A Palavra de Deus é base segura e confiável

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Nota do editor:  Este é o décimo quarto artigo da série de Hermisten Maia – O Ser, as pessoas e as coisas: Um diálogo entre Teologia e Filosofia. 


A Palavra se constitui em base segura e confiável sobre a qual posso dirigir minha vida. Toda a Palavra do Senhor é igualmente verdadeira, não havendo contradição, sendo ela a própria verdade que permanece, não estando circunscrita a tempos e épocas.

 A Palavra de Deus não traz meias-verdades. Ela é a verdade absoluta de Deus   para toda a realidade.[1] Só permanece na condição de verdadeiro o que é verdade. A verdade, por proceder de Deus, é eterna.

É por meio dela que conhecemos o caminho de Deus. O salmista, alegando a sua integridade, ora: “Pois a tua benignidade, tenho-a perante os olhos e tenho andado na tua verdade (‘emeth) (Sl 26.3).

Suplicar a direção de Deus

Devemos suplicar a Deus no sentido de que nos guie, nos concedendo discernimento no caminho da verdade. É neste sentido que o salmista ora:

Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade (‘emeth); dispõe-me o coração para só temer o teu nome. (Sl 86.11/Sl 26.3).

Guia-me na tua verdade (‘emeth) e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia. (Sl 25.5).

Instruído pelo Senhor, o salmista, por graça, escolheu o caminho proposto por Deus: “Escolhi o caminho da fidelidade (‘emunah) e decidi-me pelos teus juízos” (Sl 119.30).

Deus nos guarda misericordiosamente por meio da verdade. Nesse sentido, suplica o salmista: “Não retenhas de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade (‘emeth) (Sl 40.11).

A verdade de Deus é iluminadora, discernindo o caminho por onde devemos caminhar:         “Envia a tua luz e a tua verdade (‘emeth), para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos” (Sl 43.3).

Deus tem prazer em nossa integridade

O Senhor, que nos guia pela verdade, se agrada de um coração íntegro e sincero: “Eis que te comprazes na verdade (‘emeth) no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria” (Sl 51.6).

Deus deseja que nos relacionemos com Ele com fidelidade do mesmo modo que Ele se relaciona conosco:  A nossa resposta deve ser condizente com a santidade e integridade de Deus (Lv 19.2).

Esta é a palavra de Josué ao povo de Israel: “Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade (‘emeth); deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito e servi ao SENHOR” (Js 24.14).

De modo semelhante Samuel instrui ao povo que o rejeitara: “Tão-somente, pois, temei ao SENHOR e servi-o fielmente (‘emeth) de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez” (1Sm 12.24).

O Senhor em sua misericórdia, é sensível à oração dos fiéis: “Perto está o SENHOR de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade (‘emeth) (Sl 145.18).

Deus nos concedeu o conhecimento de sua verdade não para mera apreensão intelectual, mas para que possamos conduzir nossa vida segundo seus santos preceitos.[2]

Oração e meditação amparadas na fidelidade de Deus

A teologia fundamentada na Palavra é indispensável, pois nos concede verdadeiro conhecimento e orienta nossas decisões.[3]

A experiência do fiel é que sua oração se apoia na fidelidade de Deus, cuja natureza e promessas são absolutamente verdadeiras. Sabemos que Ele é verdadeiro em sua natureza e, por isso mesmo, em todos os seus atos e promessas. É nessa certeza que o salmista ora: “Quanto a mim, porém, SENHOR, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração. Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça; pela tua fidelidade (‘emeth) em socorrer” (Sl 69.13).

Enquanto aguardamos com perseverante fé a resposta de Deus, devemos nos alimentar da verdade, proclamando-a em nosso testemunho, palavra e louvor a Deus:

Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade (‘emunah) (Sl 37.3).

Não ocultei no coração a tua justiça; proclamei a tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua graça e a tua verdade (‘emeth) (Sl 40.10).

Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade (‘emeth), ó meu Deus; cantar-te-ei salmos na harpa, ó Santo de Israel (Sl 71.22).

Devemos magnificar a Deus considerando, inclusive, a sua verdade. Davi o fez com inteireza de coração diante dos “deuses” da terra. A nossa obediência a Deus tomando como princípio diretor a sua Palavra é um indicativo significativo de a quem de fato servimos e honramos. Testemunha o salmista:

1Render-te-ei graças, SENHOR, de todo o meu coração; na presença dos poderosos te cantarei louvores. 2 Prostrar-me-ei para o teu santo templo e louvarei o teu nome, por causa da tua misericórdia e da tua verdade (‘emeth), pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra. (Sl 138.1-2).

Quando nos alimentamos da verdade, podemos caminhar em segurança, fortalecemos o nosso coração, nos enchendo de esperança proveniente da Palavra.

Assim procedendo, estamos declarando de forma prática e confiante que o Senhor é o nosso Pastor. Ele nos guia verdadeiramente, por meio da verdade, à Verdade.

Algumas considerações

Ao refletirmos sobre a Palavra como base segura e confiável, percebemos que a vida cristã não se sustenta em sentimentos passageiros ou opiniões humanas, mas na verdade eterna de Deus. Essa verdade é luz para o nosso caminho, alimento para a nossa fé e segurança para o nosso coração.

  • Viver na Palavra: A integridade e fidelidade que Deus requer de nós só podem ser cultivadas quando nos deixamos guiar por sua verdade.
  • Orar com confiança: A oração do salmista nos inspira a suplicar direção, discernimento e firmeza para andar nos caminhos do Senhor.
  • Testemunhar com alegria: A verdade não deve ser apenas guardada no íntimo, mas proclamada em louvor e testemunho diante dos homens.
  • Esperar com esperança: A fidelidade de Deus nos assegura que, mesmo em tempos de incerteza, podemos descansar em suas promessas.

Assim, a vida cristã é marcada por uma caminhada constante na verdade, sustentada pela graça e conduzida pelo Espírito. Alimentando-nos da Palavra, somos fortalecidos para viver com integridade, esperança e louvor, declarando em cada passo que o Senhor é o nosso Pastor e que sua verdade nos guia à Verdade suprema: Cristo Jesus.

Que cada dia seja vivido na confiança de que a Palavra de Deus é suficiente para nos instruir, guardar e transformar, até que sejamos plenamente conformados à imagem do Filho.

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[1] “A verdade é o que corresponde à maneira em que as coisas realmente são” (Verdade, natureza da:  Norman Geisler, Enciclopédia de Apologética: respostas aos críticos da fé cristã, São Paulo: Editora Vida, 2002, p. 863).

[2]“O fim para o qual Deus deu a sua verdade não foi somente para a instrução de nossas mentes, mas muito mais para a transformação de nossas vidas” (Albert N. Martin, As Implicações Práticas do Calvinismo, São Paulo: Os Puritanos, 2001, p. 9-10).

[3] Veja-se: Johannes Wollebius, Compêndio de Teologia Cristã,  Eusébio, CE.: Peregrino, 2020, p. 24.

 

Autor: Hermisten Maia. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Editor e Revisor: Vinicius Lima.

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