Um blog do Ministério Fiel
Pastor, por que você reluta tanto em deixar seu cargo?
Capítulo 24 da série "As estações na vida de um pastor"
Nota do editor: Este é o capítulo 24 da série “As estações na vida de um pastor”, do Ministério 9 Marcas. A cada segunda-feira de 2025 um novo artigo desta série será disponibilizado.
O título deste artigo é interessante. Por que um pastor não estaria disposto a deixar seu ministério, deixar os fardos, deixar as reuniões do comitê, deixar as crises? Por que ele não entregaria com entusiasmo essas coisas a homens mais jovens?
Há uma variedade de razões, algumas refletindo um senso piedoso de compromisso pastoral e outras refletindo a necessidade de aumentar nossa confiança no Senhor.
Às vezes, nós, pastores, relutamos em abrir mão porque não temos certeza de que nossas congregações prosperarão depois que partirmos, especialmente se houver conflitos ou crises não resolvidas. Na verdade, um pastor sábio procurará se aposentar quando sua congregação estiver em um momento particularmente saudável, para que a igreja possa sustentar mais facilmente os desafios de uma transição pastoral.
Mas as coisas nem sempre saem como planejado. Eu me aposentei da Second Presbyterian Church em 5 de fevereiro de 2017. No dia seguinte, eu estava a caminho de Jacarta, na Indonésia, quando recebi uma ligação informando que um dos membros da nossa equipe estava envolvido em um relacionamento adúltero.
Naquele momento, você pode ter certeza de que eu não queria “abrir mão” do meu ministério na Second Presbyterian! Mas eu o fiz, porque tínhamos homens e mulheres treinados para lidar com crises como essa e, de fato, eles responderam com muita sabedoria.
Às vezes, as transições pastorais não ocorrem bem, e o ministro tem dificuldade em deixar o cargo quando vê seus amigos sofrendo. Mais comumente, os pastores têm dificuldade em deixar ir por causa de suas próprias lutas espirituais. Aqui estão as principais que vejo de vez em quando.
1. O pastor é um controlador
Não é preciso dizer mais nada.
2. A identidade pessoal do pastor está muito envolvida em seu ministério
Esta é talvez a causa mais prejudicial para não deixar o cargo. Espero que os jovens pastores e pessoas no ministério em tempo integral estejam lendo isto. É vital que nossa identidade principal seja como filhos de Deus, não como líderes de um ministério. A vocação vem antes da ocupação. Nossa ocupação é nosso meio de emprego remunerado. Nossa vocação é nosso chamado, que é estar em Jesus, seguir Jesus, servir a Jesus.
Todo crente tem o mesmo chamado, irrevogavelmente dado a nós na conversão. Temos muitas ocupações diferentes, que são determinadas pelas circunstâncias, sabedoria, inferência e preferência. Todas elas são eminentemente revogáveis.
Não devemos nos prender a um emprego — qualquer emprego, mesmo o de pastor. Em vez disso, devemos nos concentrar exclusivamente em nosso chamado em Cristo. O apóstolo Paulo disse: “Eu, prisioneiro pelo Senhor, exorto-vos a andar de maneira digna da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1) e “para isso sempre oramos por vós, para que nosso Deus vos torne dignos da sua vocação” (2 Ts 1:11).
Na medida em que uma pessoa precisa de sua ocupação para fornecer uma identidade definitiva para si mesma, ela, na mesma medida, abandonou sua vocação. E isso, é claro, prejudica gravemente sua eficácia no ministério e sua capacidade de deixar o passado para trás e se concentrar no futuro.
3. O pastor não preparou bem a congregação para sua partida
Às vezes é difícil deixar o cargo porque partimos muito cedo. Uma das razões pelas quais foi relativamente fácil para mim deixar um ministério de 22 anos é porque planejamos cuidadosamente minha aposentadoria tendo em mente o bem-estar da congregação.
Nossa equipe era forte, entramos em um período de dois anos de treinamento da equipe para liderar em um período interino, e a congregação estava satisfeita e em paz. Anunciei minha aposentadoria com dois anos de antecedência, período durante o qual nos comprometemos a saldar todas as nossas dívidas, realizamos uma extensa autoavaliação da igreja e elegemos um comitê de seleção de alta qualidade que começou seu trabalho um ano antes de eu me aposentar.
Em resumo, deixei o cargo sem preocupações porque tínhamos planejado tudo minuciosamente.
4. O pastor não planejou bem seu próximo ministério antes de sua saída
Às vezes, um pastor tem dificuldade em deixar o ministério passado porque não planejou o ministério futuro. Ele se vê ocioso, subutilizado, entediado e levemente deprimido. Ele já dormiu várias manhãs, brincou bastante com os netos, fez algumas viagens, reconectou-se com velhos amigos e até melhorou seu desempenho no golfe. Mas ele sabe que algo está faltando, ou seja, o uso de seus dons pastorais para servir às igrejas.
A boa notícia é que não é tarde demais. Mas o pastor que está olhando para trás provavelmente não descobrirá o caminho mais frutífero para o serviço no futuro. Três meses antes de me aposentar da Second Presbyterian, passei por um treinamento como pastor interino que me preparou para os próximos sete anos.
5. O pastor não está confiando plenamente no Senhor acerca do futuro
Quando nós, pastores, nos vemos relutantes em deixar o cargo, mesmo quando nós e nossos colegas acreditamos que chegou a hora, isso muitas vezes revela uma profunda deficiência em nossa espiritualidade, nossa teologia e nossa eclesiologia.
Quanto à espiritualidade, nos enganamos arrogantemente ao pensar que somos necessários para que o ministério prospere. Teologicamente, suprimimos ou esquecemos a noção do governo eterno de Deus. Eclesiologicamente, esquecemos de quem é esta igreja. Somos apenas servos de Cristo.
Como Moisés nos lembra: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.” (Sl 90.10). É um privilégio maravilhoso servir ao Senhor e ao seu povo no ministério pastoral. É ainda mais maravilhoso colocar tudo aos pés dele com confiança, alegria e expectativa de um futuro gracioso e glorioso.
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