{"id":71991,"date":"2025-10-01T08:00:58","date_gmt":"2025-10-01T11:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=71991"},"modified":"2025-09-29T18:02:17","modified_gmt":"2025-09-29T21:02:17","slug":"a-coerencia-e-veracidade-de-deus-na-revelacao-geral-e-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2025\/10\/a-coerencia-e-veracidade-de-deus-na-revelacao-geral-e-especial\/","title":{"rendered":"A coer\u00eancia e veracidade de Deus na Revela\u00e7\u00e3o Geral e Especial"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Artigo 6 da s\u00e9rie O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota do editor:<\/strong> Este \u00e9 o sexto artigo da s\u00e9rie de Hermisten Maia \u2013 <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/serie\/o-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia\"><em>O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia<\/em><\/a>. Este artigo\u00a0defende que a <strong data-start=\"114\" data-end=\"135\">revela\u00e7\u00e3o de Deus<\/strong> \u2014 geral e especial \u2014 \u00e9 um ato fiel, volunt\u00e1rio e suficiente do pr\u00f3prio Deus, pelo qual podemos conhec\u00ea-Lo de forma verdadeira (ainda que n\u00e3o exaustiva). Contra o naturalismo\/liberalismo, sustenta-se que a <strong data-start=\"341\" data-end=\"374\">Escritura \u00e9 a pr\u00f3pria verdade<\/strong> (Jo 17.17), proposicional e hist\u00f3rica, digna de plena confian\u00e7a porque procede do Deus coerente ontol\u00f3gica e eticamente. Citando autores reformados (Van Til, Spurgeon, Bavinck, Schaeffer, Calvino, Packer, Hodge, DeYoung), o texto mostra que especula\u00e7\u00e3o e curiosidade desenfreada distorcem a f\u00e9, enquanto a submiss\u00e3o obediente \u00e0 Palavra, iluminada pelo <strong data-start=\"727\" data-end=\"745\">Esp\u00edrito Santo<\/strong>, molda nossa teologia, nossa vida e nossa adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Uma das maiores e, certamente, a primeira vit\u00f3ria do inimigo \u00e9 a vit\u00f3ria de quebrar a moral do crente. Se ele pode fazer um crist\u00e3o acreditar que nenhuma revela\u00e7\u00e3o redentora sobrenatural \u00e9 necess\u00e1ria para o homem, porque sua mente \u00e9 normal e precisa apenas da verifica\u00e7\u00e3o m\u00fatua do companheiro para gui\u00e1-la em seu voo, ent\u00e3o, Satan\u00e1s conseguiu muito. O liberalismo atual \u00e9 um excelente exemplo dessa vit\u00f3ria. O fato de que um naturalismo puro, como o liberalismo, ainda deva ter um lugar dentro de uma igreja crist\u00e3 mostra que os crist\u00e3os dormiram no posto. \u2013 Cornelius Van Til (1895-1987).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o de Deus, tanto a geral quanto a especial, constitui um ato livre, volunt\u00e1rio e prazeroso do pr\u00f3prio Deus. O Senhor se deu a conhecer para que pud\u00e9ssemos nos relacionar com Ele em alegria, amor e adora\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Tornou-se poss\u00edvel falar de Deus e nos relacionarmos com Ele porque Ele se revelou \u2212 e o fez como o ser pessoal que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Spurgeon (1834-1892), bem ao seu estilo, comenta: \u201cO homem s\u00e1bio l\u00ea o livro do mundo e o livro da Palavra como dois volumes da mesma obra e pensa a respeito deles: \u2018Meu Pai escreveu os dois\u2019\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os, afirmamos que a B\u00edblia \u00e9 a verdade em tudo o que trata. Isso \u00e9 distinto de dizer que ela apenas cont\u00e9m verdades. Verdades podem ser encontradas em diversas obras \u2212 na <em>Rep\u00fablica<\/em> de Plat\u00e3o, no <em>Discurso do M\u00e9todo<\/em> de Descartes, nas pe\u00e7as de Shakespeare ou mesmo em <em>O Pr\u00edncipe<\/em> de Maquiavel. Contudo, ao nos referirmos \u00e0s Escrituras, estamos afirmando que elas s\u00e3o, em toda sua extens\u00e3o e profundidade, <strong>a verdade<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convic\u00e7\u00e3o da fidelidade de Deus, insepar\u00e1vel de sua soberania, estabelece o fundamento para confiarmos plenamente na veracidade de sua Palavra. Essa certeza \u00e9 fundamental, pois, como escreveu Sproul (1939-2017): \u201cA f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 teoc\u00eantrica. Deus n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 margem da vida dos crist\u00e3os, mas no centro. Ele define toda nossa vida e nossa vis\u00e3o do mundo\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se revela demonstrando aspectos de sua grandeza, santidade e majestade. Sua revela\u00e7\u00e3o corresponde adequadamente ao seu ser, ainda que n\u00e3o o revele de forma exaustiva. Assim, \u00e9 poss\u00edvel conhecer a Deus verdadeiramente, ainda que n\u00e3o completamente.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas quest\u00f5es merecem destaque. Ao falarmos da fidelidade do ser de Deus que se estende \u00e0 sua revela\u00e7\u00e3o, pressupomos sua coer\u00eancia <strong>ad intra<\/strong> \u2212 em sua pr\u00f3pria natureza \u2212 e <strong>ad extra<\/strong> \u2212 em sua rela\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o. Essa coer\u00eancia \u00e9 express\u00e3o de sua perfei\u00e7\u00e3o e fundamento da nossa confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1)<\/strong> Aqui temos uma quest\u00e3o de <strong>coer\u00eancia<\/strong> <strong>ontol\u00f3gica<\/strong> (Deus n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio em sua natureza essencial).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>contradi\u00e7\u00e3o<\/strong> normalmente est\u00e1 associada pelo menos a uma dessas tr\u00eas coisas que vou classificar provisoriamente como segue abaixo:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">a) <strong>Inconsist\u00eancia racional<\/strong> (ignor\u00e2ncia dos pontos que sustentamos gerando uma contradi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">b) <strong>Inconsist\u00eancia moral <\/strong>(sustento pontos excludentes conscientemente porque desejo enganar e levar algum tipo de vantagem).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li><strong>Coer\u00eancia ontol\u00f3gica<\/strong> \u2014 Deus n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio em sua natureza essencial.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\">A contradi\u00e7\u00e3o, em geral, pode ser associada a pelo menos tr\u00eas categorias, que provisoriamente classifico da seguinte forma:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><strong>a) Inconsist\u00eancia racional<\/strong>: decorre da ignor\u00e2ncia dos fundamentos que sustentamos, gerando contradi\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias.