{"id":71976,"date":"2025-09-24T08:00:23","date_gmt":"2025-09-24T11:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=71976"},"modified":"2025-09-05T17:34:33","modified_gmt":"2025-09-05T20:34:33","slug":"a-asseidade-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2025\/09\/a-asseidade-de-deus\/","title":{"rendered":"A asseidade de Deus"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Artigo 5 da s\u00e9rie O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota do editor:<\/strong> Este \u00e9 o quinto artigo da s\u00e9rie de Hermisten Maia \u2013 <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/serie\/o-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia\"><em>O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia<\/em><\/a>. Este artigo apresenta a doutrina da <strong data-start=\"64\" data-end=\"85\">asseidade de Deus<\/strong> \u2014 sua exist\u00eancia independente, absoluta e autossuficiente \u2014 mostrando que dela decorrem todas as demais perfei\u00e7\u00f5es divinas. Destaca que a raz\u00e3o, embora seja dom de Deus, deve ser submetida \u00e0 revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, pois sozinha pode ser distorcida. Explica a import\u00e2ncia dos <strong data-start=\"356\" data-end=\"373\">nomes de Deus<\/strong> como formas pedag\u00f3gicas de revela\u00e7\u00e3o, enfatiza a diferen\u00e7a qualitativa entre Criador e criatura e afirma a dignidade \u00fanica do ser humano criado \u00e0 imagem de Deus. Em Cristo, o \u201cTotalmente Outro\u201d se fez pr\u00f3ximo, revelando a gl\u00f3ria divina e reconciliando o homem com o Pai. Essa verdade conduz \u00e0 humildade, adora\u00e7\u00e3o, santidade e miss\u00e3o, lembrando que toda criatividade e exist\u00eancia humanas s\u00e3o derivadas do Criador.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da <em>asseidade<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> de Deus \u2013 sua independ\u00eancia total e absoluta \u2212,\u00a0 todas as suas demais perfei\u00e7\u00f5es, conforme podemos conhecer, se deduzem necessariamente, quer <em>logicamente<\/em>,<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> quer <em>biblicamente<\/em>,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> quer de ambas as formas, visto que a l\u00f3gica e as Escrituras n\u00e3o est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o e, se completam<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> num processo de comunicar o revelado e suas implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sabemos, a verdade \u00e9 l\u00f3gica \u2212 ela possui coer\u00eancia interna e n\u00e3o se contradiz. No entanto, n\u00e3o podemos ignorar que, como pecadores, somos propensos a distorcer o uso da l\u00f3gica, moldando-a conforme nossos pr\u00f3prios interesses. Assim, partimos muitas vezes de pressupostos alheios \u00e0s Escrituras, comprometendo a integridade da verdade revelada.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o, embora seja um dom de Deus, foi afetada pela Queda. Por isso, ela precisa ser constantemente submetida \u00e0 autoridade das Escrituras, que s\u00e3o a fonte \u00faltima da verdade. Quando a l\u00f3gica \u00e9 divorciada da revela\u00e7\u00e3o divina, ela pode se tornar instrumento de autodecep\u00e7\u00e3o, justificando o erro com apar\u00eancia de coer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, \u00e9 essencial que todo racioc\u00ednio seja cativo \u00e0 Palavra de Deus (2Co 10.5), para que a l\u00f3gica n\u00e3o se torne um meio de validar o pecado, mas sim de aprofundar nossa compreens\u00e3o da verdade que liberta.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Nomes de Deus<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora em si mesmo Deus seja \u201can\u00f4nimo, ou seja, sem nome,\u201d\u00a0 entretanto, em sua revela\u00e7\u00e3o ele \u00e9 \u201cpoli\u00f4nimo\u201d, ou seja, possuindo muitos nomes\u201d. \u2013 H. Bavinck.