{"id":72153,"date":"2025-11-12T08:00:44","date_gmt":"2025-11-12T11:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/?p=72153"},"modified":"2025-11-07T10:21:53","modified_gmt":"2025-11-07T13:21:53","slug":"agnosticismo-consciente-e-a-idolatria-do-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/2025\/11\/agnosticismo-consciente-e-a-idolatria-do-eu\/","title":{"rendered":"Agnosticismo consciente e a Idolatria do Eu"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Artigo 10 da s\u00e9rie O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia | clique aqui para ver os demais artigos desta s\u00e9rie&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;white&#8221; size=&#8221;sm&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fvoltemosaoevangelho.com%2Fblog%2Fserie%2Fo-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota do editor:\u00a0<\/strong> Este \u00e9 o d\u00e9cimo artigo da s\u00e9rie de Hermisten Maia \u2013 <a href=\"https:\/\/voltemosaoevangelho.com\/blog\/serie\/o-ser-as-pessoas-e-as-coisas-um-dialogo-entre-teologia-e-filosofia\"><em>O Ser, as pessoas e as coisas: Um di\u00e1logo entre Teologia e Filosofia<\/em><\/a>O texto reflete sobre o mist\u00e9rio do pecado no \u00c9den e suas implica\u00e7\u00f5es existenciais. O autor reconhece que n\u00e3o sabe por que Ad\u00e3o e Eva pecaram em um ambiente perfeito, e entende esse \u201cn\u00e3o saber\u201d como confiss\u00e3o humilde diante do limite humano. Criados em retid\u00e3o, eles desejaram autonomia e foram enganados pela serpente, trocando a sabedoria de Deus pela ilus\u00e3o de liberdade. Essa busca por independ\u00eancia originou o mal moral e o caos na cria\u00e7\u00e3o. A queda revelou o engano do humanismo aut\u00f4nomo: ao tentar libertar-se de Deus, o homem perdeu sua humanidade e mergulhou em idolatria e desordem. O verdadeiro saber, diz o texto, nasce da obedi\u00eancia e n\u00e3o da transgress\u00e3o; \u00e9 na submiss\u00e3o a Deus que a alma encontra sentido e plenitude. Mesmo ferido, o homem conserva ecos da eternidade e s\u00f3 pode ser restaurado pela gra\u00e7a e pela depend\u00eancia do Criador.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que nossos primeiros pais foram levados ao pecado em uma atmosfera perfeita?<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja justamente o \u201cinteresse existencial\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0 do problema que faz essa pergunta atravessar os s\u00e9culos. A resposta, para mim, \u00e9 simples \u2212 e me contento com ela. N\u00e3o por prazer na ignor\u00e2ncia, mas como confiss\u00e3o do meu limite dentro da esfera do que foi revelado nas Escrituras: <strong>n\u00e3o sei<\/strong>. Esse n\u00e3o saber n\u00e3o invalida o fato, nem elimina a raz\u00e3o de sua exist\u00eancia; apenas resume uma ignor\u00e2ncia pessoal. E mais: a ignor\u00e2ncia jamais deve se servir de um artif\u00edcio ardiloso, pretensamente humilde, que esconde a arrog\u00e2ncia de \u201csaber o n\u00e3o saber\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra relata que Ad\u00e3o e Eva, criados em perfeita retid\u00e3o e com plena liberdade de escolha, optaram por desobedecer a Deus e comeram da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal \u2212 a qual lhes fora expressamente proibida por quem tinha autoridade para faz\u00ea-lo (Gn 2.15-17).<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Para\u00edso, Satan\u00e1s \u2212 cuja pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 uma ironia \u00e0 l\u00f3gica racional \u2212 tentou nossos primeiros pais por meio do desejo, que de alguma forma j\u00e1 cultivavam, de serem iguais a Deus. Eles se esqueceram de todo o hist\u00f3rico de sua rela\u00e7\u00e3o com o Deus fiel, amoroso, justo e s\u00e1bio.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> O desejo falou mais alto aos seus cora\u00e7\u00f5es. Como dissemos, o desejo, ainda que por vezes moment\u00e2neo, tende a eternizar-se na brevidade de seu ardor. Foi ali que conceberam o que pode ser chamado de <em>mal moral.<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, interpretando o acontecimento hist\u00f3rico registrado em G\u00eanesis, escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Mas receio que, assim como a serpente <u>enganou<\/u> a Eva com a sua <u>ast\u00facia<\/u>, assim tamb\u00e9m sejam corrompidas as vossas mentes, e se apartem da simplicidade e pureza devidas a Cristo\u201d <\/em>(2Co 11.3). Novamente: <em>\u201cA mulher, <u>sendo enganada<\/u>, caiu em transgress\u00e3o.