<\/li>\n<li><strong>b) Inconsist\u00eancia moral<\/strong>: ocorre quando sustentamos proposi\u00e7\u00f5es excludentes de forma consciente, movidos pelo desejo de enganar ou obter vantagem.<\/li>\n<li><strong>c) Inconsist\u00eancia de poder<\/strong>: mesmo dispondo de\u00a0 conhecimento adequado e n\u00e3o tendo a inten\u00e7\u00e3o enganar, somos levados a uma postura incoerente por falta de poder para agir de modo distinto. Trata-se, em geral, de um erro de c\u00e1lculo quanto \u00e0 nossa capacidade deliberativa e\/ou executiva. Por exemplo, algu\u00e9m pode prometer algo crendo sinceramente que \u00e9 realiz\u00e1vel, mas posteriormente descobre que n\u00e3o disp\u00f5e dos meios \u2212 sejam f\u00edsicos, contratuais ou jurisdicionais \u2212 para cumprir o prometido.<\/li>\n<li>Essa categoria pode ser ainda mais bem delineada ao distinguirmos dois tipos de inconsist\u00eancia de poder:<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><strong>Inconsist\u00eancia de poder culp\u00e1vel<\/strong>: ocorre quando a falha decorre de uma avalia\u00e7\u00e3o imprudente ou negligente. O agente poderia ter previsto a incongru\u00eancia, mas n\u00e3o o fez por falta de crit\u00e9rio ou responsabilidade na an\u00e1lise das vari\u00e1veis envolvidas.<\/li>\n<li><strong>Inconsist\u00eancia de poder desculp\u00e1vel<\/strong>: manifesta-se quando o agente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis de perceber a incongru\u00eancia de sua afirma\u00e7\u00e3o, seja por insufici\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es, seja por fatores externos mascarados ou completamente alheios \u00e0 sua esfera de poder e controle.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\">2.<strong> Coer\u00eancia \u00e9tica<\/strong> \u2212 Deus n\u00e3o se relaciona conosco com base em mentira ou engano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o incorre em nenhuma dessas inconsist\u00eancias. Ele \u00e9 Deus e possui perfeita ci\u00eancia de quem \u00e9. Sua natureza \u00e9 absolutamente harmoniosa em todos os seus atributos, e a infinitude de sua gl\u00f3ria n\u00e3o escapa ao seu perfeito conhecimento. Deus \u00e9 perfeito, e perfeito \u00e9 o seu saber. Temos aqui um c\u00edrculo completo e absoluto: nada lhe pode ser acrescentado (Rm 11.33-36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 verdadeiro e deseja ser conhecido como de fato \u00e9. Por isso, sua revela\u00e7\u00e3o \u00e9 fiel e leal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 primeira quest\u00e3o, escreve Bavinck:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Se o conhecimento de Deus foi revelado por Ele mesmo em sua palavra, ele n\u00e3o pode conter elementos contradit\u00f3rios ou estar em conflito com aquilo que se sabe de Deus a partir da natureza e da hist\u00f3ria. Os pensamentos de Deus n\u00e3o podem se opor uns aos outros e, assim, necessariamente formam uma unidade org\u00e2nica.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os atributos de Deus s\u00e3o revelados de forma verdadeira, expressando com fidelidade a sua natureza real.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Por mais eloquente que seja a Cria\u00e7\u00e3o ao manifestar aspectos da majestade e santidade divinas, nada se compara \u00e0 clareza e profundidade da sua Palavra revelada e registrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 19 de junho de 1555, ao pregar sobre Deuteron\u00f4mio 5.11, Jo\u00e3o Calvino proclamou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Observemos os c\u00e9us e a terra: vemos Deus em todo lugar. Pois o que \u00e9 a terra sen\u00e3o uma imagem viva (como diz Paulo) na qual Deus se declara? Apesar de ser invis\u00edvel em sua ess\u00eancia, ele se mostra nessa, para que o adoremos. Mas nas Sagradas Escrituras existe uma imagem da qual Deus se declara de modo muito mais familiar a n\u00f3s do que nos c\u00e9us ou na terra. Apesar de iluminarem a terra, nem o sol nem a lua demonstram a majestade do mesmo modo que a Lei, os Profetas e o Evangelho.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schaeffer (1912\u20131984), ao defender a genuinidade da revela\u00e7\u00e3o divina como proposicional e hist\u00f3rica, escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Deus inseriu a revela\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Hist\u00f3ria; Ele n\u00e3o a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teol\u00f3gico. Localizando a revela\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revela\u00e7\u00e3o cuja hist\u00f3ria fosse falsa? Tamb\u00e9m o homem foi inserido neste universo que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, ent\u00e3o, teria para Deus ter nos oferecido a sua revela\u00e7\u00e3o em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as quest\u00f5es deve ser \u201cnada disso faria qualquer sentido!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Est\u00e1 claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou, numa forma lingu\u00edstica e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua hist\u00f3ria e o universo.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, podemos e devemos confiar inteiramente em sua Palavra. O Deus fiel se revela com verdade e autenticidade. Sua Palavra, por ser a verdade (Jo 17.17), corresponde ao que Ele deseja que saibamos genuinamente sobre sua natureza, e obede\u00e7amos. Ir al\u00e9m do que foi revelado \u00e9 cair num labirinto gerado por uma mente especulativa e pecaminosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse esp\u00edrito que o salmista canta: <em>\u201c<u>Fidel\u00edssimos<\/u><\/em>\u00a0(&#8216;aman me`od) (<em>intensamente dignos de cr\u00e9dito)<\/em> <em>s\u00e3o os teus <u>testemunhos<\/u><\/em>\u00a0(`edah)<em>; \u00e0 tua casa conv\u00e9m a santidade, SENHOR, para todo o sempre\u201d <\/em>(Sl 93.