ele um livro qualquer, sem relev\u00e2ncia, muito menos a colocava no mesmo n\u00edvel de outras obras que ele mesmo apreciava. N\u00e3o. A Escritura \u00e9 um livro \u00fanico e singular. Tem-se ali a Palavra de Deus para o homem em todas as \u00e9pocas e para todas as suas necessidades.<\/p>\n<p>Nas Escrituras, Calvino aprendeu sobre a soberania de Deus.\u00a0 Ele aprendeu que o Senhor \u00e9 sobre todas as coisas. A Escritura \u00e9 o cetro de Deus por meio do qual ele governa e rege a Igreja.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Surge, da\u00ed, a necessidade de se ler, meditar, ensinar e preg\u00e1-la de forma fiel, perseverante e sistem\u00e1tica. \u00c9 por meio da Palavra que se \u00e9 instru\u00eddo, corrigido e governado. Ela deve ser o manual de vida e culto do crist\u00e3o. A piedade come\u00e7a pela instru\u00e7\u00e3o que \u00e9 fornecida por meio da Escritura. \u201cA piedade est\u00e1 sempre fundamentada no conhecimento do verdadeiro Deus; e isso requer ensino\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>A prega\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio estabelecido por Deus para conduzir o seu povo, portanto, a responsabilidade da igreja enquanto mensageira e ouvinte: \u201cDevemos entender que Jesus Cristo deseja governar sua igreja mediante a prega\u00e7\u00e3o de sua Palavra, \u00e0 qual n\u00f3s devemos dar toda devida rever\u00eancia\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 nos primeiros meses de sua estada em Genebra (1536), Calvino lamenta a exist\u00eancia de t\u00e3o poucos ministros para cuidarem da igreja do Senhor.\u00a0 Na ocasi\u00e3o em que esteve em Lausanne em companhia de Pierre Viret (1511-1571) e Guilherme Farel (1489-1565), tendo participado do <em>Debate de Lausanne, <\/em>iniciado no dia 2 de outubro, escreve ao seu amigo Francis Daniel no dia 13 de outubro de 1536:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Se os ventres pregui\u00e7osos que est\u00e3o com voc\u00ea, que gorjeiam juntos t\u00e3o docemente \u00e0 sombra, fossem t\u00e3o dispostos quanto s\u00e3o faladores, correriam juntamente para c\u00e1 para tomarem parte do labor para si mesmos, visto que h\u00e1 t\u00e3o poucos de n\u00f3s. Quase n\u00e3o d\u00e1 para acreditar no n\u00famero t\u00e3o pequeno de ministros, comparado ao t\u00e3o grande n\u00famero de igrejas que carecem de pastores. Como desejo, ao ver a extrema necessidade da igreja, que, embora sejam poucos em n\u00famero, houvesse ao menos entre voc\u00eas alguns homens de cora\u00e7\u00e3o reto que pudessem ser induzidos a ajudar! Que o Senhor o guarde.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Devido \u00e0 gravidade da mensagem do Evangelho, e a nobreza da tarefa que temos,\u00a0 os pastores devem ensinar a Palavra com decoro: \u201cMantenhamos bem nitidamente conosco que, se os atores no palco observam o decoro, o mesmo n\u00e3o deve ser negligenciado pelos pastores em sua sublime posi\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Do mesmo modo, em total depend\u00eancia do Esp\u00edrito: \u201cO Senhor n\u00e3o quer que exer\u00e7am [ministros] seu of\u00edcio com tibieza e langor, sen\u00e3o que avancem com todo vigor, confiando na efic\u00e1cia do Esp\u00edrito\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Portanto, a fiel perseveran\u00e7a \u00e9 fundamental ao ministro bem como ao crist\u00e3o em geral, no testemunho da verdade, Cristo ressurreto:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Toda verdade proclamada referente a Cristo \u00e9 completamente paradoxal pelo prisma do ju\u00edzo humano. Entretanto, o nosso dever \u00e9 prosseguir em nossa rota. Cristo n\u00e3o deve ser suprimido s\u00f3 porque para muitos ele n\u00e3o passa de pedra de ofensa e rocha de esc\u00e2ndalo. Ao mesmo tempo que ele prova ser destrui\u00e7\u00e3o para os \u00edmpios, em contrapartida ele ser\u00e1 sempre ressurrei\u00e7\u00e3o para os fi\u00e9is.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Se, como vimos, o Esp\u00edrito n\u00e3o pode ser separado da Palavra, da mesma forma, a prega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o: \u201cO \u2018Esp\u00edrito\u2019 est\u00e1 unido com a Palavra, porque sem a efic\u00e1cia do Esp\u00edrito, a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de nada adiantar\u00e1, mas permanecer\u00e1 est\u00e9ril\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Em 1546, no segundo pref\u00e1cio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia feita pelo primo dele Pierre Oliv\u00e9tan (1506-1538), escreveu:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>[A Escritura] \u00e9 o mais importante e precioso bem de que dispomos nesse mundo, uma vez que ela \u00e9 a chave que nos abre o reino de Deus e nele nos introduz para que saibamos qual o Deus que devemos adorar e para qu\u00ea Ele nos chama; (ela) \u00e9 o caminho certo que nos conduz de tal modo que n\u00e3o vaguemos errantes, de l\u00e1 para c\u00e1, durante todo o tempo de nossa vida; \u00e9 a norma verdadeira para que possamos discernir entre o bem e o mal e nos exercitar no correto servi\u00e7o de Deus, para que n\u00e3o ajamos irrefletidamente, indo atr\u00e1s de mesquinharias de nenhum valor e, por vezes, buscar nossa devo\u00e7\u00e3o em coisas que Deus condena e reprova como sendo mal\u00e9ficas.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Calvino acentuou a responsabilidade do ministro: Deus se dignou em consagr\u00e1-los a si mesmo \u201cas bocas e l\u00ednguas dos homens, para que neles fa\u00e7a ressoar sua pr\u00f3pria voz\u201d.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0 Assim sendo, os pastores n\u00e3o est\u00e3o a seu pr\u00f3prio servi\u00e7o, mas de Cristo. Eles n\u00e3o buscam disc\u00edpulos para si mesmos, mas para Jesus Cristo.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>A esfera da autoridade do ministro \u00e9 derivada da Palavra:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A primeira regra do ministro \u00e9 n\u00e3o tentar fazer coisa alguma sem estar baseado nalgum mandamento.