Sua Missão: Jesus nos Evangelho de Lucas #TGC13

A conferência do The Gospel Coalition tratou do tema  “Sua Missão: Jesus nos Evangelho de Lucas”. Houve vários workshops e plenárias. Abaixo trazemos um pequeno resumo das plenárias expositivas, as quais expuseram trechos de Lucas.

Jesus, o Filho de Deus, o Filho de Maria (John Piper) – Lucas 1.26-38; 2.1-21

Jesus, o Filho de Deus, o Filho de Maria (John Piper) – Lucas 1.26-38; 2.1-21

Antes da passagem, precisamos entender a razão pela qual Lucas está escrevendo esta passagem. Ele quer que Teófilo tenha certeza (ἀσφάλειαν) das coisas que ele foi ensinados.  Teófilo, assim como nós, foi ensinado sobre várias coisas. Mas Lucas quer que tenhamos certeza das coisas concernentes a Jesus Cristo. Esta palavra: “certeza” quer dizer estar a salvo de outras doutrinas ruins. A verdade deve sempre estar firme e segura em nossas mentes.

Lucas sabia qual o tipo de conhecimento que sustêm a fé Cristã. Ele havia visto as costas feridas de Paulo. Ele era o médico de Paulo e viu tudo que Paulo passou pelo supremo conhecimento de Cristo (Fp 3.8).

Como então ter certeza das coisas de Jesus e andar como este Paulo? A primeira forma que Lucas faz é comprar João Batista e Jesus Cristo. Mas o esboço desta passagem nos mostra que Lucas usa 4 pontos implícitos para colocar esta certeza em Teófilo:

1. Deus

Durante todo o Livro, Deus é louvado: “seu filho será grande perante o Senhor”, “minha alma magnifica o Senhor”, “você irá perante o Senhor,” “Jesus é apresentado perante o Senhor”. O Senhor está no livro inteiro e várias vezes nestes capítulos. Você quer começar a ter certeza das coisas concernentes ao evangelho, saiba que começa com Deus, o Senhor.

2. Jesus

Teófilo perceberia que em 1.33 que Jesus reinaria para sempre sobre a casa de Jacó. Este Jesus não teria de nascer de novo, pois já nasceu de acordo com o Espírito, ao contrário de nós que nascemos da carne e nascemos de novo.

Mais a frente em Lucas 1.43 temos algo impressionante. “O Senhor” foi mencionado até então e outras vezes mais para se referir a Deus Pai. Entretanto, aqui vemos o uso do termo para o filho de Maria. Também se cumpre essa realidade quando em 2:11 Jesus é chamado de Cristo, o Senhor!

Lucas quer que Teófilo tenha essa certeza de que Jesus é o Senhor.

3. Salvação

Teófilo deve saber que este Jesus irá salvar o seu povo.  Novamente em 2.11, o Jesus, SENHOR é também o Salvador. O tão “grande e excelente” Teófilo de Lucas 1:4 precisa entender que ele é pecador.

Teófilo se perguntaria, como este Jesus perdoaria estes pecados. Ele olharia para Jeremias 31:33 e não entenderia. Porém, ao ler o evangelho todo, ele entenderia que é através do sangue de Jesus, o sangue da nova aliança de Jeremias 31. Jesus explicou essa nova aliança na santa ceia.

Como então entrar nesta nova aliança? É o quarto ponto de Lucas.

4. Fé

Lucas quer que Teófilo entenda seu evangelho como verdade histórica e não um mito, mas ele precisa aprender como responder a essa verdade histórica. Para isso, Lucas coloca as resposta de Maria e de Zacarias perto uma das outras. Maria responde com alegria, fé e humildade ao anuncio da realidade de um Salvador. Já Zacarias respondeu com incredulidade.

O “excelente Teófilo” deve perceber que ele, assim como Maria, deve se humilhar debaixo da poderosa mão de Deus, não confiar em sua excelência e crer.