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei tudo o que minha mente especulativa deseja, mas sei que Deus quer ser conhecido e prov\u00ea os meios para que sejamos santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os seus preceitos s\u00e3o fi\u00e9is; n\u00e3o h\u00e1 necessidade de atualiz\u00e1-los ou adequ\u00e1-los. Eles permanecem: <em>\u201cAs obras de suas m\u00e3os s\u00e3o <u>verdade<\/u> <\/em>(&#8216;emeth) <em>e justi\u00e7a; <u>fi\u00e9is<\/u><\/em> (&#8216;aman) <em>todos os seus preceitos. <sup>8<\/sup>Est\u00e1veis s\u00e3o eles para todo o sempre, institu\u00eddos em <u>fidelidade<\/u><\/em> (&#8216;emeth) (firmeza, certeza, confian\u00e7a) <em>e retid\u00e3o\u201d<\/em> (Sl 111.7-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus \u00e9 express\u00e3o da fidelidade de seu Autor. Por isso, podemos descansar nela, confiantes em suas promessas. O que Deus prometeu, Ele cumprir\u00e1. Ele \u00e9 fiel a si mesmo; em sua Palavra n\u00e3o h\u00e1 instabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que os valores predominantes da sociedade apontem em outra dire\u00e7\u00e3o, tentando desacreditar os preceitos divinos, podemos depositar nossa f\u00e9 inteiramente em suas instru\u00e7\u00f5es. O Deus que as prescreveu \u00e9 fiel \u2212 total e absolutamente digno de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o salmista p\u00f4de declarar com piedade e sinceridade: <em>\u201c<u>Creio<\/u><\/em>\u00a0(&#8216;aman) <em>nos teus mandamentos\u201d<\/em> (Sl 119.66). Outra vez: <em>\u201c<\/em><em><u>Confio<\/u><\/em>\u00a0(batach) <em>na tua Palavra\u201d <\/em>(Sl 119.42).<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o ap\u00f3stolo Paulo estava preso, sendo levado a Roma em uma embarca\u00e7\u00e3o com 276 pessoas (At 27.37), n\u00e3o tendo sido ouvido antes, agora, em meio \u00e0 grande tempestade que aterrorizava a todos, expressa publicamente sua confian\u00e7a, conforme o relato de Lucas:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em><sup>21<\/sup><\/em><em> Havendo todos estado muito tempo sem comer, Paulo, pondo-se em p\u00e9 no meio deles, disse: Senhores, na verdade, era preciso terem-me atendido e n\u00e3o partir de Creta, para evitar este dano e perda.\u00a0 <sup>22<\/sup> Mas, j\u00e1 agora, vos aconselho bom \u00e2nimo, porque nenhuma vida se perder\u00e1 de entre v\u00f3s, mas somente o navio.\u00a0 <sup>23<\/sup> Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo,\u00a0 <sup>24<\/sup> dizendo: Paulo, n\u00e3o temas! \u00c9 preciso que compare\u00e7as perante C\u00e9sar, e eis que Deus, por sua gra\u00e7a, te deu todos quantos navegam contigo.\u00a0 <sup>25<\/sup> Portanto, senhores, tende bom \u00e2nimo! Pois <u>eu confio<\/u> <\/em>\u00a0<em>em Deus que suceder\u00e1 do modo por que me foi dito.<\/em> (At 27.21-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, por ser quem \u00e9, e pela fidelidade de seus atos, \u00e9 absolutamente digno de cr\u00e9dito. Sua natureza imut\u00e1vel e seus feitos ao longo da hist\u00f3ria testificam essa confiabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos constantemente avaliar aquilo em que cremos. Esse \u00e9 um princ\u00edpio profundamente salutar \u00e0 sa\u00fade de nossa f\u00e9. Podemos ter plena certeza, atestada pelo pr\u00f3prio Deus e experimentada ao longo dos s\u00e9culos por todo o seu povo: <em>\u201cO testemunho do SENHOR \u00e9 <u>fiel<\/u><\/em> (&#8216;aman) (<em>digno de cr\u00e9dito<\/em>)<em>\u201d<\/em> (Sl 19.7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 envolve conhecimento; ambos caminham juntos.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Contudo, o conhecimento, por si s\u00f3, jamais ser\u00e1 suficiente sem a f\u00e9. A d\u00favida, embora por vezes necess\u00e1ria, \u00e9 dolorosa. Ela nos parece estranha, pois ansiamos pela certeza e pela convic\u00e7\u00e3o que orientam nossa vida.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquilo em que cremos molda nossos sentimentos e nossa conduta. Por isso, a consci\u00eancia da fidelidade de Deus, expressa em seus mandamentos, exige de n\u00f3s um compromisso correspondente de fidelidade e obedi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O salmista canta:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Bem-aventurados os <u>irrepreens\u00edveis<\/u><\/em>\u00a0(tamiym)<em> no seu caminho, que <u>andam<\/u> <\/em>(halak) <em>na lei do SENHOR\u00a0 <sup>2<\/sup>Bem-aventurados os que guardam as suas <u>prescri\u00e7\u00f5es <\/u><\/em>(`edah) (= testemunhos) <em>e o <u>buscam<\/u> <\/em>(darash) <em><u>de todo o cora\u00e7\u00e3o<\/u><\/em> (leb)<em>; <sup>3<\/sup> n\u00e3o praticam iniquidade e <u>andam<\/u> <\/em>(halak) <em>nos seus caminhos.<\/em> (Sl 119.1-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DeYoung resume bem: \u201cComo povo de Deus, acreditamos que a Palavra de Deus \u00e9 confi\u00e1vel em todos os sentidos para falar o que \u00e9 verdadeiro, ordenar o que \u00e9 justo e nos fornecer o que \u00e9 bom\u201d.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao nos aproximarmos da B\u00edblia, partimos do pressuposto de que ela \u00e9 o registro fiel e inerrante da revela\u00e7\u00e3o de Deus (Jo 10.35; 1Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2Tm 3.16; 2Pe 1.20\u201321). Por isso, podemos afirmar com Paulo: <em>\u201cFiel \u00e9 a Palavra.\u201d<\/em> (1Tm 3.1; 4.9)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por meio das Escrituras que aprendemos que o melhor int\u00e9rprete da Palavra \u00e9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo, \u201cfalando na Escritura\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> (Mt 22.29,31; At 4.24-26; 28.25; 1Co 2.10-16), conforme nos ensinou o Senhor Jesus Cristo:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Quando vier, por\u00e9m, o Esp\u00edrito da verdade, ele vos guiar\u00e1 a toda a verdade; porque n\u00e3o falar\u00e1 por si mesmo, mas dir\u00e1 tudo o que tiver ouvido, e vos anunciar\u00e1 as cousas que h\u00e3o de vir. <\/em>(Jo 16.13).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Mas o Consolador, o Esp\u00edrito Santo, a quem o Pai enviar\u00e1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em meu nome, esse vos ensinar\u00e1 todas as cousas e vos far\u00e1 lembrar de tudo o que vos tenho dito.<\/em> (Jo 14.26\/Jo 5.30; 14.6; 17.17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo nos diz n\u00e3o que a Palavra de Deus se harmoniza com algum outro padr\u00e3o distinto decorrendo da\u00ed a sua veracidade, antes, o que Ele afirma \u00e9 que a sua Palavra \u00e9 a pr\u00f3pria verdade, o padr\u00e3o de verdade ao qual qualquer alega\u00e7\u00e3o pretensamente verdadeira dever\u00e1 se adequar.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Ora\u00e7\u00e3o Sacerdotal, Jesus declara com solenidade: <em>\u201cA Tua Palavra \u00e9 a <u>verdade<\/u><\/em><em>\u201d<\/em> (Jo 17.17). <em>\u00a0<\/em>E continua: <em>\u201cE a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles tamb\u00e9m sejam santificados na <u>verdade<\/u><\/em><em>\u201d<\/em> (Jo 17.19).