<\/em> (1Tm 2.14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verbo grego<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong><sup>[6]<\/sup><\/strong><\/a> usado tem o sentido de <em>enganar completamente<\/em>, alcan\u00e7ando plenamente o objetivo. Assim, segundo o texto, Eva foi inteiramente enganada por Satan\u00e1s. Ele se vale de v\u00e1rias estrat\u00e9gias: quando encontra resist\u00eancia aqui, tenta por ali; se n\u00e3o der certo, tenta por l\u00e1. N\u00e3o sendo bem-sucedido, combina m\u00e9todos e se aproveita das circunst\u00e2ncias.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Eva cede \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 plenamente convencida de que o que faz \u00e9 certo \u2212 dentro de seus objetivos duvidosos. Podemos concluir, portanto, que a <em>certeza subjetiva n\u00e3o garante a correta interpreta\u00e7\u00e3o dos fatos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Satan\u00e1s enganou Ad\u00e3o e Eva. Depois disso, os fez crer que a mentira em que acreditaram era a verdade. Satan\u00e1s, que nutre pretens\u00f5es divinas, fez com que Eva o seguisse \u2212 e Ad\u00e3o seguisse a Eva. Ningu\u00e9m seguiu a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caos se instalara. Nossos primeiros pais demonstraram que haviam escolhido um novo senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As consequ\u00eancias viriam de forma intensamente percept\u00edvel. A proximidade de Satan\u00e1s os afastaria cada vez mais de Deus e, no tempo pr\u00f3prio \u2212 que n\u00e3o demoraria \u2212 eles se esconderiam da presen\u00e7a do Senhor (Gn 3.8-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pontuemos algumas quest\u00f5es aqui:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Um dos tra\u00e7os centrais da tenta\u00e7\u00e3o no \u00c9den foi o anseio por um saber que ultrapassasse os limites do permitido. Ad\u00e3o e Eva desejaram a autonomia \u2212 conhecer por si mesmos, sem media\u00e7\u00e3o divina. Almejaram ser como Deus: autossuficientes.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Satan\u00e1s lhes ofereceu uma cosmovis\u00e3o concorrente, onde o referencial \u00faltimo j\u00e1 n\u00e3o era o Criador, mas a diviniza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio desejo, em flagrante oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta santa de Deus.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele instante, quando gozavam da liberdade plena pr\u00f3pria \u00e0s criaturas, num ato pensado que revelou o absurdo de sua racionalidade, optaram por desobedecer, acreditando que o salto para a liberdade plena seria uma \u201cqueda para cima\u201d. Pura ilus\u00e3o. A loucura da desobedi\u00eancia \u00e9 pr\u00f3diga em promessas que n\u00e3o pode cumprir, e nos abandona \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o e ao desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os condicionantes invis\u00edveis que nos seduzem com a apar\u00eancia de liberdade, Bavinck observa:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>As dire\u00e7\u00f5es nas quais o nosso pensamento pode se dirigir n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o numerosas quanto supomos ou imaginamos. Em nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es, somos todos determinados pela peculiaridade de nossa natureza humana, e tamb\u00e9m cada indiv\u00edduo por seu pr\u00f3prio passado e presente, pelo seu car\u00e1ter e ambiente. E n\u00e3o \u00e9 raro que aqueles que parecem liderar os outros s\u00e3o, antes, liderados por eles.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de independ\u00eancia \u2212 t\u00e3o eloquente aos cora\u00e7\u00f5es pecaminosos \u2212 nos inclina a aceitar qualquer aceno secular em detrimento da f\u00e9. Mas a tentativa de independ\u00eancia de Deus, longe de ser caminho de vida, \u00e9 trilha de morte. Knudsen (1924-2000) adverte: \u201cA autonomia humana pecaminosa, longe de ser o caminho para a autorrealiza\u00e7\u00e3o humana, \u00e9, em si mesma, uma distor\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 humano\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem que pretendeu ocupar o lugar do Criador, desumanizou-se. J\u00e1 n\u00e3o sabe quem \u00e9. A hist\u00f3ria testemunha o fracasso dessa empreitada. O humanismo que prometia restaurar a dignidade humana revelou-se, na verdade, um anti-humanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 aqui um paradoxo: o ser que mais admiro \u00e9 justamente aquele que rejeito, na tentativa de me tornar igual a Ele por via inversa. A l\u00f3gica seria buscar a sabedoria divina por meio da obedi\u00eancia. Contudo, seduzido pela serpente, fui convencido de que o caminho para ser t\u00e3o s\u00e1bio quanto Deus \u00e9 a subvers\u00e3o de sua autoridade \u2212 a deifica\u00e7\u00e3o da vontade humana.