C.H. Spurgeon – Hindhead

Extraído do Sword and Trowel de Julho de 1869

NUM DOS DIAS MAIS QUENTES de um Julho abafado, dois de nós, cansados e desgastados de uma longa e empoeirada caminhada pela estrada de Portsmouth, chegamos finalmente ao topo do Hindhead. Nenhuma árvore ou arbusto à vista, e o sol derramando sem remorso um dilúvio de fogo; não havia sinal de sombra, exceto por uma enorme cruz de pedra que guarnecia o cume do Hindhead. Aquela cruz foi elaboradamente adornada com inscrições em latim, e era precisa e clássica no formato; mas sua sombra era estreita demais para fornecer cobertura perfeita mesmo para um, menos ainda para dois. A sombra era mais refrescante, mas não havia o bastante, e um viajante poderia, queimado como estava, ficar em pé ou deitado sob os raios ardentes do sol, pois não havia lugar para ele na sombra fresca. Assim deve ser com o evangelho de Jesus, como demonstrado por alguns ministérios. Jesus é anunciado eloquentemente, mas a liberdade de Sua graça e o poder abundante de Seu sangue não são aplicados; ou pode ser que a Teologia Sistemática seja o ídolo do pregador, e Cristo é reduzido à crença; o rigor da doutrina é alimentado, mas o Cristo que é anunciado não possui nenhuma amplitude de amor, nenhuma amplidão de sombra para o repouso de pecadores cansados. Ao mesmo tempo, muitos removem o caráter sólido da expiação completamente e, enquanto objeta abrangência, nos dá ao invés de uma cruz de granito, uma mera neblina sem nenhuma sombra. A verdadeira ideia escritural da expiação é: “A sombra de uma grande rocha numa terra cansada.” O lema do Evangelho de Jesus é: “E ainda há lugar.”

Ah, a bendita sombra da cruz de Cristo! Todos os rebanhos do Senhor deitam-se sob ela, e descansam em paz; milhões de almas são por ela libertas do calor da vingança, e inúmeras mais nela encontrarão um abrigo da ira vindoura. Querido leitor, você está na sombra do Crucificado? Ele se põe entre Deus e sua alma para desviar de você os raios ardentes da justiça, que os seus pecados tão ricamente merecem, suportando-os Ele mesmo? Se você perecer pela necessidade de abrigo não será porque faltou lugar para você em Cristo, pois nenhum pecador jamais foi lançado fora por esta razão, e nenhum jamais será. Se você morrer no calor feroz da ira divina, você só poderá culpar a si mesmo, pois há a sombra da grande propiciação, fria e refrescante, e a todo momento ela é acessível por simples fé. Se você se recusa a crer, e se considera indigno da salvação, seu sangue jazerá em sua própria porta. Venha, agora, para o abrigo certo e bendito, a fim de que a insolação do desespero não o murche. Uma vez sob a sombra de Jesus, o sol não te afetará durante o dia, nem a lua durante a noite; tu habitarás sob a sombra do Todo-Poderoso. “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita” (Sl. 121:5). Deixe aquele que alegremente encontra o abrigo da cruz cantar e orar de todo o seu coração.

“Onde está a sombra daquela rocha
Que do sol defende seu rebanho!
De alegria eu me alimentaria entre suas ovelhas,
Entre elas descanso, entre elas durmo.”
De meu caderno. —C. H. S

Por: C. H. Spurgeon
Original:
Hindhead. Website: spurgeon.org
Tradução:
voltemosaoevangelho.com
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3 Comentários
  1. uma tal de Ti. Diz

    fantástico, como só spurgeon hehe

  2. salomao vasconcellos Diz

    “…E ainda há lugar.”
    Lindo texto, esse “ainda” deveria fazer com que todos os pecadores perdidos corressem para o amor e proteção de Cristo. (entre os quais me incluo)

  3. Lucas Diz

    Simples,direto e fantástico.

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