[Catástrofe no Japão] Teologia Relacional: o relacionamento que não ajuda

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Em meio a todo desastre e catástrofe surge a pergunta: “Qual a relação de Deus com isso?” A resposta da chamada “Teologia Relacional” é: “abolutamente nada, mas ele sofre com você”. Contudo, eles não falam a segunda parte da resposta: “ele sofre com você, mas não pode fazer nada de concreto para ajudá-lo, porque ele escolheu não intervir”. Ou seja, todo seu consolo deve ser que ele sofre com você.

Isto, além de antibíblico, não irá satisfazer a alma daquele que sofre, pois você não poderá dizer com Habacuque:

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Habacuque 3:17-19)

E, por fim, a consequência lógica é que a cruz não é uma demonstração do”porque Deus amou o mundo de tal maneira”, mas um mero acaso.

Os dois artigos abaixo lhe darão uma visão melhor do que representa a Teologia Relacional e porque ela não é Bíblica, nem irá satisfazer sua alma. Que possuamos declarar as duas verdades que as Escrituras declaram, aceitando os gloriosos mistérios como eles são apresentados:

Sobre toda catástrofe, Deus é Soberano e Deus se compadece!

 

Teologia Relacional: um novo deus no mercado

por Augustus Nicodemus Lopes

As ondas gigantes que provocaram a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 afetaram também os arraiais evangélicos, levantando perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas a essas perguntas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto; ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.

A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade por meio de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explícita.

A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação. Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:

1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.

3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.

4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.

6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.

Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Vários líderes calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao cristianismo.

A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante o relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.

Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.

Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os adeptos da teologia relacional não são cristãos, mas que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.

Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1 etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?

Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.”

Fonte: Revista Ultimato

 

“O Deus que não Intervém”

por Mauro Meister

Renato Vargens publicou um post sobre o deus do teísmo aberto: Eu não acredito no Deus do teísmo aberto. É uma crítica à teologia do inglês Tom Honey. Como Vargens, também não acredito nesse deus, mas parece que ele está se tornando popular. Recentemente foi divulgado no Brasil um texto trazendo a expressão que “o Deus que intervem não existe”, defendendo um Deus que lamenta, se solidariza, mas não intervem no curso da história. Essa é mais uma investida do teísmo aberto com ares tupiniquins, trazida por pensadores brasileiros que têm recebido fama e acolhida em muitas revistas evangélicas e circuitos de palestras.

O “Deus que intervém” (tradução do título de um livro de Francis Schaeffer para o português – “The God Who Is There”) é o Deus da Bíblia e só posso supor que o deus do teísmo aberto não é o Deus da Bíblia. Fico pensando que esse deus é um outro deus e não o Deus que ao longo da história mostrou-se, ao intervir, o Senhor dela, apesar da visível dor humana que tanto nos marca. O problema do deus do teísmo aberto é a sua incapacidade de intervir.

Mas, segundo a Escritura, a intervenção de Deus, no que podemos conhecer dela, começa na criação, ainda que tenha nos amado antes da própria fundação do mundo. A partir de então, não parou de intervir, seja falando, agindo, alterando, mudando, fazendo tudo o que condiz com os seus propósitos eternos. Se a Escritura é de fato a Palavra de Deus, sua revelação, então o Deus que intervém existe e foi o Deus de Jó, homem que sofreu profundamente para aprender quem Deus é e que, finalmente, pode ver a Deus. Mesmo tendo sofrido, viu a graça do Deus que intervém restaurando-lhe.

O Deus da Bíblia é o Deus que é todo amor e justiça, verdade e misericórdia. É o Deus que ama e que é ofendido pelo pecado humano, ao contrário da caricatura criada pelo teísmo aberto, e que pode estar impregnada na mente de muitas pessoas. Aliás, o pecado é a grande ofensa contra Deus e não há como ler a Escritura sem perceber isto. É interessante notar que os teólogos do teísmo aberto tentam usar a Bíblia para provar o improvável por meio dela: ‘o deus que intervém não existe.