<em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo n\u00e3o afirma que a Palavra de Deus \u00e9 verdadeira por se conformar a algum padr\u00e3o externo de verdade. Antes, Ele declara que a Palavra \u00e9, em si mesma, o padr\u00e3o absoluto de verdade, ao qual toda alega\u00e7\u00e3o pretensamente verdadeira deve se conformar.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Salmos lemos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Os <u>ju\u00edzos<\/u> <\/em>(mishpat) <em>do SENHOR s\u00e3o <u>verdadeiros<\/u><\/em>\u00a0(&#8216;emeth). (Sl 19.9).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>As tuas palavras s\u00e3o em tudo <u>verdade<\/u><\/em>\u00a0(&#8216;emeth) <em>desde o princ\u00edpio, e cada um dos teus justos ju\u00edzos dura para sempre.<\/em> (Sl 119.160).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a alian\u00e7a de Deus com Davi, o salmista louva ao Senhor, reconhecendo a fidelidade divina expressa em sua Palavra: <em>\u201c<\/em><em>Agora, pois, \u00f3 SENHOR Deus, tu mesmo \u00e9s Deus, e as tuas palavras s\u00e3o <u>verdade<\/u><\/em>\u00a0(&#8216;emeth)<em>, e tens prometido a teu servo este bem\u201d<\/em> (2Sm 7.28).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossa finitude<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que nossa mente finita n\u00e3o pode compreender plenamente as perfei\u00e7\u00f5es de Deus. Sua \u201cracionalidade absoluta\u201d transcende nossa capacidade racional. No entanto, como escreveu Hodge (1797\u22121878): \u201cA raz\u00e3o \u00e9 necessariamente pressuposta em toda a revela\u00e7\u00e3o. Revela\u00e7\u00e3o \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o da verdade \u00e0 mente. (&#8230;) A comunica\u00e7\u00e3o da verdade pressup\u00f5e a capacidade de receb\u00ea-la. N\u00e3o se podem fazer revela\u00e7\u00f5es a brutos e irracionais\u201d.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transcender nossa racionalidade n\u00e3o significa exigir f\u00e9 no \u201cincr\u00edvel\u201d \u2212 no sentido de algo imposs\u00edvel de ser crido. Deus n\u00e3o nos desafia a crer no absurdo, mas a confiar em seu poder e em suas promessas.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pressuposto fundamental de nossa epistemologia \u00e9 a capacidade de conhecer. O agnosticismo, nesse sentido, representa um suic\u00eddio intelectual, com implica\u00e7\u00f5es profundas na integridade espiritual, social e moral do ser humano.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alcance e os limites do nosso conhecimento s\u00e3o definidos pela revela\u00e7\u00e3o divina. Aquilo que Deus n\u00e3o revelou n\u00e3o deve ser alvo de especula\u00e7\u00e3o. A sabedoria consiste em restringir nossos passos ao que nos foi dado conhecer, e, ao mesmo tempo, avan\u00e7ar com confian\u00e7a naquilo que nos foi concedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Deus fala, temos liberdade para falar; quando se cala, \u00e9 nosso dever calar. E quando Ele interrompe o caminho, devemos parar \u2212 tomados por rever\u00eancia, gratid\u00e3o e temor santo.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> A verdadeira teologia nasce da escuta obediente, n\u00e3o da curiosidade desenfreada. O sil\u00eancio de Deus n\u00e3o \u00e9 vazio, mas convite \u00e0 adora\u00e7\u00e3o humilde diante do mist\u00e9rio que nos excede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gilson (1884-1978) sintetiza com precis\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>A revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 somente necess\u00e1ria para que se possa crer no Deus da religi\u00e3o crist\u00e3, como tamb\u00e9m n\u00e3o tem sentido imaginar que se possa conhecer a exist\u00eancia desse mesmo Deus de outro modo que n\u00e3o pela f\u00e9 em sua pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o \u00e9 exaustiva no sentido de abranger plenamente o seu ser infinito.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> No entanto, podemos afirmar com seguran\u00e7a que, qualitativamente, <em>\u201ccomo Deus se revela, assim Ele \u00e9.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 artificialidade ou distor\u00e7\u00e3o naquilo que Ele nos d\u00e1 a conhecer. Muitos de seus atos soberanos nos escapam, pois o finito n\u00e3o pode conter o infinito. Ainda assim, podemos conhecer a Deus de forma genu\u00edna e verdadeira, \u00e0 luz de sua autorrevela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bavinck (1854-1921)\u00a0 assim coloca a quest\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>N\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio (&#8230;) dizer que um conhecimento \u00e9 inadequado, finito e limitado e ao mesmo tempo \u00e9 verdadeiro, puro e suficiente.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>O conhecimento absoluto, plenamente adequado de Deus, \u00e9, portanto, imposs\u00edvel.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Nosso conhecimento de Deus n\u00e3o \u00e9, e, de fato, n\u00e3o pode ser, exaustivo: ele \u00e9 anal\u00f3gico e ect\u00edpico.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conhecemos a ess\u00eancia de Deus em sua completude;<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> contudo, podemos conhec\u00ea-la \u00e0 medida que Ele se revela. Sua revela\u00e7\u00e3o \u201cdesvela\u201d facetas de sua natureza eterna \u2212 bondade, justi\u00e7a, santidade, gra\u00e7a, amor, entre outras.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> O nosso Deus \u00e9 grandioso e incompar\u00e1vel; seus pensamentos s\u00e3o inating\u00edveis e insond\u00e1veis.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> Ele \u00e9 o Rei da gl\u00f3ria.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos fundamentos da doutrina crist\u00e3 \u00e9 a certeza de que cremos em um Deus soberano<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a> e todo-poderoso,<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> que nos ama e se d\u00e1 a conhecer pessoalmente. Sem a revela\u00e7\u00e3o divina, seria imposs\u00edvel crer ou falar de Deus. No entanto, podemos conhec\u00ea-lo de forma genu\u00edna e pessoal, como afirma o salmista: <em>\u201c<u>Conhecido<\/u> <\/em>(yada\u2019)<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a> <em>\u00e9<\/em><em> Deus em Jud\u00e1; <u>grande<\/u> <\/em>(gadol), <em>o seu nome em Israel\u201d <\/em>(Sl 76.