Jesus desprezado (Colin Smith) – Lucas 4.16-30

Jesus desprezado (Colin Smith) – Lucas 4.16-30

Quatro marcas do ministério de Jesus:

  1. Jesus pregava as Escrituras. Jesus mostrava que ele era o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Como diz J.I. Packer: “O propósito da pregação é mediar encontro com Deus.” Era exatamente assim que Jesus pregava.
  2. Jesus fala diretamente à condição humana. Jesus mostra que ele é a verdadeira liberdade para aqueles que acham estar livres, mas são cativos do pecado e a verdadeira visão para aqueles que acham que veem, mas são cegos.
  3. Jesus prega a si mesmo. “O Espírito do Senhor está sobre Mim.” “Está profecia está cumprida em Mim.” “Os olhos de todos estavam fixos nEle.”
  4. Jesus proclamava graça. Jesus veio proclamar o ano do favor do Senhor. Segundo a lei, a cada sete anos todas as dívidas eram perdoadas (Dt 15) e as terras voltariam a seus donos principais (Lv 25). Como um credor e um devedor veriam esse dia? O devedor se veria livre das suas dívidas e o credor, a menos que confiasse em Deus, não gostaria desse dia. Contudo, diante de Deus somos todos devedores de Deus e em Cristo temos o ano do favor de Deus cumprido: Ele cancela a dívida (Col 2). Quando Jesus proclamou essa mensagem, alguns se maravilharam com suas palavras graciosas (4.22), mas outros se encheram de ira (4.28). A graça de Deus terá este resultado com quem entende que Deus nos deve algo. Contudo, graça pressupõe que não mereceremos nada e que Deus não nos deve nada.

O poder transformador de Jesus em favor dos Aflitos (Crawford Loritts) – Lucas 8.26-56

O poder transformador de Jesus em favor dos Aflitos (Crawford Loritts) – Lucas 8.26-56

O que fazemos quando estamos desesperados?

Há partes comuns que podemos ver nessas histórias:

  1. O endemoniado, a mulher e a filha de Jairo não tinha controle sobre suas histórias. Todos os três encontram Jesus. Apesar das ansiedades e dificuldades – o desespero os leva a Jesus.
  2. As histórias nos mostram que Jesus é Senhor sobre os demônios, as doenças e a morte.
  3. As histórias declaram a glória de Deus. 100% das pessoas que Jesus curou morreram. A questão não é vida perpétua, mas a declaração dos propósitos soberanos de Deus.
  4. As histórias são sombras da cruz. A mulher que toca a Jesus nos ensina sobre nossa purificação, a expulsão dos demônios sobre a derrota do império das trevas e a filha de Jairo sobre nossa ressurreição em Cristo.

4 Lições a partir de Lucas 8:26-56

  1. Nossa fé só crescerá em proporção com o nosso desespero. Fé nunca é teórica. Não existe fé sem oposição. O que cria a fé é o ambiente de desespero.
  1. Sofrimento e inadequação são nossos amigos. Quebrantamento não é fraqueza, mas é um senso permanente da necessidade de Deus. Nosso maior amigo é o entendimento que estamos sempre necessitados. Nosso amigo é o senso que não podemos fazer nada.
  1. Jesus quer colocar vida nas minhas circunstâncias de morte.
  1. Não existe pessoa ou circunstância que está além do alcance do nosso Salvador.

Jesus resolve ir para Jerusalém (Don Carson) – Lucas 9.18-62

Jesus resolve ir para Jerusalém (Don Carson) – Lucas 9.18-62

Lucas organiza seu evangelho de forma que tudo o que vem depois de Lucas 9.51 deve ser lido tendo em consideração a resolução de Cristo de ir para Jerusalém, morrer em uma cruz e ressuscitar no terceiro dia: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém.” (51).