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se revela de forma gradual, em \u201cdoses homeop\u00e1ticas\u201d que correspondem fielmente ao seu ser e ao prop\u00f3sito que deseja realizar. Conhecemos a Deus por meio de sua Palavra e de seus atos, que revelam, de maneira complementar, sua natureza e vontade. Os nomes de Deus s\u00e3o instrumentos pedag\u00f3gicos preciosos, utilizados por Ele para nos conduzir ao conhecimento de sua pessoa e de seus atributos. Cada nome aponta para aspectos espec\u00edficos de sua ess\u00eancia santa e perfeita.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa lembrar, contudo, que ningu\u00e9m pode atribuir nome a Deus. Deus n\u00e3o tem nome no sentido de distingui-lo ou descritivo de sua natureza essencial.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> \u00a0Os nomes divinos fazem parte de Sua autorrevela\u00e7\u00e3o \u2212 s\u00e3o express\u00f5es acomodat\u00edcias e adequadas de suas perfei\u00e7\u00f5es, comunicadas conforme sua soberana vontade.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, nenhum nome, nem mesmo todos os nomes reunidos, esgotam a plenitude de suas perfei\u00e7\u00f5es. Deus, em sua simplicidade, n\u00e3o \u00e9 composto. Na unidade absoluta de seu ser, h\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o, totalidade e harmonia plena. Deus n\u00e3o <em>tem<\/em> amor, justi\u00e7a e santidade \u2212 Ele <em>\u00e9<\/em>, em ess\u00eancia, amor, justi\u00e7a e santidade. Ele \u00e9 absolutamente absoluto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos conhecer a Deus como Criador porque, ao longo da hist\u00f3ria, Ele tem se revelado de forma clara e cont\u00ednua por meio da Cria\u00e7\u00e3o. Cada detalhe do universo proclama sua gl\u00f3ria, como um testemunho silencioso, por\u00e9m eloquente, de sua majestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, crist\u00e3os, podemos conhec\u00ea-lo pelo nome porque foi o pr\u00f3prio Deus quem se apresentou a n\u00f3s. Ele \u00e9 quem se autonomeia \u2212 ningu\u00e9m pode nome\u00e1-lo sen\u00e3o Ele mesmo.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> \u00a0Os nomes divinos n\u00e3o s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es humanas, mas express\u00f5es da gra\u00e7a reveladora de Deus, que se acomoda \u00e0 nossa linguagem para que possamos conhec\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Criador que se manifesta na Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o nosso Pai, conforme nos foi dado a conhecer em Cristo, o Filho unig\u00eanito, nosso irm\u00e3o mais velho. Em Cristo, o Deus transcendente se fez pr\u00f3ximo, acess\u00edvel, relacional. Assim como a revela\u00e7\u00e3o, conhecer a Deus \u00e9 sempre um ato de gra\u00e7a \u2212 nunca uma conquista, nossa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Diferen\u00e7a qualitativa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Cria\u00e7\u00e3o, deparamo-nos com o Ente absoluto que, por sua soberana vontade, cria do nada. Mas tamb\u00e9m encontramos o Ser pessoal que se relaciona com o homem, criado \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na rela\u00e7\u00e3o de Deus com o ser humano, percebemos sua distin\u00e7\u00e3o qualitativa \u2212 Ele \u00e9 o Senhor absoluto, o \u201cTotalmente Outro\u201d \u2212 e, ao mesmo tempo, sua proximidade amorosa, levada ao cl\u00edmax em Jesus Cristo, o Deus encarnado. O Senhor dos c\u00e9us \u00e9 o nosso Senhor; o Deus da alian\u00e7a est\u00e1 pr\u00f3ximo, atento, e ouve as nossas ora\u00e7\u00f5es (Ne 1.5,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, Deus fez-se homem. Milagre tremendo! Por um lado, esse mist\u00e9rio nos aproxima de Deus; por outro, revela-nos a incomensur\u00e1vel gl\u00f3ria de Sua santidade. Somente Deus, sendo Deus, poderia fazer-se homem \u2212 e sem pecado. A partir desse ao singular, todo o poss\u00edvel a Deus, torna-se realidade e, diante de nossos olhos crentes, transforma-se em nossa pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas palavras de Barth (1886-1968), \u201cDo come\u00e7o ao fim, a B\u00edblia nos guia para o nome de Jesus Cristo\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> De fato, as Escrituras caminham integralmente de Deus para o homem, visando, em Cristo,<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> pela f\u00e9, trazer o homem de volta a Deus.