{"id":72025,"date":"2025-10-08T08:00:42","date_gmt":"2025-10-08T11:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=72025"},"modified":"2025-10-02T14:45:48","modified_gmt":"2025-10-02T17:45:48","slug":"o-valor-metafisico-da-revelacao-biblica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2025\/10\/o-valor-metafisico-da-revelacao-biblica\/","title":{"rendered":"O Valor Metaf\u00edsico da Revela\u00e7\u00e3o B\u00edblica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Artigo 7 da s\u00e9rie O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota do editor:<\/strong> Este \u00e9 o s\u00e9timo artigo da s\u00e9rie de Hermisten Maia \u2013 <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/serie\/o-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia\"><em>O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia<\/em><\/a>. Este artigo nos ensina que a\u00a0teologia crist\u00e3 reconhece que todo conhecimento verdadeiro de Deus \u00e9 dom da revela\u00e7\u00e3o divina, que n\u00e3o apenas informa, mas transforma. A Escritura apresenta Deus n\u00e3o como uma for\u00e7a impessoal ou distante, mas como o Senhor infinito e pessoal, que se d\u00e1 a conhecer em Cristo. Essa revela\u00e7\u00e3o confronta a idolatria da autonomia humana, fundamenta a realidade e conduz o homem do saber especulativo \u00e0 adora\u00e7\u00e3o reverente. Sem revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria te\u00edsmo, ate\u00edsmo ou sentido para a vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras evidenciam o valor metaf\u00edsico da realidade, contudo, n\u00e3o se limitam a isso, por mais importante que seja e, de fato \u00e9. Elas tratam dessa quest\u00e3o em termos <strong>ontol\u00f3gicos<\/strong>, <strong>normativos<\/strong> e <strong>existenciais<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras jamais apresentam Deus de maneira impessoal, abstrata ou trivial. Ao contr\u00e1rio, revelam-no como o Deus infinito-pessoal, que se d\u00e1 a conhecer e se relaciona de forma significativa e misericordiosa com os seus. A revela\u00e7\u00e3o do nome divino, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 um mero dado informativo, mas um meio gracioso pelo qual Deus estabelece um canal relacional, permitindo que o ser humano o invoque e se aproxime dele com rever\u00eancia e confian\u00e7a.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia reconhece e afirma o valor metaf\u00edsico da realidade, mas n\u00e3o se limita a essa dimens\u00e3o. Ela aborda a exist\u00eancia humana em termos <strong>ontol\u00f3gicos<\/strong> (quem \u00e9 Deus), <strong>normativos<\/strong> (como devemos viver segundo sua vontade) e <strong>existenciais<\/strong> (como experimentamos essa rela\u00e7\u00e3o no cotidiano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A metaf\u00edsica b\u00edblica est\u00e1 profundamente entrela\u00e7ada com a Lei absoluta de Deus e com as implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de sua soberania sobre a exist\u00eancia humana. Por essa raz\u00e3o, grande parte das Escrituras adota a forma de narrativa hist\u00f3rica, demonstrando como tais princ\u00edpios se concretizam na jornada do povo de Deus \u2212 seja em atos de obedi\u00eancia, seja em momentos de rebeldia \u2212 ao longo do tempo e dentro das realidades do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deus revelado nas Escrituras n\u00e3o \u00e9 produto da imagina\u00e7\u00e3o humana, moldado por desejos, v\u00edcios ou proje\u00e7\u00f5es subjetivas.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Tal concep\u00e7\u00e3o, inevitavelmente, conduz da idolatria ao ate\u00edsmo.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0 De fato, o ate\u00edsmo pode ser compreendido como uma forma refinada de idolatria, na qual o homem passa a adorar a criatura \u2212 especialmente sua pr\u00f3pria mente \u2212 em lugar do Criador (Rm 1.25).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Substituir o Deus das Escrituras por constru\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, por mais sofisticadas que sejam, \u00e9 uma ilus\u00e3o teol\u00f3gica. Essa substitui\u00e7\u00e3o representa a ess\u00eancia do humanismo aut\u00f4nomo,\u00a0 \u00a0que considera de forma te\u00f3rica e pr\u00e1tica o homem como e medida de toda a realidade.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> \u00a0Nesse paradigma, Deus \u00e9 subjetivamente destronado, e o ser humano assume o centro da realidade, perdendo-se em um universo sem refer\u00eancias metaf\u00edsicas transcendentais.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A Idolatria da Autonomia e o Eclipse de Deus<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A idolatria permeia o cora\u00e7\u00e3o humano sedento por autonomia. Ao exilar Deus \u2212 seja ignorando-o, relativizando-o ou \u201cmatando-o\u201d <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> \u2212 o ser humano passa a viver exclusivamente de estat\u00edsticas, dados e proje\u00e7\u00f5es. O \u00fanico referencial torna-se ele mesmo. N\u00e3o h\u00e1 valores acima do indiv\u00edduo; n\u00e3o h\u00e1 transcend\u00eancia que o confronte ou redima.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Nesse cen\u00e1rio, o homem se torna a medida de todas as coisas, e a realidade \u00e9 reduzida ao que pode ser quantificado ou controlado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O antropocentrismo, em seus devaneios centr\u00edfugos e centr\u00edpetos, \u00e9 uma forma sofisticada de idolatria, carregando em seu ventre o feto do ate\u00edsmo. A teologia, quando desconectada da revela\u00e7\u00e3o divina, corre o risco de se tornar mera antropologia. Nesse sentido, surgem os chamados \u201cte\u00f3logos ateus\u201d, que, ao deslocarem o foco da teologia para o homem, transformam o discurso sobre Deus em uma an\u00e1lise da experi\u00eancia humana, esvaziando o conte\u00fado revelacional e transcendental da f\u00e9 crist\u00e3.