Aliás, há uma ironia aqui: O livro de Schaeffer que teve o título traduzido como “O Deus que intervém“, literalmente chama-se “O Deus que está lá”, o que não faria tanto sentido na língua portuguesa. Schaeffer escreveu o livro com este nome exatamente para mostrar que na cultura do final do século XX, influenciada pelos muitos anos do desenvolvimento científico e cultural do ocidente, Deus tornou-se uma construção ideológica e não o Deus da Bíblia. O Deus que intervém e revelou-se em Jesus Cristo foi transformado pelo racionalismo humanista em um deus impotente, facilmente substituído pela capacidade humana.

Na sequência da famosa trilogia de Schaeffer, ele escreveu “He is there and He is not Silent” (“Ele está lá e não está calado”), traduzido no Brasil como “O Deus que se revela“, exatamente para mostrar que este Deus todo poderoso, o El-Shaddai, sempre controlou a história e se revela, trazendo esperança ao homem. O livro de Schaeffer trata a respeito deste Deus fazendo uma defesa da epistemologia do cristianismo histórico e bíblico, de “como podemos vir a saber e como podemos saber que sabemos”. O deus do teísmo aberto, aparentemente se revela só no sofrimento, é fraco, incapaz de alterar qualquer coisa na história. Quando esse deus vê o sofrimento e a tragédia humana, como os acontecimentos recentes das mortes em Ilha Grande, Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, só pode chorar, sem fazer nada. A meu ver, é a Morte da Razão tentar defender um deus como esse (o terceiro livro na trilogia de Schaeffer).

O Deus da Bíblia é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó; o Deus de Moisés, Davi, Isaías e Jeremias; o Deus de milhares que foram levados para o cativeiro, anonimamente, sofrendo e, ao mesmo tempo, consolados pela sua presença e certeza de que os traria de volta, senão eles mesmos, os seus filhos, porque ele disse que os traria; o Deus de Daniel, um cativo ‘de elite’ que, ao perceber que havia chegado a hora que Deus disse que iria intervir, orou reconhecendo os seus pecados e os de seu povo e rogando que Deus agisse de acordo com sua eterna aliança (Daniel 9). Se o sofrimento do povo de Israel na ida para o cativeiro não foi para cumprir os propósitos de Deus, vamos ter que arrancar a metade dos escritos dos profetas da Bíblia (Isaías, Jeremias, Habacuque, etc.). Mas o Deus que intervém ordena a sua bênção para sempre (Salmo 133), bênção esta iniciada na ordem Edênica (Gênesis 1.28) e alcançada em Cristo, sempre para cumprir o seu eterno propósito.

O deus do teísmo aberto não passa de uma imagem construída por homens e, como caricatura, é uma péssima obra de arte. Mas, o Deus da Bíblia já enviou a sua imagem perfeita (Hebreus 1.3) para que conhecêssemos o perdão dos pecados, a sua intervenção na história e, finalmente, a redenção de todos os seus eleitos. Assim como fez no passado, continua a intervir hoje, pois ele sempre foi, é, e será o mesmo Deus, queiram os homens ou não.

O deus do teísmo aberto não é o deus da Bíblia e não é o deus daqueles que de fato creem nela. O eterno propósito desse deus é chorar com os homens. Pobre deus, pobres homens que acreditam nele.

Para saber mais sobre o teísmo aberto, recomendo o livro de John Frame, “Não há outro Deus” (Cultura Cristã) e também o artigo na Fides Reformata, A TEOLOGIA RELACIONAL: SUAS CONEXÕES COM O TEÍSMO ABERTO E IMPLICAÇÕES PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA. (Valdeci Santos)

22 Comentários
  1. Jorama Martins Diz

    Paizinho amado clamo a Ti, que nossas visões espirituais sejam abertas e que o pecado se afaste do nosso rosto, porque precisamos de TI.
    Não devemos discordar do livro da vida, aquele que fala sobre a Verdade e nos ensina a cerca do Verbo, fala daquele que criou ceu, mar e tudo que neles há, tudo pode passar menos a sua palavra.

  2. Jorama Martins Diz

    Maldito do homem aquele que cre e entrega seus caminhos a outro homem.