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia do mist\u00e9rio inescrut\u00e1vel de Deus nos \u00e9 dada pela revela\u00e7\u00e3o. O conhecimento de nossa limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inato, mas precedido pela a\u00e7\u00e3o reveladora de Deus. Sem revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 te\u00edsmo, ate\u00edsmo ou agnosticismo. \u00c9 no encontro pessoal e significativo com Deus que tomamos consci\u00eancia de nossa finitude. <a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Escritura, o Senhor n\u00e3o apenas revela aspectos sublimes de sua natureza, mas tamb\u00e9m nos d\u00e1 a conhecer elementos de seu prop\u00f3sito eterno: seu amor anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, seu cuidado ao nos instruir, sua corre\u00e7\u00e3o quando nos desviamos e a garantia da salva\u00e7\u00e3o futura j\u00e1 assegurada.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>As Escrituras n\u00e3o s\u00e3o especulativas<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escritura n\u00e3o se perde em especula\u00e7\u00f5es. Isso por duas raz\u00f5es fundamentais: primeiro, Deus, como Senhor de todo o conhecimento e da verdade, nada precisa aprender. Todo saber lhe pertence; nada lhe \u00e9 derivado. Segundo, Ele n\u00e3o deseja que seu povo se perca em conjecturas sobre o que n\u00e3o foi revelado.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guiar-se por especula\u00e7\u00f5es \u00e9 desejar ir al\u00e9m da revela\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, perder-se em hip\u00f3teses fr\u00e1geis e teorias fr\u00edvolas que pretendem \u201cdecifrar\u201d o que Deus, em sua sabedoria e soberania, escolheu n\u00e3o nos revelar. <em>\u201cNossas especula\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem servir de medida para nosso Deus\u201d<\/em>, acentua Packer (1926-2020).<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino que, como sabemos, n\u00e3o tinha satisfa\u00e7\u00e3o \u201cem sutilezas f\u00fateis\u201d<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> oferece-nos um conselho pr\u00e1tico:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Os homens que eram devotados aos questionamentos in\u00fateis necessitam principalmente de ser lembrados de preocupar-se com a vida santa e justa. N\u00e3o h\u00e1 nada mais apropriado para refrear a peregrina curiosidade dos homens do que a lembran\u00e7a dos deveres dos quais devemos ocupar-nos.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia \u00e9 um livro descritivo e profundamente pr\u00e1tico. Ela n\u00e3o discute a exist\u00eancia de Deus nem abstrai sua ess\u00eancia. Parte do pressuposto da exist\u00eancia do Deus Todo-poderoso, que se revela criando com sabedoria e poder todas as coisas. Mais que conceito ou teoria, a Escritura nos p\u00f5e em contato com o Deus vivo e pessoal, que age, fala, <a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a> \u00a0relaciona-se e cuida de seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Israel \u00e9, em grande medida, a hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o concreta de Deus na hist\u00f3ria \u2212 no tempo e no espa\u00e7o. \u201cA Escritura, em sua totalidade, \u00e9 o pr\u00f3prio livro da provid\u00eancia de Deus\u201d, resume Bavinck (1854-1921).<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Revela\u00e7\u00e3o como hist\u00f3ria e linguagem<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schaeffer (1912\u20131984), defendendo a revela\u00e7\u00e3o como proposicional e hist\u00f3rica, escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Deus inseriu a revela\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Hist\u00f3ria; Ele n\u00e3o a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teol\u00f3gico. Localizando a revela\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revela\u00e7\u00e3o cuja hist\u00f3ria fosse falsa? Tamb\u00e9m o homem foi inserido neste universo que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, ent\u00e3o, teria para Deus ter nos oferecido a sua revela\u00e7\u00e3o em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as quest\u00f5es deve ser \u201cnada disso faria qualquer sentido!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Est\u00e1 claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou, numa forma lingu\u00edstica e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua hist\u00f3ria e o universo.<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 o Senhor eterno, anterior e independente da cria\u00e7\u00e3o: <em>\u201cAntes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu \u00e9s Deus\u201d<\/em>, escreveu Mois\u00e9s (Sl 90.2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mois\u00e9s, por revela\u00e7\u00e3o direta, registra de forma inspirada (2Pe 1.20-21) os atos criadores de Deus, sem especular sobre sua ess\u00eancia. Ele simplesmente apresenta o Deus Todo-poderoso exercendo seu poder criador segundo seu eterno prop\u00f3sito. Deus existe \u2212 esse \u00e9 o pressuposto da narrativa da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus cria por meio de sua Palavra, e esse fato nos conduz \u00e0 mais profunda rever\u00eancia. A Palavra divina \u00e9 o verbo criador que manifesta sua soberana vontade e seu poder irresist\u00edvel (Gn 1.1, 26\u201327; Sl 33.6,9; Jo 1.1\u20133; Hb 11.3). Tudo o que existe foi formado com sabedoria (Pv 3.19), e nada escapa ao prop\u00f3sito estabelecido por sua voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como na cria\u00e7\u00e3o, tudo prov\u00e9m da Palavra poderosa e autoritativa de Deus. Ela n\u00e3o apenas ordena o surgimento da realidade, mas sustenta e dirige todas as coisas com precis\u00e3o infal\u00edvel. Sua Palavra \u00e9 sempre eficaz, jamais falha em cumprir o que determina, e nunca retorna vazia (Is 55.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como bem ilustra Horton: <em>\u201cA nova cria\u00e7\u00e3o origina-se no ventre da Palavra.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a> Essa imagem evoca n\u00e3o apenas o poder criador, mas tamb\u00e9m a intimidade e a profundidade com que Deus opera \u2212 gerando vida, renovando cora\u00e7\u00f5es e conduzindo a hist\u00f3ria segundo seu eterno prop\u00f3sito.