10 teses de Farel, Calvino e dos reformados contra os papistas (Parte 1/2)

500 anos de Reforma Protestante

Em comemoração aos 500 anos de Reforma Protestante, o Voltemos ao Evangelho trará artigos semanais e biografias de diferentes reformadores: Girolamo Zachi (jan), Theodoro Beza (fev), Thomas Cranmer (mar), Guilherme Farrel (abr), William Tyndale (mai), Martin Bucer (jun), John Knox (jul), Ulrico Zuínglio (ago), João Calvino (set) e Martinho Lutero (out).

Nota de tradução e edição: O debate a seguir é um breve excerto e edição da obra de Melchior Kirchhofer, “A Vida de Guilherme Farel, o Reformador Suíço”, modernizada e disponibilizada em inglês pelo excelente William H. Gross, editor do precioso website OnTheWing.org. A edição fez-se necessária a fim de tornar a leitura mais agradável e compreensiva aos leitores de fala portuguesa. Para ter acesso a essa obra na íntegra clique aqui.

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Farel elaborou as seguintes dez proposições que seriam objeto de disputa no debate de Lausanne:

  1. A Escritura não reconhece outra justificação senão pela fé em Cristo, oferecida de uma vez por todas. Quem busca o perdão dos pecados por qualquer outra forma, oferta ou purificação, praticamente nega a eficácia desta oferta.
  2. A igreja não reconhece nenhum outro Sumo Sacerdote, Senhor, Mediador ou Cabeça da igreja além daquele que ressuscitou dentre os mortos e foi exaltado à destra do Pai.
  3. Não há outra igreja de Deus além daquela que recebe a sua redenção somente por meio da morte do Senhor; crê somente em sua Palavra e confia firmemente nela; sabendo que, desde a sua ascensão, ele preenche, preserva, governa e vivifica tudo pelo poder do seu Espírito.
  4. Essa igreja, a única reconhecida por Deus, faz uso das ordenanças designadas por Cristo, o batismo e a ceia do senhor, como os símbolos ou sinais das realidades invisíveis da graça divina.
  5. Essa igreja não reconhece outros ministros além daqueles que administram a palavra e essas santas ordenanças.
  6. Essa igreja não reconhece nenhuma outra confissão ou absolvição além do que é feita a Deus, e recebida somente da parte daquele que pode perdoar os pecados.
  7. Essa igreja não adota outra forma de adoração além da que está de acordo com a Palavra de Deus e fundada no amor a Deus e ao próximo; por isso, ela rejeita inúmeras cerimônias, imagens, etc., que deformam a religião.
  8. Essa igreja reconhece apenas um magistrado civil, designado por Deus, necessário para a paz do país, e a quem todos são obrigados a ser obedientes, na medida em que as suas ordens não são contrárias à vontade de Deus.
  9. Essa igreja também ensina que o casamento é ordenado por Deus para todos os homens, e não se opõe à santidade de qualquer ordem ou posição na vida.
  10. No que diz respeito às coisas consideradas indiferentes, tais como carnes, bebidas e dias de festas, o cristão tem a liberdade de observá-los de acordo com as regras da prudência e da caridade.

Antes da chegada da delegação de Berna, Farel dirigiu-se à assembleia e procurou prepará-los para uma correta consideração dos assuntos do debate. Ele aconselhou todos os presentes a orarem para que Deus os iluminasse e concedesse a vitória à verdade; e que ouvissem ambos os lados imparcialmente e examinassem cuidadosamente os argumentos. Ele exortou os clérigos e pregadores a terem uma suprema consideração a Jesus Cristo, e a serem zelosos, não por sua própria reputação, mas pelo bem-estar dos seus rebanhos. Ele almejava, pelos argumentos mais convincentes, induzir todos os que o ouvissem a se esforçarem pela glória de Deus e pela salvação das almas.

E ele expressou de forma clara a inevitável miséria daqueles que negligenciam o Salvador. Depois de aconselhá-los a um uso moderado da liberdade cristã, e expressando os seus devotos desejos de paz e unanimidade, ele lhes exortou a buscar e consolar os pobres e aflitos, e ministrar às suas necessidades, tanto espirituais quanto temporais. E (aludindo à doutrina papista) os exortou a fazerem as suas peregrinações a santos como esses, como sendo as verdadeiras “imagens de Deus”.

Chegado o dia do debate de Lausanne, Farel iniciou a reunião e foi seguido pelo oficial de justiça que declarou às pessoas presentes o objeto da disputa: dissipar os distúrbios que haviam surgido no país por causa da religião. Ele conduziu um juramento aos presidentes, que eles ouviriam ambos os lados com imparcialidade, apaziguariam todas as contendas e permitiriam que o apelo final fosse feito somente às Escrituras.

As duas partes estavam frente a frente. Por um lado, Farel, Viret, Calvino, Caroli, Fabri, Marcourt e Le Comte; e, do outro, o clero da catedral, os dominicanos e franciscanos de Lausanne, os agostinianos de Thonon e todo o sacerdócio dos distritos conquistados. Farel e Viret tomaram a parte mais proeminente na disputa. Calvino falou pouco, mas o suficiente para o propósito. Seu principal oponente era o francês Claude Blanchrose, um dos médicos do rei que tinham se estabelecido em Lausanne.

Continua na Parte 2.

Por: Melchior Kirchhofer. © On the Wing. Website: onthewing.org. Traduzido com permissão. Fonte: THE LIFE OF WILLIAM FAREL, THE SWISS REFORMER.

Original: O debate entre Guilherme Farel e Guy Fuerbity (Parte 2/2). © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira.

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