O debate sobre o sabá: o domingo puritano

Desde o tempo da Reforma até meados do século XX, a grande maioria dos cristãos protestantes mantinha uma visão bem estrita acerca da observância do domingo. Com a intromissão do liberalismo, o surgimento do dispensacionalismo e a presença ubíqua da televisão, essa prática declinou de tal modo que, hoje, apenas uma pequena minoria de cristãos no Ocidente mantém essa posição.

A maioria dos cristãos sustenta que o domingo é um dia de adoração, mas, uma vez que o mandamento do sabá [1] servia como sinal da aliança apenas para Israel (Êxodo 31.13ss.), o cristão não está obrigado a observá-lo.

O papel do sabá, contudo, não era peculiar à experiência de Israel; ele fora instituído por Deus antes da queda, em Gênesis 2.1-3. Ao lado do trabalho (Gênesis 1.28; 2.15) e do casamento (Gênesis 2.18-25), Deus instituiu o sabá para governar a vida de toda a humanidade. Assim como as ordenanças do trabalho e do casamento são permanentes (e estão incorporadas aos Dez Mandamentos), assim também acontece com a ordenança do sabá. Com efeito, observe que Deus fundamentou o mandamento do sabá na ordenança criacional do sabá (Êxodo 20.11).

Deus instituiu a celebração do sabá tanto por seu exemplo como por suas palavras de instituição. Primeiro, ele estabeleceu o princípio da guarda do sabá ao descansar no sétimo dia: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito” (Gênesis 2.2). O termo sabá é derivado da palavra “descansou” no versículo 2. Ao descansar no sétimo dia, o próprio Deus estabeleceu o princípio e a prática da observância do sabá. A fim de compreender a ordenança do sabá, é preciso primeiro considerar por que Deus descansou.

Primeiro, ao descansar, Deus declarava que a sua obra como criador estava completa: Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército” (Gênesis 2.1). As palavras céus, terra e exércitoincluem todos os resultados da obra criativa de Deus entre os dias primeiro e sexto.

O descanso de Deus, contudo, não era uma cessação de todo trabalho (João 5.17), pois ele continua a trabalhar enquanto governa os processos da vida e todos os aspectos da sua ordem criada. Ele também trabalhou ao efetuar a redenção e continua a trabalhar ao chamar o seu povo para si mesmo e santificá-los. Uma vez que ele continua a trabalhar, por que essa ênfase no descanso? Quando Deus descansou da obra da criação, ele declarou que havia completado perfeitamente a obra da criação e ordenou que a humanidade o adorasse como Criador dos céus e da terra.

Segundo, o descanso de Deus expressava o seu deleite na criação. Moisés amplificou esse conceito em Êxodo 31.17: “Entre mim e os filhos de Israel [o sabá] é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento”. (Observe a relação entre a observância do sabá por Israel e a ordenança criacional.) O que significa dizer que Deus “tomou alento”? Certamente Deus não precisava de descanso. O alento de Deus no sétimo dia era uma expressão da sua alegria ao contemplar a beleza e perfeição de toda a criação terminada no sexto dia (Gênesis 1.31). Assim como alguém recua para contemplar com prazer alguma coisa construída ou realizada, Deus “recuou” para contemplar a sua obra com prazer. Ao descansar no sabá, Deus refletiu acerca da beleza e glória de sua obra completa, alegrando-se nela.

Terceiro, ao descansar no sétimo dia, Deus ilustrava o descanso prometido (vida eterna) que ele providenciaria para o seu povo. Ele ofereceu vida (descanso eterno) a Adão e aos seus descendentes. Se Adão não houvesse caído em pecado, ele haveria entrado naquele descanso sem passar pela morte. Deus graciosamente não cancelou a oferta de descanso após a queda; em vez disso, ele renovou a promessa de vida, não por meio da obediência de Adão, mas por meio de um Redentor. Conforme o eterno propósito de Deus, o dia do descanso se tornou uma promessa e um lembrete semanal aos pecadores de que ele providenciaria redenção e descanso.