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Negando a sabedoria divina, imagino alcan\u00e7ar sabedoria maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instala-se ent\u00e3o uma suspeita moral sobre o car\u00e1ter de Deus. Inferem que Ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o santo, justo e bom quanto afirma ser (Gn 3.1-5). Forma-se um pacto simbi\u00f3tico entre os olhos e o cora\u00e7\u00e3o (Gn 3.6\/J\u00f3 31.7). O caminho do crescimento, pensam Ad\u00e3o e Eva, \u00e9 o da desobedi\u00eancia. Consumado o ato, o caos se instala \u2212 na alma, nas rela\u00e7\u00f5es, na cria\u00e7\u00e3o (Gn 3.7-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos somos solid\u00e1rios nesta realidade de Cria\u00e7\u00e3o e Queda. A hist\u00f3ria confirma esse fato. Contudo, o homem permanece em rela\u00e7\u00e3o direta com a eternidade. A Escritura o retrata n\u00e3o apenas como ser temporal, mas como imagem de Deus, portador de vest\u00edgios da gl\u00f3ria divina, mesmo em meio \u00e0 ru\u00edna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Escrituras insistem: \u00e9 o pr\u00f3prio Deus quem nos instrui (Sl 32.8-9).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> Curiosamente, nossos primeiros pais, que desfrutavam da presen\u00e7a cont\u00ednua do Senhor, rejeitaram sua instru\u00e7\u00e3o, preferindo a sabedoria que supostamente emanava da \u00e1rvore do \u00c9den.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narra Mois\u00e9s: <em>\u201cVendo a mulher que a \u00e1rvore era boa para se comer, agrad\u00e1vel aos olhos e \u00e1rvore desej\u00e1vel para dar <u>entendimento<\/u><\/em> (\u05e9\u05c2\u05db\u05dc) (s\u0301\u00e2kal)<em>, tomou-lhe do fruto e comeu e deu tamb\u00e9m ao marido, e ele comeu\u201d<\/em> (Gn 3.6). Eles desejavam o sucesso por seus pr\u00f3prios meios, mas, conheceram o fracasso por serem guiados simplesmente por suas sensa\u00e7\u00f5es em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O entendimento proposto por Deus jamais pode come\u00e7ar por um ato de desentendimento \u2212 a desobedi\u00eancia. Antes, nasce da obedi\u00eancia. \u00c9 obedecendo que se aprende a obedecer. Nesse processo, amadurecemos na escola da obedi\u00eancia, onde cada passo revela novos desafios e cada esta\u00e7\u00e3o nos apresenta situa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas. \u00c9 no caminhar que aprendemos a caminhar \u2212 e, ao lidar com o inesperado, somos moldados pela instru\u00e7\u00e3o divina que nos guia com sabedoria e gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, a obedi\u00eancia \u00e9 tanto caminho quanto mestre. Aprendo a obedecer obedecendo \u2212 e, nesse exerc\u00edcio cont\u00ednuo, meu cora\u00e7\u00e3o se afei\u00e7oa \u00e0 instru\u00e7\u00e3o divina. \u00c9 no trilhar da vontade de Deus que os frutos da gra\u00e7a come\u00e7am a florescer em nossa vida, revelando que o saber do c\u00e9u se revela aos p\u00e9s que caminham em f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de Ad\u00e3o e Eva revelou uma ignor\u00e2ncia agravada pela incredulidade \u2212 um quadro que s\u00f3 seria revertido pela obedi\u00eancia perfeita de Cristo, nosso Senhor. <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui se revela outra li\u00e7\u00e3o: o homem ca\u00eddo tende a substituir a instru\u00e7\u00e3o divina por vozes estranhas \u00e0 Palavra. Todos n\u00f3s, sem exce\u00e7\u00e3o, somos inclinados a trocar o Criador pela criatura (Rm 1.25),<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> moldando e cultuando deuses conforme nossos desejos e circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse novo referencial \u2212 com Deus exclu\u00eddo ou relegado \u00e0 margem \u2212 o homem passou a construir \u00eddolos \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem \u00e9tica e espiritualmente corrompida, como exemplificado por Nietzsche (1844-1900).