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino pontua: \u201cA diferen\u00e7a entre Deus e o homem \u00e9 imensa, todavia em Cristo vemos a gl\u00f3ria infinita de Deus unida \u00e0 nossa carne polu\u00edda, de tal sorte que ambas se tornaram uma s\u00f3\u201d.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ser humano encontramos o aspecto apote\u00f3tico da cria\u00e7\u00e3o. \u00a0Somente ele foi criado \u00e0 imagem de Deus, distinguindo-se de todas as demais criaturas. Deus o formou com capacidades que refletem atributos divinos, ainda que proporcionais \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa raz\u00e3o, \u00e9 no homem que encontramos a revela\u00e7\u00e3o mais elevada de Deus dentro da cria\u00e7\u00e3o \u2212 n\u00e3o por m\u00e9rito humano, mas por escolha soberana do Criador. Contudo, devido ao pecado que distorce nossa percep\u00e7\u00e3o da realidade, muitas vezes somos mais fascinados pelas maravilhas do cosmos do que pela dignidade do ser humano, que carrega em si a marca do Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada, al\u00e9m do ser humano, foi criado \u00e0 imagem de Deus. Essa verdade confere ao homem uma dignidade \u00fanica e irredut\u00edvel, que deve ser reconhecida, preservada e celebrada \u00e0 luz da revela\u00e7\u00e3o divina.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente Deus, que \u00e9 tudo em si e de si mesmo (<em>a se<\/em>), absolutamente independente de todas as coisas \u2212 o Deus de asseidade \u2212 \u00e9 o Autothe\u00f3s e Auto-suficiente em poder (\u00caxodo 3.14). Apenas Ele possui o poder de alterar a pr\u00f3pria ess\u00eancia das coisas, pois tudo subsiste por meio dele e para Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, por outro lado, lidamos com experi\u00eancias do existir. Podemos modificar, adaptar e transformar aspectos da realidade, mas sempre dentro dos limites que o pr\u00f3prio Deus nos permite. A qu\u00edmica, por exemplo, ilustra bem esse princ\u00edpio: ao misturar elementos, obtemos um terceiro composto, que jamais deixar\u00e1 de ser, em sua ess\u00eancia, a jun\u00e7\u00e3o de outros. Ainda que possamos reorganizar a mat\u00e9ria, <strong>n\u00e3o criamos<\/strong> \u2014 apenas manipulamos o que j\u00e1 foi criado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o <em>ex nihilo<\/em> \u00e9 prerrogativa exclusiva de Deus. Toda nossa criatividade \u00e9 derivada, nunca origin\u00e1ria. Somos, no m\u00e1ximo, coart\u00edfices que trabalham com os materiais que o Criador nos confiou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Algumas considera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina da <em>asseidade<\/em> de Deus \u2212 sua exist\u00eancia plena, independente e absoluta \u2212 n\u00e3o \u00e9 apenas uma afirma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica abstrata, mas um fundamento que transforma nossa maneira de pensar, viver e adorar. Saber que Deus \u00e9 <em>Autothe\u00f3s<\/em>, o Ser que existe por si mesmo, nos liberta da ilus\u00e3o de autonomia e nos convida \u00e0 depend\u00eancia reverente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao reconhecermos que toda l\u00f3gica verdadeira se submete \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, somos chamados a cultivar uma mente cativa \u00e0 Palavra (2Co 10.5), discernindo com humildade e temor. A raz\u00e3o, embora afetada pela Queda, pode ser redimida e usada para glorificar a Deus quando iluminada pela Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os nomes de Deus, revelados graciosamente ao longo da hist\u00f3ria, n\u00e3o apenas nos informam \u2212 eles nos formam. Cada nome \u00e9 um convite \u00e0 adora\u00e7\u00e3o, \u00e0 confian\u00e7a e \u00e0 comunh\u00e3o. Saber que o Deus transcendente se revelou como Pai em Cristo nos chama a viver como filhos, com ousadia e rever\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a qualitativa entre Criador e criatura nos lembra que, embora sejamos feitos \u00e0 imagem de Deus, jamais seremos como Ele em ess\u00eancia. No entanto, em Cristo, essa dist\u00e2ncia foi vencida. O Deus que \u00e9 \u201cTotalmente