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Algumas considera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da convic\u00e7\u00e3o de que Deus \u00e9 fiel e verdadeiro, reconhecemos que sua revela\u00e7\u00e3o \u2212 tanto geral quanto especial \u2212 constitui um ato volunt\u00e1rio e gracioso, por meio do qual o ser humano \u00e9 capacitado a conhecer e se relacionar com o Criador. Embora n\u00e3o seja exaustiva, essa revela\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente e plenamente verdadeira, expressando com fidelidade a natureza divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscamos evidenciar a coer\u00eancia ontol\u00f3gica e \u00e9tica de Deus, em contraste com as m\u00faltiplas inconsist\u00eancias humanas \u2212 sejam elas racionais, morais ou relacionadas ao exerc\u00edcio do poder. Essa distin\u00e7\u00e3o sustenta a confiabilidade da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, que n\u00e3o se apoia em conjecturas, mas em proposi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e lingu\u00edsticas que comunicam verdades objetivas sobre Deus, o ser humano e o universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse horizonte, somos chamados \u00e0 rever\u00eancia e \u00e0 confian\u00e7a. A limita\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o representa um impedimento, mas antes um convite \u00e0 depend\u00eancia e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. A Palavra de Deus se revela suficiente, eficaz e digna de cr\u00e9dito, constituindo o padr\u00e3o absoluto de verdade. A f\u00e9 crist\u00e3, nesse contexto, \u00e9 teoc\u00eantrica e pr\u00e1tica, moldando afetos e condutas a partir da certeza da fidelidade divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, torna-se evidente o risco da especula\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e da curiosidade desordenada. A teologia que se prop\u00f5e fiel deve brotar da escuta obediente e submissa \u00e0 revela\u00e7\u00e3o. A Escritura \u00e9 o meio pelo qual Deus se d\u00e1 a conhecer de forma pessoal, concreta e transformadora, conduzindo o crente \u00e0 santidade e \u00e0 comunh\u00e3o com o Senhor.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>A certeza da f\u00e9<\/em>. Bras\u00edlia, DF: Monergismo, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Dogm\u00e1tica reformada.<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012. 4v<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Teologia sistem\u00e1tica<\/em>. Santa B\u00e1rbara D\u2019Oeste, SP: SOCEP, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRUNNER, Emil. <em>Dogm\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>As institutas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>As pastorais<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>G\u00e1latas, Ef\u00e9sios, Filipenses e Colossenses<\/em>. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP: Fiel, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>O Evangelho segundo Jo\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP: Fiel, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRAME, John M. <em>A doutrina de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GILSON, \u00c9tienne. <em>O fil\u00f3sofo e a teologia<\/em>. S\u00e3o Paulo; Santo Andr\u00e9, SP: Paulus; Academia Crist\u00e3, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRUDEM, Wayne A. <em>Teologia sistem\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HODGE, Charles. <em>Teologia sistem\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HORTON, Michael. <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PACKER, J.I. <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e soberania de Deus<\/em>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHAEFFER, Francis A. <em>O Deus que interv\u00e9m<\/em>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SELDERHUIS, Herman J. (Ed.). <em>Calvini Opera Database<\/em>. Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005. v. 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPURGEON, C.H. <em>El Tesoro de David<\/em>. Barcelona: CLIE, 1989. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPROUL, R.C. <em>A santidade de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TIL, Cornelius Van. <em>Epistemologia reformada<\/em>. Natal, RN: Nadere Reformatie Publica\u00e7\u00f5es, 2020. v. 1. E-book.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WARFIELD, B.B. <em>The Biblical Idea of Revelation<\/em>. In: <em>The Inspiration of the Bible<\/em>. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 2000. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WOLLEBIUS, Johannes. <em>Comp\u00eandio de teologia crist\u00e3<\/em>. Eus\u00e9bio, CE: Peregrino, 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Cornelius Van Til, <em>Epistemologia Reformada<\/em>, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publica\u00e7\u00f5es, 2020, v. 1, p. 12, E-book.\u00a0 Posi\u00e7\u00e3o 170 de 715.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Veja-se: B.B. Warfield, The Biblical Idea of Revelation: In: <em>The Inspiration of the Bible<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work\u2019s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 1, p. 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>C.H. Spurgeon, <em>El Tesoro de David<\/em>, Barcelona: CLIE., (1989), v. 1, (Sl 19), p. 127.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>R.C. Sproul, <em>A Santidade de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1997, p. 225.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Em Neemias lemos: <em>\u201cLevantai-vos, bendizei ao Senhor, vosso Deus, de eternidade em eternidade! Bendito seja o teu glorioso nome, que est\u00e1 exaltado acima de toda b\u00ean\u00e7\u00e3o e louvor!\u201d<\/em> (Ne 9.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este vers\u00edculo expressa a profunda rever\u00eancia e exalta\u00e7\u00e3o que o povo de Israel, guiado pelos levitas, dirige ao Senhor. A declara\u00e7\u00e3o de que o nome de Deus est\u00e1 \u201cexaltado acima de toda b\u00ean\u00e7\u00e3o e louvor\u201d revela uma tens\u00e3o teol\u00f3gica e devocional significativa: Deus \u00e9 digno de uma adora\u00e7\u00e3o que ultrapassa os limites da linguagem humana. N\u00e3o h\u00e1 palavras suficientes para descrev\u00ea-lo com precis\u00e3o. Toda express\u00e3o de louvor, por mais sincera e elevada que seja, permanece aqu\u00e9m da gl\u00f3ria que Ele merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa confiss\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, um ato de humildade e rever\u00eancia. Os levitas reconhecem que o conhecimento humano \u00e9 finito, e que a linguagem, por mais rica e elaborada, n\u00e3o pode conter a plenitude do ser divino. Como afirma o ap\u00f3stolo Paulo: <em>\u201c\u00d3 profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Qu\u00e3o insond\u00e1veis s\u00e3o os seus ju\u00edzos e qu\u00e3o inescrut\u00e1veis os seus caminhos!