<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consumado o ato de desobedi\u00eancia, instalou-se o caos na vida humana, em suas rela\u00e7\u00f5es e na cria\u00e7\u00e3o (Gn 3.7-24). \u00a0A paz da cria\u00e7\u00e3o estabelecida por Deus foi quebrada ali,<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> ainda que antes, j\u00e1 estivera trincada no cora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher. A partir desse rompimento, n\u00e3o apenas a comunh\u00e3o com Deus foi comprometida, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o do homem sobre si e sobre o mundo. \u00c9 nesse contexto de aliena\u00e7\u00e3o espiritual e confus\u00e3o moral que emerge o humanismo, propondo uma nova centralidade: o homem como medida de todas a realidade,<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>\u00a0 deslocando o Criador e entronizando a criatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo humanismo aut\u00f4nomo, portanto, \u00e9 um ato id\u00f3latra: Deus \u00e9 destronado e o homem entronizado como refer\u00eancia absoluta, perdendo-se todas as refer\u00eancias metaf\u00edsicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A idolatria permeia o cora\u00e7\u00e3o humano sedento por autonomia \u2014 uma autonomia que, ao exilar Deus, transforma o homem em mera estat\u00edstica. Ele torna-se sua \u00fanica refer\u00eancia; n\u00e3o h\u00e1 valores acima dele.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse deslocamento \u00e9 tr\u00e1gico: ao tentar libertar-se de Deus, o homem se aprisiona em si mesmo, reduzido a n\u00fameros, instintos e abstra\u00e7\u00f5es. A ruptura com o Criador n\u00e3o apenas desorganiza a ordem c\u00f3smica, mas desfigura a ess\u00eancia humana \u2014 que s\u00f3 encontra sentido na imagem de Deus, ainda preservada por miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, ao revisitar essas reflex\u00f5es, encontrei um texto de Vanhoozer, inspirado por uma pergunta de Richard Dawkins, velho conhecido de McGrath,\u00a0 que prop\u00f5e o papel do te\u00f3logo na universidade:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Justamente porque est\u00e3o atentos contra a cria\u00e7\u00e3o de \u00eddolos, os te\u00f3logos tamb\u00e9m servem de sentinelas contra o reducionismo cient\u00edfico \u2013 a tenta\u00e7\u00e3o que aflige incessantemente o acad\u00eamico. O reducionismo \u00e9 a concupisc\u00eancia dos olhos te\u00f3ricos, o desejo de ser capaz de explicar todos os fen\u00f4menos relevantes por meio de suas\u00a0 pr\u00f3prias ferramentas conceituais \u2013 saber como Deus sabe.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem, em seu humanismo aut\u00f4nomo, n\u00e3o encontra um ponto de integra\u00e7\u00e3o que d\u00ea sentido \u00e0 realidade. Da\u00ed o sentimento constante de frustra\u00e7\u00e3o, como descreve McGrath:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixar de relacionar-se com Deus \u00e9 deixar de ser completamente humano. Ser realizado \u00e9 ser plenificado por Deus. Nada transit\u00f3rio pode preencher esta necessidade. Nada que n\u00e3o seja o pr\u00f3prio Deus pode esperar tomar o lugar de Deus. Assim mesmo, por causa da decad\u00eancia da natureza humana, h\u00e1 hoje a tend\u00eancia natural de se tentar fazer com que outras coisas preencham essa necessidade. O pecado nos afasta de Deus e nos leva a p\u00f4r outras coisas em seu lugar. Essas v\u00eam para substituir Deus. Elas, por\u00e9m, n\u00e3o satisfazem. E, como a crian\u00e7a que experimenta e expressa insatisfa\u00e7\u00e3o quando o pino quadrado n\u00e3o se encaixa no orif\u00edcio redondo, passamos a experimentar um sentimento de insatisfa\u00e7\u00e3o. De alguma forma, permanece em n\u00f3s a sensa\u00e7\u00e3o de necessidade de <em>algo<\/em> indefin\u00edvel de que a natureza humana nada sabe, s\u00f3 sabe que n\u00e3o o possui.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornando ao Jardim, observamos que a estada aben\u00e7oadora e alegre de Deus no cair da tarde, tornou-se terrificante e assombrosa. Deus continuava a ser o mesmo. O homem, no entanto, n\u00e3o. O pecado nos afasta de Deus, e rejeita a sua presen\u00e7a que, por si s\u00f3, revela a nossa condi\u00e7\u00e3o de desobedi\u00eancia, e torna not\u00f3ria a nossa infelicidade conquistada autonomamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, Ad\u00e3o e Eva desejaram ser independentes. Eles quiseram ter um conhecimento aut\u00f4nomo, sem Deus. Outrossim, queriam ser iguais a Deus, autossuficientes. O limite \u00e9, com frequ\u00eancia, o atrativo maior do desejado.