A coerência e veracidade de Deus na Revelação Geral e Especial

Revelação verdadeira de um Deus fiel

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Nota do editor: Este é o sexto artigo da série de Hermisten Maia – O Ser, as pessoas e as coisas: Um diálogo entre Teologia e Filosofia. Este artigo defende que a revelação de Deus — geral e especial — é um ato fiel, voluntário e suficiente do próprio Deus, pelo qual podemos conhecê-Lo de forma verdadeira (ainda que não exaustiva). Contra o naturalismo/liberalismo, sustenta-se que a Escritura é a própria verdade (Jo 17.17), proposicional e histórica, digna de plena confiança porque procede do Deus coerente ontológica e eticamente. Citando autores reformados (Van Til, Spurgeon, Bavinck, Schaeffer, Calvino, Packer, Hodge, DeYoung), o texto mostra que especulação e curiosidade desenfreada distorcem a fé, enquanto a submissão obediente à Palavra, iluminada pelo Espírito Santo, molda nossa teologia, nossa vida e nossa adoração.


Uma das maiores e, certamente, a primeira vitória do inimigo é a vitória de quebrar a moral do crente. Se ele pode fazer um cristão acreditar que nenhuma revelação redentora sobrenatural é necessária para o homem, porque sua mente é normal e precisa apenas da verificação mútua do companheiro para guiá-la em seu voo, então, Satanás conseguiu muito. O liberalismo atual é um excelente exemplo dessa vitória. O fato de que um naturalismo puro, como o liberalismo, ainda deva ter um lugar dentro de uma igreja cristã mostra que os cristãos dormiram no posto. – Cornelius Van Til (1895-1987).[1]

A revelação de Deus, tanto a geral quanto a especial, constitui um ato livre, voluntário e prazeroso do próprio Deus. O Senhor se deu a conhecer para que pudéssemos nos relacionar com Ele em alegria, amor e adoração.[2] Tornou-se possível falar de Deus e nos relacionarmos com Ele porque Ele se revelou − e o fez como o ser pessoal que é.

Spurgeon (1834-1892), bem ao seu estilo, comenta: “O homem sábio lê o livro do mundo e o livro da Palavra como dois volumes da mesma obra e pensa a respeito deles: ‘Meu Pai escreveu os dois’”.[3]

Como cristãos, afirmamos que a Bíblia é a verdade em tudo o que trata. Isso é distinto de dizer que ela apenas contém verdades. Verdades podem ser encontradas em diversas obras − na República de Platão, no Discurso do Método de Descartes, nas peças de Shakespeare ou mesmo em O Príncipe de Maquiavel. Contudo, ao nos referirmos às Escrituras, estamos afirmando que elas são, em toda sua extensão e profundidade, a verdade.

A convicção da fidelidade de Deus, inseparável de sua soberania, estabelece o fundamento para confiarmos plenamente na veracidade de sua Palavra. Essa certeza é fundamental, pois, como escreveu Sproul (1939-2017): “A fé cristã é teocêntrica. Deus não está à margem da vida dos cristãos, mas no centro. Ele define toda nossa vida e nossa visão do mundo”.[4]

Deus se revela demonstrando aspectos de sua grandeza, santidade e majestade. Sua revelação corresponde adequadamente ao seu ser, ainda que não o revele de forma exaustiva. Assim, é possível conhecer a Deus verdadeiramente, ainda que não completamente.[5]

Algumas questões merecem destaque. Ao falarmos da fidelidade do ser de Deus que se estende à sua revelação, pressupomos sua coerência ad intra − em sua própria natureza − e ad extra − em sua relação com a criação. Essa coerência é expressão de sua perfeição e fundamento da nossa confiança.

1) Aqui temos uma questão de coerência ontológica (Deus não é contraditório em sua natureza essencial).

A contradição normalmente está associada pelo menos a uma dessas três coisas que vou classificar provisoriamente como segue abaixo:

a) Inconsistência racional (ignorância dos pontos que sustentamos gerando uma contradição).

b) Inconsistência moral (sustento pontos excludentes conscientemente porque desejo enganar e levar algum tipo de vantagem).