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frame comenta com precis\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>O argumento b\u00edblico a ser mencionado aqui \u00e9 que ningu\u00e9m \u00e9 realmente ateu, no sentido mais s\u00e9rio desse termo. Quando as pessoas se afastam da adora\u00e7\u00e3o ao Deus verdadeiro, elas n\u00e3o rejeitam o absoluto em geral. Antes, em vez do verdadeiro Deus, eles adoram \u00eddolos, como Paulo ensina em Romanos 1: 18\u201332. A grande divis\u00e3o na humanidade n\u00e3o \u00e9 que alguns adorem um deus e outros n\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 entre aqueles que adoram o Deus verdadeiro e aqueles que adoram falsos deuses, \u00eddolos. A adora\u00e7\u00e3o falsa pode n\u00e3o envolver ritos ou cerim\u00f4nias, mas sempre envolve o reconhecimento da asseidade, honrando alguns que n\u00e3o dependem de mais nada.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, no entanto, n\u00e3o se deixa invadir pela raz\u00e3o humana, nem mesmo pela f\u00e9 aut\u00f4noma. Ele se d\u00e1 a conhecer livremente, fidedignamente e explicitamente. Deus se revela como Senhor\u00a0 \u2212 e como bem pontua Karl Barth, \u201cSenhorio significa liberdade.\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecer a Deus \u00e9 um privil\u00e9gio da gra\u00e7a, sempre iniciado pelo Deus Trino (Mt 11.27; 1Co 12.3). Ele nos conhece profundamente, mais do que n\u00f3s mesmos, e nada do que lhe dizemos \u00e9 inusitado. S\u00f3 o conhecemos \u00e0 medida que Ele se revela e fala de si mesmo (Sl 139.1-4; 33.13-15; Jo 1.47-48; 2.25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, qualquer tentativa de \u201ceditar\u201d Deus segundo os gostos pessoais, os c\u00e2nones contempor\u00e2neos apelidados de \u201cpoliticamente corretos\u201d, ou mesmo segundo uma \u201cteologia pessoal\u201d subjetiva, redundar\u00e1 inevitavelmente em idolatria. O \u00eddolo criado torna-se perfeitamente manipul\u00e1vel, servindo como medida e padr\u00e3o avaliativo de Deus e de sua revela\u00e7\u00e3o \u2212 uma invers\u00e3o que desfigura a verdade e corrompe a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalismo, de\u00edsmo e pante\u00edsmo, embora distintos em suas formula\u00e7\u00f5es, s\u00e3o todos declara\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas. A quest\u00e3o fundamental n\u00e3o \u00e9 se temos uma teologia, mas se ela \u00e9 verdadeira ou falsa.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0 Sem Deus, a vida n\u00e3o apenas carece de sentido \u2212 ela, de fato, n\u00e3o teria sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de Deus n\u00e3o \u00e9 apenas uma lacuna existencial, mas um colapso ontol\u00f3gico. \u00c9 na revela\u00e7\u00e3o do Deus vivo que encontramos n\u00e3o apenas respostas, mas o pr\u00f3prio fundamento da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recorro a Nash (1936-2006):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>Os seres humanos nunca s\u00e3o neutros em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Ou adoramos a Deus como Criador e Senhor ou nos afastamos de Deus. Como o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 direcionado ou para Deus ou contra ele, o pensamento te\u00f3rico nunca \u00e9 t\u00e3o puro ou aut\u00f4nomo como muitos gostariam de pensar que fosse.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7a, conhecimento e mist\u00e9rio<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto mais conhecemos Deus, mais compreendemos, e sentimos que seu mist\u00e9rio \u00e9 inescrut\u00e1vel\u201d, comenta Brunner (1889-1966).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> De fato, \u00e0 medida que nos aprofundamos no conhecimento de Deus, cresce em n\u00f3s a percep\u00e7\u00e3o da grandiosidade e do mist\u00e9rio que O envolve.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A douta ignor\u00e2ncia \u00e9 parte essencial da f\u00e9 genu\u00edna e sincera.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> O reconhecimento de nossa limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inato, mas precedido pela revela\u00e7\u00e3o divina. Em s\u00edntese: \u00e9 por meio da revela\u00e7\u00e3o que tomamos consci\u00eancia do mist\u00e9rio inescrut\u00e1vel de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso conhecimento pode ser real e aut\u00eantico, mas permanece fragmentado e limitado.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> Ainda assim, devemos nos alegrar por poder conhecer. O Senhor n\u00e3o exigir\u00e1 de n\u00f3s al\u00e9m do que nos foi concedido, mas requer fidelidade tanto no muito quanto no pouco. <a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem revela\u00e7\u00e3o, nada sabemos sobre Deus. \u00c9 pela gra\u00e7a objetiva da revela\u00e7\u00e3o e pela ilumina\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito que come\u00e7amos a saber \u2212 e a descobrir que n\u00e3o sabemos. No conhecimento intensivo e experimental de Deus, ampliamos reverentemente nossa compreens\u00e3o e, ao mesmo tempo, percebemos o quanto ignoramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem revela\u00e7\u00e3o, o ser humano passaria toda a sua vida \u2212 e a eternidade \u2212 sem qualquer conhecimento de Deus, por mais engenhosos fossem seus m\u00e9todos, por mais sistem\u00e1ticas suas pesquisas, por mais que a ci\u00eancia evolu\u00edsse ou a l\u00f3gica se refinasse. O homem jamais alcan\u00e7aria Deus, nem mesmo a ideia de Deus: ignoraria eternamente a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia. Deus, por\u00e9m, continuaria sendo o que sempre foi \u2212 o Senhor.