Thomas Watson – As Piores Coisas (8/8)

Um trecho do sermão “A Divine Cordial” (Um Tônico Divino)- 1663

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“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.” (Romanos 8:28)

4. O mal do PECADO coopera para o bem daqueles que temem a Deus.

O pecado em sua própria natureza é condenável – mas Deus em Sua infinita sabedoria faz com que coisas boas venham daquilo que parece se opor a elas. Realmente, é de se admirar, que algum mel saia desseleão! Nós podemos entender isso de duas maneiras.

(4.2). A sensação de sua própria pecaminosidade, será  governada para o bem dos servos de Deus.

Apesar dos nossos próprios pecados deverem cooperar para o bem. Isto deve ser entendido cuidadosamente, quando digo que os pecados dos crentes cooperam para o bem – isso não significa que haja o mínimo de bondade no pecado. Pecado é como veneno, que corrompe o sangue, e infecta o coração; e, sem um antídoto soberano, o pecado sempre causa a morte. Tal é a natureza peçonhenta do pecado – ele é mortal e condenável. O pecado é pior que o inferno. Mas ainda assim Deus, pelo Seu poder soberano, faz com que os resultados do pecado se transformem em bem para o Seu povo. Lembrem-se aquele grande ditado de Agostinho, “Deus nunca permitiria o mal – se Ele não pudesse trazer bem do mal.” A sensação de pecaminosidade  nos santos, coopera para o bem em várias maneiras.

(4.2.1). O pecado os torna fatigados dessa vida.

O pecado dos homens de Deus é triste; mas é o fato de ser o fardo deles – é bom. As aflições de Paulo (perdoem-me a expressão) não passavam de brincadeira de criança para ele – em comparação com os seus pecados! Ele transbordava de júbilo em sua tribulação (2 Cor. 7:4). Mas como esse pássaro do paraíso chorava e se entristecia com seus pecados! “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Um crente carrega seus pecados como um prisioneiro carrega sua algemas; oh, como ele anseia pelo dia do seu livramento! Esse sentido do pecado é bom.

(4.2.2). Essa habitação da corrupção faz os santos valorizarem mais a Cristo.

Quão bem vindo é Cristo para aquele que sente seu pecado como um homem doente sente a sua doença! Quão preciosa é a serpente de ouro para aquele que se sente incomodado com o pecado! Quando Paulo tinha lamentado seu corpo da morte – quão grato ele era por Cristo! “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Romanos 8:25). O sangue de Cristo salva do pecado, e é o sagrado ungüento que mata essa doença morta do pecado.

(4.2.3). Esse entendimento do pecado coopera para o bem – de maneira a ser uma ocasião de colocar a alma sobre seis deveres especiais:

a) O Pecado coloca a alma em uma auto-análise.

Um Filho de Deus sendo consciente do pecado pega o lampião e lanterna da Palavra, e procura em seu próprio coração. Ele deseja conhecer o pior de si mesmo; como um homem em um corpo adoecido deseja saber o pior de sua doença. Apesar das nossas alegrias se basearem no conhecimento de nossas graças – ainda assim existe algum beneficio no conhecimento de nossas corrupções. Portanto Jô ora, “Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.” (Jô 123:23). É bom conhecer nossos pecados – para que nós não elogiemos a nós mesmos, ou pensemos que nossa condição é melhor do que realmente é. É bom descobrir nossos pecados – para que eles não nos descubram!

b) O pecado coloca um filho de Deus em uma auto-humilhação.

O pecado é deixado no homem de Deus – como um câncer de mama, ou um caroço nas costas – para impedi-lo de ser orgulhoso. Cascalhos e lama são bons para alastrar um navio, e impedi-lo de virar de ponta cabeça; o entendimento do pecado ajuda a alastrar a alma, que ele não afunde com orgulho. Nós lemos sobre as “manchas nos filhos de Deus” (Deut. 32:5). Quando um homem de Deus contempla sua face através dos óculos das Escrituras – ele vê as manchas do orgulho, luxúria e hipocrisia. Elas são manchas que os tornam humildes – e faz com que as plumas do orgulho caiam! Esse é um bom uso que pode ser feito até mesmo de nossos próprios pecados, quando eles geram pensamentos ruins de nós mesmos. Melhor é o pecado que me torna humilde – do que o serviço que me deixa orgulho! Holy Bradford exclamou essas palavras dele mesmo, “Não sou nada além de um hipócrita pintado”; e Hooper disse, “Senhor, eu sou o inferno – e Você é o paraíso”.

c) O pecado coloca um filho de Deus em um auto-julgamento.