      1. Coerência ontológica — Deus não é contraditório em sua natureza essencial.

A contradição, em geral, pode ser associada a pelo menos três categorias, que provisoriamente classifico da seguinte forma:

        • a) Inconsistência racional: decorre da ignorância dos fundamentos que sustentamos, gerando contradições involuntárias.
        • b) Inconsistência moral: ocorre quando sustentamos proposições excludentes de forma consciente, movidos pelo desejo de enganar ou obter vantagem.
        • c) Inconsistência de poder: mesmo dispondo de  conhecimento adequado e não tendo a intenção enganar, somos levados a uma postura incoerente por falta de poder para agir de modo distinto. Trata-se, em geral, de um erro de cálculo quanto à nossa capacidade deliberativa e/ou executiva. Por exemplo, alguém pode prometer algo crendo sinceramente que é realizável, mas posteriormente descobre que não dispõe dos meios − sejam físicos, contratuais ou jurisdicionais − para cumprir o prometido.
        • Essa categoria pode ser ainda mais bem delineada ao distinguirmos dois tipos de inconsistência de poder:
        • Inconsistência de poder culpável: ocorre quando a falha decorre de uma avaliação imprudente ou negligente. O agente poderia ter previsto a incongruência, mas não o fez por falta de critério ou responsabilidade na análise das variáveis envolvidas.
        • Inconsistência de poder desculpável: manifesta-se quando o agente não tinha condições razoáveis de perceber a incongruência de sua afirmação, seja por insuficiência de informações, seja por fatores externos mascarados ou completamente alheios à sua esfera de poder e controle.

2. Coerência ética − Deus não se relaciona conosco com base em mentira ou engano.

Deus não incorre em nenhuma dessas inconsistências. Ele é Deus e possui perfeita ciência de quem é. Sua natureza é absolutamente harmoniosa em todos os seus atributos, e a infinitude de sua glória não escapa ao seu perfeito conhecimento. Deus é perfeito, e perfeito é o seu saber. Temos aqui um círculo completo e absoluto: nada lhe pode ser acrescentado (Rm 11.33-36).

Deus é verdadeiro e deseja ser conhecido como de fato é. Por isso, sua revelação é fiel e leal.

Quanto à primeira questão, escreve Bavinck:

Se o conhecimento de Deus foi revelado por Ele mesmo em sua palavra, ele não pode conter elementos contraditórios ou estar em conflito com aquilo que se sabe de Deus a partir da natureza e da história. Os pensamentos de Deus não podem se opor uns aos outros e, assim, necessariamente formam uma unidade orgânica.[6]

Os atributos de Deus são revelados de forma verdadeira, expressando com fidelidade a sua natureza real.[7] Por mais eloquente que seja a Criação ao manifestar aspectos da majestade e santidade divinas, nada se compara à clareza e profundidade da sua Palavra revelada e registrada.

Em 19 de junho de 1555, ao pregar sobre Deuteronômio 5.11, João Calvino proclamou:

Observemos os céus e a terra: vemos Deus em todo lugar. Pois o que é a terra senão uma imagem viva (como diz Paulo) na qual Deus se declara? Apesar de ser invisível em sua essência, ele se mostra nessa, para que o adoremos. Mas nas Sagradas Escrituras existe uma imagem da qual Deus se declara de modo muito mais familiar a nós do que nos céus ou na terra. Apesar de iluminarem a terra, nem o sol nem a lua demonstram a majestade do mesmo modo que a Lei, os Profetas e o Evangelho.[8]

Schaeffer (1912–1984), ao defender a genuinidade da revelação divina como proposicional e histórica, escreve:

Deus inseriu a revelação da Bíblia na História; Ele não a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teológico. Localizando a revelação na História, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revelação cuja história fosse falsa? Também o homem foi inserido neste universo que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, então, teria para Deus ter nos oferecido a sua revelação em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as questões deve ser “nada disso faria qualquer sentido!”

Está claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou, numa forma linguística e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua história e o universo.[9]

Assim sendo, podemos e devemos confiar inteiramente em sua Palavra. O Deus fiel se revela com verdade e autenticidade. Sua Palavra, por ser a verdade (Jo 17.17), corresponde ao que Ele deseja que saibamos genuinamente sobre sua natureza, e obedeçamos. Ir além do que foi revelado é cair num labirinto gerado por uma mente especulativa e pecaminosa.