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as a Deus, que soberana e graciosamente se revelou a si mesmo, para que pud\u00e9ssemos conhec\u00ea-lo e render-lhe toda a gl\u00f3ria que somente a Ele \u00e9 devida.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Deus Revelado: A Plenitude da Revela\u00e7\u00e3o em Cristo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, somos confrontados com o cl\u00edmax e a plenitude da revela\u00e7\u00e3o de Deus (Jo 14.9-11; 10.30; Cl 1.19; 2.9; Hb 1.1-4). Nele, o invis\u00edvel se torna vis\u00edvel, o eterno se manifesta no tempo, e o mist\u00e9rio se revela com gra\u00e7a e verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calvino afirma com precis\u00e3o: \u201cTudo quanto diz respeito ao genu\u00edno conhecimento de Deus constitui um dom do Esp\u00edrito Santo.\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> A Trindade nos deu a Trindade. O Deus Tripessoal se revelou a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lewis (1898-1963) escreve de forma perspicaz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>O ate\u00edsmo (&#8230;) \u00e9 uma coisa por demais simplista. Se todo o universo n\u00e3o tem sentido, nunca descobrir\u00edamos que ele n\u00e3o tem sentido, do mesmo modo que, se n\u00e3o houvesse luz no universo, nem, consequentemente, criaturas com olhos, nunca saber\u00edamos que era escuro. A palavra escuro seria uma palavra sem sentido.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc517104870\"><\/a>Deus, Senhor do real que se revela fidedignamente<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se revelou de forma fidedigna e acess\u00edvel. Hendriksen (1900-1982) declara: \u201cNo Filho temos a revela\u00e7\u00e3o \u00faltima de Deus. Da mesma forma como \u00e9 verdade que quem viu o Filho viu o Pai, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que quem n\u00e3o viu o Filho, n\u00e3o viu o Pai.\u201d <a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> Jesus Cristo, plenitude da gra\u00e7a encarnada, \u00e9 a medida da revela\u00e7\u00e3o \u2212 seu padr\u00e3o e apelo final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bavinck (1854-1921) exulta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><em>A plenitude do ser de Deus \u00e9 revelada nele. Ele n\u00e3o apenas nos apresenta o Pai e nos revela Seu nome, mas Ele nos mostra o Pai em Si mesmo e nos d\u00e1 o Pai. Cristo \u00e9 a express\u00e3o de Deus e a d\u00e1diva de Deus. Ele \u00e9 Deus revelado a Si mesmo e Deus compartilhado a Si mesmo, e, portanto, Ele \u00e9 cheio de verdade e tamb\u00e9m cheio de Gra\u00e7a.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a impessoal sem racionalidade. Ele \u00e9 o Deus transcendente e pessoal que se revela genuinamente, com quem podemos nos relacionar: ouvir, amar, temer, confiar e orar. <a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das limita\u00e7\u00f5es da linguagem humana, o termo \u201cpessoal\u201d, em contraste com o \u201cimpessoal\u201d, faz jus ao que as Escrituras revelam sobre Deus. As for\u00e7as impessoais s\u00e3o dirigidas por um Deus pessoal.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linguagem usada para Deus, por for\u00e7a da revela\u00e7\u00e3o, tem car\u00e1ter relacional. Deus se relaciona com seu povo na hist\u00f3ria. Ele n\u00e3o \u00e9 apenas um princ\u00edpio absoluto, distante e inacess\u00edvel, mas uma Pessoa Absoluta que se revela. \u00c9 a partir do relacionamento de Deus com a cria\u00e7\u00e3o \u2212 e com o homem em especial \u2212 que a teologia se torna poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente isso: a passagem do Deus consigo para o Deus conosco. Do Deus <em>absconditus<\/em> ao Deus <em>revelatus<\/em>. Aspectos do car\u00e1ter de Deus se revelam em suas rela\u00e7\u00f5es com suas criaturas.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo do conhecimento pertence a Deus. Ele \u00e9 o seu autor e revelador. Logo, todo e qualquer conhecimento quer <em>emp\u00edrico<\/em>, quer <em>filos\u00f3fico, <\/em>quer <em>cient\u00edfico<\/em>, quer <em>teol\u00f3gico<\/em><a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> que o homem tenha ou possa ter, \u00e9 parte do conhecimento de Deus expresso na sua Cria\u00e7\u00e3o. Desta forma, podemos dizer que <em>n\u00e3o existe conhecimento fora de Deus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de nossas limita\u00e7\u00f5es e da loucura de pensar autonomamente, Deus, o Senhor glorioso e majestoso, torna-se conhecido por n\u00f3s \u2212 n\u00e3o por nossos esfor\u00e7os, mas porque Ele graciosamente se d\u00e1 a conhecer de forma acess\u00edvel \u00e0 nossa capacidade. Nossas especula\u00e7\u00f5es e indu\u00e7\u00f5es s\u00e3o incapazes de nos conduzir ao conhecimento salvador de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda analogia que tentamos aplicar a Deus \u00e9 sempre tacanha, pobre e temer\u00e1ria. Por isso, a revela\u00e7\u00e3o divina \u00e9 sempre uma autorrevela\u00e7\u00e3o consciente, majestosa e objetiva. Na express\u00e3o de sua natureza gloriosa, Deus traz beleza variada e harmoniosa \u00e0 cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa f\u00e9 encontra seu fundamento na autorrevela\u00e7\u00e3o