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A Escritura \u00e9 a fonte de toda a sabedoria, e os pastores ter\u00e3o de extrair dela tudo o que eles exp\u00f5em diante do seu rebanho.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>H\u00e1 uma regra prescrita para todos os servos de Deus: n\u00e3o tragam suas pr\u00f3prias inven\u00e7\u00f5es, mas simplesmente entreguem, como que de m\u00e3o a m\u00e3o, o que receberam de Deus.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Porque, se acompanharmos a todos em ordem, n\u00e3o acharemos que foram dotados de qualquer autoridade de ensinar ou responder, a n\u00e3o ser no Nome e pela Palavra do Senhor. Ora, onde s\u00e3o chamados para o of\u00edcio, ao mesmo tempo se lhes ordena que algo n\u00e3o tragam de si pr\u00f3prios, antes falem pela boca do Senhor. Nem ele mesmo os p\u00f5e diante do p\u00fablico, para que sejam ouvidos pelo povo, antes que lhes haja preceituado o que devam falar, para que nada falem sen\u00e3o sua Palavra.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/em><\/p>\n<p>O segredo dessa fidelidade est\u00e1 nesse princ\u00edpio: \u201cTodos os verdadeiros pastores da Igreja devem ser disc\u00edpulos, para que nada ensinem sen\u00e3o o que houver recebido\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> E mais. Eles devem crer no que ensinam:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Seria mera tagarelice, ou uma profan\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, caso algu\u00e9m subisse a um p\u00falpito para falar como um anjo; mas, simultaneamente, n\u00e3o estivesse movido no cora\u00e7\u00e3o nem persuadido daquilo que diz. Ser-lhe-ia melhor ser afogado cem vezes do que dar o mais excelente testemunho da salva\u00e7\u00e3o e da verdade de Deus em todo lugar e, ao mesmo tempo, n\u00e3o estar convencido em si mesmo do que prega.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Portanto, todo o of\u00edcio do ministro deve estar intimamente conectado com a Palavra:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Porque devemos ter como coisa resolvida que todo o of\u00edcio deles se limita \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, toda a sua sabedoria consiste somente no conhecimento dessa Palavra, e toda a sua eloqu\u00eancia ou orat\u00f3ria se restringe \u00e0 prega\u00e7\u00e3o dela. Se se afastarem dessa norma, ser\u00e3o tolos em seus sentidos, gagos em seu falar, trai\u00e7oeiros e infi\u00e9is em seu of\u00edcio, sejam eles profetas, ou bispos, ou mestres, ou pessoas estabelecidas em dignidade mais alta.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Os ministros s\u00e3o vocacionados por Deus n\u00e3o para pregarem suas opini\u00f5es, mas o Evangelho de Cristo. E mais, o Evangelho deve ser anunciado em sua inteireza, sem misturas, adi\u00e7\u00f5es e cortes. Essas caracter\u00edsticas distinguem essencialmente os ministros verdadeiros dos falsos mestres:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cA verdade do evangelho\u201d deve ser considerada como sendo sua genu\u00edna pureza ou, o que vem a ser a mesma coisa, sua pura e s\u00f3lida doutrina. Pois os falsos ap\u00f3stolos n\u00e3o aboliam totalmente o evangelho, mas o adulteravam com suas no\u00e7\u00f5es pessoais, de modo que ele logo passava a ser falso e mascarado. Isso \u00e9 sempre assim quando nos apartamos, mesmo em grau m\u00ednimo, da simplicidade de Cristo. Qu\u00e3o impudentes, pois, s\u00e3o os papistas ao se vangloriarem de que possuem o evangelho, pois ele n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 corrompido por uma infinidade de inven\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m \u00e9 mais que adulterado por dogmas infind\u00e1veis e pervertidos.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Mestre \u00e9 aquele que aprende ensinando. Come\u00e7a-se por pregar para si mesmos. Pregando sobre o livro de J\u00f3, disse:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Quando eu subo ao p\u00falpito n\u00e3o \u00e9 para ensinar os outros somente. Eu n\u00e3o me retiro aparte, visto que eu devo ser um estudante, e a Palavra que procede da minha boca deve servir para mim assim como para voc\u00ea, ou ela ser\u00e1 o pior para mim.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Por meio dessa breve revis\u00e3o de algumas de suas coloca\u00e7\u00f5es, pode-se entender melhor a import\u00e2ncia que Calvino atribui \u00e0 prega\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade dela ser uma exposi\u00e7\u00e3o fiel das Escrituras. A autoridade do ministro \u00e9 determinada por sua fidelidade ao Esp\u00edrito que nos deu a sua Palavra.<\/p>\n<p>O conselho que o pr\u00f3prio Calvino emitiu no pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o francesa da <em>Institui\u00e7\u00e3o<\/em> (1541), permanece para todas as suas obras, tamb\u00e9m como princ\u00edpio avaliador de qualquer labor humano: \u201cImporta em tudo quanto exponho recorrer ao testemunho da Escritura, que aduzo para ajuizar da proced\u00eancia e justeza do que afirmo\u201d. Aqui Calvino revela o seu mais alto apre\u00e7o pela Escritura. Ela procede de Deus, por isso, somente ela \u00e9 infal\u00edvel. Calvino cria nas reivindica\u00e7\u00f5es que as Escrituras fazem de si mesmas.<\/p>\n<p>Consequentemente, a autoridade daquilo que ele dizia era relativa. A autoridade do te\u00f3logo \u00e9 decorrente de sua seriedade para com a Palavra e interpreta\u00e7\u00e3o fidedigna. Somente as Escrituras s\u00e3o absolutas.<\/p>\n<p>Kruger capta bem o esp\u00edrito dos Reformadores:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Os Reformadores (&#8230;) estavam bastante dispostos a confiar nos pais da igreja, nos conselhos da igreja e nos credos e confiss\u00f5es da igreja. Tal embasamento hist\u00f3rico foi encarado n\u00e3o apenas como um meio para manter a ortodoxia, mas tamb\u00e9m como um meio para manter a humildade. Ao contr\u00e1rio da percep\u00e7\u00e3o popular, os Reformadores n\u00e3o se viam como se estivessem trazendo algo novo. Em vez disso, eles entendiam que estavam recuperando algo muito antigo &#8211; algo que a igreja tinha acreditado inicialmente, mas que depois havia se torcido e distorcido. Os Reformadores n\u00e3o eram inovadores, mas escavadores.