É nesse espírito que o salmista canta: Fidelíssimos (‘aman me`od) (intensamente dignos de crédito) são os teus testemunhos (`edah); à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre” (Sl 93.5).

Não sei tudo o que minha mente especulativa deseja, mas sei que Deus quer ser conhecido e provê os meios para que sejamos santos.

Todos os seus preceitos são fiéis; não há necessidade de atualizá-los ou adequá-los. Eles permanecem: “As obras de suas mãos são verdade (‘emeth) e justiça; fiéis (‘aman) todos os seus preceitos. 8Estáveis são eles para todo o sempre, instituídos em fidelidade (‘emeth) (firmeza, certeza, confiança) e retidão” (Sl 111.7-8).

A Palavra de Deus é expressão da fidelidade de seu Autor. Por isso, podemos descansar nela, confiantes em suas promessas. O que Deus prometeu, Ele cumprirá. Ele é fiel a si mesmo; em sua Palavra não há instabilidade.

Ainda que os valores predominantes da sociedade apontem em outra direção, tentando desacreditar os preceitos divinos, podemos depositar nossa fé inteiramente em suas instruções. O Deus que as prescreveu é fiel − total e absolutamente digno de crédito.

Por isso, o salmista pôde declarar com piedade e sinceridade: Creio (‘aman) nos teus mandamentos” (Sl 119.66). Outra vez: Confio (batach) na tua Palavra” (Sl 119.42).[10]

Quando o apóstolo Paulo estava preso, sendo levado a Roma em uma embarcação com 276 pessoas (At 27.37), não tendo sido ouvido antes, agora, em meio à grande tempestade que aterrorizava a todos, expressa publicamente sua confiança, conforme o relato de Lucas:

21 Havendo todos estado muito tempo sem comer, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Senhores, na verdade, era preciso terem-me atendido e não partir de Creta, para evitar este dano e perda.  22 Mas, já agora, vos aconselho bom ânimo, porque nenhuma vida se perderá de entre vós, mas somente o navio.  23 Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo,  24 dizendo: Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua graça, te deu todos quantos navegam contigo.  25 Portanto, senhores, tende bom ânimo! Pois eu confio  em Deus que sucederá do modo por que me foi dito. (At 27.21-25).

Deus, por ser quem é, e pela fidelidade de seus atos, é absolutamente digno de crédito. Sua natureza imutável e seus feitos ao longo da história testificam essa confiabilidade.

Devemos constantemente avaliar aquilo em que cremos. Esse é um princípio profundamente salutar à saúde de nossa fé. Podemos ter plena certeza, atestada pelo próprio Deus e experimentada ao longo dos séculos por todo o seu povo: “O testemunho do SENHOR é fiel (‘aman) (digno de crédito) (Sl 19.7).

A fé envolve conhecimento; ambos caminham juntos.[11] Contudo, o conhecimento, por si só, jamais será suficiente sem a fé. A dúvida, embora por vezes necessária, é dolorosa. Ela nos parece estranha, pois ansiamos pela certeza e pela convicção que orientam nossa vida.[12]

Aquilo em que cremos molda nossos sentimentos e nossa conduta. Por isso, a consciência da fidelidade de Deus, expressa em seus mandamentos, exige de nós um compromisso correspondente de fidelidade e obediência.

O salmista canta:

Bem-aventurados os irrepreensíveis (tamiym) no seu caminho, que andam (halak) na lei do SENHOR  2Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições (`edah) (= testemunhos) e o buscam (darash) de todo o coração (leb); 3 não praticam iniquidade e andam (halak) nos seus caminhos. (Sl 119.1-3).