de Deus \u2212 a realidade absoluta com a qual Ele vem ao nosso encontro e nos confronta. <a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> \u00c9 pela revela\u00e7\u00e3o que conhecemos a incompreensibilidade de Deus. Ou seja, \u00e9 por Deus que sabemos da sua inesgotabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras n\u00e3o tratam Deus como um ser confundido com a mat\u00e9ria (pante\u00edsmo), <a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> nem como uma divindade ausente e distante (de\u00edsmo), <a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>\u00a0 como ocorre no pensamento pag\u00e3o. Antes, mostram Deus tal como Ele se revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse princ\u00edpio \u00e9 basilar para a f\u00e9 crist\u00e3: a revela\u00e7\u00e3o divina \u00e9 a \u00fanica fonte e possibilidade real de conhecermos a Deus.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> \u00c9 Deus quem se d\u00e1 a conhecer \u2212 e \u00e9 Ele mesmo quem nos capacita para conhec\u00ea-lo. Sem revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sequer um \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d referentes a Deus. Sem revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria te\u00edsmo nem ate\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deus das Escrituras \u00e9 aquele em quem podemos confiar, a quem podemos orar e por cuja Palavra podemos nos conduzir. Ele \u00e9 fiel. Ele \u00e9 o Senhor. Ele \u00e9 o nosso Pastor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Algumas considera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia crist\u00e3, fundamentada na revela\u00e7\u00e3o divina, reconhece que todo verdadeiro conhecimento de Deus \u00e9 dom gracioso do pr\u00f3prio Deus. A Escritura n\u00e3o apenas informa, mas transforma, conduzindo-nos do saber ao temor, da especula\u00e7\u00e3o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um mero dep\u00f3sito de verdades abstratas, mas o convite amoroso de um Deus pessoal que se d\u00e1 a conhecer, n\u00e3o por necessidade, mas por gra\u00e7a. Em Cristo, temos o \u00e1pice dessa revela\u00e7\u00e3o: o Verbo encarnado, plenitude da gra\u00e7a e da verdade, em quem o invis\u00edvel se torna vis\u00edvel e o eterno se aproxima do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia da nossa limita\u00e7\u00e3o \u2212 a douta ignor\u00e2ncia \u2212 longe de ser obst\u00e1culo, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 aut\u00eantica. Saber que n\u00e3o sabemos tudo \u00e9 reconhecer que dependemos Daquele que tudo sabe. Como afirmou Calvino, ignorar o que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito ne poss\u00edvel saber, \u00e9 sabedoria.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a teologia que nasce da revela\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma teologia do louvor. Conhecer a Deus \u00e9 ador\u00e1-lo. E ador\u00e1-lo \u00e9 confessar, com humildade e alegria, que Ele \u00e9 o Senhor \u2212 fiel, soberano, glorioso e acess\u00edvel. Que toda nossa reflex\u00e3o nos conduza \u00e0 rever\u00eancia, e toda nossa rever\u00eancia nos conduza \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Deus, somente, seja a gl\u00f3ria. Am\u00e9m!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTH, Karl. <em>Church Dogmatics<\/em>. Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010. v. 1\/1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTH, Karl. <em>Esbo\u00e7o de uma Dogm\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>A certeza da f\u00e9<\/em>. Bras\u00edlia, DF: Monergismo, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012. v. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAVINCK, Herman. <em>Teologia Sistem\u00e1tica<\/em>. Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP: SOCEP, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BEEKE, Joel R.; SMALLEY, Paul M. <em>Teologia Sistem\u00e1tica Reformada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2020. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRUNNER, Emil. <em>Dogm\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006. v. 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Cartas de Jo\u00e3o Calvino<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o<em>. Instru\u00e7\u00e3o na F\u00e9<\/em>. Goi\u00e2nia, GO: Logos Editora, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>G\u00e1latas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALVINO, Jo\u00e3o. <em>O Livro dos Salmos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999. v. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTA, Hermisten M. P. <em>Princ\u00edpios b\u00edblicos de adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTA, Hermisten M. P. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia das ci\u00eancias teol\u00f3gicas<\/em>. Goi\u00e2nia, GO: Cruz, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTA, Hermisten M. P. <em>O Homem no teatro de Deus: provid\u00eancia, tempo, hist\u00f3ria e circunst\u00e2ncia<\/em>. Eus\u00e9bio, CE: Peregrino, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FEUERBACH, Ludwig. <em>A Ess\u00eancia do Cristianismo<\/em>. Campinas, SP: Papirus, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRAME, John M. <em>Apolog\u00e9tica para a Gl\u00f3ria de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRAME, John M. <em>A History of Western Philosophy and Theology<\/em>. Phillipsburg, NJ: P&amp;R Publishing, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HENRY, Carl F. H. <em>Deus, Revela\u00e7\u00e3o e Autoridade: Deus que fala e age \u2013 15 teses \u2013 parte um<\/em>. v. 2. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HENDRIKSEN, William. <em>O Evangelho de Jo\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HORTON, Michael. <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KANT, Immanuel. <em>Filosof\u00eda de la Historia<\/em>. 3\u00aa reimpresi\u00f3n. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KANT, Immanuel. <em>A paz perfeita e outros op\u00fasculos<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEWIS, C. S. <em>A ess\u00eancia do Cristianismo aut\u00eantico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARX, Karl. <em>Teses Contra Feuerbach<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 35), 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">McGRATH, Alister E. <em>Surpreendido pelo sentido: ci\u00eancia, f\u00e9 e o sentido das coisas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NASH, Ronald H. <em>Cosmovis\u00f5es em Conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias<\/em>. Bras\u00edlia, DF: Monergismo, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NIETZSCHE, Friedrich. <em>Gaia Ci\u00eancia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NIETZSCHE, Friedrich. <em>O Anticristo: Ensaio de uma Cr\u00edtica do Cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NIETZSCHE, Friedrich. <em>Assim Falou Zaratustra<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hemus, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PACKER, J. I. <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e Soberania de Deus<\/em>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIPER, John. <em>O Legado da Alegria Soberana: a gra\u00e7a triunfante de Deus na vida de Agostinho, Lutero e Calvino<\/em>. S\u00e3o Paulo: Shedd, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUSHDONY, Rousas J. <em>A Filosofia do Curr\u00edculo Crist\u00e3o<\/em>. Bras\u00edlia, DF: Monergismo, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHAEFFER, Francis A. <em>O Grande Desastre Evang\u00e9lico<\/em>. In: SCHAEFFER, Francis A. <em>A Igreja no S\u00e9culo 21<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SMITH, Morton H. <em>Systematic Theology<\/em>. South Carolina: Greenville Seminary Press, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPROUL, R. C. <em>A santidade de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPROUL, R. C. <em>O que \u00e9 a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">STRONG, Augustus H. <em>Teologia Sistem\u00e1tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2003. v. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TURRETINI, Fran\u00e7ois. <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011. v. 1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Veja-se: Carl F.H. Henry, <em>Deus, Revela\u00e7\u00e3o e Autoridade v. 2: Deus que fala e age &#8211; 15 teses &#8211; parte um<\/em>, S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2017, p. 225, 254.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Veja-se: Hermisten M.P. Costa, <em>Princ\u00edpios b\u00edblicos de adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cA perda total de significado impl\u00edcita no ate\u00edsmo \u00e9 de mais para que muitos suportem. As pessoas precisam de alguns valores, alguns padr\u00f5es, algumas maneiras para orientar suas vidas. Entre essas pessoas, aqueles que continuam a resistir \u00e0 cren\u00e7a no verdadeiro Deus tornam-se inconsistentes quanto ao seu ate\u00edsmo, ou tornam-se id\u00f3latras. Se n\u00e3o querem o verdadeiro Deus, ter\u00e3o de procurar outro\u201d (John Frame, <em>Apolog\u00e9tica para a Gl\u00f3ria de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010. p. 150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u201cQualquer que seja esse nosso objeto de preocupa\u00e7\u00e3o fundamental, isso ser\u00e1 o nosso deus. Por esta raz\u00e3o, n\u00e3o existem ateus genu\u00ednos. Encontramos, em vez disso, pessoas que veneram ou adoram coisas ou ideias em lugar do \u00fanico Deus verdadeiro\u201d (Ronald H.\u00a0 Nash, <em>Cosmovis\u00f5es em Conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2012, p. 39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u201cA forma extrema da idolatria \u00e9 o humanismo, que v\u00ea o homem como a medida de todas as coisas\u201d (R.C. Sproul, <em>O que \u00e9 a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 33). Veja-se tamb\u00e9m: R.C. Sproul, <em>A santidade de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1997, p. 205. Na prov\u00e1vel primeira carta que Calvino escreveu depois de ter se fixado em Genebra (1536), alegra-se com o avan\u00e7o da Reforma e a consequente diminui\u00e7\u00e3o da supersti\u00e7\u00e3o e idolatria. Ent\u00e3o diz: \u201cDeus permita que os \u00eddolos sejam erradicados tamb\u00e9m do cora\u00e7\u00e3o\u201d (Carta escrita ao seu amigo Francis Daniel no dia 13 de outubro de 1536. In: Jo\u00e3o Calvino, <em>Cartas de Jo\u00e3o Calvino, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 30). Veja-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>Instru\u00e7\u00e3o na F\u00e9,<\/em> Goi\u00e2nia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 8, p. 22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Nietzsche (1844-1900), quase 100 anos depois, saudou jubilosamente a \u201cmaioridade\u201d proposta por Kant (E. Kant, Que es la Ilustracion? In: E. Kant, <em>Filosof\u00eda de la Historia,<\/em> 3\u00aa reimpresi\u00f3n, M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1987, p. 25. O mesmo texto encontra-se tamb\u00e9m: In: I. Kant, <em>A