Outro\u201d tornou-se \u201cDeus conosco\u201d. Isso nos impele a viver com gratid\u00e3o, santidade e miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, ao contemplarmos a dignidade do ser humano \u2212 criado \u00e0 imagem do Deus absoluto \u2212 somos desafiados a valorizar a vida, a promover justi\u00e7a e a refletir o car\u00e1ter de Deus em nossas rela\u00e7\u00f5es. A asseidade divina nos ensina que tudo o que somos e temos prov\u00e9m dele, e tudo o que fazemos deve apontar para Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que essa verdade nos conduza \u00e0 humildade, \u00e0 sabedoria e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. Que vivamos como coart\u00edfices fi\u00e9is, reconhecendo que toda boa obra \u00e9 fruto da gra\u00e7a do Criador que, sendo tudo em si mesmo, escolheu se revelar a n\u00f3s \u2212 e habitar entre n\u00f3s.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>A asseidade (do latim <em>a se<\/em>, \u201cpor si\u201d) \u00e9 a qualidade de um ser que existe por si mesmo, sem depender de qualquer outro para existir. Trata-se de um atributo exclusivo de Deus, que \u00e9 incriado, autossuficiente e absolutamente independente \u2014 sua exist\u00eancia n\u00e3o deriva de nenhuma causa externa, pois Ele \u00e9 a causa de Si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Deus n\u00e3o est\u00e1 condicionado pelo tempo, pelo espa\u00e7o ou por qualquer outro ser. Sua exist\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria, eterna e incondicionada. Diferentemente das criaturas, que dependem de causas alheias para existir, Deus \u00e9 o \u00fanico ser cuja exist\u00eancia \u00e9 inerente e n\u00e3o causada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A asseidade fundamenta outros atributos divinos, como a imutabilidade, a eternidade e a soberania. Como afirma a Escritura: \u201cEu Sou o que Sou\u201d (\u00cax 3.14) e \u201co Pai tem vida em Si mesmo\u201d (Jo 5.26), revelando que Deus \u00e9 plenamente suficiente em Si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao reconhecer a absoluta independ\u00eancia de Deus, esse conceito refor\u00e7a a verdade de que tudo o que existe depende Dele, enquanto Ele n\u00e3o depende de nada nem de ningu\u00e9m. (Quanto a este conceito, veja-se: Richard A. Muller, <em>Dictionary of Latin and Greek Theological Terms, <\/em><strong>\u00a0<\/strong>4. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1993, p. 47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. Gordon H. Clark, Atributos divinos: In: E.F. Harrison, ed.\u00a0 <em>Diccionario de Teologia, <\/em>\u00a0Grand Rapids, MI.: T.E.L.L.\u00a0 1985, p. 72-74.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Cf. Herman, Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, 154-156; Cornelius Van Til, <em>An Introduction to Systematic Theology, <\/em>\u00a0Phillipsburg, NJ.: Presbyterian and Reformed Publishing Co.,\u00a0 1974, p. 206-210.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Cf. John M. Frame, <em>\u00a0A Doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 453-454, 624 (nota 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Toda verdade \u00e9 l\u00f3gica, no entanto, por algo nos parecer l\u00f3gico, n\u00e3o significa que seja verdadeiro. A l\u00f3gica \u00e9 fundamental na constru\u00e7\u00e3o e formaliza\u00e7\u00e3o de um pensamento, contudo, a apreens\u00e3o do objeto, quer com fundamento ou apenas seguindo o senso comum de forma pr\u00e9-anal\u00edtica, \u00e9 que ser\u00e1 o fundamental. A l\u00f3gica nada prova. Ela apenas desenvolve indu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas j\u00e1 contidas em suas premissas. (Veja-se: Thomas Sowell, <em>Conflito de vis\u00f5es: origens ideol\u00f3gicas das lutas pol\u00edticas,<\/em> S\u00e3o Paulo, \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2012, p. 18-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> H. Bavinck, <em>The Doctrine of God, <\/em>Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, \u00a9\u00a0 1951 (Eerdmans); \u00a9 (Banner), 1977), Reprinted 2003, p. 88. Ver tamb\u00e9m: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a cria\u00e7\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 140. Dion\u00edsio Areopagita no 5\u00ba s\u00e9culo, em sua teologia apof\u00e1tica, havia dito a respeito de Deus que Ele \u00e9 a)nw\/numoj (an\u00f4nimo, sem nome, inomin\u00e1vel), poluw\/numoj\u00a0 (muitos nomes) e u(perw\/numoj (Nome superior). (Dion\u00edsio Areopagita, <em>Os Nomes de Deus<\/em>: In: Jacques-Paul Migne, <em>Patrologiae cursus completus<\/em>. Series Graeca, Paris, 1857, v. 3, col. 593-596).