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Mas, ao mesmo tempo, o limite \u00e9 o teste de nossa fidelidade e caminho de crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na insinua\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica, h\u00e1 sempre uma tentativa em apontar que o nosso caminho, a nossa op\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor. A sua proposta sempre se configurar\u00e1 como a mais l\u00f3gica e atraente. A desobedi\u00eancia a Deus de fato \u00e9, com frequ\u00eancia, o caminho que nos parece mais objetivo e pr\u00e1tico, al\u00e9m de encontrarmos uma inclina\u00e7\u00e3o natural para ele. No entanto, a vontade de Deus para n\u00f3s \u00e9 que resistamos a estas tenta\u00e7\u00f5es e continuemos crendo em Deus e na sua Palavra, seguindo a rota proposta \u2013 o caminho de vida por ele tra\u00e7ado para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria tem confirmado, com dolorosa clareza, que o humanismo que prometia restaurar a dignidade do homem tornou-se, paradoxalmente, um anti-humanismo. Na tentativa de matar Deus \u2212 seja por nega\u00e7\u00e3o conceitual ou por desprezo existencial \u2212 o secularismo acabou por assassinar o homem em sua plenitude, reduzindo-o a um produto de uma evolu\u00e7\u00e3o casu\u00edstica, um esbo\u00e7o distorcido de sua verdadeira natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que resta \u00e9 apenas um arremedo do que fomos criados para ser \u2212 ainda preservado, por miseric\u00f3rdia, pelo Deus vivo, que continua a nos sustentar como portadores de sua imagem. A ironia \u00e9 que, ao tentar libertar o homem de Deus, o secularismo o aprisionou em uma caricatura de si mesmo, negando-lhe o fundamento que lhe conferia valor, prop\u00f3sito e transcend\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monod (1910-1976), Nobel de Fisiologia e Medicina, conclui melancolicamente:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px; text-align: justify;\"><em>Talvez se trate de uma utopia, mas n\u00e3o de um sonho incoerente. \u00c9 uma ideia que se imp\u00f5e pela for\u00e7a \u00fanica de sua coer\u00eancia l\u00f3gica. Tal \u00e9 a conclus\u00e3o a que a busca da autenticidade leva necessariamente. Rompeu-se a antiga alian\u00e7a. Enfim, o homem sabe que est\u00e1 sozinho na imensid\u00e3o indiferente do universo, de onde emergiu por acaso. N\u00e3o mais do que seu destino, seu dever n\u00e3o est\u00e1 escrito em lugar algum. Cabe-lhe escolher entre o Reino e as trevas.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Algumas Considera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei por que Ad\u00e3o e Eva pecaram em um ambiente perfeito. E esse \u201cn\u00e3o saber\u201d n\u00e3o \u00e9 fuga, mas confiss\u00e3o. N\u00e3o se trata de deleite na ignor\u00e2ncia, mas de reverente reconhecimento dos limites da raz\u00e3o diante do sil\u00eancio de Deus. O mist\u00e9rio permanece \u2212 e \u00e9 nele que minha confian\u00e7a repousa, n\u00e3o como quem se esconde, mas como quem descansa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendo que a busca por sabedoria e liberdade, quando divorciada da obedi\u00eancia, configura-se como uma suposta \u201cqueda para cima\u201d \u2212 uma ilus\u00e3o que revela a insanidade da racionalidade sem Deus. A autonomia, nesse cen\u00e1rio, \u00e9 idolatria disfar\u00e7ada: uma rebeli\u00e3o que se veste de liberdade, mas que termina por aprisionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verdadeiro entendimento n\u00e3o brota da transgress\u00e3o, mas floresce na submiss\u00e3o. A obedi\u00eancia, longe de ser mero dever, revela-se como um processo pedag\u00f3gico divino. \u00c9 nesse caminhar que o cora\u00e7\u00e3o se deixa moldar pela instru\u00e7\u00e3o do Senhor, os afetos se alinham \u00e0 sua vontade, e os passos se firmam na vereda da vida \u2212 onde cada ato de fidelidade se torna semente de sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao entronizar o homem como medida de todas as coisas, o humanismo o desumaniza. O secularismo, ao tentar silenciar Deus, assassina tamb\u00e9m a plenitude do homem, reduzindo-o a uma caricatura de si mesmo \u2212 sem transcend\u00eancia, sem prop\u00f3sito, sem esperan\u00e7a. O homem, feito \u00e0 imagem de Deus, torna-se reflexo distorcido de sua pr\u00f3pria vaidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rejeitando a sabedoria divina, o homem tenta alcan\u00e7\u00e1-la por meio da subvers\u00e3o. Eis o paradoxo: admira o ser que rejeita, e tenta igualar-se a Ele por um caminho contr\u00e1rio. Mas a sabedoria n\u00e3o se conquista pela nega\u00e7\u00e3o, e sim pela submiss\u00e3o. \u00c9 nos joelhos dobrados que os olhos se abrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo ap\u00f3s a queda, o homem permanece em rela\u00e7\u00e3o direta com a eternidade. A insatisfa\u00e7\u00e3o que o habita \u00e9 sinal de que h\u00e1 algo maior que ele n\u00e3o possui \u2212 uma sede que s\u00f3 Deus pode saciar. A alma humana, ainda que ferida, continua a ansiar pelo seu Criador. H\u00e1 ecos da eternidade em cada suspiro de inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim encerro, n\u00e3o com respostas definitivas, mas com a certeza de que a verdade n\u00e3o reside na autonomia, mas na depend\u00eancia. E que o saber do c\u00e9u n\u00e3o se revela aos que se exaltam, mas aos que caminham em f\u00e9 \u2212 com os p\u00e9s no ch\u00e3o e os olhos no alto.