A Parábola da Faca

Havia um jovem tolo, para o qual foi dada uma faca, serrilhada de um lado e cega do outro. Este recebeu a faca com a parte cega para cima e por causa disto só observou e admirou tal parte. Ele inicialmente começou a passar o dedo sobre o mesmo lado da faca e observou que nada lhe acontecia. Após algum tempo, ele começou a passá-la no braço e percebeu que também nada lhe acontecia. Assim, concluiu que a faca era inofensiva.

Quando chegou a sua casa, tão empolgado quanto desavisado, chamou sua sábia mãe e mostrou-lhe a faca e lhe falou que a faca era inofensiva e para provar passou a parte cega em seu braço. Ao passo que a sábia mãe somente disse para ele tomar cuidado que ele ia se cortar.

O jovem ficou revoltado com a mãe. “Como uma faca tão inofensiva faria algum mal para mim”. Então passou a provar sua tolice demonstrando a muitos quão inofensiva era a faca.

Em uma demonstração, por desaviso e descuido, ele inverteu o lado da faca. Ao passá-la no braço, obviamente, cortou-se e desesperado jogou a faca longe e exclamou:

– Esta não é minha faca. Esta nunca poderia ser minha faca. Eu quero a minha faca.

Ao chegar correndo em casa, sua mãe tratou-lhe o ferimento e lhe disse:

– Jovem néscio, eu te avisei que você poderia se cortar com aquela faca, mas você em sua tolice ignorou que aquela faca possuía dois lados e por isso se machucou. Ainda bem que você está vivo. Nunca lhe passou pela cabeça que você podia ter se matado?

Após recuperar-se o jovem, triste com sua tolice, voltou ao local aonde tinha jogado a faca. Ao pegá-la um temor correu-lhe pela espinha. Agora ele a conhecia, agora ele verdadeiramente a conhecia.

Igualmente tolo é aquele que fica olhando somente para os atributos de Deus que lhe agradam e não busca conhecê-lo (na medida do possível para nossas pequenas mentes) na extensão de seu majestoso caráter.

“Você pensa que eu sou como você? Mas agora eu o acusarei diretamente, sem omitir coisa alguma. Considerem isto, vocês que se esquecem de Deus; caso contrário os despedaçarei, sem que ninguém os livre.” [Salmos 50: 21, 22]

Buscamos conhecer o amor, a bondade, a misericórdia e a graça divina, mas será que buscamos com o mesmo empenho conhecer a justiça, a ira, a soberania, a santidade e a glória de Deus? Nosso conhecimento de Deus deve ser completo, para que sejamos completos nEle. Se nos apegamos mais a alguns dos atributos de Deus e desprezamos os demais, acabamos inconscientemente criando o nosso próprio deus: apenas com o que apreciamos, e rejeitando o que desprezamos.

Deus nos é suficiente e nos regozijamos Nele em todas as suas perfeições. Canto de alegria perante Sua misericórdia, bem como me prostro ante sua justiça. Reconheço o Seu amor que dura para sempre, e temo e tremo diante de Sua ira. Os atributos de Deus se completam; os traços de Seu caráter glorioso formam a perfeição absoluta.

Portanto, aos santos que pecaram e estão arrependidos, convém lembrar-se do amor e da misericórdia de Deus: “certamente, a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida”! Aos que estão endurecidos pelo pecado, convém dizer: “Fujam da ira divina que está por vir”! Aos que sofrem injustamente, ou aos que trapaceiam, bradamos: “A justiça é base do Seu trono”! Aos que estão fraquejando, cantamos alegremente: “Ele é o Deus Forte”!

Entender quem é Deus e a base para a vida cristã feliz e completa. O cristianismo sadio começa com um conhecimento verdadeiro de Deus. Oh, que tenhamos os olhos de nosso coração abertos, para vermos a plenitude de Seu caráter! Adoraremos e nos prostraremos diante de Deus, por todas as facetas de Sua glória! Amamos o Deus da Bíblia, o único Verdadeiro, e não os deuses das nações, inventados pela mente humana!

Esta parábola foi inicialmente pensada por Lucas Pereira (um grande amigo meu) e, após ouvi-la, reelaborei, amolei e coloquei aqui. O trecho final foi escrito por outro amigo meu, Davi Luan Carneiro do blog Teologia e Vida.

7 Comentários
  1. Ednaldo Diz

    Paz Vini,

    Maravilhoso esse post, verdadeiramente iluminado.
    Um dos meus textos favoritos.

    Em Cristo,

    Ednaldo.

  2. Clóvis Diz

    Vini,

    Ao ler o trecho “Se nos apegamos mais a alguns dos atributos de Deus e desprezamos os demais, acabamos inconscientemente criando o nosso próprio deus”, me ocorreu que alguns tem um deus montado da forma como as crianças montam objetos com pecinhas de lego. Concebem um deus que lhe agrada e escolhem as peças conforme lhes agrada. No final, sobram umas pecinhas, mas o deus construído logo os faz se esquecer delas.

    Mas o nosso Deus é indivisível e imutável.

    Em Cristo,

    Clóvis
    http://cincosolas.blogspot.com

  3. Clóvis Diz

    Amado,

    Entrei numa brincadeira convidado pelo Roger, do Teologia Livre. E convido você, caso queira participar.

    Veja em meu blog como funciona.

    Em Cristo,

    Clóvis
    http://cincosolas.blogspot.com

  4. Descanso da Alma Diz

    Gostei muito de sua Parábola, realmente acabamos construindo Deuses conforme a nossa própria concupiscências, como diz o apóstolo Paulo.
    E assim vemos teologias como a da prosperidade e outras que vemos no caminho, se me permitir eu postei essa parábola no meu blog, claro que com os devidos créditos.

    Na graça

  5. Kátia Regina Cardoso Diz

    Comecei a ler, imaginei que falaria da palavra de Deus, afinal é espada. Pensei que fosse, porém me surpreendi com o assunto abordado. Deus é bom e justo.
    Infelizmente o mundo cristão tem perdido o temor a Deus. O respeito as coisas de Deus.
    Essa parábola veio me lembrar que Deus é bom, mas também é justo.
    Estarie repassando para os meus amigos cristãos essa parábola.

    Grata

  6. Inelia Diz

    Muito interessante. É bom sempre lembrar que Deus é amor e também justiça, por isso ele é Santo.
    Deus abençoe.

  7. Rogerio Diz

    Que bênção!gostei muito. Poucos não vêem Deus dessa perspectiva hoje.
     

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