paz perfeita e outros op\u00fasculos, <\/em>Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, (1988), p. 11-19), quando escreve em 1882:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cO maior dos acontecimentos recentes \u2013 que \u2018Deus est\u00e1 morto\u2019, que a cren\u00e7a no Deus crist\u00e3o caiu em descr\u00e9dito \u2013 j\u00e1 come\u00e7a a lan\u00e7ar suas primeiras sombras sobre a Europa. Para os poucos, pelo menos, cujos olhos, cuja suspeita nos olhos \u00e9 forte e refinada o bastante para esse espet\u00e1culo, parece justamente que algum sol se p\u00f4s, que alguma velha, profunda confian\u00e7a virou d\u00favida: para eles, nosso velho mundo h\u00e1 de aparecer certo dia a dia mais poente, mais desconfiado, mais alheio, mais \u2018velho\u2019. (&#8230;) De fato, n\u00f3s fil\u00f3sofos e \u2018esp\u00edritos livres\u2019 sentimo-nos, \u00e0 not\u00edcia de que \u2018o velho Deus est\u00e1 morto\u2019, como que iluminados pelos raios de uma nova aurora; nosso cora\u00e7\u00e3o transborda de gratid\u00e3o, assombro, pressentimento, expectativa \u2013 eis que enfim o horizonte nos aparece livre outra vez, posto mesmo que n\u00e3o esteja claro, enfim podemos lan\u00e7ar outra vez ao largo nossos navios, navegar a todo perigo, toda ousadia do conhecer \u00e9 outra vez permitida. O mar, nosso mar, est\u00e1 outra vez aberto, talvez nunca dantes houve tanto \u2018mar aberto\u2019.\u201d (F. Nietzsche, <em>Gaia Ci\u00eancia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, \u00a7 343, p. 219-220. Vejam-se: F. Nietzsche, <em>O Anticristo: Ensaio de uma Cr\u00edtica do Cristianismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, \u00a7 16, p. 357-358; F. Nietzsche, <em>Assim Falou Zaratustra,<\/em> S\u00e3o Paulo: Hemus, 1977, p. 238-239, 264-265).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Rushdoony (1916-2001), interpretou corretamente o esp\u00edrito iluminista: \u201cO Iluminismo veio como contramovimento \u00e0 Reforma e um avivamento do humanismo greco-romano\u201d (Rousas J. Rushdoony, <em>A Filosofia do Curr\u00edculo Crist\u00e3o, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cPara o humanismo, o homem \u00e9 sua lei e o pr\u00f3prio legislador, de forma que a aprova\u00e7\u00e3o social \u00e9 o melhor teste da lei.\u201d (Rousas J. Rushdoony, <em>A Filosofia do Curr\u00edculo Crist\u00e3o, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sem d\u00favida, esse tipo de constru\u00e7\u00e3o corresponderia\u00a0 \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o\u00a0 de Feuerbach (1804-1872) sobre teologia. De fato, se a teologia se limitar a ser um reflexo daquilo que o homem pensa de si mesmo, poder\u00edamos reduzir &#8220;a teologia \u00e0 antropologia&#8221; (Veja-se: L. Feuerbach, <em>A Ess\u00eancia do Cristianismo, <\/em>Campinas, SP.: Papirus, 1988, Pref\u00e1cio \u00e0 2. edi\u00e7\u00e3o, p. 35 e p. 55). Para Feuerbach a religi\u00e3o era apenas uma proje\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o humana, a objetiva\u00e7\u00e3o da sua ess\u00eancia. &#8220;Pelo Deus conheces o homem e vice-versa pelo homem conheces o seu Deus; ambos s\u00e3o a mesma coisa. O que \u00e9 Deus para o homem \u00e9 o seu esp\u00edrito, a sua alma e o que \u00e9 para o homem seu esp\u00edrito, sua alma, seu cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 tamb\u00e9m o seu Deus: Deus \u00e9 a intimidade revelada, o pronunciamento do Eu do homem; a religi\u00e3o \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o solene das preciosidades ocultas do homem, a confiss\u00e3o dos seus mais \u00edntimos pensamentos, a manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos seus segredos de amor.&#8221; (<em>Ibidem., <\/em><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0p. 55-56. Veja-se tamb\u00e9m, p. 57 e 77). A raz\u00e3o \u00e9 o crit\u00e9rio \u00faltimo de toda a realidade (<em>Ibidem., <\/em>\u00a0p. 81); &#8220;\u00e9 a medida de todas as medidas&#8221; (<em>Ibidem., <\/em>\u00a0p. 84). Deus \u00e9 uma entidade criada pelo homem \u00e0 imagem de sua raz\u00e3o: &#8220;Como tu pensas Deus, pensas a ti mesmo a medida do teu Deus \u00e9 a medida da tua raz\u00e3o. Se pensas Deus limitado, ent\u00e3o \u00e9 a tua raz\u00e3o limitada; se pensas Deus ilimitado, ent\u00e3o a tua raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m limitada (&#8230;). No ser ilimitado simbolizas apenas a tua raz\u00e3o ilimitada&#8221; (<em>Ibidem., <\/em>\u00a0p. 82). Karl Marx (1818-1883), interpretando a concep\u00e7\u00e3o de Feuerbach, diz que este &#8220;resolve o mundo religioso na ess\u00eancia humana&#8221; (Karl Marx, <em>Teses Contra Feuerbach, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 35), 1974,\u00a0 \u00a7 6, p. 58). Acrescenta: &#8220;Feuerbach n\u00e3o v\u00ea, pois, que o pr\u00f3prio &#8216;\u00e2nimo religioso&#8217; \u00e9 um produto social e que o indiv\u00edduo abstrato, analisado por ele, pertence a uma esfera social determinada&#8221; (<em>Ibidem., <\/em><strong>\u00a0\u00a0<\/strong>\u00a7 7, p. 58).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> John M. Frame, <em>A History of Western Philosophy and Theology<\/em>, Phillipsburg, New Jersey: P&amp;R Publishing, 2015, p. 7. Vejam-se:\u00a0 Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 245-249; Herman Bavinck, <em>A Certeza da f\u00e9, <\/em>Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2018, p. 32-33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> K. Barth, <em>Church Dogmatics,<\/em> Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, 1\/1, p. 306.