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201cApesar de ter sido colocado num Para\u00edso, cercado de abundantes b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus, o homem escolheu resistir ao direito de Deus de governar sobre ele\u201d (Steven J. Lawson, <em>Fundamentos da Gra\u00e7a, <\/em>S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2012, v. 1, p. 76).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Veja-se: G.C. Berkouwer, <em>Doutrina B\u00edblica do Pecado, <\/em>S\u00e3o Paulo: ASTE., 1970, p. 14-15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><em>\u201c<sup>15<\/sup> Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do \u00c9den para o cultivar e o guardar. <sup>16<\/sup> E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda \u00e1rvore do jardim comer\u00e1s livremente, <sup>17<\/sup> mas da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal n\u00e3o comer\u00e1s; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrer\u00e1s\u201d <\/em>(Gn 2.15-17).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u201cO pecado original foi o pecado de esquecer Deus. Ad\u00e3o e Eva deram as costas a Ele \u2013 da\u00ed os problemas\u201d (David Martyn Lloyd-Jones, <em>Uma Na\u00e7\u00e3o sob a Ira de Deus: estudos em Isa\u00edas 5<\/em>, 2. ed. Rio de Janeiro: Textus, 2004, p. 47).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cMal moral \u00e9 o mal resultante das escolhas e das a\u00e7\u00f5es dos seres humanos\u201d (Ronald H. Nash, O Problema do Mal: In: Francis J. Beckwith, <em>et. al.<\/em> eds.<em> Ensaios Apolog\u00e9ticos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2006, p. 247).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>e)capataw<em> * <\/em>Rm 7.11; 16.18; 1Co 3.18; 2Co 11.3; 2Ts 2.3; 1Tm 2.14.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cSe formos vigilantes contra Satan\u00e1s em um ponto da muralha de nosso viver, ele tentar\u00e1 romp\u00ea-la em outro ponto, esperando por um momento quando nos sentirmos seguros e felizes, e quando, provavelmente, nossas defesas estar\u00e3o fracas. Assim prosseguem os seus ataques, o dia inteiro e todos os dias\u201d (J.I. Packer, <em>Voc\u00e1bulos de Deus,<\/em> S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 83).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Tillich (1886-1965), assim define este conceito: \u201cRepresenta a vida humana vivida segundo a lei da raz\u00e3o em todos os aspectos da atividade espiritual (&#8230;). Para os indiv\u00edduos, autonomia \u00e9 a coragem de pensar; coragem de se valer dos pr\u00f3prios poderes racionais (Paul Tillich, <em>Perspectivas da Teologia Protestante nos S\u00e9culos XIX e XX,<\/em> S\u00e3o Paulo: ASTE, 1986, p. 48).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Veja-se: R.K. Mc Gregor Wright, <em>A Soberania Banida, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1998, p. 248.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Herman Bavinck, <em>A Filosofia da Revela\u00e7\u00e3o,<\/em>\u00a0 Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 84-85.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Robert D. Knudsen, O Calvinismo como uma for\u00e7a cultural: In: W. Stanford Reid, ed.<em> Calvino e sua influ\u00eancia no mundo ocidental<\/em>, S\u00e3o Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, [p. 9-31], p. 20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Devo parcialmente essa observa\u00e7\u00e3o ao Rev. Ricardo Rios que, em correspond\u00eancia privada (08.06.18), disse: \u201cA minha tese \u00e9 que o ate\u00edsmo \u00e9 uma resposta aos ditames de Deus. Como eu n\u00e3o posso seguir suas ordenan\u00e7as, eu nego que elas existam.\u00a0 A autonomia \u00e9 uma deifica\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><em>\u201c<u>Instruir-te-ei<\/u> <\/em>(\u05e9\u05c2\u05db\u05dc) (s\u0301\u00e2kal)<em> e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho\u201d <\/em>(Sl 32.8). A palavra aqui traduzida por \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 traduzida tamb\u00e9m por <em>\u201centendimento\u201d<\/em> (Gn 3.6; Sl 14.2; 53.2; 2Cr 30.22); <em>\u201cintelig\u00eancia\u201d <\/em>(Jr 3.15); <em>\u201catentar\u201d<\/em> (Sl 106.7); \u201c<em>prud\u00eancia<\/em>\u201d (1Sm 18.5; Sl 2.10; 94.8; 111.10; Is 52.13); \u201c<em>\u00eaxito<\/em>\u201d (1Sm 18.14,15,30; 2Rs 18.7); \u201c<em>discernimento<\/em>\u201d (Sl 36.3); acudir (Sl 41.1). A palavra se refere \u201c\u00e0 a\u00e7\u00e3o de, com a intelig\u00eancia, tomar conhecimento das causas. (&#8230;) Designa o processo de pensar como uma disposi\u00e7\u00e3o complexa de pensamentos que resultam numa abordagem s\u00e1bia e bastante pr\u00e1tica do bom senso. Outra consequ\u00eancia \u00e9 a \u00eanfase no ser bem-sucedido\u201d (Louis Goldberg, Sakal: In: R. Laird Harris, et. al., eds<em>. Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1998, p 1478). Vejam-se: William Gesenius,<em> Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament,<\/em> 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, 789-790; Louis Goldberg, Sakal: In: R. Laird Harris, et. al., eds<em>. <\/em><em>Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Antigo Testamento, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478-1480; Robert B. Girdlestone, <em>Synonyms of the Old Testament<\/em>, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (1897), Reprinted, 1981, p. 74, 224-225.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>\u201cEle [Jesus Cristo] tornou-se o Autor de nossa salva\u00e7\u00e3o, visto que se fez justo aos olhos de Deus, quando remediou a desobedi\u00eancia de Ad\u00e3o atrav\u00e9s de um ato contr\u00e1rio de obedi\u00eancia\u201d (Jo\u00e3o Calvino, <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus,<\/em> S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 5.9), p. 137-138).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a><em>\u201c<sup>20<\/sup>Porque os atributos invis\u00edveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princ\u00edpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens s\u00e3o, por isso, indesculp\u00e1veis; <sup>21<\/sup>porquanto, tendo conhecimento de Deus, n\u00e3o o glorificaram como Deus, nem lhe deram gra\u00e7as; antes, se tornaram nulos em seus pr\u00f3prios racioc\u00ednios, obscurecendo-se-lhes o cora\u00e7\u00e3o insensato. <sup>22<\/sup>Inculcando-se por s\u00e1bios, tornaram-se loucos <sup>23<\/sup> e mudaram a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel em semelhan\u00e7a da imagem de homem corrupt\u00edvel, bem como de aves, quadr\u00fapedes e r\u00e9pteis. <sup>24<\/sup> Por isso, Deus entregou tais homens \u00e0 imund\u00edcia, pelas concupisc\u00eancias de seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, para desonrarem o seu corpo entre si; <sup>25<\/sup>pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual \u00e9 bendito eternamente. Am\u00e9m!\u201d <\/em>(Rm 1.20-25).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Vejam-se: F. Nietzsche, <em>Gaia Ci\u00eancia, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, \u00a7 343, p. 219-220; F. Nietzsche, <em>O Anticristo: Ensaio de uma Cr\u00edtica do Cristianismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, \u00a7 16, p. 357-358; F. Nietzsche, <em>Assim Falou Zaratustra,<\/em> S\u00e3o Paulo: Hemus, 1977, p. 238-239, 264-265.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Cf. P. Tripp, <em>Admira\u00e7\u00e3o, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2017, p. 22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>\u201cA forma extrema da idolatria \u00e9 o humanismo, que v\u00ea o homem como a medida de todas as coisas\u201d (R.C. Sproul, <em>O que \u00e9 a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 33). Veja-se tamb\u00e9m: R.C. Sproul, <em>A santidade de Deus, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 1997, p. 205. Na prov\u00e1vel primeira carta que Calvino escreveu depois de ter se fixado em Genebra (1536), alegra-se com o avan\u00e7o da Reforma e a consequente diminui\u00e7\u00e3o da supersti\u00e7\u00e3o e idolatria. Ent\u00e3o diz: \u201cDeus permita que os \u00eddolos sejam erradicados tamb\u00e9m do cora\u00e7\u00e3o\u201d (Carta escrita ao seu amigo Francis Daniel no dia 13 de outubro de 1536. In: Jo\u00e3o Calvino, <em>Cartas de Jo\u00e3o Calvino, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009, p. 30). Veja-se tamb\u00e9m: Jo\u00e3o Calvino, <em>Instru\u00e7\u00e3o na F\u00e9,<\/em> Goi\u00e2nia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 8, p. 22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> \u201cPara o humanismo, o homem \u00e9 sua lei e o pr\u00f3prio legislador, de forma que a aprova\u00e7\u00e3o social \u00e9 o melhor teste da lei.\u201d (Rousas J. Rushdoony, <em>A Filosofia do Curr\u00edculo Crist\u00e3o, <\/em>\u00a0Bras\u00edlia, DF.: Monergismo, 2019, p. 25).