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/em><\/p>\n<p>De forma decorrente, como temos insistido, a autoridade de quem prega, n\u00e3o \u00e9 derivada do fato de ser pregador, mas de sua fidelidade na transmiss\u00e3o da Palavra. Portanto, n\u00e3o cabe \u00e0 igreja nem ao ministro forjar nenhuma nova doutrina:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Todavia, entre os ap\u00f3stolos e seus sucessores, como j\u00e1 disse, existe esta diferen\u00e7a: que aqueles foram infal\u00edveis e aut\u00eanticos amanuenses do Esp\u00edrito Santo, e por isso seus escritos devem ser tidos como or\u00e1culos de Deus; os outros, por\u00e9m, n\u00e3o t\u00eam outra fun\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o que ensinem o que foi dado a conhecer e consignado nas Sagradas Escrituras. Conclu\u00edmos, pois, n\u00e3o \u00e9 permitido aos ministros fi\u00e9is que forjem algum dogma novo, mas simplesmente que se apeguem \u00e0 doutrina \u00e0 qual Deus a todos sujeitou, sem exce\u00e7\u00e3o. Ao afirmar tal coisa, meu intuito \u00e9 mostrar n\u00e3o apenas o que se permite a cada indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m o que se permite a toda a Igreja. \u00a0(&#8230;) \u00a0Evidentemente, se a f\u00e9 depende somente da Palavra de Deus, que somente para ela volvamos nossos olhos e nela reclinemos, que lugar fica para a palavra do mundo inteiro? Tampouco se poder\u00e1 aqui hesitar, quem quer que conhe\u00e7a bem o que \u00e9 a f\u00e9, pois importa que ela esteja sustentada por essa firmeza, merc\u00ea da qual subsista inquebrantada e destemida contra Satan\u00e1s todas as maquina\u00e7\u00f5es dos infernos e o mundo todo. Esta firmeza s\u00f3 acharemos na Palavra de Deus. Al\u00e9m disso, \u00e9 universal a raz\u00e3o que conv\u00e9m ter aqui em vista: que Deus por isso detrai aos homens a faculdade de proferir dogma novo, para que somente ele seja nosso Mestre na doutrina espiritual, como somente verdadeiro [Rm 3.4] \u00e9 Aquele que n\u00e3o pode mentir, nem enganar. Esta raz\u00e3o diz respeito n\u00e3o menos a toda Igreja que a cada um dos fi\u00e9is.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>E para que os leitores entendam melhor em que repousa, acima de tudo, esta quest\u00e3o, exporei em poucas palavras que \u00e9 que nossos advers\u00e1rios pretendem e em qu\u00ea lhes resistimos. Sua afirma\u00e7\u00e3o de que a Igreja n\u00e3o pode errar, a interpretam nestes termos: quando ela \u00e9 governada pelo Esp\u00edrito de Deus, pode avan\u00e7ar com seguran\u00e7a sem a Palavra; para onde quer que avance, n\u00e3o pode sentir nem falar sen\u00e3o o que \u00e9 verdadeiro; da\u00ed, se algo al\u00e9m ou fora da Palavra de Deus precisa ser preceituado, tem de ser considerado como se fosse or\u00e1culo direto de Deus. N\u00f3s admitimos que a Igreja n\u00e3o pode errar nas coisas necess\u00e1rias para a salva\u00e7\u00e3o, por\u00e9m deve ser entendido no sentido de que a Igreja, ao n\u00e3o fazer caso de toda sua sabedoria, se deixa ensinar pelo Esp\u00edrito e pela Palavra de Deus. Esta, pois, \u00e9 a diferen\u00e7a: esses colocam a autoridade da Igreja <strong>fora da <\/strong>Palavra de Deus; n\u00f3s, por\u00e9m, unimos ambas as coisas inseparavelmente. (&#8230;).<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Agora \u00e9 f\u00e1cil concluir qu\u00e3o extraviados andam nossos advers\u00e1rios, os quais se gabam unicamente do Esp\u00edrito Santo, para entronizar em seu nome doutrinas estranhas e muit\u00edssimo contr\u00e1rias \u00e0 Palavra de Deus, quando o pr\u00f3prio Esp\u00edrito quer ser associado \u00e0 Palavra de Deus por um v\u00ednculo indivis\u00edvel. E assim o afirma Cristo ao promet\u00ea-lo a sua Igreja, pois ele deseja que ela guarde a sobriedade que lhe tem recomendado, e lhe proibiu que acrescente ou tire qualquer coisa a sua Palavra [Dt 4.2; Ap 22.19, 20]. \u00c9 este decreto inviol\u00e1vel de Deus e do Esp\u00edrito Santo que nossos advers\u00e1rios tentam anular, quando imaginam que a Igreja \u00e9 governada pelo Esp\u00edrito Santo sem a Palavra.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Entre tantos outros autores, Calvino tamb\u00e9m nos ensina sobre o mensageiro e a mensagem que ouvimos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>As \u00fanicas pessoas que t\u00eam o direito de ser ouvidas s\u00e3o aquelas a quem Deus enviou e que falam a palavra de sua boca. Portanto, para qualquer homem exercer autoridade, duas coisas s\u00e3o requeridas: o chamamento [divino] e o desempenho fiel do of\u00edcio por parte daquele que foi chamado.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/em><\/p>\n<p>A <em>Segunda Confiss\u00e3o Helv\u00e9tica <\/em>(1566)<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> declara:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Cremos e confessamos que as Escrituras Can\u00f4nicas dos santos profetas e ap\u00f3stolos dos dois Testamentos s\u00e3o a verdadeira Palavra de Deus (&#8230;) Portanto, quando a Palavra de Deus \u00e9 pregada atualmente na igreja por pregadores legitimamente vocacionados, n\u00f3s cremos que a pr\u00f3pria Palavra de Deus \u00e9 anunciada e recebida pelos fi\u00e9is; e que nenhuma outra Palavra de Deus pode ser inventada, nem esperada que venha dos c\u00e9us: e que hoje o que deve ser considerado \u00e9 a pr\u00f3pria Palavra anunciada e n\u00e3o o ministro que prega, pois, embora este seja mau e pecador, contudo a Palavra de Deus permanece boa e verdadeira. (I.1,4).<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/em><\/p>\n<p>A compreens\u00e3o Reformada da autoridade b\u00edblica, fundamenta-se na convic\u00e7\u00e3o de sua proced\u00eancia conforme o pr\u00f3prio testemunho b\u00edblico. A Escritura procede do \u00fanico Deus da verdade. Por isso, ela n\u00e3o precisa de nosso testemunho para ser o que \u00e9. O nosso testemunho ilustra a gra\u00e7a de Deus que possibilita a nossa compreens\u00e3o da Palavra, mas, nada lhe acrescenta. Por isso, ela \u00e9 autoritativa porque Deus \u00e9 o seu autor, quem lhe confere autoridade. A Palavra \u00e9 autenticada por si. Ela \u00e9 totalmente digna de cr\u00e9dito.