Ao descansar, portanto, Deus declarou que havia acabado a sua atividade criadora, assim mostrando ser ele o Criador todo-poderoso que tem autoridade e poder para governar a sua criação. Ele contemplou com alegria a obra terminada da criação. Ele chama as pessoas a buscarem o seu descanso nele, à medida que elas contemplam a sua bondade na beleza da criação e a sua misericórdia na oferta graciosa de redenção. Ele concede um antegozo do descanso eterno que pertence ao seu povo e promete a realidade da entrada em seu descanso eterno. Ao guardarem o sabá, os cristãos celebram que as obras de Deus na criação e na redenção foram acabadas. Eles contemplam a complexa beleza de suas obras, tomam alento na comunhão com Deus e antecipam a vida eterna com ele.

Havendo demonstrado essas verdades por seu próprio descanso, Deus explicitamente consagrou o sétimo dia para que o homem guardasse o sabá: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera” (Gênesis 2.3). Nessa dupla ação de abençoar e santificar o dia, Deus instituiu o padrão de seis dias de trabalho e um sétimo dia de descanso.

Alguns sugerem que Deus abençoou o seu descanso eterno, não o sétimo dia. No mandamento do sabá, contudo, Deus especificamente abençoou o sétimo dia no ciclo semanal, estabelecendo a responsabilidade dos crentes de santificarem o sétimo dia na sua bênção do dia do sabá: “por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êxodo 20.11).

Ao abençoar o dia, Deus atribuiu o seu propósito especial. Quando Deus abençoou alguma coisa no relato da criação, ele estabeleceu o seu propósito e dotou a coisa criada da habilidade de cumprir aquele propósito. Por exemplo, quando Deus abençoou os animais em Gênesis 1.22, ele estabeleceu o seu propósito de que eles multiplicassem e enchessem a terra e os dotou da inclinação e da habilidade de procriar, de modo que eles pudessem cumprir tal propósito. A mesma coisa é evidente na bênção de Deus sobre o homem (Gênesis 1.28). Por semelhante modo, quando Deus abençoou o sétimo dia, ele lhe deu propósito e a habilidade de cumprir aquele propósito.

Além disso, ele prometeu àqueles que seguissem o seu exemplo de descanso a cada sétimo dia que os abençoaria. Assim, ao abençoar o dia, ele fez do dia uma bênção para o homem. Certamente Cristo tinha essa bênção em mente ao dizer: “E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2.27). Para uma lista das bênçãos vinculadas ao sabá, veja Isaías 58.13-14.

O propósito de Deus em abençoar o dia fica mais claro quando se entende o significado de ele “santificar” o dia. Quando Deus santifica algo, ele separa aquilo de seu uso ordinário para um uso religioso especial conectado à sua adoração e ao seu serviço. Por exemplo, ele declarou sagrada ou santa a veste do sacerdote, o altar, o santuário, e toda a mobília e os utensílios usados primeiro no tabernáculo e, depois, no templo. Em virtude dessa santificação, essas coisas deveriam ser usadas apenas para os propósitos sagrados da adoração (Êxodo 30.37-38).

Como então os cristãos devem aplicar essa santificação do sétimo dia? A Bíblia requer que os cristãos observem um dia em sete ou são todos os dias iguais? Deve o domingo ser observado de acordo com o mandamento ou estão os cristãos livres para passar o dia como lhes agrade, contanto que cultuem? Eles podem sensatamente assumir que, do mesmo modo como Deus separou certas coisas para o seu uso e serviço especiais, ele separou o sétimo dia para o propósito especial da adoração e do culto. Isso não significa negar que os outros seis dias sejam santos e devam ser usados para a glória de Deus; os cristãos devem glorificar a Deus em tudo na vida. Contudo, ele estabeleceu o sétimo dia como um dia santo, separado para propósitos especiais.

