Um exemplo de uma transição pastoral saudável

Capítulo 26 da série "As estações na vida de um pastor"

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Nota do editor: Este é o capítulo 26 da série “As estações na vida de um pastor”, do Ministério 9 Marcas. A cada segunda-feira de 2025 um novo artigo desta série será disponibilizado.


O ciclo de vida de uma igreja inclui uma série de marcos memoráveis. Um deles é a transição pastoral. Quanto mais tempo um pastor exerce a liderança, mais desafiadora pode ser a transição. Por isso, é importante pensar cuidadosamente sobre como navegar nessas águas.

Tornei-me pastor da minha antiga igreja aos 27 anos. Cercado por um forte grupo de presbíteros, servi a igreja pelos 39 anos seguintes. Embora fosse difícil imaginar fazer outra coisa, eu sabia que, eventualmente, precisaria me afastar e permitir que a igreja prosperasse sob a nova liderança. Mas como eu faria isso?

Prioridades de transição

Ao refletir sobre o processo de transição que vivenciamos, vários princípios-chave vieram à tona.

Primeiro, eu estava comprometido em “terminar bem”. Na força da graça de Deus, eu queria correr para a linha de chegada, não apenas rastejar naquela direção. Eu queria que meus últimos anos fossem frutíferos, não uma “volta da vitória” egocêntrica.

Em segundo lugar, dei bastante tempo à igreja para planejar bem a transição. Ofereci ao conselho de presbíteros um plano para os meus dois últimos anos, o que lhes deu tempo para formar um comitê de busca, desenvolver um perfil da igreja e se comunicar com potenciais candidatos para o cargo de pastor sênior.

Um terceiro princípio foi a transição gradual da liderança de mim, como pastor sênior, para o conselho, como presbíteros regentes. Na providência divina, o secretário do conselho assumiu maior responsabilidade na liderança das reuniões, tornando evidente que o grupo estava se tornando menos dependente de mim.

Uma última prioridade crítica era a necessidade de comunicação aberta e frequente com a congregação. Uma crítica comum aos presbíteros é a percepção de falta de comunicação entre a liderança e os membros. Transições pastorais podem gerar grande ansiedade no coração do rebanho. Ao manter a congregação informada regular e cuidadosamente, tentamos abençoá-los com o máximo de informações possível.

Insights de transição

Ao refletir sobre o período de transição na minha igreja, naturalmente pergunto: “O que eu teria feito diferente se tivesse que fazer tudo de novo?” Alguns aspectos poderiam ter sido melhorados.

Uma possibilidade é que eu possa ter “compartilhado o púlpito” um pouco mais à medida que meu ministério se aproximava do fim. Teria a congregação se preparado para uma nova voz se ouvissem menos a minha nos meus últimos anos? Pode ter sido esse o caso, mas também era importante para mim manter o ministério “o mais normal possível” naqueles dois últimos anos. Além disso, queríamos evitar dar a impressão de que vários pregadores estavam “fazendo testes” para o cargo antes que o comitê de busca estivesse trabalhando ativamente.

Outro foco importante para mim foi enfatizar a presença e a fidelidade de Deus na vida da igreja. Meu nome estava ligado à igreja há 39 anos, mas ela não era “minha” igreja. É a igreja de Deus e foi edificada pelo poder de Deus (1 Co 3:6-9). Não havia necessidade de a congregação temer o futuro, pois Deus edificará fielmente a sua igreja. Essa mensagem precisava ser proclamada repetidamente para evitar a inclinação natural de olhar para o futuro com dúvidas.

Outra dimensão importante da transição é o relacionamento da congregação com o pastor que está deixando o cargo e também o relacionamento com sua esposa. Os membros lutarão com suas emoções. Alguns se sentem rejeitados, outros ansiosos, muitos tristes. Os estágios do luto podem se tornar visíveis nos rostos de pessoas que você ama profundamente. O pastor e sua esposa podem vivenciar seus próprios desafios emocionais!

Admitir que essas dinâmicas emocionais existem e dialogar sobre elas é importante. Apontar uns aos outros para o Evangelho e suas promessas é um bálsamo poderoso para corações aflitos. Uma transição deve ocorrer de forma ordenada e adequada, mas também deve oferecer encorajamento emocional e conselho bíblico aos membros que se sentem ansiosos quanto ao futuro da igreja que amam.

A história continua

Janeiro de 2020 foi a data oficial da minha entrega do cargo de pastor sênior. A igreja sobreviveu à crise da COVID-19, que dificultou a vida da igreja por um bom tempo. O comitê de busca trabalhou arduamente e, por fim, identificou um novo pastor sênior que impulsionou a igreja com notável crescimento e bênçãos.

Incentivados por conselheiros sábios, minha esposa e eu nos mudamos por cinco meses para um estado distante para que a igreja pudesse processar a separação sem que ficássemos visíveis na comunidade. Acredito que esse período foi benéfico para todos os envolvidos.

Ao retornar para casa, tornei-me pregador interino de outra igreja dentro do nosso presbitério regional. Minha esposa e eu desfrutamos de quase quatro anos servindo aquela congregação. Essa designação respondeu à importante questão de onde iríamos adorar quando voltássemos para casa.

Na providência divina, nossa antiga família eclesiástica recentemente me chamou para retornar à igreja como pastor emérito. O atual pastor sênior apoia com entusiasmo o chamado, e fomos abençoados por retornar à congregação que tanto amamos. Sinto uma grande responsabilidade em exercer essa função com humildade e fidelidade, de modo a não fazer nada para competir com o novo pastor sênior ou impedir seu ministério.

O ciclo de vida da igreja se completou. Quando chegamos em 1981, minha esposa e eu não tínhamos ideia de que serviríamos o mesmo rebanho por 39 anos. Nem esperávamos retornar aos setenta anos como pastor emérito e esposa! Deus abençoa ricamente a igreja que Ele comprou com o sangue de seu Filho.


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Por: Michael Indorf. ©9Marks. Traduzido com permissão. Fonte: Plan Your Transition | Edição e revisão por Vinicius Lima.

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