Jonas Madureira – Apologética no Cotidiano Pastoral

Download (PDF) – Cedido gentilmente por Jonas Madureira

Por que a apologética é importante para o cotidiano pastoral? Porque a bíblia diz que o pastor deve pregar a reta doutrina, bem como defendê-la das heresias. (Tito 1:6-9; 1 Timóteo 4:12-16; 1 Timóteo 1:3; 2 Timóteo 4:1-4). O ministério pastoral está intimamente ligado com a capacidade de ensinar.

Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.  (Tito 1:6-9)

Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. (1 Timóteo 4:12-16)

Como te roguei, quando parti para a macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina, (1 Timóteo 1:3)

Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. (2 Timóteo 4:1-4)

O que está em foco no ministério do pastor é o ensino e aquilo que está sendo ensinado. Mas hoje em dia vemos pouca preocupação com relação a isso. A capacidade do ensino é um pré-requisito fundamental ao ministério.

Como Dietrich Bonhoeffer ressalta na nota 20 do livro “Discipulado”:

A disciplina doutrinária é distinta da disciplina eclesiástica da seguinte forma: esta é consequência da sã doutrina, e que vale dizer, do uso correto do Evangelho, enquanto que aquela se dirige expressamente contra o abuso da doutrina. Por doutrina falsa se deteriora a fonte de vida da igreja e da disciplina eclesiástica.

Por isso, pesa mais o pecado contra a doutrina que o pecado contra a disciplina cristã. Quem rouba da igreja o Evangelho merece condenação irrestrita; quem, porém, peca em sua conduta, para esse existe o Evangelho. Disciplina doutrinária refere-se, em primeiro lugar, aos ministros encarregados de ensinar o Evangelho na igreja.

A condição prévia para tanto é que, para o exercício do ofício, haja o cuidado de que o responsável pelo ofício seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2; 2 Tm 2.24; Tt 1:9), também “idôneo para instruir a outros” (2 Tm 2.2)

Temos medo de quando algum jovem entra no seminário, pensando que irá deixar de orar ou se desviar da fé. Isso ocorre normalmente porque o jovem já tem dúvidas não resolvidas em relação às doutrinas fundamentais do cristianismo, graças à cultura dos dias de hoje de que afirmar a verdade e rejeitar o falso é uma postura orgulhosa e fundamentalista. Estamos em um contexto onde a afirmação da doutrina está sendo sequestrada.

Quando não conhecemos a verdade, o que sobra de nosso discurso pastoral é mera retórica. Oratória e retórica são importantes, mas sem doutrina elas são vazias, pois é a verdade que liberta. Devemos falar a verdade e a doutrina mesmo que as pessoas não entendam. Isaías e Jeremias foram enviados em uma missão fracassada de pregar a verdade, pois Deus já havia dito que não iam ser ouvidos. Nossa missão é ser fiel e pregar a verdade. Além da aptidão para ensinar, aquele de detém o ofício do ensino precisa de aptidão para defender a fé cristã.

Se não nos atermos a doutrina, caímos no que Lewis chama de “cristianismo água-com-açúcar”, algo mais simplista que o próprio ateísmo, segundo o mesmo. “Cristianismo água-com-açúcar” é aquele que nega a necessidade de crescer em conhecimento em detrimento da vida prática pastoral.

Por fim, em nossa caminhada de conhecer a verdade é preciso ter a coragem para aprende a sofrer. É como aquele que saí à luz do dia, após longo tempo nas trevas. A luz inicialmente o cega. E esse é o período quando você vê que tudo o que você sabia era errado, e você percebe que tem muito a aprender. Mas com o tempo a pessoa se acostuma com a luz e passa a enxergar melhor. Assim o é com todo que prossegue na busca da verdade, em Cristo.

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2 Comentários
  1. Virginiaborgescampos Diz

    Gostaria de compartilhar o qto esta pequena mensagem me esclareceu, haja visto que a diferenciação entre disciplina eclesiástica e a disciplina doutrinaria era desconhecida para mim e todo o conhecimento cristão aprendido gera luz, afastando a escuridao da ignorância.
    Louvado seja o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Virginia

  2. Rodrigues Pontes Diz

    Ótimo texto de Jonas Madureira. Como sempre Madureira trazendo discussões que são relevantes para os nossos dias. Na verdade, o que vemos nas igrejas, é um total desinteresse dos líderes cristãos em apresentar uma apologética eficiente, que traga grandes reflexões e esclarecimentos para os membros das igrejas, em vez disso é preferível uma pregação superficial, sem gosto teológico. A boa teologia não é a preocupação, e nem é o centro do quadro eclesiástico. Os ensinamentos de Paulo a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”, não são mais  os ensinamentos dos pastores para as ovelhas. Diante desse quadro de decadência doutrinária e apologética, a igreja sofre, por não ter grandes respaldos teológicos e filosóficos para responder as cosmovisões pós-modernas. O que nos resta então, é pensar no que disse Alister McGrath: ” ser cristão, não é cometer suicídio intelectual”.
     A paz e graça para todos!

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