Ao abençoar e santificar o dia, Deus comunicou a Adão e Eva, e por meio da Escritura a toda a humanidade, o princípio da guarda do sabá. Os cristãos devem tratar como santo aquilo que Deus declara santo, concluindo que a observância de um dia em sete é uma obrigação moral perpetuamente em vigor, por causa dessa ordenança criacional. O Novo Testamento demonstra que Deus mudou o dia do sétimo para o primeiro dia da semana (Colossenses 2.16-17; Atos 20.6-7; 1Coríntios 16.1-2; Apocalipse 1.10). Embora Deus tenha mudado o dia, a obrigação e o privilégio permanecem.

Portanto, o mandamento do sabá não é senão a extensão e a aplicação da ordenança criacional. Assim como as responsabilidades morais do casamento e do trabalho permanecem, a responsabilidade moral de guardar santo um dia em sete também permanece.


Nota:

[1] N.E.: Sabá é a transliteração em português do termo em hebraico. Alguns textos usam sábado ou sabbath (transliteração em inglês). Optamos por sabá por ser um termo em português e distinto do dia da semana. Contudo, não se deve confundir com a rainha de Sabá de 1 Reis 10:4.

[dt_vc_list style=”1″ dividers=”true”]Observação:

Este artigo é parte da série “Sabá: O Debate Incansável”, na qual serão publicados artigos defendendo diferentes posições para que nosso leitor tenha uma compreensão mais abrangente sobre o assunto. Sendo assim, a postagem de uma posição específica não indica o posicionamento oficial deste ministério. Veja a lista de artigos sobre o assunto:

  1. O debate sobre o sabá (sábado ou sabbath)
  2. O debate sobre o sabá: a guarda do sábado, o sétimo dia
  3. O debate sobre o sabá: o domingo puritano
  4. O debate sobre o sabá: o descanso luterano
  5. O debate sobre o sabá: o sábado cumprido em Cristo
  6. O debate sobre o sabá: descansar em Cristo é o principal

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Por: Joseph A. Pipa Jr.. © 2014 Minsitério Ligonier.

Este artigo faz parte da revista Tabletalk.

Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: O Sabá Puritano.

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13 Comentários
  1. Reynaldo Ferreira Diz

    Excelente estudo bíblico; parabens isso é tudo o que o povo de Deus precisa saber! Glórias a Deus!!!

  2. Amarildo Verli Diz

    Uma pergunta:Creio em Deus e em sua manifestação máxima ao homem, Jesus.Creio também que em nenhum outro há salvação.Creio na continuação da obra que Jesus iniciou através do Espírito Santo.Mas não guardo o sábado da forma como vcs estão defendendo.Eu estou salvo ou não?

  3. Luana Araújo Diz

    Querido irmão, em nenhum destes versículos apontados pelo estudo que vc sugeriu diz que Deus mudou o dia the guarda do sábado para o domingo. Analisemos:
    Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo. Colossenses 2:16-17. (Nada dando a entender que houve a troca dos dias, apenas ensinando sobre os dias de festividade que ocorriam a época, inclusive no dia de sábado, não se aplica sobre o sábado MANDAMENTO esta ordenança).
    Navegamos de Filipos, após a festa dos pães sem fermento, e cinco dias depois nos reunimos com os outros em Trôade, onde ficamos sete dias. No primeiro dia the semana reunimo-nos para partir o pão, e Paulo falou ao povo. Pretendendo partir no dia seguinte, continuou falando até à meia-noite. Atos 20:6-7. (Aqui Paulo só diz que se reuniu no domingo para uma celebração e avisou que partiria no dia seguinte, novamente NADA DIZ RESPEITO A MUDANÇA DO SABADO PARA O DOMINGO).
    ¶ Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas the Galácia.
    No primeiro dia the semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. 1 Coríntios 16:1-2 (Não há nada aqui também que de a entender que o domingo tomou o lugar santo do sábado, pelo contrário, sendo o domingo o primeiro dia the semana, as pessoas costumavam trabalhar neste dia, portanto a oferta já era retirada).
    Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta. Apocalipse 1:10 (No dia do Senhor, NÃO ESPECIFICOU O DIA, mas com certeza foi num sábado já q este é de fato o único dia do Senhor ao qual devemos guardar, visto que Jesus e os discípulos guardavam o sábado, qdo Jesus morreu na sexta feira santa, NEM O SEU CORPO FOI PREPARADO para que o sábado fosse respeitado e somente no domingo ele ressuscitou, para deixar o exemplo de obediência a lei. Ele poderia ter ressuscitado qdo bem entendesse, mas ressuscitou no domingo e guardou o sabado. (Lucas 23:54; João 19:14, Marcos 15:42, João 19:31). Por fim, deixo as palavras do próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo para que sirva de instrução e não contenda: Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo, até que o céu e a terra passem, nem um I ou um til jamais passará the Lei, até que tudo se cumpra.” Mateus 5:17-18.