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> O Esp\u00edrito de Deus \u00e9 o int\u00e9rprete e comunicador da Escritura. Portanto, compreender a Palavra \u00e9 gra\u00e7a!<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> Somente o Esp\u00edrito pode de fato nos convencer da autoridade da Escritura.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>A Palavra \u00e9 a verdade de Deus, quer creiamos, quer n\u00e3o, aceitemos ou n\u00e3o. A autoridade da Palavra \u00e9 decorrente da sua origem divina. <em>\u201cNunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Esp\u00edrito Santo\u201d<\/em> (2Pe 1.21). Deste modo, a autoridade da Palavra \u00e9 proveniente do Deus da Palavra, n\u00e3o daqueles que a proclamam.<\/p>\n<p>A <em>Confiss\u00e3o de Westminster<\/em> declara com precis\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A autoridade da Escritura Sagrada, raz\u00e3o pela qual deve ser crida e obedecida, n\u00e3o depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que \u00e9 o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque \u00e9 a palavra de Deus.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Calvino (1509-1564), atento a isso, escreveu em lugares diferentes: \u201c\u00c9 chocante blasf\u00eamia afirmar que a Palavra de Deus \u00e9 fal\u00edvel at\u00e9 que obtenha da parte dos homens uma certeza emprestada\u201d.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a> Em outro lugar: \u201cA Palavra do Senhor \u00e9 semente frut\u00edfera por sua pr\u00f3pria natureza\u201d.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>Ainda que o papel do leitor jamais deva ser desconsiderado, eliminar o car\u00e1ter objetivo das Escrituras em prol de uma subjetividade livre de refer\u00eancias do pr\u00f3prio texto, torna-se o caminho f\u00e1cil e, como sabemos, perigoso, para cada um achar o que quiser. Uma espiritualidade \u201caut\u00f4noma do texto\u201d<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a> produz uma f\u00e9 vaga que se formaliza e se alimenta partindo de experi\u00eancias e mais experi\u00eancias, cada vez mais distantes da plenitude da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica e, por isso mesmo, sempre vulner\u00e1vel a crendices e supersti\u00e7\u00f5es, alheias ao necess\u00e1rio e imprescind\u00edvel exame e depura\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Uma f\u00e9 que n\u00e3o se sustenta biblicamente, \u00e9 mera crendice.<\/p>\n<p>Os efeitos dessa compreens\u00e3o Reformada das Escrituras e de sua pr\u00e1tica, podem ser em muitos aspectos no testemunho dos Puritanos. O sacerdote romano, Bruckberger (1907-1998), analisando os Puritanos nos Estados Unidos, concluiu: \u201cOs nossos puritanos n\u00e3o estudavam a B\u00edblia como exegetas, ainda menos como racionalistas. Ela era a sua vida\u201d.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/p>\n<p>De fato, se, pelo Esp\u00edrito recebemos a B\u00edblia como a Palavra autoritativa de Deus, n\u00e3o h\u00e1 lugar para relativismos. Ela \u00e9 a nossa vida, a Constitui\u00e7\u00e3o de nosso crer e agir. Quando a Escritura \u00e9 levada a s\u00e9rio como Palavra autoritativa de Deus, os efeitos disso n\u00e3o tardam a aparecer em nossa vida como resultado desta cosmovis\u00e3o.<\/p>\n<p>O historiador Boorstin (1914-2004), analisando a import\u00e2ncia do serm\u00e3o entre os Puritanos na Nova Inglaterra, admite:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Era o p\u00falpito, e n\u00e3o o altar, que ocupava o lugar de honra no templo da Nova Inglaterra. Por isso, o pr\u00f3prio serm\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Palavra de Deus, era o foco dos melhores esp\u00edritos da Nova Inglaterra. (&#8230;) A hist\u00f3ria do p\u00falpito na Nova Inglaterra \u00e9, assim, uma cr\u00f4nica ininterrupta da tentativa levada a cabo pelos dirigentes do Novo Mundo para aproximarem firmemente a sua comunidade do modelo crist\u00e3o.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/em><\/p>\n<p>A teologia tem como prop\u00f3sito principal nos ajudar a compreender as Escrituras.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a> O valor da teologia est\u00e1 na mesma propor\u00e7\u00e3o de seu aux\u00edlio na interpreta\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. Ainda que Calvino recorresse \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es dadas aos textos no decorrer da hist\u00f3ria da igreja, o foco da autoridade estava nas Escrituras.<\/p>\n<p>Calvino sustentava que o mesmo Esp\u00edrito que inspirou o registro das Escrituras, nos convence da autoridade de sua Palavra, concedendo-nos discernimento espiritual. O testemunho do Esp\u00edrito \u00e9 mais relevante e eficaz do que qualquer argumento ou arrazoado humano.<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/p>\n<p>Comentando 1Co 2.11, Calvino interpreta:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Paulo, aqui, pretende ensinar duas coisas: 1) que o ensino do evangelho s\u00f3 pode ser entendido pelo testemunho do Esp\u00edrito Santo; e 2) que a seguran\u00e7a daqueles que possuem tal testemunho do Esp\u00edrito Santo \u00e9 t\u00e3o forte e firme, como se o que creem pudesse realmente ser tocado com suas m\u00e3os e isto em raz\u00e3o do fato de que o Esp\u00edrito \u00e9 uma testemunha fiel e confi\u00e1vel.<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Em outro lugar:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A genu\u00edna convic\u00e7\u00e3o que os crentes t\u00eam da Palavra de Deus, acerca de sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o e de toda a religi\u00e3o, n\u00e3o emana das percep\u00e7\u00f5es da carne, ou de argumentos humanos e filos\u00f3ficos, e, sim da selagem do Esp\u00edrito, o que faz suas consci\u00eancias mais seguras e todas as d\u00favidas resolvidas.<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Como temos insistido, a Palavra de Deus jamais poder\u00e1 ser recebida salvadoramente sem o ensino do Esp\u00edrito. \u00c9 Ele quem de fato abre as Escrituras diante dos nossos olhos, nos capacitando a enxergar o Evangelho da Gl\u00f3ria de Deus.