Jesus é o Messias não compreendido:

  1. Jesus é o Messias, mas este Messias deve morrer e ressuscitar. Pedro (e a multidão) não possuía a categoria em sua mente de um Messias que sofreria e morreria (22). Ele enxergava um Rei Ungido, um Conquistador militar. É por isso que Jesus afirma que eles não deviam declaram que ele era o Messias (20, 21). Eles precisavam aprender quem era o Messias. E esse Messias que iria morrer em uma cruz, convida seus seguidores a tomarem também a sua cruz (23-27).
  2. Jesus é um profeta como os profetas do Antigo Testamento, mas maior  – Ele é o Filho de Deus. Pedro não entendeu isso no monte da transfiguração, por isso Deus interveio e disse: “este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi” (28-36).
  3. Jesus tem poder sobre doenças e demônios, mas ele logo irá partir (37-45).
  4. Os discípulos não entenderam nada sobre morte e sofrimento, mas estavam pensando sobre quem seria o maior (46-48). Os discípulos queriam estar pertos de Jesus, pois o consideravam grande, mas Jesus os desafia a acolherem uma criança – quem acolhe uma criança não está buscando posição. Além disso, eles não queriam que houvesse competição nessa busca de posição (49-50)
  5. Jesus resolve ir para Jerusalém, cumprir sua missão, e os discípulos não entenderam o propósito salvífico de Cristo e queriam então destruir os samaritanos que não receberam a Cristo (51-56). Os discípulos ignoravam que eles iriam todos abandonar a Cristo – deveria Cristo mandar descer fogo dos céus sobre eles? –, que a multidão buscaria a morte de Cristo – deveria Cristo mandar descer fogo dos céus sobre eles? – e que ele morreu por nosso pecado – deveria Cristo mandar descer fogo dos céus sobre todos nós?)

Lendo alguns textos de Lucas (após 9.51) tendo em vista a firme resolução de Cristo de ir para Jerusalém:

  • Sua identidade não está atrelada a seu ministério, mas a sua eleição, assegurado por Cristo na cruz (Lc 10:20)
  • Na parábola do bom samaritano, vemos o intérprete da Lei tentando se autojustificar (autojustificação é um tema constante em Lucas – por exemplo: 18.14), se opondo a justificação pela fé naquele que resolveu firmemente ir para Jerusalém.

Conclusões:

  1. Jamais separemos o ensino de Cristo com sua morte expiatória na cruz;
  2. Jamais achemos que Lucas não está interessado na expiação;
  3. Não podemos ler adequadamente o livro de Lucas se não vermos a firme resolução de Jesus de ir para Jerusalém.

Jesus e os perdidos (Kevin DeYoung) – Lucas 15.1-32

Jesus e os perdidos (Kevin DeYoung) – Lucas 15.1-32

1 coisa que precisamos saber se queremos entender essa parábola

O contexto: há um motivo para Jesus contar essas parábolas. Algo aconteceu: publicanos e pecadores estavam se achegando a Cristo, enquanto os fariseus e escribas murmuravam.

2 coisas que devemos saber sobre Deus

O ponto principal é aprender algo sobre o caráter de Deus, o principal personagem das histórias.

Ponto menor: Deus busca ativamente a pecadores (o pastor busca a ovelha, a mulher busca as moedas, o pai corre até o filho). Em qualquer lugar há uma pessoa que está buscando o perdido mais ativamente que qualquer missionário e evangelista: Deus.

Qual a missão da sua igreja? Entender a missão de Cristo transforma nossas prioridades. E a missão de Cristo era: “porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Não podemos nos esquecer de que há pessoas perdidas no mundo, em nossas cidades, em nossas famílias; e, assim como Cristo, precisamos ter uma paixão para buscá-las.

Ponto maior: Deus não só busca ativamente a pecadores, mas se alegra quando os encontra (ao contrário dos fariseus). Cada parábola acaba com alegria divina, e uma alegria divina pública – há algo na alegria que foi feito para ser extravasada. Há alegria divina sobre pecadores que se arrependem.

3 coisas que devemos fazer como resultado do que vimos sobre Deus

  1. Estejamos conscientes da necessidade de ter tanto relacionamentos, como chamar as pessoas ao arrependimento. Precisamos ser como Cristo, amigo de pecadores, mas também os chamava ao arrependimento. Não devemos pensar em relacionamentos com incrédulos primariamente como algo perigoso, mas como uma oportunidade evangelística. O poder transformador de Cristo é maior que o poder contaminador do mundo. É certo que nisso tudo é necessário sabedoria.
  2. Estejamos comprometidos em buscar todos os tipos de pessoas perdidas. Há dois filhos perdidos na parábola, tanto o novo, como o mais velho. É a parábola do pai compassivo e dos seus dois filhos perdidos. Ambos precisam de graça e precisamos estendê-la a ambos.