  4. Caio Roberto Diz

    De acordo com a Bíblia o que é pecado?

  5. Marcelo Longo Diz

    Não concordo com o comentário que afirma que o NT demonstra que Deus mudou o dia de guarda do sétimo para o primeiro dia. Vamos analisar o contexto Bíblico dos textos que foram apresentados. Em Colossenses 2:14-16 Paulo comprova a quitação do “cheque pré-datado” que Deus assinou quando Adão e Eva transgrediram Sua Lei, personificada naquela árvore da ciência do bem e do mal(Gên. 2:17 ; 3:4,11). Na cruz, o cofre do banco do Céu abriu-se e Jesus pagou o cheque naquela sexta-feira, no dia 14 de Nisan do ano 31 d.C. com Sua dolorosa morte na cruz. Neste texto também, muitos teólogos focam com toda veemência o cancelamento do Sábado. Mas e o COMER ? Tá liberado o escorpião, o cavalo, o cachorro, cobra, rã ? E a cerveja e whisky, os santos de Deus estão livres para BEBER estes venenos ? O Pastor Presbiteriano Albert Barnes escreveu : ” Não há nenhuma evidência nessa passagem de que Paulo ensinasse que não havia mais obrigação de observar qualquer tempo sagrado, pois não há a mais leve razão para crer que ele quisesse ensinar que um dos 10 mandamentos havia cessado de ser obrigatório à humanidade. Se ele tivesse escrito a palavra “o sábado” no singular, então, certamente estaria claro que ele quisesse ensinar que aquele mandamento (o quarto) cessou de ser obrigatório, e que o sábado não mais devia ser observado. Mas o uso do termo no plural, e a sua conexão, mostram que o apóstolo tinha em vista o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festivais, como uma parte de sua lei cerimonial e típica, e não a lei moral, ou dos mandamentos. Nenhuma parte da lei moral – “nenhum dos 10 mandamentos – poderia ser referido como ” sombra das coisas futuras”. Estes mandamentos são, pela natureza da lei moral, de obrigação perpétua e universal” .

    No contexto de Atos 20:6-7 em nenhum momento existe a afirmação que o dia de guarda foi mudado para o primeiro dia. Alias, existem em toda Bíblia 8 textos que mencionam o primeiro dia da semana e nenhum deles autoriza a troca do dia de guarda. Com relação ao texto citado, depois de esmiuçado e comparado com outros, estribado na lógica e bom senso, dará uma mensagem diferente daquela que hoje se crê, que tal acontecimento foi uma reunião de Santa Ceia.