<\/p>\n<p>Calvino comentando o texto de 2Pe 1.3, diz:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A causa eficaz de f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a perspic\u00e1cia de nossa mente, mas a voca\u00e7\u00e3o de Deus. E ele (Pedro) n\u00e3o se refere somente \u00e0 voca\u00e7\u00e3o externa, que \u00e9 em si mesma ineficaz; mas \u00e0 voca\u00e7\u00e3o interna, realizada pelo poder secreto do Esp\u00edrito, quando Deus n\u00e3o somente emite sons em nossas orelhas pela voz do homem, mas, pelo seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito atrai intimamente nossos cora\u00e7\u00f5es para Ele mesmo.<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a><\/em><\/p>\n<p>A autoridade da Palavra n\u00e3o depende do testemunho de nenhum homem ou institui\u00e7\u00e3o, antes, baseia-se na autoridade divina do seu autor que nos fala por meio da Escritura: \u201ca credibilidade da doutrina se n\u00e3o firma antes que se nos persuada al\u00e9m de toda d\u00favida de que seu autor \u00e9 Deus. Destarte, a suprema prova da Escritura se estabelece reiteradamente da pessoa de Deus nela falar\u201d.<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a> Portanto, n\u00e3o \u00e9 o testemunho interno do Esp\u00edrito \u2013 sem d\u00favida fundamental para a compreens\u00e3o das Escrituras \u2013, que a tornam autoritativa; antes a sua autoridade \u00e9 proveniente da inspira\u00e7\u00e3o divina que a produziu e a preservou pelo Esp\u00edrito. Portanto, o Esp\u00edrito e a Palavra s\u00e3o insepar\u00e1veis.<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a><\/p>\n<p>Sem a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito n\u00e3o haveria o registro da Palavra; sem a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito jamais ser\u00edamos persuadidos de sua autenticidade e nunca poder\u00edamos compreender salvadoramente a revela\u00e7\u00e3o de Deus. Na Palavra temos uma a\u00e7\u00e3o retroalimentadora: O Esp\u00edrito nos conduz \u00e0 Palavra; a Palavra nos instrui sobre o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o nos enganemos. Calvino n\u00e3o ignorava os argumentos em prol da autoridade b\u00edblica; ele simplesmente entendia que sem a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito estes argumentos, por mais razo\u00e1veis que fossem (e ele os considerava convincentes), n\u00e3o produziria um conhecimento salvador.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese: Sem a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito n\u00e3o haveria o registro da Palavra; sem a ilumina\u00e7\u00e3o do mesmo Esp\u00edrito n\u00e3o haveria evid\u00eancia objetiva que se tornasse persuasiva ao homem. A verdade objetiva s\u00f3 se torna verdade subjetiva para o homem quando o Esp\u00edrito o persuade, fazendo-o enxergar as evid\u00eancias. Portanto, sem o Esp\u00edrito, jamais ser\u00edamos persuadidos de sua autenticidade e nunca poder\u00edamos compreender salvadoramente a revela\u00e7\u00e3o de Deus.<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a><\/p>\n<p>Gerstner (1914-1996) interpreta:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>O papel do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o \u00e9 alterar a evid\u00eancia (de insatisfat\u00f3ria para satisfat\u00f3ria) mas, sim, mudar as atitudes dos homens, da resist\u00eancia \u00e0 verdade para a submiss\u00e3o a ela. (&#8230;) Calvino n\u00e3o ensina que o Esp\u00edrito \u00e9 a evid\u00eancia em prol da inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Tudo quanto faz \u00e9 levar as pessoas a crerem na evid\u00eancia.<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Do mesmo modo Sproul (1939-2017) interpretando Calvino:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Para Calvino, o testemunho do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o \u00e9 um sussurro interior trazendo uma nova informa\u00e7\u00e3o ou um truque interno que transforme um argumento fraco em um bom argumento. O testemunho interno n\u00e3o nos leva a crer em oposi\u00e7\u00e3o a uma evid\u00eancia; ele trabalha em nossos cora\u00e7\u00f5es para levar-nos \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o diante de uma evid\u00eancia objetiva. (&#8230;) O Esp\u00edrito leva-nos a sermos persuadidos pela prova.<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Calvino, o te\u00f3logo da Palavra e do Esp\u00edrito, escreveu magistralmente sobre este ponto certificando que o testemunho do Esp\u00edrito \u00e9 superior a qualquer arrazoado humano porque, na realidade, \u00e9 mais elevado do que a\u00a0 capacidade humana racional:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>O testemunho do Esp\u00edrito \u00e9 superior a todos os argumentos. Deus na Sua Palavra \u00e9 a \u00fanica testemunha adequada a respeito de Si mesmo, e, de maneira semelhante, Sua Palavra n\u00e3o ser\u00e1 verdadeiramente crida nos cora\u00e7\u00f5es dos homens at\u00e9 que tenha sido selada pelo testemunho do Seu Esp\u00edrito. O mesmo Esp\u00edrito que falou atrav\u00e9s dos profetas deve entrar em nosso cora\u00e7\u00e3o para convencer-nos que eles entregaram fielmente a mensagem que Deus lhes deu. (&#8230;) Sendo iluminados pelo Seu poder, j\u00e1 n\u00e3o devemos ao nosso pr\u00f3prio ju\u00edzo, nem ao de outros, o fato de crermos que as Escrituras v\u00eam da parte de Deus; mas, por raz\u00f5es al\u00e9m do julgamento humano temos perfeita certeza, como se nelas contempl\u00e1ssemos a gl\u00f3ria do pr\u00f3prio Deus, que elas foram transmitidas a n\u00f3s da pr\u00f3pria boca de Deus, pela instrumentalidade dos homens. N\u00e3o procuramos argumentos ou probabilidades sobre os quais fundamentar nosso julgamento, mas sim sujeitamos nosso julgamento e nosso intelecto a elas como sendo algo acima e al\u00e9m de toda disputa. Nossa convic\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 tal que n\u00e3o requer argumentos; nosso conhecimento \u00e9 tal que \u00e9 consistente com o melhor dos argumentos; porque nelas a mente descansa com mais seguran\u00e7a e firmeza do que em quaisquer argumentos.