DeYoung resume bem: “Como povo de Deus, acreditamos que a Palavra de Deus é confiável em todos os sentidos para falar o que é verdadeiro, ordenar o que é justo e nos fornecer o que é bom”.[13]

Ao nos aproximarmos da Bíblia, partimos do pressuposto de que ela é o registro fiel e inerrante da revelação de Deus (Jo 10.35; 1Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2Tm 3.16; 2Pe 1.20–21). Por isso, podemos afirmar com Paulo: “Fiel é a Palavra.” (1Tm 3.1; 4.9)

É por meio das Escrituras que aprendemos que o melhor intérprete da Palavra é o próprio Espírito Santo, “falando na Escritura”[14] (Mt 22.29,31; At 4.24-26; 28.25; 1Co 2.10-16), conforme nos ensinou o Senhor Jesus Cristo:

Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir. (Jo 16.13).

Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará      em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (Jo 14.26/Jo 5.30; 14.6; 17.17).

Jesus Cristo nos diz não que a Palavra de Deus se harmoniza com algum outro padrão distinto decorrendo daí a sua veracidade, antes, o que Ele afirma é que a sua Palavra é a própria verdade, o padrão de verdade ao qual qualquer alegação pretensamente verdadeira deverá se adequar.[15]

Na Oração Sacerdotal, Jesus declara com solenidade: “A Tua Palavra é a verdade (Jo 17.17).  E continua: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade (Jo 17.19). 

Cristo não afirma que a Palavra de Deus é verdadeira por se conformar a algum padrão externo de verdade. Antes, Ele declara que a Palavra é, em si mesma, o padrão absoluto de verdade, ao qual toda alegação pretensamente verdadeira deve se conformar.[16]

Nos Salmos lemos:

Os juízos (mishpat) do SENHOR são verdadeiros (‘emeth). (Sl 19.9).

As tuas palavras são em tudo verdade (‘emeth) desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre. (Sl 119.160).

Após a aliança de Deus com Davi, o salmista louva ao Senhor, reconhecendo a fidelidade divina expressa em sua Palavra: Agora, pois, ó SENHOR Deus, tu mesmo és Deus, e as tuas palavras são verdade (‘emeth), e tens prometido a teu servo este bem” (2Sm 7.28).

Nossa finitude

É evidente que nossa mente finita não pode compreender plenamente as perfeições de Deus. Sua “racionalidade absoluta” transcende nossa capacidade racional. No entanto, como escreveu Hodge (1797−1878): “A razão é necessariamente pressuposta em toda a revelação. Revelação é a comunicação da verdade à mente. (…) A comunicação da verdade pressupõe a capacidade de recebê-la. Não se podem fazer revelações a brutos e irracionais”.[17]

Transcender nossa racionalidade não significa exigir fé no “incrível” − no sentido de algo impossível de ser crido. Deus não nos desafia a crer no absurdo, mas a confiar em seu poder e em suas promessas.[18]

Um pressuposto fundamental de nossa epistemologia é a capacidade de conhecer. O agnosticismo, nesse sentido, representa um suicídio intelectual, com implicações profundas na integridade espiritual, social e moral do ser humano.[19]

O alcance e os limites do nosso conhecimento são definidos pela revelação divina. Aquilo que Deus não revelou não deve ser alvo de especulação. A sabedoria consiste em restringir nossos passos ao que nos foi dado conhecer, e, ao mesmo tempo, avançar com confiança naquilo que nos foi concedido.

Quando Deus fala, temos liberdade para falar; quando se cala, é nosso dever calar. E quando Ele interrompe o caminho, devemos parar − tomados por reverência, gratidão e temor santo.[20] A verdadeira teologia nasce da escuta obediente, não da curiosidade desenfreada. O silêncio de Deus não é vazio, mas convite à adoração humilde diante do mistério que nos excede.

Gilson (1884-1978) sintetiza com precisão:

A revelação cristã não é somente necessária para que se possa crer no Deus da religião cristã, como também não tem sentido imaginar que se possa conhecer a existência desse mesmo Deus de outro modo que não pela fé em sua própria revelação.[21]

A revelação de Deus não é exaustiva no sentido de abranger plenamente o seu ser infinito.[22] No entanto, podemos afirmar com segurança que, qualitativamente, “como Deus se revela, assim Ele é.”[23]  Não há artificialidade ou distorção naquilo que Ele nos dá a conhecer. Muitos de seus atos soberanos nos escapam, pois o finito não pode conter o infinito. Ainda assim, podemos conhecer a Deus de forma genuína e verdadeira, à luz de sua autorrevelação.