\u201d<\/em> (Rm 11.33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de que Deus se revela \u2212 e que podemos conhec\u00ea-lo \u2212 \u00e9 um ato de pura gra\u00e7a. Neemias 9.5 nos ensina que a verdadeira adora\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o reconhecimento da nossa insufici\u00eancia. Louvar a Deus \u00e9, paradoxalmente, admitir que n\u00e3o conseguimos faz\u00ea-lo \u00e0 altura de sua grandeza. E ainda assim, somos chamados a ador\u00e1-lo \u2212 com todo o nosso cora\u00e7\u00e3o, com toda a nossa alma, com todas as nossas for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, ao nos aproximarmos de Deus, devemos faz\u00ea-lo com a consci\u00eancia de que nossas palavras s\u00e3o fr\u00e1geis, mas que Ele acolhe o louvor sincero dos que o buscam em esp\u00edrito e em verdade. A limita\u00e7\u00e3o do nosso conhecimento n\u00e3o \u00e9 um impedimento \u00e0 comunh\u00e3o, mas sim um convite \u00e0 depend\u00eancia, \u00e0 confian\u00e7a e \u00e0 entrega reverente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 98.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>I. Calvini In: Herman J. Selderhuis, ed., <em>Calvini Opera Database 1.0<\/em>, Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005, v. 26, col. 281.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Francis A. Schaeffer, <em>O Deus que interv\u00e9m<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 146.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> A confian\u00e7a do salmista na Palavra de Deus estava associada ao fato de que confiava em Deus (Sl 13.5; 25.2; 26.1; 31.6,14; 52.8; 56.4,11; 143.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 4, p. 99.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Veja-se o precioso livro de Bavinck, <em>A Certeza da f\u00e9, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2018, 124p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Kevin DeYoung, <em>Levando Deus a s\u00e9rio, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 2014, p. 18.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> <em>Confiss\u00e3o de Westminster<\/em>, I.10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Veja-se: Wayne A. Grudem, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> \u00a0S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1999, p. 53-54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Veja-se: Wayne A. Grudem, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> \u00a0S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1999, p. 53-54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>Charles Hodge, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2001, p. 37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Veja-se: Charles Hodge, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2001, p. 39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> \u201cPrim\u00e1ria e fundamental, para a epistemologia revelacional, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que o homem pode ter um conhecimento verdadeiro da realidade. Nenhuma forma de agnosticismo \u00e9 consistente com qualquer forma de cristianismo\u201d (Cornelius Van Til, <em>Epistemologia Reformada<\/em>, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publica\u00e7\u00f5es, 2020, v. 1, p. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Calvino orientou-nos pastoralmente, dizendo: \u201cQue esta seja a nossa regra sacra: n\u00e3o procurar saber nada mais sen\u00e3o o que a Escritura nos ensina. Onde o Senhor fecha seus pr\u00f3prios l\u00e1bios, que n\u00f3s igualmente impe\u00e7amos nossas mentes de avan\u00e7ar sequer um passo a mais\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos<\/em>, S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 9.14), p. 330).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>\u00c9tienne Gilson, <em>O Fil\u00f3sofo e a Teologia, <\/em>S\u00e3o Paulo; Santo Andr\u00e9, SP.: Paulus; Academia Crist\u00e3, 2021, p. 88.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o,\u00a0 <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 114.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o,<\/em> v. 2, p. 110, 113. Da mesma forma, veja-se: Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 59.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o,<\/em> v. 2, p. 110.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a cria\u00e7\u00e3o, <\/em>v. 2, p. 99. Wollebius classifica esse conhecimento como \u201cteologia derivada\u201d (Veja-se: Johannes Wollebius, <em>Comp\u00eandio de Teologia Crist\u00e3<\/em>,\u00a0 Eus\u00e9bio, CE.: Peregrino, 2020, p. 30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> \u201cPois, como haja a mente humana, que ainda n\u00e3o pode estatuir ao certo de que natureza seja a massa do sol, que entretanto se v\u00ea diariamente com os olhos, de reduzir \u00e0 sua parca medida a imensur\u00e1vel ess\u00eancia de Deus? Muito pelo contr\u00e1rio, como haja de, por sua pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o, penetrar at\u00e9 a subst\u00e2ncia de Deus, a fim de perscrut\u00e1-<em>la<\/em>, <em>ela <\/em>que <em>n\u00e3o <\/em>alcan\u00e7a nem ao menos a sua pr\u00f3pria? Por cuja raz\u00e3o, de bom grado deixemos a Deus o conhecimento de si \u00a0<em>mesmo<\/em>, pois, al\u00e9m de tudo, como <em>o <\/em>diz Hil\u00e1rio, <em>ele <\/em>pr\u00f3prio, que n\u00e3o foi conhecido, a n\u00e3o ser por si <em>mesmo<\/em>, \u00e9 de si mesmo a \u00fanica testemunha id\u00f4nea. \u00a0Ora, deixaremos com ele o que lhe compete se o concebermos tal como ele se nos manifesta; e s\u00f3 poderemos inteirar-nos disto por interm\u00e9dio de sua Palavra. (&#8230;) Pelo mui infeliz resultado de qual temeridade nos importa ser advertidos, para que tenhamos o cuidado de aplicar-<em>nos <\/em>a esta quest\u00e3o com docilidade mais do que com sutileza, n\u00e3o inculcamos no esp\u00edrito ou investigar a Deus em qualquer outra parte que n\u00e3o seja em sua Sagrada Palavra, ou a seu respeito pensar qualquer coisa, a n\u00e3o ser que sua Palavra <em>lhe <\/em>tome a dianteira, ou falar <em>algo que <\/em>n\u00e3o seja tomado dessa mesma Palavra\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas, <\/em>(2006), I.13.21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Vejam-se: John M. Frame, <em>\u00a0A Doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 168, 175ss.; Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Romanos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Paracletos, 1997, (Rm 1.19), p. 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a><em>\u201cO conselho do SENHOR dura para sempre; os <u>des\u00edgnios<\/u> <\/em>(hb&#8217;v&#8217;x]m;) (machashabah)<em> do seu cora\u00e7\u00e3o, por todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d<\/em> (Sl 33.11).