“É possível ser antifariseu de uma forma muito farisaica.” (Kevin DeYoung)

  1. Sejamos marcados em nossas vidas e em nossas igrejas por uma profunda experiência e expectativa da alegria. O Reino não está presente quando a alegria está ausente. Você perdeu a alegria da sua salvação? Você sabe quão alegre Deus está com aquele que se arrepende e com aquele fiel que nunca se desviou? A alegria o aguarda do outro lado do arrependimento, mas para isso você precisa saber que está morto para poder reviver e perdido para poder ser achado.

Jesus e Dinheiro (Stephen Um) – Lucas 16.1-15

Jesus e Dinheiro (Stephen Um) – Lucas 16.1-15

Jesus falou muito sobre dinheiro. Ele falou sobre os perigos do dinheiro e da avareza mais do que sobre o pecado sexual. A avareza é tão perigosa, pois ninguém acha que é ganancioso. Quando foi a última vez que você orou para Deus livrá-lo desse pecado?

O perigo do dinheiro

O perigo do dinheiro é que ele pode se tornar (1) sua segurança, (2) seu mestre e (3) seu amante.

(1) Segurança

Após, assim como o filho pródigo, o administrador infiel gastar de forma indevida o dinheiro do seu mestre e ser demitido, ele ficou nervoso ao perder seu emprego, pois sua segurança estava no dinheiro. Pergunte a si mesmo, se isso fosse tirado de você, sua vida perderia sentido? Onde está sua esperança? O que você teme? Onde você encontra segurança e conforto? Você confia no seu dinheiro ou em Deus?

Devemos nos lembrar de que a Bíblia não fala contra investimentos, mas contra investimentos ruins. Você, em sua mordomia cristã, está investindo o dinheiro do seu Mestre de forma a aumentar as riquezas divinas ou gastando em seus próprios prazeres? Deus tudo criou e tudo lhe pertence, logo não somos donos de nossas finanças e má administração dos recursos divinos é roubo.

(2) Mestre

Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. Não podemos servir a Deus com nossas finanças se o dinheiro é nosso mestre. Quais são suas prioridades? Para quê você trabalha tanto?

(3) Amante

O dinheiro exige um relacionamento de amor. Quando não somos generosos com nosso dinheiro, estamos traindo a Cristo em um adultério com o dinheiro.

O administrador foi elogiado não pode ter gastado o dinheiro de seu mestre, mas porque pensou no futuro e buscou ser recebido nas casas de outras pessoas. Se os filhos deste mundo pensam em seu futuro e tentam garanti-lo, quanto mais os filhos de Deus devem administrar suas finanças com o futuro em mente, com o dia em que o mestre pedirá conta de tudo o que fizemos no corpo.

Criação: Deus tudo criou e tudo lhe pertence, então má administração dos recursos divinos é roubo.

Queda: O pecado nos leva a servir ao dinheiro no lugar de servir a Deus com nosso dinheiro.

Redenção: Somos resgatados do amor às riquezas para nos relacionarmos com Cristo, o qual nos diz para sermos generosos, ajudando o próximo; assim, toda vez que somos avarentos estamos adulterando.

O uso do dinheiro motivado pelo Evangelho

O mundo aceita as pessoas com base em suas riquezas, mas Deus busca o perdido e destituído. Deus conhece e olha para o coração. Sendo assim, não precisamos nos autojustificar diante de Deus através de nossas finanças, mas podemos confiar na justiça que vem de Deus pela fé.

Dessa forma, podemos usar o dinheiro como pessoas redimidas, reconhecendo que (1) devemos, (2) precisamos e (3) buscamos ser generosos.

Onde você tem investido seu dinheiro? Você tem considerado que um dia prestará conta de tudo?

Jesus, traído e crucificado (Gary Millar) – Lucas 22.39-23.43

Em breve.

Jesus vindicado (Tim Keller) – Lucas 24:1-53

Em breve.

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