Bavinck (1854-1921)  assim coloca a questão:

Não é contraditório (…) dizer que um conhecimento é inadequado, finito e limitado e ao mesmo tempo é verdadeiro, puro e suficiente.[24]

O conhecimento absoluto, plenamente adequado de Deus, é, portanto, impossível.[25]

Nosso conhecimento de Deus não é, e, de fato, não pode ser, exaustivo: ele é analógico e ectípico.[26]

Não conhecemos a essência de Deus em sua completude;[27] contudo, podemos conhecê-la à medida que Ele se revela. Sua revelação “desvela” facetas de sua natureza eterna − bondade, justiça, santidade, graça, amor, entre outras.[28] O nosso Deus é grandioso e incomparável; seus pensamentos são inatingíveis e insondáveis.[29] Ele é o Rei da glória.[30]

Um dos fundamentos da doutrina cristã é a certeza de que cremos em um Deus soberano[31] e todo-poderoso,[32] que nos ama e se dá a conhecer pessoalmente. Sem a revelação divina, seria impossível crer ou falar de Deus. No entanto, podemos conhecê-lo de forma genuína e pessoal, como afirma o salmista: Conhecido (yada’)[33] é Deus em Judá; grande (gadol), o seu nome em Israel” (Sl 76.1).

A consciência do mistério inescrutável de Deus nos é dada pela revelação. O conhecimento de nossa limitação não é inato, mas precedido pela ação reveladora de Deus. Sem revelação, não há teísmo, ateísmo ou agnosticismo. É no encontro pessoal e significativo com Deus que tomamos consciência de nossa finitude. [34]

Na Escritura, o Senhor não apenas revela aspectos sublimes de sua natureza, mas também nos dá a conhecer elementos de seu propósito eterno: seu amor anterior à criação, seu cuidado ao nos instruir, sua correção quando nos desviamos e a garantia da salvação futura já assegurada.

As Escrituras não são especulativas

A Escritura não se perde em especulações. Isso por duas razões fundamentais: primeiro, Deus, como Senhor de todo o conhecimento e da verdade, nada precisa aprender. Todo saber lhe pertence; nada lhe é derivado. Segundo, Ele não deseja que seu povo se perca em conjecturas sobre o que não foi revelado.[35]

Guiar-se por especulações é desejar ir além da revelação e, ao mesmo tempo, perder-se em hipóteses frágeis e teorias frívolas que pretendem “decifrar” o que Deus, em sua sabedoria e soberania, escolheu não nos revelar. “Nossas especulações não podem servir de medida para nosso Deus”, acentua Packer (1926-2020).[36]

Calvino que, como sabemos, não tinha satisfação “em sutilezas fúteis”[37] oferece-nos um conselho prático:

Os homens que eram devotados aos questionamentos inúteis necessitam principalmente de ser lembrados de preocupar-se com a vida santa e justa. Não há nada mais apropriado para refrear a peregrina curiosidade dos homens do que a lembrança dos deveres dos quais devemos ocupar-nos.[38] 

A Bíblia é um livro descritivo e profundamente prático. Ela não discute a existência de Deus nem abstrai sua essência. Parte do pressuposto da existência do Deus Todo-poderoso, que se revela criando com sabedoria e poder todas as coisas. Mais que conceito ou teoria, a Escritura nos põe em contato com o Deus vivo e pessoal, que age, fala, [39]  relaciona-se e cuida de seu povo.

A história de Israel é, em grande medida, a história da revelação concreta de Deus na história − no tempo e no espaço. “A Escritura, em sua totalidade, é o próprio livro da providência de Deus”, resume Bavinck (1854-1921).[40]

Revelação como história e linguagem

Schaeffer (1912–1984), defendendo a revelação como proposicional e histórica, escreve:

Deus inseriu a revelação da Bíblia na História; Ele não a forneceu (como poderia ter feito) em forma de livro-texto teológico. Localizando a revelação na História, que sentido teria para Deus ter-nos fornecido uma revelação cuja história fosse falsa? Também o homem foi inserido neste universo que, como as Escrituras mesmo dizem, fala de Deus. Que sentido, então, teria para Deus ter nos oferecido a sua revelação em um livro cheio de falsidades acerca do universo? A resposta para ambas as questões deve ser “nada disso faria qualquer sentido!”