<em> \u201cQu\u00e3o <u>grandes<\/u> <\/em>(ld;G&#8221;) (gadal)<em>, SENHOR, s\u00e3o as tuas obras! Os teus <u>pensamentos<\/u> <\/em>(hb&#8217;v&#8217;x]m;) (machashabah) (des\u00edgnios, intentos)<em> que profundos!\u201d<\/em> (Sl 92.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> <em>\u201c<sup>7<\/sup>Levantai, \u00f3 portas, as vossas cabe\u00e7as; levantai-vos, \u00f3 portais eternos, para que entre o Rei da Gl\u00f3ria. <sup>8<\/sup>Quem \u00e9 o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. <sup>9<\/sup>Levantai, \u00f3 portas, as vossas cabe\u00e7as; levantai-vos, \u00f3 portais eternos, para que entre o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>. <sup>10<\/sup>Quem \u00e9 esse Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>? O SENHOR dos Ex\u00e9rcitos, ele \u00e9 o Rei da <u>Gl\u00f3ria<\/u> <\/em>(dAbK&#8217;) (kabod)<em>\u201d<\/em> (Sl 24.7-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> <em>&#8220;<\/em><em><sup>33<\/sup><\/em><em>\u00d3 profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Qu\u00e3o insond\u00e1veis s\u00e3o os seus ju\u00edzos, e qu\u00e3o inescrut\u00e1veis, os seus caminhos! <sup>34<\/sup> Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? <sup>35<\/sup> Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restitu\u00eddo? <sup>36<\/sup> Porque dele, e por meio dele, e para ele s\u00e3o todas as coisas. A ele, pois, a gl\u00f3ria eternamente. Am\u00e9m!&#8221;<\/em> (Rm 11.33-36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> <em>\u201cNo c\u00e9u est\u00e1 o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada\u201d<\/em> (Sl 115.3).<em> \u201cTudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos c\u00e9us e na terra, no mar e em todos os abismos\u201d<\/em> (Sl 135.6). <em>\u201c&#8230; O meu conselho permanecer\u00e1 de p\u00e9, farei toda a minha vontade\u201d<\/em> (Is 46.10).<em> \u201cTodos os moradores da terra s\u00e3o por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o ex\u00e9rcito do c\u00e9u e os moradores da terra; n\u00e3o h\u00e1 quem lhe possa deter a m\u00e3o, nem lhe dizer: Que fazes?\u201d<\/em> (Dn 4.35). <em>\u201cNele (Jesus Cristo), digo, no qual fomos tamb\u00e9m feitos heran\u00e7a, predestinados segundo o prop\u00f3sito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade\u201d<\/em> (Ef 1.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> ([d;y&#8221;) (yada\u2019)<em>. <\/em>Este conhecimento envolve a capacidade de discernir (Sl 4.4), experimentar (Sl 9.11; 20.7; 25.4.14; 119.75; 139.1,2,4; 139.14), ver (Sl 16.11); pensar\/perceber (Sl 35.8); perfeito conhecimento (Sl 37.18; 44.21; 50.11; 69.5; 94.11; 103.14; 139.23; 142.3); conhecimento \u00edntimo e pessoal (Sl 51.3); intimidade\/proximidade (Sl 55.13; 88.18); compreender (Sl 73.16); aprender (Sl 78.3); ensinar (Sl 90.12); fazer not\u00f3rio\/manifestar (Sl 98.2; 103.7; 145.12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Ver: Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica<\/em><em>, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 157, 159ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> \u201cA verdade das criaturas, por exemplo, seria sem sentido sem a verdade de Deus, mas a verdade de Deus n\u00e3o depende do mundo que ele criou. Ele conhece todas as coisas por si mesmo, conhecendo sua natureza e seu plano eterno, e cria a verdade sobre o mundo real por meio de suas obras de cria\u00e7\u00e3o e provid\u00eancia. Nosso conhecimento depende do dele (Sl 36.9), mas o dele n\u00e3o depende de nada, a n\u00e3o ser dele mesmo\u201d (John M. Frame, <em>\u00a0A doutrina de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2013, p. 455).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>J.I. Packer, <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e Soberania de Deus, <\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990, p. 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>G\u00e1latas, Ef\u00e9sios, Filipenses e Colossenses<\/em> (S\u00e9rie Coment\u00e1rios B\u00edblicos) (Portuguese Edition), Fp 2.9), (p. 482). Editora Fiel. Edi\u00e7\u00e3o do Kindle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>Jo\u00e3o Calvino, <em>As Pastorais, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998 (Tt 2.1), p. 327. Explicando o sentido da palavra <em>logos<\/em> no cap\u00edtulo primeiro do Evangelho de Jo\u00e3o, conclui: \u201cRecuso-me a filosofar al\u00e9m da compreens\u00e3o de minha f\u00e9. E descobrimos que o Esp\u00edrito de Deus est\u00e1 t\u00e3o longe de aprovar tais sutilezas que, ao balbuciar conosco, seu pr\u00f3prio sil\u00eancio proclama qu\u00e3o s\u00f3brio deve ser nosso acesso intelectual em mist\u00e9rios t\u00e3o profundos\u201d (Jo\u00e3o Calvino,<em> O evangelho segundo Jo\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.1),\u00a0 p. 30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a>Veja-se: Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>Santa B\u00e1rbara D\u2019Oeste, SP.: SOCEP, 2001, p. 175.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a>Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a cria\u00e7\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 607.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a>Francis A. Schaeffer, <em>O Deus que interv\u00e9m<\/em>, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 146.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 790.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Editor e Revisor: Vinicius Lima.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se Deus \u00e9 fiel, Sua Palavra n\u00e3o pode ser inst\u00e1vel. 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Leciona em diversos Semin\u00e1rios ininterruptamente desde 1980. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teologia Sistem\u00e1tica, lecionando h\u00e1 40 anos, e Hist\u00f3ria da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: Jo\u00e3o Calvino e Teologia Reformada e Cosmovis\u00e3o Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Brasil. Publica diariamente em suas redes sociais um artigo e um v\u00eddeo.\",\"url\":\"https:\\\/\\\/voltemosaoevangelho.com\\\/blog\\\/autor\\\/hermisten-maia\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A coer\u00eancia e veracidade de Deus na Revela\u00e7\u00e3o Geral e Especial","description":"Se Deus \u00e9 fiel, Sua Palavra n\u00e3o pode ser inst\u00e1vel. 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