  3. doroti alves pereira Diz

    Sendo o homem impotente, pecador, um ser decaído, expulso da presença de Deus, de El-Shaddai, Deus Todo Poderoso, querem alguns intelectualóides, que se auto-denominam de teólogos, reduzir o verdadeiro Deus das Escrituras Sagradas no mesmo nível que estamos, por isso criaram um Deus impotente tanto quanto nós.
    Quando não se aceita o Deus verdadeiro, criam seus próprios deuses, a história se repete, com ídolos toscos de pedra, ouro, etc, ou
    de forma erudita ao gosto dos intelectuais, mas não passam de ídolos para enganar os incautos.

  4. julison Diz

    eu vi quando estava centado debaixo da figueira.disse Jesus.quando lemos essas palavras lembre-mos de paulo ele trou-se bem clara a soberania eterna de Deus,esses homens que com suas inteligencias fracas naõ entederal nunca a palavra de Deus pois só quem pode discerni é quem é espiritual. amem

  5. Ageu ramos Bernardino Diz

    Gostei do artigo e penso que muitos fazem
    teologia sem consultar a Bíblia, temos aprendido que ela é autoridade da revelação do Deus criador e comprometido com sua criação, quando se atribui a Deus toda forma de problemas seja pesoais ou catastroficos estamos pensando que Deus é um tipo verdugo e indferente, esse é o erro de alguns.Deus é soberano e tem tudo sobre seu controle e a cabou.

  6. ELIS Diz

    Cada absurdo..vixxiii, que livro temos que ler????
    que livro precisamos LER?
    Peça a Deus e ele dará o discernimento…
    A Biblia Sagrada é tudo o que precisamos, e o Senhor revela suas palavras aqueles que buscam!!!

  7. Maria Rita Diz

    As todas as coisas que tem acontecido
    são sinais do fim dos tempos…
    nos ja sabiamos pois Deus, nos revela nas sagradas escrituras… mateus 24 … leia este livro chamado BIBLIA .
    A paz.

  8. Johnny Diz

    Realmente, o tsunami no Japão nos tocou a todos…

    Mas por que rezas? Se aconteceu não era a vontade do Senhor?

    Será que algo aconteceria fora da vontade daquele que controla o mar e os ventos?

    Acreditar é sempre algo difícil!!

    Forte abraço a todos!!!

    “Pois, à sua ordem, se podem levantar ventos tempestuosos que fazem erguer vagas [ondas] imensas, as que elevam pesados navios nas suas cristas, e os mergulham novamente no profundo abismo” (Salmos 107:25-26)

    1. Vini Diz

      Não oramos para mudar a vontade de Deus. Oramos “seja feito sua vontade [moral] assim na terra como no céu”.

  9. Johnny Diz

    Como se a vontade [moral] do Senhor fosse tão simples…

    “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7)

    1. Vini Diz

      Esse texto não fala sobre a vontade moral de Deus. “Mal” neste texto refere-se a calamidade e não mal moral. É só ver o contraste com paz.

    2. Johnny Diz

      Na verdade, depende muito do quanto a exegese pesa pra você e quais fontes você considera como válidas…

      “Luz e trevas, vida e morte, direita e esquerda, são irmãos e irmãs. São inseparáveis. Por isso, a bondade não é apenas boa, a violência violenta, a vida apenas vivificante, a morte apenas mortal.” (Ev. Fp, logion 10,1-5)

      Forte Abraço!!!

    3. Vini Diz

      A exegese é tão importante que mostrei que no texto mal faz oposição a paz e não bem [moral].

      =)

    4. Johnny Diz

      Mas Vini, se a exegese fosse assim – uma ciência exata – não haveria tanta discordância entre os próprios exegetas. Se a exegese lhe é assim tão importante, como proceder frente as discordâncias? Entre quais interpretações você deposita sua confiança e sua fé? Qual teria razão… O mais titulado? O mais antigo? Ou simplesmente aquele que defende o ponto de vista por nós desejado? Por exemplo, Carreira das Neves – professor doutor de teologia da Universidade Católica Portuguesa e tido como um dos maiores exegetas biblistas de Portugal – afirma, por exemplo, que Deus nunca falou com Abraão, Isaac ou mesmo Moisés, mas que – na verdade – se escrevia em nome do Senhor, mas não havendo o sentimento de falseamento, mas na intenção de, dessa forma, render-lhe uma homenagem (pseudepigrafia). Num caso como esse, como devemos proceder?