Está claro, portanto, que, do ponto de vista das Escrituras em si, podemos observar uma unidade por todo o campo do conhecimento. Deus falou, numa forma linguística e proposicional, verdades sobre si mesmo e verdades sobre o homem, a sua história e o universo.[41]

Deus é o Senhor eterno, anterior e independente da criação: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”, escreveu Moisés (Sl 90.2).

Moisés, por revelação direta, registra de forma inspirada (2Pe 1.20-21) os atos criadores de Deus, sem especular sobre sua essência. Ele simplesmente apresenta o Deus Todo-poderoso exercendo seu poder criador segundo seu eterno propósito. Deus existe − esse é o pressuposto da narrativa da criação.

Deus cria por meio de sua Palavra, e esse fato nos conduz à mais profunda reverência. A Palavra divina é o verbo criador que manifesta sua soberana vontade e seu poder irresistível (Gn 1.1, 26–27; Sl 33.6,9; Jo 1.1–3; Hb 11.3). Tudo o que existe foi formado com sabedoria (Pv 3.19), e nada escapa ao propósito estabelecido por sua voz.

Assim como na criação, tudo provém da Palavra poderosa e autoritativa de Deus. Ela não apenas ordena o surgimento da realidade, mas sustenta e dirige todas as coisas com precisão infalível. Sua Palavra é sempre eficaz, jamais falha em cumprir o que determina, e nunca retorna vazia (Is 55.11).

Como bem ilustra Horton: “A nova criação origina-se no ventre da Palavra.”[42] Essa imagem evoca não apenas o poder criador, mas também a intimidade e a profundidade com que Deus opera − gerando vida, renovando corações e conduzindo a história segundo seu eterno propósito.

Algumas considerações

Partindo da convicção de que Deus é fiel e verdadeiro, reconhecemos que sua revelação − tanto geral quanto especial − constitui um ato voluntário e gracioso, por meio do qual o ser humano é capacitado a conhecer e se relacionar com o Criador. Embora não seja exaustiva, essa revelação é suficiente e plenamente verdadeira, expressando com fidelidade a natureza divina.

Buscamos evidenciar a coerência ontológica e ética de Deus, em contraste com as múltiplas inconsistências humanas − sejam elas racionais, morais ou relacionadas ao exercício do poder. Essa distinção sustenta a confiabilidade da revelação bíblica, que não se apoia em conjecturas, mas em proposições históricas e linguísticas que comunicam verdades objetivas sobre Deus, o ser humano e o universo.

Nesse horizonte, somos chamados à reverência e à confiança. A limitação humana não representa um impedimento, mas antes um convite à dependência e à adoração. A Palavra de Deus se revela suficiente, eficaz e digna de crédito, constituindo o padrão absoluto de verdade. A fé cristã, nesse contexto, é teocêntrica e prática, moldando afetos e condutas a partir da certeza da fidelidade divina.

Diante disso, torna-se evidente o risco da especulação teológica e da curiosidade desordenada. A teologia que se propõe fiel deve brotar da escuta obediente e submissa à revelação. A Escritura é o meio pelo qual Deus se dá a conhecer de forma pessoal, concreta e transformadora, conduzindo o crente à santidade e à comunhão com o Senhor.

Referências Bibliográficas

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[1]Cornelius Van Til, Epistemologia Reformada, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publicações, 2020, v. 1, p. 12, E-book.  Posição 170 de 715.

[2]Veja-se: B.B. Warfield, The Biblical Idea of Revelation: In: The Inspiration of the Bible, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work’s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 1, p. 6.

[3]C.H. Spurgeon, El Tesoro de David, Barcelona: CLIE., (1989), v. 1, (Sl 19), p. 127.

[4]R.C. Sproul, A Santidade de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 225.

[5]Em Neemias lemos: “Levantai-vos, bendizei ao Senhor, vosso Deus, de eternidade em eternidade! Bendito seja o teu glorioso nome, que está exaltado acima de toda bênção e louvor!” (Ne 9.5).