Ele estabelece uma sentença sobre ele mesmo. “Sou demasiadamente estúpido para ser homem” (Provérbios 30:2). É perigoso julgar os outros – mas é bom julgar a nós mesmos. “Mas se julgássemos nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Cor. 11:31). Quando um homem julga a si próprio, Satã é coloca pra fora. Quando Satã deixa qualquer coisa nas mãos de um santo, ele pode dizer, “É verdade, Satã, eu sou culpado desses pecados; mas eu julguei a mim mesmo e já os encontrei; e tendo condenado a mim mesmo no tribunal da minha consciência, Deus irá me absolver no tribunal dos céus”.

d) O pecado coloca um filho de Deus em um auto-conflito.

Nosso Espírito combate nossa carne. “A carne milita contra o Espírito” (Gal. 5:17). Nossa vida é uma jornada a pé – e uma jornadaem guerra. Ocorreum duelo que é combatido todos os dias entre duas sementes. Um crente não pode permitir que o pecado vença. Se ele não consegue deixar de pecar, ele irá pecar menos; apesar dele não poder vencer o pecado – ainda assim ele está vencendo. “Para o vencedor” (Apo. 2:27).

e) O pecado coloca um filho de Deus em uma auto-observação.

Ele sabe que o pecado é um grande traidor, portanto ele observa a si mesmo cuidadosamente. Um coração súbito e fácil de enganar necessita de um olho atento. O coração é como um castelo que está sempre em perigo de ser atacado; isso faz o filho de Deus estar sempre alerta, e manter sempre uma guarda sobre seu coração. Um crente tem um olho rigoroso sobre si mesmo, a não ser que ele caia em um pecado escandaloso – e então abra uma brecha que permita que todo seu conforto saia.

f) O pecado coloca a alma em uma auto-reforma.

Um filho de Deus não somente descobre o pecado – mas também expulsa o pecado! Um pé ele coloca sobre o pescoço de seus pecados – e o outro ele “volta para o testemunhos de Deus” (Salmos 119:59). Apesar dos pecados do povo de Deus cooperarem para o bem. Deus faz dos males dos santos – seus remédios.

Mas não deixe que alguém abuse dessa doutrina. Eu não digo que o pecado coopere para o bem de uma pessoa impenitente. Não, ele coopera para a sua condenação! O pecado somente coopera para o bem daqueles que amam a Deus; e vocês que são tementes a Deus, eu sei que vocês não vão tirar uma conclusão errada disso – ou tornar o pecado uma coisa leve, ou se encher de pecado. Se vocês o fizerem, Deus fará isso custar caro! Lembrem-se de Davi. Ele se aventurou presunçosamente no pecado, e o que ele recebeu? Ele perdeu sua paz, ele sentiu os terrores do Todo-Poderoso em sua alma, apesar de ter tido toda ajuda para a alegria. Ele era um rei; ele tinha habilidades na música; mesmo assim nada poderia trazer conforto para ele; ele reclama de seus “ossos esmagados” (Salmos 51:8). E mesmo ele tendo saído finalmente daquela nuvem negra – ainda assim ele nunca recuperou completamente sua alegria até o dia de sua morte. Se qualquer um do povo de Deus brincar com o pecado, pois Deus pode torná-lo em algo bom; apesar do Senhor não condena-los – Ele pode mandá-los para o inferno nesta vida. Ele pode colocá-los em tão grande agonia e convulsões da alma, como pode enchê-los de terror, e faze-los ficar a beira do desespero. Que essa seja a espada flamejante que os impedirá de se aproximar da árvore proibida!

E apesar de eu ter mostrado que as piores coisas, através da mão soberana do grande Deus – cooperam para o bem dos santos.