      Forte Abraço!!!

    5. Vini Diz

      A verdade é objetiva. Ou esse texto fala que Deus criou o mal moral ou não fala. Logicamente, nós não somos perfeitos e oniscientes e por isso cometemos erros em nossa interpretação e, daí, geram as discordâncias.
      Quanto ao Carreira das Neves, então o que ele afirma é que a Bíblia e Jesus é mentiroso. Jesus afirmou que Deus falou com Moisés através da sarça (Marcos 12:26).
      A regra áurea de interpretação da Bíblia é que a Bíblia interpreta a Bíblia, não temos nada na Bíblia que fale afirme isso.

  10. Johnny Diz

    A “verdade” é objetiva”? “Ou esse texto fala que Deus criou o mal moral ou não fala”.

    Vini, você não acha que a verdade pode não estar – necessariamente – em nenhum dos dois pólos. Talvez ela esteja entre os infinitos pontos de vista intermediários.

    Eu acredito que a verdade é perfectível, ou seja, ela é sempre passível de se melhorada, complementada ou revisada a partir do surgimento de novos elementos ou de novos olhares sobre os mesmos elementos.

    Quanto a Carreira das Neves, ele não disse que Jesus é mentiroso. Ele apenas disse que muito do que se atribui como fala de Jesus, não foi necessariamente proferido por ele.

    Quanto a “regra áurea” de que “a interpretação da Bíblia é que a Bíblia interpreta a Bíblia”, como ficamos em passagens opostas da própria Bíblia, como:

    “Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo” (I Samuel 2:8)

    e

    “Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada” (Jó 26:7)

    Nesse caso, por exemplo, como a Bíblia interpretaria a Bíblia na sua visão? Qual seria o trecho mais divinamente inspirado do que o outro?

    É exatamente por questões como essas que – ao contrário do que você afirma – acredito que a verdade bíblica – e principalmente a exegese – é bem mais subjetiva do que parece a primeira vista. Mas claro que essa é apenas a minha opinião…

    Forte Abraço!!!

    1. Vini Diz

      Johnny,

      A verdade é uma só. Não muda. Cristo é a verdade imutável. Mas nossa compreensão disso é aperfeiçoada com o tempo.

      A verdade é lógica e não contraria os princípios da lógica como: A = não-A no mesmo quesito e sentido. “Deus criou o mal moral” e “Deus não criou o mal moral” não podem ser igualmente verdadeiras.

      Quanto a Samuel e Jó ambos são igualmente divinamente inspirados. Há inúmeras aparentes contradições na Bíblia que quando estudadas a fundo ou se mostram como eram somente aparentes ou se mostram como paradoxos (estou usando paradoxo no sentido mais filosófico e não paradoxo = contraditório).

      Outro ponto é que mundo não necessariamente significa nossa concepção de mundo (o globo Planeta Terra), por isso que o método histórico-gramatical é importante na interpretação bíblica.
      Lendo na versão Almeira Corrigida Fiel: porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo.
      O versículo pode muito bem significar do SENHOR é a crosta terrestre e sobre ela colocou o mundo visível (montanhas, rios, árvores, etc.). Não necessariamente, Samuel está tratando da sustentação gravimétrica do planeta terra no vazio.

      Abraço

    2. Johnny Diz

      Vini, agradeço pela paciência em esmiuçar melhor seu ponto de vista. Ficou mais fácil a compreensão de alguns pontos.

      Mas, por exemplo, se “a verdade é uma só” e “não muda”… mas a nossa compreensão é que vai sendo aperfeiçoada… como se daria ese processo? Como você absorve novas informações acerca dessa verdade?

      Se a verdade bíblica não é “autoevidente” – como você disse “a compreensão disso é aperfeiçoada com o tempo” – de que modo se daria a interpretação do que não é explícito?