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>\u201cAt\u00e9 mesmo a robusta rejei\u00e7\u00e3o que o ateu faz de Deus \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. A pergunta \u00e9 se a nossa teologia \u00e9 verdadeira ou falsa\u201d (Joel R. Beeke; Paul M. Smalley, <em>\u00a0Teologia Sistem\u00e1tica Reformada, <\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2020, v. 1, p. 37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Ronald H. Nash, <em>Cosmovis\u00f5es em Conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2012, p. 35. \u201cO secularismo nega, exclui e suprime os ideais e valores morais dos outros enquanto mant\u00e9m o mito da pr\u00f3pria neutralidade\u201d (Alister E. McGrath, <em>Surpreendido pelo sentido: ci\u00eancia, f\u00e9 e o sentido das coisas, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2015, p. 166).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Emil Brunner, <em>Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 156. \u201cO mist\u00e9rio \u00e9 a for\u00e7a vital da dogm\u00e1tica\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 29).\u00a0 \u201cA teologia crist\u00e3 sempre tem a ver com mist\u00e9rios que ela conhece e com os quais fica maravilhada, mas n\u00e3o compreende, nem sonda\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 619).\u201cQuanto mais compreendemos a verdade de Deus, mais somos chocados pelo mist\u00e9rio\u201d (Michael Horton, <em>Doutrinas da f\u00e9 crist\u00e3, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2016, p. 32). Dentro de outro tema, escreveu Packer: \u201cSeja como for, n\u00e3o devemos ficar surpresos ao encontrar mist\u00e9rios dessa esp\u00e9cie na Palavra de Deus. Pois o Criador \u00e9 incompreens\u00edvel para as suas criaturas. Um Deus que pudesse ser exaustivamente compreendido por n\u00f3s, cuja revela\u00e7\u00e3o sobre Si mesmo n\u00e3o nos apresentasse\u00a0 qualquer mist\u00e9rio, seria um Deus segundo a imagem do homem e, portanto, um Deus imagin\u00e1rio, e nunca o Deus da B\u00edblia\u201d (J.I. Packer, <em>Evangeliza\u00e7\u00e3o e Soberania de Deus,<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1990, p. 20). (Vejam-se: Morton H. Smith, <em>\u00a0Systematic Theology, <\/em>South Carolina: Greenville Seminary Press, 1994, p. 100ss.; Louis Berkhof, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>4. ed. Revisada, (6\u00aa Reimpress\u00e3o), S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012,\u00a0 p. 47.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> \u201cO verdadeiro <em>mist\u00e9rio <\/em>s\u00f3 pode ser entendido como\u00a0 um <em>mist\u00e9rio <\/em>genu\u00edno mediante a revela\u00e7\u00e3o\u201d (Emil Brunner, <em>\u00a0Dogm\u00e1tica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, v. 1, p. 157).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ver: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas,<\/em> III.21.2; III.23.8.\u00a0\u00a0 Na edi\u00e7\u00e3o de 1541, escrevera: \u201cE que n\u00e3o achemos ruim submeter neste ponto o nosso entendimento \u00e0 sabedoria de Deus, aos cuidados da qual Ele deixa muitos segredos. Porque \u00e9 douta ignor\u00e2ncia ignorar as coisas que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito nem poss\u00edvel saber; o desejo de sab\u00ea-las revela uma esp\u00e9cie de raiva canina\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 3 (III.8), p. 53-54). Semelhantemente, Fran\u00e7ois Turretini, <em>Comp\u00eandio de Teologia Apolog\u00e9tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, v. 1, p. 647-648.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 98, 110.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Veja-se: Karl Barth, <em>Esbo\u00e7o de uma Dogm\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201cAinda que o mundo inteiro fosse incr\u00e9dulo, a verdade de Deus permaneceria inabal\u00e1vel e intoc\u00e1vel\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>G\u00e1latas,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 2.2), p. 48-49). Posteriormente, li em Piper: \u201cNem f\u00faria nem viol\u00eancia, nem d\u00favidas sofisticadas ou ceticismo, tem qualquer efeito sobre a exist\u00eancia de Deus\u201d (John Piper, <em>O Legado da Alegria Soberana: a gra\u00e7a triunfante de Deus na vida de Agostinho, Lutero e Calvino,\u00a0 <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd, 2005, p. 125).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de 1 Cor\u00edntios, <\/em>S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 12.3), p. 373.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>C.S. Lewis, <em>A ess\u00eancia do Cristianismo aut\u00eantico, <\/em>S\u00e3o Paulo: Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria, (1979), p. 21.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> William Hendriksen, <em>O Evangelho de Jo\u00e3o,<\/em> S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2004, (Jo 14.9), p. 657.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>Herman Bavinck, <em>Teologia Sistem\u00e1tica,<\/em> Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste, SP.: SOCEP.\u00a0 2001, p. 25-26. \u201cDeus se revelou mais abundantemente no nome \u2018Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo\u2019. A plenitude que, desde o princ\u00edpio, estava no nome Elohim, foi gradualmente desenvolvida e tornou-se mais plena e manifestamente expressa no nome trinit\u00e1rio de Deus\u201d (Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 2, p. 150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> \u201cA principal \u00eanfase do cristianismo b\u00edblico consiste na doutrina de que um Deus infinito e pessoal \u00e9 a realidade final, o Criador de todas as outras coisas, e de que um indiv\u00edduo pode se aproximar do Deus santo com base na obra consumada de Cristo, e somente desse modo\u201d (Francis A. Schaeffer, <em>O Grande Desastre Evang\u00e9lico. <\/em>In: Francis A. Schaeffer, <em>A Igreja no S\u00e9culo 21, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 272).