<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Em outro lugar, Calvino escreveu:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Deus n\u00e3o deu a conhecer a Palavra aos homens com vistas a moment\u00e2nea apresenta\u00e7\u00e3o, assim que de pronto a abolisse com a vinda de Seu Esp\u00edrito; pelo contr\u00e1rio, enviou o mesmo Esp\u00edrito, pelo poder de Quem havia dispensado a Palavra, para que realizasse sua obra mediante a eficaz confirma\u00e7\u00e3o dessa mesma Palavra. Desta forma, Cristo abriu o entendimento aos dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lc 24.27,45), n\u00e3o para que, postas de parte as Escrituras, se fizessem s\u00e1bios de si mesmos, mas para que entendessem essas Escrituras.<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a> De modo semelhante, Paulo, enquanto exorta aos tessalonicenses a que n\u00e3o extingam o Esp\u00edrito, n\u00e3o os arrebata \u00e0s alturas, a v\u00e3s especula\u00e7\u00f5es \u00e0 parte da Palavra, mas imediatamente acrescenta que as profecias n\u00e3o deveriam ser desprezadas (1Ts 5.19,20).<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a> Com o que acena, longe de dubiamente, que a luz do Esp\u00edrito \u00e9 sufocada assim que em desprezo v\u00eam as profecias.<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Em resposta ao Cardeal Sadoleto (1477-1547), Calvino diz:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>H\u00e1s sido castigado pela inj\u00faria que fizeste ao Esp\u00edrito Santo, separando-O e dividindo-O da Palavra. (&#8230;) Aprende, pois, por tua pr\u00f3pria falta, que \u00e9 t\u00e3o insuport\u00e1vel vangloriar-se do Esp\u00edrito sem a Palavra, como desagrad\u00e1vel o preferir a Palavra sem o Esp\u00edrito.<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Comentando 1Co 2.11, arremata: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada no pr\u00f3prio Deus que escape ao seu Esp\u00edrito\u201d.<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a> E \u00e9 o Esp\u00edrito do Pai e do Filho o nosso orientador e guia pessoal que nos conduz por meio da Palavra em dire\u00e7\u00e3o a Cristo. A Palavra \u00e9 uma autoridade objetiva. O Esp\u00edrito, ao nos capacitar a compreend\u00ea-la, fornece a autoridade subjetiva. Ou, como escreveu Warfield interpretando e aplicando o pensamento de Calvino:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>A revela\u00e7\u00e3o especial ou a Escritura em sua forma documentada, fornece, como ponto de fato na vis\u00e3o de Calvino, somente o lado objetivo da cura que ele sabe ter sido providenciado por Deus. O lado subjetivo \u00e9 efetuado pelo testimonium Spiritus Sancti. A Escritura providencia os \u00f3culos: somente o Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o dos homens\u00a0 abre os olhos para que vejam atrav\u00e9s das lentes.<a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\">[54]<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u201cA prega\u00e7\u00e3o externa da Palavra \u00e9 por si s\u00f3 infrut\u00edfera, a n\u00e3o ser que ela fira mortalmente os r\u00e9probos, de modo tal que os fa\u00e7a indesculp\u00e1veis diante de Deus. Mas quando a gra\u00e7a secreta do Esp\u00edrito vivifica [a mente dos r\u00e9probos], todos os sentidos inevitavelmente ser\u00e3o afetados de tal maneira que a pessoa se sente preparada a ir aonde quer que Deus a chame. Devemos, pois, orar para que Cristo derrame em n\u00f3s o mesmo poder do evangelho\u201d (Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.43), p. 79). \u201cA prega\u00e7\u00e3o \u00e9 o instrumento da f\u00e9, por isso o Esp\u00edrito Santo torna a prega\u00e7\u00e3o eficaz\u201d (Jo\u00e3o Calvino,<em> Ef\u00e9sios,<\/em>\u00a0 S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 1.13), p. 36). \u00c9 muito esclarecedora a obra de George: Timothy George, <em>Lendo as Escrituras com os reformadores: como a B\u00edblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do s\u00e9culo XVI, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2015, p. 181-201.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Citado em: Roland H. Bainton, <em>Cativo \u00e0 Palavra: a vida de Martinho Lutero, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2017, p. 353.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u201cO cetro pelo qual ele nos governa \u00e9 seu evangelho\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es sobre Tito, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo,\u00a0 2019, (Tt 1.1-4), p. 19). (Edi\u00e7\u00e3o do Kindle).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>O Profeta Daniel: 1-6,<\/em> S\u00e3o Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, (Dn\u00a0 3.28), p. 225. \u201cN\u00e3o existe piedade sem devida instru\u00e7\u00e3o\u201d (John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 19\/1, (At 18.22), p. 198).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Beatitudes; serm\u00f5es sobre as bem-aventuran\u00e7as, <\/em>S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2008, p. 77.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Cartas de Jo\u00e3o Calvino, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 30.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 5.1), p. 129. Do mesmo modo: Juan Calvino, Autoridad y Reverencia que Debemos a la Palabra de Dios: In: <em>Sermones Sobre Job,<\/em> Jenison, Michigan: T.E.L.L., 1988, p. 203.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (2Tm 1.7), p. 204.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> (Rm 6.1), p. 201-202.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>John Calvin, <em>Commentary on the Book of the Prophet Isaiah,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin&#8217;s Commentaries), 1996, v. 8\/4, (Is 59.21), p. 271.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>In: Eduardo Galasso Faria, ed. <em>Jo\u00e3o Calvino: Textos Escolhidos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Pend\u00e3o Real, 2008, p. 34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>IV.1.5.