    Consideremos :

    1 – Não se pode assegurar que esta foi uma Santa Ceia, porque “partir o pão” era um costume, uma ceia-refeição, um jantar entre os irmãos para alargar o sentimento cristão e o desenvolvimento do amor mútuo(Atos 2:42,46). Era uma prática ótima, tão boa que motivout a unidade que o Espírito Santo precisava no Pentecostes. Este costume também imprimiu neles um profundo sentimento humanitário, pois não havia necessitados entre eles(Atos 2:45), e os pobres de Jerusalém por eles fora socorridos(Rom. 15:25-26). Finalmente, não podia ser Santa Ceia, pois não usaram o suco da vide e . muito menos há indícios sequer da Santa Ceia celebrada pelo mesmo Paulo(I Cor. 11:23-29). Ademais, o costume era PARTIR O PÃO EM CASA(de casa em casa – Atos 2:46), o que prova ser uma refeição amigável apenas.

    2 – Nesta descrição … ” E no primeiro dia da semana ajuntando-se os discípulos …” entende-se com clareza tratar–se da noite de Sábado, pois que o dia é contado de pôr do sol a pôr do sol. Se assim é, o que ocorreu então ?

    Paulo passou o Sábado com os discípulos, como era o seu costume(Atos 17:2), e ao terminar o dia, no pôr do sol, e a começar o primeiro dia(início da noite de Sábado), Paulo que teria que partir no dia seguinte(parte clara do primeiro dia da semana), desejou usufruir da presença dos discípulos, e isso foi até à meia noite(logicamente do Sábado). Entretanto, foi uma reunião acidental, cujo motivo principal era o fato de ter Paulo que se ausentar dos irmãos, em cuja presença estivera durante uma semana(Atos 20:6). Se esta partida se desse numa terça, quarta ou quinta-feira, Paulo, como desejava, alargaria a prática até a meia noite ANTERIOR à sua viagem.

    I Cor 16: 1-2

    Vamos submeter também este texto ao crivo das Escrituras, para que os irmãos se sirvam dele para o bem.

    A tradução ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA omite a palavra EM CASA. Porém, a própria tradução ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA acrescentou tal expressão porque , de fato , ela consta no original. Nota-se por isso a sinceridade do tradutor que, sendo adepto do domingo, incluiu a expressão EM CASA, poi se não fizesse isso, proporcionaria forte argumento a favor da crença de que a coleta era na igreja. Daí, há que se deduzir :

    1 – Paulo soube que os crentes de Jerusalém (Atos 11:28-29) estavam em grandes necessidades, e os discípulos decidiram socorrê-los.

    2 – O apóstolo então pediu aos irmãos que SISTEMATICAMENTE, EM CASA, no primeiro dia da semana, fossem ajuntando alguma coisa : dinheiro, alimento, roupa, sandálias etc. E por que no primeiro dia da semana ? Ora, é o primeiro dia não somente de atividades e trabalhos, como marca o início de um novo ciclo semanal, logo após passado o Sábado do Senhor.(Leia estes versos e comprove como Paulo se envolveu nesta coleta filantrópica : Rom. 15:25-26 ; compare com Atos 19:21; 20:3; 24:17; I Cor. 16:1-5; II Cor. 8:1-4; 9:1-2). Deviam, portanto, ir ajuntando conforme sua prosperidade para que, quando Paulo fosse ter com eles, no SÁBADO, apanhasse a oferta.

    Agora, por que sei que Paulo ia à igreja no Sábado ?

    Razões satisfatórias :

    1 – Era o dia que Paulo tinha por costume ir à igreja(Atos 17:2), portanto era nele que os irmãos judeus e gentios levariam suas dádivas à casa de Deus.

    2 – Paulo trabalhava durante a semana e no Sábado ia à igreja (Atos 18:1-4)

    O primeiro dia da semana já existia quando o homem foi criado, cinco dias depois. Por conseguinte, Jesus não somente é Senhor do céu, da terra, do mar, mas até do Sábado (Mar. 2:27, Mat. 12:8). Então, qual é o dia do Senhor ?

    Resposta : O Sábado, reconhecido por João em Apocalipse 1:10 .