Novamente eu lhes digo – não façam pouco caso do pecado!

Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson

Tradução: voltemosaoevangelho.com

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11 Comentários
  1. Alexandre Diz

    Paz e graça Vinicius

    E ae… vamos ter a compilação dessas postagens? rsrs

    To aguardando … e aproveito para mais uma vez parabenizar por textos tão edificantes!!
    Deus te abençoe!!!!

  2. Ricardo Garcia Diz

    Muito obrigado por essa série, me edificou bastante.

    Deus abençõe toda equipe do ve.

  3. Danielle Diz

    Uma Bênçãoooo esse sermão!!!
    Também aguardo o pdf.

    Que Deus continue abençoando e ungindo a equipe do VE

    1. Pb.Ismael Diz

      a paz é gratificante poder ler esses esbouços nos traz verdades que liberta.muito obrigado Deus abençoe voces todos.fiquem com Deus.

  4. DANIEL SANTANA Diz

    DEUS É INFINITAMENTE MARAVILHOSO GRAÇAS A DEUS PELO SEU DOM GRATUÍTO.

  5. Victor Renan Diz

    Graça e Paz, irmãos do VE.

    Aguardando o pdf.

    Deus abençoe a todos!

  6. Jonatas Diz

    Ainda estão devendo o ebook desse trecho de sermão,

    rsrsrs

    Se for possível disponibilizar ;)

  7. Randel Diz

    Queridos, só para dar um toque, nos subtítulos “b”, “c”, “d”, “e”, a palavra “alto” se escreve com “u” no lugar do “L” nos seguintes trechos ”
    alto-humilhação”, ”
    alto-julgamento “, ”
    alto-conflito”, ”
    alto-observação ” respectivamente. Sei que isso pouco importa e não modifica o conteúdo da palavra, mas senti o desejo de notificá-los. Deus continue os abençoando!

    1. Vinícius Musselman Pimentel Diz

      Que erro feio. Obrigado por apontar =]

  8. luciano Diz

    Um crente não pode permitir que o pecado vença. Se ele não consegue deixar de pecar, ele irá pecar menos; apesar dele não poder vencer o pecado – ainda assim ele está vencendo. “Para o vencedor” (Apo. 2:27).

    Não entendi essa parte. Como eu irei pecar menos caso não consiga parar de pecar? Como estarei vencendo se não puder vencer o pecado? Achei muito confuso (e perigoso) esse trecho. Caso alguém leia isso e tire uma conclusão estranha, pode ser fatal. Gostaria de uma explicação.

    No resto, excelente sermão, parabéns para os tradutores e todos que participaram desse trabalho, que Deus os fortaleça e os empenhem para mais boas obras como essas. Amém.

    1. Vinícius S. Pimentel Diz

      Luciano,

      Embora o jogo de palavras do Watson possa, de fato, causar alguma confusão, ele está se referindo a uma doutrina muito simples e básica da fé cristã: o ensino de que o verdadeiro crente possui uma nova natureza liberta da ESCRAVIDÃO e do PODER do pecado, mas continua a estar sob a PRESENÇA do pecado. É por causa da presença desse “pecado que habita em nós” que os crentes, embora santos, continuam a pecar nesta vida.

      Os puritanos (como Watson) costumavam se referir a essa doutrina com a expressão “resquícios de pecado”, “reminiscências de pecado” ou “pecado residente” (do inglês “indwelling sin”, numa clara alusão a Romanos 7).

      Embora os ímpios e falsos crentes certamente possam utilizar-se dessa verdade de maneira errada (como, aliás, fazem com toda doutrina verdadeira e sã), o fato é que compreender a existência do “pecado que habita em nós” tem pelo menos uma grande utilidade prática para o cristão: ela nos faz desejar, ardentemente e até com lágrimas, a vinda do Senhor Jesus, da qual resultará a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Esse é claramente o argumento de Paulo em Romanos 8.19-25.

      Em outras palavras: perceber a persistência do pecado no meu ser regenerado me faz ansiar pelo Dia em que o meu Salvador me dará um corpo glorificado e removerá, de uma vez para sempre, a presença do pecado que ainda hoje habita em mim.

      Espero ter ajudado. =]

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