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Como sabemos, o tetragrama (hawhy) YHWH \u00e9 o nome pessoal de Deus, considerado pelos judeus como o nome por excel\u00eancia de Deus. Ele \u00e9 usado 5321vezes no Antigo Testamento. (Cf. Gottfried Quell, ku\/rioj: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. <em>Theological Dictionary of the New Testament<\/em>, 8. ed. Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., (reprinted) 1982, v. 3, p. 1067). Fretheim fala-nos de cerca de 6800 vezes (Cf. Terence Fretheim, Jav\u00e9: In: Willem A. VanGemeren, org., <em>Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 4, p. 736). hwhy (YHWH), \u00e9 reconhecido como sendo o nome pessoal, real, essencial e pactual de Deus (hw&#8221;hoy&gt;) (Yehovah), o qual n\u00e3o \u00e9 atribu\u00eddo a nenhum outro suposto deus ou seres angelicais. A rigor falando o tetragrama n\u00e3o indica necessariamente um nome mas, a exist\u00eancia de Deus: Ele \u00e9. (Cf. Georges Gusdorf, <em>A Palavra, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Academia Monergista, 2021, p. 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, de modo especial, encontramos a afirma\u00e7\u00e3o da imutabilidade de Deus, a confirma\u00e7\u00e3o do eterno cumprimento das suas promessas decorrentes do Pacto (Ex 3.13,14; 6.2,3; 15.3; Is 42.8; Os 12.5-6). Deus n\u00e3o muda em seu relacionamento com o seu povo. (Vejam-se: Walter C. Kaiser Jr., <em>Teologia do Antigo Testamento<\/em>, S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1980, p. 111-112; G. Aul\u00e9n, <em>A F\u00e9 Crist\u00e3<\/em>, S\u00e3o Paulo: ASTE, 1965, p. 131). \u201c\u00c9 especialmente no nome Yhwh que o Senhor se revela como o Deus de Gra\u00e7a\u201d (Herman Bavinck, <em>The Doctrine of God,<\/em> 2. ed. Grand Rapids, Michigan:\u00a0 Eerdmans, 1955, p. 103). \u201cO \u2018nome\u2019 \u00e9 Deus em revela\u00e7\u00e3o\u201d (Geerhardus Vos, <em>Teologia B\u00edblica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 139). (hw&#8221;hoy&gt;) (Yehovah) \u00e9 o nome revelacional de Deus (Ex 3.14-15; 6.2-3), \u201cEu sou o que sou\u201d ou, \u201cEu sou o que serei\u201d ou ainda: \u201cEu serei o que serei\u201d. Por\u00e9m, a sua origem \u00e9 disputada entre os eruditos, n\u00e3o se tendo uma opini\u00e3o consensual. No entanto, \u00e9 o nome com o qual Deus se manifesta a Mois\u00e9s e pelo nome que quer ser sempre lembrado. (Uma breve, por\u00e9m, \u00f3tima discuss\u00e3o sobre o assunto temos em Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 144-147. Mais atual, por\u00e9m, menos cr\u00edtico: Terence Fretheim, Jav\u00e9: In: Willem A. VanGemeren, org. <em>Novo Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 4, p. 736-741).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No <em>Shem\u00e1<\/em> (\u201couve\u201d), o \u201ccredo judeu\u201d \u2013, lemos: <em>\u201c<sup>4<\/sup> Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, \u00e9 o \u00fanico SENHOR. <sup>5<\/sup> Amar\u00e1s, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma e de toda a tua for\u00e7a\u201d<\/em> (Dt 6.4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Senhor \u00e9 o Deus da Alian\u00e7a que se revelou por meio de seus atos e da sua Lei. \u00c9 um Deus Pessoal que se relaciona pessoalmente com o seu povo (Ex 3.14). A grandeza de Deus \u00e9-nos manifesta de forma concreta por meio de sua revela\u00e7\u00e3o. O mist\u00e9rio \u00e9 enaltecido no ato de Deus desvelar-se. Isso \u00e9 grandioso demais para n\u00f3s. (Veja-se: Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 157). Para uma abordagem mais abrangente, vejam-se: Hermisten