    Deus o chama ” Meu Santo Dia” Isaías 58:13

    Se os apóstolos não deram santidade ao domingo, se Jesus não deu, quem então o fez ? Que pena ! Quem deu santidade ao domingo, quem o fez símbolo da ressurreição de Jesus, quem o estabeleceu como dia santificado e de guarda, foi justamente aquela que os evangélicos hoje desdenham: a Igreja Romana. Aqui as provas transcritas do livro Estudos Bíblicos , págs. 382-388/oitava edição/1985/CPB :

    ” Nós católicos romanos, guardamos o domingo em lembrança da ressurreição de Cristo, e por ordem do chefe de nossa igreja que preceituou tal ordem de o Sábado ser do AT e não obrigar mais no NT.” Pe. Júlio Maria em Ataques Protestantes pág. 81

    ” A Igreja Católica … em virtude de sua divina missão, MUDOU O DIA DE SÁBADO PARA O DOMINGO. “. Catholic Mirror(Espelho Católico), órgão oficial do Cardeal Gibbons, de 23 de setembro de 1893.

    ” Observamos o domingo em vez do Sábado, porque a IGREJA CATÓLICA NO CONCÍLIO DE LAODICEIA(364 a.D) TRANSFERIU A SOLENIDADE DO SÁBADO PARA O DOMINGO” The Convert’s of Catholc Doctrine pág. 50 terceira edição, obra que recebeu a benção apostólica do Papa Pio X em 25 de janeiro de 1910

    ” Podereis ler a Bíblia de Gênesis ao Apocalipse e não encontrareis uma única linha que autorize a santificação do domingo. As Escrituras ordenam a observância religiosa do Sábado, dia que nós nunca santificamos” Cardeal Gibbons em The Faith of Ours Fathers, edição de 1892.

    ” A Igreja mudou a observância do Sábado para o domingo pelo direito divino e a autoridade infalível concedida a ela pelo seu fundador, Jesus Cristo. O PROTESTANTE, propondo a Bíblia como seu único guia de fé, não tem razão para observar o domingo. NESTA QUESTÃO, OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA SÃO OS ÚNICOS PROTESTANTES COERENTES” Boletim Católico Universal, pág. 4 de 14 de agosto de 1942.

    Para concluir :

    Pense bem :

    Querido irmão, se Jesus surgisse hoje ensinando publicamente, não repetiria as mesmas palavras de 2000 anos atrás ? Estas :

    ” Por que transgredis vós também os mandamentos de Deus pela vossa tradição ” Mat. 15:3

    ” Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens ” Mat. 15:9

    Deus escreveu com Seu dedo os 10 Mandamentos pela segunda vez(Êxo. 34:1). Na Nova Terra, o Sábado será o dia de guarda(Isa. 66: 22-23). Jesus relembrou sua guarda na destruição de Jerusalém(Mat. 24:20).

    COMO PODEMOS RECUSAR O SÁBADO AMADOS ?

    ” Os seus sacerdotes violentam a Minha lei … e de Meus Sábados escondem os seus rostos, e assim Sou profanado no meo deles.” Eze. 22:26

  6. Lucas Marcasso Diz

    Quando você tem pleno entendimento de um assunto e negligencia-o, está em pecado. Se você tem entendimento e compreensão do que é o sábado e da guarda do sábado e não o guarda, está em pecado. Agora, pode ser que você não guarde o sábado porque não tem entendimento disso, porque ninguém nunca te explicou coerentemente ou de maneira que o fizesse entender o que é o sábado realmente. Daí só Deus pra saber o que está no seu coração e te julgar. Não tem ninguém aqui que pode dizer se você está salvo ou perdido. Mas você fazer essa pergunta é um indicio de que seu coração é sincero e busca saber o que Deus realmente deseja de você.
    Outra coisa importante é entender como guardar o sábado. Pois às vezes achamos que guardamos o sábado e não guardamos, ou ao contrário, estamos guardando o sábado sem saber.
    Abraço

  7. Lucas Maia Diz

    Muito legal vocês incentivarem esse debate, com diferentes posições a respeito da guarda do sábado! Muito boa mesmo a ideia! Espero que outros assuntos sejam levados a debates semelhantes. :)

  8. Lucas Maia Diz

    Amigo, ninguém é salvo por observar a lei de Deus. Somos salvos somente pela fé de que Cristo morreu pelos nossos pecados (Gálatas 2:16; Efésios 2:8-10). Agora, se você possui mesmo essa fé ou não, isso eu não posso analisar. "Examine- se, pois, o homem a si mesmo" (1 Coríntios 11:28).