Este versículo expressa a profunda reverência e exaltação que o povo de Israel, guiado pelos levitas, dirige ao Senhor. A declaração de que o nome de Deus está “exaltado acima de toda bênção e louvor” revela uma tensão teológica e devocional significativa: Deus é digno de uma adoração que ultrapassa os limites da linguagem humana. Não há palavras suficientes para descrevê-lo com precisão. Toda expressão de louvor, por mais sincera e elevada que seja, permanece aquém da glória que Ele merece.

Essa confissão é, ao mesmo tempo, um ato de humildade e reverência. Os levitas reconhecem que o conhecimento humano é finito, e que a linguagem, por mais rica e elaborada, não pode conter a plenitude do ser divino. Como afirma o apóstolo Paulo: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33).

O fato de que Deus se revela − e que podemos conhecê-lo − é um ato de pura graça. Neemias 9.5 nos ensina que a verdadeira adoração começa com o reconhecimento da nossa insuficiência. Louvar a Deus é, paradoxalmente, admitir que não conseguimos fazê-lo à altura de sua grandeza. E ainda assim, somos chamados a adorá-lo − com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todas as nossas forças.

Portanto, ao nos aproximarmos de Deus, devemos fazê-lo com a consciência de que nossas palavras são frágeis, mas que Ele acolhe o louvor sincero dos que o buscam em espírito e em verdade. A limitação do nosso conhecimento não é um impedimento à comunhão, mas sim um convite à dependência, à confiança e à entrega reverente.

[6]Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 44.

[7]Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 98.

[8]I. Calvini In: Herman J. Selderhuis, ed., Calvini Opera Database 1.0, Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005, v. 26, col. 281.

[9]Francis A. Schaeffer, O Deus que intervém, 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 146.

[10] A confiança do salmista na Palavra de Deus estava associada ao fato de que confiava em Deus (Sl 13.5; 25.2; 26.1; 31.6,14; 52.8; 56.4,11; 143.8).

[11]Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 4, p. 99.

[12] Veja-se o precioso livro de Bavinck, A Certeza da fé, Brasília, DF.: Monergismo, 2018, 124p.

[13] Kevin DeYoung, Levando Deus a sério, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2014, p. 18.

[14] Confissão de Westminster, I.10.

[15] Veja-se: Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática,  São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 53-54.

[16] Veja-se: Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática,  São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 53-54.

[17]Charles Hodge, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos, 2001, p. 37.

[18] Veja-se: Charles Hodge, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos, 2001, p. 39.

[19] “Primária e fundamental, para a epistemologia revelacional, é a afirmação de que o homem pode ter um conhecimento verdadeiro da realidade. Nenhuma forma de agnosticismo é consistente com qualquer forma de cristianismo” (Cornelius Van Til, Epistemologia Reformada, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publicações, 2020, v. 1, p. 7).

[20] Calvino orientou-nos pastoralmente, dizendo: “Que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada mais senão o que a Escritura nos ensina. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossas mentes de avançar sequer um passo a mais” (João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 9.14), p. 330).

[21]Étienne Gilson, O Filósofo e a Teologia, São Paulo; Santo André, SP.: Paulus; Academia Cristã, 2021, p. 88.

[22] Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 33.

[23] Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação,  São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 114.

[24] Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, v. 2, p. 110, 113. Da mesma forma, veja-se: Michael Horton, Doutrinas da fé cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 59.

[25] Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, v. 2, p. 110.

[26]Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a criação, v. 2, p. 99. Wollebius classifica esse conhecimento como “teologia derivada” (Veja-se: Johannes Wollebius, Compêndio de Teologia Cristã,  Eusébio, CE.: Peregrino, 2020, p. 30).