M.P. Costa, <em>Eu Creio, no Pai, no Filho e no Esp\u00edrito Santo, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Fiel, 2014; L. Berkhof, <em>Teologia Sistem\u00e1tica<\/em>, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 51; H. Bavinck, <em>The Doctrine of God, <\/em>2. ed. Grand Rapids, Michigan: W. M. Eerdmans Publishing Co., 1955, p. 102ss.; A.R. Crabtree, <em>Teologia do Velho Testamento,<\/em> 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1977, p. 64; J. Barton Payne, Hawa: In: R. Laird Harris, et. al., eds. <em>Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1998, p. 346; Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 253-254; J. Barton Payne, <em>The<\/em> <em>Theology of the Older Testament, <\/em>Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1962, p. 147-149.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Veja-se: Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 253.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u201cNa Escritura o nome de Deus \u00e9 autorrevela\u00e7\u00e3o. Somente Deus pode dar nome a si mesmo; seu nome \u00e9 id\u00eantico \u00e0s perfei\u00e7\u00f5es que ele exibe no mundo e para o mundo. Ele se faz conhecido ao seu povo por meio de seus nomes pr\u00f3prios: a Israel, como YHWH, \u00e0 igreja crist\u00e3, como Pai. Os nomes revelados de Deus n\u00e3o revelam seu ser como tal, mas sua acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem humana&#8221; (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 97). Do mesmo modo, ver: Carl F.H. Henry, <em>Deus, revela\u00e7\u00e3o e autoridade: 15 teses &#8211; parte um<\/em>, S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2017, p. 225ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Deus expressa o seu pensamento e a sua vontade no mundo, na Cria\u00e7\u00e3o, envolvendo o homem com a manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da sua gl\u00f3ria que \u00e9 proclamada, apesar do pecado, de forma fecunda nas obras da Cria\u00e7\u00e3o (Sl 19.1; At 14.17; Rm 1.19,20). (Vejam-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 299; R.C. Sproul, <em>Somos todos te\u00f3logos: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2017, p. 36-37; R.C. Sproul, <em>Estudos b\u00edblicos expositivos em Romanos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, p. 31-40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deus, o mundo e o homem s\u00e3o as tr\u00eas realidades com as quais toda a ci\u00eancia e toda filosofia se ocupam (Herman Bavinck, <em>The Philosophy of Revelation,<\/em> New York: Longmans, Green, and Company, 1909, p. 83). Pois bem, se Deus n\u00e3o tivesse primeiramente, de forma livre e soberana se revelado (Sl 115.3; Rm 11.33-36) \u2013 concedendo ao homem o universo como meio externo de conhecimento que funciona com as suas leis pr\u00f3prias e regulares \u2013 toda e qualquer ci\u00eancia seria imposs\u00edvel. O mundo, inclusive o homem, \u00e9 o grande laborat\u00f3rio de todas as ci\u00eancias. S\u00f3 que, quem \u201cconstruiu\u201d este laborat\u00f3rio foi Deus, e deixou ao homem a responsabilidade de estud\u00e1-lo, descobrindo os \u201cenigmas\u201d que est\u00e3o por tr\u00e1s das leis que funcionam de acordo com as prescri\u00e7\u00f5es do seu Criador. N\u00e3o pensemos, contudo que Deus criou o mundo apenas para satisfazer a curiosidade humana. Deus o fez como testemunho da sua gl\u00f3ria: \u201cA grande finalidade da cria\u00e7\u00e3o foi a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus\u201d (A.W. Pink, <em>Deus \u00e9 Soberano,<\/em> S\u00e3o Paulo: Fiel, 1977, p. 84). Deus ainda hoje n\u00e3o deixou de dar testemunho da sua exist\u00eancia e bondoso cuidado para com o homem (At 14.17). Deus est\u00e1 ativo, preservando a sua cria\u00e7\u00e3o para o fim proposto por Ele mesmo. \u201cDeus n\u00e3o \u00e9 mero espectador do universo que Ele criou. Ele est\u00e1 presente e ativo em todas as partes, como o fundamento que sustenta tudo e o poder que governa tudo o que existe\u201d (L. Boettner, <em>La Predestinaci\u00f3n,<\/em> Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 33). A B\u00edblia atesta este fato