    Quanto ao que o Lucas Marcasso falou, pecado é pecado independente de a pessoa saber se está pecando ou não. O salmista pede perdão até pelos pecados que ele não consegue perceber (Salmo 19:12). Deus também pede ao seu povo que façam oferta pelos pecados de ignorância (Levítico 4).

  9. Lucas Marcasso Diz

    Lucas Maia muito bem lembrado! Esqueci da parte mais importante, que quem salva é Cristo e não a lei. A lei só serve pra diferenciar o que é pecado e oq não é, oq é de acordo com a vontade de Deus e oq não é.

  10. Wenison Andrews Diz

    Gente, porque imputar a nós carga a mais do que já é posto sobre nós, não somos judeus para atenteder alei instituida por Deus a eles, e se alguem o fizer deixe o, mas, pergunte se eles tbm foram circuncidados porque os judeus tinham que ser.

  11. Adriano Cruz Diz

    Engraçado que todos dizem que querem imitar Jesus, mas guardar o Sábado como Jesus fez (e isso está bem claro nos Evangelhos) ninguém quer. Cadê o "sede meus imitadores como eu sou de Cristo"?

  12. Ronaldo Leite Leite Diz

    Mais irmã cristo compriu a lei veja > "Porque o fim the lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê." (Romanos 10 : 4) Não preciso guardar a lei ou rituais judaícos para ser salvo veja irmã > "Porque pela graça sois salvos, por meio the fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." (Efésios 2 : 8) "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá the fé." (Gálatas 3 : 11) A lei não serve de nada pra Nós cristãos SOLA FIDE ESCRIPTURAS.

  13. Luciano Amorim Diz

    Ronaldo Leite Leite Sim, Jesus é o fim da lei. Vejamos bem, após receber o perdão, após ser salvo pelo Senhor Jesus, nós continuamos a pecar deliberadamente? Não. A graça não significa "liberação para quebra da Lei". Quanto à salvação, sim, é pela graça e nada podemos fazer para obtê-la, senão aceitar a Cristo como Salvador, mas após esse tão belo ato, somos levados a seguir os mandamentos de Deus. Sabe, no comentário abaixo, o jovem perguntou "porque imputar a nós carga a mais?". Me diga, onde está o peso de abandonar todas as nossas vontades para ter um dia inteiro de comunhão com Deus. Nossa caminhada cristã se baseia em abandonar tudo o que temos por amor a Cristo, não é? Qual o problema, qual o jugo, qual o peso de separar um dia ao Senhor? Pelo amor de Deus, o Sábado (ou Sabá) não foi criado para o homem guardá-lo, foi criado para o homem ter um dia para guardar, para descansar… Realmente, quando se está longe do Senhor, até "amar ao próximo" se torna impossível, por isso dizem que o Sábado é um peso. Quando estamos longe do Criador não vemos necessidade de separar se quer um segundo a Ele, mas quanto mais nos aproximamos, nem o Sábado parece suficiente. Digo tudo por experiência próprio. Guardo, santifico o Sábado porque foi através desse simples ato que Deus mudou minha vida e me ajuda a estar na presença dEle. Termino esse longo comentário lhe perguntando, o sr. já tentou guardar esse dia alguma vez? Já teve a experiência de abandonar tudo, qualquer coisa, o dia inteiro, só para orar, ler a Palavra, conversar com Deus… talvez até jejuar? Isso é lindo, meu amado… Tente e não se arrependerá.

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