[27] “Pois, como haja a mente humana, que ainda não pode estatuir ao certo de que natureza seja a massa do sol, que entretanto se vê diariamente com os olhos, de reduzir à sua parca medida a imensurável essência de Deus? Muito pelo contrário, como haja de, por sua própria operação, penetrar até a substância de Deus, a fim de perscrutá-la, ela que não alcança nem ao menos a sua própria? Por cuja razão, de bom grado deixemos a Deus o conhecimento de si  mesmo, pois, além de tudo, como o diz Hilário, ele próprio, que não foi conhecido, a não ser por si mesmo, é de si mesmo a única testemunha idônea.  Ora, deixaremos com ele o que lhe compete se o concebermos tal como ele se nos manifesta; e só poderemos inteirar-nos disto por intermédio de sua Palavra. (…) Pelo mui infeliz resultado de qual temeridade nos importa ser advertidos, para que tenhamos o cuidado de aplicar-nos a esta questão com docilidade mais do que com sutileza, não inculcamos no espírito ou investigar a Deus em qualquer outra parte que não seja em sua Sagrada Palavra, ou a seu respeito pensar qualquer coisa, a não ser que sua Palavra lhe tome a dianteira, ou falar algo que não seja tomado dessa mesma Palavra” (João Calvino, As Institutas, (2006), I.13.21).

[28] Vejam-se: John M. Frame,  A Doutrina de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 168, 175ss.; João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Edições Paracletos, 1997, (Rm 1.19), p. 64.

[29]“O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios (hb’v’x]m;) (machashabah) do seu coração, por todas as gerações” (Sl 33.11). “Quão grandes (ld;G”) (gadal), SENHOR, são as tuas obras! Os teus pensamentos (hb’v’x]m;) (machashabah) (desígnios, intentos) que profundos!” (Sl 92.5).

[30] 7Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. 8Quem é o Rei da Glória (dAbK’) (kabod)? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. 9Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória (dAbK’) (kabod). 10Quem é esse Rei da Glória (dAbK’) (kabod)? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória (dAbK’) (kabod) (Sl 24.7-10).

[31] 33Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? 36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.33-36).

[32] “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). “Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos” (Sl 135.6). “… O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.10). “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35). “Nele (Jesus Cristo), digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

[33] ([d;y”) (yada’). Este conhecimento envolve a capacidade de discernir (Sl 4.4), experimentar (Sl 9.11; 20.7; 25.4.14; 119.75; 139.1,2,4; 139.14), ver (Sl 16.11); pensar/perceber (Sl 35.8); perfeito conhecimento (Sl 37.18; 44.21; 50.11; 69.5; 94.11; 103.14; 139.23; 142.3); conhecimento íntimo e pessoal (Sl 51.3); intimidade/proximidade (Sl 55.13; 88.18); compreender (Sl 73.16); aprender (Sl 78.3); ensinar (Sl 90.12); fazer notório/manifestar (Sl 98.2; 103.7; 145.12).

[34] Ver: Emil Brunner, Dogmática, São Paulo: Novo Século, 2004, v. 1, p. 157, 159ss.

[35] “A verdade das criaturas, por exemplo, seria sem sentido sem a verdade de Deus, mas a verdade de Deus não depende do mundo que ele criou. Ele conhece todas as coisas por si mesmo, conhecendo sua natureza e seu plano eterno, e cria a verdade sobre o mundo real por meio de suas obras de criação e providência. Nosso conhecimento depende do dele (Sl 36.9), mas o dele não depende de nada, a não ser dele mesmo” (John M. Frame,  A doutrina de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 455).

[36]J.I. Packer, Evangelização e Soberania de Deus, 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 20.

[37]João Calvino, Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses (Série Comentários Bíblicos) (Portuguese Edition), Fp 2.9), (p. 482). Editora Fiel. Edição do Kindle.

[38]João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998 (Tt 2.1), p. 327. Explicando o sentido da palavra logos no capítulo primeiro do Evangelho de João, conclui: “Recuso-me a filosofar além da compreensão de minha fé. E descobrimos que o Espírito de Deus está tão longe de aprovar tais sutilezas que, ao balbuciar conosco, seu próprio silêncio proclama quão sóbrio deve ser nosso acesso intelectual em mistérios tão profundos” (João Calvino, O evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.1),  p. 30).

[39]Veja-se: Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara D’Oeste, SP.: SOCEP, 2001, p. 175.

[40]Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 607.

[41]Francis A. Schaeffer, O Deus que intervém, 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 146.

[42] Michael Horton, Doutrinas da fé cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 790.

Autor: Hermisten Maia. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Editor e Revisor: Vinicius Lima.

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