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>Veja-se: J. Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> (1Co 3.5), p. 101-102.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa,<\/em> v. 4, (IV.13), p. 52.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> (1Tm 4.13), p. 123.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>John Calvin, <em>Commentaries on the Book of the Prophet Jeremiah and Lamentations, <\/em>Grand Rapids, MI.: Baker, 1996, (Calvin\u2019s Commentaries, 9\/1), (Jr 1.9-10), p. 43.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>2006, IV.8.2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>John Calvin, <em>Calvin\u2019s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 3, (Ex 31.18), p. 328.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es em Ef\u00e9sios<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2009, p. 129-130. Veja-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.11),\u00a0 p. 125-126.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa,<\/em> v. 4 (IV.15), p. 125.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>G\u00e1latas, <\/em>(Gl 2.5), p. 52. Dargan (1852-1930) comentando sobre o trabalho de Calvino como exegeta e expositor das Escrituras, diz: \u201cNa prega\u00e7\u00e3o de Calvino o m\u00e9todo expositivo dos pregadores da Reforma encontrou \u00eanfase. Seus coment\u00e1rios eram frutos de sua prega\u00e7\u00e3o e aula, e seus serm\u00f5es eram coment\u00e1rios ampliados e aplicados. (&#8230;) (O seu estilo) mostra-nos como o comentarista obteve o melhor do pregador. Contudo os seus serm\u00f5es n\u00e3o eram meros coment\u00e1rios. Ali temos uma agilidade de percep\u00e7\u00e3o, uma firmeza no posicionamento, um poder de express\u00e3o que aliados fazem o pensamento da Escritura marcar e produzir sua impress\u00e3o sem o aux\u00edlio da arte do orador\u201d (Edwin C. Dargan, <em>A History of Preaching<\/em>, Grand Rapids, Mi.: Baker Book House, 1954, v.\u00a0 1, p. 449). Para um estudo sobre a prega\u00e7\u00e3o de Calvino: m\u00e9todo, estilo e mensagem, bem como sua influ\u00eancia sobre os pregadores de fala inglesa, Ver: T.H.L. Parker, <em>The Oracles of God: An Introduction to the Preaching of John Calvin, <\/em>Cambridge, England: James Clarke; Co. 1947, (2002) Reprinted, 175p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>Serm\u00e3o 95 <em>Apud <\/em>Bernard Cottret, <em>Calvin: A Biography<\/em>, Michigan; Cambridge, U.K.; Edinburgh: Eerdmans; T &amp; T. Clark, 2000, p. 294.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Michael Kruger, <em>Sola Scriptura<\/em>. Dispon\u00edvel: <a href=\"https:\/\/ministeriofiel.com.br\/artigos\/sola-scriptura\/\">https:\/\/ministeriofiel.com.br\/artigos\/sola-scriptura\/<\/a>\u00a0\u00a0 . Acessado em 07.04.2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>(2006), IV.8.9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>(2006), IV.8.13. Calvino comenta de forma mais gen\u00e9rica que, \u201cos que s\u00e3o ap\u00f3statas na igreja e em seu frenesi rejeitam a Palavra de Deus, n\u00e3o obstante alegam que de boa vontade se submetem \u00e0 santa m\u00e3e igreja, e em nome da humildade deflagram guerra, \u00e0 semelhan\u00e7a de bestas dementes, contra Deus e contra sua Palavra. Todavia, querendo promover a honra de Deus, se submetem \u00e0 tirania dos homens!\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Serm\u00f5es sobre Tito<\/em>, Bras\u00edlia, DF.: Editora Monergismo, p. 15. (Edi\u00e7\u00e3o do Kindle).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Jo\u00e3o Calvino,<em> Exposi\u00e7\u00e3o de 2 Cor\u00edntios, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 1.1), p. 15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> A <em>Segunda Confiss\u00e3o Helv\u00e9tica<\/em>, foi primariamente elaborada em latim, em 1562, pelo amigo, disc\u00edpulo e sucessor de Zu\u00ednglio (1484-1531), Henry Bullinger (1504-1575).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> <em>Segunda Confiss\u00e3o Helv\u00e9tica: <\/em>In: Joel R. Beeke; Sinclair Ferguson, <em>\u00a0Harmonia das Confiss\u00f5es Reformadas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, p. 11-12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Cf. Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 111.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> \u201cO Esp\u00edrito Santo abre nosso cora\u00e7\u00e3o para confiarmos, crermos e obedecermos \u00e0 Palavra de Deus na Escritura. A submiss\u00e3o continua sendo uma luta, inclusive intelectual. Devemos reconhecer nossas limita\u00e7\u00f5es, a realidade do mist\u00e9rio, a fraqueza de nossa f\u00e9, sem nos desesperarmos de todo o conhecimento e verdade\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 389).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>\u201cN\u00e3o buscamos argumentos, nem evid\u00eancias comprobat\u00f3rias, sobre os quais se firme nosso crit\u00e9rio. Pelo contr\u00e1rio, sujeitamos-<em>lhe <\/em>nosso ju\u00edzo e entendimento como algo que est\u00e1 al\u00e9m do processo aleat\u00f3rio do ju\u00edzo\u201d\u00a0 (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.7.5).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>Confiss\u00e3o de Westminster, I.4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 3.15), p. 98.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 3.6), p. 103.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Devo essa express\u00e3o ao Dr. Michel Augusto B. da Silva F. Gomes, que a utilizou em sua tese de Doutorado, <em>\u00a0<\/em>O <em>Drama da Prega\u00e7\u00e3o: do culto terap\u00eautico \u00e0 adora\u00e7\u00e3o baseada na exposi\u00e7\u00e3o b\u00edblica Teodram\u00e1tica<\/em>, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Teologia das Faculdades EST, S\u00e3o Leopoldo, RS., no dia 12 de mar\u00e7o de 2020, p. 186.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>Padre R.L. Bruckberger, <em>A Rep\u00fablica Americana,<\/em> Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1960, p. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Daniel J. Boorstin, <em>Os Americanos: A experi\u00eancia colonial, <\/em>Lisboa: Gradiva, 1997, p. 23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> Ver: Thomas F. Torrance, <em>The Hermeneutics of John Calvin,<\/em> Edinburgh: Lindsay &amp; Co. Ltd., 1988, p. 70-71.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Ap\u00f3s redigir estas linhas, lembrei-me de uma pertinente constata\u00e7\u00e3o de Lloyd-Jones (1899-1981), que disse: &#8220;N\u00e3o se pode levar ningu\u00e9m \u00e0 vida crist\u00e3 pelo racioc\u00ednio. Voc\u00eas podem dar as raz\u00f5es para crerem, mas n\u00e3o pode lev\u00e1-los a crer pela raz\u00e3o. Voc\u00eas podem p\u00f4r a causa diante deles, mas n\u00e3o podem prov\u00e1-la como se fosse quest\u00e3o de um teorema de geometria. Devemos compreender que, enquanto os instru\u00edmos, devemos orar por eles tamb\u00e9m. \u00c9 s\u00f3 quando o Esp\u00edrito Santo lida com eles e os prepara e abre o entendimento deles, que eles podem receber a verdade\u201d (D. Martyn Lloyd-Jones, <em>As Insond\u00e1veis Riquezas de Cristo,<\/em> p. 99). Vejam-se: tamb\u00e9m, J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.9.1ss.; Abraham Kuyper, <em>\u00a0A Obra do Esp\u00edrito Santo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010,\u00a0 p. 428-429.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios, <\/em>(1Co 2.11), p. 88.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>Ef\u00e9sios,<\/em> (Ef 1.13), p. 36.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> John Calvin, <em>Calvin&#8217;s Commentaries,<\/em> Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1996 (reprinted), v. 22, (2Pe 1.3), p. 369. \u201cN\u00f3s nunca conheceremos nada enquanto n\u00e3o formos ensinados pelo Esp\u00edrito Santo, que fala mais ao cora\u00e7\u00e3o do que ao ouvido\u201d (C.H. Spurgeon, <em>Firmes na Verdade,<\/em> Lisboa: Peregrino, 1987, p. 72).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.7.4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a>Cf. Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>I.9.3. Veja-se B.B. Warfield, <em>Calvin and Augustine,<\/em> Michigan: Baker Book House (The Work\u2019s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 79ss. Do mesmo modo Ware: \u201cO Esp\u00edrito e a Palavra s\u00e3o insepar\u00e1veis na economia de Deus, e Jesus d\u00e1 um testemunho glorioso desta verdade. Devemos aprender de Jesus que sujei\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Palavra s\u00e3o companheiros indispens\u00e1veis\u201d (Bruce Ware, <em>Cristo Jesus homem:<\/em> <em>Reflex\u00f5es teol\u00f3gicas sobre a humanidade de Jesus Cristo, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2013, p. 84).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a>Kuyper faz uma importante distin\u00e7\u00e3o que agora cito de forma mais completa: \u201c\u2018Ilumina\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 o aclaramento da consci\u00eancia espiritual que, no tempo por Ele escolhido, o Esp\u00edrito Santo d\u00e1, segundo lhe apraz, a cada filho de Deus. \u2018Revela\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o dos pensamentos de Deus dada de maneira extraordin\u00e1ria, por um milagre, aos profetas e ap\u00f3stolos. Mas a \u2018inspira\u00e7\u00e3o\u2019, totalmente distinta dessas duas, \u00e9 aquela opera\u00e7\u00e3o\u00a0 pela qual Ele dirigiu a mente dos escritores das Escrituras no <em>ato de escrever<\/em>\u201d (Abraham Kuyper, <em>A obra do Esp\u00edrito Santo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010. p. 111).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> John H. Gerstner, A Doutrina da Igreja sobre a Inspira\u00e7\u00e3o B\u00edblica: In: James M. Boice, ed.<em> O Alicerce da Autoridade B\u00edblica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1982, p. 41.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a>R.C. Sproul, <em>A Alma em Busca de Deus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Ecl\u00e9sia, 1998, p. 62.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3,<\/em> S\u00e3o Paulo: Publica\u00e7\u00f5es Evang\u00e9licas Selecionadas, 1984 (Resumo feito por J.P. Wiles), I.7. p. 40. (Vejam-se, Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.7.4-5). Hesselink (1928-2018) diz que \u201ca contribui\u00e7\u00e3o mais original e duradoura de Calvino para uma compreens\u00e3o evang\u00e9lica da natureza e da autoridade da Escritura foi sua doutrina do testemunho interno do Esp\u00edrito Santo\u201d (I. John Hesselink, O Movimento Carism\u00e1tico e a Tradi\u00e7\u00e3o Reformada. In: Donald K. McKim, ed. <em>Grandes Temas da Tradi\u00e7\u00e3o Reformada,<\/em> p. 339). Pannier (1869-1945), do mesmo modo, escreve: \u201cEsta doutrina especificamente calvinista, baseada na Escritura Sagrada, \u00e9 o fio condutor que permite seguir de um extremo ao outro o plano geral e os diversos cap\u00edtulos do livro\u201d\u00a0 (Jacques Pannier, Introduction \u00e0 <em>Institution de la Religion Chrestienne<\/em>, Paris: Soci\u00e9t\u00e9 Les Belles Lettres, 1936, v. 1, p. XXVI).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a>Sproul (1939-2017) comenta: \u201cAqui a Palavra de Deus encarnada explica a Palavra de Deus escrita\u201d (R.C. Sproul, <em>A Alma em Busca de Deus,<\/em> p. 71).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a> \u00c0 frente trataremos a compreens\u00e3o da Calvino a respeito de profecia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a>J. Calvino, <em>As Institutas,<\/em> I.9.3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a>Juan Calvino, <em>Respuesta al Cardeal Sadoleto,<\/em> 4. ed. Pa\u00edses Bajos: Felire, 1990, p. 30. (Veja-se: tamb\u00e9m, a p. 29).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a> Jo\u00e3o Calvino <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios, <\/em>(1Co 2.11), p. 88.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54]<\/a> B.B. Warfield, <em>Calvin and Augustine,<\/em> Michigan: Baker Book House (The Work\u2019s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 69-70.[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. 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