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Kevin J. Vanhoozer, <em>A Trindade, as Escrituras e a fun\u00e7\u00e3o do te\u00f3logo: contribui\u00e7\u00f5es para uma teologia evang\u00e9lica, <\/em>S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2015, p. 99. Lembrei-me da figura empregada por Barth (1886-1968):<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode despedir-se da vida e da sociedade. Elas nos cercam por todos os lados; elas nos imp\u00f5em quest\u00f5es; elas nos confrontam com decis\u00f5es. N\u00f3s devemos sustentar nossa base. O fato de que hoje nossos olhos est\u00e3o mais amplamente abertos \u00e0s realidades da pr\u00f3pria vida se d\u00e1 porque desejamos algo mais. N\u00f3s gostar\u00edamos de estar fora desta sociedade, e em outra. Mas isto \u00e9 apenas um desejo; n\u00f3s ainda estamos dolorosamente c\u00f4nscios de que, a despeito de tudo, as mudan\u00e7as sociais e as revolu\u00e7\u00f5es, tudo \u00e9 como era antigamente. Se fora desta situa\u00e7\u00e3o n\u00f3s perguntamos: \u2018Vigia, o que h\u00e1 na noite?\u2019, a \u00fanica resposta que carrega alguma promessa \u00e9, \u2018O crist\u00e3o\u2019.\u201d (Karl Barth, <em>A Palavra de Deus e a Palavra do homem, <\/em>S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004, p. 207-208).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Alister E. McGrath, <em>Paix\u00e3o pela Verdade: a coer\u00eancia intelectual do Evangelicalismo, <\/em>S\u00e3o Paulo: Shedd Publica\u00e7\u00f5es, 2007, p. 68.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> \u201cOs homens pecaminosos nunca se disp\u00f5em a andar dentro das fronteiras que Deus imp\u00f5e \u00e0s suas criaturas. Em sua arrog\u00e2ncia, declaram sua suposta liberdade e reivindicam ser senhores de seus pr\u00f3prios destinos\u201d (Allan Harman, <em>Coment\u00e1rio do Antigo Testamento \u2012 Salmos, <\/em>S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2011, (Sl 2), p. 79).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>Jacques Monod, <em>O acaso e a necessidade, <\/em>Petr\u00f3polis, RJ.: Vozes, 1971, p. 198<em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>BARTH, Karl. <em>A Palavra de Deus e a Palavra do homem<\/em>. S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo, 2004.<\/li>\n<li>BAVINCK, Herman. <em>A Filosofia da Revela\u00e7\u00e3o<\/em>. Bras\u00edlia, DF: Monergismo, 2019.<\/li>\n<li>BECKWITH, Francis J. et al. (Orgs.). <em>Ensaios Apolog\u00e9ticos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2006.<\/li>\n<li>BERKOUWER, G. C. <em>Doutrina B\u00edblica do Pecado<\/em>. S\u00e3o Paulo: ASTE, 1970.<\/li>\n<li>CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Cartas de Jo\u00e3o Calvino<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2009.<\/li>\n<li>CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Exposi\u00e7\u00e3o de Hebreus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paracletos, 1997.<\/li>\n<li>CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Instru\u00e7\u00e3o na F\u00e9<\/em>. Goi\u00e2nia, GO: Logos Editora, 2003.<\/li>\n<li>GESENIUS, William. <em>Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament<\/em>. 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co., 1978.<\/li>\n<li>GIRDLESTONE, Robert B. <em>Synonyms of the Old Testament<\/em>. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1897. Reimpresso em 1981.<\/li>\n<li>GOLDBERG, Louis. Sakal. In: HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason L.; WALTKE, Bruce K. (Orgs.). <em>Dicion\u00e1rio Internacional de Teologia do Antigo Testamento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478-1480.<\/li>\n<li>HARMAN, Allan. <em>Coment\u00e1rio do Antigo Testamento \u2013 Salmos<\/em>. 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Leciona em diversos Semin\u00e1rios ininterruptamente desde 1980. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teologia Sistem\u00e1tica, lecionando h\u00e1 40 anos, e Hist\u00f3ria da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: Jo\u00e3o Calvino e Teologia Reformada e Cosmovis\u00e3o Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Brasil. Publica diariamente em suas redes sociais um artigo e um v\u00eddeo.\",\"url\":\"https:\\\/\\\/voltemosaoevangelho.com\\\/blog\\\/autor\\\/hermisten-maia\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Agnosticismo consciente e a Idolatria do Eu","description":"Ao entronizar o homem como medida de todas as coisas, o humanismo o desumaniza. 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