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Veja-se: John Frame, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2019, v. 1, p. 90-91.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>Cf. A.H. Strong, <em>Teologia Sistem\u00e1tica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2003, v. 1, p. 21.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Quanto aos tipos de conhecimento, veja um resumo em: Hermisten M. P. Costa, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia das ci\u00eancias teol\u00f3gicas, <\/em>Goi\u00e2nia, GO.: Cruz, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Veja-se: Carl F.H. Henry, <em>Deus, Revela\u00e7\u00e3o e Autoridade v. 2: Deus que fala e age &#8211; 15 teses &#8211; parte um<\/em>, S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2017, p. 232ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a><strong>Pante\u00edsmo<\/strong> [\u201cPan\u201d (pa=n = tudo, todas as coisas) &amp; \u201cThe\u00f3s\u201d (qeo\/j = Deus)], \u00e9 a doutrina que ensina que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma realidade transcendente e que tudo \u00e9 imanente; por isso, Deus e o mundo formam uma unidade essencial, sendo, portanto, a mesma coisa, constituindo um todo indivis\u00edvel; por isso a nega\u00e7\u00e3o da transcend\u00eancia de Deus visto que Ele se confunde com a pr\u00f3pria mat\u00e9ria, sendo esta a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A B\u00edblia n\u00e3o confunde Deus com a mat\u00e9ria; antes, afirma que Deus criou a mat\u00e9ria (Gn 1.1) e a sustenta com o seu poder (Cl 1.17; Hb 1.3). Esta distin\u00e7\u00e3o entre o Deus Criador e a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um ensinamento fundamental das Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a><strong>De\u00edsmo<\/strong> \u00e9 uma denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica das doutrinas filos\u00f3fico-religiosas que surgiram em meados do s\u00e9culo XVII, as quais, contrapondo-se ao \u201cate\u00edsmo\u201d, afirmavam a exist\u00eancia de Deus; entretanto, negavam a Revela\u00e7\u00e3o Especial, os milagres e a Provid\u00eancia. Esse Deus \u00e9 concebido preliminarmente como a causa motora do universo. Uma das ideias predominantes, era a de que um Deus transcendente criou o mundo dotando-o de leis pr\u00f3prias e retirou-se para o seu \u00f3cio celestial, deixando o mundo trabalhar conforme as leis predeterminadas. Uma figura comum ao de\u00edsmo do s\u00e9culo XVIII era a do rel\u00f3gio de precis\u00e3o que seria o equivalente ao universo que trabalha sozinho depois de se lhe dar corda. Neste caso, Deus seria uma esp\u00e9cie de relojoeiro distante, apenas observando a sua cria\u00e7\u00e3o sem \u201cintervir\u201d em suas quest\u00f5es cotidianas. A conclus\u00e3o chegada pelos de\u00edstas \u00e9 a que as leis que regem o universo s\u00e3o imut\u00e1veis. O de\u00edsmo consequentemente atribui \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o a capacidade de se sustentar e se governar por si mesma. Temos aqui um naturalismo aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desta forma, Deus \u00e9 um propriet\u00e1rio ausente, que n\u00e3o age diretamente sobre a Cria\u00e7\u00e3o; a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o existente entre o Criador e a Cria\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se por meio de suas leis deixadas, as quais regem o universo de forma determinista. Deus seria regente do universo \u201capenas de nome\u201d. O de\u00edsmo n\u00e3o deixa de ser um ate\u00edsmo pr\u00e1tico visto que Deus n\u00e3o \u00e9 considerado de forma concreta na vida de seus adeptos. Deus sai do cen\u00e1rio real e concreto, mas, o destino e o acaso terminam por ser entronizados. (Para maiores detalhes sobre o pante\u00edsmo e o de\u00edsmo, vejam-se: Hermisten M.P. Costa, <em>O Homem no teatro de Deus: provid\u00eancia, tempo, hist\u00f3ria e circunst\u00e2ncia, <\/em>Eus\u00e9bio, CE.: Peregrino, 2019, p. 96-101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Veja-se: Herman Bavinck, <em>Dogm\u00e1tica Reformada: Proleg\u00f4mena, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2012, v. 1, p. 207ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>Veja-se: Jo\u00e3o Calvino, <em>As Institutas da Religi\u00e3o Crist\u00e3: edi\u00e7\u00e3o especial com notas para estudo e pesquisa, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2006, v. 3 (III.8), p. 53-54. De modo comparativo, veja-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>O Livro dos Salmos,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 40.5), p. 223.<\/p>\n<p>\u00a0[\/vc_column_text][vc_message message_box_style=&#8221;outline&#8221; style=&#8221;square&#8221; message_box_color=&#8221;grey&#8221; icon_type=&#8221;pixelicons&#8221; el_class=&#8221;creditos_box&#8221; icon_pixelicons=&#8221;vc_pixel_icon vc_pixel_icon-explanation&#8221;]Autor: Hermisten Maia. \u00a9 Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Editor e Revisor: Vinicius Lima.[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A B\u00edblia revela Deus como Senhor pessoal e infinito. 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