Ann Judson e o projeto missionário

O texto abaixo foi extraído do livro 8 Mulheres de Fé, de Michael Haykin, lançamento da Editora Fiel.

“Eu temia desagradar a Deus”

Nascida pouco antes do Natal de 1789, em Bradford, Massachusetts, Ann Hasseltine se converteu em um avivamento ocorrido em sua cidade em 1806, quando ainda era adolescente. O avivamento integrava um movimento maior, conhecido como o Segundo Grande Avivamento. Em um diário que escrevia àquela época, Ann menciona que sua principal alegria agora consistia em contemplar a perfeição moral do Deus glorioso.

Eu desejava que todas as criaturas inteligentes o amassem. (…) O pecado, em mim mesma e nos outros, parecia como aquela abominação que um Deus santo odeia – e eu sinceramente me esforçava para evitar o pecado, não apenas porque eu tivesse medo do inferno, mas porque eu temia desagradar a Deus e entristecer seu Santo Espírito.

Quatro anos mais tarde, em 28 de junho de 1810, Adoniram Judson, seu futuro marido, veio almoçar na casa de seus pais com três outros alunos, todos congregacionalistas que se haviam oferecido para servir como missionários na Igreja, sob a tutela do Conselho Americano de Comissários para Missões Estrangeiras. Eles seriam os primeiros missionários americanos no exterior. Quase imediatamente, Adoniram ficou encantado com a vivacidade, o charme e a beleza de Ann, e, um mês depois, perguntou a ela, formalmente, em uma carta se lhe daria consentimento para cortejá-la. Ann, então, respondeu que ele deveria pedir permissão ao pai dela.

E assim foi que, em julho de 1810, Adoniram enviou ao pai dela uma das cartas mais extraordinárias de um genro em potencial:

Devo perguntar-lhe se o senhor pode concordar em se afastar de sua filha no início da próxima primavera e não vê-la mais neste mundo. Se o senhor pode consentir com a partida dela para uma terra pagã, de modo que ela esteja sujeita às dificuldades e aos sofrimentos de uma vida missionária. Se o senhor consente em que ela se exponha aos perigos do oceano; à influência fatal do clima do sul da Índia; a todo o tipo de necessidade e angústia; a degradação, insultos, perseguição e, talvez, morte violenta. O senhor pode consentir com tudo isso, por amor a ele, que deixou seu lar celestial e morreu por ela e por você; por amor às almas imortais que perecem; por amor a Sião e à glória de Deus? O senhor pode consentir com tudo isso, na esperança de encontrar sua filha no mundo da glória, com uma coroa de justiça abrilhantada pelas aclamações de louvor que deverão ressoar para o Salvador dela dos gentios salvos, por meio dela, do infortúnio e do desespero eterno?

Os pais de Ann, John e Rebecca Hasseltine, permitiram que Ann decidisse sozinha. De sua parte, Ann não foi capaz de responder de imediato a Adoniram. Em primeiro lugar, ela mal o conhecia. E, então, deu-se conta de que casar-se com Adoniram implicava comprometer-se com a vocação missionária e, a princípio, ela não estava certa de que era o que Deus desejava para sua vida. Como Ann escreveu em seu diário, em 10 de setembro de 1810:

Uma oportunidade me foi apresentada, de passar meus dias entre os gentios, na tentativa de persuadi-los a receber o evangelho. Se estivesse convencida de ser esse o chamado de Deus, e que isso seria mais agradável a ele, que eu passasse minha vida dessa forma, e não de outra, penso que deveria estar disposta a abdicar de cada objeto terreno e, diante da visão completa dos perigos e dificuldades, entregar a mim mesma à grande obra.

Por dois meses, ela lutou com seus sentimentos, seu amor pela família e o pavor de sofrer, sozinha, em uma terra estrangeira. Por fim, embora muitos de seus amigos e conhecidos condenassem sua decisão de deixar a América em um “empreendimento romântico e selvagem”, ela chegou à conclusão de que o casamento com Judson e a vida missionária eram, de fato, a vontade de Deus para a sua vida. Como ela escreveu a uma amiga:

Cheguei à conclusão de renunciar a todo o meu conforto e prazer aqui, sacrificar minha afeição pelos parentes e amigos, e ir para onde Deus, em sua providência, pensa ser o lugar adequado para mim. Minha decisão não é repentina nem tomada sem analisar os perigos, as provações e as dificuldades presentes em uma vida missionária. (…). [M]inhas decisões [foram] tomadas (…) com um senso de minhas obrigações para com Deus, e com a convicção plena de se tratar de um chamado da providência e, consequentemente, de minha obrigação.

Cerca de vinte meses depois, em 5 de fevereiro de 1812, Ann e Adoniram se casaram, na casa Hasseltine, onde se encontraram pela primeira vez. No dia seguinte, ocorreu a ordenação de Adoniram na Igreja Congregacional do Tabernáculo em Salém, juntamente com outros três missionários congregacionais para o serviço no subcontinente indiano: Samuel Nott (1788–1869), Gordon Hall (1784–1826) e Samuel Newell (1784–1821), com um quarto, Luther Rice (1783–1836), sendo acrescentado no  último  momento.

Duas mil pessoas se aglomeraram no templo. Um grande silêncio tomou conta da multidão até o momento da ordenação, quando, então, uma onda de choro e suspiros varreu a congregação. Duas semanas depois, os missionários tinham tudo preparado para navegar para a Índia: os Judson e Samuel Newell e sua esposa, Harriet (1793–1812), de Salém, e os outros com suas esposas, da Filadélfia.

Por:Michael Haykin. © Editora FIEL. Website: editorafiel.com.br. Traduzido com permissão.

Original: Ann Judson e o projeto missionário. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados.

1 comentário
  1. Amanda Lissoni Diz

    Ah! Vocês nos deixam só com o gostinho. Onde encontro o restate do relato? Estava gostando de saber a história dessa irmã.

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