amplamente (Vejam-se: Ne 9.6; At 17.28; Ef 4.6; Cl 1.17; Hb 1.3) (Veja-se: <em>Confiss\u00e3o de Westminster,<\/em> Cap. V). Deus faz todas as coisas <em>\u201cconforme o conselho da sua vontade\u201d<\/em> (Ef 1.11\/Sl 115.3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>K. Barth, <em>Church Dogmatics,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, II\/2, p. 53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u201cN\u00e3o examinamos o Antigo Testamento apenas para encontrar os <em>antecedentes hist\u00f3ricos <\/em>de Cristo e de seu minist\u00e9rio, nem mesmo para buscar refer\u00eancias que fa\u00e7am previs\u00f5es sobre ele. Temos de encontrar Cristo no Antigo Testamento \u2013 n\u00e3o aqui e ali, mas em toda parte\u201d (R. Albert Mohler Jr., Estudando as Escrituras para encontrar Jesus: In: D.A. Carson, org.,\u00a0 <em>As Escrituras d\u00e3o testemunho de mim, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2015, p. 18). \u201cA compreens\u00e3o evang\u00e9lica do \u00edntimo relacionamento entre Jesus Cristo e a Escritura \u00e9 tal, que um apelo a Cristo \u00e9 simultaneamente um apelo \u00e0 Escritura, assim como um apelo \u00e0 Escritura \u00e9 um apelo a Cristo\u201d (Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2007, p. 44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> \u201cCristo se fez conhecido e exibido \u00e0 vista de todos, por\u00e9m somente os eleitos s\u00e3o aqueles a cujos olhos Deus abre para que o busquem por meio da f\u00e9. Aqui tamb\u00e9m se exibe um prodigioso efeito da f\u00e9, pois por meio dela recebemos a Cristo como ele nos foi dado pelo Pai \u2013 ou seja, como aquele que nos libertou da condena\u00e7\u00e3o da morte eterna e nos fez herdeiros da vida eterna, porque, pelo sacrif\u00edcio de sua morte, ele fez expia\u00e7\u00e3o por nossos pecados para que nada nos impe\u00e7a de ser reconhecidos por Deus como seus filhos. Portanto, visto que a f\u00e9 abra\u00e7a a Cristo, com a efic\u00e1cia de sua morte e o fruto de sua ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o carece surpresa se por meio dela obtivermos igualmente a vida de Cristo\u201d (Jo\u00e3o Calvino,<em> O Evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.16), p. 133-134).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, <strong>\u00a0<\/strong>(1Tm 3.16), p. 100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> \u201c\u00c9 prov\u00e1vel que fiquemos surpresos ao descobrir que quando o Criador do universo quis fazer algo \u2018\u00e0 sua imagem\u2019, algo <em>mais semelhante a <\/em>si do que todo o resto da cria\u00e7\u00e3o, Ele nos criou. Essa descoberta nos d\u00e1 um profundo senso de dignidade e import\u00e2ncia, pois passamos a refletir sobre a excel\u00eancia de todo o restante da cria\u00e7\u00e3o divina: o universo estrelado, a terra abundante, o mundo das plantas e dos animais e os reinos dos anjos s\u00e3o admir\u00e1veis, magn\u00edficos mesmo. Mas n\u00f3s somos mais semelhantes ao nosso Criador do que qualquer dessas coisas. Somos a culmin\u00e2ncia da obra criadora infinitamente s\u00e1bia e h\u00e1bil de Deus\u201d (Wayne\u00a0 Grudem, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1999, p. 370). Vejam-se: Francis Schaeffer. <em>A Obra Consumada de Cristo,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2003, p. 74; Stuart Olyott, <em>Jonas &#8211; O mission\u00e1rio bem-sucedido que fracassou,<\/em> S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2012,\u00a0 p. 75.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">AREOPAGITA, Dion\u00edsio. Os Nomes de Deus: In: MIGNE, Jacques-Paul. <em>Patrologiae cursus completus<\/em>. Series Graeca, Paris, 1857, v. 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUL\u00c9N, Gustaf. <em>A f\u00e9 crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: ASTE, 1965.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTH, K. <em>Church Dogmatics,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, II\/2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Dogm\u00e1tica reformada: Deus e a cria\u00e7\u00e3o<\/em>. 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