      Perceber que as passagens de Samuel e Jó divergem não é tafera das mais hercúleas, mas como se justifica a oposição é que seria. Você afirma que tais passagens – entre outras – que apresentam “contradições” se revelam apenas como “aparentes contradições” ou meros “paradoxos” quando estudadas a fundo. Mas esse estudo parte de fontes exteriores à Bíblia? Talvez embasadas sobre pontos de vistas de determinados exegetas. Que nos dirão o que está além das palavras e o que, na verdade, o que tais trechos “queriam dizer”…

      Não descarto o médoto histórico-gramatical, mas deve-se reconhecer as limitações desse método (Aliás, como o de qualquer outro)… Realmente, “mundo” não necessariamente deve ser compreendido como “globo”, “planeta” ou “Terra”, mas também não há nada que diga que não possa sê-lo. Ou mesmo ser qualquer outra coisa… O método histórico-gramatical, por vezes, incita um certo “relativismo total” de qualquer passagem.

      Por exemplo, você afirma que “o versículo PODE MUITO BEM SIGNIFICAR do Senhor é a crosta terrestre e sobre ela colocou o mundo visível (montanhas, rios, árvores, etc.). Não necessariamente, Samuel está tratando da sustentação gravimétrica do planeta terra no vazio”… E eu concordo você, mas ao mesmo tempo o fato de “poder significar outra coisa”, não quer dizer que signifique, ou mesmo, pode significar qualquer outra coisa que não estas duas opções. Eis o “relativismo total” se fazendo presente…

      Quando assumimos que as passagens podem dizer coisas que simplismente não dizem, mas que nós entendemos desse modo – por liturgia, convenção ou exegese – pode-se assumir – por similaridade – que poderiam significar qualquer outra coisa.

      Poderíamos, por exemplo supor que a substituição de “colunas” por “alicerces” finalmente geraria a “real compreensão” do que a Bíblia quis dizer. Mas entender “colunas” por “alicerces” já é por si uma substituição fruto de um “julgamento subjetivo”! Difícil é assumir que a compreensão que temos como a “adequada” é apenas aquela que atende às nossas convicções.

      Por exemplo, na tão conhecida frase “Navegar é preciso” qual a sua interpretação para a palavra “preciso”? Navegar é algo necessário ou navegar é uma arte de precisão, que se vale de muitos instrumentos?

      Se as versões são “atualizadas”, “revistas” ou “corrigidas”, o são sob o ponto de vista de alguém. Creio que nisso podemos concordar. Mas até que ponto, adequá-las a nossa compreensão não seria – ao mesmo tempo – distorcê-las, fazendo-as dizer o que, na verdade, não diziam.

      Abraham Lincoln possuia um adágio que tratava dessa questão. Dizia ele, “Quantas patas tem um cão se você chamar o rabo de pata? Quatro. Chamar um rabo de pata não faz dele uma pata.”

      Enfim, obrigado por sua paciência em expor seus pontos de vista.

      Forte Abraço!!!

    3. Vini Diz

      Jhonny,

      O processo daria um livro rs. Mas creio que é basicamente através da regeneração e santificação e, no fim, a glorificação.

      Quando somos regenerados nascemos de novo e recebemos a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16). Isto não significa que todo entendimento nosso é o entendimento correto, mas que conseguimos ver o que muitos “tendo olhos não percebem”. Após, em nossa santificação “somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios 3:18). Através de ver a glória de Cristo nas Escrituras e da ação do Espírito passamos a crescer em conformidade com Cristo (e com a mente de Cristo). Mas, por enquanto, crescemos em conhecimento, “porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12). E isso é nossa glorificação.

      Quanto ao método histórico-gramatical, sim tem limitações. Mas creio ser o melhor. Afinal, creio que há uma realidade objetiva que o escritor (e Deus) intentou dizer. A proposta do método histórico-gramatical é buscar saber exatamente isso. Buscar saber o que significava cada termo quando a pessoa escreveu e o que significa o que ela escreveu e como escreveu.

      Traduções possuem opiniões subjetivas? Sim, com certeza. Algumas mais outras menos. Não é nada fácil traduzir de uma língua com mais de 2000 anos. Lógico, que ler no original (entendendo) é melhor. Mas, creio que quando tomamos as Escrituras como um todo, muito do que cremos será correto. Não creio que a coisa é tão subjetiva que não podemos ter certeza de nada.

      Quanto a passagem de Samuel, eu não usei o método histórico-gramatical, pois não li Samuel inteiro para ver como ele usa o termo “mundo” e “colunas” ou “alicerce”. O que dei foi uma sugestão, mostrando que não necessariamente contradizem.

      Quanto a “navegar é preciso” já estou familiarizado com a frase. Pelo que eu sabia o “preciso” se opõe as incertezas da vida, pois “viver não é preciso”. E aqui entra a importância do contexto.

      Resumindo, estou ciente das dificuldades da interpretação bíblica e das inúmeras discordâncias. Mas não beiro o desespero e niilismo intelectual, pois confio naquilo que disse no começo deste comentário.

      Abraço =)

    4. Johnny Diz

      Vini, antes de mais nada, agradeço pelos comentários sinceros.

      É exatamente essa dialética, fruto do contato de pontos de vistas diferentes – às vezes, até divergentes – que nos permitem refinar nossas opiniões e avançar na compreensão de assuntos tão complexos.

      Despeço-me aqui.

      Forte abraço!!!

    5. Agnon Fabiano Diz

      Que idéias opostas podemos levantar para discutir? A bíblia deve ser discutida através de sua mensagem e não de versículos soltos, pois senão a discussão não terá fim. Sempre haverá uma vírgula e uma preposição para discordar.

      No entanto, fazendo um apanhado geral do que foi dito, faço as seguintes observações tentando, talvez, evitar um prolongamento sem sentido da discussão:

      1. Is 45:7 é plenamente satisfatório para mim e para todos os exegetas que conheço: “faço a paz e crio o mal”, no hebraico, uma contraposição entre shalom (paz) e rah (adversidade, guerra). Acho que nem Carreira Neves discorda dessa.

      2. Citar o Evangelho Gnóstico de Felipe (apócrifo) para sustentar um dualismo bíblico não é adequado. Não por ser apócrifo, mas por ser gnóstico. A história dos textos gnósticos nos deixa tranqüilo para fazer tal afirmativa. Só por curiosidade, nesse mesmo evangelho Jesus é casado com Maria Madalena.

      3. Carreira Neves diz o que ele quiser, assim como Inri diz que é Jesus Cristo. Isso nada quer dizer sem que saibamos os fundamentos. E pelo que sei, sendo mais radical que a própria escola moderna histórico-crítica do povo de Israel, acho complicado ele sustentar tal ponto de vista. No mínimo, relativamente à ciência histórica, quando não podemos falar nada sobre determinado evento por só termos o texto bíblico como fonte, ele prefere não levar em conta tal fonte; só isso.

      4. Verdade objetiva e Verdade perfectível não são termos opostos.

      5. Também não é adequado contrapor, da maneira como foi feita, I Samuel 2:8 e Jó 26:7. Primeiro, porque não se compara, dessa maneira, duas metáforas. Segundo pelo fato de um ser livro histórico e o outro sapiencial poético. A análise deve ser outra. Bem mais interessante de notar é que a afirmação “faz pairar a terra sobre o nada” implica algo que só que só foi “descoberto” depois das primeiras imagens de satélites enviados ao espaço, enquanto o Livro de Jó data entre 4.000 e 3.000 a.C.

      6. “A bíblia interpreta a bíblia” significa interpretação sistemática, o que, certamente não é, nem pode ser a única forma de interpretação.

      7. Quanto à doutrina da inerrância e da inspiração plena, estou fora. Tem muito pano pra manga e exige determinados fundamentos não discutíveis, justamente por serem fundamentos: “Quem quer que se disponha a discutir o que quer que seja deveria sempre começar dizendo o que não está em discussão. Além de declarar o que se quer provar é preciso declarar o que não se quer provar”. (Chesterton)

      Abraço a todos.

  11. Jurandir Alves Nicáco Diz

    Sobre a Teologia Relacional que apregoa o desconhecimento de Deus sobre o fututo, os defensores dessa heresia esquecem que a conjugação verbal pretérita ou futura é condição relativa a vida temporal humana. Para Deus, não existe passado ou futuro, porque para Ele TUDO É PRESENTE. O meu passado é prsente para Deus, assim como o meu futuro também é presente para Deus.

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